Gosto de mais da conta de viajar e ir conhecendo novas culturas e povos. Gosto principalmente, até mais do que visitar a história de um povo, como todos os museus e parques históricos por onde estou e estive, de ter contato com o lado mais popular, o de luta de cada cidade. Neste giro europeu, o que muito tem me impressionado são as poucas conversas que consigo ir travando nas caminhadas.
A mais significativa, a que mais me tocou foi termos feito, eu e Ana Bia, um tour a pé pelo Bairro Espanhol, em Nápoles, aqui na Itália. Confesso, quando montávamos o roteiro de nossas andanças, fiz Ana incluir essa cidade, pois ciente do culto à Maradona, queria ter contato pessoal com aquilo que só conhecia por leituras variadas. Ver pessoalmente algo neste sentido é para tocar fundo qualquer cidadão sensível.
O que via aqui não é simplesmente um culto a memória do índodo futebolístico Maradona. Ele representa muito mais que isso para os napolitanos. E o bairro Espanhol é uma espécie de República Maradonista encravada no coração da cidade. Por ali, um bairro com todas as moradas bem juntinhas umas as outras, como as tais comunidades que vemos em muitas cidades brasileiras. A luta destes seguia até que, um belo dia, aqui veio jogar bola pela time da cidade, o craque argentino. Ele, de origem muito simples, chega e se identifica imediatamente com a luta destes, os que padecem no dia a dia para sobreviver. Luta desmedidamente dentro do campo de jogo e consegue levantar valorosos títulos para o Napoles.
Essas vitórias extrapolaram o campo da bola, pois as fez entrelaçadas com a luta destes, os empobrecidos que, alé mdo amor à bola, empreendem a luta diária pela sobrevivência. E Maradona esteve não ao lado destes, mas junto. Ele não só observou, como foi à luta por eles e a identificação que já era imensa tornou-se incomensurável. o que vi nas ruas deste bairro e espalhados por toda a cidade é algo tocante. Essa cidade não ama somente o jogador de bola que aqui jogou, mas identificou nele o lutador que necessita para transformar sua condição social. Poucos foram os jogadores que estiveram tão decididamente fazendo essa opção de luta. Maradona fez e merece todas as homenagens que aqui presenciei.
O marido de nossa guia pelas ruas do bairro possui três tatuagens de Maradona em seu corpo e nenhuma dela, a esposa. Ele, segundo ela, a ama, mas é louco por Moradona. Essa loucura, verdadeira devoação é por ter visto no craque o que necessitavam para reagir, ir à luta e não desistir dos seus sonhos.
Lutem como Paulo Freire e Darcy Ribeiro!
Lutem como Robert De Niro! Lutem como Muhammad Ali!
Lutem como o Dr. Reverendo Martin Luther King!
Lutem como Mandela!
Lutem como Malcom-X!
Lutem como Mujica!
Lutem como Hugo Chávez!
Lutem como Fidel Castro e Che Guevara!
Lutem como os Panteras Negras!
Lutem como os Panteras Negras!
Lutem como Mino Carta e sua Carta Capital
Lutem como Lula
Lutem como Lula
Lutem como Cristina Kirchner e Gustavo Petro
Lutem como Roger Waters
Lutem como Greta Thumberg
Lutem como o fazem os antifascistas
Lutem como Roque Ferreira!
Lutem como o Bauru Sem Tomate é MiXto
Mas façam alguma coisa!
Mas façam alguma coisa!

Nenhum comentário:
Postar um comentário