DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (53)
DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS E UMA UNIÃO DE PESSOAS LIGADAS AOS DE BAURU

Hoje, 18/05 é o
Dia Internacional dos Museus. Museu é algo a ser cuidado com o maior carinho e atenção. Olhado por muitos como mero depósito de objetos inservíveis, velhos e a ocuparem espaços, mas para os que entendem a história como uma sucessão de acontecimentos, um desencadeando outros, num encaixe de ocorrências com muito sentido, o preservar isso num espaço específico é entender o hoje, com os olhos voltados lá para trás. Faço isso constantemente como professor e pesquisador de

História. Nada acontece por acaso. Quem entra num museu pensando nisso, percebe nitidamente como essas coisas de processam ao longo da história da humanidade.
No Brasil, o IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus, órgão ligado ao Ministério da Cultura promove todo ano uma semana inteira para discussão do tema, com agendamentos variados Brasil afora. Já escrevi sobre isso aqui na segunda e hoje repercuto um pouco do que vi naquele encontro, algo além de uma mera apresentação ao público de todas nossas instituições ligadas ao tema. Temos muitas e cada representante fez uso

do microfone para mostrar um pouco do que já foi feito e dos planos futuros. Olhando em volta, principalmente para nossa região, algo de grandioso está sendo proposto, com muitos projetos em andamento. Temos dois museus municipais em funcionamento, o Ferroviário Regional e o Histórico Municipal (em fase de mutação e realocação – sua definitiva), um em implantação, o MISB - Museu da Imagem e do Som, além de um Centro de Memórias Ferroviárias, lotado num anexo ao Ferroviário. Temos a chegada da Casa Ponce Paz, onde o evento de segunda ocorreu, com interação entre arte e preservação. Duas ótimas expectativas de recuperação, a das estações Noroeste, Paulista e Tibiriçá

e num outro local, o barracão junto do largo onde ocorre a Feira do Rolo, um Memorial da Indústria, assumindo responsabilidade de recuperação de todo o entorno do local, inclusive o próprio largo, em algo que a cidade toda deverá acompanhar e depois desfrutar. Muita coisa ainda no campo das possibilidades, mas muito já encaminhado, como o tão esperado realinhamento do projeto Ferrovia para Todos. Uma bela apresentação, que deve merecer uma cobrança e fiscalização na sua execução, pois prazos devem e

xistir para que tudo isso funcione de fato, ou seja, uma real integração de todos, intercalados umbilicalmente.
A apresentação de segunda não versou somente sobre a coisa pública municipal. A UNESP apresentou seus projetos. O Museu da Ciência deve mesmo ter seu espaço dentro da estação central da extinta Noroeste. Algo um tanto desconhecido, um Museu dentro do Lauro de Souza Lima, concentrando informações

preciosas sobre a lepra no Brasil. O Centro de Memórias da USC, levando o nome do memorialista Gabriel Ruiz Pellegrina, não vivendo um bom momento dentro das transformações daquela universidade, clama por um empurrão bauruense, sensibilizando seus mantenedores. E não podemos nos esquecer de um projeto em andamento, um vigoroso Museu do Trem dentro das hoje abandonadas oficinas da NOB. E o CODEPAC - Conselho de Defesa Patrimônio olhando isso tudo com seriedade e abnegação. Somando tudo isso Bauru vivencia algo inédito e grandioso, uma reprodução de locais com espaços dedicados a museus, que só consigo visualizar algo similar em grandes centros. Isso é bom? Sim, desde que todos tenham e realizem algo de proveitoso, estejam em pleno funcionamento e atendendo expectativas. Não basta ter essa

quantidade quando a qualidade deixa a desejar. A reunião de todos, um observando a ação do outro deve servir para a união maior de interesses. Do contrário, com o isolamento, continuaremos produzindo cultura,

arte para um número restrito de pessoas. Torço e acredito nas pessoas envolvidas nesses projetos.
DOIS ADENDOS:
1) Uma homenagem mais do que justa e necessária faço ao memorialista,
Vivaldo Pitta, que passa por problemas de saúde, mas foi um abnegado na criação do Museu de Avaí e teve sua vida, após a aposentadoria, quase toda voltada para recuperação e resgate de peças, que sem sua intervenção estariam definitivamente perdidas. Fez tudo sem pensar em remunerações e lucros. Fez por acreditar e entender ser o resgate histórico algo importante d

entro do processo de vida de um povo. O museu criado por ele perdura e se outras iniciativas existissem na região, muita coisa poderia ser resgatada e preservada.
2) Algo precisa ser feito e de forma imediata em cima do acervo do também memorialista
Luciano Dias Pires (criador do Bauru Ilustrado, idealizado e escrito até hoje por ele), ainda depositado em local inapropriado, num sítio

de sua propriedade. Acionei o Ministério Público ano passado sobre o assunto e ouço que o Jornal da Cidade estaria disposto a comprar o mesmo e criar um espaço para abrigar todo aquele material, motivo de doações de toda cidade, que ele agora quer negociar. Sendo uma nova Fundação, mais um espaço futuro e a ser integrado nos demais existentes. Discutir esse tema de forma séria, rápida e sem medo de ferir sentimentos é mais do que necessário. Retardar mais pode significar perdas irreparáveis e irrecuperáveis.
OBS.: Todas as fotos foram tiradas por mim, de forma amadoristica, como pode ser conferido, retratando a abertura do evento citado, em 16/05 e tendo como encerramento uma teatralização de algo de nossa história, inclusive com a presença (não seria revelação?) de um dos verdadeiros fantasmas da Casa Ponce Paz.