sexta-feira, 17 de outubro de 2008

UMA ALFINETADA (39)
(Esses meus textos saem lá no jornal de Pirajuí. Esse sai impresso na edição de amanhã)

UMA ENCRUZILHADA QUE ALGUNS SE ARRISCAM A ATRAVESSAR
Campanha política é algo meio que imprevisível. Ou seja, pode acontecer de tudo. Deveria ser algo, mais do que propício para se discutir propostas, idéias e demonstrar o preparo de cada um para o exercício do cargo almejado. Nem sempre tudo transcorre calmamente. Quem entra numa disputa não quer perder de jeito nenhum. Em todas as campanhas, vemos um terreno propício para uma espécie de vale-tudo, daqueles onde pode-se tirar uma arma escondida num bolso oculto e desferir golpes de última hora. E isso acontece regularmente. O que acontece também é o risco do tiro sair pela culatra e o alvo continuar não sendo atingido.

Na campanha para a prefeitura da maior cidade do país, a disputa é entre Marta, do PT e Kassab, do DEM, com apoio do PSDB. Marta liderou todas as pesquisas até alguns dias antes do 1º Turno. Inesperadamente perdeu na reta de chegada e por uma margem grande de votos. Ambos foram para o segundo turno e o pau como feio na campanha do segundo turno. Nenhum dos dois é santo. O fato é que Marta ultrapassou uma demarcação existente, daquelas onde não existe uma marca visível, mas que quando ocorre, todos se insuflam. Os dois já fizeram isso no passado, um deles o faz hoje e ambos, com certeza, voltarão a fazê-lo no futuro. A tal demarcação foi cutucar o outro, com insinuações sobre sua conduta sexual, pelo fato de não ter filhos e não ser casado. Um solteirão gera suspeitas e isso poderia carrear votos para o outro lado. Uma pena quando enveredam por essa tortuosa trilha. Foi mal. Talvez desespero, numa tentativa de
reverter o quadro desfavorável. Por enquanto, o tiro não acertou o alvo e Kassab tem capitalizado a seu favor o ato insano da concorrente. Para mim, mesmo com a pisada de bola, Marta continua sendo a melhor para Sampa (opinião bem pessoal, pois é mais voltada para o social, as camadas menos favorecidas da população). Só que o cutucão mal dado, pode lhe distanciar cada vez mais de reconquistar a Prefeitura paulistana. Infelicidade, pois Marta sempre teve ampla atuação junto às minorias. Vai perder votos, inclusive entre esse segmento.

Poderia muito bem fazer como Gabeira, do PV, fez no Rio. Foi à praia com diminuta sunga, repetindo um gesto famoso, o de ir para as areias com fio dental da prima, pouco depois de voltar do exílio, vinte anos atrás. Dias depois desfilou na Parada Gay carioca abraçado a travestis famosos e está alcançando o candidato do PMDB, Eduardo Paes. Vejam só, Gabeira, que já foi da esquerda, hoje milita na direita, porém nesse quesito, está sabendo cativar o eleitor e pode se tornar prefeito carioca. Mudou de lado político, mas não de postura. Questão de estilo e formas de conduzir uma campanha. Por lá, tanto um como o outro assumiram terem provado maconha no passado. Sem preconceitos, traumas e hipocrisia. E sem aparente perda de votos. Um grande avanço.
Aqui em Bauru, sentimos que o clima está esquentando e novos desdobramentos podem acontecer com o passar dos dias. Ambos se dão cutucões mútuos. Caio, do PSDB/DEM, cita a falta de experiência, a juventude e aproximidade com a atual administração como fatores negativos do Rodrigo, do PMDB/PT, que não fica atrás e cutuca o outro lado pelas passagens no Noroeste, a venda da Tilibra e nunca ter participado da vida pública. Não passaram disso, ou seja, estão contidos quanto a críticas mais pessoais. Isso não quer dizer, que um não tenha vasculhado a vida do outro. Espero que não usem nada nesse campo e aproveitem melhor o horário eleitoral, em algo onde a criatividade e o bom senso prevaleça. Como não tenho bola de cristal, não prevejo nada e comungo do pensamento que um pouco de pimenta também costuma melhorar o paladar da comida, mas com moderação, pois pode causar desastres.
PS.: charges retiradas no www.chargeonline.com.br (riso garantido e sem custos).

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

FRASES DE DE UM LIVRO LIDO (18)

FARDA FARDÃO CAMISOLA DE DORMIR – JORGE AMADO
Li todos os livros de Jorge Amado. Esse eu ganhei de presente de um amigo secreto (saudades do Rala – onde andará esse macanudo?) em 1979. O livro foi escrito nesse período e retrata algo que acontece também por esses dias, os embates eleitorais, onde acontece de tudo um pouco. O embate do livro era pelo fardão da ABL – Academia Brasileira de Letras, o nosso é no segundo turno da eleição municipal. Fui reler as frases grifadas e fiquei maravilhado, pois estão mais atuais do que antes. Estou pirando, ou pirados estão os a se debaterem, digladiando-se entre si:

- “...o campo de luta não tem limites de nenhuma espécie, geográficos ou militares; qualquer arma é útil e própria, e a menor vitória acende uma esperança”.
- “...pela comprovada incapacidade do povo brasileiro de levar a sério as grandes idéias e de reconhecer os grandes homens...”
- “A piedade é um sentimento dos fracos, degradante”.
- “Haverá sentimento mais onipotente, a dominar o coração dos homens, do que a vaidade?”
- “De que valem versos contra os canhões e a bestialidade?”
- “Nada mais triste do que um cão sem dono, vagando pelas esquinas em busca de uma palavra, de um gesto de carinho. Que dizer então de um velho sem dono?”
- “Na guerra vale tudo, não é hora de se estar com escrúpulos”.
- “...candidato à Academia não pode ter opinião própria, muito menos manifestá-la. Compete-lhe ouvir e, se não puder apoiar e aplaudir, deve ficar mudo, sorrindo. Jamais discutir, contestar. Dono do voto, o Acadêmico tem sempre razão. Essa é uma prerrogativa dos Imortais”.
- “O Partido está lhe dando tarefas, à camarada cabe cumpri-las”.
- “A visita é absolutamente indispensável. Nenhum candidato pode se arvorar o direito de não visitar esse ou aquele Acadêmico, a qualquer pretexto que seja. O Acadêmico, sim, é senhor de dispensar ou mesmo de recusar a visita, mas ao candidato cabe apenas solicitar dia e hora para comunicar sua pretensão e pedinchar apoio”.
- “Confidência feita a Acadêmico em época de eleição é segredo em saco sem fundo, circula levada pelo vento”.
- “Quanto mais sectário e radical se mostre um tipo, mais frouxo se revela diante da polícia. Quem já militou, sabe dessa verdade”.
- “Candidato único, não tem motivos para guardar secretos seus pensamentos. (...) Eleição com candidato único não tem luta nem surpresa, não tem graça”.
- “A natureza humana é muito salafrária”.
- “A moral? Veja: em toda parte, pelo mundo afora, são as trevas novamente, a guerra contra o povo, a prepotência. Mas, como se comprova nesta fábula, é sempre possível plantar uma semente, acender uma esperança”.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

MEMÓRIA ORAL (50)

É NA BANCA QUE EU ME ENCONTRO
Banca de jornal é um local dos mais propícios para a reunião de pessoas. Aqui em Bauru existem mais de cem delas e a grande maioria, cada uma a seu jeito, possuem públicos bem específicos, dentro do jeitão de cada proprietário. Cada uma atrai um público diferenciado. Para exemplificar isso, me atenho a movimentação que gravita em torno de três delas. Não sem antes, deixar claro, que as bancas de hoje, vendem de tudo um pouco. Uma, a Revistaria Pavan, do seu Orlando Pavan, o mais antigo no ramo, depois o intermediário, a Banca do Adilson, do Adilson Chamorro e por último a Banca Duque, do Cláudio da Silva Vieira, a mais nova do ramo. Duas delas são as tradicionais de revistas, jornais e os penduricalhos em torno disso. A outra é especializada em colecionadores e antiguidades de uma forma geral. Em todas, algo em comum, muita gente parando ali para um papo, troca de idéias e saber das novidades. Freqüento três delas e do que presencio, extrai o relato abaixo.

Comecemos pela mais diferente delas, a do Adilson. Seu proprietário é uma pessoa das mais animadas, tem 44 anos e está estabelecido no mesmo local desde 1981, quando tinha exatos 16 anos. Nunca vendeu revistas, mas durante um bom tempo o fez com jornais, principalmente os locais. Com o passar dos anos, abdicou dessas vendas, preferindo agitar um mercado meio que único no centro da cidade, o de artigos para colecionadores, indo desde cédulas, moedas, relógios, cartões telefônicos, etc. O lugar escolhido é dos mais movimentados da cidade, quase no cruzamento das ruas Primeiro de Agosto com a rua Treze de Maio, bem nos pés da Droga Raia. Durante anos, foi vizinho da rádio 94FM, que diariamente fazia um comercial gratuito para tão comunicativo vizinho. “Eu cutucava, comentava o que ouvia, as pessoas passavam aqui questionavam e eu passava para eles. Hoje, mesmo longe, dou meus pitecos lá com eles”, comenta Adilson.

É um inveterado contador de histórias. Não tem quem passe ali e fique sem ouvir uma nova. Nessa semana, com a campanha do segundo turno sendo iniciada, fez questão de contar uma ocorrida anos atrás com o então prefeito Nilson Costa: “Ele estava aqui num dia de muita chuva e ela não passava de jeito nenhum. A enxurrada invadia lojas e o gerente da farmácia vendo a situação do seu estabelecimento piorar, viu o prefeito, veio até ele no meio da chuva, com jeitinho, dizendo pagar direitinho seus impostos e que não podia mais continuar daquele jeito, que até ajudava, sugeriu mudar bueiros. Nilson olha para o céu e calmamente, bem ao seu jeito, responde: Calma, vai parar de chover logo”. Rimos muito e ele conclui: “O gerente já foi embora, virou meu amigo e quando me liga lá de Curitiba, sempre me diz se parou de chover na cidade”. Os políticos passam quase todos por ali. E assim foi feito nessa eleição e nas anteriores. “Tidei, Tuga, Marta Suplicy, Genoíno e até o cabeludo, presidente do PV, o Pena já estiveram aqui comigo. Com esse brinquei, disse gostar do PV, mas sendo corintiano, sem chance. Ele riu, me puxou num lado e disse ser possível, pois mesmo verde, também era corintiano”.

Durante os dez minutos que fiquei por lá, duas pessoas vieram lhe oferecer cartões telefônicos e dinheiro antigo. Exigente, não negocia cédulas com marcas de dobras, nem cartões com riscos. Nisso uma balconista da farmácia vem trocar uma nota de R$ 50 reais. Sua banca é uma espécie de termômetro político. “Eu só voto em quem está na frente. Eu sempre votei assim e parece que vou acertar novamente”, me diz. Por fim acaba me lembrando que havia passado lá antes do primeiro turno e assustado lhe disse que a Rosa Izzo, do PDT estava subindo e que iria embolar tudo. Sua reposta foi uma espécie de previsão, talvez fruto do que ia presenciando defronte seus olhos: “Que isso. Ela perde feio. Não ouço ninguém dizendo que vai votar nela. Não acredite nisso”. Foi dito e feito. Não esconde uma queda por votar mais à esquerda. Em seguida tira debaixo do balcão fotos de quando, na administração Izzo vieram lhe fechar a banca e retirá-la de lá. Ficou desempregado e no governo seguinte, conseguiu voltar para o mesmo local. Desse período, não guarda mágoa nenhuma, pois todos estavam cumprindo ordens e muitos tornaram-se seus amigos, freqüentadores do pedaço. Para não dizer que por ali o tema é só política, me diz algo sobre o time do Noroeste: “Já pedi para meus amigos das rádios pararem de bater na atual diretoria do Noroeste, pois voltar para a penúria do passado, onde não tinham dinheiro para nada é algo que não entendo”.
Lá na avenida Duque de Caxias, quase na esquina com a rua Gustavo Maciel, bem ao lado de outra farmácia, a Droganova, está a Banca Duque, do Cláudio. Com 42 anos, está há exatos cinco nesse ramo e dele não pretende se afastar tão cedo. Bateu cabeça em vários empregos até descobrir esse ponto, quebrado e mal trabalhado. Entrou de cabeça no novo segmento e pela persistência e abnegação, acabou se saindo bem. Fez uma fiel clientela e abriu uma nova banca para a ex-esposa, junto ao Paulistão da Nações. “Eu sou quieto, caladão, mas vou conquistando as pessoas exatamente por não falar muito. Deixo elas falarem e me dou bem com todos. Não sou muito ligado em política e nem em futebol, mas muitos que vem aqui, acabam demonstrando suas preferências”, diz um quieto Claúdio, que a todos chama de “tio”. Devido a isso, muitos nem seu nome sabem, pois é um tal de “tio”pra cá e “tio” pra lá a todo instante.

Seu horário é das 8h00 às 19h30 e por morar perto, passa a maior parte do tempo ali dentro. Quem o ajuda bastante é o filho Gustavo, 15 anos, que contribuiu em muito para a formação de um público específico, o dos colecionadores de figurinhas. “Ele foram chegando aos poucos, muitos trazidos pelo meu filho, uns indicaram aos outros e hoje ajudo a encher álbuns e álbuns. Eles deixam uma lista comigo, junto com as repetidas e eu mesmo faço a troca. Não ganho nada com isso, mas eles sempre trazem os pais e compram outras coisas. Ganho na divulgação, pois espalham que lá na banca da Duque o cara arruma um jeito deles completarem as que faltam”, explica Cláudio. E é isso mesmo, permanecer por ali é presenciar um entra e sai de muita garotada, todos já sendo chamados pelo nome. “Semana passada, além da garotada fazerem as trocas aqui, meu filho reuniu uma turma de loucos por bicicleta. Sairam daqui para um passeio pelas ruas da cidade”, conclui.

O mais velho dos três é Orlando Pavan, 68 anos, estabelecido no centro da cidade, na rua Primeiro de Agosto, quase na esquina com a rua Rio Branco, num ponto dos mais conhecidos. Possui um horário meio que único, abrindo por volta das 7h10 e fechando todos os dias, de segunda à sexta, às 22h. Para isso, conta com ajuda da esposa e do filho, sendo esse uma espécie de funcionário padrão. No domingo a tarde, quase que religiosamente larga tudo e vai para um pequeno sítio, onde faz algo completamente diferente dos demais dias, mexe com a terra. É um pára-raio na questão política e não faz questão de demonstrar a todos que por ali passam a sua insatisfação com Lula, o MST, PT, Chávez, comunismo e outros perigos vermelhos. “Falo mesmo, pois não estou contente com o Lula. Já vi gente, naquela fase brava, comprar a revista Veja e rasgar a capa com o Lula, pois se recusava a levar aquela foto para sua casa”, vai falando quando lhe dão corda. Não adianta querer convencê-lo do contrário. Eu já tentei mostrar um outro lado e tudo foi infrutífero. Porém, algo me espantou. Antes da eleição, quando lhe perguntei em quem iria votar, ele me disse que para prefeito estava em dúvida, mas para vereador estava decidido, era Roque, um velho militante da ala mais a esquerda, considerada por muitos como radical no próprio PT. “Sabe por que?. Roque é coerente. Ele não alterou um mindinho do que sempre pregou, continuou o mesmo. Muitos passaram aqui e se espantaram, mas escolhi pela coerência. Ele merecia”, me explica.

São 30 anos no mesmo local e com a mesma rotina, ouvindo de tudo e falando o que quer. Tem clientes fixos, daqueles que gastam um montão, comprando não só as revistas semanais, como as enciclopédias, coleções. Possui uma lamentação meio que generalisada no ramo: “Esse negócio de revistas cresceu demais, são muitos títulos e nosso espaço continua o mesmo. Não tenho para onde crescer. Tenho que colocar uma revista em cima da outra. Muitas ficam escondidas e nem são vistas. E não dá para colocar funcionários, pois o lucro não é tão alto assim. Optei pela família e tem momentos que até meus netos passam para me ajudar”. Vê-lo ali a noite, com o comércio fechado, sozinho no breu de um centro comercial com as portas cerradas é algo para inquietar. Pergunto se não tem medo de ser assaltado. “Já passei dessa fase. Já vi a meninada entrando pelo telhado em lojas vizinhas, mas até hoje nunca vieram até aqui. Só pequenas tentativas. Acho que tenho um santo forte”, conta seu Orlando, talvez o mais conhecido de nossos jornaleiros, numa profissão onde ouve bastante, e no caso dele, fala também. Muitos dizem que histórias de banca são um tanto parecidas com a de pescadores. Disso não tenho certeza, mas que são longas e muitas, isso são.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

UMA MÚSICA (34)

ENTRE O TORRESMO E A MOELA - MAURÍCIO TAPAJÓS E ALDIR BLANC
Escolhi essa música nessa semana, quase ao acaso, pois um dileto leitor desse blog (eles existem...), acabou me pedindo mais informações sobre uma citada num dos meus últimos textos. Tenho boas recordações dessa música. Rolava o ano de 1984, o das Diretas Já, quando me casei. As letras do Aldir faziam minha cabeça, pela verve irônica e saliente. Peguei gosto e leio tudo dele a partir de então. Essa letra eu cantarolei durante muito tempo e hoje a reproduzo para vocês. Ela faz parte do LP, "MPB4 Quatro Coringas", da Barclay, que é parte integrante desse mafuá desde 1984. Maurício Tapajós se foi precocemente e Aldir continua resistindo, mesmo diante das adversidades todas. Sintam o clima:
"Envelheci, mas continuo em exposição/ A ex-mulher me chama de sardinha de balcão/ Eu digo sempre que melhor que apodrecer ao lado dela/ É ir mofando entre o torresmo e a moela./ Porque lá em casa a barra é violenta/ Eu padeci entre a mostarda e a pimenta/ E agora vivo entre o cavaco e o violão/ Lá em casa era entre o cutelo e o facão/ Quem acordava entre a meleca e a remela/ Prefere a vida entre o torresmo e a moela./ De barco entre a tempestade e a piração do Leme/ Levava beiço no ECAD e bico da CAPEMI/ Falavam mal de mim a sogra e a vizinha/ Ah, eu penava entre o modess e a calcinha/ Quem se amarrou entre o cabresto, rédea e sela/ Quer descansar entre o torresmo e a moela./ Entrei para o política e votei no Leonel/ Acabei entre o Aguinaldo e mãe via Embratel/ Pedi desculpa a um General que me deu na costela/ O Vice disse outra tolice e não lhe dei mais trela/ Entre o Sambódromo e o Bicheiro, Rei da Passarela,/ Quero é sambar entre o torresmo e a moela".
Em tempo: Nunca tive problema com minhas ex-mulheres. Tenho pouca coisa a ver com a música, da qual gosto muito. Só isso, nada mais. Será que existe alguma versão cantada no Youtube? Não encontrei. Se acharem, me avisem.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

ALGO DA INTERNET (09)

O BLOG DO MINO
Acabo de chegar de Sampa, estou moído e nem queria abrir a internet hoje, mas não resisti. É sobre isso que quero vos falar. Por que temos hoje em dia essa necessidade de diariamente abrir a internet? Não podemos muito bem passar alguns dias sem ela? Claro que sim, mas ela é um tanto irresistível e nos provoca, instiga, atrai e nos trai também. É mais perigosa e traiçoeira do que imaginam. Minha alegria nesses dias é com o retorno do blog de um dos melhores jornalistas em atividade no momento, o Mino Carta (http://www.blogdomino.com.br/). Ele publicava textos pelo IG, mas quando foram censurados, desistiu, deixando inconsoláveis uma legião de fãs. Passaram-se alguns meses e Mino volta a publicar seus ácidos e necessários textos. Na verdade, ele não chega nem perto de um computador. Escreve tudo de sua Olivetti e um dos funcionários da revista Carta Capital, transcreve o texto e vai atualizando com o material de sua fértil produção. São imperdíveis. Todos muito picantes. Também lá nesses primeiros posts, dois vídeos retirados do Youtube, sobre esse jornalista e sua relação com esse devorador de pessoas: o computador.
1.) Mino apresenta sua Olivetti - http://www.youtube.com/watch?v=XW2TMXHwEM4
Quando nos tornamos escravos de algo, é chegado o momento de darmos um breque. Ele fala sobre isso e vale muito a pena ouví-lo.

domingo, 12 de outubro de 2008

RETRATOS DE BAURU (39)

SEBASTIÃO PEREIRA DA SILVA, 80 ANOS, NA ATIVA
Seu Sebastião, aos 80 anos, difere da grande maioria das pessoas na sua idade, pois continua tão elétrico, como dantes. Inquieto por natureza, é daqueles que não satisfeitos com os rumos desse mundo, dão o seu quinhão para transformá-lo num local melhor para se viver. Faz a sua parte e muito bem feita. Possui passado de muita resistência. Foi perseguido pela ditadura militar, tendo dificuldades mil para tocar sua vida. Foi à luta, criou opções e delas não mais de afastou. Fundou uma indústria de embalagens plásticas, que hoje é uma das maiores do Brasil, a Plasútil e, nem por isso, alterou sua forma de vida e a de encarar o mundo. Continuou a mesma pessoa sensível, com a inquietude a lhe impulsionar sempre adiante. A chegada da idade não o impede de continuar na ativa, sempre operante. Inventou mais uma, um dormente férreo, feito de plástico reciclável. Fez um sucesso danado no I Encontro Histórico Ferroviário e de Ferromodelismo de Bauru (foto do estande com seus dormentes). Nele aposta novas fichas e procura brechas para introduzí-lo no mercado ferroviário. Vê-lo e ouví-lo radiante é a certeza de que dos nossos velhos continuam surgindo muito da força motora a nos impulsionar. Ele não pára e, consequentemente, todos que estiverem ao seu lado terão que seguir seu pique. Seu Sebastião é daquela categoria dos imprescindíveis. Ele é bateria a nos carregar.

sábado, 11 de outubro de 2008

CENA BAURUENSE (09)
ARROZ DE FESTA OU MUITAS POSSIBILIDADES
Alguns me chamam de "arroz de festa". Me divirto com isso, pois não sou mesmo de ficar em casa. O mafuá está cada vez mais atulhado de coisas, tarefas a serem feitas, que vão sendo adiadas, pois sempre fui de assistir tudo o que pinta pela cidade. Vou e carrego os amigos. Isso me oxigena para a continuidade do combate diário (de muita labuta). Quando ironizam pelo fato de estar em várias atividades, cantarolo um velho samba do Aldir, que o MPB4 eternizoo, com um refrão engraçado: "Envelheci, mas continuo em exosição, a ex-mulher me chama de sardinha de balcão..." Vou mesmo, levo junto o filho, amigos, ex-mulher, pais, namoricos, amigos e em todos, a possibilidade de reecontrar gente e conhecer novas é sempre divinal. A vida precisa ser levada desse jeito. Horário para o trabalho, as coisas sérias e para o lazer. E quem garimpa, ainda curte muita coisa com preços bem reduzidos por aqui. Eu garimpo desde moleque. E toco minha vida.

Nesses últimos dias, Bauru ferveu. Eu tentei ferver junto. Comecei pelo show do Paralamas, da Daniela Mercury e do Nando Reis, lá no recinto da Expo, num sábado de chuva. Patrocínio da Telefônica (continuo com minhas críticas a eles, sem tergiversar), tudo grátis, muita gente por lá e uma novidade, a organização distribuiu capas de chuva para quase todos. Camisinha corporal e todos dançaram com água por todos os lados. Só os pés ficaram encharcados. Foi bom rever o Paralamas, com um Herbert bem disposto e envolvente. Dias depois estive no SESC, no encerramento da semana do idoso, num show com a Martinha. Mesmo não gostando do repertório, mas conhecendo quase tudo, descemos com uma turma para a quadra e dançamos muito. Casa cheia e muita gente alegre, propiciando uma noite das mais alegres. Por fim, fui ao Circo assistir ao Bagun S.A., um espetáculo que estará na cidade até dia 19/10 e precisa ser visto pela cidade toda. Abrindo aqui uma turnê nacional. Esse show de circo, com teatro é envolvente, pois seu texto e parte musical são primorosos. Gente de primeira e tudo feito com esmero. Vai ficar na memória para sempre.

Se querem saber, ainda perdi um poquet show do Miéle, de graça na FEIMOB e o Cordel do Fogo Encantado no SESC, quase de graça, por cansaço corporal. Para os próximos dias estou reprogramando um retorno ao Bagun SA, levando pai e mãe comigo, além de ir no Chico César cantando forró no SESC, o Farofa Carioca, o Levi Ramiro e o Manito em shows praticamente a custo quase zero. E no dia 19, de graça, lá no recinto da Expo, patrocínio da Oi, um grande show com Lulu Santos e Frejat juntos. Digam a verdade, só fica em casa quem quer. Pessoas como eu, que querem tirar a ferrugem das articulações, saímos e nos divertimos a valer. Escrevo meus textos sérios (como o anterior) e continuo na arruaça, como deve ser as vida. Vou fazer isso até ficar velhinho e não poder mais. E se tiver quem me leve, continuarei.