sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026


CAMISETA DO CHE ABRINDO PORTAS e OS DIÁLOGOS NADA PRODUTIVOS PELAS REDES SOCIAIS
São duas distintas histórias. Conto em separado. Ambas ocorreram por estes dias, uma num dia, outra noutro. No fundo, uma tem relação com a outra, ou seja, algo mais dessas intempestivas e tempestuosas,calorosas relações humanas destes tempos.

Na primeira, meu cão faleceu e fui perambular pela rua. Sai sem rumo pelo centro da cidade. Queria deixar o vento bater no meu rosto, deixar também a chuva me molhar um bocadinho. Estava sem rumo e desta forma, sentei na lanchonete no supermercado Confinança, o da rua Treze de Maio, enquanto aguardava terminarem a lavagem do meu carro. Pedi um suco, o salgado pedi por pedir, pois na verdade, não tinha fome nenhuma. Sentei e me pus a comer, tentando ler as páginas de uma revista. 

Na mesa do lado, duas senhoras, sentam e levam às mãos, prato cheio de salgados e ao me verem com uma vistosa camiseta com a estampa do eterno CHE GUEVARA - essa comprada em Cuba, quando de minha visita em 2007. A mais velha, antes de sentar, fala algo sobre Che e não consigo entender. Levanto a cabeça e peço para repetir, pois estava desatento.

- Achei linda sua camiseta. Fazia tempo que não via ninguém com uma camiseta com a cara do Che Guevara. Antes via muito mais, hoje acho estranho quando encontro alguém. Daí, quero lhe elogiar. O senhor assistiu ao Diário de Motocicleta?

- Sim - respondo. Precisamos, cada vez mais de gente como Che nos dias de hoje. Temos hoje, infelizamente, Che's de menos e bandoleiros demais. O mundo precisa de gente verdadeiramente revoluciuonária, que não aceita o que estão a fazer conosco, daí não só se revoltando, como nos defendendo. 

- É verdade. Na sua camiseta, uma estampa bonita do Che e não aquela lembrança, que não me sai da memória, a dele todo ensaguentado, sujo e já morto lá na Bolívia. Gente como Che aqui em Bauru, não permitiria, sem nada fazer, ver tudo o que essa prefeita está a fazer com a cidade e permanecer calado. Che se revoltou contra as injustiças e propôs enfrentar os que se apresentravam, como seus representantes, mas os apunhalavam.

Nisso, da mesa do lado, um casal. Enquanto ele se levanta para pagar a conta, ela se dirtige a nós:

- Agora mesmo, neste instante, nossa conta de água está subindo de forma exorbitante. Suéllen afirmou que nada subiria e a primeira coisa que fizeram foi subir o valor. Ela mente demais e reagirmos pouco. Faz falta um Che Guevara. Estava ouvindo a conversa de vocês e fiz questão de dar meu pitaco antes de ir embora.

Também me levanto, me despeço das duas senhoras e ao sair, um senhor numa outra mesa, olha para mim e com um sorriso nos lábios diz:

- Já estamos cansados das mentiras da prefeita. O povo votou nela, mas pelo visto, não entendeu qual a dela, não sacou de suas intenções. A cidade está feia e abandonada, como nunca vi em toda minha vida. Sua camiseta é mesmo muito bonita.

Saio e reflito sobre isso tudo. Ainda sentado na lanchonete, raciocinava sobre um diálogo com emérito bolsonarista, destes que, até a presente data, mesmo com suas repetitivas maléficas provocações, ainda não o deletei do rol dos presentes em meu Facebook. Ele postou e recebi sua provocação, sem conseguir me segurar. "Alguém sabe dizer o que aconteceu com a escola de samba que homenageou o LuIa? Ganharam?", escreve. Isso é o mais suave que consegue publicar, dentre suas últimas postagens. Sei que, não deveria ficar dando corda para idiotices, mas em algumas vezes, até gosto de provocá-los, para ver até onde conseguem prosseguir com a falta de raciocínio lógico e recomendável para um saudável ser humano.

Minha resposta: "Embora tenha sido rebaixada pela comissão julgadora do carnaval do Rio de Janeiro, como geralmente acontece com as escolas que subiram da série de ouro para o grupo especial no ano anterior, segundo a UOL, a Acadêmicos de Niterói foi a primeira colocada na preferência do povão, disparou 12 pontos percentuais à frente da segunda colocada, a Mocidade Independente de Padre Miguel, 37% e 25% respectivamente. De fato fez um desfile emocionante, e apresentou um enredo muito bonito, livre, satírico, e tocante. Nunca havia visto uma Escola de Samba mexer tanto com o Brasil, se tornando o centro das atenções. A Acadêmicos de Niterói terminou esse carnaval maior do que entrou, saiu da avenida e foi para a história, não apenas do samba, foi para a história de nossa democracia, com sua denuncia corajosa contra aqueles que recentemente tentaram golpea-la. Perdeu o campeonato mas levou consciência e ganhou o coração do povo".

Foi o bastante para impropérios surgir de todos os lados, num nível de latrina. Provoco estes e sei, deles não virá nenhuma possibilidade de enxergar nada de bom neste Governo Lula ou em qualquer outro com alguma conotação de esquerda. Estão dentro de uma bolha, onde só dão vazão para alguns sites pré-determinados e ficam repostando sempre as mesmas baboseiras. Seria divertido permanecer nas provocações, não fosse trágico. 

Concluo que, como aconteceu comigo lá na lanchonete, preferível hoje, travar conversações nas ruas, principalmente nas periferias da cidade - estava sentado na lanchonete de um supermercado, na boca de entrada no Bela Vista, local de um público reconhecidamente mais empobrecido e sofrendo do padecimento dos tempos atuais. Bater boca com bolsonaristas, já com a cabeça fora do prumo, perda de tempo. Mergulho a partir de agora em idas e vindas para conversações pessoais, as ditas presenciais, do que as online. Eis um caminho para daqui por diante.

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