sábado, 21 de dezembro de 2013

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (67)


MEUS CAROS E CARAS, GENTE PRÓXIMA E DISTANTE: 
Não esperem de mim um cartão formal de Boas Festas. Nada sairá de mim nesse sentido. O máximo que consegui produzir dentro do meu sentimento com esses dias é em cima dessa bela frase do Galeano, ótima reflexão para o que já fomos, o que somos e o que queremos ser daqui para frente. Tenhamos todos a paz suficiente para caminharmos lealmente diante de tudo o que se apresenta. Boas entradas e saídas para todos (as)

Abracitos cordiais do 
HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO 
(www.mafuadohpa.blogspot.com)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (258, 259 E 260)


MANTENHA DISTÂNCIA EM DIAS DE FESTApublicado edição de 21.12.2013
Período natalino é de muita felicidade para uns, consumo exagerado e incentivado de forma desordenada para outros. Prefiro ficar com boas reflexões para os dias mais amenos no campo profissional. Queria poder proporcionar com meu escrito algo assim, uma breve parada, desaceleração e a imaginação fluindo para uma história como essa, grande probabilidade de estar ocorrendo agorinha mesmo em algum canto dessa cidade. A garota tinha um velho carro, usado para facilitar sua vida, do trabalho para a universidade e vice-versa. Quebrava um galhão. Certo dia distraída numa esquina qualquer dá uma freada brusca e bate violentamente num veículo desses importados, podendo ser uma Mercedes, com valores estratosféricos, fora da realidade do pobre mortal. Teve que vender seu velho carro e contrair dívidas, além de dois novos empregos, tudo para ir saldando aos poucos o montante do estrago. Sua vida teve uma transformação inesperada e para piorar, acaba sendo despejada do imóvel onde morava, por atrasar o pagamento de algumas parcelas.  A humilhação maior teve ao tomar conhecimento de que o dono do luxuoso veículo não precisava daquele dinheiro para nada, pois já possuía muito. Tudo para ele não passava de mera distração, um caro hobby mantido por pura ostentação. Um brinquedo, diria, pois possuía meia dúzia iguais aquele. Se perguntado, certamente diria que não poder abrir mão do recebimento do prejuízo.  Tudo isso faz parte de um cruel sistema onde inexiste a caridade. Vigora o sadismo, quando uns poucos, para manterem-se no topo da pirâmide dificilmente abrem exceções e para que seus negócios continuem tendo a lucratividade e oxigenação (sic) necessárias, esmagam sem dó e piedade todos os que cruzam consigo nas esquinas da vida. Portanto, a única recomendação que poderia deixar a todos e todas nesses dias de festa natalina é somente uma: muito cuidado com as Ferraris, mais ainda com aquilo que estiver no seu volante e tentemos viver dando menos importância ao consumismo e ao deus dinheiro.

TEM GENTE QUE NUNCA MUDA - publicado edição de 13.12.2013
Um dos filmes mais impressionantes dos últimos tempos é “Os Educadores”, do alemão Hans Weingartner,  lançado em 2004. São três jovens insatisfeitos com o consumismo desenfreado dos tempos atuais e lutando por uma sociedade mais justa e igualitária. Daí partem para indignada e criativa ação, feita de forma pacífica. Entram em mansões, quando vazias, de gente muita rica e mudam todos os móveis de lugar. Não levam nada e deixam um recado no meio da bagunça: “Seus dias de fartura acabaram”. Numa das intervenções dão de cara com o proprietário, daí mudam o rumo da ação e o sequestram. Do papo entre eles no cativeiro, esse dono de muitos dos meios de produção do local, algo elucidativo quando confessa: “Meu pai dizia que antes dos 30 se você não é de esquerda é insensível. Depois dos 30, continuando sendo é idiota”. Foi exatamente a partir daí que saiu a ganhar dinheiro e acumulou muito. “Eu mereço isso, eu tive as ideias certas nos momentos certos”, resume sua práxis. Com ela consegue amealhar 3,6 milhões (pouco importa se dólares ou outra moeda) por ano. “Eu não sei como gastar esse dinheiro”, confessa. Um dos jovens lhe sugere: “E se você usasse uma boa parte para que pelo menos mil pessoas não morressem de fome”. Na sequência muita reflexão e por fim diz: “Usando dessa forma o farei somente uma vez, perderia dinheiro e não mais o teria para reinvestir no que faço. Eu tenho que gastar para ganhar, investir de novo no meu negócio”. Quando o libertam, sabiam que seriam perseguidos e o foram, mas quando procurados pelos homens da lei, uma mensagem estava fixada à espera desses: “Tem gente que nunca muda”.  As cenas geram ótimas reflexões sobre os descaminhos financeiros. Por que alguns necessitam amealhar cada vez mais, tendo ao seu lado pessoas que quase nada o conseguem? O moto contínuo dos detentores do capital é uma roda que gira, gira e só faz aumentar as diferenças, as desigualdades, as injustiças e a prepotência. E pensar que o homem poderia não ser o lobo do homem.

“V DA VINGANÇA” E O MOMENTO ATUAL DO STFpublicado edição de 06.12.2013
Eu sempre gostei de HQ – História em Quadrinhos. Da boa e irreverente HQ, diga-se de passagem. Colecionei por anos e passei tudo o que tinha para o filho. Um dos meus preferidos roteiristas continua sendo o britânico Alan Moore. Dentre todos de sua verve ressalta aos olhos o “V de Vingança”, um marco, tendo fixado no mundo a famosa máscara de Guy Fawkes, usada pelos Anonymous mundo afora. Só aqui no Brasil é utilizada com finalidades mais à direita, no resto do mundo não.  Escrevo desse “V” e comparo algo dos quadrinhos com a vida real. Na passagem mais significativa para mim, o personagem se ajoelha diante da estátua no Palácio da Justiça inglesa e a cena era a representação exata do término de uma relação, o namoro terminava ali. Ajoelhado, braços estendidos para ela, corpo curvado, como se fosse um suplicante rugia algo mais ou menos assim: “Eu acreditava em você, eu devotava a minha vida a você até que me dei conta de que você é uma meretriz, que flerta com os poderosos. Agora tenho uma nova amante”. O “V” como sabemos passa a partir daí a agir dentro dos preceitos anarquistas e o momento do rompimento foi quando enxergou na Justiça (com maiúscula) o fim do sonho. Ela havia deixado de ser justa e daí não havia mais motivo em prosseguir acreditando no mundo julgado por ela. Essa cena ocorre pouco antes dele explodir o Palácio da Justiça, o centro do poder judiciário inglês. A comparação que faço a seguir não é simplista. A Justiça brasileira, hoje representada pela ação intempestiva do STF e do seu autoritário presidente Joaquim Barbosa, quando age fora dos trilhos da legalidade e da legitimidade, representa uma burla à Constituição vigente no país. Suas ações estão cheias de autoritarismo e vazias no cumprimento da lei. O presidente resolve tudo ao seu modo e jeito, resoluções só dele. Eu não vou explodir parlamento algum, nem vou aderir ao anarquismo, mas assim como o personagem dos quadrinhos, não aceito mais o coronelismo do Judiciário representado por esse Joaquim.

ALGO DA INTERNET (79)


ACORDEI NO MEIO DA NOITE E REVI O ARRABALDE DO CARLÃO
Acordo hoje, 20/12 e ao abrir o facebook, meu amigo Neto Amaral postou lá de forma lacônica: “virei zumbi...”. Ontem à noite, fui numa festa e comi um pouco demais, deitei de barriga cheia e foi inevitável acordar no meio da noite, por volta das 2h da manhã. A TV estava ligada no Canal Brasil e começando um filme brasileiro dos velhos, de 1986, do diretor Carlos Reichenbach, o “Anjos do Arrabalde – As Professoras”. Deitado, olhos grudados na tela fui até o fim e confesso, revi ali um belo retrato de como se davam algumas relações profissionais e pessoais no meio dos anos 80, periferia paulistana, quando o país tentava iniciar novo ciclo no período pós ditadura militar. Havia assistido a esse filme muito tempo atrás e foi ótimo revê-lo, com os olhos de hoje e olhando para trás. É muito mais fácil analisar e entender o passado tendo passado algum tempo. Coisa de verdadeiro zumbi.

No release do filme do Cineclick lá está: “Drama realista sobre três professoras e uma manicure que tentam sobreviver dignamente em confronto com o hostil ambiente de um bairro periférico de São Paulo. Carmo (Irene Stefânia) abandonou o ensino por pressão do marido machista, o ex-policial e atual advogado Henrique (Ênio Gonçalves). Dália (Betty Faria), eficiente e dedicada na profissão, sustenta um irmão problemático, Afonso (Ricardo Blat). Apesar do estranho relacionamento afetivo com o rico editor Carmona (Emílio di Biasi), ela é mal vista na escola por suas preferências sexuais pouco ortodoxas. Rosa (Clarisse Abujamra) é uma mulher solitária. Severa e rude com os alunos, mantêm uma relação extraconjugal com o inspetor de ensino Soares (José de Abreu). Aninha (Vanessa Alves) é a manicure pobre, amasiada com o operário João (Cilas Gregório), cuja tragédia pessoal irá transformar estas vidas tão comuns em manchetes de jornais sensacionalistas”. Vencedor do Festival de Gramado de 1987 nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz (Betty Faria) e Melhor Atriz Coadjuvante (Vanessa Alves). Leiam também:http://www.contracampo.com.br/01-10/anjosdoarrabalde.html 

Algumas conclusões e constatações: A relação do paulistano ou mesmo do interiorano com a praia, no caso a Praia Grande é algo surreal. A promíscua relação que certos advogados possuíam com os homens da lei, no caso com delegados é a constatação de que uns sempre foram mais iguais que outros. E como esses delegados agiam, acima do bem e do mal, tudo podendo, com benesses claras e até intimidatórias é algo, que em alguns cantos, resiste ao tempo e persiste até hoje. Como naquela época já era um tanto difícil o relacionamento (em todos os níveis) do educador numa escola encravada na periferia de um grande centro, a violência já se insinuando de forma bem latente. Ali uma amostragem de como seriam consolidados nas décadas seguintes o poder do tráfico como de domínio nessas regiões. Algo marcante, como em alguns segmentos, o magistério, por exemplo, um reduto de gente pensando e agindo de forma liberta, mais ousada que as demais, atraindo até hoje o olhar preconceituoso e reprovador. A submissão da direção de escolas, sejam municipais ou estaduais, a alguns chefetes que, transferem para o fim do mundo seus desafetos em demonstrações irracionais de poder. O país ainda dominado pelo machismo, impondo à fêmea a sua condição, pouco importando-se com a dela. Enfim, um belo retrato de um período pouco estudado e analisado da história recente do país. Passaram-se somente 27 anos, muita coisa mudou, mas muita continua como dantes. Progredimos, estacionamos no tempo ou regredimos? O que a perda de sono não provoca. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

BAURU POR AÍ (94)


OS NOROESTES- QUANDO NÃO É UM É OUTRO E A ESPN
Times de futebol com o nome de Noroeste eu só conheço dois, o que torço, daqui de minha aldeia, Esporte Clube Noroeste de Bauru SP, bravo resistente de 103 anos de idade. O outro vim a conhecer há pouco tempo, também com o mesmo nome, porém nascido em 1964. Esse último faz parte do universo do futebol varzeano da capital paulista. Tanto lá como cá, a várzea deixou de ser aquele lugar onde o esporte era praticado de forma bucólica, para ter pitadas de grana insólita, proveniente de lugares incertos e não sabidos. Isso tanto lá como cá, o que me faz permanecer distante desses gramados. Vou nos jogos do Noroeste daqui, esse ano na AII e ano que vem na AIII do futebol paulista, infelizmente, quase um melhorado varzeano.

Vamos ao o que a televisão ESPN tem a ver com tudo isso. Anos atrás, quando o Noroeste de Bauru completou 100 anos eles fizeram um lindo documentário e eu, esse insólito HPA circulei com o jornalista Roberto Salim (apresentado pelo amigo Orlando Alves) numa das partes da realização da matéria. Leia isso aqui: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=espn. Dou youtube achamos isso do referido documentário, 1ª parte: http://www.youtube.com/watch?v=QljH3JxLcEA,  2ª parte: http://www.youtube.com/watch?v=2dTwqBF2zbg, 3ª parte: http://www.youtube.com/watch?v=03OE2d_DN60 e 4ª parte: http://www.youtube.com/watch?v=QNQX0hpGhqc. Esse documento é lindo demais e ficará para sempre como um dos mais belos registros feitos na história do Noroeste, o de Bauru.

Findo isso, não é que a ESPN surpreende, ela umas das TVs mais sensíveis no quesito esportes, para fechar esse desastroso ano esportivo, quando o Noroeste de Bauru cai da II para a III Divisão do Futebol Paulista, a Campeonato Brasileiro desse ano pode ser considerado o mais fraco e desestimulante desde sua criação e culminando com mais uma virada de mesa, com a queda no tapetão da Portuguesa (que pisou feio na bola, não nos esqueçamos disso) e o Fluminense, que havia caído, retornando pelos meios do STJD – O Tribunal Desportivo do país, comparado por mim ao STF, o Supremo que julga por presunção. Está lançando na sua programação nesses dias o documentário “VÁRZEA – Futebol da minha quebrada”, retratando justamente a trajetória do time de várzea paulistano. Fiquei sabendo de tudo no começo da semana quando comprei numa banca a revista Brasileiros, edição dezembro 2013, com uma crônica divinal, a “A alma que alimenta o futebol”, onde li que um diretor francês acompanhou o time durante o ano todo para produzir e finalizar o trabalho, agora mostrado na TV. O texto da revista está aqui: http://www.revistabrasileiros.com.br/2013/12/18/a-alma-que-alimenta-o-futebol/#.UrNYtNJDuOM. Muito tem se falado disso: http://papodevarzea.blogosfera.uol.com.br/2013/12/11/documentario-frances-futebol-brasileiro-e-o-torcedor/

Finalizo sem fazer maiores comparações, só uma em algo que muito me entristece. Na matéria da Brasileiros está lá algo de doer até a medula: “Apesar do caráter amador, em casa ou fora, é comum o Noroeste levar até duas mil pessoas aos campos, transformando seus jogos em festa que atravessam o apito final”. Essas duas mil pessoas, nós aqui de Bauru, futebol profissional deixamos de conseguir faz um certo tempo (nem o basquete, a coqueluche do momento na cidade consegue – o ginásio Panela também não comporta isso) e isso dói. Por essas e outras, a minha tese de que hoje o futebol que mais atrai o cara que realmente gosta de bola é muito mais o dos pequenos jogos, a série B e C do Brasileiro (Viva o Santa Cruz e o Sampaio Correia!), talvez um amador regional, disputa acirrada entre cidades, do que os modorrentos jogos que vi esse ano no Brasileirão série A. Queria muito poder reviver isso tudo que o Noroeste paulistano produz na várzea da capital com o Noroeste na terceira do Paulista, jogando ano que vem em cidades como Tupã, Novo Horizonte, Limeira, Franca, Cotia e é claro, a Móoca, ali na rua Javari. Será possível? Eu sonho.

OBS.: As fotos são do Noroeste paulistano e são da divulgação do documentário. A ESPN estará passando dias 18.19 e 20/12/2013, às 20h e dias 19, 20 e 21, às 13h30.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADES DE ERNESTO VARELA (80)


A GRANDE IDÉIA – TROFEU ABACAXI e LADO B 2013 VÃO PARA...
Durante o ano são entregues variados troféus para os ditos empreendedores dessa cidade. Muitas publicações patrocinam esses eventos, festas grandiosas são realizadas e junto a jantares de muita pompa. A nata da cidade comparece e aparece em todas as fotos, publicadas e distribuídas para todos. Láureas e láureas para os endinheirados dessa cidade, em votações e escolhas feitas entre eles. E os do lado de cá, os do LADO B de Bauru, os que ralam durante todos os dias da semana pouco ou nada são lembrados. Vemos muito desses realizando inovadoras proposituras, suando pra dedéu e sem terem seus nomes inscritos em premiações de nenhuma monta. Para sanar isso, esse Mafuá está instituindo duas premiações, uma designando quem fez de tudo e mais um pouco para tornar a vida dessa cidade algo penoso, árduo e insensato, dando a esse o nome de TROFÉU ABACAXI.

Diante do adiantado da hora, hoje dia dezoito de dezembro, acredito que nesse ano, o troféu deveria ser entregue numa espécie de Hours Concurs para a insensível CLASSE MÉDICA BAURUENSE, principalmente a lotada no seu serviço público, que tem demonstrado dia mais dia estar na contramão de tudo o que possa ser considerado bom senso. Aqui não existe uma generalização, mas é preciso ser denunciado o estado de coisas provocado por alguns médicos, pensando somente em seus anéis e que de uma forma muito cruel colocam toda sua categoria profissional num estado de descrédito nunca visto até então na cidade. Judiam da população mais necessitada com uma crueldade beirando o irracionalismo. E ainda somos obrigado a ouvir de um médico vereador, fazendo a defesa desses que “médico não trabalha por mixaria”. Foi feito um acordo único dentro do funcionalismo municipal pagando a esses os maiores salários hoje para um servidor público, mas isso não os contentou e com apenas quatro horas nos plantões, não aceitam a instalação de relógio digital de ponto e querem trabalhar por produção e não cumprindo carga horária. Querem estabelecer a lei a ser cumprida ao empregador, tudo ao bel prazer. Se existem os que são contra isso, não aceitando o que alguns fazem, esses precisam ser mais corajosos e virem a público, fazerem até o que os três médicos da bancada de vereadores não estão com coragem de fazer, denunciar os péssimos profissionais. A manchete de hoje no JC diz tudo sobre isso: “MP investiga 22 médicos em Bauru”. São o ABACAXI hoje na administração e portanto, vejo como merecedores dessa premiação, inconteste aclamação pública por serviços não prestados. Em 2013 não tem pra mais ninguém.

O outro lado da moeda. Certo dia um senhor resolve dar uma guitarra de presente para um certo jovem inglês e a partir deu no que deu. Queria muito poder ao final de cada ano premiar com a devida pompa, numa justa homenagem a uma personagem da cidade, uma que vem se destacando no quesito realização, honradez, esmero, dedicação e afinco ao que faz, dando murros em ponta de faca, mas seguindo altaneira e cheia de luz, cabeça erguida e sempre pronta para a nova batalha. O Troféu LADO B a cada ano poderia ser escolhido pelo voto popular. Encarrego de fazer a divulgação entre hoje e amanhã para duzentas pessoas, com algumas sugestões de nomes e dentre todos os que votarem, ano após ano, daremos um troféu para a pessoa que mais se destacou no ano que se encerra. As respostas deverão ser dadas via facebook ou via e-mail e na somatória, veremos essa semana um prêmio para tão expressiva pessoa.

Minhas sugestões para a premiação desse ano são para:
Dona Hilda – catadora de papel na região central
Zé da Viola – músico das quebradas do mundaréu
Inês Faneco – pipoqueira de todos os eventos de rua
Baiano dos Ratinhos – expoente da venda de amendoim
Maria do CPT – trabalho incessante junto aos assentados
Carioca – o livreiro da Feira do Rolo
Adilson da Banca – ponto de conversa fiada e afiada
Sueli Ribeiro – violeira num universo dominado pelos homens

Poderíamos escolher um e buscar uma premiação, sendo a mesma entregue numa data a ser previamente marcada para o início do ano. É o Mafuá destacando os que mais judiaram de Bauru e um (ou uma) que mais demonstra ser o Lado B de Bauru.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (98)

1.) O CASO PORTUGUESA – Todo time pequeno quando em torneio no meio de grandes precisam tomar todos os cuidados possíveis e imagináveis, acrescido de mais um pouco de cuidado. Passar a perna é o mais normal, num mundo onde regras existem, mas quebra-las é questão de jeito e de quem as faz. A Portuguesa foi ingênua, falhou feio onde qualquer um não pode falhar. Nem em torneio de várzea não passa batido quem pode ou não jogar por causa de punições. Inconcebível o que ela fez. Se existe algum recurso por parte dela é se algum outro time teve o mesmo problema e foi julgado de forma diferente, com outra forma de punição que não a perda dos pontos. Se isso ocorreu, existe o pré-existente e se um pode, ela também deve poder. Quanto a ira de alguns contra os times cariocas, sou contra isso. Vivo pelo Rio desde os meus 17 anos e gosto muito do futebol de lá, não nutrindo rivalidade. Torci muito para que o Flu e o Vasco não caíssem, mas a queda foi inevitável, pois seus times eram sofríveis. Sinto pela Portuguesa, como sinto pelos julgados no mensalão petista por mera presunção. E tem quem continue achando que decisão de juiz deve ser inquestionável. Nesse mundo munido por interesses ninguém escapada de defender isso e aquilo. Juiz é um ser como outro qualquer, sujeito a chuvas e trovoadas. Não existe hoje tribunal totalmente isento, como no mundo onde os interesses predominam, atitudes como essa são as mais normais. Aqui no mundo real e não daquele do faz de conta, dificilmente (e bota dificilmente nisso), Golias vai vencer o Gigante.

2.) UMA AVE A MENOS NOS MICROFONES - Zé Rolinha é um amigão que conquistei lá em Reginópolis. O gajo é locutor e até bem pouco tempo o administrador (uma espécie de faz tudo) da FM Rainha dos Anjos, até coisas de meses atrás quando a mesma foi comprada e repassada (sic) para um grupo evangélico daquela cidade. Toda a programação antes dedicada para a cidade, atendimento de reivindicações e prestação de serviço foi para a cucuia. E o Zé Rolinha e o Pardal, ambos locutores estão deixando de piar no dial dos 104,9 MhZ. Zé é uma baita de um cara, quase dois metros de altura, mas um doce de pessoa, generoso até não mais poder. Conto uma historinha dele para amenizar a dor que sinto ao sabê-lo fora das ondas radiofônicas. Diabético, correndo o dia todo de um lado para outro, era um tanto descuidado com a doença e ela avançava lentamente. Meses atrás deu uma topada no dedão do pé e o bicho deu uma complicada. Teve que ir ao médico e lá chegando a notícia ruim, teria que amputar o tal dedão, tal o avançado da doença e se não tivesse dado a tal topada, poderia perder até o pé todo ou lá na frente até a perna. Promete agora se cuidar melhor e pelo que ouço dos amigos de lá, talvez até volte para Ibitinga, começando tudo de novo numa rádio por lá. Reginópolis vai perder um baita de um cara, um que fez história com o microfone na mão e com seu carro de som espalhando as notícias pelas ruas da cidade. Durante um tempo chegou a manter uma espécie de museu musical nas instalações da rádio, disponibilizando tudo o que amealhou durante toda sua vida em relação à música. Por falta de espaço e de interesse de muitos, encaixotou tudo e tudo permaneceu ali num quartinho na frente de sua casa. Inesquecível o programa ao vivo lá no Bar do Batista aos domingos e o Festival Sertanejo Raiz, com patrocínio da Prefeitura e tendo ele como apresentador. A dupla sertaneja que mantém com a esposa, se for mesmo embora, deixará aquela cidade mais triste, ainda mais pela perda da programação e pelo que ficou em seu lugar. Ponto negativo.

3.) ADELMO E O ITAÚ – Gente querendo dar golpes é o que mais existe pela aí. Cada dia fico sabendo de um jeito novo e com gente conhecida caindo na armação. Se tem alguém que quero escrever por aqui, um desses é o Adelmão, soldado aposentado da PM, linha dura nos meus tempos de moleque e árbitro do amador nos tempos em que ia aos campos de bola. Tenho gratas recordações do Adelmo com o uniforme de árbitro no campo do Arca e do Padilhão, os meus preferidos. Mas o que quero contar é uma triste história passada com ele ali defronte o Confiança da Falcão, onde diariamente fica com seu carro, porta-malas aberto e todo cheio de salames. Sim, ele fica ali a revender salames para aumentar seus rendimentos. É pessoa das mais conhecidas no pedaço. Boa gente, tanto que um mais esperto lhe passou a perna. É conhecida a história do sujeito engravatado que lhe procurou dizendo que era do Banco Itaú, logo ali na esquina, onde Adelmo é por demais conhecido e que estariam fazendo uma festa e o gerente pediu para que ele desse uns oito salames dos grandes e passasse lá depois das cinco, quando a agência já estivesse fechada e recebesse o valor. Conhecendo o gerente, os salames foram levados. Final do dia lá vai Adelmo receber o valor, bate no vidro da agência e ninguém entende dos motivos dele querer algo ali naquela hora. Quando explica tudo e lhe dizem que ali não ocorreu festa nenhuma, tendo sido ele enganado, foi o suficiente para lhe estragar o dia. Pequenos golpes desse tipo são cheios de criatividade, mas os piores possíveis, pois quem arcou com o prejuízo foi o pobre do Adelmo. Vamos todos comprar salames lá dele nesse Natal para que possa ser logo ressarcido do prejuízo.

4.) O FILHO E ALGO DO SEU FINAL DE SEMESTRE: Meu filhão mora lá em Araraquara, onde cursa Letras. Está no maior aprendizado de sua vida, o de ser virar meio que sozinho, longe das asas de pai e mãe. Acaba de voltar para casa após o encerramento do semestre. Dentre todas as histórias que fui recolhendo dele nos últimos dias, uma faço questão de repassar para tudo e todos. Por um lapso lá na forma de pagamento da sua operadora, ele teve sua rede de internet cortada por alguns dias e foi obrigado a ficar isolado do mundo, desplugado por cinco longos dias. Veio me explicando como resolveu tudo, tendo que ir lá na empresa descobrir o que de fato havia ocorrido, saldar a pendenga existente e ser informado que só teria a internet de volta no dia seguinte quando já estaria aqui por Bauru. Por fim, para concluir a história o que achei mais interessante disso tudo foi a conclusão que ele mesmo teve do problema e dos cinco dias: “Esse cinco dias sem internet, sem facebook foram os melhores cinco dias que tive nos últimos tempos. Li tudo o que tinha que ler, assisti tudo o que estava atrasado, coloquei tudo em dia e por fim cheguei a seguinte conclusão, ela não me faz tanta falta assim”. Tasquei um beijão nele.

5.) SNOWDEN, NOSSAS LIGAÇÕES PERIGOSAS E O BRASIL: "Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro. Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação. A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos", extraído de um texto de Edward Snowden aos brasileiros, a íntegra no link: http://www.carosamigos.com.br/index.php/artigos-e-debates/3789-edward-snowden-carta-aos-brasileiros. Depois disso o grande teste para Dilma e o Brasil: Snowden pede asilo ao Brasil.
OBS FINAL: É sabido por todos que o bloco carnavalesco mais desorganizado da face bauruense, do qual faço parte, o BAURU SEM TOMATE É MIXTO deu o pontapé inicial para os festejos de 2014, com uma Feijoada realizada no último domingo, 15/12, lá pelos lados da Casa da Capoeira, contando com, segundo estimativas da Polícia Militar com mais de 50 suspeitos, todos comendo e bebendo à vontade e já entoando a marchinha que estremecerá a Batista. Publico seis fotos, escolhidas a dedo, bem representativas do evento e na última, como também é sabido por tudo e todos, algo acaba sempre sobrando para mim, nesse caso, as panelas sujas.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (54)


AMIGOS, AMIGAS E CHEGADOS MAIS
Praticamente a última semana útil do ano, pontuada com algo que vou adiando, a faxina do meu mafuá e uma revisão em tudo o que vou acumulando por aqui, separando o inservível e o que ainda posso utilizar. Como junto papéis, bilhetinhos e demoro para os processar, digerir então, tudo é mais que um parto. As últimas vendas do ano, talvez a última viagem à trabalho ainda hoje, talvez mais uma ida a um novo médico e acompanhar os últimos recebimentos, pois duro não posso ficar. Preparar os planos para o ano que vem, o que vou esperar dele, como o irei encarar e tudo o mais. De bermuda e chinélo, mais à vontade, junto meus cacos, esperanças, sonhos, realizações e planos, bato tudo num liquidificador e começo essa semana como algo reparador, olhando sempre para a frente. Aos 53, cheio de dores, remédios como nunca havia antes tomado na vida, algo mais preciso juntar a isso, pois se não o fizer, reduzirei ainda mais minha participação nesse imenso circo da vida. E como não acredito em outro espetáculo, crendo que só teremos essa única oportunidade por aqui, deixa eu aproveitá-la bem e marcar presença de forma significativa. Eu continuo em exposição e com alguma lenha para queimar, um filhão lindo crescendo cada vez mais, me enchendo de orgulho e contentamento, meu pai convivendo comigo, um amparando o utro, ele muito bem aos 85 anos e uma intensa e contagiante relação amorosa, que precisa ser renovada, recarregada a cada dia. Tudo para mim precisa disso, energias recarregadoras e elas estão em nós mesmos. Se quero mudar o mundo e vê-lo mais ao meu jeito, nada como mudar a mim mesmo e fazer disso que me resta por aqui algo cheio de encanto. Assim toco meu barco. Tenhamos todos uma boa semana. Nesse período de festas que se aproxima, prefiro ficar mais no meu canto do que me enfiar de corpo e alma nelas. Uso-as para reflexões múltiplas e variadas. É o que tento fazer a partir de agora, ficando mais introspectivo diante de um final de ano e começo de outro. O fato concreto mesmo é que meu corpo está sentindo tudo o que fiz nesses 53 anos passados e se não der um breque, necessária repensada, terei reduzido o tempo ainda por vir. E, confesso, eu quero um pouco mais disso tudo. Coisas do HPA
OBS.: Onde achei essa fotomontagem do Darcy tinha lá uma frase junto e ela é muito pertinente: "O povo brasileiro é minha bíblia e Darcy Ribeiro nunca me faltará".