terça-feira, 21 de abril de 2015

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (01)


DASLU X DASPU E AGORA A “OPUS DEI” X A “OPUS GAY”
Uma das melhores sacadas dos últimos tempos foi quando do auge do shopping lá na marginal Pinheiros, a DASLU (existe aquilo ainda?), um lugar onde o predomínio era dos chiques, que gastavam os tubos em roupas encomendadas nos cafofos costurados pelos bolivianos. Pagavam e se achavam o máximo. O movimento das prostitutas cariocas sacou o momento e criou a DASPU, a grife das ousadas meninas fazendo sucesso até hoje e jogando na lama a grife dos abastados. A ironia persiste até nossos dias.

Hoje vejo outra e quero compartilhar com todos vocês. Acabo de ler num dos melhores jornais do continente, o Página 12 argentino essa pequena nota na edição de hoje na seção Pirulito del Tapa:OPUS - El sitio del Movimiento de Integración y Liberación Homosexual (Movilh) de Chile se denomina Opusgay.cl. La prelatura del Opus Dei interpuso una demanda ayer para apropiarse y eliminar esa denominación porque “genera confusión en el público consumidor” y podría hacer creer que el Movilh “es patrocinado por la prelatura”. Agrega que “el término Opus se encuentra ligado a la prelatura” y que este “juego de palabras” crea confusión por la semejanza de pronunciación entre Opus Dei y Opus Gay. “Opus Dei y Opus Gay tienen públicos y objetivos muy distintos”, aclaran.”.


Li e me deliciei. Primeiro porque me recordo muito bem da grita geral da Daslu quando da criação da Daspu. Tentaram de tudo, mas nada conseguiram para fechar a irônica concorrente. E agora, a conservadoríssima Opus Dei tentando manter a indivisibilidade e utilização só por eles do termo “Opus”. Eu dou risada e acho que o nome pega até por causa das reações contrárias. Quando o lado contrário reage, as possibilidades do sucesso do oponente crescem que é uma maravilha. Só agora fui ler mais e vi que em Portugal a coisa é antiga. Vejam isso:http://www.opusgay.org/

É pela ironia que se desmonta as estruturas mais arcaicas desse planeta. Tem momentos que dá merda, como no caso no jornal francês, mas insistir é preciso, pois o outro lado quer se perpetuar no quesito de comandar as mentes pelo lado mais obtuso possível. Façamos a nossa parte, rindo das últimas, como fazia muito bem em Bauru, o mestre Broncolino, meu inspirador para essa mais nova seção (ou seria sucção?).
HPA.

AMIGOS DO PEITO (104)


NO FERIADO DE TIRADENTES, UMA “ODE PARA MEUS PROFESSORES (AS) DE HISTÓRIA”*
*Texto especialmente escrito para minha participação semanal no portal Participi:

Eu nunca me entendi muito bem com Tiradentes. Cada vez duvido mais de suas boníssimas intenções de libertação do país das garras portuguesas. Ficou marcado como o boi de piranha do movimento, que nascido dentro do seio explorador, queria mais liberdade para seus negócios. Desamarrar-se de Portugal um mero empecilho no caminho. E enquanto os demais pularam fora, Tiradentes pagou exemplarmente por todos os outros, que continuaram fazendo das suas naquela época, onde sonegar já era moda. Levemos em consideração também que o poder constituído da época era despótico até a medula e merecedor de toda revolta, conspiração e levantes. Mas não é disso que quero escrever. Lembrei-me de Tiradentes por mero acaso, hoje dia dele, feriado nacional e o fazendo, impossível não me recordar de uma pá de bons professores (as) de História que tive ao longo da vida.

São tantos os nomes e para mim o mais importante deles foi uma carioca, ainda em plena atividade, Lídia Possas, uma que revolucionou minha cabeça (já convulsionada) nos tempos da faculdade de História na USC. Definitivamente ali fui arrebanhado para duvidar das verdades estabelecidas e ir cada vez mais a fundo e desvendar as verdades encobertas, as ainda ocultas. Deixa ver se me lembro de alguns nomes de mestres que me deram aula ou compartilharam comigo desse amor desmedido pela História (sou também um Historiador, hoje sem cátedra). Sonia Mozer, Paulo Neves, Duílio Duka, Oscar Fernandes da Cunha, Fabíola Soares, Sônia Mazzi e Fardin, Tauan “Narciso do Tempo”, japonês Brás na USC, João Francisco Tidei de Lima, Nair Leite, Rui Dom Quixote e tantos outros e agora a mente me falha. Considerem-se todos lembrados e homenageados.

Lembrei-me de todos eles hoje ao abrir o Jornal da Cidade e ver uma clara alusão no título da capa, “Com Tiradentes, classe média já reagia”, ou seja, da movimentação de antanho com uma ocorrida agora pelas ruas brasileiras. É a tal da classe média de novo nas paradas de sucesso. Afirmam lá num trecho da matéria: “...o que revela similaridades com recentes protestos anticorrupção neste ano no Brasil”. Entrevistada, a mestra Sonia Mozer tenta recolocar o bonde nos trilhos com algo muito simples: “...ainda falta um projeto de país”. Ponto.

Daí, o motivo dessa minha ODE, criada especialmente para revenciar meus queridos professores (as) de todos os tempos, épocas e vertentes. Queria nesse exato momento mandar uma baita de um beijo para todos esses professores de História, os lembrados e os não lembrados, que me pouparam do mico de ir para as ruas pedir impeachment e intervenção militar. Foi por causa dos ensinamentos deles que eu permaneci bem longe (dessa vez) das ruas. De prontidão estou para clamar nas ruas pelo fim da corrupção (a de todas as matizes), contra a sonegação bilionária junto ao HSBC, os que desviaram grana preta da Receita Federal, da AHB – Associação Hospitalar de Bauru, os que querem enterrar de vez a CLT e tudo quanto é forma de reacionarismo arcaico e enferrujado. Numa passeata assim iria até de olhos fechados, mas essa a mídia não faz força para acontecer,porém meus professores de História sim, pois não enxergam pelo viés caolho. É com eles que eu vou, sempre!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

CENA BAURUENSE (133)


E SE VOCÊ FOSSE CONVIDADO E ACEITASSE?

Renato Janine, emérito professor de Ética na USP, esquerdista assumido aceitou convite do Governo Dilma Rousseff e hoje é o Ministro da Educação. Cito o fato num texto meu publicado ontem e recebo num dos comentários, proferido pelo também emérito professor ALMIR RIBEIRO, militante em Bauru do PSTU, a seguinte indagação como resposta: “Pena que Janine não deu exemplo: foi ser ministro do governo que criou as condições para tal situação”.

A partir dessa resposta matutei sobre os muitos que já aceitaram trabalhar inseridos em administrações pelas quais possuem divergências ou até mesmo as haviam duramente criticado. E quando ocorre a aceitação, claro que deve ocorrer um acordo de muita independência no exercício do cargo e algo corajoso de ambos os lados, um que vai ter que aceitar a implantação de algo fora dos seus planos e o outro, por ter a oportunidade de colocar em prática algo que não imaginava naquele momento.


Faço uma provocação com meu texto diário por aqui. Escolho aleatoriamente alguns diletos conhecidos bauruenses, em sua grande maioria opositores do modo de governar da atual administração municipal e lanço a pergunta: Imaginem serem convidados por Rodrigo Agostinho para assumirem algumas das Secretarias Municipais. Qual o procedimento para aceitarem? Como se sairiam? Como ACEITAR, em quais condições? Vamos aos escolhidos(as):

Professor ALMIR RIBEIRO sendo convidado para assumir a pasta da Educação.


Advogado ARTHUR MONTEIRO FILHO sendo convidado para assumir a Procuradoria Jurídica.

Vereador ROQUE JOSÉ FERREIRA sendo convidado para assumir o DAE – Departamento de Água e Esgoto ou a pasta da Saúde.

O professor PAULO NEVES sendo convidado para assumir a pasta da Cultura.


Poeta e eletricitário LÁZARO CARNEIRO sendo convidado para assumir a Secretaria das Administrações Regionais ou mesmo a Cultura.

O ativista político MARCOS PAULO RESENDE, O Marcão, teórico comunista sendo convidado para assumir a EMDURB ou o Esportes.

A ativista comunitária TATIANA CALMON sendo convidada para assumir a pasta do Bem Estar Social.

O professor e chargista GILBERTO MARINGONI sendo convidado para assumir o Desenvolvimento Econômico ou Obras.

O advogado GILBERTO TRUIJO ou o professor DUÍLIO DUKA DE SOUZA sendo convidado para resolver de vez o problema da COHAB.

A advogada MARIA CRISTINA ZANIN SANT’ANNA sendo convidada para segurar a rédea nas Finanças.

A militante ecológica IVY WIENS sendo convidada para regular a questão ecológica no Meio Ambiente.

O jornalista e professor DINO MAGNONI sendo convidado para assumir a Assessoria de Imprensa.

O radialista WELLINGTON LEITE sendo convidado para dar um jeito no Esportes.

O artista plástico SILVIO SELVA, na qualidade também de servidor municipal sendo convidado para comandar a FUNPREV.

E assim por diante. Não levem tão a sério isso tudo, mas que algo de muito diferente do que ocorre hoje seria feito, disso não tenho a menor dúvida.

domingo, 19 de abril de 2015

CARTAS (141)


A ESQUERDA NÃO ACABOU*
 
*Carta de minha lavra e responsabilidade publicada hoje na Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade - Bauru SP:

Faço uso de uma frase do ministro da Educação, Janine Ribeiro, pouco antes de assumir o ministério para exprimir algo sobre o papel sempre presente, atuante e necessário da ‘esquerda’, que não acabou e não acabará, como querem e apregoam muitos.

“... não adianta ignorar que as ruas foram tomadas pela direita e que pelo menos em São Paulo nós, que somos de esquerda, nos tornamos, já faz tempo, um alvo. Se dizemos o que pensamos, o que queremos podemos ser hostilizados por um motorista de táxi ou por um qualquer. Basta de começar um small talk numa sala de espera que vem, daí a pouco, uma idiotice qualquer. São idiotices, mas o problema é que os idiotas dominam a fala pública. E é isso que tem que mudar”, disse Janine.

Seria salutar a continuidade do interrompido debate ético. Esse o motivo da esquerda estar acuada. Não existe como os muitos que estiveram na luta pelo fim da desigualdade e das injustiças sociais estarem sendo inseridos no contexto e jogados na vala comum. Inaceitável isso. A convicção ideológica suplanta um ou mais partidos, ela é inerente a cada ser humano e vai continuar existindo independente das adversidades. A radicalização não é boa para o País, pois sua intenção nesse momento é erradicar a esquerda do processo, inviabilizando qualquer tipo de debate sério e saudável. Sim, é uma idiotice julgar e colocar todos dentro do mesmo balaio e tacar fogo nele.

Continuarei defendendo o currículo ético e não me furtarei em defender e lembrar que nos últimos anos foram erradicadas a fome e reduzidas fortemente a miséria. Inegável isso e não existe como escamotear ou esconder o óbvio, pois está aí e tudo a olhos vistos. Continuarei fazendo o que sempre fiz, eu e tantos outros. Estamos vivos, atuantes e pulsantes. Minha luta não se esvai com o que temos presenciado, pois a imensa maioria dos militantes nunca esteve envolvida em nada disso divulgado pelos sucessivos escândalos. Nossa luta e empenho é noutro caminho. Vivemos inseridos no mundo do ‘deus dinheiro’, mas ele não é o principal condutor de nossas vidas. Na verdadeira luta por corações e mentes busca-se muito mais que isso, uma igualdade de condições, oportunidades e não só outra mentalidade, mas algo concreto nesse sentido. Estarei eu e a esquerda envolvidíssimos nisso a vida toda. É o que nos move.

sábado, 18 de abril de 2015

ALFINETADA (132)


OLHEM OS TEXTOS DO HPA PUBLICADOS EM AGOSTO/SETEMBRO 2002 N’O ALFINETE

Essa série ainda vai longe e segue nesse mês com a publicação de mais seis textos meus publicados no intrépido O ALFINETE, um que “pica mas não fere”, da vizinha Pirajuí e dos tempos do saudoso Marcelo Pavanato. Tenho um amigo, o Marcos “Galeano” Paulo, dito como Comunista em Ação, que insiste em afirmar que nesse período escrevia mais solto que hoje, sem amarras e menos comportado, atrelado à siglas e de rédeas curtas. Será isso mesmo? Vejamos lendo esses expostos aqui hoje. Vamos a eles:

Nº 182 – publicado em 24/08/2002 – A ALCA está mais próxima do que podemos imaginar
Nº 183 – publicado em 31/08/2012 – Olha eu Carlitando por aí...
Nº 184 – publicado em 07/09/2001 – Samba de casa cheia
Nº 185 – publicado em 14/09/2002 – Eleições e o voto do colunista
Nº 186 – publicado em 21/09/2002 – Vamos continuar falando de eleições
Nº 187 – publicado em 28/09/2002 – E para governador, será que deixaremos dar Maluf?

sexta-feira, 17 de abril de 2015

DICAS (134)


O ‘DESENVOLVIMENTO’ PASSA PELA ESTAÇÃO DA NOB
Vivemos de polêmicas e de trapalhadas. Revejo mais uma. O atual Secretário Municipal do Desenvolvimento Econômico, ex-vereador Renato Purini – PMDB, investido no cargo apenas alguns poucos meses, resolve para o bem público retirar sua equipe de trabalho do prédio do Palácio das Cerejeiras e alugar um imóvel e lá abrigar a secretaria. Sei que o maior problema deve residir no elevador lá da Prefeitura, sempre com problemas e subir escadas não é mesmo muito fácil. As visitas importantes reclamam e o clima fica pesado, falta ar para alguns na subida e na descida, muitos tropeçam. Coisa de doido. Mas o problema não é só esse. Tem mais (sempre tem mais). Outro vereador, colega de tribuna até dias atrás lhe dá uma estocada brava, afirmando que o mesmo está alugando um “palácio de cristal” e a peso de ouro, “quatro mil reais” mês, que poderiam ser economizados diante da situação famélica dos cofres municipais. Entendível. Os gastos de uma mudança se ampliam e quem muda sabe, mais ainda quem possui móveis das Casas Bahia e na desmontagem não montam mais. Tudo novo, gastos triplicados. Isso vai longe.

O barulho está tomando conta da cidade. Radialistas se exaltam nos comentários, o jornal reverbera o que outros vereadores estão dizendo e só o prefeito fica na encolha, quietinho e até rindo da situação. O secretário tenta argumentar, diz da necessidade de receber bem as visitas, num local amplo, arejado, sadio, perfumado e com a devida pompa, afinal, ali serão tratados (e se possível assinados) os grandes negócios futuros dessa varonil Bauru. Não colou. Colaria mais se ele tivesse feito uma pesquisa prévia cidade afora de onde poderia mudar, sem onerar os combalidos cofres municipais e ainda por cima caindo nas graças de tudo e todos. Visitei um desses lugares essa semana e aqui relato o que vi. Estive na antiga e hoje prédio público, pertencente ao município, o da Estação da NOB, ali na praça Machado de Mello. Aquilo é belo demais por dentro e por fora. Está só um pouco empoeirado, mas impossível não bater uma baita de uma emoção em quem percorre aquelas salas, paredes impecáveis, tudo nos trinques, nem necessitando de grande reforma para ser utilizado. A estrutura está toda intacta. E por que não ali?, essa a pergunta que faço ao digníssimo secretário desenvolvimentista.

Ele cairia no benfazejo popular, mas não sei se é esso seu desejo. Poderia gastar muito pouco e mudar para algumas salas ali na estação, muitas já sendo recuperadas pelo pessoal da Cultura, com ajuda de muitos servidores de outras secretarias. Daria aquela arrumada no saguão central e o visitante ao subir já respiraria os ares do que foi Bauru e do que poderia voltar a ser quando tudo aquilo ali estivesse de fato e de direitos recuperado e em pleno funcionamento. Ganharia pontos e pontos. Seria ele o impulsionador da tão esperada revitalização da área central da cidade. Olhem os louros disso. Imensos. Ali na praça, onde antes funcionou a Dias Martins e depois a igreja Universal é o sinal de que o local promete. Sabe quem está investindo ali e vai se mudar em breve para aquele amplo prédio? Conto. O Pereirão, aquele que vende tudo a R$ 1 real ali na Ezequiel esquina com Rio Branco. Purini poderia até comprar equipamentos ali muito mais em conta que em outros lugares. Aposto que não pensou nisso. Deixando todas as brincadeiras de lado, em primeiro lugar, coloco a mão no fogo, mas Arnaldo Ribeiro não faria o que está sendo feito e depois, ainda dá tempo de reverter o prejuízo adquirido com a tentativa de mudança. Aconselho que o Elson Reis, ou o próprio Rodrigo Agostinho levem o Renato Purini (não precisa ir com máscaras anti-pó, viu!!!) até a estação. Desconforto só no começo, depois acho até que acabaria gostando e teria todo o isolamente necessário para os desenvolvimentismos que tanto a cidade clama. Se ele não se maravilhar com a possibilidade, podem acionar o vereador que lhe tascou a moleira e pedir a ele para dar sequência ao iniciado semana passada, o dito segundo round, pois não existirá mesmo como dar jeito no menino. Feriado pela frente, ótimo para visitas no anonimato.

Viva a Estação e suas tantas possibilidades, muitas delas ainda não vislumbradas, desvendadas, reveladas e imaginadas. Com a imaginação sendo colocada para funcionar, essa cidade andaria que é uma belezura. Teríamos um desenvolvimento que bateria recordes e mais recordes, mas...

quinta-feira, 16 de abril de 2015

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (82)


SERÁ PRECISO UM PLEBISCITO PARA ESCOLHER O NOME DO VIADUTO? AQUI SIM EXISTE UMA QUASE UNANIMIDADE

O Jornal da Cidade deu como notícia em letras garrafais no último domingo, 12/04/2015, capa e com duas páginas internas: “JÁ PODE CHAMAR DE VIADUTO ACABADO - 22 anos depois de iniciada, obra se tornou lenda urbana, gerou dívida milionária e abalou três governos municipais em Bauru chega ao final. Entrega deve ocorrer nas próximas semanas”. A cidade inteira assim espera, mas Guardião, o super-herói bauruense, desconfiado e após acompanhar muito do desenrolar desse intrincado novelo, prefere algo bem ao seu modo e jeito. Bate na madeira e o som se faz ouvir à distância: “TOC TOC TOC”. É a torcida de tudo e todos, tirar a uruca do viaduto. “Essa está sendo uma das novelas de maior duração da história política de Bauru e olha que ainda não foi entregue. Faltam alguns detalhes e como muitos surgiram e foram pipocando ao longo dos anos, tudo ainda é possível nessa verdadeira novela de longuíssima metragem. Irmãos Coragem perde feio”, diz Guardião.

A tristeza batendo fundo é quando vai relacionando alguns desses problemas, não só os que foram sendo superados ao longo do tempo, mas alguns bem presentes e que, certamente estarão na pauta do dia quando da inauguração. “Primeiro isso de mais de duas décadas para a entrega e quando conseguem, o entregam pela metade, maquiado. Sim, uma alça continuará lá com alicerces expostos como verdadeiras chagas expostas. Talvez até nunca sejam concluídos. E o viaduto será entregue com somente uma alça e com duas mãos de direção, tudo muito apertadinho. Estou vendo dois caminhões se cruzando lá no alto. Será que vai dar samba? Sem essa segunda alça certamente o trânsito na região vai ficar engessado e pronto para explodir. Ninguém ainda parou para avaliar como vai ficar o trânsito com a entrega do seu tráfego. Vai juntar tudo por ali e tudo meio maneta, meio penso, pendendo para um dos lados. Algo bem diferente do que foi prescrito no projeto inicial. Imaginem um acidente lá no interior do viaduto? Nunca algo deu um rolo tão grande, com uma dívida se arrastando por tanto tempo e ainda não paga. A dívida é imensa e certamente daria para concluir a tal da alça e ainda fazer outro”, continua Guardião.

Mas a pergunta que não quer calar é somente uma e a cidade está ansiosa pela definição do nome que será dado ao viaduto. “Não deveria existir dúvida nenhuma. O nome a ser dado só poderia ser um, engenheiro ANTONIO TIDEI DE LIMA, o idealizador e mentor do viaduto. Tudo começou na sua administração e assim sendo, nada melhor do que a eterna homenagem incidir sobre seu nome. E tem mais, assim como ninguém conhece o trevo lá na rodovia pelo seu nome de batismo e sim por Trevo da Eny, esse viaduto já é conhecido cidade afora como o Viaduto do Tidei. Isso já está mais do que incorporado no inconsciente coletivo. Tidei não pode se chatear com a homenagem, afinal não existe nada até hoje levando seu nome na cidade. Esqueçamos as picuinhas todas e dentro daquele espírito altruísta que rege as ações de nossa Câmara de Vereadores esperamos que, nessa questão ocorra uma unanime e favorável votação. Uma pena ele já dizer que não deverá estar em Bauru no dia da inauguração, mesmo sem saber a data da inauguração, que nem foi marcada, mas o que vale mesmo é a intenção e assim sendo, na qualidade de guardião dessa cidade, apresento de forma Oficial, Formal, Cerimonial e com ampla aprovação popular o seu nome. Se acharem que estou de brincadeira, experimentem fazer um Plebiscito pela cidade. Vai dar Tidei de lambuja. E tenho dito”, encerra sua fala e mais nada foi dito ou acrescentado, nem pelo Guardião, nem por mais ninguém.

OBS. FINAL: Guardião confessa ter nele baixado o espírito jocoso, jovial, irreverente, humorístico, sarcástico e gozador do imortal BRONCOLINO, “o primeiro a rir das últimas”, para escrever esse texto. “Décadas atrás tínhamos vários com essa verve, hoje não mais. Quis reviver um pouco disso e clamar para que outros façam o mesmo, mais e mais, pois é disso que precisamos, rir das últimas”, disse fechando a tampa do caixão.