terça-feira, 5 de maio de 2026


CRÔNICAS CAPIXABAS (02)
ELE SE SAFA RESOLVENDO PEQUENOS - E GRANDES - PROBLEMAS DOS DESVALIDOS

Circulando pelas ruas de uma cidade, as pequenas e grandes coisas ali acontecendo vão sendo reveladas, ou melhor desvendadas. Basta ficar de olhos atentos, tudo vai se revelando diante dos olhos. Conto a seguir algo do que vi com as andanças realizadas na parte da tarde. Estava livre, leve e solto. Fui comprar a passagem para andar no trem da Vale, saindo amanhã de Vitória, com destino quatro estações adiante, na cidade mineira de Aimorés, loca lde nascimento do fotógrafo Sebastião Salgado. Quero voltar a andar de trem e o farei num pequeno percurso.
Compro a passagem, saio o terminal rodoviário, pego um ônibus circular e, sem pagar passagem, pela idade alcançada, desço diante do Mercado de vila Rubin, creio eu, o mais popular de toda Grande Vitória. O que mais tem ali são peixes, mas abundam também produtos naturais para curas diversas. Gosto muito de circular em lugares assim. Almoço por lá e, nestes desencontros entre o oferecido em lugares dessa natureza e o que se é consumido nos restaurantes no local, não consegui comer peixe a contento no lugar.
Almoço e desço pela avenida Cleto Nunes, junto ao parque Moscoso, engatando uma rua noutra, subindo e descendo ladeiras, tentando encontrar o caminho do centro da cidade. Por ali floresceu décadas atrás o centro nevrálgico de Vitória e hoje, um arremedo, com muitas edificações degradadas, porém mantando uma beleza arquitetônica sem comparações. Um turista é logo percebido entre os populares nestes lugares, pois ficar boquiaberto diante de tudo, pescoço dobrado para cima, olhando tudo com olhos desbravadores.
Faço isso e muito mais. No meio da balbúrdia, começo a prestar atenção num senhor de terno preto. Ele circula de um jeito diferente, pois o vejo sendo procurando por muitos, lhe dirigindo a palavra em busca de auxílio para assuntos variados. Sento num bar e fico a observá-lo. Uma mulher negra, com uma sacola pesada nas mãos se aproxima dele e lhe desfia seus rosário. Ele ouve, sacode com a cabeça e o vejo anotar algo num papel e lhe pede para procurar a Defensoria Pública. Outro desce de uma moto quando o vê ali na calçada e ficam confabulando por um bom tempo, tudo se findando com um aperto de maõs e a fala: "Agora já sabe como fazer, não tem como errar. Vai dar tudo certo, pode crer". E o cara sai arrancando com sua moto. Depois outro e mais outro.
Vi que é um espécie de solucionática - palavra, creio eu, inventada pelo Dario, o ex-jogador Dadá Maravilhav- para problemas de uns tantos. Eu me encantei em ali permanecer e ir vendo como as pessoas o procuravam e, pelo visto, saiam com alguma solução, ou pelo menos bem encaminhadas para tanto. Deve receber pelos seus serviços, mas não vi ninguém lhe passar grana. Isso não ocorreu, pelo menos no tempo em que ali permaneci.
O tempo passou, quando já me preparava pára continuar minha caminhada, eis que estende o braço e adentra um ônibus circular, cuja placa não consegui identificar. Queria ter podido puxar conversa. Por pouco não adentro o ônibus junto dele, mas achei acintoso demais. Como tenho poucos dias pela frente na cidade, talvez não volte a vê-lo e nem tomarei conhecimento de como exerce a exponente atividade que o vi praticando ali na calçada de uma movimentada avenida.
Sigo meu caminho, pois tinha em mente que seguindo em frente, chegaria ao centro do centro, ou seja, o ponto onde já conhecia e está localizado o Theatro Carlos Gomes. Sim, o encontro e sempre, para quem insiste pelos descaminhos, afinal, todos os caminhos levam à Roma. Cruzo com cartazes sobre o Carnaval, um bloco de rua, num bar fechado naquele momento. Tiro fotos e fico imaginando de que, algo ali ocorra, naquela viela perdida num trecho um tanto degradado de Vitória. Ainda pelo caminho volto ao sebo Catraia e de me indicam para ir conhecer o do Graminha, mas isso já é outra história.

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