sábado, 17 de setembro de 2016

FRASES DE UM LIVRO LIDO (107)


QUERO MAIS É  PRESENCIAR ALGO CULTURAL MISTURADO AO CONSUMISMO OFERECIDO PELO TURISMO

Viajei, melhor, viajamos, eu, Ana Bia, sua mãe a doce Darcy Soliva e mais quatro pessoas. Estamos no Nordeste brasileiro. Eu a Ana viemos para participar por essas bandas de dois congressos/encontros acadêmicos e, é claro, como ninguém é de ferro, conhecer um pouco mais desses lugares. E o fizemos, mergulhando primeiro na obrigação, ou melhor, no exercício de ler, conhecer, colocar no papel e depois discutir com os demais algo pensante e pulsante dentro de cada um de nós. O melhor desses Congressos todos é essa rica possibilidade de reencontros e trocas de experiências. O argentino traz junto de si, não só o seu trabalho, o motivo de seus estudos, o que pensa, mas senta conosco, ouve o que achamos daquilo tudo que lhe tomou tanto tempo. E assim fizemos com muitos outros, não só nos salões ovais dessas universidades, mas também pelos bares, vielas, andanças variadas e possibilidades outras. Quem vem para algo assim e não sabe se misturar, ver, ouvir e sacar que o que faz não está nunca totalmente pronto, pois pode ser acrescentado com aquele algo mais, aquela dica ouvida, passada ao pé do ouvido, esse não será nunca um bom profissional. Vir e se mostrar pedante, como alguns o fazem é o extremo da pobreza intelectual e pensativa. Eu junto tudo o que fiz, faço e farei nessas conversas, estou sempre acrescentando algo mais e somando, sempre somando.

Viajar é algo mais do que bom. Grato sou por tudo o que me possibilita desfrutar desses momentos. Curto intensamente cada segundo como se outro não viesse pela frente. Sou um homem das vielas e adoro me desviar das rotas tradicionais, isso tanto estando metido nesse quesito onde posso expor trabalhos, como em todas as demais. Viajo também não só para conhecer e percorrer os roteiros turísticos como me são apresentados e sugeridos. Uma cidade nova diante dos meus olhos sempre me sugere algo mais do que novo. O que mais tenho sentido falta em duas grandes cidades nordestinas é o algo mais cultural. Explico. Impossível você estar por aqui, diante desse clima todo, algo sempre novo e não se sentir com vontade de consumir, trazer, comprar, ter. No meu caso, gosto muito de artesanato, algo bem local, camisetas com inscrições sugestivas, essas coisas. E procuro ler os jornais do local, sentir como anda a mídia em cada lugar. Leio não só o jornalão local, como fuço pelos demais. Tenho me divertido pelo que tenho encontrado no saguão dos hoteis. No passado, a diversidade era muito maior, hoje quase sempre segue à risca esse tal de pensamento único, querendo dominar tudo e não deixar espaço para mais nada. Porteiros se assustam quando você pergunta se não existe nada além daquilo ali exposto. No primeiro hotel por onde passamos perguntei sobre bancas de jornais nas redondezas. Era uma praia moderninha, gente fina espalhada em prédios, num bairro um tanto distante e havia visto de tudo pelos arredores, menos livrarias e bancas de jornais. o porteiro me esclarece tudo, elas não existem  Na segunda cidade, outra capital, a mesma cena se repete, tem quase de tudo sendo oferecido ao turista, memos livraria e bancas de jornais. Esses estão em extinção, uma pena e com ima incomensurável tristeza fico resignado e cada vez mais confirmando minhas suspeitas: o Brasil está emburrecendo.

Percebi outra coisa nos dois hotéis por onde estive (num deles ainda estou): o jornal local permanece ali no hall quase intacto a maior parte do tempo. Claro que, ao vir para cidades com forte apelo turístico, procuro entrar no clima de tudo o que nos é oferecido. Entro no clima do passeio. Tento curtir tudo ao máximo, mas também me mantenho atento ao algo mais. Vivo dentro de um país diante de um conflitante momento e não sei fazê-lo sem ao menos estar plugado na anormalidade do (des)Governo atual. Impossível me divertir plenamente observando tudo o que acontece à minha volta. Daí vou para os lugares trajando camisetas com o Fora Temer!, tanto no congresso universitário como nos passeios turísticos. Provoco, instigo e procuro com isso abrir novas conversas, buscar os iguais, atrair e saber das ocorrências e agenda do que me interessa nesses locais. É a minha maneira de demonstrar estar, não só atento, mas participando. Por outro lado, noto na imensa maioria dos turistas (por aqui de variados lugares, principalmente do antes Sul Maravilha) um desinteresse de tudo o mais que não seja o SOL.

O turista é um caso mais do que a parte no Nordeste. Pressinto também que ele, o nordestino mais simples se retrai diante do turista, pois se o chocar não venderá seu produto. Se aquieta, mas não se cala quanto instigado no reservado. Disso tenho gostado. Mas meu texto tem outra conotação, a de demonstrar outra coisa. Tentei e não sei se o consegui a contento. Quase não existe possibilidade de consumo cultural nos passeios turísticos atuais, pois o turista est´pa interessado em outra coisa. Sim, alguns museus e casas de cultura continuam recebendo visitantes, mas um povo um tanto indiferente. Os vejo olhando para a beleza do interior de uma igreja de 400 anos atrás, mas sem reflexões remetendo à brutalidade daquele momento e sem alusões ao momento atual. E passam cada vez mais rápido por lugares assim, pois ali não reside o SOL. Ontem, o alento me veio de uma única pessoa no hotel onde estou hospedado em Natal RN: uma senhorinha encontrava-se lendo um grosso livro no hall de entrada, absorta no que fazia e sem se importar com tudo o mais à sua volta. Ao seu lado circulavam agitados indo e voltando das ruas e do SOl os turistas todos. Não perguntei, mas acredito que ela tenha trazido o seu objeto de prazer de sua casa, pois por onde circulo não teria como encontrar algo parecido. Eu que, gosto de dar livros de presentes, encontro problemas mil, pois nos pontos turísticos de rua, nenhuma livraria, muito menos banca de jornais. A leitura, pelo que percebo está em baixa pelas bandas do Brasil e incentivada pelos que nos conduzem no momento. Eu, na contramão disso tudo, busco os atalhos e me dou muito bem. Hoje mesmo passo parte do meu dia ao SOL, mas com um livro debaixo do braço e procurando onde continuar clamando pelo Fora Temer!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (29)


QUANDO ESSES VINHAM PARA BAURU ERAM RECEBIDOS COM MUITA VAIA E PROTESTOS, HOJE...

Estou longe de Bauru por alguns dias e tomo conhecimento pela imprensa que, esses dois tristes personagens da história recente atual estão passando pela cidade Sem Limites para ajudar na campanha de candidatos apoiadores do golpe em curso. Fosse em outros tempos, estaríamos protestando contra a presença de pessoas que só infelicitam o país. E daí, algo foi feito em protesto contra tais personas non gratas?


DIANTE DA MORTE DE UM ATOR UMA AMOSTRAGEM DE COMO O BRASIL EMBURRECEU, PIOROU, ENDIREITOU E ESTÁ FICANDO INTRAGÁVEL
Em dois comentários aqui juntados nessa montagem uma amostragem do que está pipocando de comentários sobre a fatalidade da morte do ator. Hoje ainda ouvi algo sobre um dos motivos da morte foi pela trama apresentar algo favorável a certos rituais de referência a religiões afro, daí a morte ter ocorrido por praga, desgraça e para mostrar que quando se enaltece religiões afros algo de ruim vai acontecer. Isso tudo só prova algo pelo qual já estou mais do que certificado: o Brasil emburreceu. Quando olho para os lados e vejo uma boa parte desse país, mesmo sendo prejudicada e mesmo assim apoiando a ação dos golpistas que estão a danar com o país, Um ódio emburrecedor a entristecer quem ainda se põe a querer transformar algo. Desolado no que se transformou esse país.

Na escrita de minha amiga Tatiana Calmon um algo mais sobre isso: "Quando a gente pensa que ja viu de tudo sobre a falta de noção e a falta de respeito, esbarra numas postagens destes nível. Quando digo da falta de profundidade nas discussões, quando digo da futilidade, das questões apenas de aparência, é disso que falo.Perderam a noção de tudo. A humanidade de fato faliu;".

Que será de nós com essa parcela de brasileiros pensando e agindo dessa forma?

DALLAGNOL E O ARBÍTRIO COMO LEI
Não sei o que foi mais patético os idiotas do MPSP que pediram a prisão preventiva do Lula ou esse projeto de procurador. Sinceramente, esse pessoal não faz a menor ideia do papel que o MP possui na sociedade em tempos nebulosos como os atuais, em que direitos e garantias fundamentais são atropelados por condutas arbitrárias e truculentas. Que deprimente. Daí, a comparação feita na capa da revista semanal Carta Capital, chegando nas bancas bauruenses no domingo pela manhã é a cara exata dessa nova geração dentro de um Judiciário sendo ocupado por ações direitistas e danosas, principalmente aos princípios do Direito. Ler a Carta Capital nesse momento é um dos poucos alentos ainda permitido, diante do que está em curso nesse varonil país. Aguardo sua chegada às bancas sempre cheio de ótimas expectativas e Mino Carta e os seus nunca me decepcionam. O que de melhor temos hoje na imprensa nativa.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (95)


ESTARIA TODO O JUDICIÁRIO ATUANDO HOJE POR PRESUNÇÃO?

Que cena patética e triste ontem pela TV, quando um promotor permanece por várias horas denunciando de forma categórica o ex-presidente Lula, num nova ação da Operação Lava jato e ao final, conclui ser ele o maior culpado do maior esquema de corrupção já armado no país. Tudo é mostrado em power points, expostos para a nação em slides e montagens pirotécnicas e no final o gajo encerra sua fala com algo assim: “tenho a mais absoluta certeza dele ser culpado, mas não tenho prova nenhuma, só presunção”. O país permanece com olhos, ouvidos atentos a tarde toda e no fim, uma revelação que não revela nada. Ou melhor, revela sim, ficando mais do que explícito estar o Judiciário brasileiro, ou parte dele, principalmente a atuando junto da Lava Jato em fazer o possível e o impossível para criminalizar o ex-presidente, com o nítido intuito de tirá-lo do próximo páreo eleitoral presidencial, onde, pelo visto, é considerado imbatível.

Uma bizarra situação. Por que o Judiciário se presta a esse tipo de (de)serviço para com a Nação? E outra, estaria todo o Judiciário comprometido com o que foi presenciado pela TV na tarde de ontem? Que o conservadorismo do Judiciário, principalmente o paulista encontra-se em estado acelerado, disso não existe a menor dúvida, mas chegar ao cúmulo do ridículo de, vir a público numa descabida montagem, tentar armar uma montagem corruptiva somente em cima de Lula e, meses depois do juiz Sergio Moro ter vindo a público e dito em alto bom som que o ex-presidente estaria limpo na questão do apartamento do Guarujá. O visto ontem foi mais uma construção maquiavélica e, mesmo com a pompa do montado, não prova nada e desqualifica cada vez o Judiciário envolvido na questão do Lava Jato de se manter isento.

De uma forma bem límpida tirei uma conclusão bem simplista, a única que posso tirar nesse momento. A Procuradoria num todo é um conjunto de profissionais de fino trato. Nenhum da velha guarda, os com vivência de anos se prestariam à exposição como a vislumbrada ontem, colocando a cara para bater numa bazófia onde, numa exposição esdrúxula e sem provas, estariam colocando em risco a credibilidade de anos. Daí, nada melhor do que um jovem, desses tantos prontos aos minutos de fama, para esses virem à publico e promoverem a encenação. Se ela não vingar, se for desmontada, quem perde é o novato. Esse pagará pelo mico todo e ficará marcado e se a coisa pegar, daí sim, o corso engrossa. Esperteza bem ao estilo brasileira.

Na verdade uma tristeza sem fim para o Judiciário num todo esses envolvimentos todos um tanto distantes do que venha a ser a tal da Justiça de fato, aprendida nos bancos escolares e pela jurisprudência secular. A tristeza não é só pelo mico da montagem, pelo despreparo de tentar provar sem provas, de tentarem pegar só Lula esquecendo-se de outros, com crimes muito mais aviltantes e todos varridos para debaixo do tapete. Daí, algumas conclusões mais do que simples. Se fazem isso com Lula, imaginem o que pode estar ocorrendo com o cidadão comum, o que mal consegue de defender? Quando membros do Judiciário se aliam a um grupo político de poder e passam a atuar aliados a esses, que tipo de Justiça resulta disso?

Existe salvação para o Judiciário brasileiro? Claro que sim. Basta se desvincular de atos como os ocorridos ontem. Tenho visto uma voz aqui e outra ali, muitas se levantando de dentro dessa verdadeira corporação e tentando pelos seus atos, que algo de salutar, saudável e honesto, feito baseado nos verdadeiros ideais de Justiça, não só resiste como persiste. Poderia ir juntando algo desses resistentes, desses tantos que se opõe a uma onda conservadora vicejando no país. No geral, nítido algo a representar um momento não muito bom e essa impressão só pode ser dissipada quando os bons levantarem suas vozes e se colocarem contra muitos dos procedimentos atuais. Aguardo isso a cada novo dia para reversão de algo tão nefasto como o visto ontem em cadeia nacional.

DEFINITIVAMENTE, CANSEI...
Esse país está para cansar qualquer um. Pensam que, nós o povo somos idiotas. O que a Promotoria, na pele de alguns jovens envolvidíssimos com o status quo, pregando a manutenção dos privilégios de alguns fez ontem foi demais da conta. Passou de todos os limites. Daí, como continuar acreditando a apostando as fichas nesse país? Impossível. Desisti de vez e passo a ser um cruel algoz disso tudo que está aí estabelecido e firmado como legal. Mandei tudo as favas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

ALGO DA INTERNET (120)


A INQUISIÇÃO EM PLENO FUNCIONAMENTO

O cara fica a tarde toda nos enchendo o saco repetindo tudo o que meses atrás o Sergio Moro já havia desdito e afirmado não existir, ou seja, o fato de Lula ser dono do tal apartamento no Guarujá. Pois bem, tudo volta à baila e ocupando descaradamente nossa mídia, num requentado com muito sentido, tentar prender o sapo barbudo, só que, ao final da encenação, a repetição de algo mais do que inquietante: tudo presunção, sem nenhuma prova concreta. Lula continua isento e diante desses fatos lamentáveis proporcionados pelo Judiciário Inquisidor, só nos resta uma imensa rebelião para devolver, no mínimo, um Judiciário respeitável a esse ingrato país. O povo não é besta e já está de saco mais do que cheio dessa novela, onde os grandes ladravazes desse país escapam de serem investigados e o Lula, por puro medo dele se candidatar no próximo pleito, é o culpado de tudo. Será que essas bestas não sacam que estão mais e mais fortalecendo Lula com a repetição dessa péssima ópera bufa?

Como pode alguém ficar a tarde toda numa ladainha já sabida, repetir a mesma encenação de meses atrás, criar uma encenação a ocupar o tempo de gente séria e ao final, dizer que tem certeza, mas não tem provas. E querem que não chamemos esse país de não sério.

Vejam o embuste sendo montado: http://www.conexaojornalismo.com.br/colunas/politica/brasil/nao-temos-como-provar.-mas-temos-conviccao-73-45073

ALGUÉM JÁ REPAROU NISSO?
Essa telenovela da TV Globo, essa em horário nobre, a Velho Chico ela tem um núcleo que é a cara de como o PT foi em seus primórdios. Quem assiste sabe do que falo. Tem lá na trama os que resistem ao poder do coronel e eles lutam com a mesma intensidade com o que o PT o fez quase sua vida toda. Se ele, o PT hoje abdicou da luta. muitos dos que ainda defendem os ideias de antanho nunca o farão. A TV Globo quando quis mostrar como se dá a resistência aos coronéis, revive algo do PT em personagens de luta, resistência e de enfrentamento aos mandões país afora. A Globo é a TV mais nefasta do país, mas ela, esperta como nunca, quando quer mostrar como se deve ser a verdadeira luta contra a malversação de grupos econômicos como o dela, faz uso de algo com a cara do PT. E vejam como esse Núcleo da novela, pouco a pouco vai minando o poder do coronel e por fim, o derrotará, como um dia faremos com gente e grupos representando o mal, como o da Globo. Enxergaram isso? Vejo isso nitidamente na novela do diretor Luiz Fernando Carvalho e acho até que ele, com muita sabedoria, dá um belo tapa de luva de pelica na cara dos seus patrões.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

COMENTÁRIO QUALQUER (155)


A HISTÓRIA DOS TRÊS HERÓIS BRASILEIROS ENTERRADOS NA ITÁLIA
Peço uma trégua diante da esculhambação que vejo estar dominando a mídia brasileira, que de séria não tem nada e vai na valsa do que um Ministério Público comprometido com uma farsa tenta impor ao país. Conheçam algo com um teor diferente.

Sabaton é uma banda sueca de power metal, o último CD que lançaram se chama Heroes (Heróis) e contém uma série de odes a feitos e pessoas notáveis na história da Segunda Guerra Mundial. Há uma música sobre As Bruxas da Noite Soviéticas, uma sobre o incidente Franz Stigler, uma sobre a resistência polonesa, outra sobre a francesa, etc. A terceira música é a Smoking Snakes (Cobras Fumantes), e é um hino à bravura de três brasileiros, Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Baeta da Cruz e Geraldo Rodrigues de Souza, que frente a um contingente muito maior de alemães, não aceitaram a rendição, lutaram e morreram, mas defenderam a parte mais elevada do vale com tanta garra e coragem que os próprios alemães, os inimigos ali no front e ainda por cima nazistas, respeitosamente os enterraram, fincando sobre seus túmulos uma cruz feita de destroços de madeira com a seguinte inscrição: "Drei Brasilianische Helden" (Três Heróis Brasileiros).

A homenagem da banda sueca é pouco conhecida por aqui no Brasil e me foi informada pelo filho, Henrique Aquino, inveterado ouvinte de bandas da Islândia, Noruega, Escandinávia num todo e arredores, como a própria Suécia. Dia desses me falava dessa história, que não conhecia. Fez-me ver, ouvir e ler o vídeo postado no youtube sobre uma versão feita por brasileiros, livre tradução e como hoje, o dia está um tanto corrido e uma vergonha sendo transmitida ao vivo via lava Jato e não quero passar em branco minhas publicações diárias, acho pertinente uma espiada e tomada de conhecimento também dessa história.

Abra esse link e sinta algo quase desconhecido dentro da história dos pracinhas brasileiros na Itália: https://www.youtube.com/shared?ci=4bocmsLFZn

EIS A LETRA: "Os que não se renderam/ Heróis do nosso século/ Três homens foram fortes e mantiveram por muito tempo/ Indo para a luta, para a morte que os espera/ Loucos ou corajosos irão terminar na sepultura?/ Enquanto dão sua vida como é dita sua honra/ Longe, longe de casa/ para uma guerra lutada em solo estrangeiro/ e longe, longe do conhecido/ Contem seu conto, sua história esquecida./ Cobras Fumantes eterna é sua vitória/ Ergam-se do sangue de seus heróis!/ Vocês foram os que se recusaram a render-se/ Os três preferiram lutar a fugir/ Saibam que sua memória será cantada por um século/ Três levaram o golpe enquanto impressionavam o inimigo/ Jogando dados com suas vidas enquanto pagam o preço/ Mandados para causar o inferno, ouça o soar dos sinos/ Está chamando por vocês como a Wermach planejou/ Longe, longe de casa/ Para um guerra lutada em solo estrangeiro.../  Mandados pelo mar para serem jogados no fogo/ Lutaram por um propósito com orgulho e desejo/ Sangue dos corajosos que foi dado para inspirar/ Cobras Fumantes sua memória está viva/ Parem. Este é seu último aviso, rendam-se. Fogo!/ Nós lembramos que não se renderam/ Heróis do nosso século", livre tradução feita por admiradores.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (96)


CHEGARÁ O DIA DA ABERTURA DESSA CAIXA PRETA – DIGA LÁ GIASONE
Giasone Candia já não é mais o presidente do DAE – Departamento de Água e Esgoto de Bauru. A intenção do prefeito Rodrigo Agostinho era mantê-lo até o final do mandato no cargo, mas numa entrevista dada à TV Preve ele revela o que toda cidade já sabia, mas de forma velada, não consentida, a de que os maiores devedores de água na cidade não pagam suas contas e nada lhes acontece, enquanto com os pobres, somente algumas contas em atraso resultam em fornecimento cortado. Qual a novidade? Nenhuma. Guardião, o super-herói bauruense, entra em cena para não só defender Giasone, como alfinetar a quem de direito, ou seja, dar culpa a quem a tem e não a quem a escancarou. Vejamos seu pronunciamento:

“Giasone pagou pelos pecados que não são só seus. Um bonachão presidente do DAE, como não tínhamos há muito tempo, o que menos tem culpa no cartório. Disse o que até as pedras do reino mineral sabem de cor e salteado, mas algo não podendo ser aventado além das fronteiras do permitido, ou seja, só intramuros e nada além disso. Rico não pagar devidamente suas contas não é novidade nem aqui nem na China. É o mesmo quando o descarado do presidente da FIESP, o Paulo Skaf faz uma prosopopeia em cima do povo pagar o pato pelos impostos todos pagos, mas escondendo o rabão pela imensa e incomensurável sonegação entre os empresários paulistas e brasileiros. Isso dessa lista dos grandes devedores de água de Bauru é algo já beirando o surreal. Existe aqui na cidade as tais das forças ocultas, umas movidas pelos tais “forças vivas”, os grandões que tudo fazem e pouco pagam. Rodrigo, o prefeito atual não teve forças suficientes para colocar no pau a turma endinheirada de Bauru, pois teria problemas mil para prosseguir seu Governo sem retaliações desses, daí se encolheu. Isso uma coisa, mas dizer isso abertamente por A + B, algo não tolerado pela hipocrisia reinante”.

Perceberam a gravidade da questão? Porém, tem mais. “No caso bauruense, sete vereadores estavam propensos a votas a favor da abertura de uma CEI – Comissão Especial de Inquérito para investigar, ou seja, somente expor esses nomes, divulga-los para conhecimento geral de tudo, todas e todos. Na sessão da Câmara de hoje algo surreal, quando adiaram a abertura da Comissão e pior, dois dos que protelaram são candidatos a prefeito. Ou seja, duas importantes peças desse tabuleiro estão fazendo o jogo do empurra com o DAE, quando dizem nos microfones da mídia local que o DAE não será privatizado, que estamos diante de uma péssima administração, mas quando tem a chance de provarem o que dizem, mijam para trás. Disso uma simples conclusão: com esses como prefeitos, o DAE não revelaria os nomes dos grandes devedores e continuaria privilegiando esses ricos devedores. E daí, o Giasone é sacrificado, jogado no rio de piranhas e devorado ao vivo e a cores. O presidente do DAE que contou algo sabidamente verdadeiro é destituído, a CEI é adiada numa clara tentativa de melar tudo, esfriar a questão e não abrir a caixa preta com os nomes dos tais devedores. E quem seriam esses? Para ter acontecido o que se sucedeu hoje, esses tais devem ter uma importância pra lá de imensa, daí crescem as especulações pelos tais nomes. Até quando essa proteção a quem mais prejudica as finanças dessa varonil cidade?”, continua Guardião.


E para finalizar, em forma de desafio, propõe para o ex-presidente da autarquia, até para que não saia da história como seu único vilão, que revele eles os tais nomes: “Isso mesmo, seu Giasone. Essa lista já corre de mão em mão, circula aqui e ali, toda a mídia já a conhece, mas não possuem o tal do saco roxo para divulga-la, daí se quiser, montamos um aparato de estar protegido pelos dignos representantes dessa cidade, próceres não envolvidos com os tais não pagadores de contas e numa coletiva popular, serem lançados seus nomes ao vento. Viveria em paz consigo mesmo para todo o sempre, com um excelente serviço prestado para a comunidade onde vive, ainda mais às vésperas do pleito eleitoral. O momento é esse, agora, amanhã já é tarde demais”, conclui nosso super-herói.

Obs.:Guardião é obra do artista do traço Leandro Gonçalez e com pitacos do escrevinhador HPA.

domingo, 11 de setembro de 2016

BEIRA DE ESTRADA (68)


O VEREADOR DA POUSADA DA ESPERANÇA ESCOLHEU O SEU LADO
A Pousada da Esperança, junto da Vila São Paulo é um dos bairros mais significativos da periferia na cidade de Bauru. Ali residem de fato parte considerável dos trabalhadores dessa cidade. Quando alguém busca entender o significado do termo “marginalizado”, esse bairro, localizado junto da rodovia entre Bauru e Arealva, também o que leva ao novo e até agora sem importância, novo aeroporto de Bauru é um dos que abrigam parte considerável desses. “Os marginalizados utilizam modalidades econômicas diferentes para subsistir e para sobreviver. A subsistência se baseia em um intercâmbio precário de mão de obra com o dinheiro. (...) Os marginalizados são como os caranguejos: realizam certas funções úteis dentro da composição urbana, se alimentam de suas sobras e vivem nos arredores mais distantes da cidade, física e economicamente falando. (...) Nos locais suburbanos, ali onde terminam os serviços e as facilidades que associamos normalmente com uma cidade moderna, vivem milhões de seres humanos a margem da sociedade dominante. (...) Quem são os marginalizados? Qual é o significado do fenômeno da marginalidade, pobreza e migração rural? Como sobrevivem os marginalizados? (...) O essencial na marginalidade é sua falta de vinculação e integração ao sistema econômico urbano-industrial. (...) Muitos marginalizados possuem um conhecimento muito superficial do resto da cidade onde residem, incluindo seu distrito central e nada mais”.

Esse texto entre aspas citado acima faz parte de minhas leituras habituais no momento, envolvido com minha tese de mestrado e estão no livro da mexicana Larissa de Lomnitz, o “Como sobrevivem os marginalizados”, sua tese e motivo de pesquisa realizada no início dos anos 70 em cidades periféricas daquele país. Fui me lembrar do texto que estou lendo e junto com nossa realidade na manhã do último sábado, 10/09, quando participei de um Ato do Fora Temer no Calçadão da Batista de Bauru. Quando vi surgindo e subindo o Calçadão os cabos eleitorais de um dos candidatos a prefeito de Bauru e junto deles um vereador, Natalino da Pousada,em seu segundo mandato e buscando ser reeleito mais uma vez, acabei me perguntando para mim mesmo: o que faz essa pessoa estar junto de uma candidatura que pouco ou nada tem a ver com os interesses da classe trabalhadora e, consequentemente com os dos moradores do lugar onde mora e está concentrado o maior número de seus eleitores?

Ele passou por nós, um grupo ali empunhando bandeiras contra o Golpe de Estado, gritando pelo Fora Temer, pelo restabelecimento da ultrajada democracia e clamando pela não perda dos direitos dos trabalhadores, tão duramente conquistados. Passou incólume como se nada disso lhe dissesse respeito. Nesse momento, confesso, parei e fixei meus olhos em sua pessoa. Baixou em mim uma baita de uma tristeza, dessa de não entender como se processam algumas coisas dentro do interior do ser humano. Se o citado vereador olhar para os lados de tantos que moram ao seu lado, deveria ao menos ser muito mais crítico com quem está no comando da campanha que ora está engajado. E não o faz, parece contente, todo pimpão, sorridente e até ciente dos descaminhos por onde trafega sua trajetória política. Agora mesmo não assina pedido de instalação de CEI na Câmara para desvendar quem seriam os grandes devedores de água na cidade, os que não pagam suas contas e não tem suas contas cortadas.

O marginalizado do texto da professora é também o invisível da sociedade, o ignorado ou, como apregoa um novo conceito desenvolvido pelo professor Ricardo Alexino Ferreira da USC, o sócio acêntrico. A forma e a denominação pouco importam nesse momento de reflexão, mas o sentido, o que fazem, onde estão inseridos e como são vistos, sim. Observo aquela região da cidade e enxergo ali uma transformação ao longo das últimas décadas. Ocorreram ali infindáveis melhorias na qualidade de vida da numerosa população ali residindo e até mais um núcleo residencial popular foi ali erguido. De totalmente marginalizados, como no passado, uma transformação evidente. Muito bom, mas sem perder a condição de periferia e de ter uma gana de necessidades e reivindicações, quase todas de choque profundo com quem defenda o neoliberalismo, por exemplo, como modelo de gestão e de vida. Daí, vi o Natalino, totalmente fora de foco, como se navegando num lugar onde não deveria ser sua praia.

Se formos estudar, dos motivos de alguns dos que conseguiram sair da situação de marginalizados e mesmo residindo ou gravitando junto aos seus, hoje apostam num outro discurso, prática oposta, isso daria pano para manga. Uso o vereador como um exemplo (outros tantos poderiam ser citados) e analisando o papel cumprido pelo mesmo em seus mandatos e hoje, o visualizado nas ruas, como algo não comum, mas a acontecer com certa frequência no contexto social propiciado pelo modelo econômico e social onde vivemos. E por que isso? Não vim aqui para fazer uma análise profunda, mas para colocar mais um pedrinha no caminho desses que optam por esse (des)caminho. A luta da classe trabalhadora, dentre ela a dos marginalizados e moradores de nossas periferias já é tão cheia de percalços e a vejo muito mais complicada quando alguns que poderiam ajudar sobremaneira na sua libertação, no esclarecimento necessário para entenderem de fato contra quem devem travar as batalhas numa vida toda, esses quando com possibilidades de fazê-lo se postam do lado contrário. Desse jeito e maneira a libertação torna-se mais e mais árdua, penosa e trabalhosa. Foi só uma constatação de percurso, continuemos pois o roteiro de nossas vidas, cada um ciente do papel a ser cumprido dentro de um script tacitamente traçado por nossas mentes e conjuntura.