É domingo de Páscoa e não quero permanecer muito tempo diante dessa máquina de fazer doido. Sento para escrevinhar um texto curto e grosso, reunindo nele dois temas bem candentes hoje. No primeiro, poucas linhas. A compra da Usina de Pasadena, notícia fartamente sendo esmerdalhada via mídia nativa, não existe como negar, nem tapar o sol com a peneira, foi um mau e nebuloso negócio. Pior que ele é o que entendo a mídia está fazendo nesse momento, jogando milho aos pombos, ou seja, dando o seu quinhão para a destruição da Petrobras. Essa campanha toda, com manchetes diárias, pelo menos para mim, visa só e tão somente a destruição da maior estatal brasileira, como proclamando que a mesma já está privatizada caso se encerre o reinado petista. Os jornalões todos em delírio (não seria delirium tremens?) estão por detrás dessas denúncias, que lá no fundo, não me enganam, fazem aberta e antecipada campanha para entregar de vez a estatal para as mãos da iniciativa privada. Eu sou muito crítico ao que ocorreu em Pasadena, mas não entro nessa de gaiato no navio de jeito nenhum.
Dito isso venho para meu segundo tópico de algo também óbvio (diria até obvio ululante, como diria Nelson Rodrigues), sacramentado na manchete de hoje do diário bauruense BOM DIA: “Aeroporto de Marília recebe 50 milhões – Recursos do Governo Federal são para a modernização do terminal, o que vai beneficiar toda a região. Áreas de embarque e desembarque serão ampliadas”. Li tudo isso e quase não consegui engolir a ceia da Páscoa, entalada que ficou na minha garganta. Foi imediata a comparação entre o que ocorre com a questão do aeroporto de Bauru e o de Marília. No de lá, todos envolvidos na luta por mais verbas para ampliar o já existente tornando-o cada vez mais pujante, belo e altaneiro. Do lado de cá, a quase destruição de um, com igual teor ao de Marília, tudo para se criar um novo, no meio do nada, fazendo a cidade comprar a ideia de que lá seria implantado um moderno terminal de cargas, o mais mais de todo interior paulista.
Bauru, como sempre, comprou gato por lebre. O gasto foi feito para alegria de uns poucos e o elefante branco levantando no meio do nada, inviabilizando o outro, o junto do Aeroclube, tão belo quanto o de Marília. Não engulo isso e a cada notícia como essa, a constatação de que algo de muito estranho ocorreu pelos lados de tudo o que possibilitou esse novo aeroporto, o de Arealva ser levantado. Volto a ele com frequência e a cada retorno, vejo com que esforço muitos por lá tentam fazer com que funcione a contento. Uma simples viagem de táxi à noite sai por R$ 120,00, o último ônibus circular sai de lá 22h30, a noite toda fica iluminado às moscas, poucos vôos diários e agora, mais um gasto só por causa dele, a duplicação da pista Bauru/Ibitinga, mas só no trecho de Bauru até o aeroporto, nada mais no resto. As cargas não vieram, o tal movimento para justificar seus gastos também não vieram, o que vieram são os problemas. Enquanto isso, marilienses devem rir muito de nós todos, pois o deles está lá instalado em área nobre e sendo modernizado com R$ 50 milhões conseguidos em recursos públicos.
Precisamos deixar de fazer papel de bobos e apontar o dedo para quem nos enfiou nessa enrascada. O Bom Dia de hoje mostra que estamos com um MICO nas mãos. Só isso, nada mais. E assim como a Usina de Pasadena, eis o nosso péssimo negócio, só que no caso daquele estão querendo fazer o grande embuste agora, com mais uma tentativa de privatizar a Petrobras e no nosso, ele já feito, pois o Aeroporto de Arealva já está aí a demonstrar como aceitamos de tudo. Somos mesmo uns bobocas.
Sou lembrado quando da entrevista da TV Unesp sobre a data redonda da Rui Barbosa e ressalto não ser somente ela o símbolo da violência urbana, ela só mais um. Continua sendo o maior ponto de encontro central das pessoas e isso precisa ser ressaltado. Uma boa entrevista dada por esse HPA, eu meu chapéu, barba branca e na camiseta uma homenagem a Gabriela Leite, a criadora da Daspu e daVida, recentemente falecida. A praça resiste bravamente e clama por mais verde, usurpado dela décadas atrás. Disse mais e isso acabou não saindo na matéria. Existe hoje uma tentativa de criminalizar a praça, jogando sob suas costas todos os males do centro da cidade. Sendo ela central, nada mais natural do que os problemas todos estarem focados ali em sua área. A seguir o link da matéria da TV Unesp: https://www.youtube.com/watch?v=k7eKa7aiKwU