domingo, 20 de julho de 2014

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (76)


DESCOBERTO O MOTIVO DA RECUSA DOS MÉDICOS DA PREFEITURA DE BAURU A TRABALHAR: PONTO ELETRÔNICO

A questiúncula continua e pelo visto, os que estão sentando-se à mesa de negociação entre as partes, de um lado o Prefeito e o Secretário Municipal de Saúde de do outro os representantes dos médicos, o ponto nevrálgico parece não ter sido abordado, a tal implantação do relógio de ponto nas repartições públicas municipais. Conversei ontem com duas pessoas, um funcionário de um Posto de Saúde me confirma que muitos por lá tinham o horário mais livre, flexibilidade construída ao longo dos anos, saiam mais cedo, todos indistintamente e agora não mais. Colocar o dedinho na tal máquina é um problema para tudo e todos. E isso não somente na Saúde, mas em vários outros setores. Outro me confirma exatamente a mesma coisa, antes era mais ao “deus dará”, hoje ainda estão tentando entender como contornar o tal relógio e continuar com a malemolência de antes. Para os médicos deixo a pergunta: Se em outros empregos na rede privada existe o cumprimento do horário, por que não cumpri-lo também na rede pública?

Portanto, fica valendo mais do que nunca para o setor (não só o médico) o que foi aqui postado num comentário de forma anônima um conhecido meu. Releiam e vejam se a celeuma não está residindo exatamente nesse ponto: “Henrique, o problema começou a se agravar com a implantação do cartão de ponto, que ninguém toca no assunto. Antigamente os médicos, com vistas grossas do secretário, combinavam plantões com os amigos, trocavam, saiam no meio do serviço para atividades extras e tudo o mais. Agora, não podendo fazer mais isso, querem aumento na remuneração. Dizem que estão estafados com o aumento dos plantões, mas "barram" os colegas que passam nos concursos, dizem que o maior problema não é a remuneração, mas sim a redução da jornada. A proposta é reduzir a jornada de 20 para 15 hs semanais. Ora, isso significa aumento nos numerários deles, porque vão continuar fazendo 20 horas semanais, com a diferença que vão ganhar cinco hs extras. O Secretário tem a sua parcela de culpa porque não consegue dialogar com este pessoal e colocar às claras a situação e os vereadores só querem "jogar pra torcida". Pode prestar atenção, Essa insubordinação dos médicos se agravou depois do advento do cartão de ponto...antes eles fingiam que trabalhavam, o secretário fingia que acreditava e o povo, ora o povo, nem sabia das armações de bastidores.....
Outro problema também é a Unimed, que ameaça profissionais novos que passam em concurso da Prefeitura para que eles não assumam, sob pena de perder espaço na Cooperativa.. Outra coisa, o Fernando Monti é funcionário do Estado, portanto não recebe nada da Prefeitura, por isso não pode criticar com veemência o "patrão" por conta da deficiência na malfadada Central de Vagas e outras mazelas do Governo Estadual. Infelizmente eu não posso botar a boca no trombone e me limito a desabafar com vc, que é meu amigo. Outro pequeno detalhe: O Rodrigo não vai demitir um secretário do PR que é irmão do deputado, líder da bancada Paulista que conseguiu, entre outras coisas, uma verba superior a CINCO MILHÕES para terminar o viaduto inacabado”.

É ou não é o calcanhar de Aquiles de todo o imbróglio o PONTO ELETRÔNICO??? Se dentro do cruel sistema do capital, o empregado de qualquer empresa é obrigado a cumprir horário, por que alguns teriam que estar acima disso?

E PARA ENCERRAR A PROBLEMÁTICA, UMA PITADINHA DE PIMENTA MALAGUETA:
UM ESCRITO FALANDO DE COMO AJUDAMOS E DAMOS NOSSO QUINHÃO DE CONTRIBUIÇÃO PARA ISSO E AQUILO - Eu, por exemplo, prefiro continuar dando meu quinhão eterno de contribuição e apoio incondicional para o regime cubano, um que espalha gestos humanitários mundo afora. E você, continua criticando Cuba e ajudando alguma outra coisa por debaixo do pano? Um bom domingto para tudo e todos. Coisas do HPA.

sábado, 19 de julho de 2014

UM LUGAR POR AÍ (53)


HOJE TEM SARAU – E ONDE TEM SARAU EU VOU...
Sarau? O que é isso mesmo? Busco a explicação no site Rua Direita (http://www.ruadireita.com/eventos/info/o-que-e-um-sarau/), cujo trecho inicial da explicação transcrevo aqui: “Sarau, também conhecido como Serão, na sua definição mais completa é uma festa literária noturna ou um concerto musical realizado em casas, teatros ou estabelecimentos noturnos. É um momento de encontro das grandes artes. Nesse encontro acontecem as leituras de textos literários, interpretações teatrais, declamações de poemas e apresentações musicais. O Sarau é uma forma de ligação entre o eu interior e a palavra. As pessoas que participam dessa festividade entregam-se de corpo e alma à literatura. Um Sarau une pessoas desconhecidas à princípio, mas ligadas por gostos e desejos semelhantes. É muito bom participar deste tipo de atividade, visto que é uma forma de estar entre amigos, de desfrutar de momentos culturais relevantes e de experiências significativas. É possível proporcionar aos amigos Saraus particulares. Basta reuni-los em torno de música e literatura que a festa está feita. Contudo o Sarau não é só uma forma de reunir pessoas, ele é, sobretudo, uma forma de interagir com a arte”.
Vera, Duílio e esse HPA saracoteando

Entendido isso, bate em mim uma incontida alegria por saber que um grupo de pessoas promove reuniões mensais ao estilo do original e autêntico SARAU e nesse mês estarão completando um ano de existência. Conheci poucos em Bauru e um deles, talvez o nosso mais famoso, atravessou décadas, sempre realizado na casa da professora Vera Tamião e do comerciante Valdir Tamião (na foto, Vera, Duílio Duka e eu num sarau na casa da eterna anfitriã). Encontros onde o tudo de bom sempre esteve ali agrupados, reuniões varando a madrugada e a partir daí o nascedouro desse ‘VERSOS NO CANTO’, que na 10ª edição tiveram que se deslocar da residência dos seus participantes e ocorrer num espaço maior, o GREB, Clube dos Eletricitários, lá na vila Pacífico. Tudo também teve o embrião iniciado na casa dos Tamião, depois sendo estendido para a de outra integrante, Maria José Ursolini, a Zézé e outros. Zezé fez e aconteceu nesses últimos meses, organizou tudo e o danado do sarau só que cresce, tomando proporções inimagináveis, tanto na participação de público como de gente querendo nele se apresentar. E neles já teve de tudo um pouco. Hoje, 19/07, sábado, com o tema ‘CULTURA NA ROÇA’, 20h e com apresentações das mais variadas e múltiplas a tão propalada festa de aniversário.

O GREB é um clube ao estilo de antigamente, salão propício para um arrasta pé, com um palco feito de tijolinho, um metro acima do chão e com aquelas cadeiras de cervejarias espalhadas, tendo um bar ao estilo cantina aos fundos. Tudo sem mequetrefes, parafernália pequena, mas tudo no seu devido lugar, como as velhas festas do interior, coisa de cidade pequena. E o sarau foi feito para pessoas que gostam de “botar o bloco na rua”, ser, fazer e acontecer, ou seja, ver apresentações culturais diversas e até fazer parte delas. Tudo é possível, desde que o sujeito não seja lá muito acanhado, tenham certeza, o palco em algum momento estará à sua disposição. Teremos por lá várias apresentações, todas voltadas para o tema caipira, com músicas regionais, causos, poemas e comidas típicas.
Até o Jornal da Cidade fez uma linda matéria com eles hoje e para saber mais cliquem a seguir e a leiam por completo:http://www.jcnet.com.br/Cultura/2014/07/cultura-da-roca-e-destaque-em-sarau.html.

Eu, de eventos como esse, tenho como prática agir como numa das letras do grupo de samba de verdade, o Fundo de Quintal, que em uma de suas letras diz assim: “Pagode eu vou/ Não vou negar a batucada logo me apaixonou/ E aonde for se tem pagode eu tô...”. Mas assim como eles, não me convidem para pagode ruim, onde role música de gosto duvidoso, pois gosto mesmo é de coisa boa. Esse sarau é coisa para lá de boa. Muito boa. Ótima. Que a coisa frutifique cada vez mais.

SÓ MAIS UMA COISINHA - HOJE FALECEU O ESCRITOR E PENSADOR RUBEM ALVES - Aqui algo que já escrevi dele no Mafuá do HPA, inclusive algo que poucos sabem, ele possuia um pequeno sítio num paraíso no meio da nada, em Pocinhos do Rio Verde, distrito de Caldas MG (30 km de Poços de Caldas), lugar várias vezes citado em seus livros e, por uma dessas coincidências da vida, no mesmo lugar onde meu pai também tem até hoje um pequeno reduto, uma casinha encravada na montanha. Leiam isso e mais alguma cosinha que escrevi dele durante esses anos todos de mafuá clicando a seguir:http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=rubem+alves

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (49)


ENCONTRADA A MELHOR DEFINIÇÃO DE BAURU NO MOMENTO - PRONTO, SOMOS MESMO A “CAPITAL NACIONAL DA COBRANÇA”


Ouvindo ontem a rádio FM Unesp Bauru (a melhor no quesito música ao meu estilo), horário do almoço, entrevista da ELEIDE BÉRGAMO (adoro suas entrevistas, estilo caseiro, sem ró-có-cós) com o Secretário do Desenvolvimento Econômico da Prefeitura Municipal de Bauru, ARNALDO RIBEIRO no programa UNESP NOTÍCIAS. Não estava focado na entrevista, mas algo ficou gravado em minha memória, tipo aquelas frases inesquecíveis, marcantes e delas me utilizarei pelo restante da vida. Disse ele num certo momento: “BAURU ESTÁ SE TORNANDO A CAPITAL DA COBRANÇA”. Risos, a própria Eleide e o Arnaldo ainda salientaram de que não é que a cidade seja o foco dos devedores, mas tornou-se o foco dos cobradores. Nada pejorativo, nem o fizeram em tom de crítica, só de mera constatação. Mais risos.


E é isso mesmo. Empresas desse setor multiplicaram-se pela cidade e hoje dominam o mercado nacional. Bauru virou o foco delas. Eles, os empresários do setor, gostam de ressaltar a quantidade de empregos, milhares e para uma nova geração de pessoas. A força do setor é tão grande que um deles comprou a sede do antigo BTC – Bauru Tênis Clube, outra onde funcionava um mini shopping no centro da cidade e outro patrocina o time de basquete local, na mais alta divisão da categoria nacional. Informo e deixo registrado onde me posiciono nisso tudo: Não faço parte do time dos COBRADORES e sim, dos DEVEDORES. E mais, ouvia demais por aí sermos uma cidade do chamado Turismo de Negócio, hoje já vejo Bauru como muito bem Arnaldo a definiu. Sem tirar nem por, enquanto Ibitinga é do Bordado, Jaú do Calçado Feminino, Marília da Bolacha, Lençóis da Pinga e do Livro e assim por diante, encontramos nosso exponencial segmento. Relembro aqui um texto que havia publicado sobre eles, numa forma jocosa de tratar o que ocorre na cidade. Fica o registro:

SE EXISTE CÉU, ESSA MOÇA LÁ ESTARÁ
T. foi funcionária de uma dessas imensas empresas cobradoras com sede em Bauru. A maior delas, com edificações suntuosas e funcionários aos borbotões. Foi contratada para permanecer diante de um terminal de computador, com um telefone plugado na orelha e ligando durante todo o seu expediente para devedores país afora. Na maioria, os detentores das dívidas não tinham mais como saldar o montante. O valor crescia a cada dia. Juros em cima de juros. Para a empresa cobradora, eles todos, são tidos como casos perdidos, mas o lucro da mesma reside exatamente quando consegue fazer acordos e receber destes. Tenta-se de tudo. Jovens são treinados para cobrar e descontos são oferecidos. Tudo com certo limite. Nada de desconto abusivo. E a T. começa a escutar ashistórias dos devedores, uma atrás de outra, uma mais problemática que a outra. Aquilo começa a lhe calar lá no fundo. Muitos choravam diante dela. Ela já não conseguia mais dormir. Foi quando tomou a decisão mais acertada em sua vida. Ligava para os de sua lista diária e ao ouvir os lamentos em tristes histórias, não resistia e acabava por conceder descontos muito além do permitido. Chegava a dar 80% e até 90% para alguns. Sentia a alegria do outro lado da linha telefônica. Ela sentia o mesmo. Inicialmente os chefes adoraram, pois seus índices de fechamento de acordos eram de uns vinte contratos por dia, enquanto o dos colegas chegava ao máximo nuns cinco. Por ali, todos mantêm o emprego com esses índices alcançados, do contrário, não servem para o negócio. Ruim mesmo foi quando estes descobriram os reais motivos dos altos índices. Ela batia recordes em estatística, mas quase nada em valor agregado para os cofres da empresa. Não pensaram duas vezes e a demitiram imediatamente. Saiu de lá em prantos, mas logo estava numa muito melhor. Agora, digam-me, se céu existir, essa vai ou não para ele?
Obs.: Essa história é real e me foi contada pela protagonista, que não quer se identificar. Não resisto em contar o caso, o santo (ou seria santa?) eu omito. História publicada originalmente no blog em 09/06/2010.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

RETRATOS DE BAURU (160)


SALVADOR LEMOS LEVA A VIDA MERGULHADO EM BONS VINHOS
Bom demais ir tomando conhecimento da forma encontrada por alguns para resistir ao tempo. Cada um busca à sua maneira e jeito prolongar o tempo de permanência nesse mundinho. A receita está na cabeça de cada um, a forma como a emprega, como vai renovando as doses certas de vivência. Ouvir relatos de gente que soube dosar isso tudo e propaga estar ali a maneira de estar feliz, é algo que me faz parar, ouvir, aprender algo novo e juntar mais e mais em tudo o que acredito. A sapiência está em aprender um bocadinho mais com tudo isso que ouço e vejo pelas ruas bauruenses.

SALVADOR LEMOS vive muito, tirando a passagem do tempo com muita sapiência, tudo devido ter levado a vida sempre ao lado de algo muito saudável, o vinho.
Esse distinto senhor, do alto dos seus 84 anos me diz ser da “Idade da Pedra” e desde que me conheço por gente o vejo envolvido com vinhos. Tempos atrás tinha uma movimentada distribuidora, também mercearia, dessa fina iguaria lá nas imediações do Corpo de Bombeiros, a Salvador Comércio de Vinhos e hoje o depósito do que ainda revende está localizado na rua Julio Prestes, bem na entrada da famosa Feira do Rolo. Sua residência é ali pertinho, na quadra 5 da Gustavo Maciel, coração da feira dominicial mais movimentada da cidade. Com cinco filhos criados, muitos netos e alguns bisnetos, amainou o serviço, mas ainda continua distribuindo vinhos gaúchos, mais precisamente de Caxias do Sul e sai quase diariamente dirigindo seu carro e revendendo garrafinhas para firmas, clientes que não o abandonaram e amigos. Durante a semana faz a região (“eu e deus na estrada”, me diz) e aos domingos monta uma mesa na frente do depósito, enche de garrafas em cima e curte a feira, conversando e ensinando quem lhe pede ajuda para entender desse negócio de degustação. O vinho lhe prolonga a vida e revigora sua saúde. O danado está tinindo de saudável.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (72)


QUAIS SERIAM OS BASTIDORES DA CRISE DA SAÚDE PÚBLICA EM BAURU?, PERGUNTA GUARDIÃO

O caos do atendimento médico público em Bauru é algo meio que sem conserto, sem reparação possível, pelo menos é o que supõe os últimos acontecimentos na cidade. No último final de semana, quase uma dezena de médicos plantonistas faltaram aos seus compromissos e deixaram de atender, provocando o caos nos Postos de Saúde e Unidades de Atendimento Básico. Filas e mais filas e a partir daí reclamações uma atrás da outra. De deles, como exemplo, José Schubert, extraio algo assim: “PRECISAMOS PEGAR MAIS FIRME CONTRA ESSES MÉDICOS QUE ANDAM EXIGINDO MUITO PRÁ TRABALHAR. SERÁ QUE SÃO MESMO ASSIM SUPER CAPACITADOS? SÃO TODOS BAURUENSES OU CHEGARAM AQUI ONTEM E ESTÃO QUERENDO IMPOR E DITAR AS REGRAS? VAMOS PEGAR MAIS FORTE NO PÉ DESSES CARAS... ELES JÁ ENCHERAM O SACO”. O prefeito continua tentando, marca reuniões, elas acontecem, o secretário de Saúde (que até pouco tempo denominava-o como Sectário da Saúde) tenta, uns dizem que existe uma queda de braço entre ele e alguns médicos, descontentes com sua atuação, outros sugerem que só mais grana resolve a questão, somos informados de que plantão não é obrigação e nesse embaralhamento de cartas, desorganização mais que exposta, sem solução à vista.

Guardião, o super-herói bauruense observa tudo atentamente e saca das suas. “Vou tentar dar nomes aos bois. Esqueçamos de pedir solução para os tais três médicos vereadores. Deles nada sairá de positivo. Todos eles são empresários do setor médico, muito mais preocupados com seus negócios e em nada poderão contribuir para a solução do problema. Esqueçamos eles. Vamos ao Sr prefeito e entendamos o que o Secretário de Saúde, o Monti quis dizer colocando seu cargo à disposição. Um jogo de cena? Talvez. Algo de positivo? Não, pois o prefeito não quer que ele saia. A existência de um grupo de médicos servidores boicotando seu trabalho são favas contadas. O que querem? Por que agem contra ele e o sistema? Já foram averiguar isso? Que tal expor os motivos desse descontentamento? Seria só financeiro? Vejo gente fazendo prognósticos de remunerar mais e mais os médicos. Mas isso já não foi feito? Não satisfeitos querem mais? O secretário dialoga com seus funcionários médicos? Existe isso ou tudo é feito de cima para baixo, sem ouvi-los e atender algo que ainda não estamos entendendo o que seja? O que de fato está por detrás disso tudo e está sendo escondido da população? Os médicos se manifestaram de forma pesada em um manifesto e a população continua sendo atendida de forma deficiente, inoperante e cheia de falhas”, eis o desabafo do Guardião.

As reuniões feitas pelo Sr Prefeito e Secretário da Saúde Municipal não estão resolvendo a questão, muito menos o bate boca e destempero de alguns vereadores. Diante de tudo, Guardião lança também mais alguns questionamentos que feitos de forma coletiva pode contribuir para encaminhar melhor as discussões e soluções: “As UPAs estão aí, prontas para receber a população, vejo os Postos sendo reformados. Ou seja, a infra estrutura existe e o problema reside na falta dos médicos. Concursos são definidos e deles não saem profissionais querendo atuar. A tal Fundação quer assumir o papel de gerenciar tudo, acima de tudo e de todos, numa espécie de carta branca, podendo contratar, pagar, receber e fazer tudo sem grandes cobranças. Será que não estão forçando essa situação, a entrada dela o mais rápido possível em funcionamento para colocarem em prática mais um sugador sem fim de recursos públicos? Os médicos atuam sabiamente, muito bem orientados, seguindo a cartilha de suas entidades de classe, pouco se lixando para o resto. Como enquadrar esses profissionais às normas do serviço público? Primeiro é necessário escancarar o que fato ocorre nos bastidores, se não devem ser obrigados a atuarem em plantões, atuariam com mais grana nos bolsos? É isso que querem, grana e mais grana. Só isso? Quando tivermos a noção exata do que se passa nos bastidores vamos entender de fato dos motivos do caos e a partir daí buscar uma solução, com esses ou sem esses, mas algo duradouro e consistente. Já passou do tempo da divulgação dos acordos intra-muros, os cumpridos e não cumpridos”.

OBS.: Guardião é um personagem de HQ, criação do artista do desenho, Leandro Gonçalez e com pitacos escrevinhatórios do HPA, o mafuento de um blog criador de caso.

terça-feira, 15 de julho de 2014

FRASES DE UM LIVRO LIDO (82)


A MORTE E OS SEUS SIGNIFICADOS – FRASES DO LIVRO “O MÉDICO”
Tristeza imensa é o que sinto hoje. Acabo de voltar do enterro da esposa do amigo Gilberto Truijo, a enfermeira JUVELINA TRUIJO, pouco mais da idade que tenho. Cada povo tem um entendimento da morte. Têm aqueles que fazem festa no evento, outros comem em regozijo, outros entristecem até não mais poder, alguns tentam ser indiferentes e tem os que ficam de luto por períodos alongados. Causa sempre um sentimento muito estranho dentro da gente essa interrupção abrupta da vida, em alguns que ontem estavam todos pimpões por aí e hoje não mais. Tenho a maior dificuldade em saber o que falar para os que estão nessa situação de perda. Fico meio perdido nesses lugares e quando me coloco no lugar de quem está sofrendo a perda, uma dor me dilacera por dentro. Ontem ao abrir meus recados, Truijos postou: “MUITO TRISTE, CHEGUEI AGORA DE UMA VIAGEM QUE PODERIA TER SIDO FELIZ. NA SEXTA SOFREMOS UM ACIDENTE NO TREVO DE BERNARDINO DE CAMPO. SOFREMOS MTO COM O IMPACTO, MINHA ESPOSA ESTA INTERNADA EM OURINHOS, TENDO SIDO SUBMETIDA A UMA CIRURGIA. AMIGOS REZEM OU OREM POR ELA. ABRAÇOS E ESTAMOS AI”. E logo depois do almoço, quando volto da rua a mais triste possível notícia, transmitida por ele de forma breve e lacônica: “AMIGOS MINHA ESPOSA MORREU. NESSE MOMENTO”. Que fazer diante disso?
JUVELINA TRUIJO é uma baita de uma mulher de fibra, coragem, desprendimento e arrojo. Vindo de uma família muito humilde, conseguiu concluir dois cursos universitários à duras penas, primeiro o de Direito e depois o de Enfermagem, onde atuava nos últimos tempos. Essa mulher fazia e acontecia na profissão, em várias frentes ao mesmo tempo e noutra, o comando do lar junto do também advogado Gilberto Truijo, seu esposo e dos filhos. Moravam ali na virada da Maria José, esquina com a aviador Gomes Ribeiro, boca de entrada da Nações. Formavam uns casais sui generis, sempre alegres, pimpões a todo instante um com o outro, completando-se em todo e qualquer gesto. Fibra não lhe faltou para educar seus filhos e agora netos, junto do Truijo, primeiro lá no Gasparini, numa época em que todos eram pequenos e travessos. Pessoa dessas elétricas, incessantes atividades, acolhedora e iluminada, pois mesmo com os atropelos todo de uma vida cheia de tarefas, não reclamava de nada e o sorriso no rosto sempre foi o seu cartão de visitas. Ela se foi hoje após um brutal acidente de carro. Mais condoído e a admirando ficamos quando sabemos que, quando do acidente fez questão de proteger a neta e conseguiu seu intento, pois essa saiu quase ilesa do choque. Truijo precisará muito de todos nós, seus parentes e amigos.

Justo nesses dias me caiu nas mãos um livrinho do RUBEM ALVES, “O Médico” (Editora Papirus, 2010, 96 páginas). Li quase de uma só sentada. Como gosto muito de fazer grifei o livro inteiro com uma caneta marca texto e aqui algumas frases escolhidas a dedo e bem propícias para a ocasião:

- “A morte dos velhos, por mais dolorosa que seja, é parte da ordem natural das coisas: depois do crepúsculo segue-se a noite. A morte dos velhos é triste mas não é trágica. É como o acordo final de uma sonata. O fim é o que deveria ser. Mas a morte de um filho é uma mutilação”.

- “A dor é o que existe de mais terrível na condição humana. Muito cedo nós a experimentamos. (...) Todo pai gostaria que os deuses fossem caridosos e transferissem para ele a dor do filho. Doeria menos sentir a dor do filho que vê-lo sentindo dor sem nada poder fazer. (...) Não existe nada mais maravilhoso que não sentir dor”.

- “Tudo o que é belo precisa terminar. (...) A saudade só floresce na ausência. (...) Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço. (...) A morte é o último acorde que diz: está completo. Tudo o que se completa deseja morrer”.

- “Vida e morte não são inimigas. São irmãs. Chegada e despedida. (...) Tolice imaginar que o tempo passou. Que nada. É um novo tempo que vem. (...) Acho que, para recuperar um pouco da sabedoria de viver, seria preciso que nos tornássemos discípulos e não inimigos da Morte. (...) Seria preciso que voltássemos a ler os poetas”.

- “Sim, eu quero viver muitos anos mais. Mas não a qualquer preço. Quero viver enquanto estiver acesa, em mim, a capacidade de me comover diante da beleza. A comoção diante da beleza tem o nome de alegria. (...) Um dos grandes sofrimentos dos que estão morrendo é perceber que não há ninguém que os acompanhe até a beira do abismo”.

- “A felicidade é assim, não é coisa grande que vem para ficar. Sabe disso Guimarães Rosa, que dizia que ela só acontece em raros momentos de distração”.

As frases não explicam muita coisa, mas servem para alguma reflexão. Amanhã tento voltar à normalidade. Hoje impossível não estar macambúzio. Gilberto Truijo é uma das pessoas por quem tenho um imenso carinho e sei de sua dor nesse momento. Reproduzo aqui algumas fotos deles, Gilberto e Juvelina numa das festas do bloco carnavalesco, o Bauru Sem Tomate é MiXto, janeiro de 2014, a única que ela pode comparecer, pois nas demais estava sempre trabalhando. Cliquei eles de vários jeitos e maneiras.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

ALGO DA INTERNET (86)


QUATRO TEMAS INTERNÉTICOS PARA DISCUSSÃO AQUI E AGORA
TEMA Nº 1 – A INVASÃO ARGENTINA EM TRAILERS E BARRACAS – O que mais tenho visto por esses dias são gente via internet destilando ódio pela forma como os argentinos viajam em trailers e se instalam em barracas, não escolhendo lugares, muito menos se importando com o que os à sua volta achem de tudo o que fazem. Leio horrores do tipo: “Se o Brasil queria investimentos, gente gastando na Copa, eis o que sobrou para nós”. Hoje fui obrigado a responder uma senhora nessa ladainha com algo assim: “Minha senhora, o que a senhora critica eu exalto como qualidade. Não gosto de ver somente ricos viajando e hospedando-s em hotéis. Por que não fazermos o mesmo do jeito que podemos. Todos possuem o direito de viajar e ser felizes, não? Pois eles o são e muito. Nós, brasileiros deveríamos ver isso tudo como fonte de inspiração e começar a fazer o mesmo. Que lindo vê-los circulando por todos os lugares, orçamento reduzido, mas não deixando de fazer o que gostam. Sinto inveja deles. Queria poder fazer o mesmo. Essa, para mim, foi mais uma excelente descoberta que essa Copa nos propicia, que podemos botar o bloco na rua e de uma forma bem simples, sem pompa e gastos exorbitantes”.

TEMA Nº 2 – POR QUE NA TORCIDA DA ARGENTINA BANDEIRAS DE TODOS OS DEMAIS PAÍSES LATINOS E NA TORCIDA DA ALEMANHA BANDEIRAS BRASILEIRAS? Essa pergunta quem me fez foi meu filho, assintindo a final da Copa do Mundo. Tentei responder a contento, numa boa discussão travada com ele hoje à tarde. “Filho, que excelente observação. Isso prova o quanto o Brasil continua distante dos demais países da América Latina. Enquanto poderíamos todos estar ao lado de um hermano parede meia com o Brasil, preferimos exaltar as qualidades de outro, o de uma cultura bem diferente da nossa. A partida é um mero jogo de futebol, mas nem sempre é entendida dessa forma. Costumamos misturar futebol com política, religião, negócios e tudo o mais. Sim, concordo que continuamos sendo o país menos integrado ao restante do bloco latino e também hoje se achamos o mais europeizado do cone sul. Diziam isso da Argentina, que ela se achava na Europa. As elites desse país menosprezam o restante do continente. Uma lástima e muito bem observado por ti”.

TEMA Nº 3 – LOGO CEDO LANÇO NAS REDES SOCIAIS UMA MONTAGEM SOBRE UM TAL DE RIGOBERTO – O faço como provocação, pois detecto com o final da Copa uma onda crescente daqueles de sempre, insistindo na repetição da mesma velha ladainha, “culpa da Dilma”, “o país insiste em ajudar vagabundos com seus programas assistencialistas” e coisas do gênero. Cansado de tudo isso, acho algo que vem bem a calhar sobre o tema e tasco lá com esse curto texto: “UMA BOA SEMANA PARA TUDO E TODOS (AS) - Com Rigobertos opinando e achando que para pobres mesmo só o trabalho, sem tréguas e intervalos, nada de social, só a lida... O escrito abaixo é ótimo para refletir se em sua casa não ocorre exatamente o que insiste em criticar nos menos favorecidos. Olhar de vez em quando no próprio espelho é sempre muito bom. Os programas sociais são mais do necessários, aliás, considero-os uma obrigação de qualquer governo sensato”. Tudo para provocar os enrustidos conservadores de sempre...

TEMA Nº 4 - A COPA CHEGOU AO FIM - VIVA A COPA! ELA FOI UM SUCESSO..."Contra muito pessimismo e as piores expetativas, os brasileiros encantam o mundo e promovem um dos melhores torneios de futebol da história. Agora é a vez do Brasil gostar mais do Brasil!", do editorial da revista Brasileiros, que está chegando nas bancas no começo dessa próxima semana. Para mim, o time, a seleção canarinho, perdeu e seus problemas são muitos, porém, o Brasil, o país superou todas as expectativas e mostrou ao mundo do que é capaz. Nós todos vencemos. Temos muito o que discutir entre a gente, corrigir falhas, incentivar as mudanças, mas vencemos e até a onda de pessimismo e seus asseclas terão que engolir que, muito do que foi propagado foi um exagero. O rescaldo foi muito positivo, quer queiram ou não alguns. Toquemos o barco, sempre em frente. Recomendo muito a leitura dos textos da Brasileiros (www.revistabrasileiros.com.br), uma das que não se deixou levar pela onda negativa e mesmo colocando o dedo na ferida nos erros, insiste em apontar também os acertos. Era isso o que tinha para o final dessa Copa. Vou me recolher aos meus aposentos, pois acredito que me excedi além da conta no dia de hoje. Meu estômago bufa e isso não é bom sinal. Amanhã conversamos...