Ontem, quarta, 23/07 se foi LUIZ FERNANDO ALVES DE SOUZA, fraterno amigo e fazendo questão de apregoar por aí ser leitor diário deste HPA. Para quem já possui tão poucos leitores, perdeu um do quilate do Fernandão é grande coisa. Volto neste momento do velório e entrerro, quando relembro histórias de antanho junto de sua esposa, a querida advogada Zanza e do filho Caio. Ela tocava o escritório de advocacia com o filho e com auxílio imprescindível do marido, que não era formado em Direito, mas um estudioso e de um preciosismo nos detalhes, algo inerente em alguém como ele.
Minhas lembranças dele viajam no tempo. Anos 80, Duílio Duka, hoje morando lá pelos lados de Botucatu, estava levando seu livro "Canto Exclusivo", para imprimir na gráfica do Fernando, um movimentado ponto de encontro de jornalistas, poetas, escritores e gente em busca de boa prosa. O local era barulhente, as máquinas produziam inconfundível barulho, destes que não nos abandonam mais. Lembro bem da cena, papéis espalhados por todos os lados e ele, bonachão, sorridente e sempre com uma gargalhada bem peculiar, dessas que o acompanhou a vida inteira. Lá foram impressos livros de muitos dos bauruenses, duas quadras abaixo da Batista de Carvalho. Fui com Duka ali quando imprimiu seu livro e voltava regularmente, para impressos variados, numa época em que, ele foi um dos "impressores" de escritos dos independentes destas plagas.
Passo pelo Mafuá e sem vasculhar muito numa estante onde guardo os livros sobre Bauru - mais de cem -, encontrando assim de bate pronto o do Duka e outro, o "Um Semblante Latino - As vísceras de todos", do saudoso Joaquim Mattar. Não me lembro dos livros ali impressos possuirem capa em couchê. Era simples, a maioria finalizados sem isso da arte computadorizada, tudo feito na unha, ou seja, nas máquinas de escrever. Hoje são peças raras, verdadeiras preciosidades. devo ter mais alguns por lá. Lembro também das campanhas políticas e muitos fazendo seus "santinhos" ali com o Fernandão. Ele tocou sua gráfica, a "Editora Fernando S/C Ltda" até quando deu. Resistiu ao avanço de outros que o sucederam e foi dar sua contribuição para os escritórios da Zanza. Primeiro tiveram um escritório, num casa atrás do Fórum do Bela Vista e depois na casa deles, lá perto de onde um dia funcionou o IBC, também de saudosa memória, casa de meus tios Edi e Carlos.
O filme vai sendo revivido pela memória. Depois da convivência inicial, sempre que nos víamos, ele sempre sorridente, bom conversador e a prosa seguia altaneira. Nos últimos tempos, ele já tendo se recuperado de problemas de saúde, bem mais magro, circulava pelos pontos da rua Primeiro de Agosto, onde batia cartão. Eu e ele, necessitamos disso, de ruar e a convivência com as trombadas diárias nessa rua são como um fortificante, algo para nos recarregar. E sempre que me via, falava de algum texto meu. Lia e quando discordava, uma delícia, pois estava disposto a conversar sobre o assunto. Adentrávamos o bar do Japa, ao lado do Banco do Brasil, ou antes dele, noutro em frente, ao lado de uma farmácia. Vez ou outra estava me sugerindo temas e demonstrando ter exagerado, sempre com seu jeito cordial e sem nenhum tipo de agressão.
Hoje fico sabendo, ele estava hospitalizado desde maio e depois de uma cirurgia em Botucatu, permaneceu outro tempo no Manoel de Abreu e em casa junto aos seus. Sei que, voltando a circular pela Primeiro de Agosto, outros tantos que por lá circularam me trazem muita saudade. Aquela artéria é para mim um ponto de muita recordação e de conversas inesquecíveis. Fernandão me traz lembranças do tempo quando ainda atuando na Bradescor, lá pelos 20/25 anos, estava me iniciando nesse mundo de confronto com as adversidades e aquela gráfica, reduto de resistência. Não vejo nenhuma como aquela ainda sobrevivendo. Fizeram parte de uma época, um período e a dele, merece uma reverência mais que especial. Fez parte significativa para muitos que, tinham uma ideia na cabeça e as querendo passar para o papel, tinham no Fernando o espaço ideal, pois a negociação era maneira, feita conforme as condições do requerente. Parte da história dos mundanos bauruenses circulou por lá. E eu perdi um leitor dos mais dispostos a ler o que despejo diariamente pela aí.
https://www.facebook.com/share/v/16b9cbNcNG/aO tema deste título merece uma dissertação, talvez mais que uma tese acadêmica. Isso é histórico e pode ser facilmente comprovado quando juntadas ocorrências variadas em curso e já estabelecidas. A direitona mais fascista se acha dona da verdade, uma que tudo pode e assim comete as maiores atrocidades. Se formos analisar tudo o que está em curso neste momento dentro do cenário político brasileiro isso é facilmente perceptível. Isso do deputado se afastar do seu amandato, ir morar nos EUA e de lá agredir o país, tudo para tentar livrar a cara de seu pai, um criminoso já condenado e quase preso é apenas mais uma ocorrênia. Eles, os mesmos dessa família, já lesaram em cheques recebidos e passados, sem explicação de fonte. Já lesaram muito com caixinha em salários de assessores, já se utilizaram de PIX recebidos com propagandas que são todas acintes para os brasileiros que trabalham no dia a dia e suando muito suas camisas.
Isso acontece no mundo todo. Na Argentina, de onde acabo de chegar, a turma do Milei, o presidente que se utiliza de um símbolo fálico, uma moto serra ligada para se dizer potente e ativo, é contumaz em cometer verdadeiras barbaridades. Incentivou muita gente a investir em criptomoedas e perder muita grana. Isso, por si só já seria suficiente para cassá-lo, mas fez tudo dentro da Casa Rosada, o palácio presidencial e lá vende propaganda dele mesmo junto de quem besta, se submete a pagar por tê-lo num vídeo particular. Por lá, assim como os Bolsonaros, fazem de tudo e a mídia massiva pega leve, como se tudo fosse permitido. Permitido para a ultradireita, pois quando um mínimo ocorrer ou é apena sugerido ter ocorrido, como no bestial caso da prisão de Lula, prendem e conseguem mandatos e decisões jurídicas.
A ultradireita comete aberrações e, pasmem, se acham no direito de fazê-lo, sem que ocorra cobrança. Este time do "tudo pode" é dos mais perigosos e precisa ser contido, pois já perverteu parte do Judiciário e da sociedade. Enxergo assim, pois para mim é incompreensível ver como os louvadores de Bolsonaro e de Milei, depois de tudo o que já foi divulgado deles ainda os defendem. E tem a desfaçatez de chamar Lula e Cristina Kirchner de ladrões, sendo que o que defendem é que representam escândalos encolvendo muita corrupção e ladronagem. No momento, se faz necessário uma campanha para devolver a exata compreensão das coisas na cabeça de quem acredita em história de carochinha. Não é e nem será fácil, mas se nada for feito, a tendência é tudo piorar. E este jogo é jogado quase que exclusivamente pelas redes sociais, onde as maiores mentiras são difundidas e onde todos a lêem.
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