sábado, 24 de dezembro de 2011

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (43)

CORREGEDORA E PRESIDENTA ENFRENTANDO OS DRAGÕES DA MALDADE - ÓTIMO SINAL
Véspera de Natal a minha Ceia é sui generis, pois trata-se de momento de reflexão. Nesse dia quero ser curto e grosso, estilo vapt-vupt, zás – trás e o faço dando um repassada em dois temas tratados pela mídia local de uma forma um tanto distorcida. Tudo bem que, ao ver um tema sendo tratado, por exemplo, pelo Jornal Nacional da TV Globo com certa reserva, estardalhaço às avessas, eles se preocupando em demasia, entendo como bom sinal. Evidente presságio de que algo de muito bom está a ocorrer em algumas instâncias e a incomodar os graúdos. Nessas duas situações isso fica evidente.

Caso 1: A Corregedora Nacional de Justiça ministra Eliana Calmon pega no pé dos juízes brasileiros que gastam mais do que ganham. Quer enquadrar todos esses e que eles provem a fonte de tanta dinheirama acima de suas possibilidades entre os seus bens. A corajosa Eliana enfrenta dias de fúria não só das Associações dos Magistrados, como de parte significativa da mídia, que vê na sua ação, quebra de sigilos, ou seja, buscam uma forma de desmerecer o trabalho de investigação praticado por sua equipe. Vejo exatamente o contrário. O que essa mulher propõe é um colocar de dedo numa ferida mais do que exposta e que ninguém (mas ninguém mesmo) teve coragem e peito de cutucar. Ela não só cutuca, como quer resolver. Deveria ser louvada, enaltecida em praça pública, mas padece e sofre com retaliações vinda de todos os lados. Só faltou chamá-la de “bruxa velha”. Pois essa bruxa velha merece desse mafuá o título de Mulher do Ano e estampar sua foto por aqui, exatamente no dia de Natal é exatamente para marcá-la como uma daquelas que SOBRARAM diante de tanta iniqüidade. Valeu (e muito) ELIANA CALMON. Sua dignidade dói e fere suscetibilidades mil.

Caso 2: A Argentina de Cristina Kirchner dá demonstrações explícitas de coragem pela tomada de decisões e na execução de medidas saneadoras, principalmente com os grandes grupos econômicos. O papel que move a imprensa argentina agora é algo do interesse público e isso incomoda os que querem fazer do setor um negócio mais do que particular. Por lá, os grupos La Nacion e Clarín faziam e aconteciam no setor. O que o Governo fez foi colocar fim a um monopólio centralizador e driblador de leis, estabelecendo regras claras, com uma distribuição de papel de forma igualitária e com preços iguais para todos. Só isso. O grupo Clarín produz e comercializa vários canais de TV e por assinatura, possui dezenas de empresas como editoras, rádios, produtoras, provedores de internet, telecomunicações, gráficas e isso fere a legislação de monopólio (Lei não foi feita para ser cumprida? Não é essa a máxima?). O que o governo de Cristina faz é aplicar a lei, algo que aqui no Brasil, pelo visto, é ainda impensável, porém mais do que necessário, pois tanto lá como cá, setores influentes da mídia querem abarcar tudo e o desrespeito à lei é algo inerente aos grandões do setor. Não existe como se posicionar contrário ao ocorrido na Argentina. Essa mais uma lição de coragem que o país vizinho aplica nesse avantajado irmão limitrofe. Falta-nos coragem... Certos temas dão choque e quem os enfrenta, esses merecedores de aplausos mil.

Bom Natal e até o Ano Novo mais polêmica por aqui, dia após dia. Sejamos todos mais corajosos em 2012.
OBS.: As duas charges publicadas junto ao post, a do Fausto e do Nicolielo, autorizadas por seus autores, ambos amigos desse mafuento HPA, expressam algo sobre esses festivos dias. A cada semana uma nova deles por aqui.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

ALGO DA INTERNET (53)

SAMUEL, UMA LEITURA COM O MELHOR DA IMPRENSA INDEPENDENTE (E AINDA LIVRE)
Sou um desbravador de bancas de jornais e revistas. Vasculho tudo, pois diante daquela imensidão de publicações, a maioria inútil para mim, encontrar algo com um identificador imediato é algo para um voraz e astuto garimpeiro. Nessa semana encontrei uma nova revista nas bancas aqui de Bauru e a empatia foi imediata.

Trata-se da SAMUEL, que logo abaixo do título vem explicando: “O melhor da imprensa independente no Brasil e no mundo”. O nº 1 estampa uma manchete das mais instigantes: “Os Estados Unidos têm futuro? Economia, Política e Protestos num País em Crise”. Não resisti e a trouxe para casa. Paguei os R$ 11,90 sem pestanejar e ao folhear suas páginas, a constatação de que a grana fora muito bem empregada. A começar pela explicação dada ao nome: “O nome da revista é uma homenagem ao jornalista Samuel Wainer (1910-1980), criador do Última Hora”. O diretor editorial é o jornalista Breno Altman e a periodicidade será mensal. Promoções para assinatura semestral e anual (para ganhar o nº Zero, basta assinar, vem como brinde), tudo em detalhes no site: http://www.revistasamuel.com.br/

Além de escancarar ser porta voz do jornalismo independente, na Carta ao Leitor algo mais sobre as explícitas intenções: “Queremos ser vitrine para o jornalismo de boa qualidade. (...) Nossa redação, semanas a fio, pesquisou centenas de publicações, impressas e virtuais... empenhou-se para transformá-los em uma peça articulada e bem ilustrada. (...) Há diversas pepitas garimpadas no mar infinito da informação, abrangendo fatos nacionais e internacionais, políticos e econômicos, culturais e de comportamento, esportivos ou tecnológicos. (...) Pretendemos sempre apresentar um roteiro que possa ajudar quem nos acompanha a ler o mundo de forma mais organizada, crítica e abrangente”.

Esperava por algo assim há um bom tempo. Estamos todos diante de um fervilhar de material de leitura, vindos de todos os lugares. Ler tudo é praticamente impossível. Selecionar mais ainda. Encontrar alguém que faça parte disso, dentro da linha de pensamento que trilhamos é um facilitador sem fim. A Samuel é tudo isso e muito mais. Vejam só algumas das publicações que já tiveram textos condensados na primeira edição: The Nation, Salon, Il Manifesto, Brasileiros, Trip, Carta Capital, Carta Maior, Opera Mundi, Media Part, Fórum, Open, Revista do Brasil, Global Post e para finalizar, algo que pretender renovar a cada edição, a seção “Vale a pena ler de novo”, com a reprodução de uma grande matéria produzida décadas atrás. A primeira é o “Esse rosto não existe mais – Entrevista com Luís Carlos Prestes”, feita por Paulo Patarra para uma edição da revista Realidade, ano de 1968.
Eu gostei e muito, mas para aguçar a curiosidade de quem pensa igual a mim, aqui segue alguns dos temas desse mês (edição dezembro/ janeiro 2012), além do título da capa: “A cor da crise – famílias brancas tem 20 vezes mais riquezas que as negras”, “Um país grampeado – Uma década após o 11 de Setembro, as liberdades continuam vigiadas”, “Muito além do Tea Party”, “A pior escola do Brasil?”, “Lição do vizinho – Falta ao Brasil coragem de enfrentar o passado como fazem os argentinos”, etc.

Leitura mais do que garantida e vibrante para esses feriados de final de ano. Indico de olhos fechados. Conferi e já a vi em pelo menos umas quatro bancas da cidade (deve estar na maioria delas). Essa mais uma que, todo mês, com certeza, entrará pela porta da frente aqui no mafuá. Para quem acreditava que nada mais seria possível dentro do mundo a envolver o papel (ainda e sempre o meu mundo), eis mais uma excelente novidade. Alvissareira, afirmo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

MÚSICA (81)

A RESISTÊNCIA DE MADÊ CORREA É PARA ASSOMBRAR ESSA CIDADE - DESESPERAR JAMAIS
Viajei para São Paulo e perdi algo que não posso deixar de comentar. Uma atriz bauruense, MADÊ CORREA, da Cia Celeiro da Arte está fazendo de tudo para ter um Natal agradável, com algum trabalho rentável, mas o inconcebível tem agido e ela tem batido muita cabeça. Está driblando um problema de saúde e buscando espaços para dispor sua arte, trabalhar e ganhar algum. As adversidades tem se mostrado constantes, mas a vendo resistindo, percebo o quanto se pode ser forte nessa vida. Vendeu semanas atrás mais de 400 ingressos de sua peça, “La Vita Passa”, quase lotando o Teatro Municipal, mas no último momento, a atriz que participaria com ela, grávida de alguns meses é hospitalizada e tudo é cancelado. Devolve todo o arrecadado e tenta criativamente produzir algo para conseguir ao menos ter uma festa digna por esses dias.

Ao abrir meus e-mails ontem pela manhã, já em São Paulo, quase choro ao ver o que havia bolado. Ela na noite de ontem, quarta, 21/12, apresentou um espetáculo criado na última hora, dentro desse espírito natalino, o “HISTÓRIAS DE VOVÓ NOBEL”. O Nobel é pela Livraria Nobel ter-lhe cedido o espaço e o e-mail é quase um apelo. Ao ler um release, não sei se choro ou dou risadas, pela sapiência de Madê em tentar contornar tudo o que lhe acontece. Leiam só um pequeno trecho: “Especialista em Teatro Infantil, esse espetáculo se passa em uma sala de visita da Vovó Nobel em um dia próximo ao Natal, relatada através de conversas improvisadas com as crianças e canções. Como isso sempre acontece onde tem avós, não foi difícil para a autora contar mais esse “causo”. Como o tempo não muda, quem muda são as avós e os netos”. Se tivesse lido isso antes, teria mudado meu Cartão Natalino aqui no mafuá, o do Vovô Viola e colocado lado a lado esses dois batalhadores, bravos guerreiros pela sobrevivência, desses que não se vergam, aroeiras puras, Madê Correa e Zé da Viola. Não deu tempo, mas a homenagem está feita, aos dois, meus heróis de final de ano. Meu Natal só não é totalmente triste, por observar como esses dois conseguem se superar a cada tentativa de insistir, de renovação de forças para continuarem na labuta. Mais feliz fico ao ver pelo facebook que ela se oferecia como "Papai Noel No Natal - Na sua casa...em Bauru" e uma chique residência da cidade já a contratou para ser a Mamãe Noel lá deles. E assim ela estará trabalhando e mais feliz.

Para que tudo não se encerre de forma muito triste e melancólica, homenageio aqui nesse espaço mais uma pessoa, Leandro Gonçalez (http://www.desenhogoncalez.blogspot.com/.com/). Junto comigo produzimos o Guardião, super-herói de Bauru e hoje faz uma festa no seu ateliê. Esse rapagão é um bravo, resistente a fazer o que gosta e como gosta. Nem sei como consegue, mas ele insiste e fico grato por conhecer gente assim. Mora e dá suas aulas num pequeno espaço, seu mundo particular e suas coisas pessoais todas ali. Vibro com sua luta para conquistar fatias cada vez difíceis nesse insano mercado. Finalizo com um PARABÉNS COLETIVO para a Secretaria Municipal de Cultura, que após duas tentativas com administrações desastrosas (Pedro e Janira), todas nessa Administração Municipal, acerta a mão e parece ter reencontrado o caminho com a produção cultural local. Vibro muito com a nova caminhada, ou seja, a busca do caminho até então perdido e agora recuperado. Que em 2012 novos espaços sejam criados, principalmente para essa classe artística tão injustiçada e precisando botar o bloco na rua, como nos dois exemplos citados.

E em homenagem a todos esses (Madê, Zé da Viola, Gonçalez e SMC), relembro aqui uma música que não tem nada a ver com Natal e com Final de Ano, mas tem tudo a ver com a luta deles todos, o “DESESPERAR JAMAIS”, do IVAN LINS, de um LP que tenho aqui guardado no mafuá desde que o comprei nos anos 80, o “A NOITE” (Emi/Odeon, 1979). Sua letra é a cara deles e é de chorar: “Desesperar jamais/ Aprendemos muito nesses anos/ Afinal de contas não tem cabimento/ Entregar o jogo no primeiro tempo/ Nada de correr da raia/ Nada de morrer na praia/ Nada! Nada! Nada de esquecer/ No balanço de perdas e danos/ Já tivemos muitos desenganos/ Já tivemos muito que chorar/ Mas agora, acho que chegou a hora/ De fazer Valer o dito popular/ Desesperar jamais/ Cutucou por baixo, o de cima cai/ Desesperar jamais/ Cutucou com jeito, não levanta mais”. Vejam Ivan nesse vídeo: http://letras.terra.com.br/ivan-lins/258963/

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

CENA BAURUENSE (92)

CARTÃO DE BOAS FESTAS DO HPA
CHEGA DE PAPAI NOEL, O NEGÓCIO É VOVÔ VIOLA
Nunca gostei desse negócio de Papai Noel. Esse barbudo, roupa vermelhada e calorenta não tem nada a ver com nosso tropical país. E além de tudo, sua figura denota compras e mais compras. Só isso. Fujo disso. Procuro vivenciar outra realidade nesses dias. E assim sendo tento ao meu jeito criar e dar vazão a um tipo bem bauruense para nos representar. No começo do mês encontrei o tipo ideal, o ZÉ DA VIOLA, um sujeito bonachão, de bem com a vida, cantante e tocador de viola, rico de saúde e pobre de bolso, roupas largas, folgadas pelo corpo e um vistoso rabo de cavalo nos cabelos, a denotar sua irreverência para tocar a vida, com galhardia e sapiência. Ele topou a brincadeira e aqui está o meu Papai Noel, ou seja, o VOVÔ VIOLA. Uma festa embalada por suas músicas e pelo seu astral é tudo o que peço para um final de ano auspicioso e cheio de alegria. ZÉ DA VIOLA representa o Brasil que gosto de viver, pois todos sabem da existência de vários Brasis, cada um com uma conotação. Eu quero mais é ser feliz “violando”.

Mas nessas festas de final de ano desencavei algo guardado aqui no mafuá. Meses atrás folheando uma revista Playboy (edição de dezembro de 2008), encontrei um único texto nela toda, guardado por mim para ser utilizado nesse momento. Escrito por IVAN LESSA (leia algo dele no http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111202_ivanlessa_ra.shtml ), seu título é “Chega de Papai Noel, o Negócio é Vovô Índio”. Da sabedoria de Ivan algo bem do jeito como o Brasil deveria encarar o tal do bom velhinho: “Rô, Rô, Rô é o cacete. Contra o degenerado velhinho de origem finlandesa e seu game boxes, nada melhor do que o nosso nacionalismo Paparocu-Ançim presenteando a petizada com tacos de madeira feita de árvores seletas”. Ele conta como surgiu a mirabolante idéia: “Foi o jornalista Cristóvam Camargo, nos anos 30, quem criou e tentou difundir uma figura bem mais a nosso feitio e temperamento. Era o hoje injustamente esquecido Vovô Índio, que, nesta época do ano, deixava sua oca e saía Brasil afora distribuindo brinquedos para o que alguns anormais ainda chamam de petizada”.

Ivan vai fundo na idéia: “Acho lamentável o vovô Índio não ter pego. Acho triste termos preferido o degenerado anciãofinlococacolês”. Gostei demais quando li e endossei de cara a idéia. Poderia ter pensando num índio, com tudo em comum com esse país, mas preferi nesse Natal e Final de Ano propor um Papai Noel com a cara de Bauru, a nossa malemolência, molejo, verve e por que não dizer, ginga. Zé da Viola tem tudo isso e muito mais e com ele a festa seria completa.

E dessa forma, externo meus mais sinceros votos de um Feliz Natal e boas entradas (saídas também) para o Ano Novo que se inicia, com VOVÔ VIOLA entre nós. Com um Noel desses eu boto o calor para correr.

São os votos de HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO (http://www.mafuadohpa.blogspot.com/ ).

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (31)

CINEMA DEMOLIDO, CRISE NAS ENTIDADES E ALGO DA LEI DE ESTÍMULO
Tenho três temas encaraminholados aqui comigo e queria juntar todos num só. Da impossibilidade disso, discuto cada um em separado, mas perceberão que lá no frigir dos ovos, todos têm sempre algo em comum. Veremos...

1.) Numa página interna no BOM DIA BAURU, edição de 10/12, uma manchete me chama a atenção, “ANTIGO CINE BAURU SERÁ DEMOLIDO”. Fico triste só de pensar no assunto. Comento o fato com um amigo e ouço dele algo a me desagradar mais ainda: “Aquele prédio é horrível e como não tem mais utilidade como cinema, não tem mais sentido continuar em pé”. Foi exatamente esse o pensamento dos proprietários ao anunciarem a possibilidade de demolição. Segundo o jornal: “Donos do prédio, que estava fechado há quase quatro anos, tentarão vender apenas o terreno”. Como impedir isso? Não existem meios. Ano passado ouvi que o Tubinho tinha intenção de fazer ali sua sede teatral. A coisa não avançou. Sonhei durante esses anos todos em que o prédio permanece fechado, que poderia ganhar na loteria e lá manter uma das salas intacta, passando filmes de arte, cults e no restante montar um ponto comercial, um bar a atrair gente diferenciada, que gostem de cultura e de um lazer inteligente. Como nem jogar na loteria jogo, o sonho se finda agora com a notícia de que tudo virá literalmente abaixo.

2.) Meu segundo comentário é sobre a manchete do JORNAL DA CIDADE – BAURU, edição de 17/12, estampando na capa “ENTIDADES ASSISTENCIAIS VIVEM PIOR NATAL DE TODOS OS TEMPOS”. Fico triste e na página interna a continuidade do choro com “Vida moderna põe entidades em crise – Contando cada vez menos com a colaboração de voluntários, instituições enfrentam dificuldades para manter atividades”. Nem li, pois ao ver as fotos e as legendas, imagino tudo o que está a ocorrer. APAE, Lar Escola Raphael Maurício, APIECE e tantos outros estão penando com o que dizem ser o fim da cultura filantrópica. Falar em filantropia é algo mais do sério nesse país, pois experiências mil atestam que muitos se utilizam desse meio para enriquecimento. Os maus pagam pelos bons. Só escrevo isso para lembrar uma das maiores filantropas que conheci nessa cidade, uma pessoa já falecida e que não teve seu nome reconhecida como tal. Falo de ENY CESARINO, a famosa cafetina da mais famosa casa de tolerância do país, a CASA DA ENY, de saudosa memória. Dona Eny sempre deu muito, para todos que iam pedir-lhe algo, mesmo para aquelas que, depois lhe viravam as costas nas ruas da cidade, pois era “vergonhoso” (sic) cumprimentar uma mulher que ganhava a vida daquele jeito. Eny fazia mais, pois doava e não buscava ter o nome citado com pompa. O fazia por acreditar estar fazendo o certo. Ouvi muitas histórias dela como filantropa e ao ler a manchete do jornal, não existe meios de não bater uma bruta saudade dessa senhora que soube inscrever seu nome na história não oficial dessa cidade.

3.) Vamos aos finalmentes. Meu terceiro tema é sobre uma manchete no Caderno JC CULTURA, do também JORNAL DA CIDADE, edição de 15/15, estampando: “CULTURA OFERECE SUPORTE PARA PROJETOS DA LEI DE ESTÍMULO”, estipulando prazo para entrega dos trabalhos pleiteando aprovação. Hoje, 20/12 foi o dia da última reunião do Conselho Municipal de Cultura com sua atual composição, pois no início do ano já foi aprovada a nova, inclusive com a criação de novos cargos. Seria minha despedida, mas não pude comparecer. O fiz de outra forma, enviando um texto para ser lido e anexado junto a Ata. Para não me alongar, abaixo sua reprodução, com meu posicionamento. Leiam e me critiquem/elogiem à vontade:

Meus caros e caras do Conselho Municipal de Cultura de Bauru
Na impossibilidade de comparecer pessoalmente na última reunião do ano do Conselho, sendo a última (acredito) com a qual poderia participar, uma vez que o Conselho está sendo todo renovado, aproveito para me despedir de todos, desejando ares renovadores e criativos para os novos membros já a partir de 2012 e peço a leitura desse documento na reunião de hoje, 20/12/2011.

Como última mensagem, tenho algo a dizer, principalmente num dos quesitos mais importantes dentro de tudo o que foi discutido até agora dentro das reuniões do Conselho. Semana passada, exatamente dia 16/12 encerraram-se às inscrições para o programa Municipal de Estímulo à Cultura (instituído pela lei nº 5572, abril 2008). O objetivo, como todos sabem é o de “incentivar a produção e formação artístico cultural, preservar e divulgar o patrimônio cultural da cidade e dar apoio a outras atividades culturais consideradas relevantes”. Seu edital contempla a participação de pessoas físicas e jurídicas e poderiam ser selecionados projetos com valor máximo de até R$ 20 mil para jurídicas e R$ 10 mil para físicas.

Fui incentivado a participar do mesmo, com a inscrição de projetos na área de memória e mesmo tendo algo praticamente pronto para essa finalidade não o fiz e explico os motivos. Sendo membro do atual Conselho não acredito ser ético, mesmo sendo legal a minha participação no mesmo, pois isso poderia denotar certo favorecimento, privilégios e benefícios. Não quero e não me arrisco a passar por esse constrangimento. Abdiquei e com minha saída do Conselho, com certeza, projetos de minha autoria poderão ser inscritos nos próximos editais.

Sinto um bom momento e saliento isso, dentro dos novos rumos da SMC – Secretaria Municipal de Cultura, com uma abertura de possibilidades imensa para a classe artística bauruense. Vibro com isso e gostaria que o ato sacramentado por mim nesse momento, fosse levado em consideração por todos seus membros, pois vivemos um momento dos mais conflitantes na sociedade brasileira, quando criticamos tudo e todos por atos resvalando na corruptela inerente ao nosso sistema. Permanecer isento disso é algo salutar e acredito que esse Conselho pode trilhar esse caminho. É sempre nos pequenos detalhes que se percebe o comprometimento de cada um, com a Cultura em si, para si e num todo, envolvendo um número cada vez maior de pessoas. Não faço isso para me promover, mas para salientar da necessidade dos critérios serem cada vez rigorosos.

Um forte abracito desse modesto conselheiro e sua também modesta contribuição nesses anos em que estive participando ao lado de todos aí nas reuniões do Conselho.
Henrique Perazzi de Aquino – presidente da Associação Amigos do Museus de Bauru, membro do CODEPAC – Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru e do Conselho Municipal de Cultura de Bauru.

OBS FINAL: A primeira foto, lá de cima e a última, aqui embaixo, parecem não ter sentido nenhum com o texto, mas representam uma Bauru que gosto muito, a da criatividade dos que labutam duramente pela sobrevivência. Esse senhor, muito bem trajado, com uma bicicleta e adaptando nela um carrinho de sorvete. Me encanta divinamente ver isso pelas nossas ruas e poder retratar um bocadinho disso aqui no blog é gratificante. É com esses que eu vou...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

INTERVENÇÃO SUPER-HERÓI BAURUENSE (28)

LÁ A “PRIVATARIA TUCANA” E AQUI A “PREVARICAÇÃO TUCANA”

O livro bomba desse final do ano todos já sabem é a “A PRIVATARIA TUCANA”, do corajoso jornalista mineiro AMAURY RIBEIRO JR. Veja a entrevista do Amaury ao Paulo Henrique Amorim, da TV Record aqui: http://youtu.be/V14fyWK9Cnc . A história é por demais conhecida, a sacanagem financeira tucana a envolver Serra, FHC e outros tantos graúdos, todos tucanos, numa fraude imensamente maior que o questionável “mensalão”. Na capa da semanal Carta Capital dessa semana a explicação do sucesso: “A mídia esconde o Brasil – Mas não consegue conter a força da internet”. Quer dizer, não deu na mídia, mas deu nos blogs e no facebook. Virou best seller de um dia para outro, provando que os meios alternativos estão ocupando um lugar inquestionável como veículos midiáticos no Brasil e no mundo. Folha SP, Globo, Estadão, TV Globo, etc, os que fingiram que o livro não existe já não possuem tamanha importância como dantes. Isso uma coisa, um caso escandaloso que a mídia esconde e nisso enxergamos sua verdadeira face.

Outra coisa são os muitos escândalos pouco divulgados, com pífia investigação, todos envolvendo altas esferas tucanas, essas regionais. Aqui em Bauru um desses casos. Numa manchete de primeira página da semana passada o Jornal da Cidade, aqui de Bauru, estampa que “MÉDICOS ATESTAM MORTE DO HB – HOSPITAL DE BASE”. E quem teria provocado essa suposta morte do HB? O esquema do PSDB. Não existe outro entendimento, pois todo o grupo diretor do hospital era formado por membros do partido na cidade. Basta uma simples averiguada nos nomes de todos os que compunham aquela diretoria para confirmar isso. Algo que qualquer mediano escolar pode fazer. Os nomes estão todos aí, mas ainda não se chegou a nenhum peixe graúdo, de maior quilate. Chegaremos nisso, tenham certeza. Tudo é uma questão de tempo. O fato lamentável disso tudo é que muitos desses comprovadamente, além de pertencerem ao ninho tucano, também circulavam freqüentemente pelo Escritório Político Regional do nosso deputado estadual, o Pedro Tobias. Pior que isso é vermos constantemente o mesmo deputado apregoar via imprensa que o Governo Federal não repassa verbas adequadamente para os hospitais de cidades pequenas e Santa Casas. O caso da AHB de Bauru é típico de uma cidade que recebeu verbas federais e fez um uso dos mais danosos, criminoso, diria. Na maioria das cidades vizinhas, todas com influência do deputado, o mínimo que se pede, clamando pelo bom senso é que ocorra uma devassa nessas contas, para dirimir toda e qualquer dúvida existente. O próprio deputado deveria pedir auditoria em todas, até para salvaguardar seu nome e sua reputação. Sairia ileso, mas permanece quieto. Péssimo isso.

O nome criado pelo Guardião, o super-herói bauruense, para a conotação regional ao tema abordado no livro é um clamor nesse sentido. A PREVARICAÇÃO TUCANA é o escândalo em si, o lado já conhecido do rombo na AHB, escabroso e ainda sem uma definitiva criminalização dos responsáveis. Escancarar isso e quebrar o elo possibilitador da maracutaia é necessário, pois pessoas estão indicadas/indiciadas como culpadas, outras foram meramente afastadas de seus cargos e desapareceram como num passe de mágica, mas precisam prestar esclarecimentos sobre seus atos. Guardião sugere não um livro, mas a exposição de forma mais transparente de todos (mas todos mesmo) os responsáveis pelo rombo. Se o relatado no livro é a excrescência do péssimo uso do dinheiro público a nível nacional, o ocorrido em Bauru é uma amostragem do que pode estar disseminado a nível regional. Pelo sim, pelo não, vigiar, controlar e buscar formas cada vez mais rígidas de controle desse dinheiro recebido é algo que deveria ser encarado como natural.


Por outro lado, lamentando também como a política é praticada nos dias atuais, quando um parlamentar não pode mais nem votar de acordo com sua consciência e pelo bem de sua cidade. Quando isso fere o interesse do partido, ocorre algo similar ao fato da última sessão de nossa Câmara de Vereadores. Nela Marcelo Borges, por causa de um voto do vereador Mantovani a favor de um projeto favorecendo o prefeito (adversário dos tucanos), destituiu-o em plena sessão do cargo de líder da bancada tucana. Autoritarismo explícito e declarado. Guardião perguntaria para Marcelo, o capo tucano: “E os interesses da cidade como ficam? Os subordinados à sigla são obrigados a votar contra a cidade, mesmo nos casos onde o projeto a favorece? É dessa forma que os tucanos fazem política?”. Guardião aguarda as devidas respostas.

E dessa forma Guardião deseja a todos e todas boas festas de final de ano. E até o próximo ano...

domingo, 18 de dezembro de 2011

AMIGOS DO PEITO (61)

AMIGOS LANÇANDO LIVROS, HOMENAGENS NO ROLO E UM LIVRO ESGOTADO
O tempo urge. Domingo que se esvai. O Santos levou pela manhã uma piaba de dar dó do melhor time do planeta Terra, o Barcelona, um ainda a praticar algo semelhante com o futebol-arte, tão em falta. Mas volto hoje para meu segundo post no dia só para enaltecer algo ocorrido com alguns diletos amigos. Coisinha rápida que não vai tomar muito o tempo de ninguém.

Primeiro o lançamento do livro de poemas do professor e ator/diretor teatral CALEB PATRÍCIO DE BARROS, o “SOBRE VIDAS”. Estive na sexta passada, 15/12, 20h, na livraria Nobel e beberiquei um vinho, saboreando um trecho de uma poesia que me encantou logo de cara e a reproduzo aqui ao lado (cliquem nela para vê-la grande). É sobre um amor mais do em comum, o pela Estação da NOB, de uma saudosa época onde saiam e entravam trens de passageiros daquela famosa gare. Mais que isso, por lá trabalhavam nossos país, o do Caleb, que não sei o nome e o meu, seu Heleno.

Nem bem descansei desse lançamento, volto na manhã de sábado no mesmo local para o lançamento do livro a quatro mãos, o “PARA O SOL DIA DE CHUVA É FERIADO”, dos amigos, o poeta VITOR MARTINELLO e o jornalista/radialista e também desenhista WELLINGTON LEITE. Levei meu pai junto comigo e por lá reencontrei muitos amigos. Manhã gostosa, gente sorridente e uma áurea de coisa bem feita no ar. Saio de lá e agendo um retorno para a próxima terça, 20/12, lançamento do CD da bauruense NEUSA MARIA, o “ACONTECEU”, que num folder diz ter sido “feito com a paixão de quem ama profundamente a música e acredita na beleza da alma humana”. Acredito, pois quem grava Rosinha de Valença, Gordurinha, Noel, Caymmi, Taiguara e outros, só pode ser coisa da melhor qualidade.

Na manhã desse domingo sou agraciado com uma entrevista em plena Feira do Rolo, onde dei minhas opiniões sobre a história de um dos locais mais democráticos da cidade de Bauru, essa babilônia a endoidecer gente sã. O repórter Alexandre, no comando de um programa na TV Unesp, recém inaugurada, estará repassando a matéria também para o Canal Futura. Não me canso de defender essa feira, tão ultrajada e pouco entendida por nossas autoridades. Trago comigo o DVD do já amigo Diego, que fez por lá um belo Documentário contando a história da feira e também fui um dos entrevistados. Seus trabalho mereceu menção honrosa na Unesp, TCC de conclusão de curso e vou verificar com ele das possibilidades de reproduzir aqui o vídeo final ou alguns dos outros documentos anexos.

Para completar minha alegria dominical, Ana Bia chega no aeroporto local por volta das 13h e traz consigo o que lhavia lhe solicitado, um exemplar do bombástico livro “A PRIVATARIA TUCANA”, do jornalista mineiro (e corajoso) AMAURY RIBEIRO JR. Aqui e agora um bocadinho da falsidade tucana e das coisas escabrosas que eles costumam fazer nos bastidores políticos. Como a mídia não quer falar do livro (só Carta Capital e a Record o fizeram), a internet cumpriu seu papel e o livro esgotou nas livrarias. No relatado, uma sujeira muito maior do que o dito mensalão, que alguns tentam esconder da nação. No Rio ela não o encontrou e só o conseguiu no aeroporto de Congonhas, num lance de pura sorte. Conto mais dos lances desse livro num outro post, pois escancarar a falsidade tucana é uma das missões que estou imbuído.
Amanhã tem mais...