segunda-feira, 21 de maio de 2012


INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (35)
ELEIÇÕES: COMPOSIÇÕES PARA TUDO CONTINUAR COMO SEMPRE ESTEVE
Guardião, o super-herói de Bauru (criado pelo traço do desenhista Gonçalez –(www.desenhosgoncalez.blogspot.com  e com pitacos desse mafuento escrevinhador, o HPA) está cada vez mais descrente com os rumos da política local. Ficou por semanas a acompanhar com o devido interesse os desdobramentos das coligações de formação das candidaturas para o próximo pleito municipal e dos ajuntamentos, nada de tão construtivo (sintam o clima na Argentina, com a charge ao lado, quando um velho cacique, o ex-presidente Cavallo ameaça retornar à política). De cara, uma Arca, ao estilo da de Noé capitaneada pelo prefeito, onde ao invés de espécimes animais, o que ingressa nessa bauruense são os partidos aliados à atual administração. “Uma bazófia ver gente tendo que se desligar de partidos, pois até ontem eram opositores e agora, em acordos de bastidores viraram situação e teriam que desdizer o que diziam até então. E com que cara fariam ou farão isso? É o que aguardo, com o saco de risadas pronto para ser disparado na cara de alguns desses”, diz Guardião. Na coligação mais consistente (sic) do grupo oposicionista, a junção nada esdrúxula entre DEM e PSDB (“Afinal assumiram um morrer de amores pelo outro, unha e carne. Morrerão de mãos dadas”, brinca Guardião), numa clara demonstração de que a cidade ganhará com tudo isso, como afirma ironicamente nosso super-herói: “De tudo, o melhor mesmo será ficarmos privados da reeleição de Chiara Ranieri e Marcelo Borges, ela irá cuidar de seus negócios de ensino e ele de seu progressista empreendimento no quesito mercado imobiliário. Quem ganha é a Câmara, mas não teria um jeito de levar junto o Segalla?”. Numa terceira possibilidade, a surrealidade de Dali exposta à visitação pública. “O indefectível PV, que em momentos é uma coisa, noutros outra, se arvora sempre de irremovível cabeça de chapa e tenta levar consigo para o buraco o PSB. Esse tem gente dentro do gabinete do prefeito e fica numa situação mais engraçada que o Demóstenes tentando se explicar como após tanta moralidade, possa estar atolado até o pescoço no que denunciava”, continua suas reflexões. Mais uma candidatura, a do PSTU, atirando para todos os lados e lugares. “Cuidado que alguma bala vinda dessa espingarda lhe atingirá”, diz o super-herói. Isso lembra muito a história da “quase” eleição do MACACO TIÃO no Rio de Janeiro http://desciclopedia.ws/wiki/Macaco_Ti%C3%A3o).  E por que não revivê-la? Não seria ele uma boa alternativa? Reflexões emblemáticas para um futuro nebuloso e sombrio para Bauru. Senão vejamos: “Todos estão procurando se acomodar, dando um belo jeito em suas vidas e nenhum, mas nenhum mesmo apregoando que o sistema político vigente, a forma de captação de recursos (e da distribuição também) é um sinal evidente de que meios escusos possam vingar. O mar aqui por Bauru está mais para tubarão, pois se assim é o que querem, que todos sejam devorados pelo mesmo. No mínimo, o que posso fazer é ficar demonstrando o quanto são ridículos e contraditórios. Tenho muito o que fazer nesse sentido e sem me arvorar em falácias moralistas, pois esses, sabemos são sempre os piores. E assim sendo, trabalho intenso pela frente, pois esse pessoal oferece munição a todo instante para bons revides. Fazem parte de um circo de péssimo espetáculo que eu não pagaria um centavo para assistir”.

domingo, 20 de maio de 2012


RETRATOS DE BAURU (123)
GERALDO INHESTA, PÉ DE VALSA NA ACEPÇÃO DA PALAVRA
Dois dias de Virada Cultural em Bauru e, principalmente, muita música espalhada pela cidade. No SESC, o destaque para um personagem sobressaindo-se sobre os demais. Não se trata de nenhum músico. Quem acaba chamando sempre muito a atenção de todos os frequentadores nos salões do SESC, Luso, Clube da Vovó, Jeribá, Made in Brasil e tantos outros espaços onde exista uma gafieira rolando e uma pista disponível é GERALDO INHESTA. Não existe como não chamar a atenção, pois mede quase 2m de altura, corpulento, negro retinto, sempre metido dentro de um sapado branco, próprio para a pista e com um molejo no corpo desses de arrastar qualquer dama que goste de uma pista para o centro dela. Desde menino gosta de música de salão, tentou aprender tocar violão e até conseguiu progressos, mas na hora de cantar e juntar ambos, preferiu mesmo tentar algo novo, a dança. Seus pés sempre balançavam meio que automáticos ao ouvir o sincopado musical e de uns dezoito anos para cá, com muita dedicação, aprendeu cada passo e virou mestre no assunto. Há quatro anos virou monitor em casas de dança e hoje, aos 59, ostenta no cartão de visitas a imponente função de “Personal Dancer”. A dança de salão virou o grande motivador em sua vida, mas o ganha pão continua sendo o trabalho como Agente Penitenciário no CDP de Bauru. No lazer ele descarrega toda a imensa carga de energia negativa acumulada com a labuta diária e assim ostenta um sorriso dos mais conhecidos nas pistas por onde circula, feliz da vida.
OBS.: Nas fotos ele dança com uma parceira conhecida hoje, no show do SESC com dois mestres da gafieira, Zé da Velha e Silvério Pontes, a professora universitária Andressa, campineira, seis meses de Bauru e que assim como ele, extravasa e é feliz exercitando o molejo do corpo com a dança, sempre diante de uma boa música (não de qualquer, mas necessariamente de uma boa música).

sábado, 19 de maio de 2012

MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (176 e 177)
INTIMIDADES REJEITADAS E RENEGADAS – texto publicado edição BOM DIA BAURU, 12/05/2012: "Chamadoira tocou no assunto. Fui no embalo e cutuquei Goffi. A raivosa resposta veio por e-mail. Na última quarta, Lima Verde também dá seu pitaco. Ponto pacífico, a ditadura militar foi cruel e insana. Encurralamos o articulista Goffi? Não. Ele tem distorcida opinião, porém bem definida e a expõe sem medo. Hoje, muitos se dizendo esquerdistas não possuem a coragem de assumir suas posições. Vejo-os paparicando igrejas, fazendo acordos espúrios, negociatas partidárias, cargos em administrações contrárias aos interesses populares, defendendo posições antagônicas ao que diz professar, ou seja, apregoam algo, mas na prática são vergonhosos. É cada vez mais difícil assumir o que de fato se diz ser. Goffi tem mil defeitos (como eu, aliás), mas não se esconde atrás de uma máscara e nem foge do pau. No mais, só repúdio ao que professa. No texto “A ditadura”, do Lima Verde algo a comentar. Primeiro a surpresa por tomar conhecimento que Gama e Silva, o cruel articulista do AI 5 tinha propriedades aqui na região. Sabendo do seu passado, do que fez e idealizou, nunca me aproximaria de alguém com currículo tão sanguinário. Foi também tabelião, nas facilitações perpetuadas no período ao setor e isso possibilitou ter bens tão valiosos.  O que graça hoje, graçava reservadamente no período militar, com desenvoltura entre apaniguados. Negociatas acobertadas a ferro e fogo. Ainda não localizei a professora. A dela será mais uma história, com pressões, medo, insegurança e o fato de ter que ceder sob o tacão do poder constituído. Nossa história está recheada dessas particularidades. Imagino Gama e Silva participando de nossas exposições agropecuárias, paparicado até não mais poder. Muitos desses hoje o criticam, mas na época lhe estenderam o tapete vermelho. É sempre assim. Lá atrás delataram, espezinharam, juras de amor ao regime, beneficiaram-se e hoje o repudiam, renegam e se precisar for, afirmam terem tido outra postura. Não mudou nada, afinal o regime é o mesmo, a favorecer uns poucos em detrimento da imensa maioria".

CONTRADIÇÕES MAIS DO QUE EXPOSTAS – texto publicado edição BOM DIA BAURU, 19/05/2012: "O que mais prezo na imprensa é pela tão propalada liberdade de expressão. Sinto muito, mas ela hoje não mais existe. Vigora como sombra encobrindo a verdade, os interesses do dono do negócio, cruel mordaça a calar a voz livre e soberana dos acontecimentos. Sim, a imprensa é um negócio e assim é tratada no país. Todos nela inseridos sabem até onde podem chegar. O limite é a manutenção do seu emprego, do seu soldo e do espaço conquistado no veículo onde atua. Querendo perder o seu é só afrontar essa regra básica, implícita e seguida à risca. Inquestionável mandamento. Dizem por aí, que quem tem, tem medo. É a mais pura verdade. Criei meu blog pessoal e nele escrevo tudo o que penso. Mesmo assim, precauções contra os excessos. Já fui petista de carteirinha e cai fora por causa dos atos do casal a comandá-lo na cidade. Não suporto até hoje ver o PT agindo igual aos demais partidos. Porém não nego, nos governos de Lula e Dilma o Brasil avançou como nunca visto, principalmente nas questões sociais. Reconheço e defendo esses avanços. Entro em homéricas discussões e nem por isso me considero “chapa branca”, pois não defendo tudo, nem tenho os olhos vendados. Considero-me esquerdista (não esquerdopata) e distante do radicalismo. Não sou financiado por ninguém, a não ser meu próprio trabalho, que me exaure e consome. Peno para ganhar meus caraminguás.  O que faço é ler muito e comparar o ontem e o hoje. Esse caso Cachoeira expôs algo até então oculto. Quem tanto criticava erros alheios, a revista “Veja”, por exemplo, mostrou-se pior do que o denunciado em suas páginas. Fez acordos espúrios com o crime organizado e deixou Cachoeira influenciar nas decisões da revista. Mandou para a cucuia a honra, dignidade e tudo o mais. Merece punição, como qualquer mortal. Só isso. Nem eu, nem a maioria dos blogueiros de hoje fazemos parte do mundo de Cachoeira. A “Veja” faz. Ela sim é chapa branca, mas do que de pior existe nesse país, um sistema e uma oligarquia contra os interesses do seu povo. Isso eu combato". 
ALGO DO RÁDIO: Eu adoro rádio, principalmente AM. Nessa semana descobri algo bem com a nossa latina cara. É a RÁDIO AMBULANTE (
http://radioambulante.org/es/), um lindo projeto de reprodução de histórias pessoais de andanças, idas e vindas, algumas tristes, doloridas, dramáticas, mas com algo irresistível, com muito sentimento humano. Tudo foi pescado dentro do site da REVISTA ANFÍBIA (http://www.revistaanfibia.com/), com algo que gosto muito: “crônicas y relatos de no ficción”. Ambos os projetos são oriundos da Universidad Nacional de San Martín, da Argentina e com apoio da FNPI - Fundación NUEVO Periodismo Iberoamericano (www.fnpi.org). Ouvir e ler esses relatos dá uma vontade de continuar fazendo algo, insurgindo-se contra periódicos do tipo da brasileira “veja” (minúscula mesmo), a pregar exatamente o contrário, a vida de bonança de uma minoria a massacrar a maioria. Isso eu repudio. Sou do time dos de baixo e histórias como as que fiquei ouvindo nessa semana me tocam profundamente. Fontes de inspiração do que escrevo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012


DICA (93)

MINHA VIRAÇÃO NOS DIAS DE “VIRADA” EM BAURU
Bauru depois de um ano alijada da VIRADA CULTURAL, volta nesse a fazer parte do rol das cidades agraciadas com shows e eventos gratuitos. Discordo da maneira autoritária como são escolhidas as cidades, mas isso é a exata forma como age quem detém o poder de mando no projeto, o Governo do Estado de SP. Na maioria dos casos as cidades são todas governadas por prefeitos do PSDB ou aliados a esses. Bauru fugiu a regra por causa da insistência, em primeiro lugar do atual secretário de Cultura, Elson Reis, que não ficou com a “bunda cravada na cadeira” após ouvir a primeira negativa, foi à luta e na sequência, com o envolvimento do prefeito e políticos outros, tivemos a vaga garantida. Um tapa de luva de pelica em quem não foi persistente no passado (olha essa frase de Oscar Wilde: “Um homem deve ser muito cuidadoso na escolha de seus inimigos”). Isso prova que não basta somente enviar ofícios e na negativa, contentar-se com a resposta. Resignação é demonstração de... (de que mesmo?). Mas isso é
outra história e a nossa, felizmente, teve final feliz. Palmas para o Elson e sua trupe. Eu posso ser contra o projeto em si, mas não seria louco de deixar de participar por causa disso. Vou, como sempre fiz, pois adoro ver o “bloco na rua” e muitos do que aqui estarão se apresentando.
Fiz minhas escolhas dentre tudo o que ocorrerá e está sendo amplamente divulgado no site oficial do evento: www.viradaculturalpaulista.sp.gov.br . A relação é extensa e tem muita coisa local e regional, o que é ótimo. Dentre tudo o que vi relacionado tentarei comparecer nesses:
Dia 19/05 no SESC, 20h, show com LÉO MAIA, “Tributo a Tim Maia”, pai do cantor.
Dia 19/05 no Vitória Régia, 21h, show com o grupo bauruense CLUBE DO JAZZ, dentre eles Ralinho Gomaia e Denise Amaral.
Dia 19/05 no Teatro Municipal, 22h30 show com o violonista EMILIANO CASTRO no show do CD “Kanimambo”, numa mistura brasileira, africana, espanhola e latino-americana.
Dia 20/05 uma espiada de longe no VITÓRIA Regia, 0h, show do “RACIONAIS MC’s” e a possibilidade de rever Mano Brow.
Dia 20/05 no Teatro Municipal, 0h30, show com BIA GOES, numa homenagem aos 100 Anos de Nelson Cavaquinho.
Dia 20/05 no SESC, 11h30, show com o trombonista e trompetista ZÉ DA VELHA E SILVÉRIO PONTES, mestres na arte da Gafieira, com choros e maxixes, todos ótimos para exercitar passos dançantes.
Dia 20/05 no Teatro Municipal, 13h30, BALLET STAGIUM, com o espetáculo da dança “Adoniran”.
Dia 20/05 no Vitória Régia, 15h, show do melhor da mistura afro-brasileira com o afro-americano, com o “GROVERIA” e no mesmo horário no Teatro Municipal o show com uma revelação do samba, ALINE CALIXTO
Dia 20/05, 16h30 no SESC, show com ZÉ RENATO, no lançamento do CD “Breves minutos” (para mim o que de melhor a Virada traz para Bauru).
Dia 20/05, 18h no Vitória Régia o show com o FUNK COMO LE GUSTA.
Fora esse circuito, onde excluo por força de horários a trombar, de rever o amigo LEVI RAMIRO (dia 20, 16h, Teatro Municipal), pela primeira vez nada ocorreria na Estação da Noroeste, lá na praça Machado de Mello, mas os intrépidos do Enxame Coletivo e do Cine Clube Aldire Pereira Guedes vão fazer fuzuê por lá com uma VIRADA ALTERNATIVA. O CinePET - Mostra Universitária exibe amanhã das 22h as 0h na Virada Audiovisual, os seguintes curtas: TRIBULAÇÕES de Shelsea Husch, UNESP, ABUSO de Vitor Romera, UFSCAR, A PROCURA DE UMA DIGNIDADE de Paula Costa e Raquel Feldman, UNESP, POR NÓS, GENI de Rafaela Bortoletto, UNESP, A VISITA de Marianna Shigekiyo, UNESP e SERVIÇO DE PROFISSIONAL de Felippe Lima, UNESP. Além disso, a ONG Periferia Legal, do amigo Vanderlei estará apresentando o Projeto Virada Cultural na PERIFERIA, com muito Hip Hop e Microfone Livre lá pelas bandas do Mary Dota e Beija Flor.
E para que ninguém alegue desconhecimento, dia 23/05, quarta, 21h, no SESC, show com LENINE. As fotos das cinco capinhas dos CDs aqui utilizadas como ilustração são as de alguns dos que possuo aqui no mafuá e estão na ordem de minha preferência. 

quinta-feira, 17 de maio de 2012


UM LUGAR POR AÍ (25)

UMA TARTARUGA EM SOROCABA NA NOITE FRIA DE QUARTA, 16/05
O teatro é tão instigante quando provocativo. Além de fazer pensar, nos faz tirar a bunda da cadeira. Não todos, mas os que assim procedem são encantadores. Foi o que fiz após receber convite, primeiro da atriz Cristina Pereira (que esteve em Bauru com “Abalou Bangu 2”) e na sequência do ator Paulo Betti, uma espécie padrinho do meu romance com a Ana Bia (foi ele quem me apresentou a Ana quando de sua chegada na cidade). Ambos os atores, mais Vera Fajardo e Rafael Ponzi estão se apresentando em Sorocaba (terra natal do Paulo), 270 km de Bauru com a peça “A TARTARUGA DE DARWIN”, texto do espanhol Juan Mayorga. Esse irrequieto casal, querendo rever amigos diletos e tocados pelo tema da peça, demos um breque em tudo e na tarde de quarta, 16/05, nos mandamos para lá. Sintam o enredo da peça: “A tartaruga de Darwin é uma fábula fantástica sobre a história contemporânea, onde a realidade e fantasia se misturam na figura de Harriet (Cristina Pereira), uma tartaruga que Charles Darwin trouxe das Ilhas Galapagos e que está em processo de evolução para a forma humana. Graças a sua longevidade, presenciou algumas das mais emblemáticas passagens históricas. Esteve presente na Revolução Russa, nos campos de concentração nazista, no bombardeio de Guernica, entre outros eventos da humanidade nos séculos XIX e XX. Depois de viver duzentos anos e testemunhar os acontecimentos mais importantes do século XX, Harriet, cansada de viver no chamado mundo civilizado, quer voltar à raízes e passar o resto de sua vida longe dos homens. A tartaruga tornou-se alvo de uma ferrenha disputa entre o Professor e historiador (Paulo Betti) e Doutor e cientista (Rafael Ponzi), além de despertar o ciúme de Bete (Vera Fajardo), mulher do professor, já que este só tem olhos e ouvidos para as revelações da mulher/tartaruga”.
Da peça só tenho elogios. Texto difícil, com o envolvimento dos personagens mais importantes da história da humanidade e o desencanto de quem teve a possibilidade de conviver com gente de todas as índoles, profecias, idolatrias e concepções. Num certo  momento, além de todas as decepções, a assistente do historiador, quando só com Harriet lhe pergunta sobre sua falta de fé, desencanto com as religiões. Ela sem pestanejar: "Vivi duzentos anos, já me certifiquei de que nada disso pode ser mesmo possível. O mundo também chegará nessa conclusão, podendo até esperar mais duzentos outros anos, mas será inevitável". Na saída, após o ajuntamento natural com alguém famoso, que é daquela cidade, saímos com Paulo e Cristina e fomos todos saborear os pães na famosa Padaria Real de Sorocaba (escrevo mais de pães e padarias na semana que vem), rodeados de papos intermináveis sobre pães, peças teatrais, Casa da Gávea, Bauru, escrevinhações (ele não escreve mais para o Bom Dia de lá), vida a dois e colocar as conversas em dia. No fim ganho deste o CD do musical “a Canção Brasileira – A história de amor que gerou o samba-canção”, obra prima que Bauru já viu no Teatro Municipal, sob sua batuta. Aproveito para passar seu contato para o produtor Vinagre, numa tentativa de trazer a Tartaruga para Bauru. Para finalizar Ana envia para eles um e-mail com algo sobre o inebriante dia e nosso modo de tocar a vida: “Super queridos Paulo e Cristina: Ficamos muito felizes com o encontro de ontem.  Não imaginam a felicidade da Neide, amiga de mamãe que nos hospedou gentilmente e ainda teve que acordar às 4 da manhã de hoje quando de lá saímos. Em sala de aula, às 10 da manhã em Bauru - misturei tartaruga com design e deu samba carioca de primeira, daqueles de partido alto! Ô texto du bom! Complexo - imagino difícil pra vocês atores -  e daqueles que faz a gente pensar muito depois do impacto inicial. Pra pensar no tempo é genial também! Parabéns mais do que sinceros. AB”. A vida de um sonhador é preenchida desses pequenos e inebriantes detalhes, que nos faz cavar desvios em tudo o que fazíamos, só para estar ao lado de queridas pessoas. Somos assim e pronto.
DICA PARA HOJE, 17/05, 20H, DR BEER: As vozes de duas irmãs se fundem numa casa nova, ambientada entre a vila Pacífico e a Dutra, DR BEER, no final da av. Elias Miguel Maluf (dentro de um posto de combustível, mas sem cheiro e gosto de gasolina). PAULA VELOSO, hoje radicada no Nordeste e MÁ VELOSO, sua irmã que só toca em ocasiões especiais estarão fundindo repertório e enfeitiçando olhos e corações dos que se dispuser a lá estarem. Sai daqui correndo, pois ontem perdi o show delas no Templo Bar e se perder o de hoje, nem sei mais quando essas duas irmãs estarão cantando e encantando juntas novamente. Quem chegar por último é a mulher do padre.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (48)
O CULPADO DE TUDO É A GRÉCIA. AQUI É O “LULA, DILMA...”
O capitalismo encontra culpado para tudo o que não esteja a seguir fielmente os seus ditames. Na Europa, a Grécia, que durante anos esteve atrelada, calada e vilipendiada ao que lhe impunham os donos do poder, no caso a Alemanha, França e outros menos imponentes. Quebrou, em algo inevitável, quando o desvio aos reais interesses nacionais é evidente. Dentre tantos outros de menor valia (montante, viu!), como Portugal, Irlanda, Islândia e hoje até a Espanha e a Itália. A Grécia foi dada como a bola da vez, o fiel da balança. Quebrando o elo e se desatrelando ao Mercado Comum Europeu algo inimaginável e que se ocorresse, poderia gerar um efeito cascata. Bancaram parte da conta grega, mas não o suficiente para ela respirar por conta própria. Nos probleminhas de percurso, governos ditos socialistas são eleitos na França e na Grécia. Teriam coragem de romper a aliança do capital e decretarem independência? Muito provável que não, mas a única experiência de libertação já ocorreu e foi muito bem sucedida. Foi na pequena ilha, a Islândia, que encurralou seus banqueiros, o povo foi para as ruas e gente graúda foi em cana. Sabe o que aconteceu? As finanças estão se recuperando. E por que não o mesmo ocorrer na Grécia, Irlanda, Portugal, França? Para os detentores do capital, calote é desastroso, pois quebram e daí para frente será esclarecido seus métodos nada ortodoxos de fazer dinheiro e de se manterem poderosos. Autonomia de povos é o que menos conta para quem detém grana alta em circulação.
Por aqui algo lindo. Ouço nesse momento uma rádio bauruense fazendo uma pesquisa entre seus ouvintes se no Brasil existe Liberdade de Expressão e de Imprensa? É claro, vão responder que sim. Faça um teste. Experimente tentar falar ou publicar nos órgãos ditos livres algo a contrariar sua linha de pensamento e de interesses. Impossível. O que seria isso? A revista “veja” (minúscula mesmo) pode fazer acordo com bandido para atingir seus adversários, num ato onde não preserva a fonte, mas se associa aos métodos do bandido. Pior do que o bandido e toda a grande imprensa referenda seus métodos. Estou louco ou não entendo mais nada. Tudo bem, que petista e tucano são farinha do mesmo saco, saindo um e entrando outro, tudo continua com dantes, roubalheira avassaladora e inconteste. Mas a dita imprensa livre (sic) age de forma diferenciada com um e outro. Leio hoje que a TV Globo está querendo brecar a propaganda partidária do PT nesse canal, usando como artifício a data de entrega do material (15 dias ou sete dias antes da exibição). Uma queda de braço, onde o Governo Federal usa de sua força agora, mostrando que o dono do negócio é ela e não quem dirige a TV ou penará muito daqui para frente. Já que ambos os lados são iguais em muitas coisas, por que a dita livre e democrática imprensa faz questão de escarafunchar somente os crimes de um dos lados, sendo que o outro é tão ou mais meliante? Isso não me entra na cachola...

terça-feira, 15 de maio de 2012


ALFINETADA (98) - a cada mês, na ordem, reproduzo três textos, iniciados em 2000.
APONTAMENTOS DA PERIFERIA DE PIRAJUÍ (04) - UM VIOLEIRO DE PIRAJUÍ EM BAURU – publicado no semanário O Alfinete nº 68, 17/06/2000:

“Dias desses, fui ao recém-inaugurado Teatro Municipal de Bauru assistir a um evento de catira. E qual não foi minha surpresa ao me deparar com um violeiro, verdadeiro cabra da peste, que entre um show do pessoal do Clube da Viola, enquanto aguardávamos os catireiros, adentra ao palco um personagem de Pirajuí. Com uma camisa xadrez, duas violas embaixo do braço, esbanjando simpatia e falante por todos os poros. Era o LEVI RAMIRO em pessoa. Figura das mais simpáticas. A propaganda havia sido feita pelos apresentadores, que alardeava que ele mesmo fabricava suas violas. O som e a afinação estavam uma maravilha. Levi deitou e rolou. Acabou se dando muito bem numa outra especialidade sua: a de contador de histórias e causos caipiras. Todos deram boas risadas, principalmente quando ele cantou e contou a música “A Espingarda”. Acho até que o Levi deveria passar a letra para a publicação neste semanário. Ainda mais porque ele fez questão de fazer uma justificativa, afirmando nada ter contra o pessoal da Terceira Idade. Cobrem a letrado violeiro para saberem dos motivos. O bonito disso tudo é que por mais que nossas TVs e rádios insistam com aquelas musiquinhas chatas, nós, enquanto povo, resistimos e não perdemos nunca nossa verdadeira identidade. A cada momento, andando por aí, despontam vários Levis, demonstrando que tudo por aqui ainda é possível. O cabra é muito bom e merecedor de uma cantoria daquelas bem caprichadas, a ser executada aí no centro cultural da pracinha central”.
APONTAMENTOS DA PERIFERIA DE PIRAJUÍ (05) – RECUPERE UM AMIGO – publicado no semanário O Alfinete nº 69, 24/06/2000:
“Gostaria de lançar nas páginas d’O Alfinete uma campanha de utilidade pública, de forte apelo publicitário. Ela é muito simples e objetiva. RECUPERE UM AMIGO devolvendo aquele objeto emprestado e não devolvido. Nós brasileiros, infelizmente temos esse hábito, o de emprestar as coisas e não devolvê-las. Pois bem, agora no momento de visitar esse amigo, aproveite e leve de volta aquele livro que está contigo há muitos anos e que não lhe pertence. Leve para aquele outro amigo, o disco/CD que já estava incorporado na sua discoteca, mas que infelizmente não é seu. Emprestar e não devolver é coisa feia e ninguém está isento desse mal. Basta dar uma boa repassada nos nossos pertences e vamos acabar encontrando livros, discos e outras coisas dos mais variados donos. Pior que padecer desse mal é estar ciente do delito, continuar encontrando o amigo com frequência e agir como se nada tivesse acontecido. Devolva já e constate a fisionomia de recuperação estampada no semblante daquele que fazia cara feia até momentos atrás. Eu mesmo estou terminando de separar tudo o que não é meu e cuidando de devolver rapidinho. Faça o mesmo, pois o verdadeiro dono nunca se esquece  daquilo que lhe pertence. Talvez não tenha coragem para lhe cobrar, mas sempre que bate os olhos em ti, sabe que é um caloteiro. Recupere esse amigo perdido. Abaixo a cretinice que está instalada em cada um de nós. P.S.: O autor é um membro honorário da entidade de classe dos Emprestadores Juramentados de Livros e Disco e está revoltado com a perda de parte de seu acervo para os ditos amigos”.
APONTAMENTO DA PERIFERIA DE PIRAJUÍ (06) – O MISTÉRIO DA FALTA DE RESPOSTA – publicado no semanário O Alfinete nº 70, 01/07/2000:
“Nós, uma imensa legião de pessoas que gostamos de escrever cartas, que ainda mantemos esse salutar hábito, emitindo opiniões sobre os mais diferentes assuntos, mantemos entre si um certo código de ética, podendo ser facilmente traduzido no que o jornalista Alberto Dines recentemente escreveu numa revista de grande circulação. Dines defende a ideia de que o brasileiro peca pela falta de resposta: ‘um submistério, incapacidade de sustentar o diálogo. No sistema social vigente somos bombardeados por uma série de solicitações, escolhemos aquelas que nos tocam, nos estimulam e iniciamos o intercâmbio. Que deve levar a um desfecho’. Simplesmente, para dines não há o desfecho. O brasileiro abandona o assunto antes de ser concluído. Para ele, ‘o fogo de palha domina o nosso sistema de relações pessoais’, Jornais levantam uma manchete e alguns dias após, o assunto é esquecido. Recebemos cartas e as deixamos no fundo das gavetas, sem resposta. Escrevemos muito pouco. E agora, com a efervescência do computador, ao que tudo indica, a grande maioria da troca de mensagens são de temas menos nobres. O jornalista conclui afirmando: ‘sabemos que o brasileiro não responde cartas (está ai um mote para uma sensacional campanha dos Correios). A réplica é uma das partes do diálogo. Sem ela, o processo de geração compartilhada de ideias emperra, não se desenvolve, fica manco. Corta-se a aproximação, distanciam-se os interlocutores’. Escrever faz tão bem, que não pude evitar de repassar essa mensagem adiante. Coloquem-na em prática”.