quarta-feira, 20 de março de 2013

MEMÓRIA ORAL (138)

ARARAQUARA, A HISTÓRIA COM SARTRE E TRÊS RESISTENTES LIVRARIAS
Ter um filho estudando distante 140 km da sua cidade requer de início uma visita coletiva ao local e uma circulada para conhecer alguns de seus locais mais interessantes. O filho é o meu, Henrique Aquino, 19 anos completados em 15 de março, a cidade onde irá estudar é Araraquara e o curso é o de Letras, na Unesp. Bauru com 380 mil habitantes, Araraquara 200 mil e o filho numa quitinete, num simples atravessar de rua da universidade e a partir dali um mundo novo à sua frente. Revi junto dele uma cidade que não pisava os pés fazia bem uns dez anos. A impressão foi ótima, com uma das ruas mais arborizadas que vi na vida, bem no centro, árvores se encontrando por todos os lados, bares com nomes sugestivos, aparente limpeza, terminal urbano de ônibus, shopping da Lupo e uma revelação que aos olhos do filho parecia insólita desde o princípio: “Você sabe que Sartre e Simone de Beauvoir aqui estiveram em 1960?”. Para mim isso é um fato, para ele, quase impossível. Antes de tudo, como primeiro ato de reconhecimento das novidades todas, uma visita ao local onde isso se sucedeu.

A Casa de Cultura Luiz Antônio Martinez Correa é um casarão incrustrado bem no centro da cidade, escadaria alta e a informação inicial de que ali funcionou a histórica Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, reduto de encantos mil e avivando a memória de tanta coisa boa ali vivida. Quem nos acompanha na visita é a simpática funcionária pública, Rita Michelutti, a quatro anos no local, mas décadas de serviços prestados à municipalidade. Abre o cadeado da porta do salão que leva o nome de Sartre e na placa a data da histórica visita, 04/09/1960 e da tão propalada “Conferência de Araraquara”. O filho sai a ler os cartazes com as explicações e nomes dos ilustres participantes, Jorge Amado, Bento Prado Jr, Antonio Cândido, José Celso Martinez Correa, FHC e Ruth Cardoso, entre outros. “Faltou o Loyola?”, pergunto eu. Ela responde: “Devia ser muito novo, mas o irmão trabalha até hoje ali ao lado. Quer conhece-lo?”, me instiga. Permanecemos por ali, absortos no clima do local, mesa central e poltronas preservadas.”Além de tudo o que já sabia dele, descubro aqui ter sido também ativista literário, preocupado com os destinos da humanidade”, me revela o filho.

Rita nos explica algo desconhecido para os dois. “A vinda dele nasceu do questionamento feito a ele certa vez, por alguém daqui e Sartre lhe disse que não poderia lhe responder ali, mas nada ficava sem resposta em sua vida. A resposta veio com a visita”, disse e para sabermos mais iremos pesquisar a respeito. Dali fomos conhecer o MIS – Museu da Imagem e do Som, guiados pelas competentes mãos de duas servidoras, Karen e Amanda. Disponíveis as fotos da visita, mas para usá-las é necessário pedido à Cultura local. Viajamos com os olhos por tudo e por fim pergunto à Karen: “Sabe qual a impressão que estou tendo daqui. A de que é uma cidade menos conservadora que a minha”. Com um sorriso entre os lábios, já tendo residido em Bauru, me diz: “Deve ter tido muito boa sorte nos encontros que teve”. E mais não disse e mais não lhe perguntamos. Todas as três nos falaram de um curta-metragem feito na cidade, o “Pelé no jogo, Sartre no amor”, de improvável encontro entre esses dois, uma lenda que de “tão forte tem até testemunhas”, disse Rute, cuja filha, Julia, cineasta, participou da produção. O filho saiu satisfeito do encontro araraquarense e sartreano, sendo-nos sugerido visitas aos museus, um de paleontologia. Queríamos mesmo era conhecer algo diferente e o tempo urgia, encurtado pelo passar rápido das horas.
 
Indicado por elas fomos ter nas livrarias da cidade. Disseram-nos serem quatro. Uma delas descartada, a Nobel, no shopping da cidade. O interesse era pelas resistentes e nas calçadas, nas ruas, sebos e locais de encontro, reencontros e ainda com o romantismo dos velhos tempos.  Impossível uma cidade com um Curso de Letras não ter boas livrarias, fomos à busca dos detalhes e da confirmação disso. Na primeira delas, ainda com letreiros sendo repintados, letras garrafais com seu nome, Uraricoera Livros, dos irmãos Celso e Fábio. Dois ambientes e tudo bem dividido nas prateleiras, temas bem esmiuçados e até com uma atendente estagiária do curso de Letras. Algo salta aos olhos, vinis de Egberto Gismonte espalhados em cima de uma prateleira. “Vendo muitos ainda. Esses são raridades, saem por volta de R$ 40 reais cada”, conta Celso, um ex-estudante de Letras, hoje atrás do balcão, fazendo o que gosta e ampliando seu negócio. Numa rua de muita movimentação, a Sete de Setembro, ponto obrigatório de passagem de alunos, principalmente os da Uniara, uma particular famosa ali nas imediações. “Quando montei esse sebo, pensei como aluno, que a cidade mesmo tendo livrarias não tinha um sebo popular, que atendesse a custos mais reduzidos. Foi o que fiz e daí não parei mais”, conta, enquanto um casal compra três produtos, ele um LP, ela um livro e para a criança do casal, um DVD do Popeye. Celso encontrou seu nicho de mercado e dele não mais se afasta.

De lá, poucos quarteirões separam de outra, essa também muito bem montada, paredes altas um amplo salão, bem iluminado, livros bem dispostos e com uma impecável organização, tudo capitaneado pessoalmente por Marcos Murad, 52 anos e há 25 em atividade. A Livraria Murad é a cara do seu dono, um sósia do escritor Mário de Andrade, estudioso e apaixonado pela obra de Machado de Assis. Nem tudo é brilho na vida dos livreiros dos dias atuais, pois mesmo com o esmero com que continuam tocando seus negócios, algo é bem visível em todos. “Se tivesse que pagar aluguel não estaria mais aqui. O prédio é próprio, tenho duas funcionárias e quase não saio da loja, mas nada é como antes”. Quando lhe pergunto sobre a relação entre os estudantes e os livros sua resposta é clara: “Minhas vendas não são tanto pelo Letras, mas mais pelos médicos, advogados, pessoas cultas de todas as matizes e que continuam buscando ler os clássicos. Quem pergunta eu indico sempre esses e os tenho quase todos aqui”. É verdade, pois percorrendo com ele as prateleiras, fala de cada obra e não precisa abrir a primeira página para ver o preço ali fixado, sabe tudo de memória. Quando peço detalhes do acervo diz para clicar no Google duas palavras, “Sebo Araraquara” e “lá terá uma ampla visão dessa casa e de outras da cidade”.

A terceira livraria só conseguimos visitar após as 18h. É na mesma avenida, a Brasil, quadra da frente, Livraria Machado de Assis e sentado detrás de uma mesa com computador está seu proprietário, Antonio Vieira da Silva, 60 anos e ao questioná-lo do horário diz: “Não se preocupe, fecho às 22h”. Na primeira só sebo, na segunda uma mistura de ambos e nessa só livros novos. “Encontrando alguns com aspecto de velho, são pelo tempo aí nas prateleiras, mas são todos novos”, nos explica, contando também ter adentrado o ramo em 1975, tendo 40 anos de ofício. De tudo um pouco, mas uma atenção especial aos clássicos, o interesse do meu filho. Enquanto tira um da estante, consultando seu preço no computador, responde meu questionamento sobre a resistência dos que continuam abertos nas ruas das cidades interioranas: “Se pudesse faria outra coisa, mas pelo tanto que tenho investido aqui, vou continuando. Sou formado em Ciências Sociais, mas vejo que se tivesse seguido Química teria tido mais êxito. Hoje, as grandes editoras vendem mil livros para as grandes redes e não se interessam mais em ficar vendendo três ou quatro exemplares para os pequenos. É uma dificuldade continuar aberto diante de um quadro desses”. É um sentido desabafo, mas acredito, que não saberia fazer outra coisa na vida, diante de tantos anos vividos ali. Aproveita a primeira compra do filho e faz uma ficha com seu nome, enquanto sozinho no horário, tenta atender mais dois clientes.

Ao sairmos desses três divinais lugares, com algo comprado em cada um deles, algo dito pelo último a ser visitado, Antonio, foi o motivo de nossa conversação até a volta para a quitinete do filho. “Vocês fizeram o que tinha que ser feito, percorreram o roteiro literário da cidade, algo que nem todos mais fazem hoje em dia. Espero terem ganho o dia? Mas tem muito mais, voltem outras vezes”, disse-nos. Ganhamos, eu por vivenciar uma bela história e o filho por travar conhecimento com lugares onde sei voltará com certa regularidade. A noite caia sobre Araraquara, os trens ainda continuam lotando seu pátio ferroviário, os bares começavam a lotar e algo que não havia sido mencionado em nenhum instante, o tema futebol, foi lembrado pelo filho: “Qual o nome do time de futebol daqui, pai?”. Respondi, “Ferroviária”, mesmo ciente não ter ele nada puxado pelo também gosto futebolístico do pai, preferindo frequentar os lugares percorridos nas últimas horas. E vamos juntos assistir em sua apertada morada o vídeo que retrata o improvável encontro de Sartre com Pelé, numa das tantas reminiscências araraquarenses. Deixo-o com seus novos livros e volto os 140 kms até Bauru ouvindo no carro um som gaúcho, CD comprado no sebo do Celso.
 
OBS.: Para saber mais do que aqui foi tratado clique nesses links: Prefeitura Municipal: http://www.araraquara.sp.gov.br/Home/Default.aspx , Sebo Uraricoera: www.uraricoera.livronauta.com.br, Livraria Murad: http://guia.araraquara.com/empresaDetalhes/2711/livraria-livraria-murad-sebo-araraquara-sp
e Livraria Machado de Assis: www.livrariamachadodeassis.com.br
CARTAS (99)

FECHANDO A TAMPA DO TEMA “PROBLEMAS DO NOROESTE”:
No Jornal da Cidade, caderno de Esportes, edição de hoje, num box sobre a atual situação do Noroeste, “Gimenez e Rino garantem contas regulares” e uma conclusão do jornalista da seguinte forma: “Filipe Rino salienta que tudo já foi esclarecido”. Gimenez, o ex-presidente do Conselho e Rino, o atual vice-presidente finalmente se encontraram selando um acordo de entendimento. Aquilo que era impossível até então, ontem ocorreu e selaram um armistício. Até aí, tudo bem, mas para encerrar de minha parte esse assunto, restam alguns esclarecimentos:

1 – Por que Rino e o atual presidente não estavam entendendo a contabilização feita por Gimenez, a dos contratos de venda e rescisão a envolver cinco jogadores? Os documentos apareceram e tudo está mesmo esclarecido? Eles existem? Não restam mais dúvidas?
2 – Em qualquer empresa normal um contrato de compra e venda é contabilizado, existe a recepção do pagamento no caixa e depois a saída, tudo documentado. Isso de fato ocorreu e tudo o que foi levantado foi mesmo um mero balão de ensaio? E se não foram encontrados, onde estavam até ontem? Foram feitos no papel ou de boca? E se não ocorreu dessa forma, a constatação de que o Noroeste não é uma empresa normal. Falta entender isso.
3 – O presidente atual e o ex-presidente do Conselho são comerciantes legalmente estabelecidos e conceituados. Foi-nos passado uma situação de que algo de muito sério estava ocorrendo e tudo praticamente foi resolvido num mero encontro. Por que da demora? E os documentos apresentados como prova da irregularidade, que valia possuem? Não entendi isso.
4 – A explicação que falta e ainda não foi dada é a sobre afirmação de Felipi, o atual vice, em programa na rádio 87,9 FM, quando disse textualmente que um contrato máster de publicidade foi inviabilizado por causa de ingerência pessoal de gente ligada à antiga administração. Por que nada se fala mais desse assunto? Isso também foi tratado na reunião entre ambos? Qual o fundo de verdade disso? A realidade é uma só, o Noroeste está com problemas financeiros, sem propaganda nenhuma em sua camisa e esse assunto ainda insepulto. Não seria de bom alvitre esquecê-lo, pois se de fato ocorreu nada melhor que tenha seus detalhes divulgados. Inadmissível, se existiu, o fato de gente com ligação ao próprio Noroeste jogar contra ele mesmo.

A minha indignação continua, assim como a de muitos torcedores. O Noroeste precisa ser administrado da mesma forma como Buzalaf e Gimenez administram as suas empresas pessoais. Isso seria o máximo, toda a cidade agradeceria se isso de fato ocorresse e com a maior transparência possível.

terça-feira, 19 de março de 2013

COMENTÁRIO QUALQUER (110) 

CONFIRMANDO MINHAS ÚLTIMAS E MAFUENTAS PUBLICAÇÕES

1º O NOROESTE – Publiquei aqui o meu desabafo sobre nada estar sendo divulgado sobre problemas na transição de uma administração para outra dentro do Esporte Clube Noroeste. Tudo o que escrevi havia sido dito pelo vice-presidente Felipi Rino. O que fiz foi repetir aqui a mesma indignação dele e de tantos outros torcedores. Na edição de hoje do JC, página de Esportes, texto de Ricardo Santana, “Dinheiro de França pode salvar contas”. Vejam trechos instigantes: “Apuração de contas – Para o presidente do Noroeste, a melhor coisa a se fazer no momento, restando três rodadas para o Norusca evitar o fisco do rebaixamento para a Série A-3, seria o silêncio até que se tenha certeza com provas. “Então vamos ficar quietos. O clube está em uma posição difícil. Vamos ganhar quarta-feira e depois vamos ver o que a gente vai fazer”, frisa Buzalaf. (...)...avalia que o ambiente já está tumultuado e a exposição de problemas extracampo nesse momento não seria a melhor estratégia. “Isso só viria para tumultuar ainda mais o ambiente”, reafirma. A reportagemdo JC fez inúmeros contatos, ontem, para repercutir com Gimenez as supostas irregularidades. No entanto, até o fechamento dersta edição, não houve retorno às ligações e aos recados deixados em seu telefone celular e em sua residência”. Esse um fato, outro eu próprio presenciei numa entrevista no sábado na rádio Auri-Verde, pelo jornalista Nivaldo José, quando não só localizou Toninho Gimenez, como esse disse estar assumindo o comando do PTB na cidade e o estará revigorando a partir de agora. Deixo minha pergunta, uma para o Nivaldo José, “Por que nada perguntaste sobre explicações dele no caso noroestino?” e outra para o próprio e o restante da imprensa bauruense: “Pelo visto, ele só fala de política e nada além disso, mas vejo que apregoar algo de bom num dos lados e não explicar o outro talvez não seja a melhor saída.Que achamdisso?”. 

2º OS AFORISMOS DO SILVIO SELVA – Escrevi que o nosso Silvão está afiadíssimo, cortante, saltitante, mordaz e ferino. Pois hoje, mais uma confirmação disso ao ler um dos seus recadinhos postados via facebook.
-Putz, acho a Noruega um país legal...
-É mesmo, deve ser bacana.
-Acho EUA um pais legal...
-É é verdade, os caras são foda.
-Acho o México um país legal...
-É, os mexicanos são legais mesmo.
-Acho Cuba um país legal...
- Então, porque não vai morar lá hem seu comunista do cacete?
E para finalizar, seu comentário final: “é que eu acho engraçado que a gente pode elogiar qualquer país do mundo e ninguém fala nada, mas se elogiamos Cuba, as pessoas parecem sentir uma certa aversão....mas Cuba tem umas baladinhas bem bacanas na madruga e por incrível que possa parecer, tem wifi...Não para todos, mas acho que só na Coréia e Japão tem wifi pra todos....”.

3º UMA PALESTRA MUITO ALÉM DE MOTIVADORA - Reafirmo aqui algo imperdível para quem gosta de transgredir e ir além de uma suposta oposição ao sistema estabelecido. Esse cara aí da foto, não necessitando de maiores detalhes sobre quem seja ou o que faz, estará hoje a noite no Colégio D'Incao, na rua Fuas de Matos Sabino, lá pelos lados da Getúlio, às 20h proferindo uma palestra motivando-nos para ações, o tal do tirar a bunda da cadeira e irmos todos à luta contra os desmandos que nos assolam. Quem estiver querendo agir dessa forma, basta ir conhecer o tal do... De uma coisa tenho absoluta certeza, ninguém sairá de lá o mesmo. Quem fo,r amanhã me conta como foi por aqui. Aguardo.

4º UMA HISTORINHA CONTADA ALI E TRANSCRITA AQUI - Sou uma pessoa que me afeiçoou facilmente por donos de bares e estabelecimentos similares. Sinto-me bem nesses ambientes econfesso, não os uso somente para bebericar algo, mas para conversar e sair da rotina. Conheço uma pá deles aqui por Bauru e por todos os lugares por onde ande. E frequento os de todos os tipos, desde alguns mais chiques, como os mais simples, também denominados de pés sujos. Bar é cultura, como li por aí em lugar incerto e não sabido. Seu HÉLIO MAFFEI não nasceu aqui em Bauru. É de Reginópolis e por lá exerceu a função de bancário por longa data, tendo chegado ao cargo máximo, de gerente (ou bem perto disso). Quando saiu do banco, décadas atrás, aportou de mala e cuia por aqui, trazendo consigo a família, sempre morando na rua Batista de Carvalho, perto do cemitério da Saudade. Sua fama por essas plagas foi pelo bar, o Bar do Hélio, localizado na rua Antonio Alves junto dos trilhos, ao lado de uma cancela, que ora funcionava, ora não, na parte baixa da cidade. Relutava em vender ou fechar, pois consolidou clientela de anos, mas com a questão social mais acentuada, os ditos “nóias” o fizeram tomar a decisão de se aposentar de vez. Vendeu o bar e foi descansar, dias por aqui, dias em Reginópolis. Lembranças do bar tenho muitas, terra de passagem para ida dominical na Feira do Rolo e em suas paredes, até bem pouco tempo, dois quadros de um velho frequentador, o já falecido artista Baccan (comprados pelo Fausto Bergocce ano passado). Já deixou saudades.

5º E ÚLTIMO, MATEI O DOMINGUINHOS – Esse facebook é mesmo uma fábrica de fazer doido e é praticamente impossível em algum instantes não acabar levando um tropicão. Levei um no domingo. Recebi de um amigo, desses ponta firmes, algo sobre a morte de alguém que gosto muito e comovido, compartilhei. Era sobre o falecimento do sanfoneiro e mestre da MPB, Dominguinhos. Não demorou nada e fui chamado na chincha e com toda razão. Ninguém me enfiou a faca no pescoço, mas isso serve para mostrar, que mesmo em algo dessa natureza, tudo precisa ser checado, confirmado, reafirmado, conferido, reconferido, para só depois receber o aval da publicação. Dominguinhos sobrevive, luta contra a morte e se tudo der certo, após tantos fluidos positivos, cantará para todos nós por mais um belo de um tempo. Ano retrasado ele estava cantando em praça pública, lá em Barra Bonita e sai daqui de carro lotado, eu, Ana Bia, Sivaldo e Vinagre, nos juntando a trupe do Marcelo Cavinatto, todos para vê-lo. Foi minha última vez e acredito, outras virão. Uma lição que serve para todos os que reproduzem sem checar a veracidade do recebido.

segunda-feira, 18 de março de 2013

AMIGO DO PEITO (76)

AS DESCOBERTAS DE QUEM FAZ HISTÓRIA: JAIME PRADO E O LAURO, UM HOSPITAL.

Nada como começar a semana escrevendo sobre os abnegados, aqueles que se entregam de corpo e alma a uma espécie de missão. Olhando para os lados existem muitos que se dizem imbuídos disso, mas nem todos o fazem de fato e de direito, sem pensar em receber nada em troca. Existem pessoas especiais, esses se entregam, se desdobram, buscam forças onde elas já nos abandonaram e tocam o barco mesmo sem vento algum a conduzir a nave. São os lunáticos, os desvairados, os Quixotes, os que com sua lança enfrentam moinhos mais parecidos com monstros e atravessam o Rubicão a todo instante. Quando enxergo um assim, tento me colocar em seu lugar e fico a reverenciar como é que pode um ser humano ser tão dedicado a esses detalhes e ter saído tão diferente da turba a corroer (e tirar proveito) o dia a dia aí do lado de fora. Paro tudo para enaltecer o trabalho de um desses.

Ele me lança um desafio: “Meu amigo Henrique registre na sua página (quase 80 anos depois), este maluco na preservação da história encontrou os dois primeiros Livros de Registro dos interno do Lauro, datados de 13 de abril de 1933, até esta data 06/ 03/ 2013 eram dados como queimados e consumidos pelo cupim. Se não bastasse encontrar o primeiro encontrei o segundo (800 nomes) de internos encontrados 80 anos depois, o último Livro de Registro a direita da foto e a relação dos Discos de Vinil das décadas de 1920, 1930, 1940 e ai por diante amigo relíquias relação completa de 01 a 1730 discos antigos”. O espevitado personagem a tentar uma comunicação conosco é JAIME PRADO. E para quem não sabe quem seja tão versátil figura, veja o que ele mesmo descreve como perfil: “Sou um simples funcionário publico no atual Instituto Lauro de Souza Lima em Bauru/SP, não sou Historiador, não sou Pesquisador e não sou Museólogo, sou sim proibido de falar , mostrar e comentar a história desta instituição genuinamente bauruense. (...)Foi justamente neste local que começou a minha história com a história que hoje eu preservo mesmo sendo proibido. Aqui eu cheguei pela primeira vez em 26 de Julho de 1968, gravei e registrei as imagens em preto e branco na minha memória”.


Jaime é uma inquieta pessoa, querendo fazer, num constante remoer por dentro diante de tanta coisa para ser feita no local onde trabalha e tudo parado, pior, mesmo com disposição, tentam brecar seu ímpeto, frear suas atitudes e mantê-lo quieto. Ele não se segura. Ele sai pelas frestas e continua a fazer o que mais gosta na vida, fuçar a história do Hospital Lauro de Souza Lima. Usa todas suas horas vagas, as disponíveis para isso e divulga, posta para que o mundo inteiro fique sabendo da existência de um lugar, que um dia foi assim e hoje já não o é mais. Essa história dos livros que resgatou num lugar insólito, considerado lixo para muitos, mostra que esse é o papel do verdadeiro pesquisador, do que acredita que pode sempre tirar água de pedra. Esse baixinho não desiste nunca e assim vai conseguindo, aos poucos, em forma de drops, ir desvendando e divulgando parte importante da história bauruense. É dessas pessoas imprescindíveis, incansáveis e tão necessárias, pois quando estamos querendo esmorecer, lá surge um Jaime, fazendo e acontecendo, mesmo na adversidade e nos mostra que não devemos desistir.

Ele consegue também seus louros pessoais, o reconhecimento mais bonito, o que de quem é personagem principal dessa sua história. Conto o causo como o causo foi. “Este rádio da marca Philips acompanhou a historia do mais antigo interno do antigo Asilo Colônia Aimorés, durante mais de 50 anos e recebi de presente dia 15/ 03/ 2013, segundo ele reconhecimento pelo meu trabalho preservando a história em preto e branco”, conta num relato o próprio Jaime. Jaime faz, Jaime busca, investiga, fuça, suja os pés e mãos de lama, vai à luta e mesmo sem dominar técnicas, sem ter teoria no que faz, sem ter sentado em bancos escolares, sem ter diploma de especializado no assunto, arregaça as mangas e desprendido como é, mostra a todos os diplomados e concursados como é que se deveria estar sendo feito um trabalho em todos os setores de pesquisa no país. Jaime faz e fazendo nos ensina. E quem tem um pouco de entendimento lógico sobre essas questões deveria se engajar e já na sua caminhada. Eu adoro pessoas como o Jaime. O Jaime só quer um pouquinho de reconhecimento e de condições para continuar fazendo e acontecimento, o restante deixem com ele que tudo sairá a contento.

domingo, 17 de março de 2013

FRASES (102) 

BAURU ESTÁ DIANTE DE UM FRASISTA COMO POUCOS: SILVIO SELVA
Sempre fui um inveterado admirador dos frasistas. Chego a comprar livros só com frases, como as compilações feitas pelo Ruy Castro. Tenho um livro aqui no mafuá um só com frases do Machado de Assis e é ótimo ir revendo aquilo tudo. No alto da minha agenda, vou anotando frases que vou recolhendo por aí, desordenadas e desconexas, como devem ser. No facebook de hoje em dia, pasmem, encontrei algo de muito aproveitável, as sarcásticas frases proferidas por um amigo, o SILVIO SELVA. Ele prova com suas frases que existe vida inteligente no facebook. Esse cara está prontinho para produzir colunas em jornais, com suas bestiais (é um elogio isso, hem!) sacadas. Quem não se lembra em Bauru do Broncolino, “o primeiro a rir das últimas”. O espaço deixado por ele ainda não foi preenchido na imprensa bauruense e o Silvão está aí, todo pimpão, prontinho da silva, batendo um bolão, cheio de gás e com veneno e picardia na ponta dos dedos (e da língua), escrevinhando como poucos. De minha parte, como não sou dono de jornal nenhum, não posso convidá-lo para escrevinhar em nenhum deles, mas peço desde já permissão a ele para ir compilando tudo o que vem produzindo e depois instigaremos algum editor por aí para publicar as maravilhas criativas que tem saído de sua abençoada (por quem, hem?) verve. O Silvio merece um reconhecimento e nessa chuvosa manhã dominical lhe afago o ego: Suas frases estão DU CACETE, meu caro. Parabéns!!!!!!!!!!!! Vejam abaixo uma pequena amostra do que coletei num vapt-vupt de 15 minutos de pesquisa:

bacana o lance do moleque ter conhecido o Sean Penn, ele é um sujeito mais nobre que eu, quando tinha idade dele, meu objetivo era dar umas agarradas na Zilda Mayo....

o que um partido que teve como Ministros, sujeitos como Anastasia, Sarney Filho, Renan Calheiros e Arthur Virgílio Neto. Não tem muita moral pra criticar Ministério de outros governos não, hem....

Lampedusa dizia que para que tudo continuasse igual, devia se mudar tudo. Penso nisso quando vejo o comando da Rússia: Putin era tenente coronel da KGB, outros líderes tambem pertenciam ao Partido e bem...

No feicibâqui é assim: se fala bem de Cuba, o mandam ir pra lá. Se fala bem dos EUA o chamam de reacionário. Se ironiza um pastor, o mandam para o Inferno. Se fala mal do Neymar, o chamam de invejoso. Se fala mal de página de ateu, o chamam de fanático... Isso explica porque tantos compartilham fotos de gatinhos...

putz, estava vendo um site de receitas e tinha uma de Picanha Recheada com bacon, minhas coronárias entupiram só de ver a foto....

no Japão, a conexão de Internet custa 50 centavos e é de 66 mega. Bão pelo menos nós compramos banana em dúzia e carne por quilo...

lógico que Bauru tem um monte de milionários, o tanto de grana que esse povo deve...

putz, se tem um sujeito no mesmo nível de chatice que um reacionário pobre é um revolucionário de camiseta Gap e Iphone 5.....

o PSDB que está fazendo seminário para "recuperar" a PETROBRAS é o mesmo que afundou a P36 e não puniu ninguém?

uma das coisas mais gloriosas da solidão é poder fazer escultura no meu quarto e não ter esposa pra ficar bufando coma vassoura na mão....

esperança é o nome que se dá ao sentimento que se tem quando temos 20 kilos a mais e tiramos as havaianas para nos pesarmos....

acho que a frase mais ridícula do Facebook é "ASSISTAM ANTES QUE SEJA REMOVIDO" e aí, postam um vídeo feito em 2010...

Vasco da Gama, o verdadeiro, foi VICE Rei na Índia. O time nada mais faz que preservar uma tradição centenária...

pesquisa diz que brasileiro lê 4 livros por ano, vejamos: 1- tons de cinza, 2- auto ajuda e putz, não sei o resto....

Eu Sirvo Serva, que tenho muitos anos e estou fazendo uma página sozinho, para mostrar a verdade sobre os antas. Quero melhor não só pra mim, mas pra todos e hoje o lanche foi geleia de mocotó com bolacha maizena....

quando eu passo pelos supermercados, eu penso que as únicas pessoas que acreditam no catastrofismo da Grobo, são os jornalistas da Veja e do Estadão...

a Dilma bem que poderia ter cortado os Impostos da Tubaina....

Feliciano envergonha o Congresso, o Brasil e ........ os cabeleireiros....

todos deputados da Bancada Evangélica respondem a processos criminais, estão entre os mais faltosos e entre os que menos propõem leis em benefício da Sociedade. Mas eles estão tranquilos, pois irão para o Céu....

aí, o pastor fala do comunismo nazista do Stanley, pensei no Paul Stanley, no Kubrick, até no Stanley Burburinho eu pensei e não me caiu a ficha que ele falava de Stalin...

Já é hora de dormir, ...não espere a mamãe mandar.

se tem uma coisa que me faz subir um azedinho na garganta é mensagem moralista de que drogas matam e dão exemplo de artista recém morto... Sei lá, entre ser uma anta que fica vegetando, enchendo o saco de tudo mundo e prejudicando as pessoas ou ser um cara que produz arte, com seu trabalho dá emprego pra uma porrada de gente e alegria pra outros tantos....
ESSA É DO HPA: Tem muito mais, mas como vou assistir Noroeste x Santacruzense, deixo somente essas para deleite dominical dos que acordam cedo (As ilustrações foram retiradas de alguns dos seus textos no facebook).

sábado, 16 de março de 2013


PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (38)

POR QUE POUCOS SE INTERESSAM EM DESVENDAR OS DESMANDOS NO NOROESTE?
Ser NOROESTINO não é dizer amém bovinamente ao que diretorias anteriores fizeram com o Noroeste. Quando acertam, os efusivos parabéns são ouvidos por todos os cantos. Porém, nos erros e nas pisadas de bola, poucos são os que se alevantam e gritam contra desmandos. Por que? Isso dá uma tese de doutorado, com desdobramentos mil. Hoje diante de denúncias graves, que precisam ser elucidadas, investigadas e esclarecidas o fato se repete. Está vindo a baila uma situação das mais nebulosas do período de transição do Esporte Clube Noroeste, que vai da renúncia e saída da administração da Família Garcia até o dia em que assumiu a presidência Aniz Buzalaf Jr. No máximo três meses sob a direção do seu então Conselho Deliberativo, presidido pelo empresário Toninho Gimenez. Período curto e cheio de fatos esquisitos, necessitando não mais de um simples esclarecimento, mas de elucidação com perícia policial e até do Ministério Público.

O fato é o seguinte e poucos estão com coragem (não seria a tal falta do saco roxo?) de expô-lo na sua plenitude. São cinco rescisões contratuais de jogadores campeões na Copa Paulista 2012: o goleiro Walter, o zagueiro Lima, o lateral esquerdo Ralph, o volante Kasado e o meio Velicka. Todos esses foram negociados momentos antes de Aniz Buzalaf assumir a presidência do Noroeste e nada entrou na contabilidade, ou seja: Quem fez a negociação? Quais os valores de cada? Onde estaria a grana dos acordos? Se não estão computados na contabilidade do Noroeste devem estar em algum lugar secreto e não sabido, com certeza. Isso aqui não é suspeita, são fatos e necessitam de esclarecimentos. O do goleiro Walter o mais gritante, pois foi divulgado que estaria sendo negociado com o empresário Toninho da Mariflex, que tinha pretensões de ser presidente. O valor, baixo demais pela qualidade do atleta e esquisito ocorrendo na “bacia das almas”, no apagar das luzes, já gerou suspeitas por si só, mais agora, quando o vice-presidente, Filipe Rino, vem a público explicitar que não existe nenhum contrato dessa venda, muito menos o dinheiro entrou nos cofres do clube. Que seria isso? Que nome se pode dar a algo dessa natureza?

Por outro lado, um fato dos mais lamentáveis também ocorreu e durante a vigência do campeonato da AII, disputado pelo Noroeste. A Mariflex havia se comprometido através da imprensa a bancar parte da verba publicitária do time e sumiu do mapa quando as pretensões de assumir à presidência foram dificultadas. A Família Garcia, disse a mesma coisa e também se escafedeu. O Noroeste ficou chupando o dedo. Por que isso ocorreu? Quais interesses foram contrariados para isso ocorrer? Algo começa a ser desvendado quando o mesmo Filipe Rino declara que perdeu uma verba publicitária substanciosa com uma rede de supermercados que acabava de chegar à cidade, a Mais, pois quando tudo estava praticamente certo, membros da antiga diretoria procuraram a direção do mercado e melaram tudo dizendo a esses que a atual diretoria não era confiável. Quem fez isso? Com que intenções? Quem de fato é ou não confiável nisso tudo? O Noroeste necessitando disso para sua própria sobrevivência e alguns o apunhalando pelas costas. Que raio de noroestinos seriam esses para fazer algo desse tipo?

O estranhamento é ainda maior porque essas notícias circulam dentro do complexo noroestino já há aproximadamente um mês e só agora está vindo à tona. Por que ninguém se interessou por investigar isso? Por que a imprensa esportiva bauruense se fez de mal entendida e não foi atrás de desvendar isso? Isso gera avaliações outras, a de que parte dela tem medo de algo, teme tocar em certos temas ou até citar algumas pessoas. Problemático isso, não? Rino está de posse dos documentos e mostrando a todos interessados e ontem me disse que falhou, pois não levou tudo até certos órgãos da imprensa. O corrigi, pois o procedimento não é esse. Diante da simples menção de algo com essa magnitude, qualquer órgão correria atrás disso, gerando matérias esclarecedoras. Isso é para capa de jornal, chamadas na TV e reproduções a todo instante no rádio. Nada disso aconteceu ou está acontecendo. Dois órgãos estão começando a enfocar o tema. A rádio FM 87,9 abriu espaço e Rino deu uma reveladora entrevista para Toni de Paula, onde abriu o verbo confirmando isso tudo que escrevi aqui e hoje, o diário Bom Dia, em entrevista feita pelo telefone, pelo jornalista Gustavo Longo segue na mesma linha. E a TV Tem, rádio Auri-Verde, rádios FM 94, 96 e Unesp, TVs Preve, SBT e Record, e o Jornal da Cidade, por que esses não se mostram interessados em destrinchar isso? Está tudo tão exposto, tão fácil de ser desvendado, mas estão todos afastados do caso. Ouço algo e seria ótimo que nada disso fosse verdade, pois seria lastimável. O período cheio de problemas foi o comandado pelo Conselho, meros três meses e ali, figuras exponenciais da cidade, empresários famosos, gente da elite dessa cidade, vindo daí o não interesse numa séria e contundente perícia e investigação. Tudo o que ocorreu, sabemos, foi referendado pelo Conselho, parte dele demissionário, porém muitos continuam atuando na nova composição. Pelo bem de todos os envolvidos, o seu atual presidente, Toninho Rodrigues ou alguns deles precisam vir a público e expor o que de fato ocorreu. Todos possuem nomes a zelar e se referendaram e assinaram aprovações sem terem pela ciência do que de fato ocorreu, esse o momento da mea culpa coletiva. Calar-se nesse momento será colocar em dúvida a credibilidade de todos, muitos com extenso trabalho em prol do time do coração.

Os documentos de posse do Rino são verdadeiros, incontestáveis e demonstram irregularidades. Isso é fato. Estão à disposição dos interessados e por que ninguém está querendo saber deles? O Noroeste não é uma Casa da Mãe Joana e hoje, sob a administração ainda inexperiente de Aniz Buzalaf, merece toda a confiança da torcida, pela forma límpida e clara como está querendo resolver problemas crônicos e de muitas décadas, mas logo de cara se depara com algo meio que instransponível. A saída foi buscar apoio na imprensa e essa foge do respaldo e se cala. Algo de muito estranho nisso tudo e a torcida, os noroestinos querem entender e exigem resposta para isso tudo. Ouço algo estarrecedor: “Isso só acontece porque os envolvidos são figurões da cidade, se fossem pés rapados tudo já estaria publicado, falado, dito e os nomes expostos”. Adoraria que isso não fosse verdade, mas chego a acreditar sê-lo. Aventa-se a hipótese de na continuação dessa situação sem solução de continuidade, tudo ser levado para a esfera policial. Paralelo a isso, a situação começa a se mostrar aflitiva no quesito resultados dos jogos. Tudo começou bem no início do campeonato e degringolou, talvez pelas incertezas e quando teve início o vislumbrar de problemas outros, como de gente jogando contra o próprio patrimônio. Os próximos passos nesse emaranhado serão bem elucidativos e conclusivos. Se muitos não possuem interesse em saber de todos os detalhes, outros dizem não ser com eles, esse blog e muitos outros noroestinos de verdade levarão essa bandeira adiante, custe o que custar. O centenário Noroeste não merece viver situações como essa e esse é um bom momento para resolver de uma vez por todas quem de fato o defende e quem dele só quer tirar proveitos. Que se juntem nessa luta os realmente interessados em esclarecer isso tudo. É uma luta de todos os verdadeiros noroestinos.

sexta-feira, 15 de março de 2013


RETRATOS DE BAURU (139)

LEONARDO DE BRITO: JORNALISMO, FUTEBOL, SAMBA E BOÊMIA
Bauru é terra de passagem, profetiza uma tese sobre a origem e missão dessa Bauru. Sim, por aqui muitos passaram e fizeram história. Uns enfiaram-lhe a faca, outros contribuíram decisivamente em importantes momentos. Uns mais, outros menos. Uns pelo bem, outros pelo mal. Mas também existem e muitos, os que aqui vieram e se estabeleceram. Escrevinho algo hoje de um desses.

Leonardo de Brito é um cara viajado, como a grande maioria do povo nordestino de décadas atrás. Fez o mesmo que os seus, vindo aportar no então “Sul Maravilha” em busca de dias melhores. Rodou um bocado, depois de aportar no Rio de Janeiro, onde até hoje possui parentes próximos, estabelecendo-se em Bauru e tendo até participado do núcleo de jornalistas fundadores do Jornal da Cidade. Nunca teve participação diretiva, poder de mando, sempre estando ligado as hostes esportivas, sua especialidade, razão de seu viver. Trata o esporte, principalmente o futebol com zelo e esmero, tendo também se apropriado da paixão pelo time da aldeia adotada como sua, Bauru e o Noroeste. A cara do Caderno de Esportes, tanto tempo comandado por ele, é a dele e ao abri-lo diariamente não tem como não associar aquelas páginas com a sua pessoa. Cara de um focinho do outro. Um bom vivã, gosta muito do que de melhor o samba possui, o seu lado brejeiro, o do pagode carioca, com Zeca, começando com Noel. Disso não abre mão e entras em discussões homéricas quando o tentam fazer ouvir “merdalhas” distribuídas por aí. Experimentem chamar de "balada" suas incursões noturnas e verás sua ira. Eterno e assumido boêmio. Escreve macio, sem provocar grandes confrontos, mas não se verga fácil e se preciso compra boas brigas. De uns tempos para cá, está também soltando a voz nos microfones, emitindo seus pitacos em noticiários esportivos nas rádios locais e sendo requisitado como menestrel no ofício, não só pelos kms rodados, como pela sapiência na precisão dos comentários. Flana pela cidade toda sem criar inimizades e mesmo com um pé fincado no lado A de Bauru, nunca retirou o outro do lado B, onde adora circular, reverenciar e ser ali reverenciado. Um muito boa praça, agitado e escrevinhando sobre uma das paixões mais conflituosas dos tempos atuais:  o futebol.


OBS.: Hoje em sua coluna no JC, a “Em Confiança”, no dia seguinte de ter saído uma carta minha na Tribuna do Leitor, “Carta Aberta à Imprensa Esportiva Bauruense” (http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=227820), clamando por matérias desvendando desmandos no Noroeste, ele publica nota com seguinte teor, o que enche de alento esse escrevinhador: “NOROESTINO – Repercutiu muito o comentário do noroestino roxo, Henrique Perazzi de Aquino, na Tribuna do Leitor. Trairagem e ciumeira sempre existiram no futebol, mas jogar contra o Noroeste é pura sacanagem. Quem não quiser ajudar, pelo menos não atrapalhe. Amigo, vou investigar. Prometo”. Eu confio e boto fé nisso. E fico na espera.