quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

MEMÓRIA ORAL (326)


BRANCO, DE AREALVA E COMO SE DÁ O FLUXO DE GENTE DOS ARREDORES DE BAURU PARA A DOMINICAL FEIRA DO ROLO
Conheço o Branco já há aproximadamente uns 30 e poucos anos. Perdi a conta deles. Éramos jovens, idealistas e queríamos transformar o mundo. Eu continuei minha vida do lado de cá e ele por lá, quando adentrou o serviço público municipal e hoje, está atuando junto da Educação municipal. De uns tempos para cá, encontrou num hobby, o de confeccionar pequenos oratórios em madeira reaproveitável. Tudo ganhou conotações mais consistentes, foi quando alugou uma pequena casa, ao lado de um riacho, perto do centro da cidade e ali, ao final de cada expediante, segue no ofício de artesão. Uma história que em breve quero aqui contar, pois vejo seu trabalho exposto em variados lugares, ou seja, conquistou com sua qualificação, um espaço respeitado dentro do segmento.

Branco é destes que, frequentemente sai de sua Arealva aos domingos, rodo perto de 30 km e baixa na Feira do Rolo. Trombo com ele por ali sempre que aparece e em todas as vezes, sempre com algo novo nas mãos. Desta feita, chaleiras e torradeiras de café, dessas antigas, ferro fundido. Compra e depois lá no seu espaço, restauro tudo e decora ambientes variados. Elesabe especificamente o que quer e sabe também, encontrará na feira bauruense. Vem e sempre volta com algo. Assim como ele, muitos outros, num raio de mais de 100km por aqui aportam. Conheci um médico de Araçatuba, louco por vinis, os tais LPs, bolachões e aqui vinha, acompanhado com esposa e uma filha, chapelão com abas na cabeça, onde em pelo menos uma vez ao mês, tinha Bauru como lugar certo para passar um domingo. Tudo começava na feira do Rolo.

O fato é que a nossa mais famosa feira, com divulgação já estabelecida pela aí, suplanta a de muitas cidades maiores que Bauru. Sua fama já ganhou ares de ser considerada um polo atrativo, quiçá turístico, porém, com pouca atenção do poder público municipal. Teve até quem já tentou acabar com a mesma, porém a grita foi geral e tudo se aquietou. Seus frequentadores sonham com a transformação do antigo barracão da FEPASA, hoje sendo utilizado como depósito de móveis do antigo Museu Histórico - um crime -, poderia ser transformado no tão sonhado Mercadão Municipal, com a recuperação da praça e seus históricos paralelepípedos. Seria algo para, aos domingos, o furdunço começar bem cedo e só terminar já com a chegada da noite.

Gente como Branco sabe do valor desta feira e de como tudo poderia ganhar ares infinitamente melhores com um Mercadão ali junto. Seria vital para a revitalização do centro bauruense e de toda a região nas cercanias de onde hoje ocorre a feira, entre as ruas Julio Prestes, Gustavo Maciel e Rio Branco. Se existe algo onde Bauru possa ser inserido no MIT - Município de Interesse Turístico, designação estadual, a Feira do Rolo deve ser enquadrada e com todo louvor. Esse interesse e procura, não só local, como regional é a prova de sua importãncia. Sou daqueles a creditar a essa Feira a designação de ser o espaço mais democrático desta cidade, este outro ponto mais que relevante para sua perpetuação como Patrimônio Imaterial bauruense.

NELSON FIO NA FEIRA COM UMA ENIGMÁTICA CAMISETA
Nelson Fio um dia foi Secretário Municipal e gravado pelo hoje marido da alcaide Suéllen Rosin, num dos fatos mais lamentáveis da história bauruense, perdeu o cargo e foi tocar sua vida fora das hostes públicas. Renato desde então pouco se afastou de cargos públicos e hoje, ostenta o de marido da alcaide, com o adicional de ser também consultor para assuntos aleatórios e institucionais, atuando ao lado da esposa no 3º andar do Palácio das Cerejeiras.

Nelson é um líder comunitário, sempre atuando politicamente e filiado a pequenos partidos, porém circulando em tantos outros, sempre fazendo questão de apregoar: "Nenhum fascista ou dessa abominável direita radical". Dias atrás, diante da investida destes tantos impolutos sassaricando pra lá e para cá no campo político, levou até o amigo Clemente, a ideia de confeccionar uma instigante camiseta, com uma espaço vazio e na sequência um sugestivo ESSE NÃO MENTE.

É o bastante para ser abordado por onde passe. Diz já ter ouvido de tudo como o tal político - ou quem quer que seja a preencher os requisitos de ser avesso à mentira. Como se vê, ele ri e muito das respostas para os tantos que quiseram lhe responder ser este o mais indicado para ostentar ali seu nome.
 Na feira dominical, junto ao local onde bate cartão todo domingo, defronte o Pequeno's Bar, atendeu solicitações e ria à cantâros com os nomes sugeridos, pois dizia, nenhum até agora, não faz uso de mentira como procedimento basilar em sua carreira e vida, pública ou privada.

Um provocador e com isso, continua sua saga, que no momento é a de encontrar um nome palatável e sem o vínculo instestinal, diria mesmo, umbilical com a extremadireita. De seu antigo algoz, o já citado Renato Purini, diz será o escolhido pela alcaide para sua sucessão, porém sua rejeição será algo que, pode dar fim ao ciclo dos Rosin na política bauruense. Toc toc toc, bato na madeira três vezes e reafirmo a ele, não só o da famiglia, mas a dele também. De outros postualantes ao cargo, dos com cargo de vereança, afiança, nenhum teria como ter seu nome preenchendo o espaço em sua camiseta. Quem poderá fazê-lo?

EU ME ESBALDANDO COM AS HISTÓRIAS VIVIDAS DENTRO DE UMA MOLDURARIA
Aqui em casa resolvemos nestes dias nos presentear mutuamente com molduras em imagens que tínhamos como preciosas. Em busca de um lugar para realização do planificado, acabei me deparando com uma localizada num local, onde há exatos quatorze anos está localizada a STUDIO MOLDURAS. 

O lugar é velha conhecido, pois ali muito tempo atrás funcionou um espaço dedicado a quem gostava de vinhos, de um senhor muito simpático, que já nos deixou. O lugar me marcou. O porão na rua Saint Martin 10-72, quadra do SENAC, quase esquina com a Batista de Carvalho é um lugar sui generis.

Ali não se trata de um simples porão, mas um amplo espaço, caindo sob medida para tudo o que verdadeira molduraria precisa, em primeiro lugar espaço. Claudio Lopes, 60 anos, não carrega o ofício há mais que 20 anos, mas nele se inseriu e não mais pretende o abandonar. Pegou gosto, depois de anos atuando numa grande empresa, quando a mesma deixou de funcionar na região, se viu desempregado. Primeiro atendeu pedidos da irmã congeccionando telas para pintura, feita para alunos dela e depois vieram as molduras. Atendeu primeiro num outro lugar, depois achou este e nele se estabeleceu de vez. Hoje, continua produzindo telas, em diferentes tamanhos e formatos, mas pela quantidade de ripas de molduras, percebe-se que o negócio flui mesmo é na confecção de quadros.

"No país de hoje, ter uma moldura é algo supérfluo, pois diante de tantas outras necessidades e com a renda nos apertando, emoldurar algo sempre é deixado de lado, mas sigo em frente, com trabalho suficiente para não desanimar", me diz. Feliz com o resultado do que ali me trouxe, demoro para me despedir. Conversamos na véspera do Natal e o lugar tem algo de mágico, diria mesmo, magnético. Para mim, respirei aquele benfazejo de lugar convidativo, atrativo e com fluídos me fazendo, sentar após pagar pelo trabalho realizado e estabelecer outra relação, a da prosa.

Cláudio é muito simpático, estávamos quase no horário dele fechar suas portas e ir-se para comemorar o Natal, mas não dispensou de me contar algo do seu ofício. Quando disse ter visto poucas moldurarias na cidade, me citou várias e descubro, primeiro ele não teme pela concorrência, depois se em cada existe essa aúrea, estes lugares tem algo daquilo que considero serem abençoados. São lugares cheios de luz própria, feito com as mãos, artesanalmente. De tudo, ele me conta também já ter tido cinco funcionários e destes, só um se interessou verdadeiramente pelo ofício, mas hoje prefere trabalhar sózinho. Aquele lugar virou o seu local, tão somente dele e de sua arte, cada vez mais aprimorada, tanto que quando sai para fazer entregas, cerra as portas. No ofício, tudo feito com a devida assimetria, régua e compasso utilizados com precisão e dando vida para paredes diversas e variadas. 
Lugares assim, desde a entrada, quando aliadas do bom astral de quem nela atua, tudo se transforma numa espécie de mágica. Sai de lá tocado pelo pó de pirlimpimpim do lugar.
OBS.: O endereço, como já informado é Saint Martin 10-72 e o fone é 14.981532207. Confiram se tenho razão no encantamento do lugar, com aquela áurea que só os porões possuem.

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