sexta-feira, 22 de junho de 2012

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (65)
DAE – UMA SERVIDORA EM SUA DEFESA E OS DOIS LADOS DA QUESTÃO
Pela Tribuna do Leitor, do Jornal da Cidade nasceu e cresce uma polêmica envolvendo missivas de leitores contras os desmandos no DAE – Departamento de Água e Esgoto de Bauru, todas respondidas de forma veemente por uma servidora, ressentida pela forma generalizada como estão a tratar o tema. Repercuto isso aqui pelo blog. Tudo começou há muito tempo, pois os problemas do DAE são certos e sabidos, poucas as soluções. Em 17/06, Ana Paula Silva escreve “O DAE que dá medo”, ressaltando: “...hoje uma empresa em cacos ...é falta de competência ...chefes sem qualificação técnica necessária  ...no cargo somente por causa de indicação de políticos demagogos ...até amigos do prefeito ...não existe logística no transporte, tampouco manutenção preventiva ...não há plano administrativo ...tem que afastar pessoas sem qualificação técnica ...feudo que existe no DAE ...o que farão com tantos cargos no DAE?”. No dia seguinte, 18/06, com o mesmo título escreve Flávia Brinner corroborando com o que Ana havia escrito: “...pessoas que não têm o mínimo de conhecimento da área participam de todo o processo de compra ...eles têm o poder de decisão ...encarregados que não sabem nem o que estão fazendo ...como pode, Sr prefeito, confiar processos de compras a essas pessoas?” e por fim, também com o mesmo título, no dia 20/06 escreve Miguel Arcanjo do Amaral e esse tocando em algo mais polêmico: “O DAE não é diferente dos órgãos públicos mostrados na reportagem do Fantástico no que se refere a concursos ...faz parte da família e até mesmo como indicada politicamente ...consegue que filhos, noras e maridos de funcionários consigam entrar no DAE através de concurso ...o MP tem obrigação de acabar com essa farra de concurso no DAE”. Todos se intitulam “daeanos de coração” e acredito.

Aí entra o posicionamento firme e incisivo da servidora do DAE, MARTA RODRIGUES JONAS, que em duas cartas publicadas de forma seguida, a primeira em 20/06, com o título “O DAE NÃO DÁ MEDO!” (aqui na íntegra: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=223657 ) defende a autarquia e dirige-se aos três missivistas: “...hoje está sendo bode expiatório da sociedade bauruense ...não podemos generalizar uma matéria na TV e nem podemos comparar funcionário público que entra pela porta da frente ...nós, funcionários concursados nos sentimos ofendidos com muitas cartas que chegam generalizando a situação ...gostaria que os senhores antes de criticar se inteirassem dos assuntos internos da situação do DAE ...Basta da população bauruense apedrejar os funcionários do DAE” e ontem com “DEFESA DO TRABALHO SÉRIO” (aqui na íntegra: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=223676 ): “Venho reiterar a defesa de todos os funcionários concursados  da autarquia e convidar a todos os bauruense de bem, que felizmente são a maioria, em defesa do DAE, que é patrimônio da população bauruense”.

Li tudo e não tiro a razão, nem de um nem de outro. Ânimos exaltados estão todos os que se interessam pelos rumos do que foi, do que é e do que poderá vir a ser o DAE. O que ocorreu nas três cartas (Ana, Flávia e Miguel) é o desejo de ver uma mudança ocorrendo, de ver o DAE voltando a ser o que foi no passado e eliminar de vez os maltratos atuais. Precisam tomar cuidado em quais são suas fontes de informação sobre o que acontece de fato e direito no DAE, pois a generalização ocorrida é doída para quem o carrega nas costas, seus funcionários de carreira (e alguns dos de confiança também, pois muitos desses envergam e suam a camisa daeana), sem nenhum poder de decisão, ou seja, sem influência decisória nos seus destinos e vida normativa. Trabalham com afinco, enquanto uma casta dirige o órgão, enquanto cargos de confiança flutuam e pululam ao bel prazer do administrador. Aqui falta um posicionamento esclarecedor do Sindicato da categoria, separando alhos de bugalhos. A população precisa entender o que são uns e outros, entendendo também que nem todos os funcionários de carreira são coesos na defesa do DAE, pois é sabido da existência de muitos lá dentro que jogam a favor da privatização e instigam esse clima atual, pois no quanto pior melhor, mais fácil a transição do repasse para a iniciativa privada. Esses, mesmo qualificados, estão no mesmo nível dos desqualificados, pois já não defendem o DAE e sim, os interesses privatistas. Marta é do time dos que trabalham com afinco, “daeana de coração, corpo, alma, sangue e suor de todos os dias”, como escreve numa de suas cartas. Essa nau à deriva precisa retomar seu rumo e ela sabe dos perigos que o lugar onde trabalha corre, pois dias desses ficou famoso o embate verbal que teve com o prefeito na entrada do prédio da rua padre João, quando o interpelou com algo nesse sentido: “Nós sabemos que o Sr já entregou o DAE, ele já não nos pertence. Está só esperando o momento certo de como proceder e divulgar isso. E isso não aceitamos”. Coragem não lhe falta, assim como de tantos outros. O que a população precisa entender é como separar o joio do trigo. Marta é trigo puro e acredito, possa estar se transformando num símbolo desse momento em que o DAE vive.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

CARTAS (87)
OLHO CLÍNICO É O “APARTHEID” DO POLICIAL – publicado na Tribuna do Leitor, Jornal da Cidade, Bauru SP, edição de hoje, 21/06/2012.
Parado num “Comando” da Polícia Militar, nas cercanias do Shopping Center na última sexta, 15/06 por estar com a documentação do veículo conduzido por mim vencida há um ano, algo creditado como irrefutável para ter o mesmo guinchado, bastou-me permanecer no local a observar o trabalho policial até a remoção do meu meio de locomoção. Nesse período, aproximadamente 20 minutos, algo a comentar e o fiz para o policial que me entregou a documentação da multa e do guincho. “Vocês só abordam carros velhos?”, disse. Causei espanto. Não para mim. Outros entraram na conversa, não me convenceram e a nítida constatação, demonstra certa previsibilidade, junto a certo grau de preconceito embutido na ação. Feita a olho clínico por um deles, plantado no início da blitz, o critério “principal” é o de apartar os veículos que na sua visão devem se enquadrar nas suas estatísticas como tendo a maior probabilidade de apresentarem problemas na documentação, consequentemente na conservação do veículo. Muitos passavam incólumes e a maioria destes, com absoluta certeza, eram veículos mais novos, os do tipo “zero km”.

O espírito predominante me deu a impressão de uma máquina registradora. Se existe o “olho clínico” do lado de lá, existe também do lado de cá. Quem toca a vida com dificuldade, tem sempre seus problemas ampliados e em alguns casos, quem patrocina a “fiscalização” é também alguém na mesma condição, só que, naquele momento investido de “autoridade”. O policial raso é tão explorado, como a grande maioria dos que tiveram problemas naquela noite. Só que ele, investido desse poder (acatando ordens superiores, claro), reproduz a exclusão, pois aborda uns e deixa de fazê-lo com outros. Não tentem me provar o contrário, pois tudo o que virá é conversa fiada.
O que quero dizer com tudo isso. Simples. Existe embutido no seio do órgão que faz a fiscalização de nossas ruas, seja no caráter trânsito, violência urbana, abordagens nas ruas, etc, uma premeditação de quem possua o estereótipo “problemas à vista”. É o pobre. Não entendam isso como crítica e sim, constatação (também visual). Algo está errado no nascedouro, nos cueiros educacionais de quem forma o elemento para agir nas ruas, pois lhe embute, talvez até de forma inconsciente, esse “apartheid” social. E o mais abastado é tão ou mais infrator que o menos abastado. Porém, nada a estranhar numa polícia, que todos sabem ser o braço
 armado do Estado, pago para defendê-lo e como ele o é o maior propagador da diferenciação de classes, nada mais normal de que um dos órgãos fiscalizadores tenha como linha mestra o mesmo procedimento.

Sempre foi assim, desde os princípios da Polícia Militar. Isso é histórico (muito antes do tempo em que o Dondon jogava no Andaraí) e serve como bom motivo de debate e observação. Querer que a atuação policial atue de forma diferente, com seu leque de visão abrangendo indistintamente todas as camadas sociais é pedir demais dentro da vigência de um Governo excludente e patrocinador da exclusão. Um sendo cabo de transmissão do outro, nada mais justo que um seja a cara do outro. Mudar isso? Como diria uma celebre música, o “problema é o regime”. Isso é inerente ao capitalismo, unha e carne. Finalizo com dois exemplos concretos do que relatei.
No primeiro uma senhora teve seu velho veículo guinchado essa semana somente pelo fato da placa estar com a tinta apagada, mas dias antes havia sido multada num radar fotográfico. Para a multa é legível, para o “olho clínico” do arrecadador não. Por fim, dias 21 e 22/06 teremos leilão da Ciretran de Bauru e dentre os 1300 veículos arrolados, imagina quantos são novos?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

FRASES DE UM LIVRO LIDO (60)
A SAGA DE 75 ANOS DOS SAMPAIO NA PRAÇA MACHADO DE MELLO
Encontro casualmente com o JUAREZ VIEIRA SAMPAIO no saguão do Banco do Brasil, agência da 1º de Agosto. Sempre fomos gentis um com o outro. Disse-lhe do livro dos 75 anos da Casa Sampaio e ele me surpreende, pois carrega sempre consigo alguns. Ganho o meu de presente e com direito a dedicatória: “Ao HA um professor da arte de escrever. Abraços do Juarez, 18/06/2012”. Antes de escrever do livro, lido de uma só talagada, desfio uma história compartilhada anos atrás com ele. De 2005 a 2008 fui Diretor dos Museus e responsável pela questão do patrimônio cultural na cidade. Juarez sabendo disso e acompanhando pelos jornais a história do rico acervo do jornalista Luciano Dias Pires (tudo guardado de forma indevida, mofando num sítio em lugar inadequado para acervo histórico), me procura e pede para intermediar uma sugestão ao memorialista. O andar superior da edificação da Casa Sampaio (rua Monsenhor Claro, entre a Rodrigues e a Batista) estava desocupado e tudo poderia ser ali colocado, sem nenhum custo, sendo oferecido até vaga na garagem para veículo do responsável. Luciano não aceitou e tudo continua até hoje no tal sítio, não se sabe em que condições (e hoje chove muito aqui na cidade). Dizem que o JC abrigará tudo numa Fundação, ainda em fase embrionária. Ótimo e uma coisa não inviabilizaria a outra, pois aceita a sugestão do Juarez, tudo estaria devidamente guardado até a solução final. Antes disso, ele me conheceu numa noite festiva no Automóvel Clube, evento da ACIB e desde então percebo ser uma pessoa realmente interessada em algo edificante para Bauru.
Comprovo isso com o lançamento do livro “Sampaio - 75 Anos”, lançado no início deste ano. Foi a forma de retribuir à cidade pelo que ela proporcionou para o empreendimento, hoje dirigido por ele. Juarez encerra a obra com um: “75 anos não se faz com facilidade”. Juarez contou na pesquisa com a ajuda do amigo Irineu Azevedo Bastos e em 72 páginas desfia algo inédito em relatos pessoais de histórias de firmas familiares. Ele não passa por cima dos entreveros, inevitáveis num período tão longo de existência. A leitura é saborosa e remonta os primórdios da família: “Os Sampaio são parentes de um governador da Índia, são descendentes do fidalgo espanhol Gutierrez e vieram para o Brasil representados por três irmãos". O patriarca foi José Ferraz Sampaio, nascido em 1904 e falecido em 1974. Muito do relatado é história do desenvolvimento da família, dentre os quais conheço três pessoas, o Juarez, o Wallace Sampaio (do Clube dos Dirigentes Lojistas, com quem trabalhei na Prefeitura) e Zeila Oppermann Sampaio (professora de francês e diretora da Aliança Francesa até a venda do prédio e seu fechamento).
Algumas peculiaridades. A Sampaio, como a Luzitana são de um tempo que os funcionários mais antigos podiam até se transformar em sócios da empresa. A coragem do dono em recusar pagar uma duplicata fria cobrada por um banco, publicando num jornal: “Com prazer pagamos o que devemos, mas de forma nenhuma o indevido. Pedimos a todos que se julgarem nossos credores, com prazo vencido, a se apresentarem para imediato pagamento, inclusive aos bancos portadores de títulos”. José é de uma época em que se tinham muitos filhos, tanto que ouviu certa vez de outro comerciante:“Se eu tivesse seis filhos, seria o maior comerciante do país”. Linda a passagem em que diz que o pai nunca leu um livro de economia ou administração em toda sua vida, mas incentivou todos aos filhos a estudarem, revelando não ter preconceito pelos que vencem sem estudos, como o ex-presidente Lula. A Casa Sampaio vendia de tudo, fez fama dessa forma e após a morte do fundador, alguns anos difíceis, muitas divergências entre os herdeiros, tanto que quando vinham lhe perguntar dos demais, dizia: “Estão no senadinho resolvendo problemas”. Explicar o que venha a ser o senadinho é desnecessário, mas vá lá, estavam no lazer. Interessante a versão dele para a solução das empresas com sucessão familiar: "O fundador deve preparar aquele que for sucedê-lo com bastante antecedência, mas não revelar isso aos demais herdeiros. Há um ditado popular que diz que os filhos são como os dedos da mão, uns são diferentes dos outros. Eu sempre procurei ser o polegar”. Experimente escrever sem usar o polegar, impossível. Por fim uma revelação boníssima: “Justiça seja feita, a empresa teve uma vida mais longa após a morte do fundador por mérito dos funcionários”. Juarez é um comerciante cheio de garra, batalhador e enfrentador de chuvas e trovoadas. Gosto de gente assim e hoje, ao seu lado, o único filho, José Ferraz Sampaio Neto. A “Sampaio” resiste na Praça Machado de Mello, pois de tudo o que ali existia só sobraram ela e o Hotel Cariani. Nem a praça é mais a mesma e a estação continua com a promessa de ser restaurada. Outra coisa, ele é um bom contador de histórias e numa aproximação, encontre tempo, pois assunto é o que nunca faltará. Relembrar o passado é algo inebriante. Juarez sabe disso e exercita quando e com quem tem tempo para escutá-lo. Eu sempre que o encontro, gosto muito.

terça-feira, 19 de junho de 2012

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (70)
AS ÚLTIMAS DAS ÚLTIMAS, RELATADAS POR UM REPRESENTANTE DA "TURMA DO FOI"
A – Quando abre uma livraria nova eu solto rojões, bato palmas e procuro ficar amigo dos seus donos. Todo dono de livraria é um visionário em potencial. Alegria incontida, num país onde ler é objeto de raro consumo. Quando fecha, ocorre o inverso. Tristeza sem fim, incomensurável. Escrevi aqui nem um ano atrás sobre a abertura da Nobel, da rua Alberto Segalla e nessa semana, tudo por lá cerrado, papéis cobrindo as paredes de vidro. É mais uma que não resiste de portas abertas a avassaladora gana de consumidores por produtos supérfluos e pouca, quase nada literatura. Nem quero saber dos motivos, pois todos livreiros vivem em estado de extrema dificuldade. Três dias de luto fechado.
B – Nessa semana, 22/06, sábado, o maior grupo varejista do país, o Pão de Açúcar passará a ter outro dirigente máximo. Num acordo feito em 2005, quando Abílio Diniz aceitou um sócio francês, o Naouri, ficou estabelecido que nessa data Abílio passaria o bastão para o francês. A data chegou e hoje, os sócios vivem em estado de guerra declarada. Acusações mútuas, como ocorrem em qualquer empresa entre sócios e negócios grandiosos. Coisas do capital, onde o que menos existe é ingenuidade. O que me leva a escrever, mesmo com tudo o que sei dos bastidores lá deles, é por gostar demais de fazer comprinhas nesses mercados da Pão (principalmente num aqui na rua Araújo Leite) e será mais um grande negócio onde o empresário brasileiro deixará de comandar o grupo. Tudo ali foi feito para quem compra em pequena quantidade e isso tem a minha cara, como uma espécie de mercearia, talvez ao estilo da que o pai do Abílio abriu inicialmente em 1948.
C – No último domingo, 17/06, 9h, vou conferir a Corrida da Longevidade ali no parque Vitória Régia, quando mais de oito mil pessoas saem às ruas, todos vestidinhos com uma camiseta vermelha com as cores do patrocinador, o banco Bradesco. Duas pessoas me chamam a atenção no meio do intenso burburinho e esse escrito é só para reverenciar algo sobre eles. Primeiro o artista plástico Walter Mortari, que com mais oitenta e lá vai fumaça não perde uma dessas caminhadas, depois, o cabo Alcides, um dos baluartes do esporte bauruense no quesito preparação física. Ele, pelo que fico sabendo, continua em plena atividade em bairros da periferia e ao vê-lo, mesmo sem querer, o que me recordo é de sua participação no Noroeste, tendo sido preparador (e dos bons) por décadas. Continua forte como aroeira, resistindo ao tempo e as intempéries, fruto de sua vida espartana de dedicação ao esporte. Gosto demais de louvar gente assim.
D – A política como feita hoje é mesmo máquina de fazer doido e a endoidecer os ainda ideologicamente atuando nela. Como será possível a proba Erundina estar ao lado de um Maluf no pleito pela prefeitura paulistana? Como terá sido o acordo para estarem tão alinhados Dudu e Tobias, rivais contumazes e antagônicos como a água e fogo? Como Perillo, Gilmar, Veja e Gurgel conseguem se safar jogando a culpa de tudo no mensalão e nem citam a Privataria Tucana de maior rombo? Como um candidato a vereador nitidamente não socialista quer conseguir vaga e briga por isso, num partido cuja sigla tem socialista até no nome? Como participar disso tudo? Meu negócio é espezinhar quem participa disso.
E – Quando eu escrevinho aqui da Feira do Rolo acham que exagero, mas é que lá acontece de tudo. Confiram mais uma desse último domingo, 17/06, sempre na banca de livros do Carioca, local inevitável de fazer e consolidar amizades, bater papo com gente de tudo quanto é laia, linha, postura e conduta. Sou dos que batem cartão e de um deles, o jornalista Benedito Requena ouço: “Quando não venho aqui num domingo, a semana parece ter 14 dias”. Depois a me ver dizendo que todos os frequentadores do lugar eram da turma do foi, relembradores do passado, saiu com essa: “Quem muito foi é que é”. Ainda dele, estava inspirado e com um livro do Fernando Pessoa nas mãos declamou o poema Autopsicografia.
Em tempo: Do lado esquerdo fotos tiradas na Feira do Rolo e na direita, na Corrida da Longevidade, todas dia 17/06/2012.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

INTERVENÇÕES SUPER-HERÓI BAURUENSE (38)
PASSOS DE TARTARUGA NAS DECISÕES PELA IMPLANTAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL EM BAURU
Guardião, o super-herói bauruense adora folhear jornal velho, conferir se promessas são cumpridas e nos dois locais, algo a demonstrar a morosidade de algumas decisões políticas na cidade de Bauru. Na primeira, no Jornal da cidade de 17/08/2011 (http://www.jcnet.com.br/noticias.php?codigo=239513) e no Bom Dia de 24/01/2012 (http://www.bomdiabauru.com.br/noticia/detalhe/11054/), ambos anunciando a instalação da primeira Universidade Federal na cidade. O IFSP – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (http://www.ifsp.edu.br/) estava sendo anunciado com oito novos campus para o estado, um deles em nossa cidade. “O fato é que o tempo não para e Bauru não decide o mínimo para que a construção ocorra. Falta a Prefeitura definir o terreno e também efetuar a doação, a transferência para o Governo Federal. Para outras instalações tudo ocorre mais rápido, principalmente quando envolve a iniciativa privada e nessa a predominância do PASSO DE TARTARUGA. Por que? Em Marília tudo já foi definido e a construção está em estado adiantado. Qual seria a urucubaca bauruense?”, pergunta nosso super-herói.
“A demora possibilita especulações circulando pela cidade. Filtro aqui algumas delas. 1) As universidades privadas da cidade fazem jogo pesado e consistente lobby para que tudo fique do jeito que está (não faça o jogo deles, Sr prefeito); 2) Por ser iniciativa do Governo Federal e não do Estadual muitos fazem corpo mole na agilização do processo (não entre nessa, sr prefeito); 3) A gleba do terreno reservado para doação seria muito maior que a área necessária e já dizem que poderá ser dividido para construção do novo Fórum (decida logo, Sr prefeito); 4) Nossos governantes não estariam preocupados com a instalação de mais uma escola pública por aqui (mostre que não é isso, Sr prefeito) e por fim 5) Simplesmente, esqueceram de dar prosseguimento da questão (ainda dá tempo, Sr prefeito)”, são as indagações do sempre atento Guardião.

Quando do anúncio, após o pontapé inicial dado pelo deputado Nelson Marquezelli, até uma comissão foi criada na cidade, reuniões múltiplas e variadas, visitas à Brasília (muitas delas, vai e vem interminável) até a definição de uma área junto da avenida Nações Norte. Depois o tempo passou e tudo caiu no esquecimento. O processo ainda nem foi encaminhado para nossos vereadores aprovarem e isso, todos sabem, depende também da boa vontade deles (Ioutro empurrãozinho se fará necessário). “Estariam esperando completar o primeiro aniversário do anúncio para definir algo? Estariam esperando tudo cair no esquecimento para sepultar o assunto? Estariam esperando o enfezamento do Governo Federal e o cancelamento da concessão? Estariam capinando tudo lentamente, sem pressa e só depois de tudo limpinho, medição feita com fita métrica o anúncio definitivo seria feito? E de estariam em estariam a cidade continuaria na espera”, essas as conclusões do nosso atento Guardião. O fato é que o assunto está esquecido e como o que mais se tem visto nos últimos dias é dizerem que a pauta da Câmara de Vereadores está fraca, eis aí um bom tema para uma profícua discussão.
Em tempo: Guardião é criação do traço do desenhista González (www.desenhosgoncalez.blogspot.com), com pitacos desse mafuento escrevinhador, o HPA.

domingo, 17 de junho de 2012

UM LUGAR POR AÍ (27)
A GLOBALIZADA CONCENTRAÇÃO POPULAR NA “BOQUERIA” EM BARCELONA
Nessa semana dei uma longa entrevista para uma aluna do Curso de Jornalismo da UNESP sobre um dos locais onde me sinto como se estivesse em casa, a FEIRA DO ROLO. Nem sei direito como tem pintado essas entrevistas, pois sou só um admirador do lugar, tenho poucos contatos lá dentro e percebo que aquilo tudo não tem uma liderança bem formatada (seria o anarquismo semplo implantando no país?). Como moro ali do lado, frequento aquilo como extensão de minha casa. Acredito que dessa vez foi uma ligação da aluna para alguém da Cultura Municipal e lá me indicaram. Talvez também por não parar de escrever sobre o local aqui no mafuá. Ou isso tudo junto, ou porque sou falador mesmo. É que gosto cada vez mais de lugares assim, onde o povo pode se reunir sem proibições e problemas outros. A Feira do Rolo é algo que vai além de mim, pois por onde ande tento ver e sentir as emoções de lugares onde prevaleça a aglomeração popular. Esses locais, de grande concentração de pessoas, não para o comércio convencional sempre me atraíram. E como tenho viajado um bocadinho, por onde passe, encontro tempo para conhecer novidades.
Na Espanha, mais especificamente em Barcelona perdi a oportunidade de conhecer uma feira popular realizada aos sábados, pertinho da avenida Diagonal, próxima do hotel onde fiquei hospedado e pelo único motivo de estar voltando para o Brasil justamente naquele dia. Da janela do táxi me transportei para aquele “furdunço” de gente e uma tristeza pela oportunidade perdida. Foram sete dias em Barcelona no final de abril e um dos locais que mais pisei foi na popular Las Ramblas, uma avenida com um canteiro central, onde regularmente a cidade se encontra. É lindo isso, A CIDADE SE ENCONTRA. Aos finais de semana muitas barracas expõem um pouco da cara escondida (para muitos, oculta) de Barcelona. O vai-e-vem desse lugar eu conto aqui qualquer dia, mas hoje minha escrita é sobre outro lugar, também marcante.
Descendo pela Las Ramblas, quase no final, pouco antes da praça com a estátua do Colombo, entrando à direita um local de congraçamento popular e gente do mundo inteiro esbarrando umas nas outras. É o Mercado Popular da BOQUERIA (http://www.boqueria.info/),  muito parecido com o Mercadão de São Paulo, com o Mercadão de Madureira e a Feira de São Cristovão no Rio, com o Mercado da Praça Osório e a da do Largo da Ordem, em Curitiba e tantos outros. Em Jaú e Marília, aqui pertinho existem mercados com essas características, antigas construções e algo mais além dos bares. Algo com essa cara existe espalhado por todo canto (Cairo, Instambul, Buenos Aires, Hong Kong, Paris, Londres...) Num dos quiosques algo bem nosso, só produtos brasileiros, desde cerveja, cereais e enlatados. Quem me deu a dica em primeiro lugar foi um taxista, e essa de Barcelona eu gamei de cara. Voltamos três vezes (Eu, Ana e sogra Darcy) e foi um dos lugares onde mais tirei fotos. Não pesquisei sobre a história do lugar, não parei para muitas indagações, mas comi algo e bebi sucos variados, além de me encantar com os coloridos balcões lotados de frutas (viaje pelo mapa do lugar: http://www.boqueriamap.com/). mineiro por sinal, que disse ir se abastecer por lá de produtos do Brasil. Conferindo, fiquei hipnotizado pelo lugar.
Acredito que as fotos dizem mais do que as palavras. Lugares assim são universais. Bauru teve um esboço de algo assim no passado, o Mercadão onde hoje está o Teatro Municipal. Resta na cidade nossas feiras em ruas e a babilônia já citada no começo do texto. Da Boqueria, como de todos os lugares com essas características, algo como um imã a me atrair. Por fim, uma confissão para encerrar o texto: Gosto muito de lugares  assim do que qualquer passeio por um shopping Center. Querendo ir além do visto aqui, com uma passadinha rápida pelo Google existe uma infinidade de opções de navegação para conhecer o lugar. Eu trouxe recordações visuais que nunca mais me sairão da memória. Viva La Boqueria e o Las Ramblas, e também a Catalunha (bandeirinha vermelha e amarela tremula pela cidade inteira – trouxe a minha), algo bem diferente do restante da Espanha. E voltando para a minha aldeia, viva a feira do Rolo, pois hoje é dia de bater cartão no seu chão de paralelepípedos.

sábado, 16 de junho de 2012

ALFINETADA (99)
APONTAMENTOS DA PERIFERIA DE PIRAJUÍ 07 – COMO É BOM RELEMBRAR O PASSADO” (publicado n’o Alfinete, edição 71, 08/07/2000).
Aqui em Bauru, quando se fala em reconstituição histórica, buscando algo no remoto passado da cidade, duas pessoas são referências no assunto. Falo dos memorialistas Gabriel Ruiz Pelegrina e do Luciano Dias Pires. O professore Gabriel , tem um arquivo pessoal dos mais valiosos, tanto que doou tudo para a USC (Universidade do Sagrado Coração) e instalou lá o seu quartel-general, com o nome de Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica de Bauru e região. O jornalista Luciano, toca o jornal “Bauru Ilustrado” há muito tempo, saindo encartado mensalmente no “Jornal da Cidade” e administra o Centro Histórico da ITE (Instituto Toledo de Ensino). Ambos são constantemente lembrados quando alguém quer relembrar nosso passado. Os dois, com memória de elefante, não deixam escapar nada. Sabem e falam de tudo um pouco e quando o fazem, tudo é afirmado baseando-se em documentos guardados por eles como se fossem tesouros. Ferrovias, futebol, política, índios, greves, gafes, personalidades... não se esquecem de nada, no fazendo relembrar de tudo. É de uma preciosidade sem comparação ter seus textos e de um sabor inigualável ouvi-los pessoalmente. Só quem os conhece pessoalmente sabe do que estou falando. Gabriel e Luciano são uma riquíssima fonte de consulta e pesquisa e tratados com um carinho enorme, por todos aqueles que dão uma importância para o passado dessa cidade. Vivem totalmente dedicados a esse trabalho de restauração e resguardo do que viveram nossos antepassados. Entrar no âmbito de trabalho desses senhores é viajar pelo passado, sem ter que pagar passagem, pois quer queiramos ou não, vivemos muito em função de fatos já acontecidos e que não podem nunca serem esquecidos. Gosto muito de entrar no mundo desses dois senhores.
APONTAMENTOS DA PERIFERIA DE PIRAJUÍ 08 – “A IMPORTÂNCIA DO JORNAL LOCAL” (publicado n’O Alfinete, edição 72, 15/07/2000).
Caro leitor, você nem pode imaginar a importância que um jornal, ao estilo d’O Alfinete pode ter para uma cidade como Pirajuí. Hoje, nesse nosso modo globalizado, as notícias também nos chegam globalizadas e tudo o que acontece numa cidade de pequeno porte é deixado
de lado, por quase não existir mais quem os divulguem. Se queremos saber o que acontece no nosso Estado ou no Brasil, estão aí os grandes jornais e a TV. E os acontecimentos locais? A rádio propaga as notícias, mas quem as imprime? Aí é eu surgem órgãos como O Alfinete, tendo que ser, cada vez mais, propagadores da notícia local, deixando o grande fato para os outros órgãos divulgar. Jornal até que a gente vê muito por aí, muitos com um direcionamento definido, atendendo a interesses de uns poucos. Esses tem vida curta, pois não tem como prender a atenção dos leitores. Ficam naquela lenga-lenga, puxando sempre a brasa para o lado de algum grupo. O Alfinete tem demonstrado ser diferente, dando voz e ouvido para todas as partes, fala de tudo um pouco, não tem preconceito quanto ao assunto a ser discutido. Essa pluralidade de opiniões é que faz um jornal ser respeitado. Muitas vezes encontramos muita coisa que não concordamos, mas é para isso mesmo que serve um jornal. Que a partir daquilo que está escrito surja o debate e flua muitas outras ideias. Observo de longe o sucesso desse jornal e constato mais uma vez, que isso se deve não só aos lindos olhos de seus idealizadores. Se fosse algo chato, duraria poucos números e não seria tão disputado, como sei que é. É que os meninos estão escrevendo de coisas que dizem respeito a todos daí, sem distinção e isso vai despertando um interesse muito grande pelo que vai sair no próximo número. Com o anunciante acontece a mesma coisa. Se o jornal não tivesse tudo isso, aliado a uma boa diagramação e um bom retorno, com certeza, não seria fácil manter uma boa média de anunciantes a cada número. O Alfinete tem vida longa. Basta seguir o caminho já descoberto e não se deixar desviar. Leitor é o que não faltará.

APONTAMENTO DA PERIFERIA DE PIRAJUÍ 09 – “E O CINEMA VIRA TEMPLO EVANGÉLICO” (publicado n’O Alfinete, edição 73, 22/07/2000).
Pois é, já virou rotina em todo o interior brasileiro. Basta dar uma olhada pelas mais diferentes cidades brasileiras e lá está o antigo e enorme prédio, quase sempre situado junto à praça central, transformado numa igreja evangélica. Em qualquer lugar que você for, basta bater o olho e identificar o prédio onde antes funcionava o cinema. As características são sempre muito parecidas. Aquele lugar, que antes era motivo de orgulho para toda cidade, foi com o tempo deixado de lado, chegando até o triste desfecho final: o fechamento de suas portas. Os motivos para isso ter acontecido já foram discutidos por muitos, nos mais diferentes lugares e não e não vale a pena ficar tentando encontrar os culpados, pelo menos nesse momento. A mais triste, é que quem poderia ter feito alguma coisa, para que essas portas não se fechassem, que são as Prefeituras Municipais, quase nada fizeram, pois para a maioria de nossos prefeitos, infelizmente, cultura parece não dar voto. Hoje, as telas foram escondidas por tapumes e estão tomadas por altares. Nada contra, mas é que os espaços culturais nas pequenas cidades só diminuem, enquanto uma “pá” de coisa ruim cresce a olhos vistos. Isso aconteceu em todo o lugar, em aqui em Bauru, em Pirajuí, em Bariri, em Duartina etc. Até em Guarantã, que é desse tamanhinho tinha lá um cinema. É por isso que iniciativas como a do jogador corintiano Vampeta, que comprou, reformou e reinaugurou um cinema em sua cidade natal, no interior da Bahia, devem ser merecedoras de muita divulgação e comentários sem fim. Afinal, para quem gosta de assistir um bom filme na tela grande, a televisão nunca vai substituir a magia que envolve a ida a um cinema.
Obs final: Esses três textos fazem parte da republicação de meus escritos para o semanário de Pirajuí, O Alfinete, três a cada mês e mereceriam comentários de atualização, mas preferi não fazê-lo, pois dessa forma deixo a interpretação liberada como forma de constatação das transformações ocorridas em apenas 12 anos dos escritos. Podem ter mudado a minha forma de interpretar os fatos, como também os próprios fatos.