segunda-feira, 23 de maio de 2011

ALFINETADA (86)

A CADA SEGUNDA ALGO NOVO DO PRESIDENTE DA CÂMARA - A MAIS NOVA DO SAKA AHI, Ó MEU!!!
Ao abrir os jornais diários nesse último sábado, 21/05, uma manchete era o prenúncio de que algo de muito estranho havia ocorrido nos bastidores do legislativo municipal. “SAKAI DESISTE DO LEGISLATIVO NA ESTAÇÃO”, o título. A primeira reação foi a constatação de que das duas uma, ou Sakai gosta mesmo de estar em evidência, não se importando se pelo lado negativo ou positivo, mas sempre em evidência, ou ele é mesmo da pá virada e nem dez dias após ter sobrevivido a um tsunami, está disposto a enfrentar outro. Talvez seja coisa de predestinado, recebe sinais do além, dos mais destrambelhados possíveis, desembocando em ações desconexas e irrefletidas. Refletindo melhor, chego à conclusão de que não é nada disso, ou seja, tem algo ainda não explicado e não entendido pelos simples mortais nessa questão.

Já toquei nesse assunto por aqui. O prédio da Estação da NOB é imenso e num só andar comportaria o espaço de duas Câmaras atuais. Os gastos para reforma e adaptação do imóvel não são de grande monta. Isso não comove o presidente. As duas outras opções são para altos gastos, a construção de um anexo ao prédio atual ou a de um novo, em lugar incerto e não sabido. Mas o que teria motivado o ousado Sakai a tomar essa decisão? Não se sabe ao certo, mas de algo a cidade toma conhecimento ao abrir o Jornal da Cidade no domingo, 22/05 e ler uma carta do vereador Roque Ferreira PT, afirmando que nenhum vereador foi consultado sobre essa decisão. Pior, nenhuma discussão sobre o assunto foi realizada para a tomada de decisão. Afinal, por que está chamando para si todos os ônus de uma decisão isolada?

Isso tudo me obriga a fazer uma comparação entre o que ocorre com o imbróglio do novo estádio do Corinthians, o que abrigaria a abertura da Copa do Mundo aqui no Brasil. Primeiro, a existência de um estádio como o do Morumbi, comportando excelente número de espectadores, mas renegado como se não existisse. A opção pelo novo, com gastos estratosféricos é a seguida. Perplexos estamos todos, mas o negócio surreal prossegue. Lá, Ricardo Teixeira, presidente da CBF afirma que assim vai ser e deve ser, mesmo que o público de nossos campeonatos não lote mais nem estádios menores que o Morumbi. Compra todas as brigas e chama para si tudo, como se fosse um “czar” a decidir tudo sozinho. Comparando o que se gastaria com a reforma do Morumbi e a construção do novo corintiano, uma soma estratosférica. Aqui, a mesma coisa, entre a reforma e adaptação da estação e a construção de prédio novo.

Tenho um entendimento sobre isso tudo. Sakai não está no seu estado normal e necessita de um tratamento de choque. Talvez colocando seus dois dedos numa tomada, com um choque de alta voltagem, volte à normalidade. Tratamento idêntico dedicaria à Ricardo Teixeira. Não dando certo, indicaria camisa de força. Nada disso dando resultado, só mesmo com uma grande movimentação popular, uma revolta sem precedentes como nunca ainda tenha sido vista, talvez similar a recentemente ocorrida na Praça Tahrir, no Egito. Poderíamos até nos inspirar nas atuais praças lotadas de jovens na Espanha e demonstrar que a irracionalidade quando repetida com insistência é facilmente resolvida com o povo nas ruas. Acredito que ele não entenda outra linguagem.

domingo, 22 de maio de 2011

FRASES (76)

MINHA CIRCULADA NA REVIRADA BAURUENSE NO VITÓRIA RÉGIA – REVER PESSOAS (parte 1)
"A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros nesta vida." (Vinícius de Moraes)

Foi rápida, mas fui conferir a Revirada bauruense. Eu e o filho, no sábado, 17h e diante do imenso palco, muito espaço, dia ainda claro e tocando do outro lado muitos amigos, na denominada BANDA BACK, quatro anos juntos e fazendo uma releitura de clássicos do rock. Dois dos integrantes, Marco Belinasi e Regina Mancebo, um lindo casal que toca MPB o ano quase que inteiro, mas divertem-se maravilhosamente nos acordes do velho e bom rock, juntos de verdadeiras feras, Paulo Saca, Lilo Zuim e Mr. Fabian. Eu, que venero nossa MPB, tenho poucas oportunidades de vê-los cantando outros ritmos e gostei muito do que presenciei. Tomaram conta do palco e tocando mais a noite, teriam casa cheia e seriam vistos por mais pessoas. Acabei presenciando o momento em que saiam por detrás do palco e iam comer algo na esquina, quando todos abraçados foram fotografados por mim. Decisão tomada: preciso vê-los mais vezes.

Esse negócio de festa na praça, no gramado do Vitória Régia é a possibilidade de reencontros mil. Quem parece que estava à minha espera era o amigo Ademir Elias, fila do gargarejo, presenciando tudo atentamente. Fizemos uma roda alegre bem na boca do palco e por ali revejo o Sivaldo Camargo, meu chapa de todas as horas, junto de um bauruense radicado há décadas em Salvador. No palco Vágner Silvestre, da rádio Unesp era quem comandava o microfone. O artesão Celsão montou sua toalha de brincos e colares ali ao nosso lado e alegre como é, ficou radiante ao ver o prefeito Rodrigo aproximar-se da roda. Foi logo dizendo: “Preciso marcar hora para falar algo contigo”. Rodrigo riu e disse “fale agora”. É que Celsão diz ter a solução para os problemas do seu local de trabalho, a praça Rui Barbosa, que afirma estar abandonada. Ademir estava falante sobre o debate ocorrido sexta à noite na USC sobre o golpe de 64. Não fui e quem estava na mesa eram João Jabbour, Pedroso Jr, Darcy Rodrigues,Isaias Daiben e Milton Dota. Um militar da ativa, comandante do Exército na cidade, Henrique Rodhen, disse: “Mas isso não era para ser uma mesa redonda, tô vendo que é quadrada, pois só tem debatedor da esquerda”. Eu não estava lá para ver, mas para mim, nem todos que estavam lá ainda podem ser considerados de esquerda, tem gente que faz da vida partidária a negação do que se pregava lá atrás. Mas esse é outro assunto.

Fui papear com o Celsão num canto e sou chamado pelo
Sergião
, meu ex-colega lá na Cultura. Ele passou por problemas de saúde e deu à volta por cima, radiante, sorridente e fazendo o que gosta e sabe, bastidores elétricos do evento. Conheço por seu intermédio outra servidora, a Daniela, junto à ambulância ali estacionada e a postos para qualquer emergência (ela me atende todo mês do PS Vila Cardia, onde busco insumos diabetes meu pai). Relembramos histórias, eu e Sergião de trabalhos vividos em Viradas outras, lá na Estação da NOB, madrugada adentro. No palco a Orquestra de garotos de Agudos e depois a de Lençóis Paulista. Sair de casa, estar na rua é isso, o rever pessoas, a convivência alegre e prazerosa. Sou um animal de fácil convivência, quando fora da toca é isso que me anima.

"Não caminhe atrás de mim; eu posso não liderar. Não caminhe na minha frente; eu posso não seguir. Simplesmente caminhe a meu lado e seja meu amigo." (Albert Camus)

Mais da revirada, na terça quando faço um Retrato de Bauru com o Celsão e na quarta quando relato meu retorno à noite na Revirada para ver CHICO CÉSAR e gravar o encantamento ODEIO RODEIO (compro seu CD por meros R$ 10 reais). Amanhã desço a lenha na decisão do presidente da Câmara de Vereadores de Bauru em não mais se instalar no prédio da antiga Estação da NOB. Aguardem por aqui...

sábado, 21 de maio de 2011

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (40)

A “VIRADA” NÃO ACONTECIDA (algo mais) E A “REVIRADA” HOJE E AMANHÃ (algo menos)
A Virada Cultural, projeto do governo tucano para espalhar shows e eventos na capital paulista e cidades do interior não aportará mais em Bauru (no Rio acontece uma versão carioca nesse final de semana). O motivo é simples. O governo do estado é tucano, PSDB, Alckmista (antes Serrista, o que pouco difere no modo de agir e pensar), o líder desse partido no estado é o deputado estadual Pedro Tobias, domiciliado em Bauru desde que aqui aportou, mas a Prefeitura Municipal está nas mãos do PMDB, aliados do PT, inimigos dos tucanos. Esse imbróglio é mais sério do que possa imaginar nossa vã filosofia. Para mim, são tudo farinha do mesmo saco e vejo isso analisando os casos do enriquecimento do petista Pallocci e o descalabro dos desmandos financeiros dos apadrinhados do tucano Pedro Tobias no bauruense Hospital de Base. O que seria pior? Tudo do mesmo balaio, só mudando a sigla a abrigá-los e as pessoas em torno de um e de outro. Para atender a cidade de Botucatu, antes petista e hoje tucana, a Virada sai daqui e aporta lá. Isso é do conhecimento até das pedras do reino mineral. Eles, os “aspones” governamentais afirmam que está em pleno funcionamento um rodízio de cidades. Conversa para boi dormir. Em qual outra cidade ocorre o tal rodízio? Nenhuma outra. Millôr Fernandes, com seu refinado traço explica como se processam essas coisas na charge aí de cima.

Isso é uma coisa. Outra é o que escrevi no diário BOM DIA, artigo “Vira, vira, virou...”, publicado em 26/02/2011 e reproduzido aqui a seguir, quando demonstrei minha ira aos poucos que poderiam fazer algo pela permanência da Virada aqui em Bauru e nada fizeram. Citei nomes. A demissionária secretaria da Cultura municipal, Janira Fainer Bastos já era carta fora do baralho e nada mais podia fazer, mas a bauruense Janaina Fainer Bastos, filha da primeira, sim. E digo os motivos. Ela ainda é a Coordenadora da Virada Cultural no interior paulista, bauruense da gema, com sobrenome de pompa e cargo idem. Qual a defesa que fez para que a Virada aqui permanecesse? Não vi, li ou ouvi nada dela nesse sentido. Deve ter recebido calada as determinações vindas dos altos escalões sobre a decisão tomada e não moveu palha para tentar demover os insensíveis políticos tucanos, que misturam política com perseguições à adversários de outra legenda. Faltou o que a elite branca dessa cidade chama de “bauruismo”? Eu defendo uma Bauru, essa elite outra, mas em alguns pontos pode até existir uma vaga confluência de interesses. Tem um ditado dos mais antigos que afirma que “quem tem __ tem medo”. Não seria esse o caso? Por que ela teria interesse em envolver seu cargo, uma carreira promissora para defender sua cidade natal, num negócio de dois dias, deixando uma mácula sua junto aos capôs partidários? Ficou quieta e assim como todos envolvidos na questão, insiste em repetir o que ficou decidido pela cúpula: “Trata-se de um rodízio”.

Gosto das pessoas arrojadas, corajosas a extremo, daqueles que colocam o próprio emprego em risco, mas defendem com unhas e dentes sua linha de pensamento. Um desses, TARSO DE CASTRO, um jornalista falecido 20 anos atrás (completados essa semana), bufava com quem fosse, mas não arredava pé de suas convicções e defendia seu Rio Grande (brizolista até a morte) onde estivesse. Outro, FAUSTO WOLFF, também gaúcho e falecido, comprou batalhas homéricas durante sua vida (inclusive na defesa de sua "aldeia"), mas não engolia calado os desaforos recebidos. Enfrentava-os todos, perdendo vários bons empregos ao longo da vida. Mas tem aqueles que não colocam em risco a posição alcançada e ainda interpelam os que colocam o dedo na ferida. Eu coloco e continuarei a colocar, custe o que custar. Não sou o dono da verdade e nem falso moralista, muito menos piegas, mas estou pronto a discutir ética e onde quer que seja, com quem quer que seja. Ainda mais quando puder expor um pouco da mediocridade reinando dentro das hostes de um governo a nos impor, por longos 18 anos, o cabresto político e o emburrecimento das massas?
Da Revirada bauruense, publico aqui o cartaz e lá estarei. Das pessoas que nada fizeram para que a Virada continuasse acontecendo aqui em Bauru, estou pronto para interpelações, questionamentos e até, se preciso for, de na frente de um juiz escancarar o que penso disso tudo. Lenine (o cantor e compositor, não o da Revolução Russa) tem uma música maravilhosa sobre os nossos medos. Chama-se “Miedo”, dele, do Pedro Guerra e Rodney Assis. Cliquem a seguir e a ouçam: http://www.youtube.com/watch?v=hN6trhQkz7w&feature=fvst Muitos podem ter medo de assumirem posições perigosas, medo de perder empregos, cargos, carreira em jogo, mas eu já passei dessa fase e estou pronto para o que der e vier. E alguns artistas da cidade (não seriam arteiros?) já querem me acompanhar no que possa me acontecer.

E vamos para a Revirada Caipira. Baterei muitas palmas para os artistas locais e a coragem de tentar esse algo novo. Seria ótimo se o prefeito perdesse um pouco do seu “medo” e declarasse os reais motivos, conhecidos de todos nós, da Virada não ter continuado acontecendo aqui. Falta só isso.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

AMIGO DO PEITO (53)

EXTRA! EXTRA!, MAFUÁ IDENTIFICA O CASO 3 MIL DA DENGUE EM BAURU
Essa tragédia bauruense é algo de uma gravidade que poucos parecem dar o destaque necessário. Esse mafuento espaço brinca demais, ironiza em alguns casos, em outros mistura tudo, mas sempre fala sério, grosso e de forma incisiva. Com a dengue, que nessa semana atinge a casa de 3000 casos na cidade isso precisa ser cutucado, espezinhado e mostrado em todos seus detalhes. Antigamente aqui em Bauru não existiam famílias sem que ferroviários fizessem parte delas, hoje a dengue assume esse papel, muito triste por sinal. Tem denguista, dengoso e denguético por todos os lugares.

Fui conversar com um deles, aliás, meu melhor amigo, DUÍLIO DUKA DE SOUZA, professor de História na rede pública estadual. Sim, ele é mais um a contrair o tal do vírus advindo do "perigoso e insano" (sic) mosquito. Como seu processo dengoso está ocorrendo quase ao mesmo tempo em que se anuncia o caso 3000, acredito ser ele o número redondo. Pronto, Duka é o próprio. O que ouvi e me fez escrever sobre a doença. Duka passou pelo Pronto Atendimento do IAMSPE, junto ao Hospital de Base e lá, atendido pelo médico PLINIO C. DE CASTRO NETO, tomou uma verdadeira aula sobre o real problema da dengue, não só em nossa cidade, mas num todo. Numa espécie de reconhecimento pelo atendimento recebido, acabou por transmitir a mim o conhecimento adquirido e repasso no parágrafo abaixo um pouco disso:

O que ocorre com a dengue é uma inversão de conceito na cabeça das pessoas. Nós é que contaminamos o mosquito e não o contrário. Ele vive na natureza e picar, sugar sangue algo inerente à sua espécie. Ele não passa de uma vítima do ser humano. Nós acabamos exterminando os mosquitos, quando na verdade somos os doentes, pois tudo começou quando um mosquito sadio pica alguém doente e a doença lhe é transmitida. No seu habitat natural nas matas ele não possui o vírus dentro de si. Na cidade, com toda a degradação humana, sim. A cadeia de transmissão é intensificada nos centros urbanos. Daí a necessidade do paciente com dengue permanecer em casa, pois se ele está doente e é picado novamente por um mosquito sem a doença, ele a transmitirá nas próximas picadas e o negócio não terá mais fim. Uma corrente cruel e maligna. Pouca gente entende esse pequeno detalhe, revelador de como a doença é alastrada de forma avassaladora.

Essa a aula recebida por Duka, transmitida a mim e agora repassada para meus mafuentos leitores.

OUTRA COISA: E como nem tudo são tragédias humanas, deixo algo aqui para deleite de todos. Fui ontem ao show no SESC local, "Meu quintal", da cantora e compositora Ná Ozetti, uma paulistana da safra de Itamar Assumpção, aliás, discípula dele. Uma voz glamourosa, que admiro desde o primeiro LP que comprei dela, em 1988. Ontem estava acompanhada de um quarteto da pesada, comandado por Mário Manga, um aprontador de mão mais do que cheia. Escureceram a quadra com panos negros, dividiram o espaço em dois e impossibilitaram o acesso ao bar (uma crueldade). Mas foi ótimo, tudo para privilegiar a voz da Ná, que irradiou algo de muito bom em todos que lá estiveram. Paguei sabem quanto? Meros R$ 5 reais, uma bagatela perto do que se paga para ver qualquer sertanojo. Em seu CD anterior, "Balangandãs", um pouco dos grandes clássicos brasileiros, com uma interpretação e em versões mais do que divinais. Ná prova que, hoje, mesmo uma distinta senhora, do alto de 30 anos de carreira, está refinando a voz. Linda!!! Sempre estive na fila do gargarejo dessa magistral intérprete e mesmo com uma engasgadinha ao final, esteve insuperável.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

OS QUE SOBRARAM E OS QUE FAZEM FALTA (20) e UMA MÚSICA (74)

1.) AFONSINHO, PRECURSOR DO PASSE-LIVRE, OS 35 ANOS DO “TREM DA ALEGRIA” E ALGO COM BAURU
Afonsinho foi um jogador revolucionário na acepção da palavra. Enfrentou a ditadura militar com as armas que possuía, o bom futebol e uma cabeça pensante, sempre a serviço da coletividade. Foi dos primeiros a enfrentarem os tais rigorosos padrões de comportamento dentro de campo, primeiro exibindo uma vasta cabeleira e barba e depois fazendo algo pouco visto hoje em dia, um jogador a defender sua categoria e propor mudanças e alterações para o benefício dos jogadores. Mereceu linda música de Gilberto Gil, seu amigo, o “Meio de Campo”, com um refrão dos mais conhecidos: “Prezado amigo Afonsinho/ Eu continuo aqui mesmo/ Aperfeiçoando o imperfeito/ Dando tempo, dando um jeito/ Desprezando a perfeição/ Que a perfeição é uma meta/ Defendida pelo goleiro/ Que joga na seleção/ E eu não sou Pelé, nem nada/ Se muito for eu sou um Tostão/ Fazer um gol nesta partida não é fácil, meu irmão/ Entrou de bola, e tudo!”. Cliquem no e vejam Gisele Almeida: http://www.youtube.com/watch?v=rUbYbI21k3Y

Esse nosso caro amigo, posso assim dizer (reencontrava sempre ele pelos mais diferentes cantos cariocas), começou jogando bola aqui do lado de Bauru, na vizinha Jaú e depois foi para o Rio de Janeiro, de onde não mais saiu. Formou-se em medicina, onde atua até hoje e além de ser um dos que literalmente atropelou a ditadura militar, é protagonista de outro feito, maquinista do TREM DA ALEGRIA, um time de pelada, desses poucos a sobreviver ao tempo, pois nesse mês está comemorando 35 anos de existência. Mas o que seria esse trem? É a reunião de gente alegre, desenvolta, ex-jogadores, músicos e afins em torno de algo em comum, a bola. Fizeram fama viajando pelo país, de megafone na mão, entoando reuniões de alerta e conscientizando muitos sobre seus direitos.

Fico sabendo da festa ao passar pelo Rio de Janeiro na semana passada e ler n’O Globo, edição de 14/04, na seção “A pelada como ela é”, a matéria MAQUINISTA, relembrando um pouco da trajetória do craque e de suas andanças. Depois dele, vi em Sócrates a continuidade do que fez lá atrás. Hoje em dia, tento forçar a memória, ativo os neurônios e não vislumbro ninguém com tais predicados, tanto dentro como fora de campo. Dizem que hoje não caberia alguém assim, pensando ideologicamente o futebol. Sei não, mas que seria por demais instigante ver alguém com esse pensamento hoje em dia, ah, isso seria algo oxigenador para um esporte vivendo meio que lusco-fusco e dominado por empresários e dirigentes meia-boca. Estive no lançamento do seu livro de memórias (uns dez anos atrás), escrito por um jauense e guardo aqui no mafuá com o maior carinho. Ele é um dos meus ídolos, não só meu, como também do ex-gogador Sócrates e de muitos saudosistas de um futebol que não mais existe.

Ainda dele, levo a página com a matéria para seu primo bauruense, o Fernando, da Livraria Sapiência (Afonso é filho do irmão do pai do Fernando) e juntos recordamos passagens do menino Afonsinho por aqui: “Ele nasceu em Marília e estava sempre em Bauru na casa dos meus pais, ali na rua Julio Prestes, onde meu irmão mora até hoje. Quando chegava era uma festa, me lembro que reuníamos uma turma de garotos e íamos bater bola ali no largo da estação, onde hoje é a Feira do Rolo. Tínhamos por volta de uns 15 anos e nosso jogo era ali mesmo no piso de paralelepípedo. Ele pedia para escolhermos um time com os melhores, ele ficava ao lado dos que ninguém queria no seu time e ganhava o jogo praticamente sozinho. Tenho uma outra história com ele, essa já famoso, voltou certa vez em Jaú e estava lavando seu Mustang defronte a casa de uns amigos, quando passam duas lindas garotas da sociedade local e vendo ele, todo bonitão, já famoso, pedem para ajudar. Afonso olha para mim e deixa a esponja e o sabão na mão delas e saímos juntos para a cidade. Nem deu bola para elas. Ele sempre foi assim, não ligava para a fama e mesmo tendo jogado em Jaú, até hoje seus amigos por lá são as pessoas mais simples, ex-jogadores, ninguém entre os graúdos. Lembro também de sua relação com o ex-jogador Nei Conceição, que estava numa fase ruim, envolvido com drogas. Por todo time que Afonso ia, levava junto o Nei, foi uma espécie de conselheiro dele, o ajudou bastante até resolver sua vida. Ele foi sempre muito humano. Hoje não existem mais jogadores com um pensamento desse jeito”.

2.) OUTRO ABNEGADO, ESSE NAS COMUNICAÇÕES EM BAURU, JOSÉ ESMERALDI:
Recebo deste um e-mail com algo singular, a continuidade de sua luta para manter-se no ar, irradiando o que sabe, gosta e faz bem feito, uma rádio pelos descaminhos internéticos. Esse é, sem sombras de dúvida, um dos que sobraram, aroeira a resistir e insistir. Um que poderia muito bem ser merecedor de uma bela letra de música como a que Gil fez para o craque Afonsinho, afinal, ambos continuam “aperfeiçoando o imperfeito”. Leiam seu relato: “Amigos e amigas, a partir desta 2ª.feira, 16 de maio, aqueles amigos e amigas que nos prestigiam através da internet poderão sintonizar o seguinte endereço de nossa rádio via web: http://www.slfm.webnode.com.br/ . O novo site, com o mesmo layout dos anteriores, conterá como novidade principal a inserção do Blog do Zeraldi onde estaremos comentando as programações e demais assuntos relativos aos meios de comunicação da cidade: jornais, revistas,TV e, principalmente, sobre o rádio, veículo que militamos cerca de 20 anos. O Blog abre a oportunidade de nos manifestarmos sobre curiosidades, fatos e histórias que vivenciamos nesse ambiente “repleto de estrelas” (jamais imaginamos que existissem tantas). Será uma forma de atendermos uma razoável quantidade de amigos e amigas, antigos ouvintes, até porque somos constantemente questionados sobre esse assunto. Não duvidem, temos muitas “historinhas cabeludas” guardadas para contar, tantas que, precavidos, resolvemos antecipar a contratação de excelente advogado de defesa... (risos). Valerá a pena visitar-nos vez ou outra... Finalizando, informamos que neste final de semana o site da Rádio Baú FM foi retirado do ar... Um abraço e bom final de semana a todos! José Esmeraldi”. OBS.: Nessa foto maior, Esmeraldi em ação na extinta (será?) 710 AM, tendo ao fundo um folgadão menino, meu filho, que me acompanha até hoje nas incursões radiofônicas.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (53)

DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS E UMA UNIÃO DE PESSOAS LIGADAS AOS DE BAURU
Hoje, 18/05 é o Dia Internacional dos Museus. Museu é algo a ser cuidado com o maior carinho e atenção. Olhado por muitos como mero depósito de objetos inservíveis, velhos e a ocuparem espaços, mas para os que entendem a história como uma sucessão de acontecimentos, um desencadeando outros, num encaixe de ocorrências com muito sentido, o preservar isso num espaço específico é entender o hoje, com os olhos voltados lá para trás. Faço isso constantemente como professor e pesquisador de História. Nada acontece por acaso. Quem entra num museu pensando nisso, percebe nitidamente como essas coisas de processam ao longo da história da humanidade.

No Brasil, o IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus, órgão ligado ao Ministério da Cultura promove todo ano uma semana inteira para discussão do tema, com agendamentos variados Brasil afora. Já escrevi sobre isso aqui na segunda e hoje repercuto um pouco do que vi naquele encontro, algo além de uma mera apresentação ao público de todas nossas instituições ligadas ao tema. Temos muitas e cada representante fez uso do microfone para mostrar um pouco do que já foi feito e dos planos futuros. Olhando em volta, principalmente para nossa região, algo de grandioso está sendo proposto, com muitos projetos em andamento. Temos dois museus municipais em funcionamento, o Ferroviário Regional e o Histórico Municipal (em fase de mutação e realocação – sua definitiva), um em implantação, o MISB - Museu da Imagem e do Som, além de um Centro de Memórias Ferroviárias, lotado num anexo ao Ferroviário. Temos a chegada da Casa Ponce Paz, onde o evento de segunda ocorreu, com interação entre arte e preservação. Duas ótimas expectativas de recuperação, a das estações Noroeste, Paulista e Tibiriçá e num outro local, o barracão junto do largo onde ocorre a Feira do Rolo, um Memorial da Indústria, assumindo responsabilidade de recuperação de todo o entorno do local, inclusive o próprio largo, em algo que a cidade toda deverá acompanhar e depois desfrutar. Muita coisa ainda no campo das possibilidades, mas muito já encaminhado, como o tão esperado realinhamento do projeto Ferrovia para Todos. Uma bela apresentação, que deve merecer uma cobrança e fiscalização na sua execução, pois prazos devem existir para que tudo isso funcione de fato, ou seja, uma real integração de todos, intercalados umbilicalmente.

A apresentação de segunda não versou somente sobre a coisa pública municipal. A UNESP apresentou seus projetos. O Museu da Ciência deve mesmo ter seu espaço dentro da estação central da extinta Noroeste. Algo um tanto desconhecido, um Museu dentro do Lauro de Souza Lima, concentrando informações preciosas sobre a lepra no Brasil. O Centro de Memórias da USC, levando o nome do memorialista Gabriel Ruiz Pellegrina, não vivendo um bom momento dentro das transformações daquela universidade, clama por um empurrão bauruense, sensibilizando seus mantenedores. E não podemos nos esquecer de um projeto em andamento, um vigoroso Museu do Trem dentro das hoje abandonadas oficinas da NOB. E o CODEPAC - Conselho de Defesa Patrimônio olhando isso tudo com seriedade e abnegação. Somando tudo isso Bauru vivencia algo inédito e grandioso, uma reprodução de locais com espaços dedicados a museus, que só consigo visualizar algo similar em grandes centros. Isso é bom? Sim, desde que todos tenham e realizem algo de proveitoso, estejam em pleno funcionamento e atendendo expectativas. Não basta ter essa quantidade quando a qualidade deixa a desejar. A reunião de todos, um observando a ação do outro deve servir para a união maior de interesses. Do contrário, com o isolamento, continuaremos produzindo cultura, arte para um número restrito de pessoas. Torço e acredito nas pessoas envolvidas nesses projetos.

DOIS ADENDOS:
1)
Uma homenagem mais do que justa e necessária faço ao memorialista, Vivaldo Pitta, que passa por problemas de saúde, mas foi um abnegado na criação do Museu de Avaí e teve sua vida, após a aposentadoria, quase toda voltada para recuperação e resgate de peças, que sem sua intervenção estariam definitivamente perdidas. Fez tudo sem pensar em remunerações e lucros. Fez por acreditar e entender ser o resgate histórico algo importante dentro do processo de vida de um povo. O museu criado por ele perdura e se outras iniciativas existissem na região, muita coisa poderia ser resgatada e preservada.
2) Algo precisa ser feito e de forma imediata em cima do acervo do também memorialista Luciano Dias Pires (criador do Bauru Ilustrado, idealizado e escrito até hoje por ele), ainda depositado em local inapropriado, num sítio de sua propriedade. Acionei o Ministério Público ano passado sobre o assunto e ouço que o Jornal da Cidade estaria disposto a comprar o mesmo e criar um espaço para abrigar todo aquele material, motivo de doações de toda cidade, que ele agora quer negociar. Sendo uma nova Fundação, mais um espaço futuro e a ser integrado nos demais existentes. Discutir esse tema de forma séria, rápida e sem medo de ferir sentimentos é mais do que necessário. Retardar mais pode significar perdas irreparáveis e irrecuperáveis.
OBS.: Todas as fotos foram tiradas por mim, de forma amadoristica, como pode ser conferido, retratando a abertura do evento citado, em 16/05 e tendo como encerramento uma teatralização de algo de nossa história, inclusive com a presença (não seria revelação?) de um dos verdadeiros fantasmas da Casa Ponce Paz.

terça-feira, 17 de maio de 2011

UMA CARTA (64)

ODE AOS 20 ANOS DA RÁDIO UNESP FM - carta publicada hoje, 17/05, na Tribuna do Leitor, Jornal da Cidade de Bauru SP
Voltando de uma longa e desgastante viagem rodoviária, véspera da Páscoa, a distração encontrada pelos ocupantes do carro, diante de um interminável engarrafamento foi ir mudando o dial do rádio, alternando as estações. Cidade por cidade, pouquíssima coisa de qualidade foi encontrada. Predominância por algo de gosto mais do que discutível e além de uma programação religiosa em profusão (até teatrinho tendo o diabo como protagonista ouvimos), a constatação de hoje prevalecer o incentivo a um gosto mais do que duvidoso, predominância de um cadinho de tudo o que existe de péssimo nesse país. Músicas com letras de duplo sentido, um mela-cueca deslavado, falas preconceituosas, piadinhas de gosto duvidoso, narrações esportivas apelativas e resenhas dominadas por deslavadas cópias de textos chupados via internet. Uma regreção a olhos vistos e tudo sendo despejado intermitentemente nos ouvidos de todos. Lavagem cerebral contínua e massacrante.

Cansados de tanto mudar de estação e pouco encontrar, desfiro a frase logo aceita por todos:
- Que saudade da nossa, a bauruense rádio Unesp FM. Somos privilegiados. Ela é uma espécie de oásis dentro de uma imensidão de algo ininteligível e degradante.

Tudo bem que nem tudo é perfeito na sua programação, mas são 20 anos comemorados semana passada, com um saldo altamente positivo. Ali, ouvinte assíduo desde sua abertura, ouço o que de melhor existe no segmento da MPB. São ótimos nisso, antenados com as novidades e não saberia citar outra do interior paulista onde pudesse ouvir o que ouço ali. O ecletismo da rádio tem seus limites. Muito pouca coisa de gosto discutível. Acertam em cheio na programação musical, sem se deixar levar por modismos. Possuem uma espécie de Selo de Qualidade e dele se afastam minimamente.

Esse o ponto forte dessa FM, seu maior diferencial. Padece um pouco nos noticiários, alguns ainda com uma oculta reverência ao patrão maior, o detentor do Governo Estadual. Mas percebo profissionais direcionando-a para o caminho da isenção, alvo maior a ser buscado num jornalismo livre e soberano, tão em falta nos nossos dias. Não sinto necessidade de programação esportiva numa FM, mas confesso, ouço-os de vez em quando. Enalteço os acertos e ironizo alguns errinhos, como o locutor que anuncia músicas em inglês sem nada saber desse idioma. E morro de saudades de programas extintos, como o Rádio Saudade, com o José Esmeraldi, cuja lacuna não conseguiram substituir, pois é único no que faz. Vejo algumas outras com opções boas, como a Veritas FM, que fez algo na mesma linha, mas não está mais resistindo e hoje, revertendo sua programação, se alinha ao batidão geral.

Sim, ainda na viagem feita, aceleramos para chegar logo num local onde pudéssemos sintonizar a Unesp FM. Foi um alívio geral, deixando imediatamente a brincadeira de busca por rádio palatável. Adentramos Bauru discutindo esse assunto, relembrando seus bons momentos e todos concordando, dando razão ao dito anteriormente:

- Somos mesmo privilegiados.

E demos um efusivo VIVA pela sua prolongada existência, afinal, ela fez e deverá continuar fazendo parte do dia-a-dia de todos ali naquele carro.