terça-feira, 24 de agosto de 2010

UMA ALFINETADA (72)

O COMÉRCIO AOS DOMINGOS E UMA DISCUSSÃO BAURUENSE *
* Esse texto foi escrito após a polêmica sobre Projeto de Lei versando sobre regulamentação de abertura comércio aos domingos. Enviei para o JC, Tribuna do Leitor em 19/08 e no mesmo dia como coluna semanal, mantida no semanário O Alfinete, de Pirajuí. Aqui não foi publicado, lá sim, na edição nº 597, de 21/08. Na edição de hoje, o JC sai com algo novo, fugindo do seu habitual, pois publica um Editorial, algo que não costuma fazer. Ali está expresso a linha de conduta do jornal, o que pensa e como o faz. Reproduzo aqui três opiniões sobre o fato, a minha, o editorial de hoje do JC e a do vereador, recebida via e-mail e publicado em seu blog de campanha. Quem gosta de entender as entrelinhas de um caso precisa tomar conhecimento de todas as versões sobre o mesmo fato. Abaixo minha carta:

Um assunto movimentou a cidade nesta semana. Um projeto de lei, elaborado pelo vereador Roque José Ferreira, do PT, previa uma dificuldade para que o comércio dos shoppings centers ocorresse aos domingos sem que houvesse um acordo pré-estabelecido entre as partes, ou seja, uma decisão advinda de uma convenção coletiva de trabalho celebrada entre as entidades de classe dos comerciantes e comerciários. A entidade sindical patronal, a dos comerciantes disse já existir esse documento e mesmo assim, bateram pé, fizeram biquinho e um estardalhaço sem fim, tudo para barrar qualquer tipo de acompanhamento ou como disseram, “cerceamento” na forma como acreditam deva ocorrer a relação empregado e patrão.

A imprensa caiu de pau no vereador, de uma forma um tanto inconseqüente, pois em nenhum momento alegaram sobre a já existência desse documento. Falaram grosso, alegando que com a aprovação Bauru regrediria, seria um retorno à Idade da Pedra, demissões ocorreriam e as empresas estariam impedidas de expandir seu negócio. Seria lindo, se não houvesse uma pitada de exagero em tudo o que foi reproduzido.

O vereador foi chamado de dinossauro, de aproveitador e até, como texto de um dos jornais apregoou em destaque: “Ainda vivemos o risco de retrocesso com atitudes casuísticas e oportunistas”. Na votação, quer queiram ou não, os vereadores estavam pressionados de ambos os lados, mas diante das duas formas, optaram por permanecerem ao lado da imprensa, pois não queriam esbarrar na possibilidade de serem colocados na mesma situação em que o vereador Roque o foi.

Lamentável, pois o leitor não foi informado de fato do que ocorria e da forma como ocorria. Foi um episódio triste, onde prevaleceu poder do dito “Quarto Poder” a influenciar decisões e distorcer fatos contrários aos seus interesses. A derrota do Roque foi fragorosa, só ele votou a favor, mas para algo serviu. Passou a ser discutido na cidade as condições de trabalho dos comerciários, supermercadistas, frentistas de postos e todos os demais trabalhadores que exercem alguma função aos domingos. E que condições são essas, existe um rodízio, recebem a mais, são levados em suas residências quando deixam o trabalho no meio da noite, etc.

No mesmo dia vou abastecer meu carro num posto de combustível e ouço de um frentista sobre sua situação. “Deixo o posto à meia noite e não tenho mais ônibus. Moro muito longe e a saída é pegar um moto-táxi, a R$ 7 reais todo dia. Se não fosse a caixinha, que em alguns dias me ajuda, seria um desfalque considerável no meu orçamento”, me diz. Essas questões dizem respeito a todos nós e o que o vereador Roque propôs é uma discussão adequada disso tudo, mas foi encurralado por quem detém o poder de fato nessas plagas.

OBS.: Vamos as duas outras reproduções. Na primeira, o Editorial de hoje do JC, "Fúria antidemocrática de um político": http://www.jcnet.com.br/detalhe_opiniao.php?codigo=190082 e na outra, o texto do Roque, retirado no seu blog de campanha: http://comovotarparadeputado.blogspot.com/ . Nesse mesmo blog, nos próximos dias, a versão Youtube de sua fala na sessão da Câmara de ontem, geradora do Editorial do JC.
As ilustrações, exceto à capa d'O Alfinete, são de propaganda sindical variada e aqui estão somente para ilustrar o texto.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

CENA BAURUENSE (66)

DIA DO FOLCLORE, TROPEIROS NA NAÇÕES E NO SESC, SHOWS E MAIS SHOWS
Estampada na primeira página do Jornal da Cidade de ontem, 22/08, uma foto sobre uma Marcha Evangélica na avenida Nações Unidas, com destino ao anfiteatro Vitória Régia. Abro o mesmo jornal na segunda e essa sim, uma linda foto de outra marcha na mesma Nações, essa ontem, domingo, a dos Tropeiros, que a cavalo sobem a avenida, lotando o parque Vitória Régia, para a realização do V Festival de Folclore, promoção do Instituto Cultural Yauaretê, do casal Tito Pereira e Sandra Macedo Pereira. No mesmo jornal de ontem, um ótimo caderno, o “JC nos Bairros”(cada vez melhor, edições dominicais para serem guardadas), sobre Folclore e o único a falar sobre esse evento a tomar as ruas da cidade. Os tropeiros nas ruas são uma verdadeira festa, um desfile do campo invadindo a cidade (quando tomarão a cidade?). Subiram a Nações, passaram pelo parque e foram até as imediações do shopping, voltando pelos lados da USP até instalarem-se no gramado, todo preparado antecipadamente para receber uma imensidão de cavaleiros, charretes e gente advinda do campo.

O evento já faz parte do calendário de eventos do município. A afluência de público é grande, mas a maioria não sabia antecipadamente da realização. Nada nos jornais, rádios e TVs. Nas faixas o indicativo da Prefeitura Municipal apoiando o evento, gente da Secretaria Municipal de Cultural fazendo a retaguarda de som, mas ninguém a repassar as informações do evento para que a mídia local pudesse avisar a população de que a festa ocorreria. Quem avisado estava eram os grupos de tropeiros, vários deles, que animadamente e de forma organizada, foram ocupando todos os espaços. Tito Pereira (Viva Tito Pereira, incansável batalhador folclorista) estava mais radiante do que nunca, pois a cada ano, a afluência de participantes só cresce, tendo que a organização preparar-se melhor para receber a todos e preparar a comida tradicional da festa, um feijão de tropeiro com arroz de carreteiro. Isso tudo é gratuito para os participantes e para os que trabalham na retaguarda, como os integrantes da feira Ubá, com várias barracas. Tudo foi preparado com esmero e cuidado, para mais de quinhentas pessoas, mas num dado momento, o arroz acabou e todos souberam esperar por uns vinte minutos até nova remessa ficar pronta. Estávamos num domingo, de festa nas ruas.

No espaço central de encontro, além da fila dos que esperavam a vez para serem servidos, muito bate papo e reencontros mil. Tito e Sandra, incansáveis, não pararam um só momento. No som uma música sertaneja de raiz sendo tocada até o momento em que foi anunciado o Grupo de Taikô de Lins e o da Catira de Bauru. Um domingo de festa e de reverenciar o folclore local, ricamente mantido pelo Yauaretê. O que será preciso, me pergunto, para que as pessoas do setor público comecem a se preocupar com a divulgação de eventos como esse? Tudo é feito, preparado com esmero, a própria Prefeitura participa, seus funcionários lá estão, mas assim como na exposição “Negro no Esporte”, no Museu Histórico Municipal, releases não circulam até a imprensa. Que será isso? Por que o descaso com algo tão importante? Insisto nessa tecla, pois acredito que as boas coisas, quando feitas, precisam ser melhor divulgadas. E existindo um órgão dentro da estrutura cultural da cidade só para essa finalidade, quando deixa de cumprir seus papel, perde o sentido. Todos que por lá estiveram saíram plenamente satisfeitos e com a certeza de que o domingo passado por lá foi dos mais proveitosos. Presenciar crianças passeando nos cavalos cedidos pelos tropeiros são imagens que não sairão facilmente da mente de todos. Tito, num raro momento de tranquilidade (corria de um lado para outro), logo após a apresentação do Grupo Ouro Verde 100%, dançou animadamente com a neta diante do palco.

OUTRA COISA, ESSA SESQUIANA:
Por outro lado, dois eventos muito bem noticiados tiveram boa presença de público no final de semana, ambos no SESC. Na sexta, 20/08, o Clube do Jazz, tendo a frente o baterista Luiz Manaia, o Ralinho, com participação do saxofonista Márcio Negri encantou todos os presentes. Num certo momento, Márcio brincou e chamou a atenção para o que o “paraguaio” da batera era capaz. E Ralinho arrasou, permanecendo com as baquetas em ação por quase dez minutos. Não resisti e gritei após as palmas um forte: " Viva o Paraguai!". Ontem, domingo, foi a vez do retorno triunfal da banda bauruense Mercado de Peixe, formada toda por ex-alunos da UNESP, que fez sucesso anos atrás, mas devido à dispersão de cada integrante, foi parando aos poucos. Voltam quando podem e a casa estava cheia para presenciar o som da “roça elétrica”. Levo o CD deles, comprado num sebo carioca (não achava aqui e lá, no sebo, peça única, arremato por R$ 3 reais), para o autógrafo e volto para casa ouvindo a faixa seis, “Beats e Batuques”, onde o poeta caipira Lázaro Carneiro lê sua poesia encaixada na introdução: “Quero arma/ Quero luta, quero luta armada/ Não peça calma pra minha alma que já está cansada/ Quero risos, quero rendas bem distribuídas/ Quero ver gente nas ruas de forma atrevida/ Quero paz perene, sem hipocrisia/ Quero o fim do feudo dessa elite fria/ Quero a educação para todas as crianças/ Velhice amparada e terra para quem plantar". Ver os meninos cantando "Terra pra quem quer cultivar" foi para encerrar o domingo com chave de ouro. Fui curtir meu cansaço e ressaca num lugar seguro e quente, minha cama. Apaguei e quando vi já era segundona brava de muito trabalho.

domingo, 22 de agosto de 2010

MEUS TEXTOS NO BOM DIA (86 e 87)

CAMUFLADA CAMPANHA - texto publicado diário bauruense BOM DIA, 21/08/2010
Essa talvez seja a campanha eleitoral onde ocorra o maior número de proibições. O candidato está atrelado a uma legislação, que o inibe de fazer coisas antes permitidas. E diante do receio de ser multado ou coisa pior, deixa de fazer campanha como dantes. Por um lado, tudo muito bom, por outro, nem tanto. Analiso um desses lados. Não sendo permitidas certas coisas, percebo as campanhas mais tímidas, até inibidas. E conseqüentemente, aparecem pouco na mídia a divulgarem suas propostas. Só que o que deveria favorecer a todos, quando analisado na prática, não é bem assim. Aquele candidato que caiu nas graças dos meios de comunicação, por um motivo ou outro, acaba aparecendo mais e sua campanha acaba tendo uma visibilidade muito maior. Fala-se até em acordos de bastidores. Perceba aqueles que os meios de comunicação expõem diariamente com mais assiduidade, com textos embutidos em matérias, feitas de forma a parecer não intencional, mas na verdade, uma forma camuflada de apoio ao que ele representa. Tem gente que fica aparecendo diariamente na mídia, inventa fatos, requenta assuntos e seus rostos lá estão quase todos os dias escancarados. Para esse tipo de procedimento não existe punição e na maioria das vezes, ludibriados em sua boa fé, os que presenciam aquilo, acabam comendo gato por lebre. Fácil de serem identificados. Mais fácil ainda notarmos, com a freqüência a aparecerem, de que lado está o meio de comunicação que favorece esse tipo de procedimento. E não sendo o seu, caro eleitor, não se deixe enganar, caia fora. Esse continua sendo o país do jeitinho e esse é só mais um deles.

A ELITE E O VOTO EM BAURUENSE - texto publicado diário BOM DIA, 14/08/2010
A dita “elite” age sempre de caso pensado. Felizmente são uma minoria, mas como detém o poder econômico, divulgam suas idéias com maior facilidade e com amplo espaço. Juntos não conseguiriam eleger ninguém, mas sabem como fazê-lo. Incutem suas idéias nos meios de comunicação (propriedade deles mesmos, na maioria das vezes), fazendo com que as massas acreditem que aquilo tudo lhes diz também respeito. E como o brasileiro ainda acredita muito em história de carochinha, milhares propagam idéias da elite como se suas fossem. Uma delas é sobre os candidatos de Bauru. “Bauruense vota em bauruense”, espalham por aí. Os que compram gato por lebre acreditam que dessa forma Bauru terá mais grana e um representante a nos dar voz e guarida. Ledo engano. O prefeito anuncia no dia do aniversário da cidade possuir mais de 90 milhões para entrar no caixa, tudo proveniente de projetos elaborados e isso sem os tais representantes. Na verdade, desejam terem mais representantes aliados aos seus interesses nas Câmaras e dessa forma contribuir para barrar projetos populares e não terem seus negócios incomodados. Esses não vão trazer para Bauru nada além do que já é recebido hoje. Talvez uma emenda ou outra. Sendo mais um representante da elite, votará sim, contra o interesse popular, justamente daquele que o elegeu. Vão contribuir e muito para barrar avanços, disso tenham certeza. Portanto, não caia nessa. Só vote em quem possua real confiabilidade de defender o que lhe diga respeito, daqui ou de onde for.
Obs.: Esses dois textos foram escritos inspirados em fala do vereador Roque Ferreira, no lançamento de sua candidatura, ocorrida em 30/07/2010, em seu Comitê Político. Extrai a idéia central e dei minha pitada pessoal. Deixo isso registrado aqui, como homenagem, pela injusta e cruel perseguição sofrida pelo mesmo no quesito da votação ho horário dominical dos comerciários (volto a esse tema na terça próxima).

sábado, 21 de agosto de 2010

UMA MÚSICA (63) E UMA EXPOSIÇÃO MAL DIVULGADA

E POR FALAR NA MOSTRA DE CULTURA AFRO BAURUENSE - NINGUÉM SABE, NINGUÉM VIU
Acordo com Gonzaguinha na cabeça e uma música a me martelar, “E por falar no rei Pelé”, de um velho LP dele, o “Recado” (tenho aqui no mafuá, aliás quase tudo dele). Ela não tem muita coisa relacionada com a exposição, motivo deste texto, versando sobre futebol e negro, mas tem sobre um craque negro, Pelé e sua relação com nossas questões sociais. Quando meninão, cantava essa música como forma de protesto e reviver isso hoje é algo que faço com prazer. Vejam a letra e escutem/vejam a música no: http://letras.terra.com.br/gonzaguinha/431630/

E Por Falar No Rei Pelé... (Gonzaguinha)
"Craque mesmo é o povo brasileiro/corre em campo, se esforça o/ tempo inteiro/ Via pra ponta e centra e cabeceia/ e ele mesmo é o goleiro que escanteia/ e o gandula que apanha no fosso a pelota/ e a galera que a equipe incendeia/ Craque mesmo é o povo brasileiro/ carregando esse time de terceira divisão/ nesse jogo sem gol, mas que emoção,/ couro cru também é um mata fome!/ Sempre um bamba se esquece/ e a bola come/ sempre um morre, é fatal a indigestão/ Craque mesmo é o povo brasileiro/ com os homens em cima na marcação/ transformando a partida em pedreira/ uma rinha sem gol, mas que emoção/ na redonda ele se atira qual leão/ tá pensando que é um prato cheio de feijão/ e não é não!".


Todo ano no mês de agosto, ocorre a Mostra de Cultura Afro de Bauru, promovida pelo Conselho da Comunidade Negra de Bauru. A cada ano um tema diferente, isso há sete anos e em todas, ótima afluência de público e uma boa divulgação via mídia local. Participei de quatro atuando dentro da estrutura da Secretaria Municipal de Cultura, nos anos de 2005 a 2008 e na do ano passado estive como visitante. Na desse ano, nada via imprensa (mesmo tendo apoio de um dos jornais locais, nada em ambos) e só fiquei sabendo da data de sua realização por ter recebido um e-mail no dia do evento de Gaspar Reis Moreira. Devido a isso, pouca gente. Não escondo minha frustração, pois em todos os anteriores, sem exceção casa cheia. Considero esse Conselho um dos mais atuante na cidade e algo ocorreu para ter ocorrido tão pouca divulgação. Releases devem correr de um lado para outro antes de eventos como esse.

O fato é que a exposição está lá no saguão principal do Museu Histórico, de quarta passada, 18/08 até o final do mês e com o tema “Negro no Esporte”, mostrando algo sobre alguns dos jogadores de futebol negros que fizeram sucesso aqui e acolá. Revi grandes amigos, como o vereador Roque Ferreira (único vereador e autoridade presente), Ademir Elias (ex-presidente e locutor oficial do evento), João Bráulio (presidente atual e anfitrião), Gaspar Moreira (ex-beque de nosso futebol amador – faltaram fotos dele com sangue na ponta da chuteira), dona Ruth (a cara do antigo PMDB), o Fala Valente, Sílvio do Grupo Elite e tantos outros (todos os funcionários). Talvez a última exposição naquele espaço antes da mudança já anunciada, resistida, mas inevitável. Percorri tudo e fotografei algo que faço questão de divulgar, como o mosaico de fotos de Vaguinho, uma do goleirão Luisão em trajes noroestino, Zé Carlos Coelho com o fardamento da Portuguesa, um sorridente Jorge Fernandes (carioca, que veio aqui jogar e ficou, estando enraizado no Gasparini) e um banner de justa homenagem a Washington, falecido recentemente, que do Guarani de Campinas, chegou até a Seleção Brasileira. Registrei também uma camisa do velho e saudoso Smart, puída pelo tempo e recheada de histórias mil de nosso passado futebolístico. Bebi, comi, conversei muito e sai de lá com a certeza de que, mesmo incompleta (cadê algo sobre Donizete, os Fumaça todos e tantos outros), foi gostoso presenciar e estar ao lado de algo a reviver um passado de “sangue, suor e lágrimas” para nossos jogadores negros.

Se você não foi e nem sabia de nada, vá, dá tempo e aproveite para espiar também o Museu, que já está sendo transferido para outro lugar. O tempo urge, hoje já estamos no dia 21, restando somente a próxima semana para isso.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

ALGO DA INTERNET (34)

A DILMA É POP - O TIRO SAIU PELA CULATRA
Aqui no mafuá não existe esse negócio de plágio. Eu leio muita coisa por aí e espalho por aqui, sempre citando a fonte. Ontem algo a me alegrar a alma (ela existe?). Vasculhando meus sites/blogs preferidos, como o Cloaca News, Tijolaço, Página 12, Latuff, Carta Capital, Balaio do Kotscho, Carta Maior, Conversa Afiada, Vi o mundo e Buteco do Edu (http://www.butecodoedu.blogspot.com/ ), neste algo a ser copiado, divulgado e exposto para um número cada vez maior de pessoas.

Vamos aos fatos. Também, assim como o Eduardo Goldenberg, o Edu, havia visto a revista Época estampar uma Dilma guerrilheira em sua capa, com um título mais ou menos assim, “O passado que Dilma não faz questão de mostrar”. Pois eu não teria motivos para esconder esse passado, do qual gosto muito. Ter pego em armas contra uma cruel Ditadura, dignifica qualquer um, engrandece o currículo e não o denigre, como querem nos fazer entender alguns órgãos de imprensa, aliados ao que de mais retrógrado existe no país. Queriam o que todos parecem querer, que ela perca votos. É a instituição do tal do medo, que, felizmente, já não cola mais como dantes.

O tiro saiu pela culatra. É que lá junto ao texto tinha uma vistosa ilustração de Dilma, com um título de “DILMA É POP” (essa mesma arte, na verdade, é a cara do Pop Art, de Andy Warhol). Sabe o que aconteceu, a ilustração está sendo copiada e virando coqueluche, pois cada vez mais gente a quer. Edu gerou algo novo no Rio, pegou a imagem e estampou numas camisetas e a idéia cresceu. No blog dele, além de expor foto da estampa, deu o endereço de uma estamparia que já está produzindo a mesma por módicos R$ 23 a peça (http://www.bordados-rj.com/ ). Com cunhada no Rio e tendo pressa em sair com uma aqui em Bauru, peço que a mesma corra e encomendo quatro (para começar). Ela está providenciando, mas como a ilustração foi espalhada via internet, deverá muito em breve estar sendo disponibilizada por estamparia daqui.

Faço questão de divulgar isso aqui. Quero, assim como Edu, ver essa idéia espalhada. Não quero lucrar nada com isso. Comprei a minha direto do Rio e se os que gostarem da idéia toparem, faremos o mesmo por Bauru e região. É uma forma de diminuir a discriminação, o preconceito barato e algo a repugnar a todos, uma campanha difamatória e amedrontadora. Semana que vem estarei circulando com a DILMA É POP pelas ruas bauruenses. Mais detalhes no blog do Edu. Internet, para mim, serve maravilhosamente para coisas desse tipo. Eu vibro com isso, essas possibilidades de reverter algo muito ruim em muito bom.
CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (30) *
* a charge está lá embaixo a ilustrar de forma bem adequada esse texto
UM CASO MAIS DO QUE SURREAL NO JARDIM EUROPA
Ontem escrevi aqui do Amilton, da SOS Cerrado e disse tratar-se de um abnegado. Isso mesmo, pois não descansa, sua luta é incessante e a cada dia apresenta nova denúncia dentro de sua área de atuação. Na atual trava uma luta das mais desiguais contra algo que está ocorrendo lá pelos lados do Jardim Europa. É fácil chegar lá, área nobre, localizada na sequência da Avenida Nossa Senhora de Fátima, no jardim América. Siga até a quadra 17 da avenida e desça pela rua Charles Hughs até o cruzamento da rua Hermes Camargo Baptista, juntinho da rua Horton Hoover, quando encontrarão um caminho de terra, que levará até os trilhos da ferrovia. Ali por perto está localizado o campo de futebol do Baroninho. Na área de terra estão localizados muitos barracos, ali há anos em condições precárias, com ligação elétrica feitas no chamado gato e sem água e esgoto. Junto a eles algo a preocupar, alguns comerciantes e grileiros. Essa convivência não é de hoje, mas o negócio agora ganhou uma proporção maior, quando a Prefeitura Municipal anunciou que toda aquela área foi conseguida junto ao Governo Federal (pertence à ferrovia) em caráter de concessão. Ótimo para a cidade, mas é que lá está localizada uma ampla área onde ainda resiste a vegetação nativa da região, o cerrado. Resiste bravamente, pois a cada dia ele é dizimado de forma predatória e sem nenhum controle. Não existe meios de pedir isso para quem vive em situação famélica, a lutar bravamente pela sobrevivência. Nenhuma crítica a esses, mas toda, para quem possuem entendimento sobre a questão.

Promessas de que ali serão construídas casas do projeto do Governo Federal Minha Casa Minha Vida (ótimo o projeto, discuto só a localização) trouxeram mais gente para a região, ampliando os problemas de degradação. Quem conhece aquela região visualiza de um lado o Jardim América e do outro um vistoso conjunto residencial, desses murados. Quer dizer, a área é considerada nobre. Amilton diz que o que pode estar ocorrendo ali é o uso das pessoas pobres para desmatar a região toda, coisa que os mais "nobres" não fariam sem cobranças. Os pobres colocam a vegetação abaixo e depois a especulação imobiliária aliada a outros poderes, vem e retiram todos de lá, fornecendo casa em outros locais, menos nobres. Quer dizer, segundo Amilton, existe uma suspeita de que os menos favorecidos estão sendo usados pelos mais favorecidos (alguma novidade nisso?). E quem padece com tudo isso é o cerrado, como pode ser comprovado nas fotos e os pobres, como sempre.

Amilton diz o que já fez sobre o assunto. "Procurei a Promotoria do Meio Ambiente, fui na Semma, no Vidágua, na Polícia Florestal e lá me disseram que a área já é considerada de proteção ambiental, mas como já está definido que o prefeito irá urbanizar o local, num projeto de Recuperação da Área, dizem que nada mais podem fazer. Estão de mãos atadas. Essa é a verdade dos fatos", diz. Sempre fui um defensor da reforma agrária e urbana, mas coisa que não suporto é ver a população mais pobre sendo usada como massa de manobra de interesses que não são os dela. O que Amilton está fazendo é uma denúncia de violação em uma área de Proteção Ambiental, onde as casas, supostamente não poderiam ser levantadas e eu, fico na denúncia de algo pior, o da utilização do miserável urbano na realização do serviço sujo, ou seja, a devastação da vegetação, para depois serem retirados do local e lá ser ampliada uma área residencial nobre. O que registro aqui é um alerta para que providências sejam tomadas (tomara que nada disso seja verdade). Só isso. Por que não casas de um lado, aliadas à uma reserva nativa de outro? Lutas como essa são uma rotina na vida do Amilton, que lá pelos lados do Vale do Igapó e da reserva junto da UNESP trava outras, de igual importância. Sua reclamação é sobre o pouco respaldo nos poderes constituídos. Por que isso? Não soube lhe dar a devida resposta. E por que Amilton encontra-se cada vez mais sózinho em sua luta e algumas portas lhe são fechadas na cara? Essa deixo para os diletos leitores. Seria o caso do demonstrado na charge ao lado?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

RETRATOS DE BAURU (85)

AMILTON, NOSSO “INDIANA JONES” NA DEFESA DO CERRADO
Amilton Marques Sobreira, 51 anos, um advogado a fugir do modelo habitual. Não espere vê-lo engravatado, com um terno impecável e cheirando a um perfume de marca. Nada disso, pois até foge disso. Com 30 anos de advocacia, passa ao largo do trivial e esse é seu diferencial. Lembro dele começando lá na Rua Vital Brasil, vila Falcão, casa e escritório de madeira, tudo muito simples e hoje, no mesmo estilo e modo de agir. A diferença é que a luta, ou seja, a busca incessante pelo que acha correto acabou se intensificando e hoje, atuando no SOS Cerrado, faz da questão ambiental, a da defesa de nossa vegetação típica uma trincheira de luta. A Associação foi criada sob sua inspiração (e de sua esposa, a historiadora Márcia Nava) e como seu primeiro presidente, encarna uma ação contínua contra posseiros, grileiros, invasores e gente a se aproveitar da questão da terra para aproveitamento próprio (muito barão bauruense não o tolera). Virou para muitos um chato de plantão, pois cutuca, insiste, requer e consegue demonstrar por A + B, que suas propostas são as mais corretas e adequadas, porém, pouco executadas na prática. Rema contra a maré, mas não desiste e vê-lo com seu chapéu a lá “Indiana Jones” é a certeza de estar plena ação. Tem quem não o atenda mais ao telefone, invente desculpas para não ter que recebê-lo e quando o faz, além do chá de cadeira, um desconserto na hora da apresentação das justificativas. Se quiserem um termo para designá-lo, tenho um, abnegado, pois diante de uma aceleração de gente interessada na especulação imobiliária no entorno de Bauru, o grande prejudicado é o cerrado e assim sendo, dr Amilton, continua sua saga. Como forma de distração, encontrou na escrita uma boa forma de fuga, como o feito no livro “Terra, o Planeta Prisão”.

Do livro brochura, edição do autor, "Terra, Planeta Prisão", um trecho, a resumir a idéia central da obra de 36 páginas: "Na verdade, este é o grande mistério, este planeta é uma prisão, usada por outros povos, muito mais adiantados que nós, com grande evolução material, moral e intelectual. Mas, haviam pessoas que distoavam nesses planetas e foram enviadas para este. Na verdade, anteriomente eles mandavam os presos para Marte. Esses desrespeitaram todo o sistema ecológico daquele planeta levando-o a destruição como estão fazendo com o nosso planeta, poluindo os rios, destruindo a camada de ozônio, destruindo a vegetação. Na verdade, a "torre que chegava aos céus" foi um tentativa dos prisioneiros de outros planetas que aqui estavam de construir uma nave espacial para fugirem daqui e tomarem o poder em seus sistemas estelares. Mas suas pretensões foram impedidos". O livro de Amilton deixa a seguinte pergunta no ar: Estaria o mesmo acontecendo com o planeta Terra? Seríamos então, um Planeta prisão e nosso fim o mesmo de Marte?
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OBS.: Amanhã uma denúncia de irregularidades mil no Jardim Europa, obra do nosso Indiana Jones tupiniquim.