sábado, 24 de agosto de 2013

MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (241, 242 e 243)


NAU DA INSENSATEZ publicado edição de hoje, 24/08/2013.
Busco atendimento em um serviço público e sou recebido por alguém comendo bolacha, declarado pouco caso, falando com os seus colegas em voz alta, olhando de forma pedante para mim pelo simples fato de ter ido buscar informações quinze minutos antes de terminar seu expediente. Para conseguir o atendimento tive que solicitar ajuda do imediato superior. Eu não generalizo em nada que escrevo, mas não existe como tapar o sol com a peneira: o momento atual do serviço público brasileiro, de uma forma geral deixa muito a desejar. Faço algumas constrangidas constatações, necessárias para a promoção de uma ampliação da discussão sobre o sentido atual de tudo o que vejo acontecer. O servidor público brasileiro se acha. Infelizmente vejo parcela do tecido do funcionalismo bastante comprometido com uma ausência grande de valores. Não existe abnegação do que venha a ser de fato um servidor público. Vejo cada vez mais pessoas querendo prestar concursos, atuar nessa área, mas com pequeno envolvimento. Sim, existem muitos comprometidos, mas não os vejo mais como maioria. O problema é sistêmico. Ao constatar predominante conduta, totalmente no desvio, boto a boca no mundo. Faço aqui uma provocação. Experimente ter alguma experiência no serviço público conhecendo alguém e não conhecendo ninguém do lado de dentro do balcão. A conduta, de uma forma geral é ruim, não só porque a cúpula o seja, mas o fato é que o tecido funcional também é ruim. No mínimo, deficitário, negligente e, por que não dizer, pedante. Uma lástima isso, em todos os sentidos. Sempre defendi o funcionalismo público, mas na observação de excessos, não me calo sem nada fazer. Antes de tudo ficar impregnado dessa mais do que evidente insensibilidade, algo precisaria ser feito. Vejo um atendimento muito distanciado da exigência mínima de cidadania. Nós, a população de uma forma geral, necessitando diariamente de atendimento, não somos pedintes. E o que se pede não é nada mais do que um atendimento digno, cordial, sensato e honesto. Nada além disso.

A CRÍTICA E O TELHADO DE VIDROpublicado edição de 17/08/2013.
Não se fala em outra coisa nas redes sociais brasileiras, o caso envolvendo o Fora do Eixo e o Mídia Ninja, após o Roda Viva com o Capilé e o Torturra. Tem mesmo muita coisa no ar ainda mal explicada e necessitando de um melhor entendimento, mas de tudo o que assuntei por esses dias, um comentário de um amigo próximo é o mais reflexivo sobre os rumos desses processos ditos revolucionários, inovadores e modernosos, dentro da concepção digital dos tempos atuais. “Como é que você vai contestar o Estado se recebe grana pública para seus eventos?”, me disse o amigo. Realmente fica difícil e a partir disso estabeleço minha linha de pensamento. Vejo pouco ou quase nada de idealismo nas ações dos ditos transformadores desses tempos. Seu raio de ação parece ser bem outro. É algo assim como se rumassem para lugar nenhum. Não vejo salutar saída para quem se diz proponente do novo beneficiando-se do velho modelo. Não vejo contestação nenhuma contra o sistema político. A grande maioria da classe artística hoje, não me restringindo a ação dos dois citados, fazem acordos e fecham contratos com deus e com o diabo. Afinal, como criticar governos se mamam neles? Quem hoje dentre a classe artística ainda busca recursos no setor privado? Poucos. A maioria adora fazê-lo do jeito mais fácil, correndo atrás da via pública. Criticamos a indústria cinematográfica norte-americana por uma pá de coisas, mas eles não mamam nas tetas governamentais. Tudo lá é bancado pela iniciativa privada. Aqui todo e qualquer artista monta qualquer tipo de espetáculo e quer logo ir negociando apresentações com o setor público. Quer suar pouco e ir atrás o mínimo possível. Estou sendo duro? Posso estar, mas prefiro ver agentes culturais que não se vergam, continuam produzindo e vivendo onde vivemos, no seio capitalista, porém correndo atrás de patrocínios privados. Como criticar a ação do Capilé e do Torturra se o mesmo acontece por tudo quanto é lado e jeito? Não generalizo, mas seria bom ver esse debate ampliado.

VESTINDO ALGUMAS CARAPUÇASpublicado edição de 10/08/2013.
Sou um incorrigível “vestidor” (sic) de carapuças. Fico lendo bestiais textos e já acho que estão a escrevinhar de minha pessoa. Daí não me seguro mais, já quero responder e até deixo o trabalho de lado. Tudo bem que em certos momentos provoco, atiço, jogo lenha e instigo uns raivosos a mostrarem seus dentes. Eles despontam de todos os lados. Uns mais moderados, argumentos convincentes, propõem o diálogo. Com esses confabulo numa boa. Com os tratando tudo dentro de sua limitação de pensamento único, como se tudo tivesse que obrigatoriamente estar enquadrado dentro das leis vigentes do mercado, perco a boa e ironizo, espezinho até não mais poder. Seria ótimo se chegasse a tirar-lhes o sono. Esse caso da Estátua da Liberdade defronte uma loja de departamentos em Bauru é singular. Fincada como portal da cidade propus o levante de outra, num outro trevo, essa com a cafetina Eny Cesarino. Tudo jocosamente, provando que o bom mesmo é sempre rir das últimas. Li de tudo, até comparações esdruxulas das letras iniciais dos sócios, o Havan e dos que brincam com a situação estarem associados à Havana cubana. Enxergam fantasmas em tudo, devem se mijar na cama de algum medo entronizado no subconsciente desviado lá deles. Outro, enxergando fantasmas e retrocessos em tudo que não seja o amém absoluto e resoluto ao “deus dinheiro”, teve a pachorra de aventar a possibilidade de que quem se opõe a tão edificante estátua, só pode ser beneficiário de uma tal de “bolsa da ditadura”, ou seja, recebem soldos advindos por terem brincado de terroristas no passado. Viajou na maionese, despirocação total. Apelam e não citam nomes, pois não os possuem. Vivem de invencionices e maledicências. Sou assíduo nas redes sociais e ali não há como não constatar: virou um caldo de cultura de frustrações e espaço para a expressão de preconceitos e intolerância, muitas vezes de maneira cruel e vulgar. Estou no meio desse jogo, verdadeiro fogo cruzado, mas em alguns casos repudio a forma como batem deslealmente, falseando até a verdade dos fatos.

ALGO ONDE, COM CERTEZA ESTAREI NO DIA DE HOJE: À partir das 13h e até o arroz secar, hoje tem um encontro de solidariedade que não deixo de participar. ALMOÇO BENEFICIENTE AMIGOS DO TIÃOZINHO, Aldeia Bar, com muita música ao vivo. Tiãozinho tocou com a maioria dos bons músicos dessa cidade e tem uma longa trajetória no quesito musical. Percussionista dos bons, passa hoje por maus bocados, devido a um problema crônico no fígado, do qual tenta se desvencilhar. Gosto muito dele e mais ainda do que representa dentro do cenário musical bauruense. Olha ele nessa foto, tirada anos atrás por mim no balcão do Templo Bar ao lado de outras três feras bauruenses. Sempre TIÃO.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (92)


ALGUMAS COLETADAS NO DECORRER DA SEMANA – POUCA COISA
1.) Vou ao atendimento de um caixa eletrônico. Horário aproximado, 16h30 e entro com um a agenda de mão (onde carrego toda minha vida).Para agir mais tranquilo a deposito no alto do caixa e faço o que tinha que ser feito no local. Na saída, nem mais me lembrava da agenda, fui saindo. Um vigia bancário sai lá do seu posto e fica batendo de forma insistente uma chave na porta de vidro do banco. Percebo ser para mim e ao me voltar, me aponta o caixa onde estrive. Volto para buscar a agenda e lhe agradeço com uma reverência de corpo. Detalhes reconfortantes do dia a dia.

2.) Ela se separou do marido, mas para não ser privada dos benefícios do pomposo sobrenome (mais sociais), pelos quais possuía antes da separação e como esse a queria ver sem seu nome dali para frente, o inusitado ocorre. Uma ação judicial dela tentando sensibilizar a Justiça, de que a manutenção do sobrenome agregado ao seu é de vital importância para a continuidade de sua vida. A ação corre nas varas bauruenses.

3.) Dizem que pego no pé do radialista Chico Cardoso, da Jovem Auri-Verde. Dia 14/08, no programa matinal do Rafael Antonio ele surge para anunciar uma manchete policial (sua especialidade): “Estudantes presos plantando maconha em garrafas pet dentro de apartamento”. Seu comentário, o de apresentação, mesmo não havendo nenhuma relação entre um fato e outro foi: “Esses são os mesmos que fazem os protestos...”. E o chato sou eu.

4.) Ouço uma crônica sobre cegueira num CD em castelhano. Lá uma atriz discorre sobre Borges, o poeta cego argentino. Todo dia saia às ruas, acompanhado de sua bengala, ajudado por populares anônimos para atravessar as ruas e circular desviando dos perigos. Num dia frio, pouca gente nas ruas, ele para numa esquina e ali fica um tempo até que alguém esbarra nele, ambos juntam os braços e atravessam a rua. Do lado de lá, um sem conversar com o outro, cada um segue para um lado e descobre-se pelo testemunho relatado na crônica, serem ambos cegos. Ouçam isso, ao abrir cliquem no nº 27: http://musicaq.net/descargar_musica/china-zorrilla-1.html

5.) Sou um inveterado escutador (sic) de rádio, principalmente AM. Outro dia criei caso ao comprar um rádio para o carro, quando descobri que nesses novos não tinha sintonia AM. Desfiz o negócio.  Sou tarado pelos noticiários e os de entrevistas. Pela manhã dou uma viajada no dial entre a 94FM, 96FM e Auri Verde. Das 8 até às 11h Bauru fenece e perde para tudo quanto é emissora regional, pois na maioria das cidades bons programas de opinião. Por aqui nada. Nesse período confesso escutar a Band News RJ, com o Boechat, um voz das mais lúcidas, tanto no rádio como na TV. Fica no ar das 9h até perto das 10h30 no http://playersradios.band.uol.com.br/?r=rb_bandnewsfm_rio. Só as 11h algo audível em Bauru, no Bauru Agora, da Auri-Verde, com o sempre surpreendente Rafael Antonio. Por que não estender esse horário e preencher as manhãs bauruenses com bons temas? Enquanto isso não acontece Boechat mata a pau.

6.) Quem se utiliza dos serviços do Fórum, ali no começo do Bela Vista já deve ter batido os olhos numa residência, dessas antigas, desbotada pintura, localizada bem defronte a Secretaria da Fazenda, na curva da rua, cujo quintal está sempre cheio de carros. É a residência de uma distinta senhora, dona BEATRIZ, que ganhando pouco e observando o inferno astral de tantos que buscam uma vaga de estacionamento no local, abre diariamente o portão de correr de sua casa e permite que dezenas deles estacionem no seu quintal. O local é em declive, mas tem um fundo até arborizado. Ela vive só, cheia de cuidados com os “nóias”, que infernizam quem permanece com os portões escancarados como os seus, mas resiste e com um jeitinho peculiar, voz baixa, assuntando muito sobre seus “clientes”, vai conseguindo fazer uma renda extra e substancial no final do mês. Vê-la ali na sua área, olhos atentos aos movimentos da rua e do seu quintal, cuidando ora da casa, ora dos carros que entram e saem é motivo para uma crônica social dos desencontros e gambiarras promovidos pelos brasileiros para sobreviver e continuar pagando suas contas em dia. Dona Beatriz acabou por se transformar, mesmo sem querer, num peculiar personagem entre os frequentadores diários do Fórum bauruense. O que ela não quer de jeito nenhum é que o Fórum sai dali como já ouve comentar.
OBS.: As três ilustrações superiores são de GUTO LACAZ, a foto de dona BEATRIZ é minha e a tira final é de MIGUEL REP, essa sacada do diário argentino Página 12, edição de hoje.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (72)


A GRANDE VERGONHA SÃO VEREADORES MANTENDO GENTE DELES DENTRO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A manchete de hoje dos dois jornais, das rádios e TVs de Bauru é quase a mesma: “EMDURB CORTA 21 CARGOS DE COMISSÃO – Empresa pública aceitou reduzir quadro de funcionários de confiança após intervenção de promotor da Cidadania”. Se isso era o esperado pela grande maioria da população, não parece ser o mesmo de alguns dos vereadores em pleno gozo de seus mandatos. No Jornal da Cidade, coluna Entrelinhas, nas suas primeiras notas lá está: “Faca afiada - O promotor Fernando Masseli Helene apertou e o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, concordou em passar a faca nos cargos de livre nomeação do órgão. Em curto prazo, 12 assessores e nove chefes devem ser exonerados. Durante o dia, alguns vereadores já se movimentavam a fim de garantir que seus “apadrinhados” não percam a boquinha. • Conta do MP - Um nome de altíssimo escalão do Poder Executivo teria, inclusive, avisado o presidente da Emdurb que agisse de forma a convencer os parlamentares pidões de que o corte seria inevitável em função das pressões do Ministério Público (MP) justamente para minimizar as pressões e chantagens direcionadas ao governo. • Definitivo - Vale lembrar que há também muita pressão de funcionários da Emdurb e demais órgãos públicos municipais que se ancoram em vereadores para ocupar funções de confiança. Por isso, é fundamental que a quantidade delas também seja reduzida por meio de alterações na legislação vigente acerca da empresa municipal. Isso também ficou acertado na reunião de ontem”

Isso, exposto dessa forma declarada é a vergonha no seu grau mais elevado. Inadmissível que um vereador eleito para FISCALIZAR o Executivo e as ações públicas municipais tenham cargos indicados por ele dentro da mesma administração, como é inadmissível qualquer vereador manter contrato e receber valores advindos da Prefeitura. Essa relação é CRIMINOSA e por si só deveria merecer uma ação imediata do Ministério Público, da Promotoria, da Polícia Federal, da INTERPOL, do FBI e até da CIA. O que precisaria ser feito para PENALIZAR os vereadores que continuam com essa nefasta e insana prática? Que atitude poderíamos tomar? Percebe-se que a Administração Municipal está loteada de cargos dessa natureza, muitos sem qualquer qualificação (lembram-se do atual presidente da Câmara de Vereadores atuando dentro das hostes do DAE? Respondam-me, o que esse senhor fez de produtivo para o DAE nos anos que lá passou?).


Isso aqui é CASO DE POLÍCIA. Três vereadores acabam de ser cassados em Bauru pelo mero uso de seus nomes em um jornal católico, afrontando a legislação eleitoral. E nesse caso dos vereadores que mantém funcionários sem qualificação e bancados por eles dentro da administração? Que nome se pode dar a isso? Por mim todos deveriam ser DETIDOS, ALGEMADOS e INAFIANÇÁVEIS. Peço a ajuda coletiva para enumerar o nome de todos esses e vamos publicar uma espécie de JORNAL DO POSTE, colando seus nomes em todos os postes de ônibus do centro da cidade. Queria ouvir dos srs promotores, dos representantes do Ministério Público como devemos agir para acabar com essa pouca vergonha. Deixo claro uma coisa, eu não sou contra a existência de CARGO DE CONFIANÇA (já atuei num dele por quatro anos), sou contra a existência de gente apadrinhada de vereador e sem qualificação para o exercício da função e assim mesmo, continuarem atuando. E a chantagem feita por esses vereadores para continuarem apoiando a Administração em votações no Legislativo. Qual o nome disso? Antes de cassar os outros três vereadores, acho mais urgente a EXPOSIÇÃO IMEDIATA do nome desses vereadores e sua CRIMINALIZAÇÃO, obrigando-os a total devolução dos valores pagos aos seus apaniguados. E por que a imprensa cita sempre a existência dessa anomalia e nunca cita os nomes dos vereadores? Estão querendo acobertar quem e o que? 

E ninguém faz nada? Ninguém se inquieta com isso? Ninguém bota a boca no trombone? Vamos aos nomes dos vereadores que mantém essa prática... VAMOS FAZER ALGO COLETIVO CONTRA ISSO OU VAMOS AGIR COMO O VELHO TOMANDO MATE NA BEIRA DO RIO?

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

CARTAS (108) e BAURU POR AÍ (89)


QUEBRANDO A SISUDEZ DO BAURUENSE - publicado coluna Opinião, do Jornal da Cidade, edição de 22/08/2013.
Saio às ruas com minha pasta de trabalho e ainda sou parado. São as repercussões do caso das estátuas. Muito séria essa cidade e dessa forma, triste. Problemas existem aos borbotões e quem se atreve a ocupar cargos públicos, eletivos ou de confiança devem no mínimo saber que lá estão para cumprir e tentar resolvê-los da melhor forma possível. O que mais vejo hoje são pessoas fazendo de tudo para passarem em concursos públicos. Seria isso tamanha abnegação ou uma mera possibilidade de ter uma remuneração? Adoraria ver esses cargos ocupados por gente disposta a resolvê-los, ou pelo menos empenhada na sua solução. Não é bem isso o que vejo. Do lado de cá, quero ser sério e ao mesmo tempo, hilário.

Vivo no meio de uma infinidade de coisas mais do que sérias e não me furto, por causa disso, de também continuar tratando a vida que me resta (e que acredito única) da forma mais jocosa possível. Pego muito no pé dos que se propõe a atuar em nosso nome. E adoro brincar com a dita seriedade, canalhice, pieguice e até mediocridade com que muitos encaram esse mundo. Não existe quem não viva envolvido em contradições e possuidor de telhados de vidros. Todos os temos, daí espezinhar e ser espezinhado deve fazer parte da rotina da vida de qualquer ser humano. Não existe mais o ser totalmente impoluto (existiu algum dia?).

Vou à oficina de funilaria e o proprietário mal quer ver o problema do meu carro, quer é falar da estátua. “Muitos te desceram a lenha e alguns o elogiaram. Veio um me dizendo que a tiraram do lugar e quando me espantei disse que era só para urinar, mas que voltaria logo”. Ontem ao rever um amigo no seu local de trabalho, diante de uma parede verde, tirou da gaveta um negócio igual ao que a da Liberdade tem na cabeça, cheio de pontas, pegou um chumaço de papel e me disse se não cairia bem ele lá no pedestal (e eu sem minha máquina fotográfica). Na porta do shopping um garoto me aborda se posso responder uma pesquisa. Era sobre a estátua, se gostei, se está no lugar certo e qual o símbolo de Bauru (disse ser a Ferrovia). Um amigo me liga para dizer que sua tia do Espírito Santo ligou para que lhe explicasse o que era isso da estátua da prostituta. Outro ficou irado, me abordou na fila do banco e perguntou como faria com seu neto, se ele o questionasse sobre a estátua de uma prostituta na entrada da cidade. “Meu caro, o Corinthians joga hoje em Lucas do Rio Verde, contra a Luverdense e na entrada daquela cidade tem a estátua de um PORCO. Qual o problema?”, respondi.

Escrevo isso tudo para reverenciar duas pessoas e uma constatação, a de que precisamos tratar tudo à nossa volta sem a sisudez do definitivo, da existência de um único e irredutível caminho. Quem fazia bem isso na imprensa bauruense era o BRONCOLINO (ilustração abaixo retirada do livro de caricaturas bauruenses do Aucione Torres Agostinho), o “primeiro a rir das últimas”. Que falta nos faz alguém com a perspicácia dele para apontar o dedo para a ridiculice da saúde, do transporte coletivo, dos gastos dos vereadores em campanha, do rombo na AHB e de muito mais. Faria misérias com a questão das estátuas. Ninguém ocupou até hoje o seu espaço e os que se me metem a dar uma de Broncolino são quase crucificados. Por fim, lembro também de Valéria Garbelotti, filha dele, que também já se foi e que queria muito montar algo com os escritos do pai. Isso é mais do que necessário, para quebrar essa seriedade e esse moralismo existente dentro de parcela significativa dos bauruenses. Avacalhar Geral é meu lema e nem as pedradas, safanões, xingamentos e admoestações me desviarão dessa rota. Sigo com broncolino espírito.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

DICA (109)


MEU “SELINHO” DE HOJE VAI PARA...
A besta polêmica envolvendo um modesto “selinho” (encontro de duas bocas, seja lá qual forem) do jogador de bola corintiano, Sheik provoca reações bestiais pelas redes sociais (sempre elas). Demonstrações de enraizado preconceito pipocam por todos os lados. Há mais de 40 anos Caetano distribuía selinhos entre os seus e hoje, vigência bestada de um século XXI, que mais parece andar para trás do para a frente, o negócio ainda profana sentimentos. Se for enumerar os que gostaria de dar um fatal selinho esse texto poderia se estender além da conta e assim sendo, fico na demonstração explícita de alguns poucos que o faria no dia de hoje. Vejamos quem são.
Hoje é a estreia bauruense de um espetáculo teatral mais do esperado, o “O Sapato  que Sabia Andar”, uma livre adaptação da Cia Mariza Basso Formas Animadas para a obra infantil do poeta bauruense Luiz Vitor Martinello. A direção é da Mariza e do Julio Hernandez e no palco ela contracena com Caique Rufato. A história é a de “uma chinela cansada de obedecer aos pés de Alice, a empregada, sempre nas tarefas domésticas: do tanque para a cozinha e da cozinha para o tanque. Daí convence os sapatos todos da sapateira a fugir. Em uma marcha de liberdade, sem família, sem tradição e sem propriedade, fundam a Cidade dos Sapatos. Lá, os pares não se entendem: o Sapato Esquerdo não quer mais obedecer ao Direito e o Direito ao Esquerdo e, com isso, a Bota Militar estabelecerá a ordem (sic) – Direita é Direita e Esquerda é Esquerda!”. Vitor viajou divinalmente nesse texto, escrito ainda no nebuloso e nefasto período em vigência da ditadura militar. Possui histórias até de perseguições a esse texto, polêmicas que poderá contar a todos os presentes num bate papo logo após o espetáculo.

Essa exploração da temática social e política pode ser vista hoje, de forma gratuita, no Teatro Municipal de Bauru “Celina Alves Neves”, na avenida Nações Unidas 8-9, com sessões às 15h e 20h. Vou fazer fila desde já para conseguir meu ingresso, pois mal intencionado que soou (aliás, sempre fui), pretendo dar um inenarrável SELINHO em todos eles, na MARIZA, a idealizadora, no Kyn Junior (imaginem como poderá ser o selinho meu no Kyn), o produtor da façanha, no Julinho Hernandez, um dos diretores, no ator Caíque e é claro no Luiz Vitor, o escrevinhador e mentor disso tudo. Selinhos não são novidade no meio artístico, eles já não provocam alvoroço e nem estardalhaço. Os meus serão apenas mais uns, porém os distribuirei nesse momento e o divulgo aos quatro ventos, pois não seria isso novidade nenhuma se o mundo não caminhasse a passos largos para obscuras trevas. Trevas essas, que a obra do Luiz Vitor previa e hoje está mais do que demonstrada sua permanência entre nós, pelo quanto de conservador ficou esse véio mundão. Esse comedimento prova que a minha geração parece mesmo ser muito mais avançadinha que a atual, que ainda permite páginas e páginas de jornais tudo por causa de um selinho entre amigos.
OBS.: Mais no final de semana teremos outra memorável apresentação da Cia Estável da Dança de Bauru, sob o comando do professor e bailarino Sivaldo Camargo. Voltarei ao Teatro Municipal para dar novos selinhos em todos eles.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (59)


A CASSAÇÃO DOS VEREADORES E OS EMBARGOS INFRINGENTES

Guardião, assim como uma grande parcela da população bauruense, estranhou a cassação de três vereadores e alguns suplentes, pelo fato de terem sacramentado seus nomes num jornal da Diocese Católica de Bauru. “Foram inocentes e feriram a legislação por desconhecerem a fundo a legislação vigente. Evidente a existência de outros segmentos religiosos fazendo uso de expedientes muito mais escabrosos, porém, mais atentos em como driblar a legislação e dessa forma não penalizados”, começa seu comentário sobre o assunto o super-herói bauruense Guardião (desenho de Leandro Gonçalez com pitacos decisivos desse HPA).

O comentário inicial do Guardião está na boca do povo e a pergunta mais ouvida por populares nas ruas é essa: “Só eles? E os outros”. Esse um ponto, outro é o rabo exposto deixado por esses. “E a Cúria Diocesana não vai se pronunciar? Afinal o jornal do imbróglio é deles, idealizado por eles e ali os nomes dos hoje cassados, todos explicitando o que e como fizeram. Foi uma imensa pisada na bola. Aqui o termo recorrer ao bispo poderia ser de imensa ajuda, principalmente na defesa dos ainda não totalmente cassados, pois todos recorrem da decisão judicial”, continua Guardião.

O arremate final ele dá levando em consideração outro fato. Primeiro traz a público a definição de um termo muito usado hoje em dia, o “embargos infringentes” (previstos no art. 333 do Regimento Interno do STF):No âmbito civil, embargo infringente é o recurso cabível contra acórdãos não unânimes proferidos pelos tribunais nas ações que visam a reapreciação das ações impugnadas pela parte recorrente”. Levando em consideração tudo o que foi presenciado acontecer na precipitação do julgamento do dito Mensalão Petista, onde muitos foram julgados e condenados levando em conta não os fatos, mas a suposição desses, mais a pressão da mídia interessada em ver alguns execrados da vida pública, hoje, qualquer pessoa de bom senso enxerga a parcialidade cometida pelo STF – Supremo Tribunal Federal.Sempre que não exista consenso sobre a revogação ou não de um direito, cabe interpretar o ordenamento jurídico de forma mais favorável ao réu, que tem, nessa circunstância, direito ao melhor direito. Pois bem, os ditos mensaleiros estão no seu direito apelativo, afinal não fizeram nada de diferente do que ocorre em todas as campanhas, uma dinheirama correndo a rodo por debaixo do pano e os vereadores bauruenses, guardadas as devidas proporções, tribunais e condições estão no mesmo barco. Ou seja, Recorrendo de supostas injustiças, é o tal do pau que dá em Chico dá em Francisco. Não me prolongo mais para não suscitar que defendo isso ou aquilo, mas me reservo no direito de enxergar claramente que, nem a Justiça escapa de cometer injustiças. A revisão dos motivos do julgamento do mensalão da forma como foi feita é uma e a dos motivos da sentença dura e implacável dos nossos vereadores é outra. É o meu entendimento sobre os dois casos”, conclui garbosamente nosso atento super-herói.

Escrito final desse HPA: Eu não consigo me calar diante da frase feita, do uso contínuo do lugar comum para culpabilizar os mensaleiros. Enxergo sim, ambas as situações muito parecidas, próximas na iniquidade de uma Justiça que poderia se aproximar muito mais, mas não o faz, da verdade dos fatos. E daí, na necessidade de se recorrer aos tais embargos infringentes. A lei brasileira não é igual perante todos e vez ou outra estamos requerendo uma revisão do que foi deferido por seus legisladores. Ninguém é perfeito, ainda mais vivendo no mundo da imperfeição. 

domingo, 18 de agosto de 2013

RELATOS PORTENHOS (04)


MAFIA FOTOGRÁFICA ARGENTINA E A TROCA DE FOTOS POR UMA CAMISA DA SANGUE RUBRO NOROESTINA

Nesse final de semana, sábado e domingo, fiquei privado de Ana Bia, ela num concorrido curso de fotografia, com diletos amigos, LUCIANA FRANZOLIN e ALEX MITA, o cipriota morando entre nós, no FOTOGRAFIA DIGITAL da WORLD PHOTO SCHOOL, fundada e dirigida por eles, entendidos desse ramos e segmento. Ela enfurnada lá, melhorando sua técnica, que certamente me será repassada sem custos. Enquanto aguardo isso, matuto sobre duas coisas. A primeira é sobre algo que eu e Ana vivenciamos em Buenos Aires com um grupo independente de fotografia, a MAFIA e depois sobre minhas andanças aqui sem ela por esses dias.

Postei isso sobre minhas andanças culturais pelo final de semana bauruense: “BAURU É MESMO DO BALACOBACO - Enquanto de um lado prevalece o que um dileto amigo acertadamente denominou de "merda no palco e merda no chão", existem redutos onde a boa música perdura e resiste. Ontem, num lugar mais do que conhecido ela esteve acontecendo com uma intensidade decibéis acima de tudo o mais, no SESC (sempre ele). Dois shows, dentro do anual FESTIVAL DE JAZZ E BLUES no primeiro às 20h, um quarteto suíço, o NO SQUARE, fundado em 1994 e reverberando um jazz elétrico da melhor qualidade e na sequência, 21h30, o maravilhamento total e diletante com o grupo instrumental COISA FINA, com 13 integrantes e um som para endoidecer gente sã. Despiroquei total, num CD deles homenageando o mestre Moacyr Santos. E o SESC recebe bem seus visitantes, pois encheu a quadra de mesinhas e todos estavam sentadinhos em volta delas e podendo degustar um bom vinho com preços pra lá de honestos (tem lugar pela aí onde essa semana a latinha de cerva custa 5 pila). Hoje tem mais, 19h o encerramento do festival com a norte-americana SUNNY WAR, pela primeira vez no Brasil e representante do delta blues americano, show gratuito, como gratuito será o show com o sertanejo de raiz (esse sim eu vou), com BELMONTE E AMARAÍ, na festa anual na Fazenda Barra Grande, o show é as 17h, mas rola comida caipira o dia todo e os preços não são estratosféricos, fica na Bauru/Pirajuí. No Aldeia Bar rola o som do NETO e LIZ, sempre com música boa e comida barata. Por fim, desplugo tudo e saio agora para o espaço férreo do MIS, junto à Feira do Rolo, onde acontece um feira de Escambo, promovida pelo MOITARÁ, tendo um show do Nelson Itaberá como um dos atrativos. A boa pedida musical de Bauru para hoje está toda aqui...”.

Isso uma coisa, outra foi nossa história com os fotógrafos argentinos, contada a partir de agora. Recebemos um convite através da Universidade de Palermo, Buenos Aires, pelo motivo da participação no Encontro de Design e lá algo a ocorrer no dia 26/07, sexta, 20h, uma Mostra do trabalho de um ousado grupo de fotógrafos independentes. “Artistas urbanas – Muestra de diez artistas que intenvienen las calles de la ciudad”, Espaço Cabrera, rua Cabrera 3641. Lá fomos nós em busca do inusitado e o que vislumbramos foi mesmo algo a nos comover. O nome do agrupamento já nos era sugestivo pela sigla, “MAFIA – Movimiento Argentino de Fotógrafxs Independientes Autoconvocadxs”.
 
Ao chegar o deslumbramento. Aqui em Bauru existem alguns agrupamentos convocados por fotógrafos, mas poucos se habilitam a fazer rotineiramente o circuito social, ou seja, o dos acontecimentos mais impactantes da cidade. Preferem estar e atuarem em paisagens e locais com menos povo, menos periferia. Nenhuma crítica, uma constatação. O mesmo deve ocorrer por aqui com outras, mas o fato é por termos encontrado a Mafia, um agrupamento que nos apresentava fotos do povo simples e em plena atividade, no momento exato de suas ações. Um amplo salão e as fotos todas expostas na parede, em tamanhos diferentes, divididas por temas e ao lado de cada temática, a projeção da sequência de fotos na parede, num file documentário. Assisti a todos, repetidas vezes. Batemos papo e acabamos cada um comprando uma mafiosa camiseta. Os caras não só somente fotógrafos, são atores sociais, envolvendo-se e tomando partido, pois ao focar tais temas, definem sua linha de ação e abrangência.

Assim de memória, os temas são Enchentes, Manifestações nas ruas, Travestis, Desocupações, Hospital Psiquiátrico, Vigília ao Congresso, Cacelorazo, etc e etc. No site deles, o www.somosmafia.com.ar, logo de cara uma amostra do impactante trabalho do grupo, que muito nos impressionou. Temos um algo mais do grupo e isso muito nos emocionou. Num dos cantos, uma urna e ali a possibilidade de escolher uma foto e levar ela para casa. Pediam para explicitar algo que tinham para oferecer em troca de uma das fotos. Fizemos isso desprentensiosamente e deixamos nossos e-mails como contato. Eu ofereci algo que tinha na mala, “a camisa de uma torcida organizada de um time do interior do estado de São Paulo”, no caso a Sangue Rubro e o Noroeste de Bauru e Ana ofereceu um brinco de pressão com um desenho da famosa calçada de Copacabana, Rio, Brasil.
 

Passaram-se três dias e já havíamos nos esquecido da iniciativa, quando ao Abrir meu email lá estava um comunicado de SEBASTIAN PANI: “Como estas? Te escribo de parte de M.A.f.I.A. para contarte que ganaste la foto que ofertaste en la subasta, sabemos que te vas el 4 de agosto, te paso mi teléfono para coordenar. O arreglamos por aca, Saludos”. Marcamos e ele veio até o hotel onde estávamos hospedados para trazer as fotos. Foi um encontro memorável. Tiramos fotos juntos e fiz questão de anexar com a camiseta da Sangue Noroestina uma máscara de carnaval com a caricatura da Dilma. Trocamos cartões, e-mails e ficamos de repassar os contatos deles para os interessados brasileiros. Isso faço aqui e agora, como Ana já o fez para a Franzolin. 

É dessa forma deixamos mimos brasileiros aos amigos da MAFIA e trouxemos duas belas fotos, em fase de moldura. Uma vai ser instalada no mafuá outra nas paredes da casa da Ana. Somos assim e é dessa forma, um algo novo a cada dia que viajamos por aí. Amanhã ou quando me sobrar tempo tem mais.