terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

UMA ALFINETADA (17)
ENQUANTO ROLA O CARNAVAL...
Fui abrir essa semana o blog do jornalista Mino Carta(http://blogdomino.blig.ig.com.br/) e encontrei lá algo sobre uma situação também vivenciada por mim. Ele publicou uma nota com os seguintes dizeres:“Aviso aos navegantes: não dialogo com fanáticos, com milenaristas, com maniqueístas. E com quem, na falta de argumentos, ofende e calunia. E, em geral, com quem não tem modos e se porta de maneira pueril”. Penso exatamente dessa forma. Tenho lido notas tão desconexas sobre a atuação dos militares brasileiros, alguns até enaltecendo aquele período tão nefasto do período ditatorial e poderia rebater tudo, mas não o faço. Acho perda de tempo quando não existe argumento convincente do lado oposto. Aceito discutir e debater até a exaustão, se preciso for, mas com quem possui argumentos e conheça o tema a ser discutido. Do contrário, acho perda de tempo. Tenho mais o que fazer. O regime militar foi mesmo um regime de “santinhos” (do pau oco), vide o que fizeram para o ex-presidente João Goulart, recentemente revelado pela Folha de SP. Tenho o mesmo procedimento para os que fazem insinuações preconceituosas às minorias, especialmente aos homossexuais, praticam um velado e disfarçado racismo, anti-semitismo e como não poderia deixar de ser, aos que defendem o neoliberalismo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

MEMÓRIA ORAL (23)

O SAMBA CARNAVALESCO NO SEU DEVIDO LUGAR
O domingo de Carnaval foi de intenso trabalho para o pessoal da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru. Afinal, a festa estava voltando à avenida, mais precisamente para a Nações Unidas e o desfile de blocos iria ocorrer na noite desse dia. Os preparativos começaram logo cedo, tudo para transformar o local numa passarela do samba. A Brahma instalou seus luminosos, uma cerca plástica revestiu os dois lados da avenida, dois palanques foram montados e foi viabilizada as interrupções do trânsito. Vinagre, o secretário da Cultura circulou pelo local desde cedo, para que tudo saísse a contento. E saiu. Nada a contestar. Uma equipe grandiosa esteve envolvida o tempo todo, o dia todo, cuidando de todos os detalhes, inclusive a distribuição de lanches para funcionários e policiais militares, feitas numa espécie de QG, dentro do pátio da COAB. Não faltou empenho, nem disposição, mesmo com o falecimento do Nildo, aos 45 anos, de câncer, dos quadros da Cultura bauruense. A festa teve que continuar.
São seis blocos inscritos e o festejo tem hora marcada para começar, 19h. Tudo pronto na pista, o pessoal da organização, todos de camiseta azul-marinho, com o patrocínio da FIB estão a postos. Cada um tendo um papel a cumprir, uns recepcionando a comissão julgadora, outros contando os participantes a adentrarem a pista, outro com cronômetro verificando se cumprirão o tempo determinado, outros no carro de som e microfones e assim por diante. Em todos, o contentamento, por estarem de volta a avenida, no contato com o povo, trabalhando e também se divertindo. Unindo as duas coisas, nada melhor e mais gratificante. A movimentação maior é colocar o bloco Amigos da Folia, com o tema do filme "101 Dálmatas" dentro da passarela sem grandes atrasos. Tudo começa ainda sob os efeitos de um forte sol e da claridade do fim do dia. Cléo Antonello é quem diz da disposição do grupo; "Íamos sair somente no baile do Luso, mas quando vimos a possibilidade única de batizarmos a avenida, não resistimos. Nossas famílias estão aqui, reunidas e se divertindo"No palanque de som, ao lado do dos jurados, Terezinha comanda a animação e procura encontrar palavras para animar a todos.Vinagre circula de um lado para outro, tendo ao seu lado, Sivaldo Camargo, também responsável pela organização de tudo, recepcionando muita gente, como o secretário Rodrigo Agostinho, que assiste tudo dali, o presidente do DAE Clemente Resende, os vereadores Marcelo Borges e Majô, entre outros. Espalhados por toda avenida, a Brahma montou barracas onde vende principalmente cerveja, consumida aos borbotões, pois o calor é grande. Enquanto rola isso tudo, o bloco Em Cima da Hora, do núcleo Mary Dota desce com um carro alegórico montado com reciclados variados e velhos CDs. Começa a escurecer na avenida e ambos os lados estão lotando. No pico da movimentação, falou-se em até 7 mil pessoas, com nenhum incidente sendo registrado. As TVs estão todas ali, num retorno de mídia considerável. Quem circula pelos bastidores percebe que muitos preferem circular pelos 500m da avenida, hora sendo encontrados no início da concentração, como no final, na dispersão. Um deles é Paulo Pantaleão, até pouco tempo proprietário da Digital Vídeo: "Subo e desço com a namorada, acompanhando os dois lados e dá uma vontade danada de entrar na pista e sambar". Essa é a vontade de muitos e alguns não resistem, como o ex-secretário da Cultura e professor da UNESP, Geraldo Bérgamo que, vendo vários amigos prontos para descer a avenida, mesmo não estando em trajes festeiros, adere e decide ir com eles no bloco Tudo Junto e Misturado e Variados das Idéias. Os blocos descem juntos para aumentar o número de participantes, pois muitos acabaram faltando e como a preocupação deles não é com a pontuação e sim, com a folia, tudo é valido. "Como poderia ficar sozinho se todos os meus amigos estavam prontos para desfilar, inclusive a vereadora Majô. Não resisti", conta Geraldo. O psicólogo Dorival Vieira capitaneou essa descida coletiva, recebendo adesões de última hora: "Aqui não existe fantasia pronta, cada um veio como quis e a ordem é se divertir".
Do lado de fora, quando a fome bate, os PMs, todos munidos de vales, vão retirando seus lanches e se recarregando. Quem sobe e desce a avenida é o vereador Marcelo Borges, parando a todo instante para uma conversa com populares. Pela expressão de sua face, as conversas devem girar em torno desse revival do carnaval na cidade. Outro que conversa muito é Clemente Resende, acompanhado da esposa, preferindo ficar no alambrado ao palanque. É impossível evitar o assédio nesses momentos. Nisso, quem desce é o bloco Ouro Verde 100% Arte, cujo diferencial é a contundente batida de sua bateria, bem ao estilo baiano. Os imensos bonecões de papel-machê encantam a molecada e não tem quem não queira tocá-los. Desceram com um estoque de preservativos, todos distribuídos rapidamente.
Na seqüência quem desfila é o tão esperado Sementes do Azulão, do Jaraguá. Na verdade, a estrutura vista já é de uma verdadeira escola de samba interiorana, nos moldes de muitas que já tivemos por aqui. Dona Cidinha, Aparecida Brito Caleda é quem comanda tudo, só chegando à concentração momentos antes do desfile começar. Sai de porta-bandeiras, encerrando o desfile do bloco e antes dos bumbos entrarem em ação, pega o microfone e ao estilo de uma verdadeira escola, faz um exaltado discurso sobre a volta definitiva dos desfiles. Recebe muitos aplausos e quando um ao meu lado tenta iniciar um questionamento sobre o distanciamento com os demais e se havia recebido ajuda externa, foi rechaçado de imediato por outro presente: "Ela merece. É a única que não deixou a peteca cair. Trabalha o ano inteiro e o resultado não poderia ser outro". Já na avenida, não tem como não prestar atenção no refrão do samba entoado por todos: "A nova era do Azulão vai começar. Quem viver verá". Eles apostam no futuro e o fazem acontecer. A escola, perdão, ainda bloco, encerra seu desfile estabelecendo uma certeza nos presentes, não veio para brincar e tem tudo para ganhar.

Quando todos achavam que o desfile havia terminado, o bloco retardatário aparece. O atrasado Unidos do Bauru 16 que, deveria ter desfilado bem antes, adentra a avenida, com um refrão praticamente ironizando a própria situação: "Deixe o 16 cantar, deixa o 16 passar". E ele passou e a festa teve fim. Ou melhor, a festa do desfile, pois o batuque na dispersão demorou a ter fim. Lá junto ao palanque de som, um encontro acontece entre a vereadora Majô e Rodrigo Agostinho. Brinco com os dois e faço a pergunta: "Estaremos diante de um candidato a prefeito e a vice?". Ambos concordam entre risos, só que não revelam quem deverá ocupar um papel e o outro.

Muita gente ainda passaria por ali e tudo foi sendo desmobilizado lentamente, enquanto equipes da retaguarda desmontavam tudo. Antes da meia noite, o trânsito já estava liberado, palanques todos removidos e alambrados retirados. A avenida voltava ao seu normal e uns tantos procuravam espaço nos bares da região. Na fisionomia do secretário Vinagre, uma expressão de missão cumprida. O pontapé inicial para o retorno definitivo do Carnaval estava dado e em grande estilo.
Legenda das Fotos: Bloco Amigos da Folia abrindo a festa / Mesa dos jurados / Bloco Em Cima da Hora na Avenida / Vinagre e Rodrigo Agostinho nos bastidores / Bloco Ouro Verde 100% Arte pronto para descer avenida / A festa do Variado das Idéias na dispersão / Dona Cidinha do Azulão arrasando na avenida como porta-bandeira / Majô, Geraldo Bérgamo e Rodrigo Agostinho se encontram no final do desfile / No final, a confraternização dos que trabalharam na avenida.

Henrique Perazzi de Aquino, escrito em 04/fevereiro/2008.
MEMÓRIA ORAL (22)

UMA FESTA DE CARNAVAL NA RUA E UMA EXPOSIÇÃO Quem disse que o pessoal da Secretaria Municipal de Bauru não está envolvido com o Carnaval? Esse ano foram duas atividades, uma com o retorno do Concurso de Blocos na avenida Nações Unidas, depois de longos anos sem qualquer tipo de desfile. Outra foi a exposição "Nossos Carnavais", com abertura ocorrida pelo Museu Histórico Municipal em 31/1, bem às vésperas da abertura oficial da festa. A exposição só foi possível pela abnegação do quadro de funcionários do museu, comprando a idéia e a executando num prazo mínimo e com uma presteza de dar gosto. Ela, por si só, merece um capítulo à parte, por tudo o que está gerando de comentários favoráveis, mas fora isso, algo chamou muito a atenção, servindo também para trazer muita gente foliona de volta às ruas. Quando surgiu a idéia de homenagear nossos antigos carnavais, retirando do acervo as peças guardadas ao longo dos anos, desponta outra grande sacada. Por que não fazer uma abertura diferenciada e agitar o povo com uma festa nas ruas? Como sabemos, a SMC mantém uma orquestra e uma Banda Municipal, com mais de 150 integrantes, todos adolescentes e loucos para encontrarem oportunidades onde possam expor um pouco todas as suas habilidades. O maestro Roberto Vergílio quando soube da idéia da exposição oferece o que tem de melhor: "Procurei o pessoal do Museu e ofereci um grupo de músicos, especificamente de sopro, coordenados por mim. Como temos uma forte ligação com o pessoal do Ouro Verde 100%, ligados à percussão, pensei logo em juntarmos tudo numa apresentação carnavalesca". Tudo foi ganhando corpo, até atingir a formatação final.
Eu, na qualidade de Diretor dos Museus Municipais encampei a idéia logo de cara. Chamamos o secretário Vinagre e definimos em conjunto como poderíamos unir a abertura com uma apresentação musical. Por fim, chegamos num acordo e tudo ficou definido da seguinte forma: às 19h esse grupo musical faroa uma apresentação defronte o Automóvel Clube (onde ensaiam diariamente), na praça Rui Barbosa. Tocariam por uma hora e depois sairiam num corso pela rua Antonio Alves, até defronte o Museu. Ali, mais um pouco de música, quando no máximo, umas 20h30 estaria decretada a abertura da exposição. Mais detalhes foram sendo pensados. E o som? Precisaríamos de um carro de som e para isso nada melhor do que contar com o apoio da CUT – Central Única dos Trabalhadores, pois possuem uma carretinha de fácil locomoção, bem propícia, não só para manifestações sindicais, como também para os momentos festivos. O representante da CUT local aderiu rapidamente: "Gostamos da idéia. Só precisamos acertar alguns detalhes. A aparelhagem estará emprestada para um sindicato de Mineiros do Tietê e terá que estar aqui em tempo hábil. Também precisamos acertar com o condutor do carro e operador da aparelhagem, o Lulinha. Acertando isso, batemos o martelo". Tudo acabou dando certo. Outro detalhe foi sobre o músico que puxaria a folia. Gilson Dias, músico profissional e funcionário da SMC, quando ficou sabendo do que se tratava, aceitando de imediato participar: "Tocar marchinhas sem ninguém cantando não faz sentido. Como não tinha nada marcado para aquele dia, emprestei minha voz para concretizar mais esse grande acontecimento".
Chegando o dia, outro pequeno problema de percurso. Falece o ex-bispo de Bauru, d. Cândido Padin, muito querido por todos e a missa de sétimo dia seria realizada na Catedral, ali na praça, às 20h do mesmo dia. Nada que pudesse alterar os planos. Simplesmente foram antecipados os horários, com o início acontecendo às 18h30, a música seria executada por uma hora e às 19h30 o corso sairia pela rua. Tudo combinado, uma vã da SMC buscaria o pessoal do Ouro Verde por volta das 18h. Paralelo a isso, um release feito pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura foi distribuido para toda a mídia. Pipocaram entrevistas nas rádios Auri-Verde, FM 96 e Unesp FM, além de matérias nas demais. No dia do evento, os dois jornais locais deram amplo destaque, tanto para a exposição, como para a apresentação carnavalesca. Tudo estava mais do que pronto.
Correndo por fora, o pessoal do Museu fez um belo trabalho, juntando peças, identificando uma por uma com uma breve legenda de identificação. Tudo feito num tempo recorde e todos, indistintamente estiveram envolvidos. As fotos, referentes a antigos desfiles de rua, foram distribuidas em dois painéis e as peças espalhadas pelo salão, montado como se fosse um clube, num dia de baile carnavalesco. Entre muito confete e serpentina estavam fantasias, troféus, estandartes, adereços e outras peças. "Uma rica miscelânea apresentada sem o compromisso de contar a história do carnaval na cidade e sim, mostrar um pouco do acervo existente aqui. Somente nessas oportunidades podemos expor algo assim", conta Paulo Folcato, chefe do Museu Histórico Municipal. E assim foi feito, com tudo ficando pronto momentos antes da abertura. Carnavalescos ficaram sabendo da exposição e muitas coisas continuaram chegando até na última hora. E devem continuar chegando. No dia do evento, 18h, a CUT foi pontual e o carro de som já estava instalado na praça. Som ligado, irradiando antigas marchinhas, servindo para aglutinar as pessoas. O movimento era pequeno e só esquentou mesmo com a chegada dos músicos e seus instrumentos. O agito foi instalado de uma vez por todas. Batuque em ação, o movimento cresceu. Mães trouxeram os filhos já devidamente fantasiados e alguns fizeram questão de ressaltar: "Ouvi no rádio e não poderia faltar. Vim conferir pessoalmente, trazendo meus filhos". O diferencial da folia foi dado por quatro funcionárias da SMC, Elizete, Cynthia, Cássia e Zilda, surgindo com confetes, comprados por conta própria, fazendo uma festa particular, contribuindo em muito para o sucesso do evento. Outros também foram valiosos, mas essas foram imprescindíveis.
Lulinha esteve impecável na condução do som. A Polícia Militar foi abrindo o trânsito para o bloco passar e o corso finalmente saiu para a rua. No conjunto geral dos participantes, duas pessoas foram o destaque na avenida: Robertinho Godoy, nosso mais famoso costureiro e folião confesso ("Fui o primeiro a assinar o Livro de Visitas da exposição. Estive lá à tarde. Vejá lá") e o jornalista Nilson Avante, aparecendo com uma indumentária propícia para o evento, uma peça de cabeça, repleta de inscrições e no bolso um ramo de café ("Sou do Bloco do Eu mais Eu. Desfilo sózinho e não deixo a peteca cair"). Só por eles o sucesso já estaria mais do que garantido, mas teve mais. Defronte o Museu a festa continuou por um bom tempo, sempre capitaneada pelo maestro Roberto e pelo cantor Gilson, gerando elogios variados de muitos dos presentes. Receberam abraços e beijos coletivos. O samba comeu frouxo defronte o museu, vizinhos sairam na sacada de suas casas e só por volta das 20h30 o samba se calou. Todos foram então convidados a adentrarem o museu, recepcionados por Paulo Folcato e equipe, minuciosos nos detalhes e nas explicações aos presentes. Um cinegrafista da TV Tem e uma fotógrafa do jornal Bom Dia acompanharam tudo e constataram a grandiosidade da festança. Quase ao final, um casal que veio após ouvir o anúncio no rádio, dirigindo-se a mim, lança algo do qual já havia pensado: "Façam essa festa todo ano. Divulguem mais, invadam o Calçadão e o povo virá atrás". Tenho certeza que sim. A festa foi chegando ao seu fim, todos já um pouco cansados, porém muito satisfeitos com o resultado final. Havia sido um sucesso. Por fim, permanece o convite para que toda população por lá compareça, visitando aquilo tudo, de terça à sábado, das 9 às 17h. Henrique Perazzi de Aquino, escrito em 03/fevereiro/2008.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

RETRATOS DE BAURU (11)

JORNALISTA NILSON AVANTE





O jornalista Nilson Avante é um senhor dos mais dignos e respeitáveis de Bauru. Tem história, tem passado de muita escrita e de sangue, suor e lágrimas. Fez história no jornalismo nativo e foi obrigado a dar um tempo na escrita. Continua vivendo intensamente a vida e sabe escolher onde coloca a cara para bater. Dia desses esteve comigo no Bloco que saiu da Praça Rui Barbosa até o Museu Histórico e proferiu uma frase linda: "Sou do Bloco do Eu mais Eu. Saio só, antes assim do que mal acompanhado". O vejo quase diariamente lendo os jornais diários na Biblioteca Central, junto ao Teatro e não resisto a uma parada para um papo. Lê muito, sabe muito e cutuca o que tem que ser cutucado. Se é diferente, sei lá o que quer dizer diferente, pois todos nós devemos ser um tanto diferentes uns dos outros, para não cair na mesmice burra de uma vida de gado. Nilson, além de carnavalesco é uma pessoa merecedora de todo respeito e consideração.
UMA FRASE (12)



MOLLICA E UMA CHARGE CARNAVALESCA

Como todos bem sabem sou pasquineiro de plantão. Tenho aqui no meu Mafuá a coleção quase completa dos velhos e insubstituíveis O Pasquim. A editora Desiderata lançou recentemente duas belíssimas edições, de duas fases iniciais do jornal e eles continuam em cima de minha mesa. Leio um pouco por dia. São fortificantes e revigorantes, melhor que catuaba. Como pasquineiro e carnavalesco, quero aproveitar a festa de Momo e relembrar uma das charges mais lindas que já vi por lá. É do sambista que se empolga na avenida, faz mais evoluções do que devia e quando percebe ficou para trás. A escola já está lá na frente e ele corre para alcançá-la. Lindo demais. O traço é do arquiteto Mollica, que infelizmente não vejo mais por aí. Sei que tenho essa charge num dos Pasquins aqui, mas a que postei aí foi retirada do livro "O Novo Humor do Pasquim", editora Codecri, Rio, 1977 (sou velho paca, né?). O livro já tem buraquinho de traça, mas não me desfaço dele.

Em tempo: Hoje, posto uma frase desenhada, que também vale para mil reflexões.

UMA MÚSICA (16)

LEVANTANDO O ASTRAL - BLOCO SIMPATIA É QUASE AMOR, IPANEMA, 1989

Esse CD eu adoro ouvir todo Carnaval, não só pelo conteúdo, muito alto astral, como pelo local onde comprei, lá no meu amigão Rodrigo, da Livraria Folha Seca, no Rio de Janeiro. O Bloco Simpatia é quase amor, cujo um dos fundadores é o mestre Aldir Blanc, sai todos os anos pelas ruas de Ipanema, mostrando até que ponto pode chegar a irreverência carioca. Isso acontece há muitos e muitos anos. Em 1999, foi lançado um CD com alguns dos sambas-enredos da história do bloco e nas vozes de cobrões da MPB. Só ouvindo para perceber o quanto é valioso tudo isso.

Destaco um samba lindo, o "Levantando o astral", do Noca da Portela e do Roberto Medronho, cantado no CD por nada menos que Luiz Carlos da Vila. Vejam a singeleza da letra:

Tá na hora, na hora de mudar/ De sair dessa pior/ De partir para melhor/ Para a crise superar.

Oh, meu Rio/ Vamos levantar o seu astral (na moral)/ Vem cair nessa folia/ Vem brincar no Simpatia/ E fazer meu Carnaval

Chega de trsiteza/ Chega de sofrer/ Com meu Rio na falência/ E com tanta violência/ Não há jeito de viver.

Quero voltar a sorrir/ Quero voltar a cantar/ O meu voto é de mudança/ Essa é minha esperança/ Do meu povo melhorar.

Bloquearam a nossa conta/ E o Rio faliu/ Incompetentes, vão pra longe do Brasil.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

RETRATOS DE BAURU (10)

ROBERTINHO GODOY

Roberto Godoy é nosso mais famoso estilista, costureiro e principalmente, carnavalesco. Não existe como falar em Carnaval em Bauru e não citar essa pessoa, cujo nome já virou referência carnavalesca. A idade, bem a idade é uma deselegância falarmos disso, pois Roberto está esbanjando alegria, após momentos difíceis com a perda da mãe. Está num grande momento e irradiante com o retorno do nosso Carnaval às ruas da cidade. Será jurado no desfile de Blocos no domingo e essas fotos foram na quinta, 31/1, quando um Bloco saiu da praça Rui Barbosa até o Museu Histórico, para abertura da exposição "Nossos Carnavais". Ele não poderia faltar e dez a diferença. O alado alegre e irreverente de Bauru tem em Roberto Godoy um dos seus mais nobres representantes.