MEUS TEXTOS NO BOM DIA (99 e 100)
DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS -
publicado diário bauruense Bom Dia, edição de 13.11.2010

Sakineh Ashtiani poderá ser executada no Irã. E-mails com listas de repúdio, enviados não sei para onde, clamam para o Irã postergar e cancelar o assassinato, devido à exposição negativa na mídia mundial. O caso do adultério da iraniana é um trágico embuste, nisso todo mundo concorda. O Brasil fez sua parte, criticado e ironizado por muitos, quando lhe ofereceu asilo. Vamos a outro caso de repercussão mundial. Um dissidente cubano fez greve de fome durante meses e martelaram isso diariamente até o mesmo conseguir seu intento, o exílio na Espanha. Pouco li sobre

questionarem dos motivos dele estar detido? País adversário dos EUA, pau nele, sem dó e piedade. Em ambos, algo inegável, uma orquestração de temas a serem espalhados pelo midiático interesse norte-americano e prontamente aceitos pelos variados meios de comunicação mundo afora. Não me critiquem, explico. Sim, acuso. Melhor, afirmo que, nós ocidentais e com certa ligação umbilical aos interesses dos EUA somos totalmente influenciados pelo que eles querem que seja divulgado. Eles dão a dica e entramos com tudo,

compramos a briga por eles. Sempre foi assim. É que em dois outros recentes casos, tão ou mais escabrosos que os citados, pois tiveram a ação de execução concluída, nem tomamos conhecimento. Na Arábia Saudita, aliada petrolífera dos EUA, uma mulher analfabeta foi condenada a morte porque um saudita a acusou de ser feiticeira e de o ter deixado impotente. Assinou com a digital, num caso que poderia ser resolvido com um Viagra. Alguém aqui ficou sabendo disso? Zero de estardalhaço. No outro, esse no coração do Império, em Virgínia, a execução de uma mulher passa em brancas nuvens. Ela, acusada de assassinar o marido, recebeu a injeção letal no final de setembro. Seu jornal ou TV falaram disso? Nadica de nada. Óbvia conclusão desse escrevinhador: tanto Irã como os EUA não primam por direito penal humanitário. E por que só se critica o Irã e Cuba?
ENEM E CPMF

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publicado diário bauruense Bom Dia, edição de 20.11.2010
Não sou advogado de defesa do atual governo, mas usando do bom senso e da verdade factual dos fatos defendo aqui o ENEM e a CPFM. Primeiro o ENEM, tão abrangente e aguardado. Com sua aplicação os menos favorecidos, os que quase não tinham acesso à universidade estão podendo fazê-lo e de peito estufados. Algo a ser defendido. Seu sucesso incomoda aos que preferem sempre o caos a ver algo do atual governo triunfando. Analisem a quantidade de gente que fizeram as provas (4 milhões de candidatos espalhados por 1700 cidades) e a quantidade de erros e problemas (menos de 0,05%, equivalente a menos de 2000 estudantes). Dentro do universo da primeira, um percentual pífio de erros, dentro de qualquer padrão de aceitação plausível. E o próprio governo assumiu que nos casos de erros comprovados, ninguém será

prejudicado e ocorrerão novas provas. Cancelar tudo é fazer o jogo de quem aposta no caos, no preconceito contra o pobre. O Golpe perde mais essa. Para eles, tudo é motivo de contestação. Vá ser contra o Brasil lá na Cochinchina. E agora a tão decantada CPMF. Ouço e leio barbaridades por todos os cantos. Levo em consideração que a maior crítica sempre partiu de entidades tipo a FIESP. E o que representa a FIESP? Industriais e os mais abastados. E se é assim, estou com a CPMF. Ninguém consegue me mostrar por A + B que a pessoa de baixa renda pagava altos valores. Isso nunca existiu. Existe sim, o interesse dos que de fato pagarão mais, esses a temem, pois podem ser rastreados pela movimentação financeira sem lastro. Voltando, que o imposto seja

realmente aplicado na sua destinação precípua. Os portais de transparência estão aí para a fiscalização. Seria ótimo para o país ter esses valores arrecadados e utilizados na melhoria do sistema de saúde pública num todo. Quando leio manchetes espalhafatosas e logo a seguir um pipocar de opiniões, parecendo orquestração, coço o cocoruto já meio desprovido de cabelos e vou buscar entender o outro lado da questão. Só depois de analisar a ambos, com bastante critério é que cravo meu pensamento. Às vezes erro, mas nunca me verão assumindo posições na defesa de interesses pelos quais lutei contra minha vida inteira.
OBS.: Esse meu 100º texto aqui. Continuo em exposição, feito sardinha de balcão.