domingo, 21 de fevereiro de 2010

UMA DICA DE LEITURA E ACOMPANHAMENTO (52)

UMA HISTÓRIA DE NOSSOS DIAS
Plágio e plagiadores sempre existiram. Hoje, com o advento da internet só mesmo um louco se arriscaria a cometer algo repetido nesse sentido, pois a facilidade de ser detectado é infinitamente maior. Basta você clicar nos sites de busca um pedaço qualquer de um poema ou trecho de texto e aparecem infinitos lugares onde ele está inserido, foi citado ou até mesmo, copiado. Mesmo assim existem aqueles que gostam de viver perigosamente e arriscam a pele numa aventura mais do que louca, motivado por um desvio lá do seu interior.

Acompanho a descoberta de algo grandioso nessa semana de fim de Carnaval. Adoro navegar no blog de um advogado carioca (tijucano, por favor e brizolista como eu), o Eduardo Goldenberg, http://www.butecodoedu.blogspot.com/ , tantas vezes citado aqui. É um ambiente gostoso onde ele vai narrando suas aventuras por lugares pitorescos cariocas, principalmente botecos, a culinária, o modus vivendi e tudo o que cerca essa antológica maneira de se portar, viver e de ser. Fiquei viciado e são poucos os dias que não vejo as novidades. Gosto tanto, que em alguns casos, já publiquei nesse meu, fotos extraídas de lá e pedaços de texto. Sempre que o fiz, lá está no rodapé a citação da fonte, que faço sempre de forma jocosa: “mais um gilete press internético tirado do...”. Dessa forma estamos sempre quites. É o mínimo.

Não é que o Goldenberg descobriu de um tal de Roberto Chalita, que criou dois blogs (Boteclando e Boteco Pensante) e fica usando seus textos, como se dele fossem e outros eram reproduzidos num jornal de Vinhedo SP. Fez isso durante mais de um ano, de forma continuada e reproduzindo tudo, mas tudo mesmo, de uma forma escandalosa. Fotos dos bares, as receitas das comidinhas de botequins, os lugares pitorescos do Rio, os textos com a mão do pessoal que gosta de bares e sabe descrever a vida que levam. Até uma foto de um cão está lá postado como se fosse do farsante e uma outra foto do avô do plagiado, tirada décadas atrás, dessas amareladas pelo tempo, como sendo seu querido avô. Cópias ipsis literi, na íntegra, sem tirar nem por.

Goldenberg não descreve esses ambientes sozinho, existe junto dele o que denomina de “Tropa de Choque”, ou seja, outros blogs/sites, de amigos cariocas ou não, que seguem na mesma linha. O tal do Chalita de Vinhedo fazia um apanhado de tudo e postava nos seus blogs descaradamente como se levasse aquela vida. Eu me penitencio com o Goldenberg, pois seus relatos são pra lá de saborosos e deve ser mesmo muito bom conviver naqueles ambientes todos (adoro um pé sujo). Ler aquilo tudo causa uma certa inveja, uma vontade de lá estar. Isso até procede. O que não procede é passar desse limite, usar isso como se fosse sua vida, tirar vantagem com relatos alheios, papagaiadas para tentar demonstrar levar uma vida de mentira. Coisa feia e condenável.

Goldenberg, o plagiado, um advogado com certa tarimba está pê da vida e indo a busca de uma reparação judicial. A cada dia surgem mais detalhes da história lá no blog e acompanho tudo com a devida atenção. Chalita, o plagiador, tenta reverter tudo, pedindo clemência e se dizendo boa pessoa. Semana passada um amigo do peito me contou uma história passada aqui. Tempos atrás um livro foi lançado na cidade com muita pompa no lançamento, aquele salamaleque todo. Anos depois o texto foi comparado com outro escrito muito antes, em cima do mesmo tema e parágrafos inteiros são idênticos. Li o primeiro livro e estou para receber o texto anterior. Se constatar o delito, toco no assunto por aqui. Seria um clone do Chalita atuando por aqui?

PS.: Escrevendo sobre tudo isso, domingo, pouco mais de 15h, com um calor de quase 40º aqui dentro do mafuá, desculpem, me retiro e vou tomar uma cervejinha que descobri hoje no Pão de Açucar, uma carioca, a DEVASSA (será que o Eduardo Goldenberg aprova essa?).

sábado, 20 de fevereiro de 2010

TEXTOS NO JORNAL BOM DIA (61) e OS QUE SOBRARAM (07)

OS POBRES DIABOS - primeiro vamos ao texto, publicado no BOM DIA Bauru, de hoje 20/02
“Espanta-me a quantidade de gente que acreditam ser de esquerda e, de verdade, são fascistas. Confesso que nunca me deixei impressionar por muitos entre os dispostos a se dizerem de esquerda. Talvez, a maioria. Haja vista algumas figuras exemplares. FHC, José Serra, Francisco Weffort, Roberto Freire, Jarbas Vasconcellos, Gabeira, etc. Jornalistas às pencas, professores universitários aos magotes. Há também alguns heróis, gente de coragem e fé, como Marighella ou Duque Estrada”, Mino Carta em seu ex-blog, 28/01/2009. Dentre os ex, incluiria Marina Silva, aproximando-se sorrateiramente do PSDB. Escrita profética. Sinto o mesmo, desilusão muito grande. Não tolero mais o discurso de uns que gostam de se arvorar como esquerdistas, ótimo meio de continuarem em evidência, dito progressistas. Muitos já estão em outra, aderindo de mala e cuia à benesses. Recebo em casa um amigo sincero. Brigou com a esposa por ter assumido cargo público de destaque numa cidade vizinha e preferiu não ser beneficiado, tendo os filhos em escola pública sem enfrentar fila de um ano para conseguir vaga. Esperou e perdeu a esposa. Esses são cada vez mais raros. Afinal, o ser de esquerda é um ser igual aos outros ou ainda pode se arvorar de pensar e, principalmente, agir diferente? Esse um detalhe. De outro, ouço algo profético sobre o assunto. “A luta hoje não é mais entre a esquerda e a direita e sim, entre uma direitona e uns poucos pobres diabos que não se venderam”, me diz.

Agora vamos ao autor da frase entre aspas no texto, MINO CARTA. Quando criei esse título, "Os que sobraram e Os que fazem falta", foi para enaltecer os que lutaram uma vida toda e os que continuam a lutar e dignificam o lado mais humano da vida, em busca de dias melhores para uma imensa legião de desgraçados e infelizes, que rastejam e gramam diante de um mar de insensibilidade a grassar nesse planeta. Procuro, num mês escrever sobre um que ainda luta, um dos tais "pobres diabos" do texto acima e no outro, um que lutou enquanto viveu. Por aqui não me canso de falar de MINO CARTA, pois é um jornalista como poucos, um eterno desbravador e lutador. Sou rato de banca de revistas, leio de tudo um pouco, desde revistas e jornais. Aumentam significativamente o número de publicações, tanto que brinco com um jornaleiro amigo: "Tá faltando espaço, hem?". Falta espaço para tanta publicação, mas na sua maioria, são todas descartáveis. Hoje mesmo, fora de Bauru, em Ourinhos, pergunto numa banca quando chegariam as semanais. A moça sem pestanejar me diz: "Qual delas o sr quer, a Ti Ti Ti, a Capricho, a Caras...". Tento não demonstrar meu abestamento, pois mesmo diante de minha falta de cabelos, barba branca e corpo já não tão jovial, acredito que a mocinha me comparou a um débil. Isso mesmo, desculpem, mas só uma pessoa com alguma deficiência consegue ler isso. Tive que explicar o que queria e só aí fui informado. Hoje, a banca está abarrotada, uma revista quase por cima da outra, mas poucas passam pelo meu crivo. Colecionava e lia mais revistas e jornais no passado. Hoje sou mais seletivo, permaneço fiel a umas seis, no máximo oito publicações e a que mais me encanta é a revista semanal CARTA CAPITAL, cria do Mino.

Mino, italiano, radicado entre nós desde os tempos em que a Móoca e o Brás eram bairros paulistanos mais palatáveis (lançou recentemente um livro belíssimo sobre o tema), defende essa nossa terra mais do que muito brasileiro nato. Trata-se de um jornalista quase único, engajado no que faz, fica inquieto com esses vendilhões nativos, tão insensatos e cruéis com seu povo, que acaba escrevendo para poucos, uns abnegados, que na verdade não são tão poucos, pois a tiragem de sua revista chega aos 70 mil exemplares semanais, com uma distribuição segmentada mais em cima dos maiores formadores de opinião do país. Não existe no mercado editorial brasileiro uma revista semanal com tão poucos anúncios (contei cinco na edição da semana passada). Compra brigas semanais por um simples motivo, defende o país contra os exploradores e daqueles que se mostram como mocinhos, mas apunhalam o Brasil de forma vil e covarde. A amostragem disso é que teve que inventar seus empregos. Não fosse possuir uma revista sua, a maioria das portas lhe estariam fechadas, como se fecham, algumas de mêdo, outras por convicção de estarem em campos opostos. E é exatamente isso que me cativa nesse briguento (é uma pessoa doce, mesmo aparentando ser criador de caso) defensor intransigente da "verdade factual dos fatos". Vê-lo lutando como um quixote contra esses fustigantes e cada vez maiores moinhos (que não são de ventos) é algo para enobrecer e dar mais força, para que nós (me incluo nos poucos pobres diabos a resistir), aqui no nosso pequeno rincão continuemos fazendo o mesmo, cada um com a sua arma e disposição.

Escreveria dele laudas e laudas se preciso fosse. Não imaginam a ansiedade que fico a cada semana em busca do seu editorial na revista. Tenho certeza de ser o primeiro a comprá-la na cidade. Estou na banca todo sábado logo após o almoço em busca do meu exemplar da revista (prefiro não assinar, pois só receberia na segunda ou terça) e devoro seu texto logo de cara. Dizer que concordo com tudo o que escreve é muito provável, mas discordo sim, em pouquíssimos temas. Porém, isso não desmerece em nada no resultado final da admiração e contentamento por encontrar em sua fala, escrita e postura algo a ser admirado e seguido. Um exemplo. Acho que comecei a admirá-lo no Jornal da República, depois na antiga e saudosa Veja (hoje ela não me serve nem para embrulhar peixe), depois na Isto É, em alguns poucos programas na TV e depois em Carta Capital. Assim como ele, dou cada vez menos credibilidade à dita grande imprensa brasileira,que sempre esteve do lado dos poderosos (aliás, faz parte deles). Se ainda leio algo é para me indignar cada vez mais. Ele afirma quando perguntado: "Nossa imprensa é uma merda, pois reflete a voz do patrão". E pronto.

Não quis colocar aqui nada como um histórico de Mino. Preferi ir despejando tudo num momento de emoção, do jeito que minha mente ia elaborando, sem ordem nenhuma, mas com muita emoção. Mino é daqueles poucos a continuarem me motivando, um verdadeiro "dos que sobraram", figura sem peça de reposição disponível no atual mercado globalizado. Portanto, preservemos o dito cujo em formol (acho que ele preferiria em vinho) o quanto pudermos. Ontem vasculhando a internet descobri uma preciosidade do Mino. No site da revista Brasileiros, uma entrevista sua, falando sobre a Móoca, Brás, História do Brasil, jornalistas, enfim, de tudo um pouco: http://www.revistabrasileiros.com.br/secoes/videos/noticias/977/

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DO ERNESTO VARELA (10)

UMA COMEMORAÇÃO, UMA REUNIÃO E UM QUE AINDA NÃO FOI NÃO CONVIDADO
Estive ontem na festa dos 100 Anos da chegada do primeiro trem da Cia Paulista em Bauru, realizada na antiga estação da Cia Paulista. O evento teve seu momento significativo com a liberação anunciada pelo prefeito Rodrigo Agostinho, de valores correspondentes a duas emendas do Orçamento, que serão totalmente utilizadas no restauro dessa e de outras estações férreas na cidade. Duas emendas advindas de deputados do PT, a primeira e a maior do Vicentinho (iniciativa da administração anterior, de Tuga Angerami) e a segunda, de Ricardo Berzoini. Serão quase R$ 400 mil reais e uma promessa de que em um ano as instalações estarão prontas para receber o Museu Histórico Municipal e abrigar o MIS - Museu da Imagem e do Som, além de algo com o Módulo II do Museu Ferroviário. Muito digna a lembrança de Rodrigo, citando meu nome e de Sérgio Losnak, representando duas administrações anteriores, que lutaram por ter aquele espaço como área pública. Mais digna ainda, a lembrança de algo que está acontecendo na cidade e que o comando da atual Secretaria Municipal de Cultura ignora uma idéia avançando cada vez mais, a da criação do grandioso projeto cultural do "Museu do Trem", dentro de barracões das antigas oficinas da NOB.

Algo impensável no momento é o acontece em relação à Associação de Preservação Ferroviária e de Ferromodelismo de Bauru, presidida por João Donda e tendo como secretário Ricardo Bagnato. Única em atuação na cidade, tendo já realizado dois encontros férreos de grande movimentação, são ignorados pela SMC. São tratados como algo inexistente. Isso demonstra a inabilidade de pessoas da SMC, pois enquanto tudo o que essa Associação produz, tem receptividade e avança (até com citação elogiosa do prefeito), ocorre um atravancamento por inépcia e despreparo de quem deveria estar caminhando junto. A Associação está novamente em evidência, em algo que ocorre nessa segunda próxima, 22/02, quando marcou uma importante reunião, em parceria com a Prefeitura Municipal de Bauru, onde será discutido a preservação do patrimônio histórico ferroviário da cidade. Nessa reunião estarão presentes representantes da Associação, do Executivo Municipal, Secretaria Desenvolvimento Econômico, Emdurb, Liquidante da RFFSA, DNIT - Depto Nacional Infraestrutura Transportes, SPU - Secretaria de Patrimônio da União, ALL - América Latina Logística, IPHAN - Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, CODEPAC, Associação Amigos do Museus de Bauru e MPF - Ministério Público Federal. Notaram a falta de algum componente, que em outros casos seria peça fundamental nessa reunião? A Secretaria Municipal de Cultura, que ignora a Associação e, portanto, não foi convidada.

Bagnato foi taxativo quando questionado sobre o assunto: "O secretário nem conversa conosco. É como se não existissemos. Assim sendo, ele também não existe para nós. Vamos realizar e colocar em prática nossas ideías, sem que a Cultura esteja à frente ou ao nosso lado. Algo impensável, mas impossível de realizar com o atual secretário. Eles administram o Ferrovia para Todos, o Museu Ferroviário, teriam que estar entrosados com quem discute e respira ferrovia, mas preferem outras ações". Na festa de ontem, outro destaque foi o sr Waldomiro Rett, figura conhecida por ser um conhecido exterminador de formigas. Trabalhou na Cia Paulista até a aposentadoria e fez questão de levar uma bela árvore para ser plantada no local. Chamou a atenção no evento, interrompendo os discursos, pedindo palmas. E quem teria jeito de impedir um senhor de mais de 80 anos de fazê-lo? E ele fez, roubou a cena e chamou o prefeito para plantar a tal árvore, debaixo de uma persistente garoa, logo transformada em chuva. Nas fotos, algumas das pessoas que por lá passaram. Prefiro publicar as dos trabalhadores, dos executores, das pessoas simples que por lá aportaram, do que a das autoridades. Uma bela festa, que contou também com a presença da Banda Municipal, sob regência do maestro Roberto Soares. Sai de lá molhado, mas em estado de graça, pela lembrança feita pelo prefeito de trabalhos realizados para obtenção daquela área e por saber que tudo terá solução de continuidade, além de constatar o seu interesse em estar ao lado do projeto do Museu do Trem, mesmo que um seu secretário aposte contra. Foi bom rever nossa Maria Fumaça, que poderia muito bem já ter voltado a circular nos trilhos bauruenses.
Para encerrar, imaginem alguém como o repórter ERNESTO VARELA, diante de tal situação, mais do que esdrúxula, aproximando-se do atual Secretário de Cultura, com o microfone em punho: "Meu senhor, algo parece estar errado no reino da Dinamarca, pois quem deveria ser um dos grandes interessados em participar dessa reunião está sendo alijado. Não percebes um sinal nisso? Um toque? Não te incomoda? Tá tudo bem? Entende de linguagem dos sinais? Mensagens cifradas? Charadas? Quer que te decifre essa?"

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

MEMÓRIA ORAL (81)

OPTOMETRISTAS E SUA LUTA PARA CONTINUAREM ATUANDO
Alguém já ouviu falar em Optometrista? Com certeza, poucos, mas quando perguntados sobre Oftalmologista ou até mesmo Oculista, a resposta certamente será positiva. Ambos atuam no mesmo campo de ação, em espaços pré-determinados, porém, em alguns casos, até de confronto. E se sabemos bem o que venha a ser o Oftalmo ou oculista, o que seria mesmo um optometrista? Fui em busca dessa resposta procurando um deles em atividade na cidade, Marco Aurélio Pinheiro Domingues, 58 anos, delegado regional do CROO – SP (Conselho Regional de Ótica e Optometria de São Paulo), após ouvir sobre as disparidades de custos entre o preço de uma consulta a um oftalmo e um opto. A questão é muito mais abrangente do que imaginava na abordagem inicial.

Marco é paulistano e está em Bauru desde 1980 e na profissão desde 1968, com um ótica em local próximo ao centro da cidade. Sua maior preocupação hoje é com o Projeto de Lei nº 268, de 2002, proposta do senador e médico Geraldo Atoff , de SC, tramitando no Senado e colocando em risco quatorze profissões, três milhões de profissionais brasileiros. “Não vai mais existir o atendimento primário no Brasil se a proposta for aprovada. O lobby médico joga pesado nisso. Hoje o opto pode prescrever uma receita e o nosso honorário varia de R$ 25 a R$ 30 reais. Somos criteriosos, pois quando detectamos algum caso patológico, com necessidade de cirurgia, encaminhamos ao tratamento ambulatorial, procedimento dos médicos oftalmos. Nós indicamos sinais e encaminhamos para o especialista. Não misturamos as coisas”, inicia Marco sobre a sua atuação.

Mas o que seria um optometrista? “É um profissional não médico da área de saúde, responsável pelo atendimento primário da saúde e da visão. A profissão é reconhecida pelo Decreto nº 20.931, de 1932, período Vargas. O decreto é o mesmo que reconhece a medicina no Brasil. Hoje em Bauru, somos uns seis profissionais atuando, a mesma quantidade de Jaú, uma cidade menor, onde somos mais organizados e existe uma consciência maior sobre nossa atuação. 56% da população brasileira precisa de correção visual, ou seja, mais de cem milhões de habitantes possuem algum erro refrativo, de causa ótica, física e não patológica, pois essa seria médica. Temos os mesmos recursos que os médicos possuem para atuar e prescrever nos casos de erros refrativos”, explica Marco.

A grande preocupação do setor onde o opto Marco atua é que com a aprovação do Projeto de Lei, a prescrição passará a ser privativa do médico, coisa que nunca ocorreu no Brasil. “Entendemos que deva continuar atuando os mais competentes. O mercado deve existir para todos, para nós e para os médicos. O que não pode ocorrer é acabar com a autonomia dos profissionais da saúde. Estamos cientes de que pior do que não ser indicado por um médico, é ser contra-indicado. Não trabalhamos indicados por médicos, não queremos confronto, mas não podemos permanecer quietos, só observando nossa profissão ser desmerecida. Se isso acontecer será um ato contra a saúde, pois a população vai ficar cada vez mais amarrada aos médicos”, continua explicando e cita como fonte de informação um vídeo no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=fSEybWgLx9Q .

Um grande Ato, feito em nível nacional, denominado de “Virada da Saúde” estará acontecendo no Parque Ibirapuera, em São Paulo no próximo dia 27, com um grande show com Zeca Balleiro, onde a categoria estará tentando dar uma maior visibilidade ao problema. “Do jeito que está tem tudo para passar no Senado e na Câmara. Nós temos direito adquirido, será uma inconstitucionalidade prejudicial para a população. Essa briga corporativa sempre existirá, mas precisa prevalecer o bom senso. A aprovação dessa lei está na contra-mão do que ocorre no mundo inteiro. Tudo começou no Brasil com D.Pedro II, que trouxe os primeiros optometristas para atender integrantes da família imperial. Essa Virada da Saúde tem por intuito esclarecer a população dos benefícios de nossa profissão, pois poucos ainda sabem que estamos aptos a prescrever e com um baixo custo”, conta Marco.

Os problemas da briga corporativa entre médicos e optos continuarão a existir, porém não existe possibilidade de acordo quando se discute o atendimento primário da saúde. “Não queremos ocupar o lugar do médico, nem ser o concorrendo com ele. O problema no momento é a tentativa de imposição de que só o médico continue a prescrever, inaceitável para nós”, conclui Marco, enquanto atende no balcão de sua ótica, numa tarde de quarta-feira de cinzas. Seu trabalho vai além da luta pela não aprovação do Projeto de Lei, pois em Bauru está iniciando um trabalho junto a uma escola pública estadual, como projeto piloto, envolvendo 800 alunos, em algo com uma denominação ainda não definida, em torno de “Campanha de Acuidade Visual”. Segundo ele, “quanto mais cedo for detectado alguma irregularidade na visão, vamos trabalhar melhor um dos grandes motivos da evasão escolar. O aluno tem dificuldade em admitir a deficiência. Num grande mutirão iremos detectar, orientar procedimentos e diminuir o preconceito de quem usa óculos”.

Questiono sobre o desconhecimento por parte da população da existência do optometrista. Isso ocorre de fato, pois o opto é raramente procurado. Existe uma total desinformação de que o mesmo tratamento obtido de um médico, também poderia ser obtido através de um opto. “O Estado brasileiro dificulta a implantação definitiva da Optometria. Tal posicionamento impede que estes profissionais contribuam efetivamente no combate a diminuição e combate aos problemas da visão”, conclui. Uma luta nem sempre fácil, cheia de informações desencontradas, que tomo conhecimento em detalhes a partir do contato. Para o leigo, a grande massa da população necessitada de atendimento na área da visão, algo a ressaltar, a gritante diferença de custo entre o atendimento particular de um e de outro. Sendo realizado em condições idênticas, não existe como não defender o posicionamento dos optos, que só querem continuar atuando, como o fazem desde a implantação da profissão no país. O imbróglio continua muito além disso tudo, podendo ser comparado com a luta do opressor contra o oprimido (dentre todas as profissões componentes do Congresso Nacional, a dos médicos está em segundo lugar), do forte contra o fraco e assim sendo, já tomei partido. Faço minha próxima consulta visual com um optometrista e a partir de agora, engrosso a luta do “Diga NÃO ao Projeto de Lei do Ato Médico”.
Mais detalhes consultem: http://www.croosp.org.br/ , http://www.cboo.org.br/ e http://www.atomediconao.com.br/ .

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

ALGO DA INTERNET (28)

FALSOS TEXTOS NA REDE INTERNÉTICA
Ao abrir os e-mails diariamente muitos textos, vários deles com imagens e slides que vão sendo repassados diante dos nossos olhos. Mensagens de todos os quilates, para todos os gostos. Alguns leio, outros logo deleto. Quando percebo algum indício de falsidade, ou melhor, de falta de autenticidade, deleto na hora. Nessa semana recebo um desses e eles vêem sempre com algo assim: “Lindo. Longo, mas vale a pena ser lido até o fim”. O que me deixa um tanto acabrunhado é o fato de que o texto pode ter lá sua boniteza, mas são poucos os que questionam sua veracidade, sua autenticidade. Tudo o que é recebido é como se fosse a mais pura e absoluta verdade. E passam para frente com a mesma velocidade que receberam. E acham lindo. Eu deleto na mesma velocidade.

Cito aqui dois casos. Primeiro o que recebi recentemente. Intitulado de “Um gênio de despede”, vem como se fosse obra de Gabriel García Márquez. Mais trágico não poderia ser, pois vem seguido de que o escritor após ter decidido se aposentar da escrita, faz uma espécie de desabafo e que tudo foi causado por uma doença incurável, um câncer, que outro já espalha ser um “cancro linfático agudo”. Comecei a ler e logo nas primeiras linhas constato que não pode ser coisa do “Gabo”, ele nunca escreveria daquele jeito. Fui verificar no google e poucos questionam a veracidade. A maioria segue na linha do “lindo”, “quase chorei” e “repasso para vocês, pois me tocou profundamente”. Deixo aqui uma das tantas reproduções feitas pelo texto na internet. Escolhi uma de forma alheatória, só para verem como são espalhadas e como são os comentários na seqüência: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090411104327AAGjPKF .

Outro que padece do mal da reprodução indiscriminada é o brasileiro Luís Fernando Veríssimo. Duvido que, dentre todos que me lêem, nenhum de vocês já não recebeu textos assinados pelo Veríssimo. Cito ele, pois quando esteve em Bauru, há uns três anos atrás, fui vê-lo numa palestra lá no SESC. No bate-papo surge a inevitável pergunta: Tem muita coisa falsa sua na Internet, não? Rindo ele disse: “Não existe como controlar isso. Já encontrei coisas muito bem escritas, algumas melhores do que as escritas por mim. Dessas me orgulho, mas de outras, fico apreensivo. Sei que os leitores que me conhecem sabem identificar algo meu e um texto tosco, preconceituoso e que foge da minha linha de pensamento”. Tudo o que recebo, tanto dele, como de figurões, passa por um crivo pessoal rigoroso. Achei muito interessante o que esse blog (http://www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=147039) fez, ao relacionar alguns desses textos.
OBS.: Na foto do Gabo, mostrando a língua (provavelmente para a morte), linda, foi sacada de um Gilete Press, na internet e todas as do Veríssimo foram tiradas por mim quando de sua passagem por Bauru em 2008.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

RETRATOS DE BAURU (76)

MAESTRO BADÊ, UM MESTRE MUSICAL
Falar de música em Bauru e região é uma obrigatoriedade a citação do nome do maestro Badê, uma unanimidade. Esse está em evidência desde que me conheço por gente, sempre cheio de muitas histórias e um dos poucos por aqui a viver exclusivamente de e para a música. Podem perguntar de qualquer lugar por aí e Badê, com certeza já deve ter tocado por lá. Hoje mesmo citava um desses lugares inusitados, o famoso bordel da Casa da Eny. Isso se vão mais de quarenta anos e lá estava Badê comandando a festa. Nas casas noturnas atuais e nos salões de baile, por todos, ele já marcou presença. Além disso, muitos dos que contrataram um som ao vivo para casamentos já contaram com sua presença. Anos atrás, por reconhecimento a tanto serviço prestado, esse senhor, que na pia batismal recebeu o nome de Edevard Viotto (quem o conhece por esse nome?), recebeu um merecido título de Cidadão Bauruense. Nasceu em Dois Córregos, passou a fase da infância em Pederneiras, onde com menos de dez anos de idade já tocava e encantava. Depois veio para Bauru e aqui fincou raiz. Sua fama já está mais do que espalhada e referendada. Experimentem perguntar para um dos mestres brasileiros do acordeon, Dominguinhos e ouça o que ele tem a dizer sobre seu amigo. Sivuca foi outro que falou muito de Badê. Hoje está com uma frequência muito grande tocando piano no Templo Bar, sempre acompanhado de várias feras. Nesse Carnaval, na banda formada pelo Ralinho Gomaia (tocaram no Alameda de sexta a segunda), quem estava tomando conta dos teclados? Só podia ser ele. E junto dele, duas de suas crias, a filha cantando e o filhão no sopro. Esse respira música vinte e quatro horas por dia. Grande pessoa e um músico a nos encantar.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

CENA BAURUENSE (52)

GENTE "LOUCA POR ALEGRIA" E UM DESFILE DE ONZE, JUNTANDO-SE AO TAMBÉM DOIDO "MOITARÁ"
Gente que me lê, peço perdão por antecipação, mas hoje, segunda de Carnaval, curtindo uma belíssima ressaca da noite magistral de ontem, quero divagar, escrevinhar sem compromissos ou obrigações outras. Quero relatar de minha felicidade interior e de tantos outros que ontem estiveram comigo lá no Sambódromo de Bauru, quando descemos o percurso de forma pomposa e cheia de brilho e contentamento. Não esperava tudo acontecer da forma maravilhosa como foi se sucedendo. Tudo foi se encaixando de uma tal forma, desembocando em reencontros pelos caminhos da vida, culminando com o desfile. Quem tiver paciência e disposição para ler um relato mais do que pessoal, algo emocionado, que prossiga e curta tudo, como fizemos ontem à noite.

Nada programado com muita antecipação. De certo só alguns contatos e uma vontade de descer o Sambódromo num grupo de amigos e considerados. Muitos desistiram pelo caminhos (uns chatos), outros fizeram falta (de arrependimento também se morre) e alguns vão nos incriminar por não terem sido convidados (fica para a próxima). O fato é que havia um acordo prévio de passarmos na casa da amiga Rosa Barrenha (psicóloga da Prefeitura e integrante de um grupo de apoio denominado "Loucos por Alegria", ligado à luta antimanicomial) por volta das 19h, com alguns amigos dispostos a sambar na avenida. Tentei gente aqui e acolá, mas o único a acolher a idéia desde o início foi o Duílio Duka. Marcamos e nos encontramos no começo da noite, eu, ele, sua esposa, a Rosana, meu filho, também Henrique e outros que foram se juntando. Ana Bia, professora da Unesp liga e perdida numa cidade nova para ela, adere ao grupo. Na casa da Rose, ela nos aguardava com uma colaboradora (qual é mesmo seu nome?) do seu grupo. De uma hora para outra, dentro do inesperado da vida, surgem de um guarda-roupa, roupas e mais roupas, fantasias prontas e camisetas com estampas desse grupo, que juntando-se à vontade expressa na fisionomia de todos, tinha tudo para dar certo. Roupas escolhidas, um batom foi sendo usado como pincel no rosto de alguns, uma pintura era feita com um fino pincel em outras e até um spray com uma tinta verde era esparramada nos cabelos e barbas dos mais tresloucados.

Éramos sete ao sair da casa da Rose, três quadras do Sambódromo. Logo de cara, ao adentrarmos o espaço mais cheio de gente, o burburinho, eis que aparece do nada o Cláudio, um amigo ferroviário. Ele e sua filha juntam-se ao grupo, com duas camisetas, outros parangolés (Rose trouxe uma bolsa cheio deles) e muito batom no rosto, em desenhos que as mulheres iam fazendo em seus rostos. Melhorou, já éramos dez. Logo adiante, o gigante, incomensurável, um verdadeiro boneco de Olinda, Oscar "Pororó" Cunha Sobrinho, professor de História e arruaçeiro como todos os presentes. Dizendo-se anarquista ganhou na testa o símbolo do anarquismo envolto num coração e uma camiseta das mais transadas do estoque da Rose, com os dizeres "Quimera não morreu". Pronto, já éramos onze e não fomos mais porque Dudu, o filho do véio Duka, mulher e filhos ficaram acanhados de enfrentar a passarela. Chegamos na concentração e aí o problema, onde sairíamos. Acreditávamos que um bloco dentre os inscritos nos adotaria. Estávamos ali para isso.

Damos de cara com um Arlequim vindo ao nosso encontro de braços abertos, era Carlos Eduardo Martins, diretor e agitador teatral. Estava no meio de uma trupe das mais vibrantes por ali, os integrantes do bloco "Moitará", que vim a saber ali mesmo naquele momento era cria do designer Souto, da Propag Comunicação Visual, que além do belo trabalho de idéias, mantém um unido grupo de manifestações culturais, sempre pronto para novas intervenções cidade afora. Observando a animação do grupo e a vestimenta nada original, além da alegria estampada na fisionomia de cada um, fomos aceitos e para nossa surpresa, na sequência do desfile, estava saindo um bloco naquele momento e o nosso seria o próximo. Aproveitamos todos para novas pinturas, retoques e para conhecer e reconhecer gente pela concentração. Roque, com uma camiseta do Águias no peito quase (por muito pouco) não aderiu ao grupo. Quem aderiu ali foi o artista plástico Rômulo e dois amigos. Adereços do Boitará surgem como que por encanto e juntam-se ao grupo.

Gente animada e algo que passou mais rápido do que imaginávamos. Meu filho curtiu adoidado, pois trajava um fraque e cartola, além da camiseta de Louco. Eu, com uma larga roupa de palhaço e uma cartola cheia de inscrições transadas, de tomadas de posição do grupo. Cada um na sua, curtimos adoidado aqueles momentos que passam mais rápido do que um pluft, um vapt-vupt e quando demos por si, já estávamos todos no final da avenida. Interagimos bem o restante do grupo, fomos acarinhados e acarinhamos. Cantamos, dançamos e a diversão foi geral, sem neuras e com muita loucura. Nem beber bebemos, foi tudo de cara limpa, puros momentos mágicos. Por fim, já na parte final, antes dos abraços fraternos entre todos, alguns já se dispersaram ali mesmo. Roupas eram tiradas no "escurinho do cinema". Acompanhei a Rose e alguns até sua casa para aí então, darmos um fim nas cervejas que nos aguardavam no seu congelador. Papo vai, papo vem, tentei dar uma espiada em outro momento do desfile. Passava pouco mais das 23h, quem desfilava era o bloco "É isso mesmo". Aqui me penitencio, pois não aproveitei o restante da festa (reconheço, a festa foi bonita e tudo deu certo - ainda bem), estava cansado e fui descansar ao lado do filhão. Não vi mais nada. Nem fome sentimos, foi "ploft" e acordei agorinha a pouco, em puro estado de graça.

Ao abrir meu e-mail, algo da lavra do Marcos Paulo e sobre esses festejos (o filho da mãe, além de revolucionário é poeta, além de carnavalesco ausente), um que fez falta na diversão (se fosse o "Viúvas do Batata", tenho certeza ele iria). Deixou registrado um poema com o título, "ANTIGO BAILE DE MÁSCARAS": Eu nunca quis ser seu amigo/ Apenas um amante no baile de máscaras/ Sem importar como tudo poderia acabar/ Muito menos como começamos/ Encontre sua máscara/ Que eu encontrarei a minha/ No breu do salão de nossas vidas/ Corra e esconda-se debaixo da fantasia/ Negação de tudo o que já foi/ O salão irá desmoronar/ Entre colunas rachadas na inconsciência/ Esconda tudo no porão da casa/ E dê um beijo de boa noite no seu homem/ Mas não deixe de por sua máscara/ Que eu não deixarei a minha/ Seus olhos fervem além do disfarce/ Negação da verdade exposta numa noite distante". Outros (as) fizeram muita falta e devem estar se remoendo por não superarem suas desavenças interiores. Nesses dias estravazo e só darei guarida às minhas na quarta-feira de cinzas.

ALGO A ENTRISTECER QUALQUER CARNAVAL: Além da alegria, algo precisa ficar registrado. Uma comissão autorizada pelo Conselho Municipal de Cultura, formada por três dos seus membros, José Perea Martins, da ABL, pelo diretor teatral Carlos Eduardo Martins e por mim, ficou encarregada de idealizar um Concurso Municipal de Marchinhas de Carnaval. Isso ano passado. O assunto foi discutido em várias reuniões, sendo até autorizado uma Comissão para alavancar o tema, todas na presença do mandatário da Cultura local. Algumas promessas foram feitas e não cumpridas. A pessoa mais motivada, o idealizador da idéia, o sr José Perea Martins, triste com o destino dado à sua idéia (a lata de lixo), renunciou de ser Conselheiro, em caráter irrevogável e desligou-se do mesmo (o Conselho depois disso não mais se reuniu, feneceu). Perda lamentável e que poderia ter sido evitada. Disse não ter mais idade para suportar coisas desse tipo. Algo que poderia ter sido realizado junto da escolha da Rainha do Carnaval, talvez fique para outro ano ou quando alguém com maior sensibilidade estiver à frente dos destinos culturais da cidade. Por enquanto, o trivial e sempre às pressas.