CRÔNICAS CAPIXABAS (04)
PANELEIRAS DE GOIABEIRAS, NÃO FIQUE SEM CONHECÊ-LAS EM VITÓRIA-ES
E assista o vídeo gravado por mim com uma delas, Néia, uma das expoentes deste rico trabalho artesanal das mulheres da região do mangue das Goiabeiras, atrás da UFES, a universidade federal capixaba. O trabalho em cooperativa é revolucionário e transformador. Não tem como não se empolgar.
Já tinha muito ouvido falar delas. Ana Bia havia sido levada por colega professora daqui de Vitória e me orientou a procurar duas delas de forma bem específica. Havia ficado encantada. Hoje, passeamos por lugares aleatórios no período da manhã e à tarde, quando Ana teria que permanecer a tarde toda dentro da universidade, fui levado até as portas do barracão das PANELEIRAS, no distrito de GOIABEIRAS, localizado bem ao lado de um mangue e dos fundos da UFES. Desço e já sou envolvido pelo clima do lugar. Tive a certeza ao botar os pés no chão, ser ali um lugar encantado. Um barracão, não tão grande, mas abrigando a todas em pequenos boxes e em cada, com o nome identificado na entrada, algo bem próprio de cada uma. Circulo pelo salão e me encanto com o que vejo.
Sou encaminhado para um especificamente e ela educadamente me diz não poder me atender com nada em específico para aquele dia, pois acabara de receber pedido grande de fora e com prazo de entrega determinado. Estava fora abaforida e contente, enfim, tinha serviço garantido para os próximos dias. Isso, me diz, se repete, pois "conseguimos solidificar um nome, um trabalho feito com sangue, suor e lágrimas. Somos um grupo unido, coeso e onde todas ganham. Ninguém deixa a outra sem nada para fazer. perrceba uma boa movimentação por todos os lugares".
Verdade, o movimento é intenso e ao circular percebo como tudo ocorre. O barro, específico e o qual não contam o segredo, vem de outro lugar e possui uma liga bem consistente, a que deixa o trabalho artesanal perfeito, pois não quebra. Cada uma tem sua cota der barro, de acordo com os trabalhos conseguidos, produzem conforme sua ideia, com tamanhos e modelos variados e depois, do lado de fora do barracão, cinco fornos, usados por todas de forma coletiva. Estando vazio, deles fazem uso, se já estiver sendo usado ou esperam vagar, ou entram em acordo, dentro da urgência de cada uma, fazendo uso compartilhado. E lá, com as peças já esculídas, prontas, queimam com madeira e quando na cor adequada, transportam para outra mesa e untam com o líquido que dará, não só brilho, mas ajudará na consistência da peça. Depois, colocam pra secar ao sol. Na etapa seguinte tudo estará pronto.
Converso especificamente com uma delas, a que compro algumas peças, para presentear amigos queridos. Néia tem 50 anos e não herdou o que faz de sua mãe, mas está no lugar desde muito cedo, já sua filha Jéssica, 30 anos, essa sim, nasceu dentro das Paneleiras e segue o negócio adiante. Jéssica diversifica e está com um selo novo, também produzindo peças como imãs e lembranças da cidade, ornadas com pinturas suas. Néia, quando brinco sobre se tem "chorinho" no preço de suas peças, me levar para fora, junto ao forno e diz naturalmente: "Meu chorinho te mostro aqui, suando e como fazemos tudo. Como te dar um desconto, diante do que vê? Entendeu?". Simples assim.
A verdadeira panela de barro capixaba tem longa durabilidade e sua história corre o país. Tudo começou com as tribos indígenas que povoavam o litoral do Espírito Santo e depois, quem abraçou e continuou o trabalho na área urbana, junto aos mangues foram as mulheres vivendo nestes locais. Tudo segue uma tradição antiga, sem sofrer alterações. Tudose moderniza, mas sem perder a essência, este o segredo. Néia, na proxima semana estará em São Paulo, viajando por conta do estado, para uma feira no Ibirapuera, levando seu trabalho e suas histórias. Isso acontece com certa regularidade, pois as PANELEIRAS DE GOIABEIRAS já estão consolidadas como a melhor panela de barro do país. Conhecer o local onde tudo é produzido é maravilhoso, mas nada se compara com a conversa propiciada deste contato. Cada uma tem uma bela e sofrida história para contar. Falei de NÉIA e outras tantas ficaram a me observar, querendo também falar e dizer algo, enfim, todas são detentoras de rico saber e quando abordadas, sentem muito orgulho em dizer do que fazem.
O Instagram da Néia é: panela de barro da neia. Por lá, uma idíea de como a coisa acontece e depois, indo atrás de outras tantas e da cooperativa onde unidas seguem se fortalecendo e construíndo juntas uma história que perdura e se solidifica. Elas sabem, unidas vencerão. Lema que serve para tudo o mais na vida.
A Grande Vitória-ES é constituída de cinco cidades, sendo a maior delas a capital. Essa é menor que Bauru, pois não tem 300 mil habitantes, mas na somatória de todas juntas, passam de 1 milhão. Dentro deste universo, centro meus principais olhares para a capital e resolvi, desde que aqui cheguei, a percorrer e conhecer alguns dos sebos destas plagas. Já estive em quatro e hoje, visitei mais um, este defronte os portões principais da UFES - Universidade Federal do Espírito Santo. O Sebo VEREDAS, pode ser considerado dentre todos os demais, o mais organizado. O espaço físico é pequeno, porém muito bem aproveitado pelos irmãos tocando o negócio, Valtuir e Valderedo. De Valtuir, me diz: "Se encontrar outros com o mesmo nome, não paga pelos livros aqui comprados".
Estão localizados no bairro denominado como Mata da Praia e ao abrirem o negócio, 50 metros da entrada principal da maior universidade do estado, o fizeram de forma premeditada. Queria abarcar o interesse dos estudantes por livros e assim fizeram e continuam a fazer desde então. Vasculho o lugar e lhes digo: "Tenho uma única reclamação a fazer. Tudo muito bem organizado, porém, os livros estão prensado, sendo muito difícil retirá-los das prateleiras". Os dois riem e me dizem: "Sim, os livros são muitos e o espaço não cresce, daí, com a vontade de tê-los todos expostos, comprimimos muitos".
Quando lá estive tive o prazer de conhecer uma senhora, devoradora de livros. "Eu leio o dia todo e isso é minha vida. Agora mesmo, trouxe uma sacola com livros já lidos. Trago e troco por outros. Hoje levo outros e não pago nada. Fizemos uma troca", diz. Ouço sua conversa com os dois e me encanta seu conhecimento sobre autores e temas. Eu me considero do mesmo time, com mesmo procedimento e interesse, sendo irrestível, quase uma obrigação continuar vasculhando estantes, mesmo ciente de que, não daremos mais conta de ler em vida os que já temos.
Uma delícia vasculhar estantes e descobrir preciosidades. Dos irmãos, conto serem por demais dedicados, mas me confessam, lerem pouco nos últimos tempos. Dizem não ter tempo, o que acho estranho, por no meio do oásis onde se encontram, o faria em qualquer folga. Eles preferem nestes períodos vagos, percorrerem as estantes e organizar o acervo. Vi isso pessoalmente, pois cito um autor capixaba que havia lido e Valderedo me traz livros deste. Oferece outros tantos quando disse estar interessado em livros com autores capixabas. Atenciosos por demais da conta, ou seja, um lúdico e encantado lugar, mais um nesta cidade, que, infelizmente estarei me indo logo mais na sexta depois do almoço. Levo comigo a recordação das andanças por estes lugares, mais que suas praias e monumentos, para mim, recordações inesquecíveis para o resto de meus dias.
outra coisa
E ALGO SOBRE O DEPOIMENTO DE VORCARO NO CASO ESCANDALOSO DE SEU EX-BANCO, O MASTER E DOS BOLSONARISTAS ENCRALACRADOS ATÉ O PESCOÇO
FALOU, FALOU E NÃO DISSE NADADelação de Vorcaro é fraca. Se não falar mais, ele pode voltar para a Papuda. Mas se falar mais... A delação tabajara de Daniel Vorcaro reforça a tese de que ele, apesar de tudo, seria apenas um operador do esquema Master e que, acima dele, tem gente graúda. O nome de Ciro Nogueira, que não foi mencionado na delação, apareceu nas investigações da PF. Aliás, ministro Mendonça "mão de onça", porque o senador não está preso, hein? Nem mesmo uma tornozeleirinha eletrônica? Muito estranho. De qualquer forma, esta ação recente da PF muda um pouco o foco das denúncias. Alivia um pouco para membros do STF e explode com tudo no Senado. Um Senado que negou a Messias o acesso ao STF por não reconhecer nele ilibada reputação pode conviver agora com um par que "privatizou" seu mandato e o entregou a um banqueiro corrupto? Acho que não. A tibieza de Mendonça e o silêncio do Senado dão uma medida do peso de quem está por trás de Vorcaro, que gastou milhões a rodo e, no fim das contas, parece ser apenas um serviçal do crime. E se o serviçal tinha dinheiro assim, imagine seus patrões. Que saudade do tempo em que "corrupção" era a distribuição de sobras de campanha, um sítio e um triplex furrecas.
Compartilho o que escreve o jornalista Ricardo de CAllis Pesce.
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