quarta-feira, 21 de novembro de 2012

RETRATOS DE BAURU (133)

JOÃO BRÁULIO, ADVOGADO E MILITANTE DA SUA E DE OUTRAS CAUSAS
Assumir sua negritude faz parte de todo um processo de vida. Alguns ainda a renegam quando sua cor é parda, outros como no caso do advogado JOÃO BRAULIO SALLES CRUZ fazem questão de assumir serem negros e mais que isso, promovem a defesa da causa e da luta pela defesa (e ataque) dos seus direitos. O preconceito no caso brasileiro, não é mero conceito, algo distante das ruas e das lutas, mas prática usual no dia a dia e para quebrar isso se faz necessário atuantes entidades como o regulamentado Conselho da Comunidade Negra de Bauru, presidida por esse advogado e com atuação durante o ano todo, sempre visando o melhor entendimento da sociedade do que de fato continua acontecendo com os negros. Presidir o Conselho é mais uma etapa de sua vida, como a de recentemente ser pai, a de pilotar uma possante moto pela cidade (driblando um trânsito cada vez mais caótico) e a de, com a devida galhardia vasculhar a cidade em busca de um lazer diferenciado. Vê-lo nas rodas de samba, nos saraus do SESC é a certeza de que está recarregando suas pilhas a contento, depois de horas de trabalho envolvido com as questões trabalhistas, sua especialidade. Bráulio toca sua vida com maestria, sujeito calmo, cordial, franco, porém com um algo mais, sempre envolvido com as boas causas, locais e nacionais, além da precisão no veredicto. Não protela nada, direto e objetivo, resolve tudo com rapidez, atento e sem perder a contundência, nem a atenção a tudo e a todos. Alguém a dignificar a categoria, a profissão e a raça.

Obs.: Ontem fico sabendo de mais uma, o Conselho já deveria ter providenciado nova eleição para presidente, mas no setor da Prefeitura, responsável pelo pleito, a documentação desapareceu e para que a presidência não fique acéfala, Bráulio continua no cargo, aguardando que tudo seja devidamente reencontrado nas hostes burocráticas municipais. E tira tudo de letra, executando tipo um mandato complementar e tampão. Ontem também o Dia da Consciência Negra, ponto facultativo na cidade, mas pouco comentado por aqui, pois acredito que assim como o do índio, todo dia é dia de negro. Aliás, todo dia é dia de tudo, junto e misturado.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

UMA MÚSICA (92)

O STF ESTÁ FAZENDO DO BRASIL UMA “TERRA DE NINGUÉM”
Eu faço um esforço danado para tentar entender como se processam os julgamentos dentro do STF – Supremo Tribunal Federal, nossa instância maior e mais poderosa (bota poder nisso). Tempos atrás já a entendia como parcial, quando Gilmar Mendes livrou da cadeia por duas vezes seguidas o banqueiro Daniel Dantas e nenhum dos demais membros piou. Aquilo foi escabroso. O tempo passou e sempre fiquei a observar como alguns deles legislam. O Direito permite uma verdadeira “viagem alucinógena” até o veredicto final, mas não aberrações como as que estão ocorrendo nesse momento. Tudo ficou exposto com maior exatidão quando do dito Mensalão, onde Lewandowisk mostra-se o mais lúcido. Um julgamento totalmente parcial, feito somente para criminalizar um partido político e nunca a corrupção existente no país. Até as pedras do reino mineral sabem que o que estão querendo é enquadrar o PT (e tão somente ele) como o culpado de toda a corrupção do país e para isso desvirtuaram a legislação existente. Passaram a julgar por presunção e vulgarizaram a tese do Domínio de
Fato. Condenaram a maioria sem a existência de provas e fizeram o país inteiro acreditar que estavam certos e de que “só” os petistas são corruptos até a medula. A mídia quis mostrar sua força e mais uma vez impõe que acontecimentos não há se ignorados por eles. Para esses só os crimes sem prova dos petistas valem, livrando descaradamente a cara dos crimes comprovados dos tucanos. Que justiça é essa? A quem ela quer enganar? A quem ela serve? Quer mais imposição de um pensamento único do que isso, não existe. Eles estão fazendo gato e sapato do país e ninguém reclama. Querem a prova final de tudo isso? Ela me veio mais uma vez, pela enésima vez ontem quando um ministro do STF, Marco Aurélio de Mello deu uma decisão de sua casa, sentado em sua poltrona preferida, livrando a cara do governador de Goiás, Marconi Perillo - PSDB e impedindo que ele seja obrigado a comparecer a depoimento do caso Cachoeira. Esse governador, assim como o jornalista da revista Veja foram pegos com a mão na botija e tem mais do que uma simples culpa no cartório. Deveriam ambos estar no banco dos réus. Imaginem o que seria feito deles se  fossem do PT? Que país é esse onde penalizam uns sem provas evidentes e outros com provas mais do que evidentes de envolvimentos em atos criminosos e de corrupção são dispensados de depor, quanto mais de serem julgados? E nossa presidente, ainda ontem na Europa diz que acata as decisões da Justiça. Deveria denunciar a Justiça, sugerir Tribunais Internacionais para revisão do que foi feito, isso sim. Deveria anistiar todos os penalizados de forma injusta e peitar isso tudo. Bato palmas para o PT quando informa que não expulsará nenhum deles, pois o julgamento foi atípico e recheado de irregularidades.

Puto da vida, sentado aqui dentro do meu mafuá, busco uma música para entender isso tudo e uma delas que me veio à cabeça é a “Terra de Ninguém”, autoria de Marcos e Paulo Sérgio Valle (gravada pela primeira vez no LP, “O Fino da Bossa”, Elis e Jair, 1964). Ela, na verdade retrata a situação do nordestino, mas cai como uma luva para o triste momento, onde a Judicialização do país o está caracterizando como uma terra onde só os muito queridos têm voz e vez. Sintam o poder da letra e a comparem com esse péssimo momento da Justiça brasileira, mas antes ouçam a interpretação de Alaíde Costa no link a seguir http://www.youtube.com/watch?v=aDvurf2HJnQ: “Segue nessa marcha triste/ Seu caminho aflito/ Leva só saudade/ E a injustiça que só lhe foi feita/ Desde que nasceu/ Pelo mundo inteiro/ Que nada lhe deu./ Anda, teu caminho é longo/ Cheio de incerteza/ Tudo é só pobreza/ Tudo é só tristeza/ Tudo é terra morta/ Onde a terra é boa/ O senhor é dono/ Não deixa passar./ Para no final da tarde/ Tomba já cansado/ Cai um nordestino/ Reza uma oração/ Prá voltar um dia/ E criar coragem/ Prá poder lutar/ Pelo que é seu./ Mas…/ O dia vai chegar/ Que o mundo vai saber/ Não se vive sem se dar/ Quem trabalha é que tem/ Direito de viver/ Pois a terra é de ninguém”.

OBS. final: Qualquer leigo entende que esse escrito não é uma defesa ao PT e a alguns dos que cometeram irregularidades, mas sim, um GRITO DE ALERTA para a demonização que a mídia impõe a alguns, isentando outros. A corrupção continuará mais atuante que nunca depois disso tudo, como está sendo oficializado e pior, decretando que uns podem lesar o patrimônio, com as vistas grossas de todos e outros não. E nós vamos continuar quietos como se nada estivesse em curso? Esse protecionismo exacebado à uma cruel elite, principalmente comandada hoje pelos barões da mídia estão desvirtuando os rumos desse país. Estamos mais conservadores, moderados, estáticos, passivos e aceitando tudo, resignados.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

PALANQUE – USE SEU MEGAFONE (32)

LIXO ESPALHADO PELAS RUAS, CALÇADAS, PARQUES, RIOS E ADJACENCIAS
Circulei pelo centro da cidade nesse final de semana quando tudo estava fechado e contatei algo triste de ser visto: a cidade está suja e feia, com muita coisa espalhada pelas ruas, sinal de abandono. Comentei com amigos e um me disse: “Experimente voltar lá num domingo final de tarde, após o fechamento das lojas e verás algo característico de um filme de terror”. Fui e é isso mesmo. Lixo por tudo quanto é lado. Essa situação não é a mesma de muitas cidades por onde circulo com certa frequência. Ao hoje abrir meus e-mails, lá um texto de um preocupado bauruense com a situação calamitosa de nosso maior cartão postal. Por absoluta falta de tempo para escrever algo sensato hoje, reproduzo o que recebi:

CIDADANIA NÃO SE PRESUME, CIDADANIA PRATICA-SE!!!
Prezados Senhores: Sem dúvida alguma é o PARQUE VITÓRIA RÉGIA o nosso melhor e mais procurado parque público. Podemos até dizer que é o nosso "Parque Ibirapuera" nas devidas proporções. O lugar é muito agradável e oferece muitas opções para que o cidadão, sozinho ou com a família e, até mesmo com amigos, passe horas agradáveis nesse local "PÚBLICO" que a cidade nos oferece.

Dentro de uma realidade o local está muito bem conservado, restam coisas para fazer mas em parte os frequentadores (sem mencionar este ou aquele) não colaboram para que o lugar fique sempre limpo e mais agradável. A Emdurb cuida do local na medida do possível, coloca lixeiras e sugere que todo o lixo resultante dos momentos de lazer e descontração seja colocado nos recipientes próprios para isso e que facilitarão o trabalho dos garis da Prefeitura. Mas, o que os senhores irão ver a seguir é uma pequena mostra da realidade existente nesse que é o CARTÃO DE VISITA da cidade aos finais de semana prolongados ou mesmo nos comuns.

NECESSÁRIO que a PREFEITURA exija dos responsáveis pelo parque que, no mínimo coloquem funcionários para fazer a limpeza constantemente, que coloquem VIGIAS para controlar educadamente essa mania do povo de jogar lixo onde não é lugar de lixo, fazer com que o POVO saiba e entenda de uma vez por todas, que o lugar é PÚBLICO e que poderá oferecer muito mais se houver colaboração e educação por parte de muitos dos usuários que não respeitam um mínimo de higiene e limpeza.

Com os senhores a palavra final, coloquem em votação, peçam orientação aos vereadores, agora temos muitos NOVATOS que certamente estão com NOVAS ideias e MUITA disposição. Vamos aproveitar TUDO isso?

Obrigado pela atenção - José Ramos Schubert (todas as fotos são suas).

domingo, 18 de novembro de 2012

MEMÓRIA ORAL (130)

HISTÓRIAS DOMINICAIS E A DA BARRACA QUE NÃO QUER SER DESMONTADA
O domingo sempre é um dia especial quando passo pela Feira do Rolo, dominical ponto de encontro no centro de Bauru. Não existe nada igual em congraçamento humano na cidade do que aquela babilônia. Nesse acordo mais cedo do que nos demais domingos, passo pela Banca do Carioca, meu livreiro de plantão e ele me dá a dica do domingo: “Trouxe uns livros extras hoje só para trocar na Feira de Trocas ali dentro do espaço da Estação Arte”. A Estação Arte começou ainda no meu tempo de Secretaria Municipal de Cultura, coisa de uns cinco anos e perdurará para sempre, pois une o público da feira dominical e o da do Rolo, dentro do espaço da antiga Estação da Cia Paulista e hoje abrigando o MIS e o Museu Histórico. Tudo isso junto (e misturado) vira algo indescritível.

A passada por lá tem um motivo, livros. Tinha outros bons para lá estar, como a Maria Fumaça apitando desde muito cedo e os artesãos vendendo seus produtos, junto com barracas de quitutes, essas com característica beneficente. Encrustado ali no meio disso tudo uma banca de livros, nesse domingo debaixo de uma frondosa árvore, pois a banca original havia apresentado um problema na porta. Sob o comando de Walter Tomaz Ferreira Jr, funcionário da Cultura a movimentação ocorria e fervia o local. O esquema é fazer a troca, deixando um e levando outro, mas ninguém sai sem levar algo que lhe interesse. Walter permite que levem o livro mesmo não havendo o escambo, afinal a leitura é o que interessa. Ele é um entusiasta disso tudo e fala da expansão do projeto: “Para o ano que vem serão mais seis bancas, espalhadas Bauru afora e o grande problema para viabilizar tudo será o aparecimento de mais voluntários. Surgindo montaremos até mais bancas”, diz um emocionado servidor. Trago o meu, "Morte e Vida Severina", do João Cabral de Melo Neto.

A passagem pela feira nesse domingo tinha hora para começar e terminar, pois o Noroeste jogaria no Alfredão às 10h e no primeiro joga da decisão da Copa Paulista (vaga para a Copa do Brasil do ano que vem), contra o Audax da capital e do outro lado da cidade. Vou só e logo de cara encontro do assessor parlamentar Fabrício, depois o ex-cunhado Agrício e o vereador Roque Ferreira. Com esse time assistimos o Noroeste vencer por 2 x 1. Casa cheia com aproximadamente 5 mil pessoas e a felicidade de ver o Noroeste ir se reerguendo aos poucos, com propostas de rejuvenescimento para seu futuro e com um time com muita sorte em campo. Dois gols meio que achados, mas que fizeram a felicidade de todos que por lá estiveram. Domingo que vem, a decisão será no campo do adversário, quase neutro (o time é de empresários e não possui torcedores), no do Nacional, beira dos trilhos e no coração da capital paulista.

De lá, paro para comprar meu almoço matinal, um galeto e quem me indica um bem tostadinho é o vereador. Ali pertinho de sua casa paramos no mini-mercado Cheiro Maneiro, propriedade do Valdeci e da Eleide, boca de entrada (ou de saída, sei lá!!) do parque São João e por meros R$ 15 reais levo um com batatas assadas, farofa e um algo mais, pois fico sabendo que era o que o dono levaria para casa. Almoço com os de casa, descanso um bocadinho e vou conhecer um local dos mais falados na região da feira (sempre ela).

Feira, sabemos, tem hora para começar e para acabar. Em Bauru não é bem assim, pois tem feirante que chega no meio da noite para atender os que saem dos bailes e passam para degustar uma comidinha antes de dormir. Tem desde pastéis e produtos com milho. E agora, no encerramento, de uns tempos para cá, tem também os que não querem mais ir embora. Isso mesmo, quando tudo é desmontado lá na Feira do Rolo, bem no meio dela tem uma barraca que insiste em permanecer no local. É a L&L Espetinhos, do trio familiar Marcelo (filho), Sônia (mãe dele) e o Marcelo (pai), que descobriram esse novo filão possibilitado pelo ajuntamento de pessoas no local. Foram ficando mais um pouco e quando se deram conta, dia desses, desmontaram tudo depois de oito da noite. Passaram e muito de algo como uma normal prorrogação.

Passo lá por volta das 15h30, quase duas horas e meia depois de tudo encerrado e ainda um grupo animado de umas dez pessoas permanece debaixo da barraca, mesmo com um solão de rachar mamona fritando o paralelepípedo em volta. Resistentes e persistentes, bebem umas geladas e comem os derradeiros espetinhos. Cada um ali tem história para contar. Tem a do morador da quadra 4 da Gustavo, que não tendo coisa melhor para fazer em casa vai ficando, ficando e esquece de tudo o mais. Tem um japa, que guardou na camionete tudo o que sobrou da venda do dia e fica ali proseando, numa espécie de recarregamento de energias. Tem o próprio seu Marcelo, que também foi ao jogo e fica agora contando vantagem sobre o que viu e maldizendo com um palmeirense ao seu lado.

Marcelo Filho tira fotos para mim do movimento todo e me mostra um algo mais. Na esquina da Gustavo com a Júlio Prestes permanece armado um toldo amarelo e do barracão aos fundos, antes uma igreja, hoje um depósito, um barulho de gente fazendo festa. “São outros feirantes, que também ficam festando até mais tarde. Tudo gente amiga, que aproveita a união para o trabalho e quando tudo chega ao fim, aproveitam para estender o papo. Quando encerro as atividades na minha ali no meio, vou para lá com minha família e devemos ficar até umas oito da noite. A festa sempre vai longe. Feirante é muito alegre e unido”, explica. Olho para os lados e vejo tudo já limpo, os funcionários da Emdurb, responsáveis pela limpeza do local já terminaram seu serviço de coleta do lixo e esses insistem em continuar no local.

Antes de deixar o local, Marcelo Filho ainda me diz um algo mais: “Eu vivo disso aqui e de outra barraca que tenho montada em frente à Faculdade Anhanguera, ali na Moussa Tobias. E mais, gosto do que faço”. Eu não digo a ele, mas também gosto muito de ver como algo surge naturalmente e vai se estendendo, ganhando corpo, crescendo, cheio de vigor. Essa barraca isolada no meio de uma feira já toda desmontada é como uma ilhota isolada no meio do mar e esse é o seu encantamento. Ao me afastar, o morador da quadra 4 da Gustavo me diz: “Te conheço dos jornais. Gosto do que escreve e seria muito te pedir para falar da gente num deles”. Seu pedido está atendido (não via jornal, mas blog) e aqui está explicado um bocadinho do porque muita gente gosta cada vez mais de lugares como esses e desgostam de permanecer dentro de casa curtindo calor, poltrona e facebook num dia como esse. Ali está se tornando o point dos feirantes que se recusam a voltar rapidamente para casa. .

sábado, 17 de novembro de 2012

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (79)

DE UM LADO, MARCHA DA PERIFERIA E DO OUTRO, ENTENDENDO UM PAÍS PERIFÉRICO
Final de semana em Bauru respira Jogos Abertos do Interior. Porém, nem todos os caminhos levam a Roma, alguns atravessam o Rubicão e nos fazem viajar por caminhos pouco navegados. Vivo sendo instigado a conhecer e percorrer outros caminhos, seguir outras propostas, adotar posturas diversificadas e indico algo dentro desse perfil:

ONDE IR  – “Para celebrar o dia da Consciência Negra, 20 de novembro, e o dia Internacional do Combate ao Machismo, 25 de novembro, diversos atos e manifestações serão realizaram pelo País. A Marcha da Periferia é um grande ato durante a Semana da Consciência Negra, realizado há seis anos no Maranhão, tendo à frente o Movimento Hip Hop Organizado Quilombo Urbano. Neste ato com o lema “Contra a Violência e a Criminalização da Pobreza” se juntam moradores da periferia, operários, estudantes, professores, movimentos negros e quilombolas, grupos de Hip Hop, sem tetos, sem terra e todos aqueles que desejam construir um Brasil sem desigualdade social, sem violência, sem discriminação de qualquer espécie, vítimas de machismo, homofobia, enfim, qualquer tipo de opressão. Precisamos descriminalizar a pobreza em nossa cidade, precisamos mostrar que a periferia também tem voz ativa, e que somos nós, os trabalhadores, independente de sexo, raça, cor, orientação sexual, somos nós que somos a força e a base da sociedade, e é nós que podemos mudar essa realidade de opressões!”, esse o enunciado de um CONVITE para a 1º MARCHA DA PERIFERIA DE BAURU. Sou convidado por GISELE COSTA, candidata a vice-prefeita pelo PSTU na última eleição municipal e vejo aí nesse ato uma possibilidade de congraçamento de idéias, ideais e posturas diante do que acontece à nossa volta. Será hoje, 17/11, 14h defronte à Câmara Municipal de Bauru e o percurso será até o Parque Vitória Régia.
OBS.: Cliquem em cima dos dois cartazes para os verem grandões diante dos seus olhos.

ONDE ESTAREI: Meu filho, HA, 18 anos presta amanhã seu segundo vestibular na vida (passou em Design ano passado, desistiu ainda no 1º Semestre do curso e agora presta para Letras, Unesp Araraquara). Nessa semana, devorando algumas leituras e num cursinho para tentar entender algo de Exatas (gosta mesmo é de Humanas, como o pai), confabulamos sobre a situação da VENEZUELA. Diz-me: “Pai, a Venezuela não é bem quista pela comunidade internacional e o Paraguai não a aceitava no Mercosul por esse motivo, não?”. Explico a meu modo: “Que comunidade internacional filho? Veja o interesse de quem se diz contrário a isso. Não leia nunca somente uma fonte de informação. O Paraguai, você sabe, teve seu governo derrubado por um golpe de estado e tanto seus legisladores, como o atual governo estão atrelados aos interesses norte-americanos, pregando abertamente uma dependência a eles. O Mercosul quer trilhar outros caminhos e padece por isso, inclusive com os interesses da mídia, contrários a isso. E analise também antes de um posicionamento o que era a Venezuela antes do Chávez e hoje, décadas depois, com ele no comando do país”. Ele retruca: “Mas as eleições com ele ocorreram sem fraudes?”. Minha resposta: “Sim, todas. O único senão de Chávez foi quando de sua entrada no cenário político numa tentativa frustrada de golpe, depois sua permanência no poder foram todas por eleições dentro da legalidade. Pesquise também sobre outro golpe, quando o destituíram e o povo inflamado nas ruas exigiu que o recolocassem no poder. A oligarquia venezuelana é muito cruel, insana, predatória, só pensa nela e o analfabetismo grassava no país. Compare, pesquise”. Passaram-se uns dias e ele voltou ao assunto: “Pai, fui pesquisar e constatei sobre a retirada do cárcere e recolocação no poder. Algo único na história. Quero ler mais sobre isso. Li também sobre como era a Venezuela antes dele e também sobre o papel cumprido pelo Paraguai no Mercosul, sobre os novos caminhos percorridos por alguns líderes latino-americanos e já não acho que a Venezuela é tão mal vista assim, ou seja, continuará sempre sendo mal vista pela parcela dos que exploram a população”. Indiquei a leitura de um livro que tenho aqui no mafuá, o “A Venezuela que se inventa”, do amigo bauruense Gilberto Maringoni, mas só o emprestarei a ele depois de terminado o vestibular de amanhã. Como já havia escrito aqui sobre o livro, cliquem a seguir e leiam algo mais: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=a+venezuela+que+se+inventa 

E amanhã, 18/11, 10h, estádio Alfredão, primeiro jogo da decisão do título da Copa Paulista, entre NOROESTE X AUDAX. Vamos ferver por lá e depois contar um bocadinho das histórias vividas por lá. E depois, no domingo seguinte, rever o estádio do Nacional, capital paulista, beirada dos trilhos, fazendo junto da torcida um tour por algo que fiz muito décadas atrás. Campeões e à procura de um novo direcionamento.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (22) E MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (203)

SIGNIFICATIVO DETALHE NA ABERTURA OFICIAL DOS JOGOS ABERTOS DO INTERIOR EM BAURU
Os jogos já começaram e isso é facilmente percebido numa rápida caminhada pela cidade, pois é praticamente impossível não trombar com algum dos seus participantes pelas ruas. Como todo evento oficial de grande porte, para dar vazão a uma infinidade de jogos e dar tempo de tudo terminar na data aprazada, algumas modalidades tem início antes da abertura oficial. Nesse não é diferente e desde quarta alguns locais já estão com movimentação acelerada e medalhas já foram entregues. Hoje, sexta, 16/11 a abertura oficial com todos os salamaleques de praxe, os discursos das autoridades, o desfile das delegações, o show com o Paralamas do Sucesso para aglutinar a massa, mas diante de tudo isso, no dia de hoje, lá no local desse evento, um algo mais me chama a atenção.

Algo simples, porém com um significado todo especial. Na abertura de eventos dessa magnitude, sempre uma coreografia especial a marcar o acontecimento. Três foram as escolhidas pelos organizadores locais. Sob a batuta da Secretaria Municipal de Cultura serão três as apresentações artísticas. Primeiro a Academia Garra de Tigre apresenta a Dança do Leão, depois o Grupo de Street Dance de Francine Manson e o motivo desse meu escrito, quando o diretor da Companhia Estável de Dança de Bauru, SIVALDO CAMARGO promoverá uma coreografia na pista, ensaiada com aproximadamente 70 alunos da EMEF Nacilda de Campos, da Vila Garcia/Jardim TV, com idade girando em torno dos 15 anos. Tudo foi montado em ensaios feitos no pátio da própria escola (um deles no local do evento, o Sambódromo) e feito em cima do Hino dos Jogos, criação do músico Jotha Luiz. A grandiosidade disso é o envolvimento de uma escola da periferia, toda motivada para a apresentação. Algo simples, como Sivaldo ressalta, saltando aos olhos ontem, num bate papo com ele foi a dissonância e a existência de várias Baurus convivendo no mesmo espaço físico. Num momento lá nos ensaios ele conversando com os alunos diz a eles sobre o show depois da apresentação, com os Paralamas e ouve deles o seguinte questionamento: “Mas quem são esses Paralamas que nunca ouvimos falar?”. O espanto, se existiu, reside no simples fato da massificação de cultura ser hoje quase padronizada com um tipo de cultura e o desconhecimento de todas as demais. E como conciliar isso tudo sem um agredir o outro? Trazer eles aos Jogos já é um bom começo, pois estarão sem aulas por duas semanas (as escolas estão sendo disponibilizadas como alojamento) e agora compreenderão melhor o que venha a ser isso tudo. E Siva (em duas fotos e na segunda, ele com sua mochila cheia de sapatilhas e buttons com temas de balett) tenta integrar esses nossos vários e diversificados mundos.

Aqui o link para ouvirem o hino, “Sem limites de superação (Jogos Abertos do Interior 2012)”, letra e música de Jotha Luiz: http://www.jogosabertosdebauru2012.com.br/JogosAbertos/Portugues/detJingles.php

JOGOS ABERTOS E FRANCOS – texto publicado BOM DIA Bauru em 17/11/2012 
A cidade pulsa mais com a efervescência dos Jogos Abertos do Interior. Por onde se ande lá estão atletas e isso rejuvenesce a todos. Entro no clima e faço meu roteiro, pouco lá, pouco cá. O investimento na área esportiva é sempre salutar. Devemos ser contra os excessos, abusos e privilégios. De início fui contra a reforma da Panela de Pressão com recursos públicos, pois entendia que seria utilizada somente para o basquete privado. Constatando uma coletiva utilização, passei a ser defensor de carteirinha. Aplaudo e só aciono a lupa investigativa para enxergar de perto como são os gastos com isso tudo. No sistema político vigente misturar o público com o privado é algo quase natural. Eterna vigilância. A crítica é sempre para o investimento envolto em névoas. Pior quando nem é feito e muito do que já existia cai no degredo. Os distritais do Gasparini e do Mary Dota vivem dias de penúria, verdadeiras chagas a céu aberto. Reformando estes, não bastaria devolvê-los funcionando e continuar com a mesma estrutura atual, onde até os caseiros jogam contra o patrimônio. Sem integração com a comunidade e funcional o dinheiro continuará sendo jogado fora. O caso do Milagrão lá na Nova Esperança é tudo o que o atletismo clamava. O medo é ocorrer o mesmo destino do Ginásio de Ginástica Olímpica, onde a precariedade predomina. O depois é o que preocupa. Todos sabem o que ocorreu com os estádios sul-africanos utilizados na Copa do Mundo. Gastar os tubos, utilizar somente agora e depois, sem planejamento, relegar tudo a um segundo plano é jogar dinheiro pelo ralo. E não permitir a repetição de erros no estádio Luiz Edmundo Coube. Está tudo novamente lindo por lá e seria bom perdurar. O prefeito Rodrigo Agostinho sabe de tudo isso e precisa dispor de gente qualificada para responder à tão delicada demanda. Tudo começa com uma compra bem feita. É inadmissível um tabuleiro de xadrez ser comprado por quatro vezes o valor praticado pelo mercado. Quando tudo já começa errado, dá-se a entender que o descaso pode ocorrer no processo por inteiro.
OBS.: Ambas as duas fotos foram tiradas na noite de 17/11 no Sambódromo e por Ana Bia.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

CARTAS (93)

O TAL DO "NINGUÉM GOVERNA SOZINHO" - carta publicada na Tribuna do Leitor, Jornal da Cidade - Bauru SP, edição de 15/11/2012 (http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=226108) 
Li a entrevista com o prefeito eleito de Jaú, Rafael Agostini, concedida ao JC (http://www.jcnet.com.br/Regional/2012/11/prefeito-eleito-de-jau-afirma-que-transicao-de-governo-sera-tecnica.html), e nela percebo a preocupação do futuro chefe do executivo com as nomeações impostas pelos partidos de sua base de sustentação para preenchimento das vagas nos cargos de chefia, principalmente os do secretariado. Lá ele tentará contornar o problema trabalhando com uma lista tríplice, fornecida pelos partidos e daí sairá o nome a ser empossado. Na eventualidade de nenhum ser o mais recomendado, recairá sobre si a escolha de outro nome, esse com qualidades e virtudes para resolver os problemas advindos do cargo a ser ocupado. Mas essa hipótese será sempre a mais remota, praticamente impossível.

Esse o grande problema do atual sistema eleitoral brasileiro. Ouvi muito falar dele durante os dois governos de Lula. “Ninguém se elege sozinho”, apregoam os próceres partidários. Lula tentou duas vezes de forma isolada e tentaria outras tantas até descobrir precisar se unir a um leque de siglas, algumas delas não muito recomendadas para coligações. Dessa forma se elegeu por duas vezes seguidas e mesmo debaixo da saraivada de críticas, fez e muito por esse país. Mas faria muito mais se não fosse praticamente obrigado a manter desqualificados em alguns dos cargos chave de seu governo.

Desse mal não padeceu somente Lula. Todos os que hoje querem se eleger dentro do sistema vigente são obrigados a se vergarem a esse tipo de jogo. “Sem apoio não se governa”, diz outro preceito, quase bíblico. E assim todos vão se comprometendo com o lado mais nefasto do atual sistema, no que se transformou a política nas condições atuais. Em Bauru a coisa se repete e também como farsa, uma mancha a atravancar o aceleramento governamental. O governo do Rodrigo patina e em alguns casos não sair do lugar, sendo obrigado até a andar de marcha à ré por
 causa da obrigatoriedade da manutenção de ineptos e também dos que usando de força (quase física), perpetuam-se nos cargos. O DAE, a COHAB, algumas secretarias, como a da Saúde, a do Esporte, vivenciam isso na prática.
Não pensem que isso acontece somente com os partidos que se submetem ao jogo político vigente. Até o PSOL, elegendo pela primeira vez um prefeito numa capital, lá em Macapá e dos que apregoavam “dessa água não beberei” já está propondo (e praticamente sendo obrigado) alianças nunca dantes imaginadas e até com gente ligada ao senador e manda chuva Sarney. Tudo para que consiga a tal da governabilidade. Não seria isso tudo um imenso retrocesso? Sim, mas enquanto perdurar esse regime político não existe outra forma. E a isso instituíram a nomenclatura de “democracia”. 

Finge-se que está tudo bem e mesmo que os ocupantes de cargo sejam os mais inoperantes possíveis, nada produzem, possuem peso e isso é decisivo, o que vale. Para mim esse peso é o que segura, amarra, como uma estaca fincada no chão a atravancar tudo. Pior que isso, só a perpetuação da predominância do estilo neoliberal de governar, mas isso já é outra história, tão longa quanto essa. 

OUTRA COISA - UMA ADESÃO DESSE HPA - CARTÃO DE APRESENTAÇÃO DE BRIZOLISTA ADENTRANDO O CAMPO DE JOGO: "Sou um BRIZOLISTA de quatro costados. Viajo muito ao Rio, sempre a trabalho, décadas atrás frequentei a chamada Brizolândia lá na Cinelândia, num dos cantos do prédio da Câmara Municipal. Era lindo participar das discussões, sempre muito acaloradas. Tenho bem vivo na memória a imagem de várias pessoas, verdadeiros personagens da cena brizolista. Faziam uma defesa aguerrida do momento do então governador. Colecionei durante muitos anos e mantive aqui comigo os famosos tijolões, aqueles compridões textos que o Brizola mantinha com regularidade no Jornal do Brasil. Foi uma pena tê-los perdido ao longo dos anos. Hoje me seriam de grande utilidade, até para consulta. Será que não existe um livro no mercado reunindo aquilo tudo. Existindo me avisem, que compro na hora. Anos depois fiquei fã do Brizola Neto e do seu site Tijolaço, que li até o momento em que saiu do ar, quando ele se transformou em ministro. Considero muito ele enquanto seguidor dos passos do avô. O ideal de Brizola permanece aceso dentro de mim, pois igual a ele e depois dele, alguns poucos (cada vez menos) me tocam profundamente. Hoje começo aqui a participar desse grupo, cheio de esperança de trocar muitas experiências, relatos, bater papo com gente afinada com um ideal justo e igualitário. Estou à disposição de todos (as). Sou bauruense, jornalista, professor de História, pequeno comerciante, agitador cultural, corintiano, blogueiro (Mafuá do HPA -www.mafuadohpa.blogspot.com - um texto por dia no blog) e BRIZOLISTA convicto e inabalável. Um abracito bauruense a todos do HPA", convidado pelo Kaio Ruiz Cambará aderi ao grupo M.R.L.B. MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA no facebook e hoje encerro esse comunicado com a publicação de um link para um vídeo recebido via grupo, do militante carioca Eduardo Homem da Costa, intitulado CICLO DA VIDA (youtube: http://www.youtube.com/watch?v=FNwJdsuWOOk&feature=share). Depois que um vereador de Marília, aqui pertinho de Bauru está sedo investigado por financiar um veículo e entregá-lo a dois pastores em troca de apoio eleitoral, o vídeo é dos mais oportunos.