sábado, 20 de dezembro de 2014

COMENTÁRIO QUALQUER (134)


ALGUMAS POUCAS CONSIDERAÇÕES DE FINAL DE ANO
O mundo aí fora é um pega pra capar dos mais danados e pelo visto nunca vou me adequar totalmente a ele. Tento seguir a minha vida pelas arestas, guiando minha condução pelas vicinais e sem seguir os ditos padrões pregados pelos cagadores de regra. Sou um eterno cidadão na contramão, assim toquei minha vida até a presente data e 54 anos depois, nem sei se conseguiria agir diferente. A dureza da vida se expressa para mim nas contas que tenho que pagar e na luta que faço para conseguir ir vencendo cada obstáculo. Um problema logo ali na frente para mim não é mais do que mais um. Sei que ao suplantá-lo outros surgirão. Tem sido assim sempre e até aqui, tenho conseguido ir driblando a maioria deles. Com alguns me enrosco um bocadinho mais, um percalço mais acidentado, uma controvérsia de difícil contorno, mas aos poucos vou vergando tudo e tocando meu barco. Não costumo chorar minhas pitangas com muita gente. Sempre encontro quem me auxilie, braços estendidos, mãos generosas que me entendem e mesmo contrariadas pela forma como me vêem, acabam não se desplugando de mim. Faço o que gosto, com quem gosto e da forma mais simples possível. Não sou dado a luxos, excessos, demonstrações de soberba, muito menos me verão ao lado dos ditos poderosos, dos que subtraem a alegria da maioria das pessoas. Em momentos preciso deles, como todos nós a viver nessas condições capitalistas, mas se as faço é para poder continuar tocando minha vidinha desse jeito, cada dia mais exposto nessas tais redes sociais.
Esse cartão de Boas Festas é só a expressão de como me apresento, sem fazer questão de esconder minhas preferências e gostos. Estou por aí e dessa forma vamos continuar tentando uma convivência pacífica. Quando não der, nada que o bom e salutar embate não recoloque as coisas no lugar. Continuo na lida e aprontando das minhas. Baita abracito de final de ano do HPA


MEU CARTÃO DE BOAS FESTAS - Boas entradas e saídas para 2015
Todo ano faço um cartão ao meu modo e estilo e o distribuo aos meus considerados (as) via e-mail, facebook e alguns poucos pessoalmente. Nele junto com uma imagem de fundo, algumas bagunças espalhadas aqui pelo meu mafuento espaço. Dessa forma expresso as esperanças por dias melhores, ou seja a real possibilidade de um outro mundo, mais palatável, igualitário e menos intolerante. 


FIGURA DA MAIOR RESPONSA (ESCREVER DAS PESSOAS, MEU MAIOR PRAZER)
Zé da Viola, o meu primeiro Lado B
Se me perguntam qual uma das figuras da maior responsa dessa cidade, assim sem pestanejar tenho uns nomes na ponta da língua e um deles é o do seu ZÉ DA VIOLA. Só para terem uma ideia de como gosto dele e de tudo o que possa representar, foi o meu Personagem Sem Carimbo - O Lado B de Bauru número 1 (UM). Tudo começou com ele. Hoje o reencontro por acaso lá no Restaurante do Rubon, na Castelo e ele aceita meu convite para almoçar junto ao grupo onde me encontrava. Adoro suas sacadas e prometi a ele registrá-las num documentário, que nem tenho ideia de como vou fazer para produzir, mas promessa é promessa e seu Zé merece ser registrado para a eternidade.

Veja a sapiência de sua tirada.

Um sujeito relativamente novo e ligado à área musical chegou perto dele e disse assim:

- Eu sou maestro.

Seu Zé olhou o gajo de cima embaixo e lascou assim na lata:

- Para ser um simples regente eu sei que o sujeito precisa estudar muito, conhecer muito de música e isso tudo demora no mínimo uns quinze anos. Olhando bem para ti, quero te dar os parabéns, pois vejo que você é um gênio, alguém fora do comum, superou todas as etapas e já é maestro. Parabéns.

Seu Zé é um encanto de pessoa e eu o adoro exatamente por causa dessa sinceridade a toda prova.
Historinhas do HPA

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

FRASES (125)


PRESENCIEI UMA “GOSTOSA” (sic) DISCUSSÃO
Não sei se já perceberam como fugimos de discussão entre pessoas da mesma linhagem de pensamento. Afinal, amigos discutem? Claro que sim, aliás, devemos discutir. A boa e acalorada discussão faz parte de nossas vidas e são feitas até para se “afinar a viola”. O que tenho procurado deixar de fazer é discutir abobrinhas com essa lado mais conservador paulista, uns que confundem bolivarianismo com comunismo, programa social com assistencialismo e alhos com bugalhos. Com esses, sabendo ser pura perda de tempo, entro em algumas divididas, mas quando o aloprismo beira as raias do lunatismo caio fora e vou bebericar umas longe disso tudo.

Outro dia, lá na Feira do Rolo, o Almir Ribeiro disse algo sobre isso dele provocar alguns e somente os do lado à esquerda. ”Com os direitosos já não existe mais nenhuma esperança e não perco mais tempo, nem dirijo mais a palavra. Já com quem sei existir esperança de algo ainsa ser feito, com esses faço minhas provocações e dessa forma, quando instigados, sempre algo de efervescente”. Gostei da explicação e ontem presenciei algo mais do que instigante numa mesa de bar.

Conto a história. Estávamos num animado grupo ligado ao teatro festando sobre as realizações do presente e possibilidades futuras. Num certo momento um agente cultural em plena atividade na cidade se dirige a uma professora de universidade pública num tom mais acintoso, como que cobrando dela uma maior participação da universidade na vida cultural da cidade. A tal da contribuição que uns dizem deve existir mais e mais e na realidade se dando de forma insipiente. O confronto gerou um bate boca, uma troca de desafiadoras provocações, uma mais insuflada e provocativa que a outra.

Num certo momento ouço algo da professora, que de tanto ser questionada sobre essa suposta deficiência de participação saiu-se com essa: “O papel fundamental da universidade não é fazer parcerias nesse sentido, mesmo não se negando a fazê-las e contribuir. Sempre fez e fará isso, mas o verdadeiro papel da universidade pública é formar, preparar o profissional de forma adequada. Precisamos dividir bem as funções de um lado e de outro. As Prefeituras, por exemplo, devem sim contratar profissionais qualificados e pagar o justo por esse trabalho e não cobrar que o façamos sempre de forma espontânea, sem custos para eles. Fica muito fácil isso de tudo vir de graça e nunca se pagar para obter o serviço”. O imbróglio continuou e a partir daí mais e mais acalorado.

A contenda rolou por uma boa parcela da noite e não sofreu apartes, pois quando alguns estavam propensos a fazer isso, uma mão pousa sob esses braços e pede para que deixasse a coisa rolar, pois o confronto seria oxigenante para todos os envolvidos. E foi. Do início alterado, meia hora depois, as pessoas já estavam se conhecendo melhor e o nível da conversação suavizado e com assunto para varar a noite. Tive que ir embora e nem sei como tudo terminou, mas acredito que muito bem. Daí minha modesta conclusão: Estamos necessitados de confronto, de debates duros, embates sério de opiniões. Não vejo mal nenhum nisso.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

DIÁRIO DE CUBA (73)


COMO NOSSA MÚSICA E MÚSICOS SÃO TÃO PARECIDOS COM OS CUBANOS – E ALGO DAS RELAÇÕES ENTRE EUA E CUBA

Primeiro escrevo sobre o momento atual de CUBA, a ilha caribenha convulsionando a cabeça das pessoas que não atinam para as belezas de suas contradições, depois junto o que existe em Cuba, uma irradiante e periférica alegria, com algo possível por alguns diletos lugares. Quero juntar histórias, uma prosa dessas para aproximar os desaproximados, para tentar misturar o óleo com água. Vamos ver se consigo.

Começo com o programa TV Repórter, responsabilidade de Caco Barcelos, um jornalista dentro do padrão Globo de qualidade pelo qual nutro respeito e admiro. Sua equipe esteve em Cuba e gravou por alguns dias algo sobre o momento atual de Cuba. Não dá para falar em falta de liberdade na ilha. Ninguém foi impedido de nada, gravaram o que quiseram. Basearam as gravações no trabalho de um cineasta espanhol que há vinte anos grava imagens sobre os que decidem abandonar a ilha via mar. Não vi menção dele ser cerceado em fazer seu trabalho. Daí, onde estaria a tal propagada falta de liberdade? Pura balela. O que vi no programa foi um país pobre, vivendo dessa forma, mas com muita dignidade e diante de um bloqueio econômico a lhe impedir quase a respiração. Sobrevive assim e bem. Dos que saíram ou fugiram, algo me chama a atenção, vi isso na declaração de alguns, das diferenças dentre o que tinham, como era tratados e como é a coisa fora de seu país. Tudo é diferente lá fora e muitos vivem pior do que lá dentro, inclusive como homeless. Exceções existem e os abastados também foram mostrados no programa. Saldo positivo para Cuba, pois quem quer sair hoje não é impedido.


Isso posto tenho lembranças das mais agradáveis dos 30 dias em que lá estive, ano de 2008, quando além do mostrado na TV, algo mais me cativou. O calor humano do povo, a musicalidade expressa em cada gesto, a alegria do viver bem e com pouco, sem supérfluos, mas nunca sem o básico. Pobreza é uma coisa, miserabilidade é outra. Em Cuba não existem miseráveis, nem mendigos, muito menos gente passando fome nas ruas. Essa uma imensa diferença entre lá e os países do bloco capitalista. Algo que me espanta é a musicalidade fluindo de onde você menos espera. Circulando pelas ruas ela surge assim sem que se possa imaginar. Flui e te atrai. Fui ao encontro desses sons quando lá estive e me surpreendi vendo gente tocando alegremente em fundos de quintais, debaixo de velhas marquises e mangueiras. Assim do nada, algo arrebatador. Essas rodas de samba que vemos nos bares brasileiros, isso é corriqueiro por lá e não só em bares, mas nos mais diversos lugares. Vejo aí algo muito próximo disso ocorrendo nas periferias brasileiras, em entranhas ainda não totalmente desbravadas pela sapiência cultural brasileira. Escrevo disso.

Ontem, 17/12, quarta à noite, Bar do Aeroporto, capitaneado pelo amigo Ico e por lá nas últimas quartas um projeto antigo sendo revivido, a reunião de músicos, todos apaixonados por um ritmo contagiante e inebriante, o chorinho. Ico ainda não definiu o nome do projeto, mas ele já tornou-se um enorme sucesso. O Bar Aeroporto está dentro do antigo Aeroclube, lá nos altos da Octávio Pinheiro Brizolla, no nostálgico e original aeroporto, um que nunca deveríamos ter deixado ser destituído da posição do verdadeiro aeroporto de Bauru. O espaço lá é amplo, talvez o mais alto da cidade. No inverno um frio de rachar mamona e às moscas, mas no calor um dos lugares mais aconchegantes da cidade, talvez pelo vento sempre presente. Saudosista, com aquela arquitetura anos 30, barulhos de aviação ao lado e um bar comandado como nos velhos tempos. Os encontros ali propiciados são mais do que um marco, mesmo que seus idealizadores não o percebam. De algo simples, reunindo chorões, está se transformando num ponto de encontro do que de melhor temos, algo sendo tocado ao bel prazer dos presentes, pois os músicos se renovam e dentre os presentes no dia, surge o que virá pela frente. E na surpresa o que pinta é sempre algo do bom e do melhor.

Só para se ter uma idéia da belezura do encontro de músicos de ontem conto algo presenciado. Um casal de músicos é de Avaré, distante 150 km de Bauru conhecendo muitos dos músicos daqui e tomando conhecimento pelas redes sociais do evento, decidiram vir não só presenciar, mas participar. Chegaram lá pelas 19h e só saíram, contentes demais da conta, bem depois das 22h30 e daí pegando a estrada de volta. Esse tipo de coisa é possível por causa desse maravilhamento da música, do tocar junto de pessoas da mesma estirpe. Eram três mesas agrupadas e em torno delas foram chegando os músicos, alguns com seus violões, sanfona, pandeiros, trompete, escaleta, cavaquinho, tambores e outros. Tinha espaço para todos eles. Surgiram os que cantam. Num certo momento os vejo gritando para uma das mesas: “Denise vem cá!”. E Denise Amaral foi até eles e cantou uma, mas não foi só, arrastou consigo outra bela intérprete do cancioneiro bauruense, Audren Victório. A noite por ali fluiu desse jeito. Conheço alguns dos músicos ali presentes, mas serei indelicado ao citar o nome de alguns e não os de outros, que não conheço, ou até conheço musicalmente, mas não sei seus nomes. Peço a algum dos músicos para identificar nos comentários desse texto o nome de todos, dando crédito aos que estiveram nessa quarta encantando todos os presentes.

Encerro esse escrito diário, juntando algo que alguns abominam, a similaridade musical entre o Brasil e Cuba, esse congraçamento de tocarem despretensiosamente em tudo quanto é tipo de lugar. Vejo isso com imensa alegria e jubilo, pois é inconteste isso de você ir num bairro qualquer de Havana e lá adentrar um quintal e ver um grupo animado tocando que é uma maravilha, todos em trajes mais do que populares e ao mesmo tempo ir à Zona Norte carioca e presenciar num daqueles bares bem suburbanos um grupo muito parecido ali reunido e cantando e tocando de tudo. Eu consigo enxergar isso e me encanto com essas possibilidades cubanas e brasileiras. Daí me vem à cabeça a aproximação ocorrida entre os EUA e Cuba e tudo o que vimos de maldade sendo citada sobre Cuba, que o tal porto de Mariel era a maior insanidade de planeta e hoje, vindo da imprensa norte-americana, algo afirmando que esse porto poderá ser no futuro o grande divisor de águas, um quase obrigatório porto de passagem dos navios do mundo todos. Daí, dou sonoras risadas em ver como reagirão os que criticaram de forma tão bestial o fato do investimento brasileiro por lá. Sei que muitos criticam até isso que escrevi, que não existe nada de comum entre nossa música e a cubana, mas aí já é demais da conta e com gente eu não discuto mais. Fico com a universalidade da música e ponto final.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (308)


ACABOU – AGORA NÃO EXISTE MAIS NINGUÉM RESPONDENDO PELO BOM DIA BAURU

Primeiro choro minhas sentidas lágrimas. Rememoro algo pelo qual muito me orgulho e ocorrido em dezembro de 2008, quando estava quase de saída de minhas funções exercidas na Secretaria Municipal de Cultura, no cargo de Diretor de Proteção ao Patrimônio Cultural de Bauru. Com o fim do mandato de Tuga Angerami, com ele me fui de minha única experiência na vida pública. Foram quatro profícuos anos. Ainda no cargo, pouco antes do Natal daquele ano, o Gilmar Dias então Diretor de Redação do BOM DIA BAURU me oferece um espaço para escrever semanalmente num jornal que surgia e já estava naquele momento vivendo um grande momento, com uma equipe dessas para endoidecer gente sã. Eu nunca fiz parte da equipe, pois minha modesta participação sempre se deu como articulista na edição de sábado. Publiquei a primeira em 27/12/2008, com o título “Bordini” e a última, a de número 308, “A maioria decide, mas...”, em 13/12/2014.

Escrevo última porque fico sabendo que a partir de agora não mais existe equipe nenhuma no jornal. O último dos moicanos, o jornalista GABRIEL DUARTE, que fazia tudo sozinho e de sua casa está de saída e o jornal circula hoje com uma única matéria sobre Bauru e a partir de amanhã e ninguém sabe até quando, sem nenhuma mais da cidade, tudo vindo da matriz paulistana. Ouço que até vai continuar circulando com o nome Bom Dia Bauru, mas sem nada daqui. Uma lacônica despedida, com uma circulação que ninguém sabe ninguém viu. Nada a reclamar, pois publiquei meus textos sem nenhum tipo de censura durante todo esse período e com somente duas semanas de interrupção. Completo agora seis anos de participação, uma por semana. Ganhei até um processo por causa de um dos textos, mas saio enormemente gratificado por tudo e com todos. De minha parte, acredito ter cumprido um bom papel. O projeto era bom, contava com gente de muito talento, começou com um belo de um pique e depois, com as mudanças de percurso foi esmorecendo até o que se vê hoje, só nas bancas. Se for rememorar as histórias vividas e retratadas pelo jornal passaria dias por aqui. A CRistina e a Camila me toleraram além do permitido.

Não tenho mais a quem enviar meus textos. Nunca fui procurado por ninguém dessa nova direção. Com a saída do Gabriel me despeço junto. Fui até onde deu. Acredito que daqui para frente, tudo já perdeu o sentido. Relembro aqui o nome de alguns que convivi e tenho gratas recordações. Quando comecei o Flávio de Angelis já havia falecido. Convivi com Gilmar Dias, Josi Vicentin, Cristina Camargo, Camila Turtelli, Sergio Pais, Junião, Thiago Roque, Sergio Bento, Cristiano Zanardi, Bruno Mestrinelli, Luly Zonta, João Pedro Feza, Cristiano Pavini, Julio Cesar Penariol, Armanda Rocha, Kelli Franco e tantos outros, muitos dos quais peço perdão pelo esquecimento. Bauru perdeu e muito com tudo o que ocorreu ao Bom Dia, pois a informação sempre sai mais oxigenada, mais disputada quando mais de um bom órgão de informação na cidade. Nessa minha despedida, reproduzo abaixo meu último texto, publicado sábado passado:

A MAIORIA DECIDE, MAS...
O viver coletivamente nem sempre é plenamente entendido pelos seres humanos. Todos nós, frutos de formação diversificada chegamos ao que somos hoje de diferenciadas formas e impossível alguém de dizer totalmente pronto e acabado. Parece vicejar em alguns ambientes serem o suprassumo, o fio condutor de todos os demais. No continental Brasil, amplo em todos os seus aspectos, eis a impossibilidade de um segmento tentar impor o seu entendimento como o mais adequado para tudo e todos. Por que o entendimento praticado por parcela dos paulistas, por exemplo, deve prevalecer sobre o dos nordestinos? Não dá. E onde estaria o meio termo disso tudo?

Parece até simples demais. Bastaria um entender o outro, assimilar o bom, rejeitar o supostamente ruim, interagir no máximo da plenitude e aceitar outras formas, não só convencer, mas em alguns momentos aceitar ser convencido. A diversidade frutificar, os laços antagônicos atuando dentro da mesma federação sem maiores problemas. Nada disso do mais forte querer continuar impondo somente a sua vontade e menosprezando as demais. Quando uns continuam querendo impor à sua vontade, mesmo não sendo ela o resultado demonstrado pelas urnas, algo não anda muito bem na condução do regime escolhido para se viver, o dito democrático, defendido e entendido de forma diferente por uns e outros.

Pela imposição, a perpetuação do estilo colonial. O estilo casa grande e senzala nunca permitirá uma real integração nacional. Cito dois exemplos de minha linha de pensamento. Primeiro quando a vizinha Bolívia discutia na mesa de negociações com o Governo brasileiro sobre a questão do petróleo brasileiro em seu território. Muita besteira foi escrita, como se Evo Morales tivesse humilhado o Brasil. Na verdade, isso nunca ocorreu. Alguns queriam ver a Bolívia humilhada, vergada sob a força imperial brasileira e ocorrendo o contrário, uma posição de congraçamento com um país irmão, vizinho e parceiro, o descontentamento. Nem o estender a mão e o bom senso das relações são mais compreendidos por parcela da população.

Outra evidência, essa mais recente ocorreu após a reeleição da presidenta Dilma. A reação, principalmente paulista não aceitando o resultado das urnas e colocando em pratica algo de cunho golpista, ininterrupto clima de contenda, briga de rua, agressividade extremada, exacerbada até com clamores pedindo o retorno do regime militar. Clara oposição à continuidade do regime democrático, decisão coletiva de todos. Essa não aceitação é o tema desse escrito. Essa crença no absolutismo de sua linha de pensamento como única possibilidade é o retrocesso batendo à nossa porta. Pior é verificar, que para fazer valer suas ideias aceitam pegar até em fio desencapado. Triste momento da história do país, quando muitos renegam tudo o que foi duramente conquistado e abertamente conspiram, não por melhorias e mudanças, mas pela continuidade dos privilégios deles mesmos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

CENA BAURUENSE (127)


EU FARIA, TU IDEM, JÁ ELE VAI TER QUE FAZER AGORA SOB OS HOLOFOTES - VIROU VIDRAÇA
FARIA ganhou a contenda. Era uma espécie de cavalo azarão, mas na hora H, assim como seu antecessor, o Sandro Bussola, chegou lá. Alguém em sã consciência poderia imaginar o Sandro Bussola presidindo a Câmara Municipal de Bauru? Essa foi a solução encontrada pelos nobres edis para não deixar vingar outro nome, daí se compuseram em torno dele e os elevaram aos píncaros da glória. Por lá as coisas ocorrem dessa forma e jeito. Todos possuem o direito de lá chegar. A maioria possui mesmo uma ambição mais do que pessoal, pouco de projeto coletivo. Claro que todo tipo de interesse sempre está em jogo nessas horas e eles jogam pesado. Existem aqueles que, não podem chegar lá de jeito nenhum e alguns que são ironizados pelas sucessivas tentativas. Parece uma pantomina, mas a coisa é mais séria do que possamos imaginar. Tem muita coisa em questão e todas elas estavam na pauta do dia naquelas inebriantes cinco horas de negociações até que a votação incidisse pelo nome de FARIA NETO.

Faria é do tipo boa praça, se dá bem com quase todo mundo (impossível a unanimidade), está em todas as paradas de sucesso, foi prefeito em Avaí por dois mandatos, vereador aqui por outro tanto, atuou nas hostes da COHAB quando sem mandato, nunca abandonou o jornalismo esportivo, sua especialidade, freqüenta jogos de futebol, campeonatos de truco, purrinha e circula com desenvoltura pela periferia toda. Sabe como se comunicar, se infiltrar aqui e ali e até no tal folheto da igreja, o que quase cassou seu mandato, esteve presente. Pessoa muito simpática, desses que você ainda consegue conversar, ele te ouvir e sem aquela discussão abobada dos tempos atuais. Nessa eleição para o próximo biênio na Câmara, me arrisco a dizer: Dos males o menor. Tinham nomes com posturas muito mais problemáticas do que as que enxergo nele. De uma coisa tenho certeza, o baixinho dialoga, ouve todos os lados, pode até já vir com uma decisão tomada, mas não se furta a te ouvir. Deixa em aberto alguma possibilidade de ser convencido e isso é bom.

Cada eleição desse tipo é muito mais do que um teatro, talvez dos horrores. Alguns dizem fazer parte desse jogo o troca troca, a banalidade das conversações anteriores, os convescotes preliminares, emaranhado e conturbada encenação onde grupos se digladiam entre si, morticínio mais do que evidente. Mas o que se espera do Faria agora é algo além dessa brincadeira em torno do seu sobrenome, o do faria, fez, fará... Sim, Faria precisa tomar pé de que algo de novo pode ser feito nesse biênio. Basta ele querer colocar em prática uma postura nova de legislar e comandar uma dita Casa de Leis. Em primeiro lugar, o princípio básico de tudo, as Câmaras existem não para compor, mas para fiscalizar. Base aliada não é algo para dizer Amém acima de tudo e de todos. Vai se deparar logo de cara com muita coisa megalomaníacas sendo propostas, como o novo prédio, esse pintando na seqüência da reforma, uma que ainda nem terminou. Depois uma rádio pintando no pedaço, o aumento do número dos parlamentares, a ampliação e rejuvenescimento da TV Câmara, com abrangência mais popular, os projetos internos todos e os contratos já lavrados de aquisição e gastos, ampliação disso e daquilo. O baixinho sabe que amizade é uma coisa, mas “quem entra na chuva é para se queimar”, daí sob os holofotes e com o poder da caneta na mão, viverá dias intensos e dependendo de suas próximas escolhas, entre o céu e o inferno. Ele bem sabe disso, assim como sabe ter um monte de chato aqui do lado de fora vigiando cada passo dado lá dentro. É Faria, agora tu é mais vidraça que ontem. Desculpe, mas...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (93)


DUAS NOTÍCIAS (OBRAS PARALISADAS E RÁDIO CÂMARA) E UMA CESTA DE NATAL QUE ESTARÁ NA MINHA CEIA, A DO MST
Passei dez dias longe de Bauru e ao retornar fui me inteirar do que havia sido informado de novidade pela mídia bauruense. Pouca coisa. Destaco duas e as comento em separado.

Na primeira, ambos os jornais informam que uma grandiosa obra do Programa Minha Casa Minha Vida, a do residencial Chácara das Flores está paralisada há aproximadamente quatro meses e o que é pior, com a obra em adiantado estado de execução e pelo clássico motivo, algo sendo espalhado país afora, o da desistência da empreiteira. Tudo o que já foi feito se deteriorando e já necessitando de gastos novos para reparação. Isso tem nome e sobrenome: sacanagem e verdadeiro caso de polícia. Podem observar como algo parecido está se tornando prática comum hoje em dia nas obras públicas e de qualquer natureza. Primeiro a empreiteira ganha a licitação e inicia o serviço, depois com contrato assinado e tudo descobre assim do nada que algo está sendo deficitário para ela e a forma encontrada para receber mais e mais é uma só, parar tudo e pedir o tal do ADITIVO. Falta punição nesses casos, aplicação da pena dura da lei, obrigando esses que ganharam por um valor terminarem a mesma e bem feito. Grassa a irresponsabilidade dessas empresas, sugadoras de grana pública e com nenhum envolvimento social com a questão. Pensam somente na grana e em nada mais. E isso está ocorrendo não só no MCMV, mas na imensa maioria das obras país afora. Foi descoberto esse novo filão para ganhar mais e mais, enrolar os bestalhões do poder público e ir enchendo as burras de grana. Quem quiser descobrir a ladroeira basta puxar o fio dessa meada. Falta a Justiça agir e penalizar de forma dura quem age dessa insana forma de tocar seus negócios.

Na segunda, a informação de que a partir do início de 2015 teremos mais uma emissora rádio FM na cidade e curioso fiquei ao tomar conhecimento da sua procedência, a Câmara Municipal de Bauru. Bom ou ruim isso? O fato é que essa será a primeira emissora de rádio legislativa no interior do país, um feito, sem sombras de dúvidas, mas necessitando de um melhor entendimento e até esclarecimento. Os equipamentos já receberam o aval para aquisição, num investimento de meio milhão de reais e pasmem, as autorizações ocorreram de forma a espantar gregos e troianos. Qual a finalidade da iniciativa e qual o projeto existente junto à comunidade? Pouco vi sobre isso. Pelo que deu para sentir tudo é para ir no vai da valsa existente de estar inserido numa tal de Rede Legislativa de Emissoras FM. A maioria da programação já vem pronta e será transmitida em rede, pacote fechado. Nada contra, mas veria mesmo com bons olhos emissoras dessa envergadura sendo conquistadas, abertas e tendo a mesma facilidade de autorização de funcionamento, mas de cunho social, atendente de fato e direito os interesses da classe periférica, uma que ouve muito rádio e está cada vez mais tendo como foco programações tendenciosas, muitas delas de cunho religioso mercantilista, quando não com muita programação de pífia qualidade, não só informativa como musical. A pergunta que não quer calar é uma só: se a TV Câmara consegue, por que não se tentar uma de cunho popular na cidade? Acho que algo precisaria ser feito nesse sentido, pois existe esse vácuo no dial na cidade.

Finalizo meu texto de hoje com algo muito em voga por esses dias, pedidos de ajuda comunitária para eventos de final de ano de variadas entidades filantrópicas, assistenciais, etc e etc. Tudo é válido para ajudar o próximo. Dou o meu quinhão quando posso. O apelo é sempre no sentido de privilegiar os que mais necessitam. Quero destacar algo recebido por esses dias e onde sei que darei minha modesta contribuição. Trata-se da Cesta de Natal do MST, o mais organizado movimento social em funcionamento no país. Veio junto desse texto e repassada a mim pelo revolucionário padre Severino Leite Diniz, do Assentamento do MST: “Bom dia Camaradas! Segue a Cesta de Natal da Reforma Agrária. Esta é uma iniciativa para divulgar nossa produção. A cesta será montada em caixa de papelão personalizada com o timbre do MST, o valor de venda é de 200,00 reais. Gostaríamos que divulgassem para possíveis colaboradores. As encomendas podem ser feitas pelo email: cestasmst@mst.org.br. Att Bel”. Fica a dica desse mafuento escrevinhador.

domingo, 14 de dezembro de 2014

CHARGES ESCOLHIDAS A DEDO (89)


CRIME DE MAGNICÍDIO E AOS QUE ME ACOMPANHARAM ATÉ AGORA
Ainda na estrada, nesse demorado retorno para Bauru, passo o dia de hoje em Sampa, vendo como anda a saúde de minha sogra e abro a internet só agora, 16h30. Dela duas coisas, primeiro essa tira do argentino Miguel REP, no jornal diário argentino Página 12 sobre isso tudo que nos acompanhou até agora, as escolhas decisões de um vida toda e dos motivos que temos (e devemos) para continuar levantando e seguindo ao lado de algumas dessas bandeiras. A tira é oportuna até porque ao abrir meus e-mails lá um do companheiro vereador Roque Ferreira sobre o que uma parcela de fascistas querem fazer com os ditos da esquerda, encostando-os num muro e desdizendo de tudo o que fizemos como se só pelo fato da pessoa ser de esquerda, estaria incorrendo em erro e até delito. Como tenho plena e absoluta certeza de que o mundo para ser oxinegado e resistir a essa avalanche direitista, necessita e muito da efetiva participação desses abnegados esquerdistas, os que lutam e acreditam na possibilidade de um outro mundo possível. Olhem o texto que recebo do Roque sobre um dos motivos pelos quais devemos nos unir cada vez mais. Proponho desde já outro revival BOLIVARIANO, dessa vez não num formato de FESTA, mas talvez num ENCONTRO, onde um grupo possa discutir sobre tudo o que está em jogo no conflitante momento vivido.

"Não podemos admitir que o silêncio daqueles que abandonaram as trincheiras da classe trabalhadora permita o fortalecimento do inimigo, os ataques e a entrega sem resistência de direitos conquistados com muita luta. Estes grupos reacionários tem defendido publicamante o ataque à esquerda, a volta da Ditadura Militar e preconceitos por questões raciais, de gênero, etc. Mesmo que hoje esta direita raivosa não consiga agrupar uma base de massas, mesmo que um golpe militar não seja a tática da burguesia e do imperialismo na atual situação, é preciso repudiar cada ação desses grupos e organizar o proletariado para combatê-los. Eles incitam hoje o assassinato da presidente eleita pelo PT, mas têm como objetivo fundamental atacar os militantes e organizações de esquerda, desmontando qualquer possibilidade de resistência da classe trabalhadora diante da decadência do capitalismo".
http://www.marxismo.org.br/…/mandatos-da-esquerda-marxista-…
Companheiros e companheiras, divulguem para suas listas de amigos", enviado por Roque Ferreira.
Unidos teremos alguma possibilidade de resistir ao que se aproxima por aí...
Coisas dominicais do HPA