segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (37)

UMA CHARGE, UMA NOTÍCIA NO JORNAL E O CARNAVAL TEMPORÃO NA CASA DO ESPANHOL
Discutia ainda ontem com um dileto amigo sobre drogas e bebidas. Diante de tantas possibilidades, tanto eu como ele, continuamos preferindo a bebida e por incrível que pareça, a cerveja. Falava a ele sobre uma charge juntando os traços do Glauco e do Jaguar, dois mestres no assunto. Vasculhei tudo por aqui no mafuá e encontro o rabisco, reproduzido no começo desse texto. Acordo no sábado passado e leio no JC, caderno de Cultura, algo extasiante: “Saudosa Maloca promove Grito de Carnaval”. Leio e planejo algo envolvendo a tal da cerveja e a festa que mais gosto, ainda mais porque quem toca é a Banda Furiosa, da velha-guarda de Piratininga, só com velhas marchinhas. No primeiro contato com a Ana Bia no sábado, ela pensando no mesmo dial me diz: “Já leu o jornal hoje? Que tal irmos ao Saudosa Maloca”. Foi a união do útil ao agradável. Pensamos logo em convidar alguns amigos para o imbróglio. Por volta das 15h, quem senta conosco é Ademir Elias, um que não rejeita convites desse naipe. O Espanhol, dono do estabelecimento, receptivo como sempre, recebe a todos com um abraço na entrada. Lugar não existe e o Espanhol não tem tempo de arrumar mesa para ninguém, pois circula de mesa em mesa, num local abarrotado e com gente até quase no meio da rua (até quando a Prefeitura irá permitir essa licenciosidade festeira?). Me viro e logo arrumo mesa e cadeiras. Amigos e gente conhecida por todos os lados. Num canto Eraldo Bernardo, o galã cantor a enfeitiçar as guapas (falamos algo sobre a história que quero contar aqui do Zé da Viola) presentes e ausentes, junto do Tenebra, um velho amigo dos tempos do colégio. Na mesa do lado, Nelson Gonçalves do JC, Freitas e esposa, falando sobre a viagem de 8 dias que o casal acabou de fazer à Cuba (“Se tivesse grana voltava ainda esse ano”, me diz). Iza, filha do seu Laerte Camargo (que habitou o mesmo quarto de hospital na Unimed com meu pai por uma semana) estava com o animado engenheiro Ricardo, da Seplan (“Henrique, te leio toda semana no Bom Dia, gosto muito, mas deixe de lado um pouco mais do ranço esquerdista, quebre esse último móvel, jogue ele na parede”, me diz). Num outro canto com amigos, Marcos, dono da RIL (“Marcos, você precisa me ajudar num projeto em Reginópolis”, digo e como num bar tudo é mais fácil, me disse: “Passe lá, está topado”). O Marcelo, um alucinado militante tucano, bebe só, em pé e segurando como se fosse uma filha, a garrafa da Skol. Pesei uns tremoços e comemos os três, tudo regado a umas Brahmas, a escolhida da vez. O carnaval comia e corria solto, cantoria generalizada, gente levantando para saudar deus Baco e pedidos atendidos (só de Cidade Maravilhosa, feito pela Ana, escutei três). Uma chuva tenta estragar a festa, mas não consegue. Um senhor de azul, que atuou uma vida inteira no meio esportivo da cidade (não consigo lembrar seu nome - me ajudem), hoje é o empresário do grupo de Pira e munido de uma prancheta, vai de mesa em mesa, cobrando somente dos homens a importância de R$ 5 reais por cabeça, para o ajuntamento de grana, a paga dos músicos. Não vi ninguém se recusar a efetuar o régio pagamento. O máximo que a chuva produziu foi encerrar a celebração musical um pouco antes do tempo. Foi o suficiente para os músicos juntarem-se aos já etilizados freqüentadores e o papo continuou até o horário escrito na parede como o do encerramento do expediente naquela sacro santa casa comercial, 20h. Eu, Ana e Ademir batemos em retirada antes do previsto, pois reservatório cheio precisávamos de lugar calmo, tranqüilo, silencioso e com sombra para proceder a recuperação completa do corpo. Só fomos embora quando o Espanhol nos tranqüilizou: “Podem ficar calmos, que de agora em diante, semana sim, outra não, terei música aqui”. Cruzei os dedos, boto fé. Acho que ainda deu tempo de pedir, sem ter certeza de ter sido ouvido com um: “Mas não daria para trazer sempre os moços de Piratininga...”. Minha hora havia chegado. Eu passei da conta, mas paguei a minha direitinho.

OUTRA COISA - O Carnaval na rua Quintino Bocaiúva foi no sábado à tarde, 18/02 e ontem, domingo, 19/02/2011, 18h30 fui comemorar o aniversário do amigo Ademir Elias no Bar do Ditão, vila Falcão e assistir pela NET o jogo do Noroeste contra a São Bernardo, na nona rodada do Paulistão. Todos esperançosos de uma partida a ressuscitar um time meio que moribundo. Elenco existe, mas não conseguem fugir do trivial, fazem merda a cada apresentação. Entre cervejas, salames, pururucas, muito papo e ao lado de gente entendida de samba e futebol a frustração foi total e irrestrita. Um desânimo recaiu sob o local após o desenlace, onde o que vimos foi um time irreconhecível, deixando todos com a "pulga atrás da orelha": Afinal, temos ainda alguma chance de não cair para a Segundona? Uma pessoa, muito boa praça e das mais agradáveis estava presente no bar, o ex-goleiro noroestino, um que me encantou enquanto o vi jogar, Luis Carlos, o LUIZÃO. Pessoa ponderada, com observações bem lúcidas, olhar de lince, não aguentou nem o jogo terminar e foi ao encontro dos seus aposentos. Se até ele, que entende da coisa, parece ter jogado a toalha, acho que o precipício está mais próximo do que imaginávamos. Domingo que vem outro lance, contra o São Caetano em Bauru. Lá estarei com renovadas esperanças.
ALFINETADA (82) - esse texto corresponde ao de 20/02/2011 Domingo
DONA ALICE, ME DESCULPE MAS A SENHORA MERECE UMA RESPOSTA*
(* Para um melhor entendimento do texto abaixo é necessário uma lida anterior no texto da dona Alice, publicado na edição 621, de 12/02/2011, d'O Alfinete, semanário de Pirajuí. Acesse pelo http://e-alfinete.tk/ localizando a edição 621, lá virando as páginas o encontrarão).
Semana passada li aqui mesmo n’o Alfinete algo a me incomodar. Respondo ao meu modo a um sério e esdrúxulo ataque feito por Alice Marlene, no texto “MST: Movimento social ou covil de bandidos?”. E o faço por um simples motivo. A colunista elenca os motivos pelos quais acredita estar diante de um bando de irrecuperáveis criminosos. E tasca logo no lombo deles a pecha de “Covil de bandidos”. Poderia ficar tecendo loas e loas ao único Movimento Social no Brasil atual a merecer consideração mundial, justamente o MST. Imagina o que seria do Brasil se não existisse um movimento como eles? Estaríamos diante da barbárie, com pobre trucidando rico, tal a diferença social provocada pelos que eu, na minha modesta consideração, considero como o verdadeiro covil de bandidos.

Dona Alice não percebe, ou finge não perceber possuirmos uma das elites mais cruéis e insensatas do planeta. Aqui vigora a lei do quanto mais melhor, importando-se pouco pela forma como isso é conquistado. O importante é ter e dá-lhe uma sonora banana para os menos favorecidos. Afinal, segundo a concepção defendida pela mesma, existe algo inexpugnável nesse mundo capitalista, rico é rico e pobre é pobre. Se questionada vai encontrar até algo na Bíblia para defender seu argumento.

Toco minha vida lendo de tudo um pouco, sem se deixar influenciar por leitura única, daquelas que apregoam serem os donos da verdade. O melhor mesmo é confrontar concepções e debater. Odeio quando alguém faz uso de uma generalização preconceituosa até a medula para defender seu pífio ponto de vista. Ela faz isso e aponta o dedo acusando todos, indistintamente de “desordeiros, bêbados, assassinos e ladrões”. Impossível discutir num nível elevado com quem pensa assim.

Será que dona Alice leu os jornais nos últimos dias e viu que a Justiça não pode prosseguir na criminalização dos fatos ocorridos na Fazenda Cutrale aqui pertinho em Borebi? Isso mesmo, os assentados que se envolveram naquele imbróglio do trator derrubando pés de árvores não são mais réus. Faltou base de sustentação e a ação feneceu. Sabem por quê? A Cutrale nunca foi dona daquelas terras e estava ali (ainda está) de forma irregular. O que os assentados fizeram foi tentar apressar uma decisão da Justiça em algo que já lhes era favorável, a cessão da terra. Sabe, dona Alice, eles cansaram de esperar, faz séculos que esperam pacientemente por patrões mais justos, que não enxerguem só o seu lado e daí partiram para a ignorância.

Para finalizar, escrevo um pouquinho só sobre o termo “Covil de Ladrões”. Ela, a dona Alice, acha que se encaixa aos assentados do MST, eu afirmo o contrário. A propriedade na nossa América Latina (que já foi até chamada de Latrina) foi uma coisa conquistada na ponta do facão, da baioneta e dos dólares. Uns poucos usurparam de milhões, na maioria das vezes na mão grande e isso desemboca, quando uma parcela do povo está mais consciente, nesse tipo de luta e enfrentamento. Os sem argumento adoram culpar Lula de tudo, até disso. Não enxergam um palmo diante do nariz, ou melhor, enxergam sim, só os seus interesses, excludentes e a favor de uns poucos. E isso precisa ter fim. O MST faz a sua parte e bem feita.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

MEUS TEXTOS NO BOM DIA (112 e 113)

SER VIDRAÇA É... - publicado edição diário bauruense BOM DIA, edição de 12.02.2011
Trabalhar no serviço público é algo que deve ser praticado de boca fechada. Segundo regra imaginária vigente e seguida por quase todos, é recomendado para os a desejarem permanecer longo tempo no cargo, falar pouco, mesmo na incidência de fatos desagradáveis e contrários à sua linha de pensamento, principalmente no exercício de cargos de confiança. Comentários políticos, nem pensar. Eles, com certeza, irão desagradar lideranças políticas. Essas pedirão sua cabeça na primeira oportunidade. O melhor é manter-se inodoro, insípido e insosso. Resignação em gênero, número e grau. Tem quem consiga, aliás, a maioria, mas alguns, como eu, não se segurando nas calças, insistem em manter opiniões próprias. Eminente perigo, risco total de ser defenestrado. Lembro dos meus tempos na Cultura municipal de Bauru e de cartas que continuavam sendo publicadas nos jornais locais tendo meu nome como remetente. Contrariava interesses e por repetidas vezes pediram minha cabeça aos superiores. Num governo que não fazia concessões a esse tipo de pressão fui mantido no cargo até seu último dia. Acabaram me tolerando, pois também não era lá empecilho de grande monta. Uma mera pedrinha no sapato, daquelas a causar pouco estrago. Já aqui do lado de fora, o buraco é mais embaixo. Exponho livremente meu pensamento. Mesmo assim, no recomeço, ouvi de um: “você trabalha onde mesmo?”. Desapontado por não poder me perseguir, hoje me tolera. Vejo na mesma situação os demissionários de cargos de confiança e a readquirida liberdade, passando de vidraças a prováveis pedras. Detesto os que cospem no prato onde comeram e saem atirando a torto e a direito, mas abrir o jogo levando ao conhecimento público o universo de pressão vivida, interesses a impedir projetos de caminhar, as forças ocultas, isso é algo salutar. Aguardamos sempre novas revelações a cada troca de cargos. Nesses momentos conhece-se um pouco mais dos bastidores da real vida pública brasileira.


PERMISSÃO ATÉ PARA IR AO BANHEIRO - publicado no diário BOM DIA, edição de hoje, 19.02.2011
Não gosto de tocar minha vida atrelado a penduricalhos me atrapalhando os movimentos. Quando alguns forçam a barra, um peso recai sob os ombros, impedindo a ação livre e espontânea. Sou um sujeito brejeiro, simples, com alguma leitura, matuto com certa experiência de vida, pateta para alguns, gosto da liberdade e de não ter ninguém me ditando como devo proceder. É claro que ninguém é uma ilha a viver totalmente isolado, sem sofrer influências. Isso é praticamente impossível. Mas a subordinação é abominável sob qualquer aspecto. Ninguém gosta dos que cedem a tudo. Ruim mesmo é ser mandado. Não ter liberdade suficiente para conseguir nem ao menos nomear os que estarão ao seu lado sem que outros aprovem isso antes. Lembro de Maílson da Nóbrega no governo Sarney e a uso como exemplo. Sarney queria tê-lo na Economia, cargo importante, mas tinha receio que a nomeação sem o conhecimento de Roberto Marinho, dono das Organizações Globo, pudesse lhe causar problemas. Não é que o bigodudo presidente submeteu Maílson a uma sabatina com o capo da Globo. Nome aprovado, o ministro assume, gerando a paz entre as instituições. Esse, decididamente não é o papel da imprensa. Reconhecida por muitos como o Quarto Poder, acredito que a designação não lhe caia bem. E quando isso ocorre a dita democracia está doente, fora da normalidade. A subserviência é danosa, primeiro porque não vejo como um órgão de imprensa possa demonstrar isenção agindo dessa forma. Depois, quem aceita esse jogo, nunca tomará nenhuma atitude de forma soberana. Escrevo isso, com aquilo tudo sobre meu modo de ser, para demonstrar que o bom mesmo é fugir desses acordos. A vida da gente fica atrelada, atada e patinamos sem sair do lugar. Imagine-se nas suas relações pessoais dentro do próprio lar, tendo que pedir permissão para alguém de fora efetuar uns gastos bobos, como a da troca de móveis ou até pequenos reparos na minha morada. Democracia não é isso. Se for, vivo mesmo no mundo da lua. Assim como Gonzaguinha em ‘Recado’ cantarolo pelas ruas: “E se tentar me tolher é igual/ Ao fulano de tal que taí/ Se é pra ir vamos juntos/ Se não é já não tô nem aqui”.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (33)

A NAU DOS INSENSATOS CONTINUA A MESMA, AGORA ATÉ COM CHICO BUARQUE
O Governo Lula terminou mas a pauleira não. O de Dilma teve início e ela escapa ilesa, pelo menos até a presente data. O negócio agora é tentar a todo custo instigar Lula contra Dilma e vice-versa. Dou risadas. Será que não percebem que o governo de um é a continuidade do outro. São uns bocós. Os mesmos de sempre continuam espalhando via internet um "Baú de Imbecilidades" e recebo no meu e-mail uma insanidade sem tamanho. Agora instigam Chico Buarque de Hollanda. Ri, mas acho sério demais esse negócio. Será que existe gente que pensa realmente dessa forma tacanha e fazem uso da mente de forma tão restrita? Primeiro leiam o comentário feito por quem me enviou e a seguir o texto da carta, de um suposto vizinho do Chico.

"O AUTOR DO ÓTIMO TEXTO FAZ VÁRIAS REFERÊNCIAS ÀS LETRAS DE MÚSICAS DO CHICO - QUE EU, TIRANDO SEU TALENTO ARTÍSTICO, VEJO HOJE COMO UM HIPÓCRITA! COMUNISTA DE IPANEMA, COM UM COPO DE WHISKY IMPORTADO NA MÃO – E UMA DESCONHECIDA IRMÃ “COMPETENTÍSSISMA” COMO MINISTRA DA CULTURA... Para ele, ao que parece, vale o ditado: “o lado errado do totalitarismo é aquele em que a gente não está!”.

CARTA ABERTA AO CHICO BUARQUE, DO SEU VIZINHO.
Chico,
Confesso que fiquei chocado ao vê-lo desfilar na passarela da Dilma, cantarolando como se estivesse a defender uma causa justa, honesta e patriótica. Logo você, Chico, que ganhou tanto dinheiro encantando a juventude da década de 1970 com parolas em prosa e verso sobre liberdade e moralidade. Percebo que aquilo que você chamava de ditadura foi, na verdade, o grande negócio da sua vida. Afinal, você estava à toa na vida. Você deveria agradecer aos militares por tudo o que te fizeram, porque poucos, muito poucos, ganharam tanto dinheiro vendendo ilusões em forma de música e poesia como você. Estou agora fazendo essa regressão, após vê-lo claudicante como A Mulher de Aníbal no palanque do Lula e da Dilma. Claro que deu para perceber o seu constrangimento, a sua voz trêmula e pusilânime, certamente sendo acusado pela sua consciência de que estava naquele momento avalizando, endossando todas as condutas deste governo trêfego e corrupto.
Nunca, jamais imaginei, Chico, que você pudesse se prestar a isso algum dia. Mas é possível antever que apesar de todos vocês, amanhã há de ser outro dia. Quando chegar o momento, esse nosso sofrimento, vamos cobrar com juros. Juro ! Você, como avalista, vai acabar tendo que pagar dobrado cada lágrima rolada. Você vai se amargar, Chico, e esse dia há de vir antes do que você pensa. Não sei como você vai se explicar vendo o céu clarear, de repente, impunemente. Não sei como você vai abafar o nosso coro a cantar, na sua frente. Apesar de vocês, Chico, amanhã há de ser outro dia. Estamos sofrendo por ter que beber essa bebida amarga, dura de tragar. Temos pedido ao Pai que afaste de nós esse cálice, mas quando vemos você, logo você, brindando e festejando com todos eles, só nos resta ficar cantando coisas de amor e olhando essa banda passar. E pedir que passe logo, porque apesar de vocês amanhã há de ser outro dia.
Estamos todos cada qual no seu canto, e em cada canto há uma dor, por conta daquela cachaça de graça que a gente tem que engolir (lembra ?), ou a fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir. Só espero, Chico, que as músicas que você venha a compor em parceria com os seus amigos prosélitos de palanque não falem mais de amor, liberdade, moralidade e ética - essas coisas que você embutia disfarçadamente nas suas letras agora mortas de tristeza e dor. Será por isso que há ANOS não vemos uma música nova sua? Não fale mais disso - não ficará bem no seu figurino agora desnudo. Tente compor, iludir, dançar e se alegrar com todos eles. Ganhe lá o seu dinheiro, entre na roda e coloque tudo na sua cueca - ou onde preferir - mas não iluda mais os nossos jovens com suas músicas, resumidas hoje apenas na sua gloriosa “A Volta do Malandro”. Assinado,
Seu Vizinho ao Lado...
...e mais umas centenas de milhares de ex-fãs desolados".


Queriam o que esses idiotas, além de escrevinharem falácia de tamanho mal gosto, que Chico estivesse ao lado de Serra? Por sorte temos Chico ao nosso lado. Continuo com ele, sempre e não abro...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

DICA (70)

VISÕES MÁGICAS DE BAURU, EXPOSIÇÃO DE CLODOALDO PITTA NA 94FM
As exposições mensais a ocorrerem na Galeria no hall de entrada da 94FM estão com curadoria sob a coordenação de Wellington (Eto) Coelho. Ele está na função desde que a curadora anterior, a ex-secretária de Cultura Janira Finer Bastos havia assumido o cargo público. E eis que está rolando lá naquele disputado espaço (todas as exposições deste ano já estão agendadas, sem vaga possível e disponível) algo que já conhecia, mas faço questão de divulgar por onde circule. Trata-se de exposição fotográfia de Clodoaldo Pitta, irmão de Vivaldo, ambos ferroviários aposentados. Inicialmente as fotos estiveram expostas no Museu de Avaí e estão sob a guarda do Núcleo de Documentação Histórica da USC. Ano passado, por pouco não foram expostas no Encontro Ferroviário, ocorrido em outubro na Estação da NOB. Devido aos problemas de saúde de Vivaldo e aos cuidados excessivos com as fotos, achou-se por bem abdicar de tê-las junto aos trilhos. Uma nova oportunidade se faz presente e acontece de 14/02 a 12/03/2011.
Nas palavras de Vivaldo Pitta, fundador e uma espécie de faz tudo do Museu de Avaí, reproduzidas de banner na entrada da exposição, tudo sobre a inusitada forma como as fotos foram tiradas: "O avaiense Clodoaldo Pitta, fotógrafo amador, utilizou-se de uma câmera fotográfica, da marca Nikon, modelo reflex, cambiável, com objetiva fisheye, ou seja, olho de peixe, 7,5mm, F/2.8, para a captura aleatória de imagens de Bauru. As fotos, em preto e branco, tiradas em 1975, em 35mm, mostram o gosto por Bauru e a sensibilidade necessária à captura de imagens dignas de um fotógrafo especializado e apaixonado por uma cidade promissora. Registrou prédios e logradouros públicos de Bauru, alguns já modificados, outros demolidos, deixando impresso em imagens para as gerações futuras, fases do processo de construção da história bauruense. Falecido em 1990, Clodoaldo ressurge por meio da parceria entre o Museu de Avaí e o Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da Universidade do Sagrado Coração “Gabriel Ruiz Pelegrina” (NUPHIS/USC), com este magnífico trabalho para que os bauruenses e seus conterrâneos possam usufruir imagens tão conhecidas, artisticamente diferenciadas pelo olhar do cidadão Clodoaldo".

Clodoaldo possui uma passagem pela ferrovia como Fiscal, durante o período mais duro da ditadura militar. Num certo momento, esteve envolvido numa tenebrosa morte de um militante político nas instalações da estação, algo que nenhum dos seus gosta de lembrar. Pouco sei disso, mas são dessas coisas impossíveis de serem esquecidas. Foram anos duros, porém muito mais difícil para os que estiveram do lado de cá. Clodoaldo esteve do lado de lá. Respeito muito Vivaldo, seu irmão e sei que esse trabalho fotográfico possui relevado valor e importância. Nas fotos algo sobre o que pode ser visto das 9 às 19h na 94FM. Estive lá hoje e poucos ainda circularam por lá. Ainda está em tempo.
OBS.: Eto Coelho prepara uma ampla exposição por lá com telas de Percy Copieters, um amigo do peito, desses que resolveu nos abandonar antes do tempo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

UM LUGAR POR AÍ (09)

A SAGA DE DESCALVADO E ARREDORES
Eu e o amigo Fausto Bergocce estamos atolados até o pescoço de compromissos com o livro sobre a história de Reginópolis. A parte dele, adiantadíssima, com quase noventa aquarelas feitas em cima de fotos históricas, personagens da cidade, pontos comerciais e locais outros. O meu, o registro histórico escrito, um pouco atrasado, por dois problemas pessoais (falecimento sogro e saúde pai). Ontem ele aporta por aqui e passamos parte da tarde confabulando sobre os detalhes da continuidade, os próximos passos. Sentados à tarde toda no Bar do Bagaça (que não vende mais cerveja), alinhavamos tudo e à noite fomos bebericar umas cevadas no Bar do Brecha, pois ninguém é de ferro. Encher as barricas para o dia seguinte.

Hoje, 500 km (exato registro na hora do retorno) de estradas em levantamentos de algo a nos intrigar na história daquela cidade. Um padre, Jeremias José Nogueira foi iniciador em 1882 do Patrimônio da Rainha dos Anjos do Batalha, a mesma que muitos anos depois receberia o nome de Reginópolis. Estrada a partir das 7h30 e tendo como destino Descalvado, pois o padre tinha longa passagem por lá. Muitas indagações na cabeça de ambos, algo que a história precisa desvendar, pois não existe registros nos arquivos até então vasculhados. O que motivou o padre a estar lá nas barrancas do rio Batalha naquela data e local? Sabemos que era um dos muitos propagadores da fé católica pelo interior paulista, pois tínhamos conhecimento de extensa peregrinação até aquela data. Daí por diante mistério, pois não são conhecidos mais nenhum registro. E perguntas: Quanto tempo permaneceu em Reginópolis? Onde mais esteve? Onde faleceu e está enterrado? Existe até a hipótese de que era detentor de terras em seu nome na região de Descalvado (um padre proprietário). Garimpadores, ou tentando sê-lo, saímos à campo em busca dessas respostas. Nessa quarta, igrejeiros juramentados, percorremos algumas.

Em Descalvado, visitas aos arquivos da Câmara Municipal, Cemitério Municipal, Paróquia, Cartórios, Biblioteca Pública e um contato com o memorialista Luis Carlindo Arruda Kastein, outro a enfrentar problemas quando se depara com pesquisa histórica pelos rincões interioranos. "Em Rio Claro, quando precisei pesquisar por lá, um recém nomeado arquivista do município havia queimado tudo o que não tinha referência com aquela cidade. Queimou a história de muitas cidades vizinhas e achou que fez um belo serviço, uma limpeza geral", nos conta. Na Biblioteca, Sônia Salzano Gentil disponibiliza tudo o que já foi escrito na cidade, mas nada além do período em que Jeremias havia sido pároco por lá, 1837 a 1870. Fotos variadas numa vila fundada pelo padre, uma rua com seu nome e incertezas confirmadas: Tarefa prorrogada para incursões futuras aos arquivos das Cúrias de São Paulo, Limeira, São João da Boa Vista e Campinas. Num vitral na Paróquia Nossa Senhora do Belém, padroeira da cidade, algo retratando o padre em ação. Nenhuma imagem existente. Juntamos tudo e voltamos por tortuosos caminhos.

Primeiro uma rápida passada em Bocaína, para ver os afrescos restaurados de Benedito Calixto na igreja da cidade. Ali um encontro com um típico interiorano, o barbudo seu Luizão, que recebe muito bem forasteiros e diz ter frequentado muito a Casa da Eni em Bauru. "Muitos daqui deixaram fazendas naqueles quartos, eu não, mas me diverti um bocado", conta. Por pouco não veio conosco, abandonando muleta e tudo o mais (mas como trazê-lo de volta?). Em Bariri, outro lugar onde o padre inaugurou paróquia, mas pelo horário, tudo fechado. Na cidade adiante, Itaju, governada por mulheres a décadas, uma balsa até Arealva e de lá mais estrada até Reginópolis. Ali os acertos finais para o recomeço das entrevistas amanhã. Juntos, por mais dois dias estaremos desvendando um pouco mais da história ainda retida somente na memória dos seus mais velhos habitantes. Um breve descanso, folêgo renovado e pisando no acelerador logo cedo. O filho querendo ir no cinema à noite, a Ana e a mana Helena me instigando para outras incursões e eu querendo só um bom banho e cama.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (23)

FACEBOOK, CONTENDA COM MARCELO BORGES, UM COMENTÁRIO E O REVIDE
Tenho o Facebook mas não participo a contento. Vou incluindo na minha lista de amigos gente que reconhecidamente conheço e posso considerar amigos. Não coaduno desse negócio de quantidade, de incluir cada vez mais pessoas. Devo ter perto de umas setenta a oitenta pessoas cadastradas. Fico sabendo das atualizações, pois qualquer coisa que se escreva envolvendo meu nome é repassado para mim via e-mail. Tenho mais o que fazer e mesmo ouvindo de muitos que o Facebook hoje é algo muito interessante, um avançado bate-papo, não encontro tempo para adentrá-lo. Acho asqueroso umas listas de perguntas e respostas, tipo enquete, que recebo aqui, do tipo: “Você acha que o Henrique é um cara cafona? “ ou “Seria o Henrique um cara desajustado para os novos tempos?”. Isso infesta a rede e nada acrescenta no meu modo de tocar a vida.
Semanas atrás recebi uns documentos antigos sobre participações de bauruenses no passado esquerdista da cidade. Um belo arquivo histórico sendo aberto e pelo que vi choveram comentários. O que me incomoda é que a grande maioria estava tendo um revival do passado, mas já não mais professa o esquerdismo como modo de vida, estão em outra. Quando não existe mediocridade nisso, entendo numa boa. Quando extrapola o bom senso, além do riso, não me seguro nas calças. Sigo algo ouvido por Plínio de Arruda Sampaio, candidato do PSOL à presidência da República, num dos debates na TV e aqui em Bauru numa Audiência Pública sobre os Movimentos sobre a questão da Terra: “Sim, fui da Direita e hoje sou da Esquerda. Isso não é ruim, horroroso mesmo é o contrário, o cara ter sido da esquerda e hoje estar na direita. Esses não possuem recuperação. Os piores possíves”. Concordo em gênero, número e grau.
Um desses é o vereador MARCELO BORGES - PSDB, que atuou no passado nas hostes estudantis e com rompantes esquerdistas e hoje é o principal representante de tudo o que temos de retrógrado, conservador, arcaico e aliado a interesses dentro do mercado especulatório imobiliário. Tudo de ruim numa só pessoa. Não agüentei ler alguns de seus comentários sobre o passado, no texto “Utopia: À propósito das eleições e de antigas fotos...”, dando uma de santo e tasquei algo doído para ele. A resposta veio num comentário, recebido hoje aqui no meu e-mail: “Um pelego como o Henrique, me atacar para mim e otimo, pois eu sei que estou no caminho certo, agora como vc e pateta mesmo acho que tudo e por voto, sou amigo da Rose e nunca pedi o voto para ela, pois acho ela que vota em outro partido, mais a minha amizade vai para vida toda”. Não corrijo seus erros de ortografia e nem sei localizar para postar aqui os comentários dele iniciais (feitos para Rose Barrenha), nem o meu (se alguém o fizer, por favor, poste nos comentários).
Eu fico muito contente com a resposta do Marcelo. Só queria entender quando é que fui pelego? Pateta sou assumido, juramentado e disso faço um exercício diário. Não suporto posicionamentos como o dele, passando uma imagem democrática, quando na verdade representa o contrário. Faço questão de continuar me posicionando contra ele e para fechar a tampa do baú, deixo a ele um pergunta ao estilo de Ernesto Varela, o intrépido jornalista que não perdia a chance de encostar na parede quem quer que seja: “Caro Marcelo, eu sempre estive num dos lados, não virei casaca, mesmo sendo convidado, mas me diga, como é ter praticado uma luta nos tempos de movimento estudantil defendendo uma causa e hoje apunhalar tudo aquilo e fazer a defesa do interesse imobiliário especulativo e predatório? Precisa que entre em detalhes? E mais, na foto ao lado tu estavas num protesto contra a presença de Figueiredo em Bauru, anos 80 e hoje foge de manifestações contra o Alckmin. Leio hoje nos jornais sobre a denúncia feita por ti sobre a provável privatização da Saúde em Bauru. Justo de ti, aliado a todo e qualquer tipo de privatizações ocorridas no país. Mudaste muito, não?”.