sexta-feira, 20 de julho de 2012

AMIGO DO PEITO (70)
DÉCIO, SUA RESISTÊNCIA E O ALMEJADO LIVRO “ENERGIZANDO” UMA LEGIÃO À SUA VOLTA
“Décio Bassan de Freitas Miranda, um lutador, louco e sonhador, teve a ousadia de escrever seu livro sobre Energia: Alternativas, baseado em sua vasta experiência profissional na área. Muitos, como eu, conheceram Décio na militância política e na alquimia de suas panelas no restaurante Alternativa, onde transformava pratos em amor e amizade (ganhei a receita do Joelho de Porco e uma baita aula de como fazer). Décio já casou (duas vezes com a mesma doida), já plantou suas arvores, já tem filhos e netos e agora vamos contribuir para que o livro que ele já escreveu seja finalmente publicado. Publicar livros não é uma tarefa fácil e nem barata e meu amigo não tem muito tempo, prazo de validade ta expirando, mas podemos dar essa alegria e realização para ele. Como muitos já sabem ele luta bravamente há 4 anos contra o câncer. Quem desejar contribuir ou adquirir o livro antecipadamente pode adquirir o seu vale-livro no valor de R$ 25,00 comigo ou outros amigos. Este vale deve ser apresentado na data do lançamento, ou após isto. Eu, tenho comigo vários vales-livros, e quem puder contribuir me deixa mensagem ou liga que vou levar. Quem puder contribuir com mais ou mesmo com recursos pode efetuar deposito na conta da Rosangela Maria Barrenha (a esposa doida) na CEF: agência 2001 – 013-28672-1. Maiores informações pelos fones: (14) 3454-2744 em Marília ou (14) 8164-6913”, aqui quem vos escreve é TATIANA CALMON.
Tatiana espalhou isso no facebook desde ontem e o ato faz parte de uma ação coletiva dos amigos do DÉCIO BASSAN (do qual orgulhosamente faço parte) para conseguir viabilizar a publicação do grande sonho acalantado durante toda sua vida: a publicação do seu livro “ENERGIA: ALTERNATIVAS”. Décio é um entendido no assunto, tendo trabalhado em algumas das empresas de ponta nesse setor e como bom observador foi reunindo ideias para transformar o setor (revolucionar, diria). Juntou tudo e escreveu um primoroso texto, recheado de ilustrações, como se fosse um bate-papo com o filho (que realmente ocorreu), ou seja, a forma mais didática possível de transmitir algo tão complexo e numa forma onde qualquer leigo entenda tudo. Uma ajuda substancial para os novos tempos onde todos estaremos metidos até a medula dos fios dos cabelos dentro de processos de revitalização energética.
O trabalho coletivo comandado pela esposa Rose Barrenha (foto acima), servidora municipal na área da Saúde, atingiu e conquistou várias pessoas. Cada um ficou encarregado de uma missão. Um na revisão do texto, o próprio Décio enxugando o máximo para viabilizar a publicação, outros na diagramação e arte das capas, eu e mais alguns tentando arrecadar valores para custear a gráfica e por fim, outros na divulgação do projeto e já pensando no lançamento. São tantos nomes e não os cito por um único motivo: acabaria por me esquecer de alguns e como tudo está sendo uma bela ação coletiva, acredito que o principal seja mesmo conseguir o intento final que é proporcional a realização desse sonho para o Décio, que sofre resistindo como pode, buscando novas forças a cada dia, driblando com genialidade uma cruel e insana doença.
Falar o que mais do Décio. Ontem batuquei aqui mesmo no blog em Retratos de Bauru e citei texto escrito em 2010, cheios de frases pinçadas de suas falas. Tudo o que está ocorrendo nos bastidores como contribuição está sendo tão lindo e são tantas coisas, emocionando todos os envolvidos com essa verdadeira ação coletiva. Exemplificando isso deixo um texto trocado entre alguns sobre a definição da ilustração da capa. Sintam o clima coletivo: Aí vão as ideias para a capa do
 livro. O primeiro desenho é aquele que eu tinha comentado: linhas soltas, quase abstrato. E o segundo segue a ideia que me passaram: o menino com o catavento. Espero sinceramente que vocês gostem! E se houver algo a acrescentar, ou alguma outra ideia nova, é só avisar. Hoje estou em casa o dia todo, dá para fazer, escanear e mandar. Textos como esse trocamos a todo instante. Mês passado, dia 13/06 fui pessoalmente almoçar com o Décio e a Rose em Marília, onde mora, simplesmente pelo fato de estar próximo do atendimento médico que melhor se encaixa em suas necessidades e o que vi foi emocionante. Décio busca forças lá do fundo e produz cheio de garra e disposição. Isso o move e dessa forma sobrevive lindamente. O livro é uma espécie de chama acesa a iluminar todos à sua volta. E quantos mais puderem se inserir nesse processo, mais essa chama permanecerá acesa. Trouxe um presente feito por ele, uma moldura, com um texto de Albert Einstein sobre amizade, cujo final é apoteótico: "Há duas formas para viver sua vida:/ Uma é acreditar que não existe milagre./ A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre".

quinta-feira, 19 de julho de 2012

RETRATOS DE BAURU (126)

DÉCIO, DO CHUCRUTE A UMA ENERGIA MAIS QUE CONTAGIANTE
DÉCIO BASSAN é um sujeito conformado com a vida, porém não resignado. Atormentado por um câncer a lhe consumir e travando a cada novo dia uma batalha pela vida (questão de pura sobrevivência), acaba de produzir algo tão sonhado, a finalização do seu livro, sobre as alternativas energéticas para o país. O livro estava escrito fazia um tempo e foi feito baseado nos seus conhecimentos na área e resumido em bate papos com o filho, numa ótima sacada, linguagem bem apropriada para nós, os leigos no assunto. Esse hoje careca senhor, comandou por doze anos aqui em Bauru o Alternativa Bar, na confluência da Cussy com a Agenor e quando o fechou em 1997 caiu no mundo e continuou sendo essa “energética pessoa”. Dedicação exclusiva para sua atividade profissional toda voltada para esse campo de atuação, quando viajou esse país de cabo a rabo. Tamanha dedicação destruiu seu casamento, hoje recomposto com a mesma aguerrida Rose Barrenha. Um homem cheio de histórias e todas recheadas de sábios conhecimentos. Conversar com ele é ter o prazer de desfrutar disso tudo e também do seu lado de mestre-cuca. É detentor de uma impecável receita de “joelho de porco com chucrute” de lamber os beiços. Hoje, tratado com todo amor pela esposa, filhos e netos, passa seus dias num apartamento na avenida Sampaio Vidal em Marília, entre medicamentos, um interminável tratamento e a finalização do texto do livro, que em breve ganhará as ruas. Para quem ainda não o conhece leia o que escrevi tempos atrás, em 15/11/2010 aqui nesse mafuá e prestem muita atenção em suas frases e conceitos: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=d%C3%A9cio+bassan. Décio sempre esteve muito antenado com tudo à sua volta e hoje, mesmo enfurnado entre quatro paredes, continua com a mesma perspicaz irreverência quando lhe deixam expor suas ideias. Um bravo Quixote (em letra mais do que maiúscula), nunca quixotesco.
obs final: amanhã aqui as histórias do quase lançamento do seu livro "Energias: Alternativas", no prelo e na boca do forno.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

BEIRA DE ESTRADA (21)

ZUMILDE E A CASA SOBRE RODASpublicado Revista do Caminhoneiro edição nº 292, junho 2012, circulação nacional e tiragem de 100 mil exemplares.
Meu nome é Zumilde, tenho 78 anos, sou aposentada, viúva e moro numa grande cidade do interior de Santa Catarina. Minha casa fica na região central, local privilegiado e com um terreno de um quarteirão inteiro vazio, ocupado constantemente por parques e circos. Promotores de muita diversão, principalmente a dos moradores no seu entorno. Movimentação diária e entretenimento mais do que garantido durante a permanência daquela parafernália toda em funcionamento.
Minha maior distração é ficar no parapeito de minha janela a observar a movimentação da avenida aqui na frente. Tudo muda com o terreno tomado, minha atenção se volta para eles, pois além da convivência pacífica, faço amizades e vê-los morando em trailers e agora, algo mais moderno, verdadeiras casas instaladas na parte destinada às carrocerias de caminhões sempre me instigou. Minha maior curiosidade sempre foi essa, a de conhecer um lugar desses. Uma casa em cima de um caminhão é algo que só via em filmes, mas pouca possibilidade de conhecer pessoalmente.

Nos dois últimos que passaram por aqui, primeiro um parque e depois um circo, criei coragem e após as amizades feitas, pedi para conhecer a casa de uma dessas moradoras. Em cima de um caminhão eles instalaram uma imensa cozinha, avarandada e até com vasos pendurados nas beiradas. Esmero de dona Lúcia, a responsável pela comida de todos. Uma escada de metal para chegar lá no alto e no interior, uma cozinha com tudo no seu devido lugar. Armários e guarda louças, quase tudo embutido, para não cair nas viagens, me conta a já simpática amiga.
Vendo que minha curiosidade não tinha mais fim, conheço sua casa, também em cima de um caminhão, desses grandões, puxados por carreta. Ela é mãe do dono do parque e ali tem de tudo, sala e espaçoso quarto. Numa estante, vi até livros, protegidos com porta transparente em acrílico. Na mesa central um vaso cheio de flores. O forro, ela me explica, utilizou material para reduzir o calor e embutido do lado um ar-condicionado.
Queria ver mais e fui levada ao alojamento dos trabalhadores. Suas camas são embutidas nas paredes e tudo com seus espaços medidos. Homem nessa situação é mesmo desleixado, mas a linha dura é mantida por Lúcia, que fiscaliza diariamente se nada está fora do lugar. Uma pessoa é paga só para limpar diariamente todas as casas. Fiquei impressionada e consegui repetir a dose logo após a despedida deles e a chegada de um imponente circo. Lá, já com a coragem estabelecida, quem me possibilitou o passeio pelas instalações foi também uma mulher, a Guta, esposa do dono. Pouca coisa diferente. Fico sabendo que é mantido uma espécie de padrão entre eles, um copiando do outro o que deu mais certo.
Meu próximo passo é conseguir um passeio entre uma cidade e outra dentro de um desses brutamontes transformados em casa. Mas para isso terei que esperar o próximo a chegar por aqui e ver se consigo realizar mais esse sonho. E morar ali, como será isso? Mas aí já será demais para mim, né!
* OBS.: Com esse texto acredito ter encerrado minha participação na citada revista, pois após vencimento de um acordo entre as partes e não tendo havido um novo dentro de valores que considero mínimos para continuar escrevendo, preferi deixar de fazê-lo. Cumpri minha missão em 20 edições da revista, todas reproduzidas aqui. Nesse último, homenagem a uma vizinha aqui de casa, dona Zumilde, que assim como eu, admiramos esse tipo de morada a instalar-se aqui defronte nossas casas.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (57)

PAPO DOMINICAL DE QUANDO O ROTO DISCUTE SOBRE O ESFARRAPADO
Domingo à noite, aqui por onde ando nessa semana, reunimos uns amigos em torno de uma fumegante churrasqueira e entre todos os papos que rolaram no entorno de brasas, fumaça e carnes, um acabou por prevalecer na boca dos comilões por mais tempo: a endemica corrupção que acomete o Brasil. Lastimável, mas entendível a posição ocorrida nessa semana do Judiciário suiço, que analisando o imbróglio do indiciamento de Ricardo Teixeira e João Havelange, acabou por sacramentar que não havia tomado providências antes, pelo simples fato de que fatos iguais ao ocorrido eram corriqueiros no Brasil, faziam parte de nossa rotina, habituê. Simples assim. Vergonha para alguns, mas nada mais do que uma constatação, doída, porém real. Nos enxergam assim. O que mais foi discutido pelo grupo foi o fato de aqui no Brasil o roto espezinhar o esfarrapado, mas praticar de forma oculta algo pior do que o denunciado. Meu pai sempre me disse para desconfiar dos moralistas, pois esses escondem os piores segredos. Dito em feito com Demóstenes e tantos outros. A revista veja (minúscula mesmo) se dizia caçadora de corruptos, mas faz, fez e continuará fazendo acordos espúrios com alguns de nossos mais conhecidos corruptos e corruptores. O PT criticava tanto o que ocorria no país, mas quando no poder caiu de boca no mesmo erro. Imperdoáveis, pois se diziam impolutos e diferentes. Hoje quem os criticam, como Serra e FHC, praticaram o mesmo em passado recente e no mesmo nível, como o denunciado na Privataria Tucana e na compra de congressistas no período tucano no poder federal.

Não existe muito o que discutir sobre o tema, só constatações e nas observações evidências de que a corruptela está mais do alastrada. Tudo à nossa volta envolve pequenas formas de propina, subornos, facilitações, benefícios e benesses. Uma pouca vergonha que vai do mais baixo ao mais alto escalão. Poucos, mas poucos mesmo escapam de estar incluídos no rol dos praticantes de algo em benefício pessoal. “Tá tudo dominado”, diriam muitos. E é isso mesmo, desde aquelas campanhas de arrecadações de agasalhos, quando uns separam os melhores para os seus e os demais distribuem aos necessitados até os casos grandiosos de propinas para obtenção de altos negócios. Ninguém escapa de estar envolvido numa questão de favorecimento pessoal. Não se iludam, pois vivendo onde vivemos, enfronhados até a tampa nessa sistema excludente e onde o vil metal é o deus, não existem os que vivam como ilhas isoladas de tudo e todos. Atire a primeira pedra quem não tiver cometido algum ato desabonador. Impossível, pois o envolvimento é quase que compulsório, automático e via de regra na maioria das ações do dia a dia. Daí os suíços estarem com a razão quando nos cutucaram. Tem gente que não aceita a pecha, mas ela cola em todos: SOMOS CORRUTOS, VIVEMOS EM ESTADO DE PLENA E CONSTANTE CORRUPÇÃO. Contestar é possível, mas negar impossível. Para os que vierem apontando o dedo e querendo se mostrar diferentes, fácil demonstrar por A + B que são também farinha do mesmo saco. Vivendo onde vivemos, da forma como vivemos, com as influências todas, impossível ficar de fora desse balaio. Ações como as do casal de mendigos que devolveram os vinte mil reais são cada vez mais raras, mas acontecem. Ontem mesmo sai cedo para comprar pão numa padaria aqui na esquina, dei vinte reais para a atendente, nota nova, lisinha, peguei o troco e já estava saindo, quando ela me chamou e disse que não havia percebido, mas entregado duas de vinte, uma meio que colada na outra. Ficamos nesses casos agradecendo de montão por algo que deveria ser o normal, natural, mas todos sabemos hoje passou a ser exceção. No estado que vivemos a devolução passou a ser a própria anormalidade.
OBS.: As charges corrupteladoras e corruptelantes são de autoria do Gilmar, Angeli e Kemp e foram todas gileteadas da internet, com a devida citação da fonte.

domingo, 15 de julho de 2012

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (73)

NADA COMO CAMINHAR PELAS RUAS E RECOLHER HISTÓRIAS
1 – Dia desses fui instalar um som novo no carro. O atendente da loja veio me oferecer os mais modernos, cheios de opções variadas, entradas para isso e aquilo. Infinidade de trecos que, com certeza, elevam o preço da mercadoria. Fui direto e reto e o assustei: “Quero um que tenha rádio AM, pois não fico sem uma boa rádio AM”. Tentou argumentar (“isso não é moderno, não se usa mais”), mas não houve jeito, sou desses ainda à moda antiga, pois não preciso de nada além do trivial, quero simplesmente ter rádio AM, FM e ouvir meus CDs. Foi o que fiz o atendente entender e sai satisfeito com o produto adquirido. Mesma coisa com meu celular: quero receber e fazer ligações. E pra que mais?
2 – Na rua Rio Branco, quase esquina com a Marcondes Salgado um Opala estacionado na beira da rua chama a atenção. Está ali há anos, juntando lixo, pó, vidros quebrados e uma legião de gente interessada na sua aquisição. O dono parece irredutível e chateado com os insistentes apertos de campainha solicitando informações do carro, fixou na parede de sua área um cartaz: “O Opala não está a venda, nem suas peças. Por favor, não nos incomode com sua insistência mesmo depois de ler este aviso! Obrigado”. E finaliza (ou assina, sei lá) com uma redonda carinha a demonstrar raiva.
3 – No dia 20/06 uma galinha alçou um voo de seis metros e pousou em um cabo de telefonia na rua Bernardino de Campos, vila Falcão. O caso foi parar na internet, pois ninguém queria vir salvar a dita cuja, achando tratar-se de trote. Ficou mais de quatro horas nas alturas. Maria Inês Faneco, nossa intrépida pipoqueira, vizinha e testemunha ocular do fato narrou o que viu numa carta para a Tribuna do Leitor no dia seguinte: “Liguei no Corpo de Bombeiros e muito gentilmente me disseram para ligar na CPFL. Aí liguei, ficaram meio desconfiados, me seguraram na linha uns 40 minutos, mas tudo bem... E liguei, lógico, no JC e em dois minutos estavam lá tirando fotos da galinha em apuros. A CPFL chegou e colocaram um ferro. A galinha desceu muito assustada e molhada. Obrigado a todos que ajudaram nessa missão. Salvamos uma galinha. Amanhã o galo vai cantar mais feliz”.
Tenho algumas outras histórias para relatar, mas hoje é domingo, estou fora de Bauru, visitando o Rio de Janeiro, uma barulhinho bom de rua a me instigar para atividades outras e assim sendo, deixo tudo para outro post. Ontem meu Noroeste começou mal o Campeonato do Vale Nada empatando com a Ferroviária em 0x0, a Brincadeira Dançante da Tatiana bombou, a Madê Correa voltou ao Teatro Municipal, Vinagre está trazendo a peça da argentina Maitena para Bauru e semana que vem aí na cidade um show gratuito no SESC com um monstro sagrado da bateria mundial, WILSON DAS NEVES.  

sábado, 14 de julho de 2012

MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (183, 184 e 185)
Ah, se eu fosse o Paulinho!texto publicado Bom Dia Bauru, 14.07.2012
Esse Paulinho, título desse texto é o bancário e sindicalista Paulo Sérgio Martins, que no próximo pleito municipal estará concorrendo ao cargo de prefeito pelo PSTU. Esquerdista histórico e militante da resistência microfonal diante de instituições bancárias, foi o escolhido pelas hostes que defende, em sistema de rodízio, para se defrontar com os demais candidatos. Fora ele, Rodrigo Agostinho, Chiara Ranieri e Clodoaldo Gazzetta. Esse último, numa sacana tirada, tentou se livrar da pecha de conservador, seguidor do amém neoliberal, dizendo-se diferente dos outros dois, taxando-os de “farinha do mesmo saco”. Pegou mal, primeiro por ignorar o Paulinho e depois por tentar se safar de algo que não conseguirá, pois na verificação de sua postura ao longo dos anos, é tão enfarinhado quanto os que critica. De tudo, algo de bom, três enfarinhados e um isento do “pó de mico” (mais apropriado). E como esse poderia agir nessas eleições? Paulinho sabe das limitações do seu PSTU e da ideologia que professa diante de um mundo cada vez mais dominado pela massacrante mensagem consumista, do individualismo, do ter valendo mais que o ser, etc e tal. Pouco poderá avançar na campanha. Mas algo poderá marcá-lo para sempre. A foto do BOM DIA, com os quatro encostados na parede, lembra demais um “paredon”. E já que todos estarão ali, por que não aproveitar-se desse raro momento para demonstrar por A + B o quanto os três são iguais, suas propostas são por demais idênticas, defendem a mesmíssima coisa e no poder dançariam a mesma música, já orquestrada e com regência pré-definida? Não tem como nenhum dos três se mostrar diferente, discurso e programa de governo tirados na mesma máquina copiadora. Paulinho, durante os debates que virão alegrará a campanha os expondo a uma saia mais do que justa. Se ele não se aproveitar disso, jogarei farinha também nele. Obs.: A foto é a citada no texto, do BOM DIA.
Greve das quengastexto publicado Bom Dia Bauru, 07.07.2012
Eu sempre fui um fã escancarado da obra de Jorge Amado, texto infinitamente melhor (em todos os aspectos) do que o de Paulo Coelho, nosso atual campeão de vendas de livros. Na TV, uma novela da obra de Jorge, “Gabriela” e lá a demonstração da facilidade em solucionar muitos dos nossos problemas. Nada como uma boa e sadia Greve de Quengas. Na ficção, quando as damas da sociedade de Ilhéus insistiam em não aceitar as tais “da vida fácil” numa procissão religiosa, o jeito foi vergá-las através dos maridos. Afinal, todos são filhos de Deus, não? Esses convenceram suas esposas, diante de algo do qual não sabiam mais como contornar, pernas fechadas no Bataclan até elas terem seu clamor atendido. Isso tem um simbolismo fantástico. Na obra original grega, retratada em “Mulheres de Atenas”, a greve que certamente inspirou nosso Jorge, reuniu todo tipo de mulher, quengas e não quengas. Mulher unida jamais será vencida. Quando vi a hilária cena na TV, com a cafetina interpretada por Ivete Sangalo instigando suas partners para a “solucionática” do imbróglio, pensei logo em como são injustiçadas e como praticamos muito pouco do dito num antigo lema, “a união faz a força”. Eni Cesarino, nossa cafetina, talvez a mais famosa do Brasil, enfrentou os diabos com o conservadorismo bauruense. Filantropa de bolso disponível, entidades recebiam sua doação, mas suas dirigentes atravessavam a calçada ao cruzarem com ela pelas ruas.  Tudo isso só para encerrar sugerindo como as mulheres, de todos os matizes, saberes e procedências poderiam dar um basta nesse desvario machista: imaginem partindo delas, uma proposta por um mundo novo. Não falo de mulheres que agem como homens, mesmo tipo de ação e pensamento, inclusive na política. Essas são tão abomináveis quanto os ditos machos. Falo de séria rebelião contra o jugo do insano e cabeça dura (sic), greve pela vergonha na cara. Não teria graça, venceriam fácil. Obs.: A foto é do site da TV Globo, Gabriela.

Falsear a verdade não valetexto publicado Bom Dia Bauru, 30.06.2012
A raiva incontida de parte de missivistas, expressada em cartas na imprensa é condenável e demonstra um partidarismo a distorcer a realidade dos fatos. Tudo para favorecer o seu ponto de vista. Clássicos exemplos existem aos borbotões. Enrustidos conservadores soltam fogo pelas ventas, praguejam a qualquer avanço ou tentativa dos que nunca foram terem a mínima possibilidade de passarem a ser. Repudiam o momento de liberdade e lucidez da América Latina, preferindo o tempo das botinas e coturnos. Saudosistas da dependência e subserviência a um hoje decadente império.  Quem lê a seção de cartas dos jornais percebe nitidamente esse latente ódio. Antipetismo declarado, ladeado de incontida devoção aos tucanos. Um o pecado, outro o próprio milagre.  Promovem um vale-tudo, comparado a esse nojento UFC, onde ver o outro sangrando é o “must”. Falsear com a verdade para que seu ponto de vista prevaleça é café pequeno diante de golpes abaixo da linha da cintura. Revisam a história a seu bel prazer. Fatia dos brasileiros usa descaradamente disso e com a complacência de parte da mídia nativa. Pensar igual é ter eco garantido nessas páginas e o que menos importa é se o escrito é verdadeiro. O negócio é denegrir e causar estrago ao inimigo (antes adversário, hoje não mais). O mensalão é um bom exemplo. Todos falam, mas poucos sabem. Repetem como fantoches o que a mídia prega. E por que não fazem o mesmo com o estrago causado pelo Mensalão Mineiro e Privataria Tucana? Um é crime hediondo e outros passam batido. Ninguém faz justiça penalizado um e deixando o outro impune. Vergonhosa imparcialidade, escorada na falácia de uma tal liberdade de expressão, que só reproduz o que lhe interessa, age segundo conveniências, manipulando e escondendo provas. Santos do pau oco são os piores, pois “debaixo dos caracóis dos seus cabelos” estão ocultas inconfessáveis sujeiras ainda desconhecidas do público. 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

OS QUE FAZEM FALTA E OS QUE SOBRARAM (36)
UMA VELHA NOTÍCIA NOVA, “GABO” PARANDO DE ESCREVER
No JC da semana passada, numa nota com foto algo me faz ler a indefectível coluna “Conexão Biz”:Gabriel Garcia Marquez vai parar de escrever: De acordo com o jornal espanhol El Pais, o escritor colombiano GGM, contemplado em 2008 com o Prêmio Nobel de Literatura, não vai mais escrever. A informação foi divulgada pelo irmão mais novo de Marquez, Jaime Garcia Marquez, devido ao estágio avançado de demência senil do autor de 85 anos. Marquez, que passa por um estágio avançado de doença mental e perdeu parte da memória, não tem mais condições de escrever, afirmou Jaime. Na nota: ‘Não haverá mais letras escritas por Gabo’, a colunista do jornal Elsa Garcia de Blas conversou com o irmão do autor, Jaime, sobre o atual estado de saúde do escritor de ‘Cem anos de Solidão’, ‘As Vezes Choro’. Mas sinto uma felicidade dolorosa de ainda ter o privilégio de falar com ele”, diz o irmão. Apesar da doença, Jaime diz que Marquez continua alegre. “Ainda assim ele segue com sua alegria, entusiasmo e cheio de humor”.
Gabo é uma pessoa humana em todos os sentidos. Tenho duas passagens recentes envolvendo sua pessoa e ambas em trechos de conversas travadas com o filho, HA, 18 anos. Na primeira, a passagem do livro de Fernando Morais sobre os cinco cubanos detidos irregularmente nos EUA. Gabo foi o mensageiro enviado por Fidel para entregar pessoalmente ao presidente Clinton uma proposta sobre o assunto. Se fosse qualquer outro, o quarto do hotel onde estava seria invadido, revistado e ele encostado na parede até entregar para o FBI o tal do bilhete. Gabo foi firme até o fim e mesmo com muitos querendo ler o conteúdo do tal bilhete antes do presidente, fez o mesmo chegar às mãos de quem de direito. Ele fez isso por Fidel, pelos cinco e pela causa humanitária a movimentar sua vida. Eu e o filho, que lemos o livro, discutimos isso quase uma tarde toda. No segundo algo hilário. Ele e eu somos frequentadores da feira dominicial e lá uma moça, observada por todos, atrás de uma das bancas mais movimentadas do lugar. Denominada de Miss Feira por uma legião de admiradores, mesmo um tanto obesa é cheia de predicados positivos e movimenta a fértil imaginação dos frequentadores. Ele faz lembrar de uma celebre personagem da imensa galeria de tipos do Cem Anos, a Elefanta. “Apesar do peso, ela era infinitamente sensual”, me diz. Seus personagens todos são inesquecíveis e na lembrança surge um novo debate, acalorado e desses intermináveis. Esses são apenas dois fragmentos das possibilidades de Gabo, uma dessas imprescindíveis pessoas, cada vez mais necessária num mundo onde predomina a omissão, o medo e a subserviência ao pensamento único, o do poder constituído pelos detentores do capital. Gabo sempre se opôs a isso.