sábado, 25 de agosto de 2012

MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (189, 190 e 191)

QUANDO A ESTÓRIA SE PASSA POR HISTÓRIA – publicado na edição de 10/08/2012 Ainda um texto sobre algo presenciado em Buenos Aires. Ouço algo definitivo do muralista argentino Miguel Rep sobre sua cidade: “É altamente conservadora. Aqui a maior concentração de gente ligada ao que de mais retrógrado temos. Ainda bem que a cidade sozinha não decide mais eleições”. Constato o mesmo da nossa maior cidade e estado, São Paulo. Viver dentro de uma federação é salutar e oxigenante, lá e aqui. Ufa! Li jornais e revistas variadas por lá e dois temas em evidência. A revista Noticias, além dos jornais Clarín e La Nación estamparam de forma sensacionalista algo desmedido contra um periodista, Vitor Hugo, acusando-o de forma leviana de apoiar ações do regime militar.  Ocultaram o real motivo, a tentativa de destruir um dos profissionais mais respeitados no país, por não vergar-se aos seus interesses. Induziram os leitores a acreditarem numa farsa e isso em seguidas matérias. Durante toda semana que por lá passei, de 28/07 a 04/08, o jornal Clarín insistiu num tema esdrúxulo e criado no seio imaginativo de sua redação. Requentavam a cada nova edição diária manchetes sobre o uso da Lei da Educação nos Cárceres, afirmando que alguns presos saiam da prisão para participar de manifestações pró-Cristina, a presidenta. Dias e dias de doída ladainha contra o Governo, com o claro intuito de criarem fatos novos a cada dia para desgastar a imagem e a ação governamental. Lá os apenados saem regularmente, questão definida em lei e nada a ver com decisão presidencial, mas fizeram de tudo para juntar uma coisa com outra. Dias e dias ditando a pauta nacional de discussão, criada e manipulada pelos próceres do jornal. Meu arremate final: ocorre igualzinho aqui. Lembram-se do improvável diálogo entre Lula e Gilmar Mendes. A invencionice foi discutida como se verdade fosse. Lembram-se do grampo no gabinete do mesmo Gilmar. Mentirinha a alimentar muitas manchetes. A orquestração oligárquica é idêntica aqui e lá. Acredita quem quer ou quando seus interesses se coadunam com armações ilimitadas. Tempo de nefastas letrinhas.
TRATAMENTO DIFERENCIADO - publicado na edição de 17/08/2012.
Abro os dois jornais de Bauru na manhã de terça, 14/08 e em ambos manchetes muito parecidas: “Mensalão foi ordenado por Lula, diz advogado” e “Defesa de Jefferson acusa Lula de ser o mandante do mensalão”. Isso foi repetido, com maior ou menor ênfase, em toda imprensa nacional. Trata-se de uma mera acusação de defesa, talvez um argumento do advogado para tentar inocentar seu cliente. A imprensa não levou isso em consideração e aproveitou a deixa para desancar Lula. Cito isso e venho para algo bem local, aqui de nossa aldeia, Bauru, interior do estado comandado há quase 20 anos pelos tucanos do PSDB. A imprensa paulista não agiria da mesma forma com acusações sem prova definida e ainda mais quando no epicentro do vulcão estivesse algum figurão do tucanato. Exemplifico o que escrevo. O caso bauruense do escândalo que derriçou de vez a AHB – Associação Hospitalar de Bauru foi algo que, guardadas as devidas proporções, tem muito de semelhança com o mensalão. Dinheirama pública distribuída e gasta de forma mais do que ilegal e punições sendo julgadas em câmara lenta, talvez na espera de sua prescrição. Não preciso entrar em detalhes, o caso é do conhecimento até das pedras do reino mineral. Vamos ao que interessa, a relação de um fato com o outro. Falar de Lula e acusá-lo de tudo é muito fácil. Manchete em letras garrafais, ele lá longe, nós todos bem distantes. No caso AHB já ocorreu o mesmo, mas ninguém deu em manchete, nem em rodapé de página interna. Nosso deputado estadual, Pedro Tobias, hoje embaixador tucano e do atual governo estadual interior afora, foi quem escolheu, manteve e bancava toda a corrupta diretoria da AHB. Nada mais natural que quando do tsunami, seu nome fosse “servido aos leões” como o mais provável mandatário de tudo. Alguns sugeriram isso, mas a imprensa negou-se a repercutir um mínimo que fosse. Tudo sempre foi abafado. Minha conclusão: os dois casos são por demais semelhantes. A diferença é só uma, com Lula pode a denuncista precipitação e com Pedro Tobias não pode.

DETALHE NÃO PRESENCIADO – publicado na edição de hoje, 24/08/2012.
Parado no sinal de trânsito pego um folheto. Nele, a propaganda que uma instituição de ensino usa como forte argumento para atrair alunos (não seriam clientes?): “Você na faculdade a distância é só um detalhe”. Guardei. Não pensem possuir interesse em educação à distância. Longe disso, sou adepto do ensino à moda antiga e dele não abro mão. Não enxergo vantagens no aluno em casa e o interativo professor do outro lado. Tudo só é feito dessa forma por um único e simples motivo: aumento de lucratividade e redução de investimentos. Se a beleza do capitalismo é isso, vejo aí suas entranhas e a repudio. Educação de verdade é outra coisa. Hoje os donos de escolas privadas não choram mais por causa da evasão escolar, mas pela alta inadimplência e dos ardilosos meios que os pais encontram para manterem seus filhos estudando numa privada (sic) sem pagar. Dou sonoras risadas. Viver de aparência é algo inerente aos nossos tempos. Malefício sem fim é o filho da classe média estudar em colégios privados (se paga ou não é outra coisa) e universidades públicas. Formados não aceitam discutir do retorno no investimento feito neles. Pensam somente nos seus próprios botões e dane-se quem arcou com tudo. O vencer na vida (inserir-se o mais rapidamente no mercado) é mais importante que tudo. O aluno entra hoje na universidade pensando só nisso e a escola tem culpa disso. Aliás, incentiva. Professor atuando como um animador de auditório é uma coisa bem aos moldes das exigências consumistas do mercado. Para eles e para os que o colocam num altar, tudo não passa de um grande espetáculo, inclusive as aulas. A vítima será sempre o aprendizado. Se ao vivo isso é incentivado, imagina como deve ser via não presencial. Que modelo é esse? O último filme do Batman mostra bem que, caindo o lucro do capitalista, sua primeira providência é deixar de investir. Bruce Wayne viu tudo despencar quando seu investimento ruiu. Imagine a educação enfiada no meio desse imbróglio e uma caixa registradora comandando tudo. Tudo é um grande negócio.
OBS.: Todas as cinco fotos foram tiradas por mim na Festa na Barra Grande, Capela São Roque, onde mais de 500 pessoas prestigiaram o evento dominical em 19/08/2012. Essas festas rurais no entorno de Bauru são tudo de bom. Abaixo mais um vídeo do baterista Nino, revendo parte se sua história, exposta na parede de seu estúdio em Jaú.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (18)

OS LUGARES ONDE “TÔ DENTRO” NO FINAL DE SEMANA BAURUENSE
“Bauru é mesmo isso e aquilo, aqui não existem opções e o melhor mesmo é ficar em casa”, ouço de uns. A moça da NET tenta me vender uma TV com 70 canais e lhe respondo: “Não quero por um motivo. Sou rueiro, gosto de shows, cinema, bares, teatro, eventos fora de casa e de ler. Se assinar isso vou acabar ficando mais em casa e acabarei doente. Quero viver”. É o que faço. E para os que continuam afirmando da não existência do que fazer em Bauru, tracei um breve e compacto (existem mais opções) roteiro do que tenho pela frente no sábado, 25 e no domingo 26/08. Confiram comigo:
25/08, 8h, passeio com o grupo ecológico SOS CERRADO para “uma olhadinha na reserva da UNESP, área muito ocupada por posseiros”, me diz Amilton Sobreira, o presidente da entidade. A concentração será nesse horário defronte o Hospital da Unimed. Adentrar o cerrado, seguir por trilhas e espiar (depois denunciar) o que a especulação imobiliária continua fazendo com nossa mata é algo que gosto de fazer, principalmente dando nome aos bois, ou seja, explicitar quem são os algozes do cerrado. Tô dentro.

25/08, FEIJOCA NO FORTA. Tradução: Trata-se de uma Feijoada no Clube Fortaleza, defronte a CPFL, vila Falcão. “Para uma bela despedida do inverno, faremos uma deliciosa feijoada, dia 25, sábado, à partir das 12h30, no restaurante do Cícero, no Fortaleza Esporte Clube”, dessa forma Tatiana Calmon explicita o convite no facebook. O real motivo é levantar fundos para a campanha à vereador do Roque Ferreira. Feijoada e Roque juntos, R$ 25 por cabeça, tô dentro.
25/08, 15h30 – Estádio Alfredo de Castilho, jogo NOROESTE x Barretos, pelo campeonato mais chinfrim (para encher linguiça) que tenho notícia, Copa Paulista. O time anda mal das pernas, mas a feijoada será perto do estádio, quase parede meia, o preço do ingresso são meros R$ 10 reais e rever o pessoal da torcida Sangue Rubro e outros torcedores é um revitalizante como poucos. Já do campo, com a estrutura mantida como comissão técnica, não espero mais nada. Tô dentro.

25/08, 16h, SESI perto do Horto Florestal tem apresentação de teatro, o “SÍTIO DOS OBJETOS”, com a Mariza Basso e o Julinho Hernandes, entrada gratuita. As apresentações possibilitadas pelo grupo da Mariza e do Kyn Jr são pra lá boas e ver o que estão aprontando com a nova encenação é quase obrigatório. Vou e levo juntos os meus (terei que decidir entre o jogo e o teatro). Tô dentro.
25/08, 20h o BOITARÁ estará realizando evento musico teatral, culminando com o show do colombiano DUO IRACA. Junto uma barraca de comidas vitalizantes (Que seria isso? Só conferindo mesmo). Será na rua Nilo Peçanha 1-66, vila Souto e a entrada custa meros R$ 5. Maiores informações no www.moitaracultura.wix.com/coletivo

26/08, com tudo começando por volta das 7h da manhã e com programação para o dia todo, o Assentamento do Horto Aymorés (gleba 1) receberá a 14º ROMARIA DA TERRA E DAS ÁGUAS DO ESTADO DE SÃO PAULO. A realização é da Comissão Pastoral da Terra e o objetivo é reforçar a marcha em defesa da terra e das águas, direito de todos e todas. Ótimo momento para afunilar as denúncias sobre o muito reivindicado e o pouco conseguido pelos moradores do Assentamento. Só a possibilidade de rever Celso Costa (mais informações pelo seu fone 96007688), Abel Barreto, Toninho da Ave Maria, Maria Luz e o revolucionário padre do MST, o Severino, são mais do que motivos a justificar minha presença. Tô dentro.
26/08, das 14h em diante na avenida Nações Unidas, mais uma PARADA DA DIVERSIDADE e a concreta possibilidade de ver, rever e papear com todos os envolvidos na questão e nos assuntos ligados ao tema. Fujo dos que vão lá só para exporem seus corpos, mas fui em todas as outras (quando na cidade), pelo belo congraçamento possibilitado pelo evento. Tudo culminará com um show/teatro no parque Vitória Régia, do TEATRO MÁGICO, já no comecinho da noite. Tô dentro.

De hoje, 24/08 em diante dois filmes me farão ir aos cinemas de Bauru. Dois com ligação umbilical ao Brasil. No primeiro, a terceira semana em cartaz do “A beira do caminho” (Brasil, drama, direção de Breno Silveira). Reverencio dois atores do filme, o João Miguel e a Dira Paes. No segundo, a esperada filmagem da obra de Kerouac, “Na estrada” (EUA, drama, direção do brasileiro Wlater Salles). Um road movie, estilo que adoro. Tô dentro.
Tem mais, mas também preciso de descanso. Por fim, algo meu. Emplaquei na edição dessa semana da revista semanal Carta Capital, nas bancas a partir de amanhã, um texto na seção Plural intitulado “O poder não está onde imaginam – O artista argentino REP, que se vê como um resistente, exporá em Veneza”. Entrevistei o muralista Rep na passagem por Buenos Aires, começo desse mês e dela nasceu o texto. Agora, tento mover céu e terra para trazê-lo à Bauru. Reproduzo aqui o texto no próximo domingo, mas recomendo a leitura da revista num todo. Finalizando tudo, o segundo vídeo gravado na residência do baterista Nino, após texto de Memória Oral publicado aqui ontem. Nesse ele comenta sobre algumas parcerias nos palcos, revendo fotos na paredes de seu estúdio:

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

MEMÓRIA ORAL (125)

BAQUETA DE NINO ATRAVESSA GERAÇÕES
Imaginem a alegria e contentamento de um baterista, fora do circuito musical desde o começo dos anos 70, folheando a revista “Modern Drummer”, especializada em bateria, justamente em sua histórica edição de nº 100, quando numa ampla matéria traçando a “A História da Bateria no Brasil” e lá, vê seu nome citado como referência e por um mestre nesse quesito. A pergunta repetida para os grandes da baqueta nacional foi: “Quais suas referências de bateristas brasileiros de sua geração e de gerações anteriores?”. Um dos ilustres entrevistados foi Rubinho, do Zimbo Trio e dentre outros, a lembrança de NINO. Parece pouco, mas vindo de quem veio e só por fazê-lo, um grato reconhecimento. Sua resposta é algo confirmado nos reencontros com todos os grandes, que no passado fizeram história no rico cenário musical dos anos 60 e 70.  E diante disso uma pergunta fica sem resposta: Mas quem seria esse Nino?

A nova geração o desconhece, mas todos (todos mesmo) os que tocaram na noite carioca e paulista durante essas duas décadas possuem boas e inesquecíveis lembranças de Nino, um agitado baterista, que vindo do interior paulista, aprendeu o essencial na profissão, a batida carioca levada na época e dela não mais se separou. Fez história, chegando a tocar, além da companhia de muitos brasileiros de renome, o fez numa noite com Dizzy Gillespie, alguém a dispensar apresentações. Essa uma das muitas passagens, dentre tantas na história de Antonio Galdino Grillo, seu nome de batismo, nascido em Bauru, 74 anos e desde muito cedo indo com a família residir em Jaú e dali caindo no mundo.  O apelido ganhou de um dos avôs e nunca mais o abandonou. Dessa época, um amigo conta algo, o hoje tabelião em Bariri, Aloísio Bueno: “Desde cedo usava o que tinha pela frente para bater em latas. Minha avó ficava louca com ele, pois até pé de mesa usava como baqueta”. Não podia ser outra coisa na vida, foi ser baterista.

Nessa mudança para o Rio de Janeiro, ainda muito jovem, deslancha e como bom observador de um dos recantos mais lúdicos da Cidade Maravilhosa, a Praça Onze, aprendeu o ofício de sua vida. “Ali a música acontecia de fato e de direito. Hoje não é nem sombra do que já foi um dia. O samba nasceu e teve sua mais rica história ali, nas disputas entre sambistas, originando as escolas de samba. Nunca mais me dissociei da batida carioca, vivi um pouco daquilo. Ela é um diferencial e poucos conseguem bate-la como aprendi a fazer. A molecada de hoje bate bem, mas não tem esse molejo e magia. Só entende disso quem viveu o que eu vivi”. E se põe a tocar o instrumento num amplo salão nos fundos de sua casa, num luxuoso bairro em Jaú, interior paulista. Inebriante ouvi-lo, pois se a empolgação toma conta de seus gestos, quem está do outro lado fica petrificado, estático e sem ação. Nino bate tudo, toca tudo, mas é seleto demais no que põe para rodar em sua vitrolinha. Ali só um time com batutas, a nata e nela, ele inserido.

A lembrança de Rubinho não é única. Dia desses quem passa por Bauru é outro grande da bateria, Wilson das Neves e quando questionado sobre Nino, devolve a pergunta: “Cadê ele? Temos muitas histórias juntos. Se quer saber pergunte a ele, pois é muito melhor contador de histórias que eu”. No final do ano passado, Jair Rodrigues faz um show no SESC de Bauru e num certo momento dá um breque em tudo, olha para a plateia e pergunta: “Cadê o Nino? É impossível ele não estar aqui”. Estava, sobe ao palco e um se derrama em elogios ao outro. Nino foi quem alavancou a carreira do Jair e ambos são fraternais além da conta quando dos reencontros. Num show que os músicos bauruenses promoveram para arrecadar fundos para a família do Manito, o dos Incríveis, logo após seu falecimento, dentre tantos convidados, quem rouba a festa? Sim, Nino. Ele sobe ao palco e de microfone nas mãos fala mais do que bate com as baquetas. Foi o assunto da noite e a partir daí foi ficando mais conhecido na região. Os músicos da cidade viraram declarados fãs, “ninistas” de carteirinha e organizam um sarau num final de semana na casa do artista. Falta só marcar a data e conciliar agendas.
Nino nunca foi um sujeito de poucas palavras. Sua história é contada pelas fotos nas paredes de seu estúdio. Cada uma merece dele um longo relato (veja vídeo dele citando cada nome) e o mesmo se dá com cada disco, quase todos LPs. Modéstia não é com ele, mas sem pedantismo e arrogância. Ele sabe ser possuidor de qualidades inigualáveis, a tal da batida diferenciada e isso algo facilmente comprovado, bastando estar com baquetas nas mãos. Sua história vai longe. Já teve música defendida por Elza Soares num daqueles Festivais da Canção da Record e já enveredou por outros caminhos, tentando ser cantor, chegando a fazer muito sucesso fora do país. Gravou em 1966 um LP pela RGE/Fermata, com o título “Feito para Dançar”.
No auge do sucesso, começo dos anos 70, uma sucessão de fatos desagradáveis o obrigou a se refugiar no interior paulista. Um turrão, desses que não leva desaforo para casa e isso o envolveu em algumas brigas. Perseguido pela repressão exercida pela ditadura militar, injustiçado e magoado, fincou pé em Jaú, da qual nunca mais se apartou. Casou e entrou no anonimato quase absoluto. Exerceu outros ofícios dos quais também tinha aptidão e competência. Foi ser professor em vários segmentos, judô, capoeira e mestre em Letras, concluindo o doutorado com a defesa de tese das mais salutares, “O Riso Carnavalesco do autor implícito em Utopia Selvagem de Darcy Ribeiro”, isso em 1999, na Unesp de São José do Rio Preto.

Hoje, vive rodeado de livros e alunos, comandando um famoso Curso de Redação e não abrindo mão do que mais gosta de fazer na vida, tocar bateria, muito em casa e fora dela, quando convidado. “Aos 74 anos, vida ganha, sento lá no fundo, um lugar só meu e estudo bateria pelo menos umas quatro horas por dia. Outro tanto ministro aulas para a juventude, numa sala que construí junto de minha casa e ainda encontro tempo para a família, a leitura, meus escritos e algo que não consigo ficar sem, o de toda semana praticar capoeira com colegas da cidade. E não imaginem a minha tristeza, sendo do PT e observar o caminho enveredado por um segmento do partido. Avô antifascista, inimigo de Mussolini, pai comunista de carteirinha, sempre fui da esquerda, do seu lado consciente e lúcido. Faço o que gosto e ao lado de gente que gosto”, diz.
Não tem mágoas do hiato na então carreira em ascensão, pois conquistou tudo na formatação e consolidação de outra. Aos poucos sua fama vai sendo reconquistada. Na cidade, dois amigos e também fãs são o presidente e vice do clube Aristocrata. José Luiz Rodrigues Borges, o presidente Bambu, 55 anos repete algo salutar do amigo: “Cansei de ir a sua casa 9h da noite e só sair 9h da manhã do dia seguinte. Quando se empolga não existe quem o segure”. Seu vice, Benedito Alves de Souza, o Bene, 62 anos, adora relembrar histórias, principalmente uma marcante do carnaval na cidade: “Ele trouxe a paradinha para cá. A bateria não parava no apito, mas num sinal de sua baqueta levantada e aí ele adentrava sozinho o asfalto. Ganhamos dez”. De tudo, algo a destacar, ele nunca conseguiu abandonar definitivamente a música e, consequentemente, a bateria.

Não vive só de lembranças, mas não se omite de relembrar histórias e mais histórias. Vai além disso ao colocar um disco para rodar, sempre com o som em alta potência, senta e acompanha tudo como se lá estivesse, tocando junto dos músicos. O escolhido é um Hermeto Paschoal barbarizando na difícil “Misturada”, de Geraldo Vandré e Airto Moreira. Ao final, resoluto diz: “Sabe quem ainda toca assim? Poucos. Sabe quem hoje em dia me acompanha nesse tom e batida? Ninguém. Aproveite, pois isso que está vendo aqui vai morrer com o Nino”, diz. Obrigado a interromper a conversa por causa das aulas de redação, inclusive com alunos de outras cidades e na sequência outras numa faculdade na Barra Bonita, tem tudo meio que cronometrado. No pouco tempo livre finaliza a formatação de um curso de conhecimentos gerais (cinema, música, teatro e literatura) para os professores da rede pública estadual, convidado pela Delegacia de Ensino de Jaú. Isso o obriga a ler pouco, pois o tempo anda cada vez mais curto para o seu lado.
Esse ocupado senhor, robusto e falante, faz o que gosta, sendo dessas pessoas sem muito tempo para pensar em coisas ruins. Tudo está muito bem distribuído em sua vida e sempre acaba encontrando um novo espaço, quando toma conhecimento de colegas tocando pela região. Não gosta de perder oportunidade em rever gente de sua época. Fica sabendo que Leny Andrade estará cantando em São José do Rio Preto por esses dias: “É longe demais e em dia de semana. Se fosse até uns 250 km eu iria, não iria, Luiza?”, pergunta para sua esposa. “Não posso esquecer de enaltecer alguns de Bauru, que respeito e admiro  profundamente. O Badê é um dos melhores músicos do Brasil, o pianista Vinicius; Abreuzinho, Ralinho, Decinho e Paulo Saca todos bateristas, o Nilo no baixo, Marquinhos na guitarra, Roberto Magalhães na tumbadora e outros que não me lembro agora. São um timaço. Sou feliz e mais ainda por sempre ouvir algo novo a meu respeito. Outro dia uns músicos daqui de Jaú me disseram que, se eu não tivesse vindo para cá estariam até hoje tocando só sertanejo. Eu os fiz mudarem de rumo. Não é para ficar contente?”, conclui todo pimpão e entre sorrisos.

Obs.: Irei publicando dia após dia algumas gravações feitas com ele em seu estúdio, hoje uma preliminar. Esse texto foi escrito inicialmente a pedido de alguns de seus amigos jauenses e será também publicado no jornal “Gente” daquela cidade. Clicando a seguir alguns dos textos desse blog onde já havia escrito algo tendo como tema o Nino: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=NINO

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

AMIGOS DO PEITO (71)

O POETA QUE NÃO CONSEGUE PUBLICAR e OUTRO QUE SÓ O FEZ APÓS A PARTIDA
O poeta que não consegue publicar é meu amigo, morador lá dos altos do jardim Bela Vista, o servidor aposentado da antiga e extinta CESP, caipira que leu Nietzsche, LÁZARO CARNEIRO. O gajo já possui livro publicado, mas é desses a acordar no meio da noite e com um tema na cabeça, perde o sono enquanto não passar tudo para o papel. Tem gavetas e gavetas cheias de manuscritos, todos mais do que publicáveis. Ano passado foi agraciado com a possibilidade de ter nova obra impressa, quando participou de um concurso na Secretaria Municipal de Cultura de Bauru. Foi um dos cinco escolhidos, mas um dos desclassificados, se achando injustiçado, impetrou junto ao Ministério Público uma denúncia de que por ter infinidade de livros já lançados não poderia ficar de fora. Melou a coisa e de forma indevida. Enquanto não retirar o pedido ou tudo não for devidamente esclarecido, os livrinhos não saem e nós, os prováveis leitores estaremos privados de uma saborosa leitura caipira. Como tira gosto, Lázaro acordou um domingo desses inspirado e me envia três de uma só batelada. Eis para deleite dos que gostam de prosa e verso. Com o título de APORRINHAÇÕES POÉTICAS cá estão as inquietações do poeta: 1) “Deus está morto e adorado/ Remoendo e triturando adoradores/ Eu professo minha fé a cada manhã/ Quando recebo minha bíblia diária/ E contrito abro  na pagina do evangelho/ Meus olhos vermelhos e esbugalhados/ Serve meu cérebro enlouquecido/ Que recolhe cada linha da boa nova/ Deus está em baixa?, me prostro resignado, ele sabe o que faz./ Deus está em alta?, me reconforto na poltrona , amém./ Pelas catedrais passam multidões desarrumadas/ E sem rumo recebem a cumplicidade e são abençoadas/ Suas almas e corpos servem esse deus/ Que é anunciado do oriente ao ocidente/ Em placas reflexivas e em gás néon intermitente/ Está onipresente, onisciente, onipotente e horripilante/ Onde há deus não há liberdade/ E a humanidade já recebe a extrema unção”. 2) “Soneto do 1/2 cidadão - É o bafo do dragão na asa do anjo/ É o ladrão, a latrina e o latrocínio/ A desdita  que desgraça o destino/ E armadilha ,arcabouço e mau arranjo/ Todo o senado é  Demóstenes e desmando/ Nesta republica onde nada nos pertence/ Democracia que o povo Síssifo vai rolando/ Somos palhaços adjetivo e não circense/ A repressão chega primeiro que o socorro/ A humilhação é onipresente e nacional/ Sou cidadão de meia cidadania/ Perco a esperança, mas levanto e me recorro/ Na tv,  no futebol, no carnaval/ Na presa da serpente matando um leão por dia“ e o 3) “São maravalhas de sentimento , deserto de paixão/ É como mata cerrada caricias envergonhadas/ Retalho de solidão/ Preciso, quero e não sou alegre como um palhaço/ Sou cemitério de ideologia onde tudo principia/ Dormência dor e inchaço/ A humildade de um escravo, a discrição de um monge/ Tenho a vastidão das savanas, navalha que vento abana/ Paisagem  vista de longe./ Sou peixe que voa nas águas entre marés e tufão/ Sou a dor e a própria cura, sou  astro na  noite escura/ observado do chão”. O movimento agora é para que o “impossibilitador” da publicação desses versos em cartilha já escrutinada e aprovada, reconheça seus erros, retire o impropério de se achar o rei da cocada e permita que outros cinco tenham suas obras publicadas. Dentre eles, esse Lázaro. 
O escritor que só conseguiu publicar seu livro após partir é o também muito meu amigo (e continuará sendo mesmo estando em outro plano). Amanhã, 22/08, 20h na Casa Ponce Paz (cruzamento das ruas Antonio Alves e Ezequiel Ramos) acontece o lançamento do livro “ENERGIA: ALTERNATIVAS - CONCEITOS DE CONSERVAÇÃO DE ENERGIA SUSTENTÁVEL”, obra póstuma escrita por DÉCIO BASSAN. Muito já escrevi dele aqui, tanto do autor, como da obra e da forma como foi escrita. Agora chegou o grande dia. Tudo ficou pronto e o sonho do Décio está sendo realizado, mas ele não conseguiu chegar vivo até aqui. Suas forças se findaram com a entrega dos originais para a esposa e o filho. Ele foi um bravo, até o último instante. “O livro foi escrito para o filho Bruno Bassan Miranda e expõe de forma muito didática a necessidade de cuidar do meio ambiente adotando formas de obtenção e conservação de energia, desde atitudes cotidianas individuais à políticas governamentais globais. A publicação do livro era seu sonho e é resultado do esforço dos amigos e da família, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura. O livro será autografado pelo filho. Apesar da tristeza por sua morte no dia 26 de julho de 2012, o lançamento é uma celebração à vida e uma homenagem a ele, que foi um homem de bem, grande intelectual, muito querido em Bauru e por onde passou”, esse o texto de divulgação numa página aberta só para falar do livro no facebook. Vamos todos surpreender a Rose Barrenha e seu filho Bruno, lotando o espaço e proporcionando uma grande noite para todos os que estiveram envolvidos nesse lançamento. Do Décio poderia reproduzir aqui alguns trechos do seu livro, mas não o faço, pois o interessante mesmo é irmos lá, comprarmos, revermos pessoas queridas e depois, todos juntos pararmos para o papo, principalmente sobre o grande tema que ele escrevinhou de forma profética. Eu vou estar lá e você? Esse, assim como Lázaro são possuidores de gavetas e gavetas cheias de escritos, apontamentos e algumas obras prontas. Muita coisa brava de ser encarada continua sendo lançada a cada dia e com grande pompa. Outros para desengavetarem e conseguirem a publicação precisam de um empenho desconcertante, roteiro de "sangue, suor e lágrimas".

terça-feira, 21 de agosto de 2012

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (58)

PARA MIM, DEBATE DE “ALTO NÍVEL” É ALGO FRIO, INSOSSO, INODORO E INSÍPIDO*
* A charge diz tudo: ouça, esmiuçe, investigue seu candidato e só sacramente após ter absoluta certeza. É do Gilmar.
Um debate aconteceu ontem em Bauru entre os quatro candidatos à prefeito de Bauru. Patrocinado pelo grupo facebookiano denominado “Vivendo Bauru”, bancado, dirigido, comandado e articulado pelo publicitário Renato Senis Cardoso. Nada contra esse ou aquele grupo patrocinar debates. Eu, particularmente não sei se isso acrescenta algo mais do que todos já sabemos dessas quatro pessoas e suas propostas, nada mirabolantes, reafirmo. Perco pouco tempo com isso e acredito, que mesmo agindo dessa forma não estou menosprezando, muito menos não dando a devida importância para essa eleição. Eu até quero dar, mas é que a ladainha de que um é diferente do outro, faria melhor, escolheria outro caminho, teria outra rota me dói, pois dos quatro, três são muito parecidos, Rodrigo, Chiara e Gazzetta. Paulinho é diferente, mas sem nenhuma chance dentro do esquema atual. Não espero nada além do trivial desses três. O que vejo é que, com alguns a coisa pode até piorar. Bauru não merece isso. Hoje, todos são santos (do pau oco, viu!), amanhã será um deus nos acuda, pois todos já vimos esse filme. Bonitinhos por fora, mas pão bolorento por dentro, pois ocultam segredos inconfessáveis aos pobres mortais. Por isso, prefiro ficar na minha, quieto e reservado. O que gostaria de ver acontecendo na cidade, tenho absoluta certeza que nenhum dos com condições de ganhar farão. Nada de revolucionário, de cutucar quem deve ser de fato cutucado, de abalar as estruturas, de propor o realmente novo e inovador. Tudo de conformismo e adaptação ao modelo vigente, com alguma reforminha, como essas que faço aqui em casa, meras escoras para a casa não cair de vez.

Tive coragem de assistir trechos do debate e da afirmação de todos: “Foi um bom debate, de alto nível”. Só por isso, da forma como foi colocado, vejo que se todos os demais forem iguais a esse não preciso assistir a mais nenhum, serão todos iguais. Vamos cuidar de nossas vidas e fazer outra coisa. Quero que os candidatos saiam de lá incomodados, com a pulga atrás da orelha, com perguntas desconcertantes, questionamentos que gaguejarão ao responder, irritados até o último fio capilar, pois do contrário, confesso, já estou saturado da previsibilidade. Pecaram os entrevistadores pela falta de coragem de instigar, provocar e cutucar. Fizeram algo bonito, merecedor de elogios pelo ajuntamento de pessoas da cidade nos bastidores, mas não inovaram no formato.
Já do grupo “VIVENDO BAURU” algumas considerações. Colo abaixo algumas das postagens feitas pelo Renato lá no grupo: “Jornalistas interessados no agronegócio: Montamos o grupo Agronegócio e estão todos convidados a postar artigos técnicos no grupo e convidar empresário do ramo. Link ao site www.expoanimais.com.br”, não conseguiria permanecer atuante num grupo que apoia o agronegócio, que tanta infelicidade leva ao homem do campo.Tudo acertado entre governo do Estado e prefeitura municipal. Pelo link http://www.baurunapolitica.com/2012/08/hb-e-repassado-prefeitura-de-bauru.html Hospítal de Base é repassado à Prefeitura de Bauru”, esse foi publicado sem nenhum outro comentário, como se tudo estivesse ocorrendo e da melhor forma possível na transferência da AHB para o Governo Estadual. “Sabesp em Bauru e Hospital de Base para a Prefeitura: arranjo perfeito e não se fala mais nisso”, aqui uma clara demonstração de que o dirigente do grupo é sabespiano de carteirinha e comunga das idéias privatistas para o setor da água e, consequentemente, de tudo o mais. Acredito não haver imperfeição maior que essa. Continuarei recebendo posts desse grupo (e até respondendo a algumas, debatendo se possível for), mas deixo claro, não coaduno com as principais ideais do seu núcleo gestor. As minhas são exatamente no oposto disso.

Para encerrar, posto como ilustração ao texto algo presenciado domingo na feira e faço questão de registrar, o amigo Aldo Wellicham desfilando com uma pomposa camiseta de descrédito a tudo o que se refere ao quesito eleitoral (da forma como se apresenta). Fotografei e deixo aqui registrado como mais uma dica: ele me disse comprar a camiseta por meros R$ 9 reais, a impressão segue a reprodução de sua idéia e foi feita numa loja de galerias na rua Batista, mais uns R$ 10 reais. Depois é só fazer como ele, ter a coragem suficiente para sair garbosamente expondo-a pelas ruas. Faz o maior sucesso por onde passe.

UM LANÇAMENTO: Márcio ABC, o jornalista da TV Tem, e ex do Bom Dia lança mais um livro hoje na cidade, dessa vez o romance “PATER”, passado no governo Collor e esmiuçando a conflituosa relação de um coronel do Exército e seu filho, líder estudantil. Fica a dica, mas como pego estrada nesse momento e só volto altas horas, não tenho como compartilhar do abraço com ele. O faço depois. É gente de Bauru escrevinhando de forma avassaladora, contínua e desestressante. Amanhã aqui, três poemas de outro escrevinhador, esse poeta, Lázaro Carneiro, um que escreve como poucos, mas encontra pouco espaço para publicar. O outro lado da mesma moeda.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

RETRATOS DE BAURU (126)
CARIOCA, O POPULAR E ECLÉTICO LIVREIRO DE RUA
Todos na Feira do Rolo o conhecem por Carioca, uns poucos o chamam por Chico e só os credores e cobradores o identificam pelo nome completo, Francisco Carlos Jaloto. O certo, como dois e dois são quatro (são mesmo?) é que sua atividade, a de livreiro de rua, pela forma como é praticada, com alegria, desenvoltura e uma troca contínua de experiências, é a forma mais adequada encontrada por esse quase cinquentão a tocar sua vida. Veio para Bauru há uns vinte e lá vai fumaça anos e já fez de tudo um pouco, desde vendedor de bingo e até com carteira assinada em fábricas locais (um luxo dentro do momento atual). Quando descobriu o gosto por conciliar o que gostava, a boa música e a boa leitura, foi trabalhar na rua, na feira dominical e passou a estocar tudo em sua casa e revender como pode e dá. Transformou-se numa pessoa ainda mais alegre e isso é constatado a cada reencontro, pois sempre está radiante com a vida e as possibilidades que ela lhe ofereceu e propicia. Vive disso, de revender livros, LPs, CDs, DVDs e alguns outros penduricalhos, agregados e a lhe propiciar ganha pão suado, mas cheio de contentamento. Ganhou fama e já faz parte do folclore da Feira do Rolo sua resposta no dia em que recebeu livros doados pelo técnico de basquete, Antonio Carlos Barbosa. Tinha contas a pagar e uma senhora quis levar dois, ali na hora, ele nem pensou muito para dar a resposta definitiva de como toca sua vida: “Não posso fazer isso hoje, pois ainda não li. Deixa-me curtir um pouco eles. Semana que vez, talvez”. Um filósofo, sempre a receber os mais assíduos do lado de traz do balcão, com uma cervejinha gelada ou até um vinho e sempre com uma novidade ao gosto do freguês. “Olha o que encontrei, não é a sua cara?:”, diz apresentando algo novo, seja um livro ou um disco. O local virou point de muito bate-papo e já está em andamento um algo mais, um espaço onde consiga agrupar e acolher esses admiradores todos nas manhãs dominicais e dali propagar ideias revolucionárias, ou seja, gente que lê e ouve boa música fazendo e acontecendo. Nesse último domingo, uma preocupação saída de sua rápida sacada após vários candidatos peregrinarem diante de sua agitada banca. “Nós daqui da feira temos um pouco de receio com mudanças, pois todas as vezes que muda governo, o novo já quer mudar tudo e tentam de tudo com essa aqui. Até acomodar tudo leva um tempão e as incertezas crescem”, conclui. Carioca e alguns outros daquele reduto democrático e fantástico (babilônico, diria) precisam ser é valorizados e reconhecidos como reais propagadores de cultura, entretenimento e alegria. Ele já ocupou o seu espaço, produz luz mais que própria, sendo hoje uma espécie de instituição, raridade, dessas em extinção , felizmente existem muitos preocupados com sua preservação. O jornalista Benedito Requena, um dos tais habituais frequentadores traduz tudo numa frase: “Quando não passo lá num domingo, a semana parece ter quatorze dias, demora a passar”.
OBS.: Aqui tudo o que já escrevinhei dele no blog - http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=banca+do+carioca  

domingo, 19 de agosto de 2012

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (75)

ELE ATRAVESSOU A RUA PARA PRESENCIAR UM TRIO DA PESADA
Tudo para mim acaba se transformando numa grande história. Observo tudo à minha volta e o transformo num escrito. Eis o motivo de estar rodeado de infinitos papéis e o nome mafuá para meu local de trabalho e escrevinhação. Ontem, 18/08 aconteceu mais um episódio a comprovar isso. Saímos à noite, eu, Ana e a mana Helena e o local escolhido foi um restaurante na avenida Octávio Pinheiro Brisolla, o LA TERRASSE CAFÉ. Local refinado, um pouco fora do meu padrão de acessibilidade, ou seja, acima de minhas parcas posses. Fomos todos por um único e salutar motivo, quem tocaria por lá era um trio da pesada dentro do cenário musical bauruense, o BOSSA JAZZ, formado por Denise Amaral no vocal, Ralinho na bateria e Roger no teclado. Sábado de poucas opções, ouvir e ver jazz com eles no comando é algo que aprecio muito, como se estivesse a desfrutar de uma fina iguaria. Encaramos. 
Curtimos muito tudo. Denise cantou divinamente, principalmente na nova roupagem de alguns clássicos de Billy Holliday. Ralinho nos mostrou das potencialidades de sua nova bateria, uma norte-americana, que define muito melhor um propício som, principalmente para o jazz. Roger está se consolidando como um dos grandes do teclado bauruense e já ocupa o lugar antes ocupado quase que exclusivamente por Badê. Gosto deles todos e do esmero e dedicação com que trabalham. Uma devoção. Pergunto a eles num certo momento: “Onde ensaiam?”. Dão sonoras risadas e me dizem quase em coro: “Aqui, nos palcos. Estamos todas as semanas juntos. Não dá nem tempo”.
Uma história ontem me fez escrever sobre eles. Num certo momento Ana sai para a calçada, o tal do cigarrinho e lá se depara com um rapaz extasiado com o som. Pede um a ela e travam um diálogo incomum. “Vinha descendo a avenida após um trabalho lá para cima e ouvi esse som do outro lado da rua. Não acreditei, precisava conferir o que era e quem produzia. Não tenho condições de entrar aí e vou ficar aqui na calçada curtindo cada momento. Que coisa linda, não? Quem são?”, diz. Ana me chama e volto lá para conhecer o tal moço, era o ARTHUR ROMIO, estudante da Unesp Bauru, curso de Jornalismo e o que acontecia era uma espécie de hipnose musical. Embalado pelo que ouvia, atravessou a rua e estava estático, absorto pelo som que saia daquele casarão. “Isso tudo é tão mágico, é para poucos, para quem tem a sensibilidade. Não resisti, precisava escutar isso mais de perto. Que rico som, só saio daqui quando acabar", diz.

Fico a papear com ele por certo tempo, ambos curtindo o som de outro ângulo, o da calçada. Antes de voltar para a mesa, lhe digo algo que, também fruto da observação, colhido olhando para os lados, só na observação: “Você atravessou a rua e veio aqui curtir o som e muitos dos que estão lá dentro, estão indiferentes ao que é tocado, não percebem, não curtem, não usufruem e até reclamam. Veja aquela mesa grande, mais de dez pessoas e ninguém nem aí com a música. Sim, isso tudo é questão de pura sensibilidade”.


OBS.: Hoje é domingo, meu post precisa ser curto, pois a feira me espera. Faz três semanas que não compareço na Banca do Carioca e quando isso ocorre, fico trêmulo. Vou lá jogar conversa fora e buscar um LP que ele me arrumou, uma preciosidade, o do trompetista Raul de Souza, “Sweet Lucy” (Capitol, 1977). De lá, tento juntar alguns dos próximos para curtirmos junto um almoço do meio do mato, lá na Festa da Padroeira em Barra Grande, Capela de São Roque, pertinho de Tibiriçá. Vai ter violeiro, almoço coletivo, gente simples a dar com pau e poeira idem. O duro vai ser driblar os candidatos, que certamente lá estarão a distribuir santinhos e promessas. No mais, aquele abraço para o jornalista esportivo do JC, LEONARDO DE BRITO, que na edição de sexta, 17/08, de sua coluna, a Em Confiança escreveu isso: “Aquele abraço Aldo Wellicham e Henrique Perazzi de Aquino, amigos de fé, inteligentes, noroestinos roxos”.
O vídeo é uma pequenina amostra grátis do que esse trio apronta quando reunidos no mesmo palco.