sexta-feira, 21 de novembro de 2008

UM COMENTÁRIO QUALQUER (25)

SAUDADES DA DISCOTECA DE BAURU
“A Discoteca de Bauru foi uma das mais famosas lojas de discos da cidade, ficou quase 50 anos funcionando em Bauru até fechar as portas uns 8 anos atrás. Faz tempo que eu quero fazer uma homenagem a essa loja, que teve uma grande importância em minha vida e também na de muitos bauruenses. Eu era um moleque nos anos 80 quando conheci a loja, estava passeando pelo centro da cidade, naquela época ainda não existia o calçadão, quando entrei na loja e comecei a fuçar nos discos. (...) Não só apreciávamos a música lá, como passávamos tardes e tardes falando sobre música nas rodas. Perdi a conta de quantos discos comprei lá, mas com certeza foram mais de mil, tenho todos até hoje. (...) Era uma enxurrada de coisas legais que ia conhecendo por lá. (...) Era uma mistura de bons ventos que iam se formando, Pink Floid com Chico Buarque, Janis Joplin com Arrigo Barnabé, os sons se misturavam e vinham desta maravilhosa fonte, a Discoteca de Bauru. Mesmo com a era do CD chegando, a loja continuou a vender os belos LPs juntos com os novos Compacts Discs. O LP tinha toda uma magia, o CD era novidade, mas era pequeno. Os LPs criavam uma intimidade entre o ouvinte e o disco, sem contar a beleza das capas, muitos vinham com posteres dentro. (...) A Discoteca resistiu o quanto pode a internet, mas infelizmente não conseguiu continuar, a geração download derrubou com a loja. Quando eu soube que a loja ia fechar, fui lá no seu último dia de funcionamento, comprei meu último LP na loja e vi a porta ser abaixada. (...) Parece ser uma regra hoje em dia, as coisas boas se vão e as merdas ficam e se replicando aos montes. (...) Que fique registrado essa lembrança importante que é a Discoteca de Bauru, o Sílvio, o Ricardo e tantos outros que trabalhavam naquela saudosa loja, que permanecerá intacta na memória ao tocar cada disco comprado lá na minha velha e querida vitrola”.

Reproduzo esse texto de um grande amigo. Ele me tocou profundamente, porque tive a mesma relação de proximidade com os vinis e com a Discoteca de Bauru. Tenho mais de 2000 discos em casa (amontoados aqui no mafuá) e a grande maioria foram comprados lá. Sempre era atendido pelo Sílvio e hoje, seu filho e o meu, numa dessas coincidências da vida, estudam na mesma classe. Rever o Sílvio na porta da escola, me faz lembrar diariamente dos meus discos. Queria tirar uma foto dele. Ele não aceitou. Publico aqui dois selos, de anos diferentes, que eles iam colando na contra-capa de cada LP. Passar no quarteirão onde estava localizada a loja é saudade pura. Minha relação com a música também veio dali. Fui adquirindo gosto pela coisa, recebendo indicações, sugerindo que eles trouxessem títulos diferentes, etc. Continuo comprando muita música, ainda no formato CD, mas não tenho mais um local de preferência (compro onde estiver mais barato). Só em CD devo ter perto de uns 2000. E a grande maioria são de MPB. Não tem um dia que eu não ouço música dentro do mafuá ou no aparelho do carro. Faço um revesamento e a cada semana vou ouvindo uma nova leva, que permanece dentro do carro pelo prazo de uma semana. Depois escolho outros e assim vou seguindo. Os da Discoteca estão todos lá, guardadinhos dentro das embalagens plásticas e rodando na minha vitrolinha. Reviver isso tudo me faz um bem danado. Queria contar isso para vocês e falar do bem que me fez receber esse e-mail desse dileto amigo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

UMA ALFINETADA (41)

AS POSSIBILIDADES BLOGUEIRAS
Tenho um amigo aqui em Bauru dos mais revoltados. Envia cartas e mais cartas para os jornais locais e nada é publicado. Quando seus textos não feriam ou não discordavam da linha adotada pelos da imprensa, ele não tinha problemas, tudo saia impresso. Quando começou a discordar, nunca mais foram publicadas. E o que fazer? Reclamar ao bispo? Não, o que existe como solução é agir como eu e milhares de outros brasileiros, transferindo para um blog pessoal a sua vontade de participar diretamente do debate público. Hoje, envio menos cartas e publico tudo o que quero, como quero e quando quero. Sinto falta de minhas cartas pelos órgãos da imprensa, mas escrevo muito mais do que antes.

Possibilidade única essa dos blogs. Muitos pensam como eu. De uma certa forma, sinto-me um cidadão ao extremo. Quando antes poderia agir dessa forma? Isso mostra a derrocada da hegemonia na formação de opinião. É claro que, sempre estive ciente de não estar atingindo o mesmo número de pessoas de quando saem publicadas nos jornais, mas me sinto contemplado.Divulgo meu pequeno negócio particular e quem quiser saber como penso, basta acessar meu endereço na rede mundial de computadores. Peguei gosto pela coisa.

Sempre fui um jornalista frustrado. Cursei História, quando deveria ter feito Jornalismo. Com o blog, de alguma maneira, compenso a frustração. Lá na internet todos são um pouco jornalistas. É assim que me sinto. Sei que o impacto da internet sobre a chamada “formação de opinião” ainda é reduzida. Quando algo sai no jornal sou abordado na rua e dos textos do blog, o alcance é questionável. No jornal você vai ler a minha opinião e a de muitos outros. No blog, o internauta terá que ter a disposição de me ler e acessar algo que só diz respeito à minha opinião. Porém, isso não me desanima.Na rede de computadores todos falam e são ouvidos (desde que acessados).

Só isso já é algo de um valor incomensurável, um caminho praticamente sem volta, mesmo que lenta. Mesmo que meu blog continue invisível, imperceptível e pouco acessado, me exponho para gente que nem imaginava. Recebo sinais vindos de longe e isso é um alento. Tenho uma certa reputação, uma linha, postura e quem possui a mesma, acaba se identificando. “Boi preto segue boi preto”, me ensinou uma amiga. Só a possibilidade de ter voz, sem qualquer barreira é algo grandioso. A esse meu amigo, fica a dica, siga esse mesmo caminho, pois as portas continuam mais abertas do que nunca.

Henrique Perazzi de Aquino, 48 anos, blogueiro amador, declarado, paramentado e juramentado. O Ministério Internético adverte: Acessar ainternet de forma saudável rejuvenesce o seu “eu”.
PS: Esse texto sai aqui hoje e sábado no semanário Alfinete, lá de Pirajuí.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

FRASES DE UM LIVRO LIDO (19)

OS GRANDES LÍDERES – MARTIN LUTHER KING
Amanhã, 20/11 é o Dia da Consciência Negra e queria encontrar um livro aqui no Mafuá, com frases significativas, para bem representar o que penso sobre a data. Poderia fazê-lo com algum nacional, pois a data é nossa, mas como o preconceito é universal, fui em busca desse pequeno livro, lido há um bom tempo (o livro é de 1987 e as frases são dos anos 60), sob a trajetória do líder negro norte-americano, cujo pensamento está tão em voga, justamente nesse momento onde um presidente negro está prestes a assumir o comando da “maior democracia do Ocidente” (sic). As frases dele servem sempre para apuradas reflexões:

- “Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo é não fazê-lo. Não posso ficar no meio de todas essas maldades sem tomar um aatitude”.
- “A tragédia da escravidão física foi o que levou gradualmente à paralisia da escravidão mental”.
- “Talvez o comunismo esteja no mundo porque o cristianismo não tem sido suficientemente cristão”.
- “Pode ser verdade que a lei não é capaz de fazer com que uma pessoa me ame, mas pode impedi-la de me linchar”.
- “No fundo, tanto a segregação dos EUA quanto o colonialismo na África foram baseados na mesma coisa: superioridade branca e desprezo pela vida”.
- “Por mais que eu deteste a violência, existe um mal pior do que a violência: a covardia”.
- “Ser abatido em um movimento que visa salvar a alma de uma nação é uma morte redentora”.
- “Esperamos mais de 340 anos por nossos direitos. As nações da África e da Ásia estão avançando rapidamente em direção à sua independência política, enquanto nós ainda nos arrastamos para conseguir uma xícara de café no balcão de uma lanchonete”.
- “Dizem que alguns de nós são agitadores... Eu estou aqui porque amo os brancos. Enquanto os negros não forem livres, os brancos não serão livres... Eu estou aqui porque amo o meu país. Vou viver aqui nos EUA pelo resto de minha vida. Não sou forasteiro. Qualquer pessoa que vive nos EUA não é um forasteiro nos EUA”.
- “Quem somos nós? Somos descendentes de escravos. Somos a prole de homens e mulheres dignos que foram arrancados de seus lares e acorrentados em navios como animais. Somos os herdeiros de um grande e explorado continente conhecido como África. Somos os herdeiros de uma passado de humilhação, fogo e assassinato. Eu pessoalmente não me envergonho desse passado. Envergonho-me, sim, daqueles que se tornaram desumanos a ponto de torturar-nos desse modo”.
- “Viemos humildemente dizer aos homens que governam nosso país que a questão dos direitos civis não é uma questão passageira, local, de menor importância, que pode ser posta de lado por guardiões reacionários do status quo. Já é tarde. O relógio do destino está batendo. Temos de agir agora, antes que seja tarde demais”.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

CENA BAURUENSE EM TRÊS ATOS(13)

TRÊS MOMENTOS: UM SHOW, UM DOCUMENTÁRIO E UM DRAMA

CENA UM - 75 anos da USP são comemorados em Bauru com um show no teatro daquela Universidade com ZIMBO TRIO. Eles estiveram em Bauru em maio, quando da Virada Cultural, mas como estava trabalhando no show da Estação Ferroviária não vi o deles, num retorno à cidade após 10 longos anos longe dos palcos bauruenses. Esse eu não poderia perder. Consegui o ingresso, que era para convidados e distribuídos de forma bem limitada. O trio em ação é o que de melhor pude presenciar nesse ano. Tocam com uma sintonia de dar gosto. Vibrante e emocionante em cada detalhe. Amilson Godoy nos teclados, Itamar “Al Pacino” nas cordas e Rubinho na bateria são um acinte, algo incomensurável e até incompreendido. Amilson estava num dia inspirado, muito falante e conversador, ótimo astral. É o destaque, quer se queira ou não. Porém, cada um possui sua preferência e eu fico com Rubinho, um monstro sagrado com as baquetas na mão. Faz o que quer do instrumento e do alto dos seus 80 anos, continua um moleque, irreverente e inovador. Se o show aconteceu na segunda, 17/11, todos que lá estiveram, saíram ganhando, pois teremos uma semana toda abençoada pelos deuses da música. Da boa música, diga-se de passagem.

CENA DOIS - Nunca havia tido o prazer de assistir a um TCC – Trabalho de Conclusão de Curso. Fui convidado para um, o da Lygia Minhoto Cintra, 4º ano de Jornalismo daUNESP Bauru, onde iria apresentar um documentário, “Em que estação o trem parou?”, retratando a triste história ferroviária brasileira no pós-privatização. E enredo teve como pano de fundo Bauru e muita gente daqui estava lá retratada, além da história da cidade, entrelaçada com os trilhos. O pessoal da Secretaria Cultura estiveram auxiliando a acreana no que foi possível e o resultado foi Nota Máxima de todos da banca examinadora. Assisti, ganhei uma cópia do filme e uma autorização para exibi-lo em primeira mão num Encontro com Ferroviários da Vila Dutra, a ser realizado em dezembro. Praticamente não existe narração, somente cenas gravadas e outras autorizadas, entrecortadas com depoimentos de Lidia Possas, Nilson Ghirardello, João Francisco Tidei de Lima, Luciano Dias Pires e Vivaldo Pitta. Uma frase proferida pela professora Lidia me chama a atenção sobre o futuro da ferrovia brasileira: “Não é renovar o velho, é criar um novo projeto”. Por fim, a frase final de Manoel Bandeira: “Nada aconteceu senão a lembrança do crime espantoso, que o tempo engoliu”. Lygia vai longe. Em dezembro lança um outro documentário, patrocinado pelo Itaú Cultural, onde mostra nossa equipe do Ferrovia para Todos em ação.

CENA TRÊS - Andreia Ortolani é minha amiga e vive um verdadeiro drama familiar. Funcionária Pública, cuida da Zeladoria do prédio da Praça das Cerejeiras. Cuida também do pai doente, que recentemente sofreu um AVC que o deixou tetraplégico. Vive na cama, cheio de escaras e necessitando de cuidados mais do que especiais. Foi em busca do atendimento via judicial, pois não o estava conseguindo pelas vias normais. Uma liminar da Justiça Federal determinou que o Governo Estadual teria que lhe prestar atendimento familiar, além do medicamento. Não estava conseguindo nem um, nem outro. Foi as vias de fato e num ato de desespero, promoveu uma greve de fome diante da sede do Ministério Público Federal na tarde de ontem, 17/11. No fim do dia, mesmo sem conseguir obter nada de concreto, foi aconselhada a desistir e aguardar mais um dia. Andreia vai conseguir, pois é uma batalhadora, fez um escarcéu e conseguiu apoio da mídia. Vê-la no estado em que se encontra, sózinha, numa luta insana contra um imenso Moinho de Vento é para desabar qualquer um. Andreia é muito mais valorosa do que poderia imaginar. Em nenhum momento está aceitando que sejam feitas imagens de seu pai, quer preservá-lo. Possui uma força que desconhecia e que a torna ainda mais admirável. Queria eu ter a força dela para enfrentar os meus Moinhos de Vento. Fibra é seu nome.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (09)

SOU O ALVO DA VEZ.
Quando criei esse Blog, o fiz desde sempre com a intenção de permitir a livre circulação dos Comentários, que podem ser feitos de forma Anônima e com publicação instantânea. Me alertaram que poderia ter dores de cabeça, pois ninguém consegue agradar a todos. Uns engraçadinhos, uns perturbados e até alguns desafetos poderiam se utilizar do espaço para gratuitas agressões. Elas até que demoraram para ter início. E começam a se fazer presente nesse momento. Tudo porque exerço um cargo público e estamos no final de um mandato. Acredito que devo incomodar alguns, talvez vislumbrem possibilidades que desconheço, ou me querem fazendo um jogo que não estou habituado. Quero só trabalhar tranquilo até o final desse ano. Nada mais. Portanto, suportarei com galhardia as gratuitas alfinetadas. Sei a procedência, e só por isso, sei não valer a pena responder a tudo.

Não tenho motivos para comparações com quem quer que seja. Cito aqui o caso dos ataques ao presidente Lula e aos feitos a Dilma (pelo fato dela ter resistido com armas ao nefasto regime militar), porque é o primeiro que me vem a mente. Lula possui "n" motivos para críticas, mas a grande maioria do que vejo e leio na internet são uma infinidade de idiotices. E sabem por que Lula ri disso tudo? Porque as críticas via internet são improcedentes, quase todas resvalando no pantanal do preconceito. A pessoa ou grupo que quer me atingir age da mesma forma. Não tem (e não terá) nada de concreto. Age na subjetividade, na ironia, na insinuação malévola e com isso, assume agir nas sombras da ilegalidade, pois não tem a coragem de assumir o que escreve. Só o faz no anonimato. Lula quando criticado com seriedade e argumentos convincentes, precisa se explicar. Quando tudo é feito anonimamente, com uso desmedido de preconceitos, precisamos é investigar o que move tudo isso e a origem. No meu caso, sei o que move alguns: pura inveja e ciúme. A esses, peço que façam o mesmo que eu: trabalhem. E muito, pois não paro um só segundo.
Deixo aqui duas fotos minhas, com uma máscara de carnaval com a face do presidente Lula. É a forma jocosa como respondo a coisas do tipo. E Dilma, como reagir a bestialidade de quem produz algo no baixo nível do que publico aqui. Recebo de uma pessoa bem próxima de mim, algo num tom de brincadeira, com uma ficha montada sobre a ministra Dilma. No título: "CANDIDATA E SEU RESUMIDO CURRÍCULO". Logo abaixo, num texto curto e grosso, algo que não dá para aceitar: "Como disse alguém certa vez: O ladrão quer emplacar a ladra!". São bons exemplos de algo que não faz falta nenhuma e demonstra a total falta do que fazer, que ainda move alguns nesse rincão varonil. Ou seriam os tais interesses. Mas que interesses são esses? Nós sabemos e precisamos estar alerta para os falsos moralistas, os parasitas, os hospedeiros (aqueles que necessitam estar sempre sugando alguém para sobreviver). E olha que estou calmo hoje...

domingo, 16 de novembro de 2008

DIÁRIO DE CUBA (15)

ANDANÇAS E CONTATOS ANTES DE CONHECER O INTERIOR DA ILHA
Estamos no quinto dia em Cuba, 12/03, quarta e amanhã iremos conhecer o interior do país. Saímos do hotel às 8h30, após aquele suculento café da manhã (um verdadeiro almoço) e caminhamos muito, "hablando" e rindo das nossas pisadas de bola e desconhecimentos de procedimentos. Marcos diz que sou uma negação com o espanhol e da forma como encontrei para me comunicar, uma espécie de tupi-guarani, estilo Raoni, com pitadas de gauchismo, estilo Felipão. Ininteligível. Uma confusão dos diabos. Acho que devo mesmo é falar o meu português e deixar rolar. Vamos inicialmente até o bonito terminal da "Via Zul", a empresa que nos levará até a cidade de Santa Clara.

Na chegada um simpático segurança, puxamos papo. Na conversa nos dia ser dirigente dos Combatentes Nacionais. Um senhor negro, alto, muito simples e falante. Nós dá valiosas dicas para voltar ao centro por outros caminhos. Anotamos os horários para amanhã e na saída, vemos um taxista a devorar um dicionário português/espanhol, editado pela Melhoramentos brasileira. Puxamos conversa. O irmão está no Brasil, em Tocantins e a convite desse está a se preparar. "Se Deus ajudar", nos diz, "estarei morando com o irmãos até o final do ano". Um sonho e para isso junta o dinheiro da passagem. Conheço esse filme, pois também juntei o meu para aqui estar. E ele nos diz que fará a viagem sem maiores problemas, pode sair quando quiser, desde que tenha o valor para pagar a passagem.

Na volta, uma parada inevitável. Do outro lado da rua vejo a Sala Charles Chaplin. Vamos até lá e amente do cinema, me encanto com a parede lotada de cartazes, preenchendo toda a parede no hall de entrada. Visual muito belo, colorido. O porteiro nos diz que muitos deles são vendidos numa loja do outro lado da rua, num daqueles casarões antigos. Outro se aproxima e notando nosso interesse, comunica que em abril acontecerá ali uma Mostra de Cinema Suiço. A entrada será de dois pesos. Dizemos a ele, que "no Brasil temos poucas salas de rua, pois a maioria estão em shoppings e predominam a exibição de filmes norte-americanos". Eu até parei para transcrever sua resposta nesse diário: "Eles querem que façamos tudo do jeito deles, mas não devemos assistir somente os filmes vindos de lá, mesmo gostando do estilo utilizado. Aqui temos filmes do mundo todo. Inclusive, nesse momento, até africano".

Passamos defronte a corporação dos bombeiros. Peço para tirar fotos. Faço duas, uma de um caminhão mais antigo e outra mais moderno. Gostei dos equipamentos. Estão bem servidos. Nisso, Marcos me chama a atenção: "Quantas vezes você já ouviu barulho de sirenes ligadas pelas ruas? Nenhuma, nem de ambulância, polícia, bombeiro, nada". De fato, não havíamos presenciado nenhuma ocorrência desse tipo nas movimentadas ruas de Havana. Um comentário sem maiores pretensões, pois não quiz fazer comparações. Nenhuma provocação. Só um registro, como outro qualquer.

Seguimos no sentido da praia. Passamos novamente defronte a Embaixada dos EUA só para fotografar e filmar um outdoor defronte o prédio. Ao lado, dois grandes hotéis, luxuosos. Um senhor nos explica como funciona tudo: "Esse aí é de um grupo francês, eles constroem, o Estado paga o salário dos funcionários e 51% dos lucros fica com o Estado, o restante é dos proprietários. Não existe aqui o que ocorre no resto do mundo". E Estado controla a ação, limita o lucro e isso proporciona renda, dividendos para o país, que é eminentemente turístico. No entorno, alguns centro de compras, tudo no mesmo esquema. Nada de errado.

Algo nos impressiona ao caminhar pelas ruas: busto de Jose Marti estão espalhados por todos os lugares. Eles não escondem sua admiração pelos grandes vultos de sua história. Dois "jinetros" se aproximam. Ainda nem estamos na hora do almoço, mas o espaço de hoje está encerrado. Conto mais da próxima vez.

sábado, 15 de novembro de 2008

ALGO DA INTERNET (10)

O QUE ANDO VENDO NO FERIADO
Hoje é sábado, feriado nacional, cá estou no mafuá, de chinelo de dedo, sem camisa e fazendo uma faxina no descuidado local onde escrevinho meus textos. O sol ferve tudo lá fora, a FM Veritas joga música brasileira no ar, meu carro (sujinho como nunca) aguarda que o lave. Antes porém, adentro a internet e vou juntar o que andei navegando nesses últimos dias. Não tenho MSM, essas coisas de perfis, página pessoal no Orkut. Meu negócio no computador é navegar por sites e blogs pessoais, além de pesquisa, muita pesquisa. Faço isso a todo intante. Como um dia aqui dentro é mais curto dos que os demais, deixo aqui alguns endereços, pois as obrigações me chamam:

Esse site argentino é muito legal, pois nele você pode ir assistindo traillers de filmes argentinos, uns 40 no total. Muita coisa boa. Adora ir descobrindo algo sobre o cinema de toda América Latina. Ontem à noite, não sai de casa e fiquei assistindo um montão desses trechos.

Rico é um cartunista mineiro da novíssima geração, possuidor de um traço e de um cratividade genial. Seu blog é gostoso, pois além do traço diferenciado, seus textos curtos são antenados. Ele acaba de nos autorizar expor em Bauru um trabalho que organizou nos 75 anos do Ziraldo, quando os amigos cartunistas fizeram homenagens ao mestre do traço. Em breve, a Gibiteca irá expor essas preciosidades.

Adorei esse blog logo que o descobri, pois dá umas dicas legais de bares do Brasil todo. Logo no título está lá algo interessante: Barbiblioteca. Uma frase recomenda: "Leia sem moderação". As dicas de livros sobre o tema são boas e nos remetem a ler o original. Gostei muito.

Esse grafiteiro inglês está sendo muito comentado mundo afora, pois tudo o que faz tem uma conotação política. produz verdadeiras obras de arte nas paredes do mundo todo. Seu trabalho está na capa da última Piauí e fica lindo estampado numas camisetas (ele permite tudo).

Puxa gente, por hoje é só, minha mãe me chama para o almoço e o cheiro está tão convidativo, que não resisto. Computador agora, só amanhã, e olhe lá!