domingo, 21 de julho de 2013

PALANQUE – USE SEU MEGAFONE (43)


CHRISTINO CABRAL, UM ALUNO EXPULSO, MOMENTO ATUAL E OUTRA ETEC
Eu sou cria da escola pública. Comecei meus estudos e fui até o antigo colegial, todo feito em escolas públicas. Um orgulho, uma vez que me vi bem preparado para o que enfrentei após isso. Hoje, todos sabem, a coisa já não é bem assim, mas vale a pena continuar lutando por uma escola pública pujante, boa, encorpada e contra os que a querem transformada numa fábrica de aprovação compulsória. Minha trajetória foi nas EEs bauruenses, Luiz Castanho de Almeida, Eduardo Velho Filho, Madureira, Aurélio Ibiapina (da RFFSA) e Christino Cabral (na época dirigida pelo austero e saudoso Danilo Da Cás). Acompanho pela internet no que estão querendo transformar o Christino e reproduzo aqui o posicionamento de um aluno, ex-dirigente do Grêmio Estudantil, expulso da escola, segundo ele, pelo posicionamento contrário à sua transformação em uma ETEC. Aqui o posicionamento de KAIO MIGUEL RUIZ, mas após essa publicação deixo aberto o espaço para as respostas do outro lado, da direção da escola e da Diretoria Regional de Ensino. Queria ampliar esse debate para entender melhor tudo o que acontece nessa ainda Escola Estadual de Ensino Médio. Vamos ao texto recebido pelo Kaio, reproduzido na íntegra:

“Documentos que o Grêmio protocolava, a diretora nunca respondeu e acabou se irritando e atacando a  minha personalidade de presidente do grêmio ! 
LINK DA NOSSA ORGANIZAÇÃO: http://upa-christino.webs.com/o-movimento   
Povo bauruense, nós somos ainda uma associação informal, surgida pela união de alunos, simpatizantes do Grêmio UPC (2012-2013), da E.E. Christino Cabral, como também somos membros da sociedade bauruense, que nos simpatizamos com as atitudes deste grêmio, como também, temos fortíssimo elo com a história desta escola, viva na tradição do povo bauruense, que sem dúvida, tornou-se, para toda a sociedade local, um símbolo, que muitas vezes, em sua história de existência, foi tida como um importante ícone da educação pública bauruense, digna, de no futuro, tornar-se inclusive, um patrimônio histórico local, de tamanha sua importância para nossa a sociedade, como todos nós sabemos.

Porém, parece que alguns poucos indivíduos, se incomodam com a existência da escola, na estrutura na qual se encontram, e querem por, toda esta tradição e valor histórico “em xeque”, implantando, na nossa consagrada e querida escola, uma ETEC. Muitos de vocês que lerem este artigo, devem estar se perguntando, mas porque isto? Por que vocês não querem a ETEC? Ou ainda, alguns de vocês podem vir a afirmar e perguntar o seguinte: as ETEC são boas, porque vocês não a querem? Eu entendo a sua opinião, caro leitor(a), mas é exatamente ai, aonde mora o perigo.

Não somos contra a criação de ETEC, muito pelo contrário, este tipo de escolas são essenciais, ainda mais nos dias atuais, para a formação técnico-profissional de mão de obra qualificada para servir nossa sociedade, mas, porque implantá-la no Chistino? Hoje a E.E. Christino Cabral tem educação de nível fundamental e médio, em dois turnos distintos, a implantação da ETEC, seria suprimir injustamente, a vaga escolar, de muitos destes alunos, pois as ETEC são exclusivamente voltadas para os estudantes do Ensino Médio e, ainda, requer que o aluno, para ser admitido, seja aprovado em um processo seletivo prévio, ou seja, é uma escola voltada para uma pequena “elite intelectual”, ou seja, a ETEC no Christino apenas beneficiaria uma pequena camada dos estudantes das escolas públicas bauruenses, enquanto a imensa maioria, sem exceção, seria prejudicada.

Então, meu caro leitor, minha cara leitora, você acharia justo, uma medida que vise restringir ainda mais a quantidade de vagas escolares, nas instituições públicas de ensino? Haja vista que, já são poucas vagas já existentes nestas instituições, acharia você, pai de família, que seu filho fosse privado do direito de estudar, que além de ser uma garantia prevista na nossa Constituição Federal, é um dever do senhor, como pai de família, prover a educação básica para seu filho, ser privado deste direito-dever, porque o Estado está apenas pensando numa minoria estudantil e “desalojando” uma imensa maioria de estudantes, que não apenas estudam, como amam a escola que estudam, em prol de uma ideia de caráter meramente eleitoreiro, para engrandecer a imagem do governo do estado, e que pouco se reverteria em prol da sociedade bauruense?

Kaio Miguel Ruiz sofreu na sua pele, a dura e impetuosa consequência, de não aceitar ficar calado diante destas atrocidades que querem causar a nossa amada E.E. Christino Cabral, transformando-a em ETEC. Por protestar por melhorias na escola e lutar pela não instalação da ETEC, o ex-presidente do grêmio estudantil UPC, foi expulso, arbitrariamente, sem o devido processo legal, de forma fraudulenta, ilegal e ilegítima, da instituição, só porque ele exerceu seu direito de manifestação, de expressão, que, embora sejam garantias asseguradas por nossa Constituição Federal, meros interesses políticos deram o aval necessário para que sufocassem a voz daquele que lutou, bravamente, por não concordar com a implantação da ETEC, pois sabia, que não somente os professores, mas os alunos seriam os maiores prejudicados com esta nova instituição, e se a classe estudantil for prejudicada, toda a sociedade bauruense será prejudicada, num condenável e injustificável retrocesso causado a esta, que é o da injusta supressão das vagas escolares.

Nós, alunos e amigos da E.E. Christino Cabral, convocamos você, cidadão bauruense, que se junte a nós, para que possamos manifestar, pela reversão da injusta expulsão escolar sofrida por Kaio Miguel Ruiz, para que ele possa voltar a sua escola e retomar a presidência do grêmio estudantil e, que também, lute conosco, para que a ETEC não seja implantada, para que o Christino possa sobreviver, como uma escola tradicional e querida por nossa sociedade. Vamos juntos lutar! Mobilize-se sociedade de Bauru, não deixe que o governo do estado prejudique ainda mais nosso povo e suprima importantíssimas vagas escolares da sociedade, pois, criança e adolescente na escola, é a certeza da construção do futuro do Brasil. DIGA NÃO A ETEC! DIGA SIM A VOLTA DE RUIZ! DIGA SIM AO CHRISTINO!”.

sábado, 20 de julho de 2013

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (57) e MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (238)


GUARDIÃO E HPA OPINAM SOBRE PROVÁVEL CAMINHO PARA O MOVIMENTO NAS RUAS
A sinalização vinda das ruas nesses últimos meses ainda não é de toda clara. Querer e propor mudanças é algo mais do que necessário, afinal não é possível como o visto no Rio, um governador ter tantos helicópteros à sua disposição e dele fazer uso desmedido e descontrolado. A farra do boi precisa acabar. Diante de fatos com esses, muitos pregam tudo ao mesmo tempo. Mas como executar isso? Qual a estratégia? Guardião, o super herói bauruense transporta isso para algo ocorrido aqui em Bauru. Espiando a reunião ocorrida na última quarta, 17/07 na Câmara Municipal de Bauru, entre o prefeito, o presidente da EMDURB, populares e representantes do grupo Acorda Bauru, faz alguns questionamentos. “É claro que a luta ali vista não é só por causa do passe livre ou da redução da tarifa. Ela extrapola isso tudo e na abrangência vejo muito dispersão de temas, um querer tudo ao mesmo tempo, até uma abordagem sendo feita só ao Executivo, que se mostra receptivo no debate e pouca coisa para outros grandões e vendilhões. Quero explicitar isso”, começa seu relato.

“Adianta pouco esse negócio de querer impor um luta sozinho, fazendo uso de um slogan como o Agora é Nóis, excluindo quem até agora esteve nas lutas. Muita pretensão. Vejo muitos interesses díspares em disputa, uns querendo ir para um lado e outros noutro. Radicalizar é empreender a luta enfraquecido, pois agrupa menos e assim diminui a força da ação. E a união só ocorre com propósitos bem estruturados. O que se quer com tudo isso? Onde se quer chegar? Para que tudo isso? Observa-se muito grandão escapando e saindo ileso de qualquer tipo de cobrança, como se nada da situação calamitosa fosse por sua culpa”, são alguns dos questionamentos propostos pelo Guardião.

Na mesma linha, o texto de hoje no Bom Dias Bauru, de minha autoria, cobra outra linha de ação, mais abrangente e faz pressão a quem de direito. Vejo assim. Querer transformar o país é uma coisa, mas de nada adianta abaixar a passagem e não mudar o sistema, que é ruim, permissivo e excludente, beneficiando pouquíssimos. Assim como, a imediata necessidade em rever o papel hoje desempenhado pelas empreiteiras, a grande vilã da sacanagem de trânsito de dinheiro ilícito no país. O sistema num todo está falido e não adianta mais reforma-lo, pois o reboque voltará a cair. Leiam abaixo:

AFINAL, O QUE QUEREMOS? (texto nº 238)
As manifestações continuam pipocando aqui e acolá. Mais focadas, como a que ocorreu em Bauru, levando alguns deles até a Câmara para discutirem diretamente com o prefeito a questão das tarifas de ônibus. Minha pergunta para os nela envolvidos é somente essa: O que vocês querem de fato? E para onde vão? Não pensem que com a tal da Tarifa Zero as empresas vão parar de lucrar. Tem muito populismo por detrás disso tudo. Falta crítica séria. Falta uma leitura mais aprofundada da questão. Em tudo hoje em dia, a farra dos grandes empresários e magnatas parece resistir ao barulho proveniente das ruas. Não sou contra algo grandioso como o tal do PAC da Mobilidade, que muito fará, obras grandiosas, mas sempre privilegiando o esquema dos empreiteiros. Observem algo aqui de Bauru. Se ele privilegiar Bauru, a Rodrigues Alves vai ficar linda, mas a vida das pessoas que nela transitarão continuará a mesma. A proposta revolucionária para o país é fazer o reverso disso, revolucionando e transformando a vida das pessoas. Ou dá-se um breque na dependência total com as empreiteiras ou nada mudará. O setor público tem que produzir ele mesmo, por exemplo, o asfalto que vai colocar em suas ruas e não deixar tudo nas mãos de empresários, o mesmo que em períodos eleitorais é apoiador de campanhas. Não dá mais. Esgotou o formato e a paciência do cidadão. Tudo direciona a grana graúda para essas mesmas pessoas. É preciso um choque de gestão. Não ficar propondo medidas paliativas para consertar o desenvolvimento do capital, mas sim o humano. Afinal, de que adianta você falar que o país tem um enorme desenvolvimento econômico, quando ele não beneficia o ser humano? No caso do ônibus urbano, quero ver gente questionando o altíssimo lucro desses empresários, indo atrás deles e nos das empreiteiras. Exigir o fim desse banquete, festim onde uns poucos ganham muito e a população pasta com um mínimo. Chega de muito oba oba. Quem quer continuar comendo gato por lebre continua na atual toada, mas a direção é bem outra.

Para encerrar e buscar reflexões variadas antes dos próximos passos, Guardião explicita um resumo simples disso tudo: “Tem gente brincando e tem gente querendo levar isso tudo muito a sério. De que lado você está? Ou vai-se logo ao cerne do problema e o atacamos, aproveitando a mobilização popular, ou o que veremos é que serão mudados alguns nomes, uma reforminha aqui e ali, mas a engrenagem continuará intacta e produzindo cada vez mais desigualdade social. Façam suas escolhas”.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

DICA (108)


FESTIVAL DE INVERNO DE JAÚ E O SONHO COM CHIQUINHO BRANDÃO
Eu não posso deixar de contar aqui uma história. É sobre o Festival de Inverno de Jaú, nesse ano contando com 91 atrações, o maior número até então em 22 realizações (leia mais aqui: http://www.jau.sp.gov.br/noticias_detalhes.php?NOT_ID=1280). Um mês inteiro com variados espetáculos teatrais espalhados pela cidade, com pequeno gasto de dinheiro público, contando com patrocínios e parcerias. O calendário do evento eu publico ao lado e devo umas explicações, prestadas nesse momento sobre algo que havia proposto inicialmente ao prefeito Rafael Agostini, depois ao pessoal da Cultura Municipal, que seria a realização da SEMANA CHIQUINHO BRANDÃO.

Ela tomaria uma semana inteira com atrações reverenciando esse ator, músico, produtor, um verdadeiro multiartista.  Chiquinho sempre me encantou pela sua forma irreverente como atuou. Faleceu de forma trágica, na cidade do Rio de Janeiro, em 1991, época quando sua carreira estava em plena ascensão, gravando a novela O Sorriso do Lagarto. Poucos sabem ser ele de Jaú. Saiu cedo de lá, aos 10 anos. Mais dele basta clicar no link a seguir: http://moraesjau.blogspot.com.br/2011/12/20-anos-sem-o-jauense-chiquinho-brandao.html

Há décadas vinha acalentando o sonho de promover algo em Jaú para reverenciar Chiquinho. O prefeito Rafael comprou a ideia de cara e por pouco não esteve em Bauru, em dezembro passado, quando o compadre do Chiquinho aqui esteve, o ator Paulo Betti, onde muito foi falado sobre a proposta do evento. Duas pessoas também gostaram muito da ideia em Jaú, tanto o secretário Hamilton Chaves, como o diretor cultural Jeferson Alexandre Miranda, com quem tive bons e proveitosos contatos.  Na sequência algumas outras pessoas aderiram ao projeto, como e ex-esposa do Chiquinho, a baiana Enierre Raquel, hoje morando no Rio e comigo dividia a produção. Fui várias vezes até Jaú, entabulamos uma bela conversação e a programação já estava praticamente pronta. De segunda a sexta, 19h, passaríamos um filme tendo o ator Chiquinho em ação: Marvada Carne, Beijo, Lua Cheia, Anjos da Noite e Noites Paraguaias. Também de segunda a sexta, 21h, teríamos outro tipo de programação, com algo novo a cada dia. Um documentário sobre sua vida feito pelo seu filho Diogo Brandão, um show com a banda do seu filho, a Rockz,  relembrando o lado musical do ator, que atuou ao lado de Elis Regina em alguns dos seus shows. Exibiríamos também uma cópia da peça O Amigo da Onça, de posse do seu diretor, Paulo Betti e numa outra noite uma mesa para um Encontro de Amigos, revendo histórias do ator, com José Rubens Chachá, Sérvulo Augusto, Paulo Garfunkel e Marcos Breda. Encerrando tudo faríamos um espetáculo solo, uma leitura de uma nova peça, algo ainda inédito, com Paulo Betti em cena. Para as crianças foi pensado reviver algo do Bambalalão, com Luiz Carlos Bahia, o Baiapó, que contracenou com Chiquinho na TV Cultura.

Faltou pouco para tudo acontecer esse ano. Problemas de datas e talvez pelo pouco tempo para execução de tudo, inviabilizou-se sua execução nesse ano. O sonho foi mais uma vez adiado, mas não descartado. Jaú merece ter algo em seus palcos revivendo Chiquinho. Sei que todos por lá deram o máximo para sua realização e continuarão a fazê-lo com mais tempo. Eu, daqui de minha Bauru, observo a programação do Festival jauense rolando, um sucesso previamente anunciando, pela forma séria e profissional como foi tratado. A cada dia sendo mais comentado e fico imaginando como poderíamos estar nesse exato momento, quase prontos para iniciar a Semana Chiquinho Brandão. Quero parabenizar a distância todos realizadores desse Festival e deixar claro que se por lá ainda não apareci para presenciar sua realização, não foi por falta de vontade, mas pela tristeza em não ter correspondido à altura as expectativas criadas. Não foi dessa vez, mas um dia tudo acontecerá e Chiquinho será reconhecido em sua terra como mais um dos jauenses ilustres. Talvez no ano que vem.
OBS. FUTEBOLÍSTICA: Aproveitando a deixa sobre Jaú, nada melhor do que um algo a mais. Tenho predileção por programas esportivos regionais, onde podemos dissecar algo de nossa aldeia. Vejo isso acontecer no BATE BOLA TVC JAÚ, tendo como um dos seus integrantes o estudante de jornalismo Tiago Páttaro Pavini, que conheci na Unesp Bauru e faz de tudo e mais um pouco pelo seu XV de Jaú. Mais do programa aqui: https://www.facebook.com/batebolatvc?fref=ts.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

MEMÓRIA ORAL (145)


COVEIRO ANALFABETO É CATEDRÁTICO NO "SEU" CEMITÉRIO
Cemitério, qualquer deles, é sempre fonte de muitas histórias e até algumas estórias. Na maioria das vezes elas resvalam num tema, o medo. Impossível não associar muitas delas com aquele pavor que muitos possuem de passar ao lado de algum “campo santo”, como são popularmente conhecidos. Quem já não escutou muitas a envolver pessoas que saem correndo dessas imediações ao ouvir sons estranhos advindos do seu interior? Mas e quem trabalha nesses lugares, como convive com o medo? Ele existe? Ao conhecer um coveiro por profissão, elucidei esse e outros questionamentos sobre o tema.

Seu José é coveiro em Reginópolis, cidade distante 70 km de Bauru. Aos 64 anos perdeu a conta de quantas vezes já respondeu sobre esse negócio de ter medo. “Medo só no começo. Hoje, nenhum. Medo eu tenho dos do lado de fora, mas dos que estão aí dentro, quase nenhum. Barulho a gente ouve, mas na maioria das vezes é provocado por gente bem viva circulando por aqui”, conta José Maciel Cassiano, que há décadas mora numa casa cedida pela Prefeitura Municipal e a única defronte o cemitério da cidade.

A cidade tinha outro, localizado em sua região central, mas com o passar dos anos, a Prefeitura resolveu transferir tudo para esse outro, num área até então bem afastada da cidade. Se tudo estava afastado quando foi aberto, coisa de uns três km do centro, hoje essa distância não mais existe, pois dois novos bairros já estão bem próximos. Na fachada algo bem peculiar da política brasileira, duas placas de reformas, uma de início das obras, de 1971, quando um prefeito em fim de mandato prevendo que não mais estaria no poder quando a obra estivesse pronta, coloca lá uma placa e outra da reinauguração.

A rua defronte seu portão principal tem somente uma quadra e dá numa vicinal que leva até a vizinha cidade de Uru. São talvez os cem metros mais arborizados da cidade, principalmente com frondosas seringueiras e praticamente embaixo delas, a casa do coveiro. Ali ele mora com a esposa e filhos. Durante o dia, lugar bem movimentado e a noite, além da movimentação da casa só a de alguns que se arriscam a namorar no local, parando ali seus carros. Seu José vive nesse quadrilátero, indo pouco à cidade, pois os afazeres em um cemitério, mesmo de cidade pequena é intenso, com reformas de túmulos, enterros, informações e visitas. Tudo controlado pelo seu olhar mais do que clínico.

Por falar em reforma, ele me conta uma história com personagens que conheci ali. Um grupo de pedreiros estava finalizando a obra de um novo túmulo e dentre os pedreiros descobriu-se que o mais forte deles, um negro de dois metros de largura e outro tanto de altura tinha medo de permanecer sozinho na cova em obras. “Seus amigos aprontaram com ele. Um entrou lá dentro quando esse saiu para beber água e quando entrou de novo, sem saber que o outro havia entrado no buraco e se escondido. Começou a ouvir vozes, uma chamou pelo seu nome, sendo o suficiente para destruir todo o reboco que havia acabado de fazer. Tanto se debateu lá dentro, subindo meio que voando de lá para fora, destruindo tudo a sua frente. Rimos muito, mas ele só volta lá agora quando tem certeza de estar acompanhado de alguém vivo”, conta.

Tempos atrás, quando da finalização de um livro sobre a história da cidade, bateram dúvidas nos autores dobre datas de nascimento e falecimento de alguns personagens e um dos memorialistas da cidade, João Batista Bento, o popular João da Câmara teve a ideia de ir até o cemitério e conferir as datas nas lápides. “Foi a melhor e mais rápida coisa que poderia ser feita naquele momento. Não tivemos dificuldade nenhuma na localização, pois seu José sabia de cor e salteado a localização de todos os túmulos. Falava o nome e ele nos levava até ele. Fomos registrando as datas e avançamos no que queríamos fazer”, conta enquanto circula entre os túmulos e sendo observado de perto pelo José, o coveiro.

Dessa visita a revelação de outra descoberta para esse escrevinhador. Seu José é analfabeto de tudo, não lê nada de nada, mas do cemitério sob sua responsabilidade sabe de tudo. “A gente ia perguntando de alguém, ele não só nos levava até o túmulo, como contava a história do dia do enterro, se teve muita gente e outras curiosidades”, conta João. Eu mesmo presenciei isso, quando perguntei de um e ele me respondeu citando o nome inteiro da pessoa, data da morte e ainda me questionou: “Não é isso que está escrito aí?”. Sempre era. Ele não errou nenhum.
Pessoa muito simples, sem luxo nenhum e carregando sempre no bolso o único luxo que ostenta, um celular sempre carregado, pois em caso de morte na cidade, o pessoal da Prefeitura o avisa de imediato e lá vai ele preparar tudo para a chegada do cortejo. Para esse José, não existe dia santo, feriado, faça sol ou chuva, lá está de plantão e sempre pronto para fazer bem feito seu serviço. “Teve um dia que iluminamos o cemitério para um enterro que precisava ser feito naquele dia e o corpo só chegou altas horas. Cada enterro tem a sua história”, relata.

Circula pelo cemitério, na maioria das vezes, de vassoura em punho, pois não gosta de ver aquele amontoado de folhas pelo local. Zela pela segurança, limpeza e tudo o mais por ali. Numa das visitas que fiz ao seu local de trabalho, acompanhado de Fausto Bergocce, jornalista e cartunista, nascido ali e residente em Guarulhos, estávamos no túmulo dos seus pais e José veio nos contar que conhecia o falecido. Contou histórias dele e quando revividas ali, causam sempre muita emoção. Sai de lá querendo escrever um bocadinho de tão preciosa pessoa e hoje a oportunidade de fazê-lo.

OBS.: Essa história foi escrita aproximadamente dois anos atrás e somente publicada agora.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (70)


O TOTEM DA HAVAN E A LIBERDADE ADVINDA DO SÍMBOLO A SER ERGUIDO
A bonita loja de departamentos HAVAN chegou à Bauru imponente e logo de cara anunciou aproximadamente 200 novas vagas de empregos, entre diretos e indiretos. Todos aplaudimos. Construiu uma bela edificação onde antes tínhamos o Auto Cine (que fui tão poucas vezes), área por anos abandonada e a novíssima construção pode ser vista por todos adentrando a cidade via Nações Unidas ou simplesmente passando de carro pela rodovia marechal Rondon. Imponente, ocupa lugar privilegiado em solo bauruense. Dias desses tomei conhecimento de que estaria para trazer mais uma surpresa para Bauru. Não precisou ninguém me dizer, passei por lá e vi a tal da surpresa. Seus proprietários levantaram uma estrutura de concreto e no pedestal vão fixar uma espécie de totem com uma réplica da ESTÁTUA DA LIBERDADE. Ela ainda está deitada, aguardando remoção às alturas.

Isso mesmo, estaremos daqui a alguns dias igualados a Nova York, sem o rio e a ilha Staten, mas incrustado no seu famoso trevo de entrada, com idêntica facilidade de visualização e por todos os ângulos possíveis. Poderemos ser identificados como reprodutores da “liberdade” norte-americana (sic), mesmo sem termos optado pelo símbolo. Fui pesquisar e vejo no site deles (www.havan.com.br), que a estátua está logo na abertura, a usam para tudo. Confesso que logo de cara havia gostado do nome, Havan, achando que pudesse haver alguma similaridade com a ilha caribenha, mas isso foi desfeito após ler sobre a história da rede no site http://www.lojashavan.com.br/historia. O nome é da junção de dois sócios, o Hang e o Vanderlei. Frustrado, percebo que o totem é um “elemento incorporado ao conceito Havan”, introduzido em suas lojas desde 1996 e que em cada cidade onde aportam, “presenteiam-na” com uma estátua em tamanho enorme e de fácil visualização. Marca da empresa.

Dito isso, venho para minhas observações pessoais. Nada contra a escolha de um símbolo. Quero lembrar do estigma que a Barra da Tijuca, o famoso bairro carioca possui ao tentar fazer o mesmo décadas com a colocação de uma réplica igual a essa em lugar nobre na avenida das Américas. Até hoje ficou marcada como reduto do gosto e preferência ao estilo Miami. Se isso é bom ou ruim, cada um avalie do seu jeito. Lembro também que Bauru já fez isso em outras situações, como a Torre Eiffel defronte a ITE. A diferença é que aquela está mais escondida, no meio de um bairro. O fato é que até hoje não se criou um portal para adentrar Bauru via rodovia e esse marcará a cidade, pois estará ao lado dele. Ali pertinho a Rede Confiança ergueu um mastro imenso e lá no alto hasteou a bandeira de Bauru. Uma tentativa demarcatória com algo a envolver um símbolo da cidade, sua bandeira. Já com a estátua, algo bem longe dessa cara bauruense. Não quero com esse texto ser chato, pedante, desses a apregoar a recusa do dito “presente” que a rede está a nos oferecer, mas só lembrar que, o símbolo norte-americano de liberdade nunca esteve tão em baixa como nesses últimos tempos. Hoje nos espionam até no que fazemos sozinhos dentro de um até então reservado banheiro e isso, decididamente, não tem nada a ver com liberdade. Pelo contrário, diz sobre a falta dela. A réplica chegou, está por enquanto deitada no estacionamento da loja e em pouco tempo estará recebendo em sua face o vento bauruense. Prolongando esse texto, temo que seja deselegante e não quero sê-lo. Exponho os fatos, com algumas justificativas e deixo tudo para reflexão coletiva. Ganhamos um totem no marco da entrada de Bauru e que todos ao menos saibam disso. Como ele vai estar lá, acredito que o texto não tenha nada de inoportuno.

terça-feira, 16 de julho de 2013

AMIGOS DO PEITO (81)


EU NÃO PUDE IR, MAS OUTROS LÁ ESTIVERAM E A LUTA SE FEZ
Estou há alguns dias sem ler os jornais, mal o folheio pela manhã. Pouco tempo de ver TV e idem para o rádio. O pouco que sei das coisas é pelas andanças que ainda tento conseguir manter. Pediram para assistir a entrevista do presidente do Conselho dos Usuários do Transporte Coletivo, o Pedro Valentim, na TV Preve, ontem na hora do almoço e fazer perguntas, questiona-lo sobre dos porquês de todos sabendo que as três empresas de ônibus são de um mesmo dono, como o Ministério Público não toma nenhuma providência para desbaratar esse fio da meada. Queria fazer outra sobre essa tal de planilha, que ninguém entende e sobre essa Comissão de Inquérito, que a Câmara samba por tudo quanto é lado e não demonstra vontade nenhuma de abrir. Queria entender isso tudo, mas nem o programa consegui assistir. Não teve jeito. Outros o fizeram, TRUIJO ouviu, SCHUBERT idem, ALDO perguntou e o RENATO gravou.

Queria também ter ido ontem à sessão da Câmara de Vereadores. Já na abertura o presidente da EMDURB, o Nico Mondelli iria tentar explicar e marcar uma ida do prefeito à Câmara, para discutir esse mesmo assunto e o da divulgação dos nomes e salários dos funcionários públicos da Prefeitura. Esse tema foi o motivador de uma concentração de gente que até então nunca tinha visto na Câmara, os estudantes do grupo Acorda Bauru, que bem organizados parece estarem contribuindo para que os vereadores não voltem atrás em algumas decisões. Nossos edis estavam prontinhos para recuar e não tornarem obrigatório a divulgação dos nomes de quem possui altos salários. Diante da assistência de sempre, do pessoal da Batra e dos estudantes, cumpriram direitinho o script, ou seja, fizeram o que tinha que ser feito. Pressão coletiva é tudo de bom e quando bem organizada melhor ainda. Não fui, mas ROQUE estava lá, GIBI marcou presença, ARTHUR prestou atenção e FABRÍCIO e SILVIO dissecaram tudo.

Frequento a Câmara quando me sobra um tempo livre nas segundas, ontem foi impossível. Para dizer a verdade, outro motivo pelo qual gostaria de ter estado lá era o da consolidação da aprovação da aFundação de Saúde, que foi aprovada e ainda não muito bem entendida pela cidade. Essa carta branca para que a Prefeitura, através de sua Secretaria de Saúde dê as cartas e negocie esses altos salários para que o atendimento no setor continue, além de não resolver a questão, faz com que algo mais seja feito. Por que não a vinda de médicos cubanos para cá? Estamos pagando horas extras exorbitantes somente para essa categoria profissional e inflando demais seus salários, algo totalmente fora da realidade. Não é essa a solução. Queria ter podido lá estar, mas nem a retransmissão da sessão noturna pelo rádio consegui ouvir. Quem prestou atenção em tudo foi o ADEMAR, o TALES, o JOÃO também, mais a ROSE, a CLÁUDIA e até o FLORÊNCIO.

E nem vi também o tal do CQC, esse programa que se diz moderninho, mas além de ridicularizar só a alguns, demonstra ter um lado dos mais sacanas dentro da concepção de uma imprensa livre e sadia. Vieram aqui e nem sei se saiu algo ontem, a tal da sarcástica entrevista com o prefeito. São tantos temas, tantas boas discussões, mas nada disso me foi possível ontem. Sei que o LÁZARO deve saber, o WELLINGTON idem e a TATI poderão me dizer o que achou, além do ALMIR e da MARTA. Essa curta reflexão é o máximo que consigo dentro da correria profissional que estou sendo obrigado a me submeter. Daí, a conclusão que tiro disso tudo é que um slogan como “Agora é nóis”, não cabe nem aqui e nem em nenhum outro lugar. Todos têm compromissos e é sempre bom saber, que na nossa ausência existirão outros tantos para nos substituir, outros segmentos para empreender a luta e fazer com que ela prossiga. Da cabeça de um só agrupamento, sem dialogar e partilhar, o emperramento ocorrerá mais rápido do que ser imagina. Ontem eu me encontrava em MANUTENÇÃO, mas muitos outros continuaram na ativa.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (54)


A BATRA NÃO QUER NOS AJUDAR, MAS SABEREMOS OS NOMES DOS ASSESSORES DO DEPUTADO ESTADUAL PEDRO TOBIAS, CUSTE O QUE CUSTAR:
Meus caros e caras da imprensa bauruense: Devo uma explicação e uma resposta para todos (as). Havia pedido apoio da Batra na busca de sabermos todos quem são os assessores do deputado estadual Pedro Tobias. Eles, que foram tão competentes em cobrar e até exigir a revelação da lista dos salários dos servidores municipais, não se mostram com o mesmo empenho em buscar saber quem são os assessores do deputado. Alegam que, por decisão estatutária, só o podem fazer nas esferas municipais e não estaduais. Impensável isso, ainda mais quando as relações e problemas locais extrapolam e invadem as esferas estaduais e federais. Estarei atento às suas ações e observando alguma cobrança e exigência para fatos fora do município, os cobrarei de forma contundente e dura. A resposta foi definitiva, PULARAM FORA. Entendi dessa forma, nada que diga respeito ao entorno das ações do deputado estadual Pedro Tobias poderão ser encaminhadas via Batra. Assim sendo, em primeiro lugar, passo a olhá-los com olhos preocupantes. Verifico a parti de agora outros meios para conseguir o intento e se o conseguir, faço questão de repassar para a Batra, solicitando que o divulguem, pois se não podem investigar nada da esfera municipal, poderão, acredito, ao menos divulgar. Me ajudem na obtenção dos dados solicitados. é o que peço a todos da mídia local. Afinal, por que o deputado não expõe e não divulga as listas dos seus assessores, a de dois anos trás, a de um ano atrás e a atual? Tudo o que é proibido, aí é que queremos saber...

Abaixo a carta dirigida a mim, resposta da Batra, datada de 10.07.2013 e meu pedido inicial feito a eles, com cópia para todos da mídia local, essa datada de 09.07.2013.

Abracitos do Henrique Perazzi de Aquino - www.mafuadohpa.blogspot.com


Prezado Sr. Henrique Aquino

Bauru - SP

Em primeiro lugar a Batra agradece sua manifestação e seus elogios a nossa conduta no caso da cobrança ao Prefeito pela regulamentação e implementação da Lei de Acesso à Informação assinada pela Presidenta Dilma Roussef em Nov/11. Nosso esforço é pela liberação de todos os dados do Poder Público, incluindo além da Prefeitura, autarquias, fundações e a Câmara, naõ ficando restrito apenas e tão somente aos salários dos servidores.

Com relação a sua observação > "Na seqüência disso, os resultados deixaram a desejar, mas isso não é culpa da Batra. Queríamos mais e isso não vimos. Como a divulgação da lista dos servidores indicados pelos nobres vereadores e atuam no serviço público, onde estariam lotados, o que fazem de fato e se estariam aptos para o exercício da função onde foram designados". Informamos que ainda não nos demos por satisfeitos e estamos trabalhando. Acionamos o MP por mais informações e mais transparência.

Por fim, com relação a sua consideração sobre as informações que devem ser fornecidas pela ALESP - Assembleia Legislativa do Estado de SP no que tange ao Deputado Pedro Tobias, pedimos que o senhor faça uso da Lei 12527/11, impetrando pedido a Alesp, que terá no máximo 15 dias para atende-lo em seu justo pleito. A Batra em seu estatuto não permite que façamos quaisquer trabalhos além dos limites do nosso município em Bauru.

Atenciosamente

Rafael Moia Filho - Batra Bauru Transparente - Vice - Presidente
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