quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

RETRATOS DE BAURU (72)

NETO, UM DECORADOR NO CAMINHO DO SUCESSO
Antonio Dangio Neto, esse seu nome dado na pia batismal, lá em Jaú, sua cidade natal. Hoje, 50 anos depois, foi simplificado e no mundo da decoração, onde vive num entrosamento mais do que perfeito, é simplesmente Neto. Aos 13 anos algo significativo que iria mudar sua vida. Conhece numa festa Paulo Keller, já um decorador em ascensão e algo se acende dentro dele. Estava dado o rumo de sua vida. Segue nesse caminho, numa profissão, que hoje, com trinta anos de tarimba, alcança um patamar de inigualável sucesso. Permaneceu ao lado de Paulo até sua morte, uma espécie de fiel escudeiro e está dando continuidade ao seu trabalho de forma brilhante, com novas portas se abrindo e um horizonte cada vez mais amplo despontando a cada passo dado. Neto tem se sobressaído não só por ter trabalhado ao lado de um conceituado decorador, mas pelos próprios méritos, todos expostos e reconhecidos nas festas e eventos diversos onde atua. Segue fielmente um lema, que continua sendo o seu, o de pegar o sonho das pessoas e transformar em realidade. Faz isso com categoria, esmero e dedicação, comprovando que para conseguir dar a volta por cima e se firmar num mercado cada vez mais competitivo, não basta trabalho, sendo necessário uma boa dose de talento e, principalmente, de profissionalismo. Neto sabe fazer e faz bem feito. Daí estar com a agenda cheia de novos compromissos. Vive e deixa viver, uma boníssima pessoa, que por si só merece os píncaros da glória. Vê-lo em plena agitação na preparação de um evento e depois, todo engravatado no transcurso do mesmo é entender um pouco dos dois lados de uma mesma moeda. Trabalho e reconhecimento andam sempre de mãos dadas e Neto é a própria personificação dessa união.

OBS.: Não vivo de elogios, nem bajulo ninguém que não queira. É que o Neto é tudo isso aí mesmo, um batalhador, caladão, simplão, mas fazendo e acontecendo. Merece esse mimo de final de ano, pelas agruras passadas numa reviravolta em sua vida, transtornos que de instransponíveis, já estão se mostrando contornáveis. Para tudo existem saídas e ele está encontrando a sua e dando a volta por cima.

OBS 2: Com esta publicação algo interessante. É a primeira que sai publicada num outro lugar e não aqui. Esse texto saiu publicado ontem, na página 2 do jornal mensal VOCÊ AQUI, onde mantenho uma coluna com o nome de Retratos de Bauru. O número 3 já circula por aí, esbanjando simpatia e carisma. Está emplacando...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

UMA FRASE (45)

RICHARLYSON, ALVO DO MAIS NOVO ENRUSTIDO PRECONCEITO
Uma besteiraiada sem fim esse negócio do cabelo comprido, as tais madeixas novas do jogador Richarlyson, do São Paulo, de férias em Bauru, sua cidade natal. Existe uma insana turba de torcedores, colunistas e vulgos protetores dos bons costumes, pregando algo como ser inconcebível para um jogador “normal” manter o atual visual do jogador no retorno aos campos no início de 2010. Pura falta de assunto num período de férias, aliado ao preconceito incontido e exacerbado que muitos nutrem. Mesmo quando questionados esses alegam que não nutrem nenhum tipo de preconceito por esse ou aquele procedimento, mas, “no meu time não”. Por essas e outras, fica mais do que evidente como estamos ficando mais carolas, conservadores e conseqüentemente, perigosos. Já se acham no direito de ameaçar um jogador pelo uso do cabelo comprido e por suas ações fora do campo.

Sou do tempo do Afonsinho, o craque de Jaú, cabeludo, barbudo e politizado, que quebrou barreiras no campo futebolístico, mais por suas posições políticas, num meio onde sempre predominou o “boca fechada”. Ele abriu portas, mas elas nesses tempos atuais estão todas sendo fechadas ao mesmo tempo. Trogloditas se dizem enviados dos céus, numa espécie de enviados dos deuses para nos ditar normas e condutas. Esses os piores, principalmente os de cunho religiosos. Nesses momentos lembro sempre de meu pai a me dizer: “Cuidado com os moralistas, pois esses se escondem atrás de uma carapuça e na surdina, fazem e acontecem, perigosíssimos”. Todo moralista tem lá no seu interior um desejo reprimido e na impossibilidade de assumir publicamente o que lhe manda o interior, prega contra. Não discute, nem possui argumentos para debate (todos pífios), quer é impor sua vontade. Dando vazão a bestialidades vindas dessas bocas estaríamos num “mato sem cachorro”, retrocesso sem fim. Depois de avanços mil, em pleno século XXI voltaríamos a uma era inquisitória. Tudo precisa passar por um crivo de uma “patrulha do bem”. É claro que a questão não é o cabelo, pois até o hoje técnico Muricy já o usou no passado quando jogador. Para não se discutir o cerne da questão, fica-se a falar de cabelos longos.

No caso do jogador bauruense, algo mais perigoso, pois o negócio extrapola a questão dos cabelos e vai direto no quesito sexual, que é de foro íntimo. Abomino qualquer tentativa de chacotas, injúrias e conversinhas desencontradas. Deixem o cara em paz e se continuar jogando bem bola, irá ser tão pioneiro como o foi Afonsinho. Isso me faz lembrar de uma frase/lição atribuida a Liev Tolstoi (1828/1910), um que apregoava não haver sistemas aceitáveis de nos governar, porque parecia a ele ser impossível confiar nos homens que o adotam/implantam. Eis a frase: "O mundo é dos leões e nós, como raposas ou ratos, devemos driblá-los para sobreviver". Façamos isso.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

UMA CARTA (41)

PAPAI NOEL ÀS AVESSAS – MEU CARTÃO DE FINAL DE ANO
”Papai Noel entrou pela porta dos fundos
(no Brasil as chaminés não são praticáveis),
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutador
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas,
coisas que continuavam coisas no mistério do Natal.
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,
achou um queijo e comeu.

Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.
Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
(no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada)
e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças
Papai entrou compenetrado.
Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente de república de celulóide.

Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo
no interminável lenço vermelho de alcobaça.
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do aperto.
Os pequenos continuavam dormindo.

Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.
Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes”

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Não tenho muito o que falar nesse período de festas. Prefiro ficar aqui no meu canto, numa preparação para o próximo ano. Leio muito e saio pouco. Se isso tudo aí fora é de muita alegria para muitos, para mim, de pouca. Vejo o mundo cada vez mais chato, tentando implantar um tal de “pensamento único”, tão diferente da diversidade de décadas atrás. Estamos é mais chatos, introspectivos e isolados. Hoje, um Papai Noel com a bunda de fora traz mais perplexidade do que nos anos 80/90 (esse aí é de uma peça publicitária de uns dez anos atrás). Irreverência hoje é algo como uma doença. Pertenço a uma geração que ironizava de tudo e de todos e isso hoje é visto como desaconselhável. Como não será aos quase 50 anos que mudarei, insisto em continuar gostando de velharias (diferente de ser velhaco, hem!), mijando fora de penico, não assinando NET, não gostando de Twiter e eternamente reverenciando a Cuba de Fidel e a necessidade da possibilidade de um outro mundo, onde o capital não seja um deus todo poderoso. Tente neste Natal procurar conversar com sua empregada e veja o que ela acha de você – talvez, então tenha uma idéia mais ou menos aproximada da situação de nosso relacionamento com os menos favorecidos. Pode acontecer que a empregada pretenda virar madame – não tem importância, pelo menos teremos algumas mudanças substanciais. Quando aparecerem críticos e não apenas amigos do sucesso, então, talvez, tenhamos uma visão de onde estamos, quem somos, para onde vamos. Ando tentando marcar uma horinha com o tal do Pai Ambrósio (que vi num anúncio num poste), um solucionador de problemas (tudo o que preciso em 2010) e quando o encontrar e gastar na consulta todo meu saldo bancário, conto aqui os resultados. E para os que me acham incrédulo (acredito em tanta coisa), reproduzo uma foto do meu presépio deste final de ano, tiradas na enchente em Santa Catarina no começo de dezembro (esse é o presépio – ou seria presepada? – do meu país). Poesia é tudo de bom e assim sendo, Drummond para começar e Mário Quintana para encerrar. E por favor, não entrem na onda de consumirem a novidade do ano, o Panetone recheado de arruda, supostamente para espantar a pobreza e o mau-olhado/filmado/gravado. Meu Papai Noel de verdade tem sido esse aí embaixo, um verdadeiro bom velhinho de barbas brancas (saberiam que é?). Boas entradas e boas saídas para todos e todas.

“...A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê já se passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo,
pois a única falta que terá,
será desse tempo que infelizmente não voltará mais”

MÁRIO QUINTANA

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (19)

CENSURA E CENSURADO, O LADO REAL DA QUESTÃO
Encontro na feira dominical o radialista, ex-vereador e presidente da Câmara de Vereadores de Bauru, Cláudio Petroni. Paro para um papo. Digo a ele que fui ouvinte de seu programa matinal na FM 87,9, uma rádio dita comunitária, mantida pela paróquia católica de São Sebastião. Petroni participava toda a manhã de um programa diário de comentários políticos. De uns tempos para cá sumiu do ar misteriosamente, sem explicações. Pergunto a ele o motivo e sua resposta é clara e objetiva:

- “Aquino, mandei aquilo tudo a ‘pqp’, o gerente da rádio e o padre. Eles ficavam me impondo o que poderia ou não comentar. Não agüentei. Não tenho mais idade para isso, quero liberdade de ação. Tenho muitos anos de microfone e não respeitam nada disso. Não suportei. Tudo o que fere o jeito deles pensarem e agirem não pode ser levado ao ar”.

Comentei que o ocorrido com ele foi igualzinho com o fato gerador da demissão do Márcio Miranda, da rádio Jovem Auri-Verde AM, quando após o fechamento de um contrato para transmissão das sessões da Câmara de vereadores, estaria impedido de tecer comentários sobre a atuação de alguns deles. Na negativa, foi impedido até de fazer uma despedida dos ouvintes. Demitido no ato.

- “Igualzinho”, me diz. “Querem que falemos só o que interessa a eles. Tô fora, Aquino”.

O fato narrado aqui demonstra de forma bem clara como se processa a mais cruel das censuras dentro dos meios de comunicação no Brasil, a do poder econômico. Enquanto alguns órgãos, como o Estadão criticam uma suposta censura por não poder publicar algo sobre os atos do presidente do Senado, José Sarney, escondem de todos os atos internos, onde os jornalistas são submetidos a verdadeiros cabrestos. Praticamente não existe mais órgão onde ocorra uma total liberdade de expressão, ou seja, todos sofrem censura, a do patrão. Mesmo com toda carga de informações despejadas diariamente pelos mais diferentes meios de comunicação, só tomamos conhecimento do que o patrão (dono das TVs, jornais, rádios...) libera como confiável, ou a sua visão de mundo segundo seus interesses. A máscara de todos eles cai a cada nova revelação, iguais a essa relatada aqui pelo Cláudio Petroni.
Em tempo: O sempre útil Óleo de Peroba não deve ser usado pelo Censurado, e sim, pelo Censor, esse sim um verdadeiro CARA DE PAU.

domingo, 20 de dezembro de 2009

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DO ERNESTO VARELA (08)

UM DOMINGO REVENDO E COMENTANDO FATOS & FOTOS
Peguei gosto por escrever numa só golfada, num só parágrafo, despejando tudo de uma só vez. E assim o faço novamente. A tal da Conferência do Clima, lá em Copenhague termina sem solução para nada. Queriam o que? Num mundo dominado pelo capital (o pior deles, o predatório e insensível), queriam que o resultado fosse outro? Predomina o valor do bem de consumo que “eles” entendem, os seus próprios interesses. Sempre em primeiro lugar o vil metal. Li algo bonitinho, números sobre a situação. O mundo pagou para reduzir os efeitos da crise financeira de 2008 meros 11,9 trilhões de dólares e para reduzir os impactos do aquecimento global pagaria cerca de 270 bilhões de dólares por ano, em cerca de uma década. Mas para isso não existe grana disponível, só para salvar o sistema predatório. Li também que “se todas as emissões cessassem de súbito, seriam necessários 50 anos para desintoxicar a atmosfera terrestre e começarem a aparecer os indícios de reversão da tendência de aquecimento, derretimento de geleiras, perdas de florestas e outras conseqüências”. Esqueça tudo isso e aceleremos no caminho do fim mais rápido e doloroso, que de qualquer forma seria inexorável. Está tudo previsto (leiam Darwin). Só estamos apressando um pouco mais. Viver de forma mais simples, sem embalagens desnecessárias ninguém quer. Tudo é feito de forma desmedida e assim continuará, pois somos e continuaremos a ser “homem lobo do homem”. Mudemos de assunto. Ontem fui com amigos queridos (Zezé Ursolini e o casal Cléo e Cacá, da Cléo Malharia) assistir um show do Flávio Venturini, cantando todos seus sucessos, que me embalaram (continuam embalando). Cantarolo um refrão até hoje e vindo do próprio autor me reviveu coisas boas: “Mas é claro que o sol/ Vai voltar amanhã/ Mas uma vez eu sei/ Escuridão eu já vi pior/ De endoidecer gente sã/ Espera que o sol já vem” (Mais uma vez). Sai de lá em estado de graça. Cruzo na rua com a Mariza Basso e o Kim e ela me saca da carteira um presente, uma nota de mil pesos colombianos (quanto valerá isso?) com a estampa do presidente socialista daquele país, Jorge Eliécer Gaitán (tem até Fidel no meio da massa), com uma linda frase: “Yo no soy um hombre, soy um pueblo. El pueblo es superior a sus dirigentes”. Havia pedido um boné da guerrilha colombiana, mas ela achou arriscado, diante do que viu por lá. Uma pena, que hoje, com Uribe, está institucionalizado uma contramão do momento atual de nossa América Latina. Tento presenciar algo grandioso ontem por aqui, uma apresentação de filmes do “Festival Cine Cultura Viva”, que meu amigo PH estava apresentando pelo Cine Clube, lá no Automóvel Clube. Não assisti nada, pois somente eu estive lá para assistir os curtas. Desistimos e ele me emprestará o DVD para ver diante do sofá de casa. Ainda ontem encontro na rua uma servidora municipal entristecida com a fritura que estão a fazer com a secretária da Educação, Majô. Diz ela que nada do que está sendo divulgado procede e reflete ações do passado. E por que ela não coloca a boca no trombone? Tenho comigo que quem cala consente. Não pega bem explicitar tudo se porventura for defenestrada do governo. Por que todos agem assim? Da mesma servidora, algo mais triste. Um servidor que quase perdeu o cargo, lá do staff do gabinete, conseguiu ficar, mas o colocaram num canto, geladeira total, sem nada mais passar pelas suas mãos, uma espécie de quarentena que não acaba mais. Ficou no cargo, mas sem função. Lindo, não? Exilado dentro do próprio palácio presidencial. Li hoje no JC, que um triunvirato de secretários fazem uma “aliança informal entre o PCdoB (de Majô), PT (de Estela e Batata) e PSB (Pedro, da Cultura). As três correntes formam um bloco para se defender de inimigos internos”. Deve estar um deus nos acuda tentar se garantir nos cargos, um vale-tudo. Abro os jornais e leio que o projeto “Minha Casa” já é uma realidade lá em Jaú, com a entrega de 50 casas e por aqui, onde a vice-prefeita foi em tudo quanto é órgão de imprensa, falou, cadastrou e arrebanhou dividendos, mas nada de concreto, nem uma só casinha. Por que será que tudo é mais difícil por aqui? Domingo, sol a pino, vou almoçar com os amigos de Pirajuí, lá d’O Alfinete, onde publico um texto semanal. Com 50km pela frente me despeço de todos e parto para a estrada, não sem antes passar a bola para um velho conhecido dessas plagas.

Diante de tudo isso, Ernesto Varela, o intrépido jornalista que não deixava a coisa passar batido, perguntaria para alguns dos personagens citados aqui:
- Senhora vice-prefeita, por que lá em Jaú as casas do “Minha Casa” saem sem alarde e aqui, com alarde não saem do papel? Tem gente jogando contra a cidade, me explique...

- Vale a pena manter um funcionário sem atividade na Assessoria? Não seria melhor colocá-lo para exercer alguma outra atividade onde pudesse render resultados, justificando a paga mensal?
- Para os ecologistas de plantão, uma perguntinha direta e reta: Vocês conhecem a lei de Darwin. Sabem que mais dia menos dia esse planeta, que está em constante mutação, estará num outro estágio, quer façamos força pelo contrário ou não? Não sabemos nem cuidar de nós mesmos e queremos cuidar do planeta. Não se atentaram ainda que a sustentabilidade pregada por alguns são para aqueles com grana e não para a maioria ferrada como nós?

sábado, 19 de dezembro de 2009

CHARGES ESCOLHIDAS A DEDO (22)

NATAL DE BRASÍLIA COM ARRUDA & CIA E A AÇÃO IMEDIATA DOS CHARGISTAS
A governador do Distrito Federal não decepcionou ninguém. Quando senador, já havia aprontado numa ação coligada ao Toninho Malvadeza, teclando votos um para o outro. O reelegeram novamente e ele demonstra a que veio, promovendo algo mais grandioso, espetacular. E o jogo de horrores em Brasília seguiu numa linha dantesca, com cavalariços da Polícia Militar derrubando manifestantes, gente apanhando por estar protestando, tudo na Capital Federal da República. E Arruda insiste em continuar no cargo, diz que resistirá à exaustão e promove algo igualzinho o realizado aqui em Bauru. Num primeiro momento demite o secretário envolvido com o caso, mas continua pomposo e falante. Por aqui, no caso do escândalo da AHB -Associação Hospitalar de Bauru, nosso deputado estadual Pedro Tobias demite gente do seu staff, querendo demontrar imparcialidade. Lá em Brasília tudo foi escancarado, o caso bauruense precisa ter uma agilização na apuração definitiva das responsabilidades, para que não fiquemos na dúvida de envolvimentos com apaniguados do PSDB. Quanto mais se demora, mais dúvidas. Voltando para o caso Arruda e todos os outros envolvendo corruptos, algo que gosto muito de presenciar nesses casos é a ação imediata dos chargistas brasileiros. Fico a viajar pelo que produzem, cada um mais criativo que o outro, demonstrando estarem totalmente antenados com o que ocorre Brasil afora. A lamentar o fato de que a maioria dos jornais brasileiros já não prestigiam como antes o traço, a ilustração e, consequentemente, a charge. Antes existiam até suplementos de humor, com páginas exclusivas para esse fim; hoje se restringem a página dois, que em alguns casos ainda mantém um espaço para a charge, abolindo o restante. A grande maioria desses profissionais foram em busca de outros segmentos e quase todos possuem páginas na internet, onde continuam a exercitar sua critividade. Eu, cria assumida do velho e insubstituível O Pasquim, não fico sem constantemente ir garimpando essa produção. Esses oito aqui publicados (cliquem neles e ficarão maiores) me cairam no colo, enviados pelo amigo Orlando Alves. Hoje, sábado, dia mais folgadão, quase véspera de Natal, nada melhor do que conferir o que já foi sacado sobre o caso Arruda. Rir não é a solução, pois eles lá continuarão. É preciso muito mais que isso, talvez ações como as realizadas em Brasília, que infelizmente, nem foram aventadas de acontecerem aqui por Bauru. E olha que o caso da AHB é tão grandioso quanto o similar "arrudiano", guardadas as devidas proporções. Vivemos um tempo esquisito, onde até as manifestações são anunciadas com antecipação prévia, como a que o vereador Roque Ferreira pretendia realizar defronte os predatórios pedágios da Centrovia (aquela que assoreia água das estradas). Avisou com bastante antecedência a intenção da realização de um mero protesto e a empresa foi na Justiça impedir o ato através de liminar, definindo multa e tudo. Isso além de gerar uma boa charge, demonstra que uma ação "na moita" produz muito mais efeito do que outras previamente marcadas.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

UMA ALFINETADA (62)

EMFIM, FÉRIAS! – texto publicado no semanário O Alfinete nº 97, de 06/01/2001.
Mário Quintana já dizia que viajar é mudar a roupa da alma. Pois, sim, mas o que dizer se a maior viagem que você fez na vida foi de ônibus para o Paraguai, em um feriado de Páscoa e para comprar, é claro, bugigangas totalmente inúteis?

Começo assim dessa forma meio para baixo um texto sobre férias, porque não dá para fugir da constatação de que os dias atuais estão pela hora da morte. Antigamente era o máximo essa conciliação de férias escolares com a do nosso trabalho. Sempre estávamos fugindo para algum canto diferente qualquer, simplesmente para escapar da nossa rotina diária e para repor as tais das energias do stress, que tanto gastamos durante o ano todo.

Hoje, na maioria das vezes, quando muito, nesse período denominado de férias, ficamos em casa zanzando de um lugar para outro, deixando nossa “patroa” maluca com essa presença ininterrupta nas 24h do dia, num abre e fecha geladeira, num mar de coisinha que inistimos em deixar fora do lugar e com a cabeça num lugar paradisíaco.

Confessemos, é um porre ouvir histórias de amigos que foram à Disney, fizeram compras de Natal na terra de Frank Sinatra, passaram o reveillon em Paris ou simplesmente o carnaval no paraíso de Fernando de Noronha. Definitivamente é um porre. E não é nem por inveja, sei que não. É por mera revolta. Por que eles e não eu, pô?

Analisando mais a fundo as razões vem à tona. Ou é o salário nosso de cada dia que não nos permite comungar da sábia vida de prazeres ou então a mesmice do nosso cotidiano chato que nos empurra sempre às planejadas e tão esperadas férias com avós, priminhos... Claro que desse jeito você irá conseguir ler “Cem anos de solidão”!

Férias até que pode ser a época de você se sentir livre, usufruindo a paz a que todos uns dias vão ter direito, mas isso se – eu disse SE – você está em um magnífico hotel na beira de uma praia lindíssima, mar cristalino e numa companhia de fechar o comércio. Ah, nesse caso me permita fazer uma correção: você não está de férias, morreu e lhe esqueceram de lhe avisar.

Infelizmente, para nós, criaturas urbanas, a realidade é a mais dura faceta do mundo, seja ele qual for. Inclusive de férias. Não daríamos valor ao nosso sonho se não tivéssemos uma realidade que nos fizesse lembrar dele a todo instante. A quem interessar possa, Xuxa já foi uma pessoa normal, Madonna uma desconhecida e Ronaldinho um pobre menino num dos cantos do Brasil. É, eles um dia também sonharam com férias inesquecíveis, assim como eu e você. E então, mãos à obra! Cuidado para não esquecer o pijama.

Em tempo: Esse texto faz parte de lembranças do que escrevi lá atrás e veja como as coisas mudam. Escrevi isso em 2001 e hoje o faria de uma forma bem diferente, talvez mais ácida. Vivo um outro momento, outro contexto e já não enxergo tudo da mesma forma que a apenas oito anos atrás.