sábado, 22 de março de 2014

MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (268, 269 e 270) e DIÁRIO DE CUBA (68)


O VALE TUDO DO FACEBOOKpublicado edição de 08/03/2014
Quando dizem que o facebook se transformou numa terra de ninguém, queria não acreditar. Hoje percebo a degradação e o mau uso desse útil instrumento de contato. Da febre inicial, a possibilidade das aproximações todas, acabou se transformando num reduto de recadinhos sem sentido. Pior que tudo são as mentiras espalhadas, tudo no maior descaramento, como se verdade fossem e contando com o beneplácito de uma legião de seguidores da mesma linha de pensamento do mentiroso. Na tentativa de demostrar a farsa, o mínimo que ocorre é a pessoa ser destratada e desqualificada. Recebo uma foto de uma imensa fila e lá a legenda: “É uma fila de alimentos na Venezuela, vergonha para o mundo. Ditadura”. Quando respondo afirmando que a Venezuela pode ter mil problemas, mas a fila da foto não é de lá e nem o país é uma ditadura, recebo como resposta uma saraivada de críticas. Na maior delas, alguém sugere: “Os fins justificam os meios”. Se bem entendi, para fazer valer o que vai pela cabeça de alguns vale tudo. Num outro postam uma foto da Dilma, tendo ao fundo a marca da revista veja (minúscula mesmo) e uma mais do que improvável fala da presidenta entre aspas: “A Zona Franca de Manaus, ela está numa região. Ela é o centro dela porque ela é a capital da Amazônia”. Claro, reclamei da escancarada mentira. Outra saraivada de críticas. Numa delas algo assim: “Pelamor, você vem de novo defender essa ANTA”. Isso mesmo e em maiúscula. Não dá para discutir com gente assim. A razão e o bom senso passam muito longe desses posts. Num outro espalham foto da ministra da Cultura Marta Suplicy como destruidora da família brasileira, propondo projetos e em fase de votação contra a moral e os bons costumes (sic). Falácia mentirosa de gente inescrupulosa. Eu quero dar risada disso tudo, mas a coisa é séria, pois o mundo virtual está cheio de incautos. Um renomado jornalista de Bauru, anos de estrada, tarimbado na profissão é mais um dos que compartilham a montagem. Não entendo o que querem de fato. E o abilolado sou eu. Daí, o “terra de ninguém” é pouco.

ÔNIBUS CIRCULAR É COISA PARA POBRE publicado edição de 15/03/2014.
Eu nunca tive problema nenhum em andar de ônibus circular, mas parcela significativa dos brasileiros parece ter. Uma pena isso, demonstração clara de que, como afirmou a atriz Lucélia Santos, “o Brasil é o único país que conheço em que andar de ônibus é politicamente incorreto”. A frase foi proferida após ser flagrada por outro usuário, demonstrando abestalhamento por encontrar uma famosa atriz de TV dentro de um lotado ônibus, no caótico trânsito carioca. A frase deste foi lapidar: “524 lotado. Me ofereço para segurar a bolsa da moça. E quando olho é a atriz Lucélia Santos". Daí por diante, com a foto reproduzida nas ditas redes sociais, começa a ladainha, reproduzida por um dos jornais, com o título: “Estaria ela em não muito boas condições financeiras?”. Sim, no Brasil andar de ônibus é coisa para pobre, isso está implícito e quem o faz fica com a pecha. No Brasil perdura a máxima de que o sujeito ”por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, ou pior que isso, a de que muitos dirigem belos carrões pelas cidades, exposição necessária para continuarem passando a ideia de que tudo anda bem, sendo a realidade bem outra. Comem mal, mal conseguem pagar suas contas, joias no prego, mas nada pode ser exposto, tudo para não parecer pobre. Seria essa a mentalidade predominante da classe média brasileira, a que “come frango e arrota peru”?  Sim, exatamente essa. Essa mesma classe média se diz muito preocupada com os rumos da nação e marca uma Marcha com a Família com Deus e pela Liberdade, aos moldes de ocorrida quando do golpe militar de 64, promovendo caça aos comunistas, mas nenhuma crítica aos que promovem verdadeira adoração do deus dinheiro, aliás fruto da adoração coletiva desses. Criticam a corrupção de uns, os adversários e inimigos, mas fazem vista grossa para os de sua laia, ou melhor, de sua linha de pensamento, a neoliberal predatória. “Terminando: o Brasil deveria ler mais, se instruir mais, desejar mais e sair da burrice de consumo idiota e descartável que lhe dá carros!”, conclui Lucélia e dou-lhe toda razão.

CAUSA DO ATÁVICO ATRASO BRASILEIROtexto de hoje para o BOM DIA BAURU e algo de dois médicos vereadores de Bauru:
Raphael Martinelli, ferroviário de velha cepa foi homenageado com o título de Cidadão Bauruense nesse mês de março. Em seu discurso pós-homenagem algo não mais me sai da cabeça. “O capitalismo brasileiro difere em muito do europeu. Os capitalistas do velho continente se contentam com 7% de lucro. Os daqui não, 100% é pouco, querem sempre mais e mais”, disse. É a mais pura realidade. A casa-grande até hoje conseguiu manter a senzala a uma enorme distância do reconhecimento, desde o elementar direito ao básico, salário mais justos, como espaços em suas mídias. Tudo é enormemente dificultado ao trabalhador. Tem aqueles divulgando com alarde e estardalhaço um painel com os aumentos do “Impostômetro”, isso em plena avenida Paulista, no coração do capital e da capital paulistana, mas nada informando sobre a aberração praticada pelos seus, o que poderia gerar outro painel, mais realista, o do “Sonegômetro”. Sonegam até nisso, informações honestas. Os ricos sonegam demais nesse país, reclamam muito, choram copiosamente, tudo para continuarem ocultando o serviço sujo feito pelos seus. Não é por acaso que ostentamos o desonroso título de quarto país mais desigual do planeta. Isso não se deve a nenhuma ação governamental e sim, a ação dos ditos empresários, agro negocistas, os ditos empreendedores da nação. Esse querer ganhar sempre mais, a qualquer custo possui um custo e um alto preço. Para uns continuarem ganhando tanto, lucros estratosféricos, a massa vai continuar perdendo e muito. Essa a lógica capitalista. O intrépido observador Martinelli sacou tudo numa curta frase. Não precisou viajar mundo afora para entender que, as contas não batem nesse negócio de uns poucos lucrarem muito e os que pegam no pesado cada vez menos. Esse sim um bom velhinho. E que nome poderia ser dado a essa incontida fome por percentuais de lucro cada vez maiores, descontrolando toda uma balança financeira? No papel de mentir, omitir e inventar, o atraso brasileiro avulta e dói. É o espírito da casa grande ainda predominante, absoluto sobre a senzala.

OS MÉDICOS VEREADORES BAURUENSES E OS CUBANOS: Juntando esse tema com outro, impossível não fazer comparações com o entendimento do capitalismo de alguns. Martinelli quando fez seu discurso, quem presidia a sessão na Câmara dos Vereadores de Bauru era o médico Raul Gonçalves de Paula. Ouviu tudo e disse ao final ter tido uma aula. Não parece ter assimilado muito bem o que ouviu, pois dois dias depois sobre a chegada dos cinco médicos cubanos a Bauru, eis a Nota no Entrelinhas do JC: “Provocação - Médico e vereador Raul Gonçalves Paula (PV) desejou boas vindas aos 5 médicos cubanos que chegaram a Bauru na semana passada e sugeriu, na última sessão legislativa, que a Secretaria de Saúde ofereça a eles capacitação para que possam atender na rede de urgência e emergência, pois o “Mais Médicos” é voltado para a atenção básica. “Os plantões são nosso grande gargalo. Faltam profissionais. Adoraria pagar um plantão extra para eles e acho que iriam adorar nosso sistema capitalista”, cutucou.”. Disse isso e minha resposta se pudesse fazer a mesma chegar a ele seria essa: Caro Raul, se os médicos cubanos se integrarem ao modo desumanizado do atendimento quase padrão dos médicos brasileiros e adorarem o sistema capitalista excludente privilegiado por esses, tenho certeza, necessitariam serem todos devolvidos imediatamente para Cuba. Mas, na verdade, o que assusta é que vieram para dar uma lição de humanização, tão em falta na maioria das categorias profissionais saídas dos bancos universitários nos dias de hoje.

Ainda os médicos de nossa Câmara. Telma Gobbi foi até presidente da UNIMED local e hoje tem até programa na rádio local, utilidades e futilidades diárias. Sobre os médicos cubanos disse no ar na última sexta, 21/03: “Só não entendo como esses podendo receber R$ 10 mil, ficam com somente R$ 2 mil e o resto vai para Cuba”. Minha resposta: Sim, doutora, acredito ser mesmo difícil entender isso dentro da lógica capitalista predatória que nos permeia (veja os tais 7% da fala do Martinelli). Para todos os vivendo sob o jugo do deus dinheiro, um acima de tudo e de todos, inclusive valendo sempre mais que o semelhante é impossível entender alguém acreditar que seu país precisa continuar sendo o que é e para isso, dar o seu quinhão de participação para que a educação, cultura, lazer, transporte, saúde e tudo o mais possa ser dado gratuitamente para o seu povo. Eles são humanitários, sensíveis e vieram mostrar um bocadinho de como deve ser o trato entre humanos, sem botar esse negócio de dinheiro no meio. Faltam aos cursos de medicina brasileiros mais HUMANAS, hoje dominados somente por EXATAS. O capitalista brasileiro, nele inserido os ligados à área médica precisariam ouvir Martinelli quando disse que na Europa o capitalista se contenta com 7 a 10% de lucro e os daqui nem com 100% de lucro se satisfazem. Os cubanos nos farão um bem danado, pois deixarão esse nervo mais do que exposto.

sexta-feira, 21 de março de 2014

MEMÓRIA ORAL (157)


HALLIGALLI REINA NO QUESITO GINGADO E MALEMOLÊNCIA
O Carnaval possui personagens indescritíveis. Esse o caso de tudo o que envolve esse distinto senhor, EDSON ROBERTO LUCIANO, mais conhecido nas hostes bauruenses como HALLIGALI, o nome de uma malemolente dança, que acabou não vingando muito por aqui, mas acabou grudando em sua pessoa e dela não mais se desvencilhou. Conto a história de um e de outro, cada uma a seu tempo. Edson completou 68 anos em março passado, tendo exercido a função de Chefe de Trem na extinta Cia Paulista de Estrada de Ferro. Isso mesmo, esse senhor virou cidadão do mundo quando através das viagens férreas conheceu outras possibilidades, regiões distantes, povos com culturas diferentes e a partir daí construiu um mundo cheio de pluralidade. Virou aquilo que se pode denominar de cidadão do mundo e como agravante, pouco antes, conheceu e se apaixonou por uma cidade maravilhosa e um ritmo musical contagiante, o Rio de Janeiro, o samba e sua gente. Isso transformou sua vida, ela nunca mais foi a mesma.

O tempo passado na ferrovia já é coisa do passado, pois está há quase duas décadas aposentado. Muito perto dessa data ocorre outra coisa também contribuindo para essa guinada. Foi o falecimento de sua esposa, deixando-o viúvo, com um casal de filhos, hoje também com dois netos. Nesse tempo ele já era o Halligalli, nome dado a ele por amigos que o viram dançando alegremente num programa da TV bauruense, perto dos seus 18 anos e num ritmo ainda desconhecido. Jogador de bola em times amadores de Bauru não escapou da gozação. “O twist e o halligalli não emplacaram direito no país, mas a dança era inebriante. Frequentava o Icaraí, um clube de negros, lá fiz um grupo com mais três pessoas. Quando me apresentei no programa na TV Canal 2, descendo e subindo o corpanzil, meu amigos da Portuguesinha, onde jogava bola me viram e me apelidaram com o nome da dança. A coisa espalhou”, conta.

Halli, assim mesmo na forma abreviada e como muitos o chamam pela cidade, virou sinônimo de “homem samba”, pois o pratica por todos os lugares possíveis e imagináveis, não só em Bauru, como na região e por onde mais o convidarem. “O samba está grudado em mim, mas não consegui fazer o mesmo com minha filha, ela tornou-se evangélica. Digo para ela uma coisa bem simples. Sua mãe não volta mais, tenho que viver e o faço da melhor forma possível”, continua seu relato. O local do nosso encontro foi na quadra da Escola de Samba do Cartola, onde ele é uma espécie de Rei Momo Hours Concurs, ou seja “não tem pra ninguém”. Fala isso não de forma pedante, mas porque sabe fazer a coisa, tem uma espécie de mola dentro do corpo, um gingado que faz escola, cria adeptos e súditos por onde passe. Por onde circule, com toda certeza, a alegria o acompanhará, essa sua sina.

Enquanto se veste conta outra faceta sobre esse negócio de ter se eternizado como um nato Rei Momo. “O Cartola me dá o título e me deixa disputar quando quiser, mas como você sabe, Bauru ficou quase dez anos sem ter Carnaval de rua, tudo ficou muito parado por aqui e nesse período, voltei para o Rio e agora peguei mais que gosto, quero estar lá todo ano nesse período. Chego uns cinco dias antes e só saio uma semana depois. Venho fazendo isso de forma tão sequencial, que não tenho mais como parar. Precisaria ter algo muito significativo do lado de cá para me fazer voltar e passar o Carnaval em Bauru”. Em tempo, o interregno da festa em Bauru se deu por questão religiosa, quando vereadores evangélicos pressionaram a Prefeitura para não mais dar verba anual para escolas de samba. Hoje a verba voltou e a festa idem, vicejando ano após ano.

E dessa forma Halli aportou no Rio de Janeiro e lá conquistou a simpatia de muitos daquele lado praieiro do país. “Eu vou nas escolas, frequento várias, conheço as pessoas, vou nas festas. Só para ter uma ideia, fico num hotel ali perto do Sambódromo e da Central do Brasil, na boca do barulho, o San Diego. Sei que é de alta rotatividade, mas meu negócio é só a pernoite e a proximidade com a festa, o resto é só diversão. Vou pra lá, eu e minha mala, com cinco bermudas, uma sandália, dez camisetas e o cartão do banco no bolso. Nenhuma calça comprida, pois se levasse alguma, seria peso morto, pois não a usaria”. Seus detalhes são para endoidecer os acomodados de plantão, pois diz não ter medo algum dos tais perigos do Rio. “Perigo tem em qualquer lugar, inclusive aqui em Bauru. Se tiver medo não saio de casa e o que mais quero é poder continuar saindo”, diz.

Quando o questiono sobre essa sua paixão pela Cartola, sua escola do coração em Bauru, me diz: “Moro aqui perto do seu barracão, no bairro Colina Verde, venho em vários dos ensaios, conheço todo mundo por aqui. Na verdade sou mais que um conhecido, sou um dos fundadores da escola. Isso aqui antes se chamava bloco Nega Maluca, tinha lá o mestre Landinho. Junto disso reuníamos várias pessoas no bar do Guetão, na esquina da Primeiro de Agosto com a Saint Martin, daqueles agrupamentos nasceu a escola e eu quase virei mestre de bateria. Anos depois, minha mulher com câncer no útero e eu naquele ano ia concorrer pela primeira vez a Rei Momo. Eu ia desistir, mas ela não me deixou, me fez ir, torcia muito por mim e daí ganhei em homenagem a ela. Tá vendo essa roupa aqui, com ela eu fiz barba, cabelo e bigode, foi a última do desfile na Rodrigues Alves”, conta vestindo a dourada roupa, guardada com esmero em sua casa e só retirada para eventos especiais, como a sessão de fotos proposta por mim e pela revista AZ.

Na sua empolgação em relatar sua história, ele vai e vem com ela, ora conta algo bem lá de trás, ora volta para o presente. O bom m esmo é deixar tudo por sua conta e risco, pois não existem meios de interromper tão iluminada pessoa. “Sabe como eu não perco a voz no Carnaval?”, pergunta e logo a seguir responde. “Gargarejando semente de romã, com a casa para ir fortalecendo a garganta. Tem também uma pitada de óleo de copaíba para fortalecer a voz”. Quando termina essa frase já muda de assunto e começa a falar novamente do Rio. “Eu só vou pro Rio de ônibus, só quase sócio da Reunidas, muitas idas e vindas o ano todo”. Nisso que se aproxima é Milton Tito, outra peça chave dentro da estrutura da escola e quando o vê corre para o abraço. Faz questão de deixar seu depoimento curto e grosso, numa só frase: “O Hally quando chega essa época faz uma falta danada pra gente”. Esse o sentimento de todos por ali, desde o do carnavalesco Zé Horácio, do presidente Pasqual Storniolo, como do seu dirigente máximo, o ex-vereador Paulo Madureira.

Portelense de coração, coração dividido com a Cartola, uma lá, outra aqui, sem nenhuma confusão. Traz consigo e mostra para todos uma camiseta de Harmonia da Portela, mas é da roupa de Momo o comentário seguinte. “Essa aqui quem me costurou foi o melhor de todos, o finado Robertinho Godoy, costureiro de mão cheia. Igual a ele poucos, melhor acho difícil, o cara sabia tudo de costura”. Nisso quem passa ao seu lado é Luiz Madureira, responsável pelo carro alegórico da águia, o símbolo da Cartola e tudo é interrompido para novos abraços. Quando volta o assunto já é outro. “No Rio o importante é o sotaque, a gente acostuma logo. Tem que ter as manhas para se dar bem por lá. Já me sai de boas e quando percebia que a coisa ia esquentar ia até o dono da birosca e perguntava por alguém, isso para pensarem que conhecia alguém ali do pedaço. Nisso já me aconselhavam estar em lugar errado e até me ajudavam a sair da enrascada. Eu trabalhei no Rio antes da ferrovia, comandando uma equipe de mais de cem pessoas, sou macaco velho nas coisas cariocas, amor mais que antigo”, continua seu relato.

Quero encerrar com ele me falando algo do seu envolvimento com o samba em Bauru e já vai sacando mais histórias. “Frequento muito as serestas da Luso Brasileira, as do GREB e no Made in Brazil. Caré é do meu tempo, desfilava quando a Batista era ainda de paralelepípedo. Na minha idade todo mundo que é sexy como eu tem problema de pressão e para não ter problemas nas pernas uso uma joelheira sem problema nenhum. Ela me segura em pé”. Nisso outro abraço, dessa vez a de “Bubu”, ou melhor, Maria Lucia Silveira Fonseca, membro dos cativos do Cartola. Abraço dado volta para terminar o relato. “Tenho 110 kls e quando chego numa casa de samba, mulher que entra comigo, todos já possuem uma certeza, a de que é ótima dançarina e vai ter exibição”. Sim, Halli tem essa fama toda por causa das exibições que faz, todas gratuitas, daí ser pessoa das mais requisitadas, tudo para presenciarem seu show. E do dia do seu aniversário me contou outra, essa para encerrar, quando lhe disse se poderia acompanha-lo na festa. “Não vai dar. Elas, algumas amigas me convidaram e nem sei onde vai ser a festa. Sei que vai ter samba e que dançarei muito”. Esse o Halli, impagável em tudo o que faz. Confesso uma para encerrar de vez esse relato. Virei seu amigo, como se nos conhecêssemos de longa data, em dez minutos de papo. Entrei para o rol dos seus fãs, admiradores, os ditos veneradores de sua magia.

quinta-feira, 20 de março de 2014

PERGUNTAR NÃO OFENDE oU QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (84)


VLADIMIR PUTIN & DMITRY MEDVEDEV – E OS NOSSOS?
Esses dois são famosos por não discordarem em nada um do outro. Existiriam pessoas com igual teor de fidelidade, quase canina no mundo da política bauruense e brasileira. PUTIN e MEDVEDEV são um caso mais do que a parte. Quando quiseram aparentar que a Rússia era uma democracia de fato (sic), tendo Putin já cumprido dois mandatos, não podendo concorrer à reeleição eis que assume o cargo máximo da nação o até então inexpressivo MEDVEDEV, um que, pelo visto, o grão vizir da Rússia atual coloca a mão no fogo e parece não ter se queimado até o presente momento. Putin, enquanto Medvedev estava presidente ocupou o cargo de primeiro ministro, hoje com Putin de volta à presidência, Medvedev volta para ser novamente primeiro ministro. Não quero aqui nesse texto entrar no mérito da questão sobre a dureza do regime russo, quando deve ser mesmo uma loucura sem precedentes querer concorrer ao cargo de presidente da nação, enfrentando Putin. Só os bens loucos se arriscam.

Olhando para a relação fidelíssima entre os dois (essa foto dos dois acertando os relógios diz mais que tudo o que escrevi) eu me pergunto: Guardada todas as proporções possíveis e imagináveis, quem poderia representar o papel de fiel escudeiro, na alegria e na tristeza de algumas personagens do nosso mundo político? Esses pelos quais o outro confiaria nele até debaixo d’água. 


Confiram se fui feliz em algumas dessas duplas:
Lula e Dilma
José Serra e Soninha
Alckmin e Pedro Tobias
Rodrigo Agostinho e Marcelão Araújo
Estela Almagro e Batata (ou até mesmo Arnaldo Geraldo)

Franciscato e Akira Kawasaki
Tuga Angerami e Canalli
Paulão Madureira e Pasqual Storniollo
Pedro Romualdo e Passoca
Carlão Octavianni e Everton Octavianni ou Auro Octavianni
Álvaro Brito e a Defesa Civil
João Hermann advogado e Elias Brandão bacharel
Carlinhos do PS e Indião

E para não dizerem que não brinco de acordo: Duílio Duka e esse HPA

Tem mais. Quem se habilita a formar outras duplas de unha e carne...

quarta-feira, 19 de março de 2014

CARTAS (119)


A “BRASILEIROS”, EU NELA, CAPAS E O “BASTA DE CASA GRANDE E SENZALA”
Acordo hoje cedo e ao descer para o mafuá passo na banca da Hilda, aquela defronte o verdadeiro aeroporto de Bauru. Compro uma das minhas revistas preferidas, estampando esse mês uma vistosa capa, com BARBARA GANCIA, uma jornalista que até pouco tempo, segundo ela mesmo, era conservadora, atuando com seus textos ao lado da elite. Conseguiu dar uma guinada em sua vida e hoje na capa da revista algo como o renascer de uma vida até então estragada: “BASTA DE CASA GRANDE E SENZALA”. Só por isso a revista mereceria ser lida. Tem mais. Cinco matérias especiais sobre os 50 anos do Golpe Militar que tanta infelicidade trouxe ao Brasil. Acho que todo boboca que fica apregoando algum tipo de benesse ao país pelo regime dos coturnos deveria ler matérias como essa. A revista está nas bancas e recomendo, capas ótimas, a desse mês com a Bárbara, a do mês passado com Caetano Veloso assumindo algo assim “Sou um polemista de MIOLO MOLE” e a de janeiro com uma linda foto da poeta jauense HILDA HILST, no “Pede Contato”, aos dez anos de sua morte. Textos maravilhosos dentro de algo predominante no mercado editorial brasileiro, uma pasmaceira de inequidade e superficialidade. A BRASILEIROS, como bem define o manager da publicação, o brilhante fotógrafo Hélio Campos Mello: “Nos propomos contar histórias com honestidade, hoje olhando em volta dá para dizer que isso é mania”. Para mim virou vicio ler a revista desde o nº Zero.

Para mim essa edição teve mais. Tive carta de minha lavra publicada na seção CARTAS:
“A revista é toda apetitosa, a começar pelo seu editorial. A edição de janeiro começa com uma capa divinal, a da jauense Hilda Hilst. Babo na fronha até hoje por ela. Mas a matéria "Por que os generais não imitam a rede Globo" está impagável. Rever o texto de Luiz Cláudio Cunha foi de um sabor indescritível. Ele é de um tempo que a Veja não era reacionária e a líamos com prazer. Foram as 20 páginas, talvez a matéria mais longa até agora da revista, numa leitura feita por mim de um só talagada, respiração presa. O cara é mesmo bom em escrevinhações. Juntou tudo o que tínhamos para dizer aos militares e o fez com uma primazia, dessas de arrebatar até incautos. Se possível, tragam mais textos dele. Inclusive um, retratando sua trajetória. É por textos como esses que sabemos porque a Brasileiros foi merecedora do Herzog e do Esso. Viciado eu já era, agora a dependência está me levando à loucura. Vocês são um dos oásis libertários dentro do mercado editorial brasileiro. Um baita abracito de um leitor desde o número Zero”.

Dito isso só posso indicar a todos a leitura da tal matéria sobre os militares, pois estamos às voltas com os 50 anos do golpe e nada melhor para o páis do que ver o militares capitularem para o bem deles próprios e do país num todo. A massa militar não é golpista, golpista são alguns dos seus líderes e isso precisa mudar. Primeiro o site da revista para ser saboreada com a devida pompa:www.revistabrasileiros.com.br e depois o primor do editorial da edição desse mês, algo para ser entendido, utilizado e copiado:http://www.revistabrasileiros.com.br/2014/03/17/agregar-conhecimento-ops-incluir-conhecimento/#.UymCINJdWOM. E por fim o link para o impecável texto: “POR QUE OS GENERAIS NÃO IMITAM A REDE GLOBO?”, do Luiz Cláudio Cunha:http://www.revistabrasileiros.com.br/2014/01/14/por-que-os-generais-nao-imitam-a-rede-globo/#.UymDcdJdWOM. Quem quer entender o Brasil de fato precisa ler esse texto de cabo a rabo. A BRASILEIROS é uma de nossas mais oxigenadas publicações. Recomendo a todos insistirem com seus jornaleiros para a terem nas bancas. Não perco uma.

terça-feira, 18 de março de 2014

RETRATOS DE BAURU (153)


LÉO LIMA, EMBAIXADOR DO SAMBA E DA TURMA DOS JALECOS BRANCOS
Outro dia um grande amigo escreveu que ainda bem que o Carnaval terminou e que daqui para frente não se falaria mais nisso. Ledo engano. Eu sou daqueles que sempre continuarei reverenciando o Carnaval o ano todo, junto do samba, da MPB e da boa música, um dos meus temas preferidos nos escritos. Junto do tema vem os sambistas, alguns da melhor cepa e produzindo algo de grande envergadura. E assim sendo, por que não falaria mais deles? Não só falo, como escrevo. Esse aqui, tema dessa escrevinhação de hoje é um que tinha vontade de me alongar, num desses textos contando sua vida em detalhes, mas para começar fica só esse pequeno registro. Qualquer dia escrevo o texto longo e cheio de detalhes.

LEO LIMA é referência em dois temas na cidade. Quando está envergando uma roupa branca é porque está em atividade lá pelos lados da saúde, onde desde que me conheço por gente, o cara atua na área da enfermagem. Boa praça, sorriso franco e aberto, deve ser com essa simpatia latente que trata os semelhantes que lhe caem nas mãos. Desconheço reclamações de sua atuação, mas se houver é na outra, quando cantando, batucando ou compondo alguns dos mais conhecidos sambas que essa cidade já presenciou. O cara é fera nesse triunvirato, pois junta bem as letrinhas em poemas de boa rima, depois canta eles com igual competência, juntando isso tudo, o ritmo mais que sincopado na tal da batida perfeita. A reclamação, quando ocorre é porque o samba parou cedo, ou o lugar onde está se apresentando não cabe mais ninguém ou porque o cara deixou de ir e depois fica se lamentando por ter perdido mais um acontecimento. Sim, as apresentações do Leo são Acontecimentos. Embaixador do lugar onde mora, o Rasi, sai dali para espalhar alegria pelo restante da cidade. O Leo é um cara à moda antiga, gosta de música do tempo do onça, se deixarem andaria por aí com aquelas calças com vinco e sem tirar do cocorucho o chapéu panamá. É um estilo, o de sua vida e não haverá jeito e maneira de fazê-lo ter outro. Nesse ano, como nos anteriores esteve junto da sua Coroa Imperial lá do Geisel, que fez bonito na avenida. Seu samba, o “Entre Ícaro e a Lua, os Sonhos”, parceria com o Guto do Banjo (outra fera). Uma das coisas mais bonitas em todos os setores da atividade humana é a FIDELIDADE e Leo sempre foi uma cara fiel, ao verdadeiro samba, aos princípios de sua profissão e no quesito Carnaval à sua escola de samba. Com ele não tem qué qué qué, é dessa forma e pronto. Por isso tudo, esse Leo mora no coração de uma pá de gente nessa cidade. É que o cara é bom mesmo.

segunda-feira, 17 de março de 2014

BAURU POR AÍ (97)


ESCREVO DE MINHA IDA A ALGUNS TEMPLOS NESSE FINAL DE SEMANA E DE RECONHECIMENTOS OUTROS

CASO 1 
Estava no portão de casa ontem, domingo 16/03, 7h40 da manhã, junto com o amigo Ademir Elias, prontinho para ir até Santa Cruz do Rio Pardo assistir o jogo do Noroeste (perdemos vergonhosamente de 1x0), quando um retinto senhor me chama no portão. Atrasado vou ver e reconheço de cara GOIABA, ou melhor ALBERTO RAMOS, uma pessoa das mais famosas na cidade para quem gosta de atletismo. Ele é corredor, adentrando a Terceira Idade e participando ativamente de tudo o que ainda pode participar, como os Jogos dos Idosos. Passou sua vida toda fazendo isso, participando de corridas país afora e nas mais precárias condições, tudo porque sempre ganhou pouco, mas nunca deixou de sonhar e de continuar apostando que sua vida é o próprio atletismo. É desses que não se verga, como aroeira. Tentou me explicar que não tem mais para quem recorrer e que lhe indicaram me procurar. Traz consigo um papel rascunhado meu nome e do meu blog. Decidimos atrasar um pouco a saída e ouço sua história.

Alberto mora na rua Eugênio Borro 4-41, no jardim Gerson França e está passando por um péssimo momento. O dono do imóvel alugado onde mora está boicotando sua presença por lá e forçando sua saída da casa. Tanto fez que lhe cortaram a água e hoje está vivendo de favores dos mais próximos até para tomar banho. “Ontem fui na casa de um amigo corredor e lá ele me deixou tomar banho”, diz. Não está mais sendo possível morar onde mora e precisa urgente de localizar outro cômodo, pequeno, tipo quitinete, para acomodar suas coisas e levar sua tranquila vida, sem intercorrências outras. É o que pede, nada mais. Quer que o ajude a localizar esse novo cantinho e diz que pode pagar, ganha pouco, mas todo mês reserva o do aluguel, algo sagrado, me explica. Goiaba vive só e não merece continuar convivendo com as incertezas de uma vida fora do prumo. Quem souber de algo, vamos indicar algo onde ele possa fazer sua mudança e de forma rápida. Seu fone é o 14.99894.3069.

CASO 2 
Depois da conversa no portão, eu Ademir Elias passamos na casa de Cláudio Amantini e vamos assistir ao jogo. Saímos 8h20 de Bauru a caminho de SCRPardo, chegamos no estádio, o Ademir foi ser o comentarista do Rafael Antonio na 87FM, eu arrumei um lugar para seu Cláudio (84 anos) assistir o jogo e o pessoal da Santacruzense foi fantástico, pois deixaram que ficássemos na sala de som do estádio, um lugar privilegiado (graças a ação do seu Ari, funcionário do clube). De lá, algumas fotos e uma visão da catástrofe que se anunciava. O time não teve a mesma pegada do jogo anterior, o com o Novorizontino, jogou uma bola diminuta, não empolgou, não foi vibrante, guerreiro, parecia não querer jogar para ganhar. Foi um jogo morno demais, sem nenhuma pressão. Tínhamos tudo para ganhar e podíamos ter feito com uma chance clara de gol no primeiro tempo, num cara a cara desperdiçado e outro no segundo, idêntica situação, quando na conclusão algo pífio. Daí veio a derrota num lance com mais de 40' do segundo tempo. Lamentável. Sofremos muito e nem as pernas da bandeirinha, diante de nossos olhos foi alento para o que vivenciamos. Além do seu Ari, tivemos o prazer de conviver com Pedro Graia, um ex-ponta direita, magro, espevitado, desses que deve ter sido um terror para os adversários e hoje é o locutor do estádio. Tivemos uma recepção de gala.

No campo umas 300 pessoas, mas no borderô 40 pagantes e uma renda de r$ 400,00. Ouço por lá que um ex-massagista havia entrado com ação contra o clube e ganhou a ação, com valor sendo descontado da renda, daí estão pagando ele à míngua, ou melhor, a conta gotas. O campo deles é um local agradável para assistir jogos, modesto, mas aconchegante, um bar gostoso, atendimento honesto, gente agradável, nenhum entrevero entre torcedores, tudo certo, tudo favorável para trazermos os pontos que tanto necessitávamos. Um estádio com uma carinha aprazível de campos espalhados pelo interior paulista, algo romântico, com a torcida bem atrás do goleiro. Perdemos e nossa situação se complicou. A volta foi triste, quase calados e se não fosse uma parada no Graal Kafé, onde almoçamos e lá rendendo uma inebriante história musical, tudo seria de uma tristeza de doer. Mais uma vez a frase de Jota Martins, um dos mais experientes repórteres de campo da crônica esportiva bauruense foi o que predominou no restante do dia: "Pode o time grande perder, que meu sofrimento não é grande, mas quando o Noroeste perde meu dia está definitivamente estragado". O meu esteve e se não fosse o samba à noite, acredito que nem dormiria sonhando em o que ainda pode ser feito para escaparmos do rebaixamento.

CASO 3 
Do campo direto para o Graal Kafé, na entrada da cidade, onde almoçamos e queríamos rever Geraldão, o maquinista de um projeto férreo ali existente, com trem e tudo. O trem estava em manutenção e Geraldo de folga. No restaurante, comida feita num fogão de lenha, quando, nós todos lá numa conversa sobre esse triste momento do nosso time e as muitas histórias do seu Cláudio, algumas hilariantes, quando ouço meu nome sendo citado no microfone dos músicos. Era Mário Nelli, um músico da melhor estirpe, cantando ali todo domingo desde a abertura do posto. O pessoal do posto havia lhe reconhecido e passado informações. “Esse senhor ali sentado, Henrique, foi um dos que muito contribuíram para que o projeto férreo desse posto pudesse ser o que é hoje. Agradecemos a ele e hoje ele veio nos prestigiar com sua presença e a de amigos”, disse e não sabia onde enfiar a cara. Terminamos o almoço e na hora da despedida fui agradecer a atenção e Mário reconhece seu Cláudio Amantini. Daí tem início uma outra conversa, longa, cheia de boas reminiscências.

Mário havia tocado muito aqui em Bauru no Buffet Capristor do Paulo Medina e nos presenteia com CDs e um livro, o de sua bigrafia, recentemente lançado, “Mário Nelli – Uma canção pelo ar... Uma cidade a cantar”, texto organizado por Ezequiel Theodoro da Silva. Ganhamos uma linda dedicatória e mais uma música ao saber que conhecia Tito Madi, a “Gauchinha Bem Querer”. Lindo trabalho, linda vida dedica à arte. Fala muito do seu grupo musical, o hoje Banda Kafé, em homenagem ao pessoal do posto, com oito componentes. Muitas histórias, algumas ainda não conhecidas da Casa da Eny, incursões pelo interior paulista, sendo dele o Hino da cidade de Santa Cruz do Rio Pardo e também algo de sua atual morada, em Piraju, nas barrancas do rio Pardo. O gostoso foi ir vendo o papo tomar proporções não imaginadas, com seu Cláudio convidando-o para a festa dos seus 85 anos, setembro próximo, quando provavelmente a banda irá se apresentar em Bauru. Nos despedimos com ele tocando algo para nós e voltamos os 100 kms até Bauru ouvindo o CD de Mário, tudo para tentar esquecer a derrota do Noroeste.

CASO 4 
De volta a Bauru acabei perdendo uma Rodada de Samba, com batutas bauruenses, ontem a primeira delas lá defronte a ITE, no coração da vila Falcão. Perdi essa, mas não outra mais a noitinha. Ana insistiu e marcamos presença no Makalé Bar, lá nos altos da Gerson França só por causa de uma coisa grandiosa, quem iria abrilhantar a noite seria a mais deslumbrante cantora bauruense, nada menos que DENISE AMARAL. Acertamos em cheio, pois foi uma memorável noite. Acompanhada da excelência na música na cidade, o bar bombava de gente, simpatia, irreverencia e picardia, o melhor lugar na noite bauruense, sem sombras de dúvidas no dia de ontem. O Makalé acertou a mão com esses ventos no começo da noite de domingo, quando todos as demais casas já deram por encerradas suas participações musicais na semana. O salão principal da casa é modesto, diria pequeno, mas a calçada e a rua são incomensuráveis e daí, tudo é mais do que possível. O repertório da Denise está de arrasar quarteirão, ela toca de tudo um pouco, tira todos os clássicos e mais algumas do fundo do baú e daí por diante, arrasa sem dó e piedade.

O gostoso mesmo de uma noite como essa lá pelos lados do Makalé foi a presença da alegria em todas as mesas da casa. Não havia uma só com gente entristecida, macambuzia, pois se no palco os músicos desciam a lenha, nas mesas, balcões e na calçada a animação contagiava a tudo e todos. Gente conhecida aos borbotões, até parecendo que todos haviam marcado algo de forma antecipada. Poucos foram os que faltaram ao chamamento de Denise e os que perderam o fuzuê, uma hora dessas devem estar se remoendo, roendo unhas e rangendo dentes. Denise vai assim de forma malemolente, saindo maravilhosamente de um Jorge Bem Jor para um Gonzaguinha, de um Simonal para uma Rita lee, assim num estalar de dedos. Impossível não sair dali alegre e com aquele negócio dentro de si, achando que poderiam tocar um pouco mais. Não podiam, pois quando pararam já estava muito perto das 23h e depois disso, o barulho poderia fazer acionar a rádio patrulha. Makalé acertou a mão e Denise, pelo que podem ver pelas fotos, além de estar na graças de todos nós, merece alçar um belo de um voo para os píncaros da glória. Ela é demais. Só ela mesmo para me fazer esquecer da derrota no Noroeste. E também conheci gente nova por lá, contando a seguir.

CASO 5 
Lugares como o Makalé fazem a gente trombar com gente que a gente até já viu na vida, mas nunca teve antes a possibilidade concreta de uma real aproximação. E com o bom astral pairando no ar, aquele clima convidativo para altos papos, uma música do mais alto quilate sendo executada em decibéis aceitáveis, uma cervejinha mais do que gelada e muita gente conhecida por todos os lados e poros, pronto daí desponta novas amizades. Travei uma assim com uma pessoa quase do meu lado, ele acompanhando da esposa e cunhada, eu de Ana. Eu, branquelo, de barba mal feita na cara e chapéu ao estilo panamá. Ele, negro, de barba bem feita na cara e chapéu ao estilo panamá. Não resistimos e ao olharmos um para o outro, nem sei quem se alevantou primeiro e foi conhecer o sujeito da mesa ao lado. O fato é que parlamos muito e num certo momento, veio a melhor definição dele para minha pessoa, pois o mesmo e ao contrário poderia ter feito a ele: “Você é a minha versão branquela”. Pronto ficamos amigos. Simples assim.

Por fim, quando a conversa já se desenvolvia há um bom tempo, pergunto seu nome e daí fico sabendo tratar-se de JOSÉ ROBERTO MOYSÉS, um servidor municipal lá da vizinha Garça, atuando na área de Cultura, lá junto ao belo Teatro Municipal daquela cidade. Digo ser muito amigo de Susy May, uma radiante pessoa, que hoje, mesmo afastada das hostes da Cultura municipal garcense, continuará sendo ad eternum uma das eternas e mais joviais caras da cultura por aquelas plagas. E daí continuamos a parlar, eu segurando minha garrafa na mão, ele a dele. Trocamos bilhetes como se namorados fossemos, diante de nossas digníssimas ali ao lado, permitindo tudo. Moysés me disse acalentar um sonho, o de abrir em Garça algo com um som desse naipe, tocando só coisa brasileira e da maior qualidade. Daí cresceu a admiração. Quem gosta de música do calibre tocado ali e ainda por cima quer investir o dinheirinho de uma vida em algo irradiando esse tipo de música, deve mesmo ser uma ótima figura humana. Fomos separados meio que a contragosto, pois já fazia planos de lá comparecer na inauguração e depois achar um lugar para pernoitar na cidade. Bares e noite como a de ontem fazem com que conheçamos gente da melhor qualidade. Ganhei mais um amigo, tudo por causa de ter botado o bloco na rua na noite de ontem.

E para fechar a tampa do caixão, conto um outro causo, que pode muito bem ser o CASO 6. Estava eu hoje fazendo comprinhas matinais na Casa do Arroz, o mercadinho mais maneiro da cidade, quando uma distinta senhora vem até mim e se apresenta. Tratava-se de CIDA MOTTA, uma que me lê pelo facebook e diz gostar do que ali encontra. Fico grato, enaltece o que faço e fico ruborizado. Por fim me dá uma dica de perfil e a repasso aos amigos, para juntos buscarmos algo sobre essa pessoa. Disse frequentar, como eu, templos noturnos, denominados como bares e que seria bom traçar umas linhas de Abóbrinha, um saudoso garçom lá do extinto G Petisco, desses que fez história. Se alguém me passasse uma foto dele, escreveria com o maior prazer. É com gente assim como Cida Motta que meu dia ganha proporções de incontida alegria. Ela me fez ganhar o dia. E olha que as segundas são meio brabas.
OBS.: A última foto é de um dos culpados da noite de domingo ter sido tão agradável, o MAKALÉ, o dono do templo onde muitos estiveram em prece ao samba e pelo samba. Amém!

domingo, 16 de março de 2014

CENA BAURUENSE (118)


MARTINELLI É FERROVIÁRIO, REVOLUCIONÁRIO E TAMBÉM GUERRILHEIRO

Sexta, 14/03, o eterno ferroviário RAPHAEL MARTINELLI, quase 90 anos, recebeu em Bauru o título de CIDADÃO BAURUENSE, na Câmara Municipal de Bauru, indicação de Roque Ferreira P
T, um dos seus discípulos. Para saber quem foi esse grande homem não poderia acrescentar muita coisa a tudo o que já foi dito e escrito dele. No google muita coisa e bastando uma leve consulta para uma infinidade de possibilidades. O que faço é reproduzir aqui fotos e mais fotos tiradas quando da sessão solene. Quis reproduzir no embolado dos clicks não só fotos dele, o homenageado, como a de pessoas que por lá passaram e dessa forma, o consideram muito. São algumas delas.

Enquanto todos estávamos devidamente acomodados no interior da Câmara, fiquei rascunhando um texto sobre tão singular pessoa. Como não me foi possível ler em nenhum momento, nem na Câmara, nem depois quando de uma coletiva pizza na Pizzaria Vila Rica, a mais popular de Bauru, local ideal para tão diferenciado encontro. O mais emocionante lá na Câmara foi a abertura de um brecha no cerimonial, quando o deputado Adriano Diogo PT, fez uso do microfone e emocionou a todos com lembranças dos tempos em que ambos estiveram presos juntos por causa de suas ações políticas. O que me lembro: “Martinelli era aquela pessoa que nunca esmorecia, não deixava ninguém desanimar, estava sempre pronto a levantar a moral de todos, mesmo o daqueles mais desanimados. Quando percebia alguém num canto, o fazia se levantar, ler, fazer exercícios, etc. Isso fez e faz a vida toda. Continua fazendo até hoje, eis o motivo de estar em pleno vigor aos 90 anos”.

Eis meu texto:

“O velho Martinelli é bom mesmo. Quase nada dele hoje nos jornais, rádio e TV. Uma curta notinha na Entrelinhas e nada mais. Quando tudo acontece dessa forma, sem nenhum alarde é por um único motivo, o sujeito deve mesmo incomodar. Do contrário estaria em todas as manchetes, paparicado por tudo e por todos. Nesse caso a divulgação tem que ser feita no boca a boca, serviço meio que como antigamente, um por um. E dessa forma todos os aqui presentes ficamos sabendo que hoje é dia de ver e conhecer Raphael Martinelli.

Martinelli é um velho marujo, melhor dizendo, um velho ferroviário, moldado com a velha e inquebrantável forja dos que não se calam diante das injustiças, dos que não tem medo de cara feia, muito menos de ameaças. Enfrentou um baita de um touro à unha, vários deles, diria. Lutou bravamente contra os coturnos que nos dominaram e continua na mesma inquebrantável luta contra a bestialidade de uma provável Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, que de liberta não tem nada, pois assim como no passado, que nos ver atrelados ao capital predatório. Esse velho é do time que resiste. É contra esses que Martinelli investiu toda sua militância. Não poupou os melhores anos de sua vida. E de nada se arrepende. Com toda a certeza, faria tudo de novo. Mais que isso, continua fazendo e para os que reclamam de uma pá de coisas para não mais colocarem o bloco nas ruas, ele está às portas de completar 90 anos.

Hoje, infelizmente, desvirtuaram o verdadeiro significado das palavras revolucionário e, principalmente, a de guerrilheiro. Esse último, na maioria das vezes em que é citado pelos órgão de imprensa é feito como algo nocivo, criminoso, insano e criminoso. Pode ser tudo isso para aqueles que vivem enfronhados nesse cruel sistema onde o capital é mais importante do que a pessoa humana e o deus dinheiro está sempre acima de tudo e de todos. Pessoas que não compreendem como um médico cubano pode aceitar viver com um terço do que o Governo brasileiro lhe paga, sendo o resto enviado ao seu país, para que dê continuidade a programas educacionais, de saúde, transporte, cultura, tudo gratuito para seu povo. Os daqui possibilitando isso para os que lá ficaram e muitos ainda em formação. Martinelli, se querem saber, continua sendo tanto revolucionário como guerrilheiro, no que isso possui de mais nobre.

Quero ressaltar como esse “jovem” militante continua antenado e em plena atuação. Tudo o que faz e isso prolonga sua vida é feito para tentar libertar o povo de grilhões que prendem seus pés desde sempre. Reparem na picardia dessa sua arguta observação. Ontem uma onça foi capturada no parque Vitória Régia, quase no mesmo tempo em que do outro lado da cidade, militantes do MST adentravam a cidade comemorando a conquista de uma terra em Iaras. Ninguém sabia de onde a onça surgiu. Veio dele a definitiva resposta: ‘Essa onça só pode ser coisa do MST. Bichinho de estimação lá deles’.

Restam por aí poucas pessoas como esse Martinelli”.