MÚSICA (81)
A RESISTÊNCIA DE MADÊ CORREA É PARA ASSOMBRAR ESSA CIDADE - DESESPERAR JAMAIS

Viajei para São Paulo e perdi algo que não posso deixar de comentar. Uma atriz bauruense, MADÊ CORREA, da Cia Celeiro da Arte está fazendo de tudo para ter um Natal agradável, com algum trabalho rentável, mas o inconcebível tem agido e ela tem batido muita cabeça. Está driblando um problema de saúde e buscando espaços para dispor sua arte, trabalhar e ganhar algum. As adversidades tem se mostrado constantes, mas a vendo resistindo, percebo o quanto se pode ser forte nessa vida. Vendeu semanas atrás mais de 400 ingressos de sua peça, “La Vita Passa”, quase lotando o Teatro Municipal, mas no último momento, a atriz que participaria com ela, grávida de alguns meses é hospitalizada e tudo é cancelado. Devolve todo o arrecadado e tenta criativamente produzir algo para conseguir ao menos ter uma festa digna por esses dias.
Ao abrir meus e-mails ontem pela manhã, já em São Paulo, quase choro ao ver o que havia bolado. Ela na noite de ontem, quarta, 21/12, apresentou um espetáculo criado na

última hora, dentro desse espírito natalino, o “HISTÓRIAS DE VOVÓ NOBEL”. O Nobel é pela Livraria Nobel ter-lhe cedido o espaço e o e-mail é quase um apelo. Ao ler um release, não sei se choro ou dou risadas, pela sapiência de Madê em tentar contornar tudo o que lhe acontece. Leiam só um pequeno trecho: “Especialista em Teatro Infantil, esse espetáculo se passa em uma sala de visita da Vovó Nobel em um dia próximo ao Natal, relatada através de conversas improvisadas com as crianças e canções. Como isso sempre acontece onde tem avós, não foi difícil para a autora contar mais esse “causo”. Como o tempo não muda, quem muda são as avós e os netos”. Se tivesse lido isso antes, teria mudado meu Cartão Natalino aqui no mafuá, o do Vovô Viola e colocado lado a lado esses dois batalhadores, bravos guerreiros pela sobrevivência, desses que não se vergam, aroeiras puras, Madê Correa e Zé da Viola. Não deu tempo, mas a homenagem está feita, aos dois, meus heróis

de final de ano. Meu Natal só não é totalmente triste, por observar como esses dois conseguem se superar a cada tentativa de insistir, de renovação de forças para continuarem na labuta. Mais feliz fico ao ver pelo facebook que ela se oferecia como "Papai Noel No Natal - Na sua casa...em Bauru" e uma chique residência da cidade já a contratou para ser a Mamãe Noel lá deles. E assim ela estará trabalhando e mais feliz.
Para que tudo não se encerre de forma muito triste e melancólica, homenageio aqui nesse espaço mais uma pessoa, Leandro Gonçalez (
http://www.desenhogoncalez.blogspot.com/.com/). Junto comigo produzimos o

Guardião, super-herói de Bauru e hoje faz uma festa no seu ateliê. Esse rapagão é um bravo, resistente a fazer o que gosta e como gosta. Nem sei como consegue, mas ele insiste e fico grato por conhecer gente assim. Mora e dá suas aulas num pequeno espaço, seu mundo particular e suas coisas pessoais todas ali. Vibro com sua luta para conquistar fatias cada vez difíceis nesse insano mercado. Finalizo com um PARABÉNS COLETIVO para a Secretaria Municipal de Cultura, que após duas tentativas com administrações desastrosas (Pedro e Janira), todas nessa Administração Municipal, acerta a mão e parece ter reencontrado o caminho com a produção cultural local.

Vibro muito com a nova caminhada, ou seja, a busca do caminho até então perdido e agora recuperado. Que em 2012 novos espaços sejam criados, principalmente para essa classe artística tão injustiçada e precisando botar o bloco na rua, como nos dois exemplos citados.
E em homenagem a todos esses (Madê, Zé da Viola, Gonçalez e SMC),

relembro aqui uma música que não tem nada a ver com Natal e com Final de Ano, mas tem tudo a ver com a luta deles todos, o
“DESESPERAR JAMAIS”, do IVAN LINS, de um LP que tenho aqui guardado no mafuá desde que o comprei nos anos 80, o “A NOITE” (Emi/Odeon, 1979). Sua letra é a cara deles e é de chorar:
“Desesperar jamais/ Aprendemos muito nesses anos/ Afinal de contas não tem cabimento/ Entregar o jogo no primeiro tempo/ Nada de correr da raia/ Nada de morrer na praia/ Nada! Nada! Nada de esquecer/ No balanço de perdas e danos/ Já tivemos muitos desenganos/ Já tivemos muito que chorar/ Mas agora, acho que chegou a hora/ De fazer Valer o dito popular/ Desesperar jamais/ Cutucou por baixo, o de cima cai/ Desesperar jamais/ Cutucou com jeito, não levanta mais”. Vejam Ivan nesse vídeo:
http://letras.terra.com.br/ivan-lins/258963/