sábado, 17 de junho de 2017

RETRATOS DE BAURU (202)


HAROLDO É POLÊMICO, SABE DISSO, SAI ÀS RUAS PARA CONVERSAR E CONTAR HISTÓRIAS
Escolhi fazer perfis aqui daqueles que não possuem holofotes sob seus corpos, nem antes, nem nunca. Abro exceções, hoje uma delas. Esse personagem aqui retratado vivenciou boa parte da história de Bauru não como gerente principal, mas como coadjuvante, sempre ao lado de importantes acontecimentos. Tem muita história para contar e hoje, ainda vivenciando um intenso tratamento médico, sai às ruas, tendo um dos lugares preferidos o comércio de um amigo, Júlio, famosa casa de rações na Baixada do Silvino. Frequento o lugar e sempre que o vejo, ele me puxa pelo braço com uma pergunta e dela, uma longa conversa. Percebo, ele quer mais e mais conversar, contar histórias, rever muita coisa ainda não muito bem explicada desta cidade dita como “sem limites”. Ele tem a sua versão dos fatos e das pessoas, ou seja, cada um tem a sua e ouvir a dele, faz parte de uma tentativa de reconstituir algo ainda sem muita explicação, ou seja, contada pela metade.

HAROLDO P. AMARAL é um distinto senhor, morador do jardim Bela Vista. Esteve ao lado de parte significativa de gente da história desta Bauru, os dos grupos de poder constituído e só por causa disso, tem muita coisa a revelar. Hoje me puxa pelo braço na saída de uma loja e pergunta assim como quer tudo: “Você conhecia o seu Oswaldo Penna, o da revista Cadência?”. Digo que sim e isso é motivo para, postados na esquina, travemos um papo de quase uma hora. Claro, o interesse era em muito mais do que o Penna e assim se sucedeu. Quando lhe conto que, anos atrás, o memorialista, seu Pelegrina, me disse: “Antes não podia contar tudo o que sei, pois as pessoas ainda estavam vivas, mas hoje elas já morreram e até seus sucessores”. Ele ri e me diz: “Isso é um problema, pois não vai ter mais quem rebata o que diga. Prefiro contar agora e envolvendo muita gente viva, essa turma que hoje frequenta o poder, mas o faz um tanto perdidos”. Ou seja, ele quer abrir a caixa de ferramentas e isso, para qualquer interessado em ouvir histórias, rever o passado é algo auspicioso. Quem saber algo dele, pois bem, não entro em detalhes do passado, pois muitos poderão comentar sobre ele a partir deste texto. Fico com o que publicou de forma jocosa em seu facebook:

“Trabalhou como Artista na empresa Artista, na Prefeitura Municipal de Bauru, como agueiro.......tanto light quanto diet......sempre ao dispor..... na empresa DAE – Departamento de Água e Esgoto de Bauru. Estudou aprender a viver honestamente, sem dependência politica na instituição Cursando Universidade da Vida. Estudou Vida Plena e Bem-Estar na instituição de ensino UATI – USAC Universidade Aberta a terceira Idade, também na Unesp, no Centro Universitário IESB e na instituição SENAC. Frequentou O Liceu Noroeste e mora em Bauru”. Casado com Cleide Moretti, hoje aposentado, se diz um livre pensador liberal, a defender a religião Católica e o neoliberalismo, mas enxerga ter o país chegado num limite, quase irreversível, sem volta. Sente falta de ares onde possa dialogar, daí sai de casa e se posta ali na loja do amigo, onde reencontra pessoas, discute, fala e também ouve. Busca rever sua história e quer opinar sobre o futuro. Posso discordar de muitas das ideias e propostas do seu Haroldo, mas não me furto de ouvi-las, assim como se põe a ouvir as minhas. Prefiro as pessoas dispostas a dialogar, ele permite isso, não é arrogante, mesmo inflexível em algumas opiniões. Com o passar dos anos, hoje algo mais lhe movimenta a vida, fazer parte do Foto Clube de Bauru, algo a prolongar sua vida. Já das conversas e revelações futuras, ficamos de sentar em breve, mas antes quer que pesquise sobre que fim levou a coleção quase completa da revista Cadência doada ao então Museu Histórico Municipal, hoje fechado e sem data de reabertura. Vamos começar os trabalhos em breve. Falemos dele, pitacos para ampliar a conversa neste sábado onde o sol resolveu dar as caras lá fora. Ele sabe que, ao colocar a face fora da toca está sujeito a chuvas e trovoadas, ou seja, que venha a boa discussão, ácida, dura, doída, porém sem altercações.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

MEMÓRIA ORAL (211)


MAIS BATÉS, POR FAVOR – FESTA DE SANTO ANTONIO NO DISTRITO DE TIBIRIÇÁ
Sou um emotivo. Escrevo na emoção e daí, das duas uma, ou esculacho com o que vi ou choro, me derreto em adjetivos elogiosos. Ontem isso votou a se suceder e confesso, saí lá da festa de Santo Antônio, a melhor que presenciei na vida, no distrito de Tibiriçá com uma baita vontade de tecer elogios mil para tudo o que ali presenciei. Pensei até em levar comigo um caderninho e ir anotando algo, pois a mente está pra lá de esquecida, mas até do tal caderninho eu acabei esquecendo.

Eu ando em bando. Se não sabiam, saibam desde já. Gosto de andar com gente a comungar das mesmas proximidades gostativas. Da turma toda, nem todos professam a mesma linha política, torce pelo mesmo time, gosta da mesma cor, possui a mesma marca de carro, está filiado no mesmo partido, curte a mesma rádio, ouve a mesma música, gosta do Caetano ou mesmo, do Lula. É uma rica e rara adversidade, algo hoje em dia meio que raro neste país, onde se o cara não for da mesma plumagem, não pode mais nem ser amigo. Resistimos numa turma pra lá de disforme, mas afunilando em algo mais doi que auspicioso, o respeito mútuo. Claro, que 90% é contra essa bestialidade golpista que se abateu sobre o Brasil e infelicita a vida de todos e os outros 10% estão em fase final de convencimento, pois só de andar conosco já estão mais do que contaminados.

Juntamos uns e fomos aproveitar o feriado de Corpus Christi em Tibiriçá, coisa de uns 20 km do centro de Bauru. Lotamos dois carros e mais uns três chegaram depois e se juntaram à trupe. O forrobodó se deu lá no reduto da família Baté, negros retintos e sérios festeiros, desses que sabem fazer a coisa, ou seja, quando fazem algo, fazem muito bem feito. Muitos como nós para lá se dirigiram ontem e foram se achegando a partir das 17h. Os Baté, ou a Família Cosmo são provenientes do meio quilombola e penaram para caramba para conseguirem se firmar. Passaram muita privação, fome mesmo e quando tudo começou a se estabilizar, começaram a reverenciar terem dado à volta por cima. Festeiros por natureza, rezam muito, trabalham também, mas sabem dar o breque em tudo e reverenciar as benesses recebidas.

E o fazem com várias festas ao longo de cada ano. Cada domingo lá na casa do patriarca é uma reunião diferente, onde todos vão se achegando. Conto uma rápida. Dentre tantas coisas, tocam um bloco de carnaval e em cada dia de ensaio, algo chama a atenção. Muitos vão se achegando de distantes lugares e ninguém vai embora de barriga vazia. Antes de cada ensaio terminar é levado para o centro da arruaça uma imensa e fumegante panela e lá algo para todos comerem. Num dia é uma galinhada, noutro sopa, feijoada, mandiocada e assim por diante. Todos se esbaldam. Aos domingos quem chega come no mesmo prato deles. São afáveis, mas não queiram também se aproveitar da hospitalidade, pois sabem muito bem dar um encosto nos aproveitadores.

Neste feriado, caindo numa quarta, uma tradição. O imenso quintal lá deles está todo cheio de barracas, um mastro deitado no chão, bandeiras enfeitam o quintal e o prenúncio de festa das boas. Na varanda da casa do patriarca, um altar e lá, antes de tudo a novena. Ninguém come, nem bebe sem antes ali rezar. Quem é de reza, reza, quem não, é fica papeando pelos cantos e quando tudo se acaba, neste ano, com um banner do velho Baté pregando junto do altar, idealizador disso tudo, falecido ano passado, começa a festa de fato. Os rojões pipocam no descampado defronte o lugar e enchem o céu de luminosidade. É o sinal para tudo começar e daí por diante, o deslumbre. Quem como eu nunca tinha vindo, chega para um deles e pergunta: “Mas como faço para ajudar, dar o meu quinhão, contribuir?”. Eles dão risada quando lhe questionam com algo dessa natureza e só dizem, como que em coro: “Aqui ninguém paga nada, tá tudo pago, coma, beba e se divirta”.

Existe uma explicação para tudo isso. Elas sempre existem. Venceram a fome e a miséria, agora unidos, a família toda se doa, cada um contribui com algo e todos trabalham juntos para a festa persistir e perdurar. É a retribuição encontrada para se dizerem felizes por terem conseguido superar as maiores adversidades. Saem em procissão, cantam e rezam em voz alta, alegres. O mastro é erguido e todas as velas que estavam nas mãos das pessoas são depositadas aos pés de Santo Antônio. Muitos socam o chão com um pilão, três vezes e fazem um pedido. Quem crê soca fundo, com fé e na fé seguem adiante. Daí, assim do nada tudo começa a ser servido, o quentão é levado para o meio da multidão e se fartam. Nas barracas tem milho, paçoca, leite com maisena e um caldinho de mandioca, que afirmam ser afrodisíaco. Não tem quem não entre nas filas, não se farte até se empanturrar. Num outro canto, cantoria de viola e sanfona.

Na simplicidade tudo é tão lindo que chega a doer. Eu, sou um contrito adorador dos Batés, gosto muito de suas festas e divulgo, escrevo quando me permitem, espalho a coisa aos quatro ventos. Não existe outra festa assim benemérita para quem lá estiver e não para entidades outras. A gratuidade é para quem ali se dispuser a sair de suas casa e aportar no quintal dos Batés. Para quem ali for com o devido respeito e sem ter que abrir a carteira pra nada. Num mundo cada vez mais individualista, festas como essas são cada dia mais raridade, pois como é que pode não se cobrar nada e não juntar nada, mas dar assim sem nada querer em troca? São visionários, lindos de doer, com gestos cheios de mensagens mais que profundas, daí vim aqui para conta história deles e me derreti todo, pois toda vez que aporto lá pelos de Tibiriçá, saio sempre repetindo para quem quiser ouvir: “Mais Batés, por favor...”. Sou adepto de festas desinteressadas, as mais interessantes.

Por essas e outras, continuo preferindo sempre e sempre as vicinais...
HPA

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (41)


RABISCOS DE HPA*
* Tento escrever um texto por semana à mão e ao juntar cinco irei reproduzindo aqui neste espaço. Eis os primeiros:

OBS.: Se os textos estiverem pequenos para sua leitura, cliquem em cima deles e crescerão diante de seus olhos, facilitando tudo. Nem se faz uso de lupas...

quarta-feira, 14 de junho de 2017

BAURU POR AÍ (140)


QUANDO ME FALTA TEMPO, GILETEIO CONTUNDENTES TEXTOS DE DILETOS AMIGOS

1.) FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO, POR ROQUE FERREIRA
Causou muita repercussão na cidade de Bauru, a publicação no Diário Oficial do Município a aposentadoria do Deputado Estadual Pedro Tobias como servidor público municipal. Os servidores públicos em Bauru tem regime próprio que é a FUNPREV (Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais), que é diferente do Regime Geral de Previdência Social (INSS).

Pedro Tobias é deputado estadual há 16 anos, e uma grande parcela população desconhecia que o mesmo era servidor público municipal. O que precisa ser explicado é se neste período o deputado tirou licença sem remuneração do município para exercer suas atividades na Assembléia Legislativa. Também é necessário saber se durante este período o mesmo esteve de licença sem remuneração, e mesmo assim recolheu sua parte e a parte patronal para a FUNPREV, como faz todo servidor publico municipal.

Sempre é bom lembrar, que uma grande parte dos servidores públicos possui o beneficio da paridade salarial, que é o direito de quando se aposentarem receberem os mesmos valores como se na ativa estivessem. O deputado Pedro Tobias do PSDB que dá sustentação ao governo Temer, é um dos ferrenhos defensores da reforma da previdência que retira direitos dos trabalhadores públicos e privados. Só uma coisa ainda me intriga. Em qual unidade de saúde do município trabalhava o deputado?

2.) PORQUE SAI DA CANAL MAIS FM, POR TIÃO CAMARGO
Eu trabalhei por muitos anos em rádios comerciais, principalmente na Bauru Rádio Clube, onde, durante 18 anos, fui apresentador do programa Saudade Sertaneja. Nunca tive o radialismo como minha principal atividade, mas sempre levei tudo muito a sério. Acontece que numa rádio comercial temos que nos preocupar com o faturamento do programa; se não der resultado, sai do ar; além de não ter muita liberdade de expressão. Liberdade de imprensa, existe, com algumas raríssimas exceções, para o dono da mídia. Então, em 1992, entrei na briga por uma rádio livre, que, em 1998, foi regulamente como Rádio Comunitária. Tive dois processo arquivados pelo Ministério das Comunicações, mas nunca desisti. Em 2002, criei a Associação Rádio Comunitária de Bauru e entrei com um novo pedido. Esperei por 14 anos e, finalmente, fizemos uma parceria com a Associação de Ação e Participação Comunitária do Parque Jaraguá e, juntos, conseguimos a outorga para colocar a Rádio no ar. Isso aconteceu em agostos de 2016. Mas, tudo que eu sempre sonhei em fazer numa rádio comunitária, como não me preocupar com anunciantes, com audiência, com patrão, foi pelo ralo. Tentei colocar um jornalismo voltado para educação e formação das pessoas, tentei fazer programas musicais de diversos gêneros, tentei um programa de entrevistas com autoridades locais com participação dos ouvintes, tentei programa esportivo, mas, tem gente se achando o dono da rádio, como uma programação quase que exclusiva com sertanejo universitário, como uma gestão financeira, exatamente, como se fosse uma rádio comercial. Atualmente faço parte do Conselho Comunitário da Rádio, mas, as demais pessoas do Conselho, não passam de Laranjas. Como diz o velho ditado "Os incomodados que se mudem", estou me mudando e saindo também do Conselho, mas estejam certos, vou continuar na luta para que a Canal FM seja, de fato, uma Rádio Comunitária.

terça-feira, 13 de junho de 2017

OS QUE SOBRARAM e OS QUE FAZEM FALTA (100)


COLUNISTA FERNANDO PINHO NUNCA DEVE TER OUVIDO FALAR EM PAULO FREIRE
A rádio bauruense Auriverde, 760 AM, termina a parte da tarde, pouco antes da entrada ao ar da Voz do Brasil, com um programa de cunho jornalístico de uma só via, onde apresenta colunistas dentro da linha de pensamento capitaneada pelo hoje diretor Alexandre Pittolli, não possibilitando discussões de outra linhagem política. Dia desses, um desses colunistas a se revezarem todo dia, ouço Fernando Pinho, se dizendo consultor para “Conjuntura e Mercado”, ou seja, segundo sua concepção não existe saída fora do que rege as tais leis estabelecidas pelo mercado e pelo cruel “deus dinheiro”. Sei que, ouve a rádio quem quer e se assim agem, continuando com a postura atual, devem ter audiência para tanto. Como nada mais no resta em Bauru em outros dials, ouço e desta forma, faço a crítica abaixo, na qualidade de ouvinte.

Estava ele confabulando com o plantonista do horário e num certo momento, desiludido com os destinos da nação, diferente do que sugere sua cabeça, soltou algo assim: “O país está assim muito pela forma como votam. Existem no país uns que nada entendem, não são nada cultos e mesmo assim votam e seu voto é válido”. Falou mais e por fim passou a ideia de que, somente aos ditos cultos deveriam ser concedido o direito do voto, aos demais, sobreviver e nada mais.
Esse é o Pinho...

Comento me baseando no que conheço de um grandioso pesquisador e ainda pouco difundido em sua própria terra, o educador Paulo Freire. Educação, cultura, política e tudo o mais (inclusive a Economia) nunca deve se dar somente por uma práxis e quando assim ocorre, uma deformidade. Impossível falar de Paulo Freire sem ter lido sua obra. Eu li, descrevo algo e comparo com a linha de pensamento de gente como o tal Pinho. O diálogo sempre se dá e assim o entendo, numa relação sujeito/sujeito e não sujeito/objeto, ou seja, falar e ouvir. Mais que isso, não se deve encarar o semelhante como objeto e sim, como sujeito. No discurso do ódio não existe comunicação, ela é interrompida e só de uma via, mão única, sem possibilidade do outro falar, participar, atuar...

O que vejo no discurso de gente como o Pinho é muito simples. É a substituição da ideia de massa, pela ideia pessoal, ela deve prevalecer, sempre e sempre. Gente assim não entende como pode ser contrariado, como ele com tanto estudo pode ser contrariado por alguém com pouco ou sem nenhum estudo. Para Paulo Freire não existe diálogo com pensar crítico de A + B e sim, de A e B, sempre um respeitando e dando valor ao outro. O sujeito hoje é moldado para não atuar mais coletivamente, mas pelo individual. Ou seja, a minha comunicação sempre é melhor que a do outro. Se eu falo mais bonito que você, com certeza a minha opinião é mais abalizada que a sua. Ou seja, a sua não vale nada diante da minha. Querer condicionar tudo segundo a sua própria conveniência é, em princípio, não respeitar o semelhante. Para Freire, mesmo sabendo mais, o professor não é o melhor. Deve saber ouvir e compartilhar, dividir conhecimento, somar e não excluir.

Cada vez mais se deve abominar o ter opinião formada sobre tudo. Ter opinião não é o problema, ruim é ter uma engessada opinião, uma acima de tudo. A transformação da sociedade é um longo processo social. A sociedade não é neutra e a sabedoria é não desmerecer o outro. Quando se enxerga aproveitamentos no conteúdo apresentado pelo outro, tudo avança mais democraticamente. Quando se olha para outro como o ruim e para a própria face (haja espelho) como o certo, não existe respeito. Não se faz necessário ser neutro, pois ninguém o é, mas é importante ser transparente. Estudar Paulo Freire é buscar algo emancipador para o ser humano, enfim, por que o tempo todo eu tenho que manter a mesma opinião?

Para encerrar, proponho levar um livrinho de Paulo Freire para o tal do Fernando Pinho, se ele aceitar, já será um começo, pois nem eu, nem tu, nem o rabo do tatu somos os donos da verdade. Basta de Economia e economistas desumanizados!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

AMIGOS DO PEITO (134)


DOIS RELATOS QUASE SEM RELAÇÃO, MAS MUITO RELACIONADOS

1.) EU GOSTEI DA FESTA NOS ARES DE BAURU, FUI VER DE PERTO, MAS...
Foto da professora e fotógrafa Loriza Lacerda, varanda de sua casa.
Gostar é uma coisa. Gostei do que vi, um belo congraçamento no ar, cores e muita gente, muita gente mesmo. Uma entrada precária, um só lugar, tudo afunilado e no confronto de quem queria entrar e quem queria sair, confusão. Lá dentro, possibilidades variadas de todos tomarem conhecimento do interior do Aeroclube bauruense e da importância em sua manutenção e NUNCA deixarem uns poucos, os ligados à especulação imobiliária derrubar aquilo tudo para levantar ali arranha-céus. Enfim, esse aeroporto tem a cara e a marca bauruense. Toda a estrutura de madeira dos galpões é obra maravilhosa de ferroviários, uma categoria que precisa sempre ser enaltecida nesta cidade também aérea.

E vai meu questionamento. Foi tudo lindo, mas a festa é PRIVADA. Estou certo ou errado? Ela pode ter apoios, mas tem a chancela da empresa do Marcos Pontes, o astronauta e do Jornal da Cidade, nosso único e resistente diário impresso. Os dois são os carro-chefes do evento. Fizeram uma bela festa, privada e sem problema nenhum se o fizeram para auferir lucros. Até aí, rudo bem, perfeito, sem neuras. Daí, vejo também lá a Prefeitura Municipal montando o imenso palco no lugar e disponibilizando shows artísticos a todo instante, no sábado e domingo. Foram ótimos e preencheram junto dos demais, propiciando um belo espetáculo. Minha pergunta que não quer calar é só uma e se estiver errado, quero ser confrontado e que desponte o debate e me convençam do contrário: Sendo um evento particular, com gente auferindo lucro, por que a presença da Prefeitura e da Cultura local? Quero entender: A Prefeitura entrou com todo esse aparato num evento particular? Foi isso? Por que não os próprios organizadores não o fizeram e teve que ser o poder público, com dinheiro público? Tudo bem ser festa para a população de Bauru, estava ótima e bombou, mas abre precedentes perigosos. Estou errado? Se é festa pública, sem ninguém auferir lucros, cabe e é o papel do poder público estar presente, do contrário, perigoso demais, pois outros farão pedidos similares junto ao órgão público e na resposta negativa, poderão querer se utilizar até do argumento: "Mas, lá foi concedido, por que não para mim?". Vi no local ponto de arrecadação de alimentos, que com certeza, deve ser encaminhado para entidades assistenciais da cidade, mas isso, por si só, não justifica o investimento em evento particular. Ou não é particular e estou enganado? Ou ninguém ali está tendo lucro e também estou enganado? Ou é público e eu é que não enxerguei isso? Ou até, se os lucros também foram divididos e ela teve sua parte, empregada para pagar suas despesas com contratação de palco e afins? Faltou explicar e explicitar essa parte.

Fica o registro. Vale o debate de ideias.

2.) QUEM NÃO GOSTA DE CARINHO? O DINHO ME CHAMEGOU HOJE...
Fui almoçar na maior correria, num lugar que adoro aqui perto de casa, comidinha das mais simples, gasto perto de uns R$ 10, por quilo, hoje com um virado a paulista em drops, ou seja, aos poucos, que juntado, dá o tal virado. Os donos do lugar são uns amores e ainda escrevo deles. Já me chamam pelo nome e ainda ouço um conselho da dona, a simpatia em pessoa: “O sr come muito rápido, seu Henrique. Assim faz mal, venha com mais tempo”. Pago meus R$ 10 e volto pra correria, tanto na hora da comida, como no pega diário.

Hoje quem estava lá era o Dinho, um velho conhecido, professor de Letras e sem cátedra, hoje na verdade, sem eira e nem beira. Desde que, pediu desligamento do serviço público por incompatibilidade com a forma como era tratado dentro das hostes estaduais no Magistério, encontra-se desempregado, morando com a mãe e o irmão, o taxista Antonio Carlos Antonini, lá nos altos da rua Inconfidência, pouco acima do Albergue. Pois bem, o Dinho, José Henrique Antonini, beirando os 60 está desempregado e continua pagando a Previdência Privada, não se sabe nem como, pois acha que não vai se aposentar nunca mais.

Entro lá no restaurante e vejo o Dinho. Pego minha comidinha e ele se senta junto de mim, enquanto aguarda a moça aprontar uma comida para ele levar pra sua casa. Falamos de Previdência, de Temer, do PT, do Magistério, do Alckmin, do Lula, da Lava Jato, do golpe e de mim. Sim, o que me leva a escrever isso tudo foi a fala dele para me encorajar: “Henrique, não se avexe com os caras que não gostam do que você escreve, pois eu gosto muito, leio tudo e sei que tem razão. Continue batendo doído nesses caras, pois são poucos os com coragem de enfrentar essas bestas feras. Eu lembro, você dizia desde o começo que, se o Lula e Dilma tinham culpa, a dos que estavam tirando ela do Governo eram muito piores. Hoje, taí a prova, veja o país como está. Não sei como esses ainda continuam tendo coragem de apoiar isso tudo que estão fazendo com a gente. Não arrede pé, tasque a moleira neles, pois assim como eu, sei que muita gente precisa de escritos assim para continuar tendo coragem de lutar e de enfrentar os que desgraçaram com o país”.

Eu quase chorei. Chego em casa e vou procurar o que já havia escrito do Dinho. Achei e republico aqui, para vocês relembrarem comigo desse cara, uma grande pessoa humana, bauruense como eu, lutador como a maioria de nós e contra esses golpistas, como os lúcidos o são. O Dinho me fez ganhar o dia.

O que escrevi dele:
“JOSÉ HENRIQUE É A PUREZA EM FORMA DE PESSOA
Sim, eu acredito e muito nas pessoas puras, desprovidas de qualquer maldade, simples por natureza e só por isso, encantadoras. Quando me deparo com uma, não existe como não dar-lhes a devida atenção. São as tais pessoas que não conseguem, mesmo que queiram produzir maldades. Até por serem do jeito que são, sofrem em demasia, pois dentro de um mundo recheado de muita maldade, maledicência, o tal do cobra comendo cobra, alguns se aproveitam de sua situação e daí o padecimento nas mãos dos ditos espertos. Vendo como vivem alguns puros, vejo como o mundo poderia ser diferente se tudo fosse simplificado. Eis aqui uma pessoa pura.

JOSÉ HENRIQUE ANTONINI é professor e de Língua Portuguesa, justamente a que auxilia o outro a conhecer mais e mais a sua língua. Ser professor da Rede Pública Estadual hoje, todos sabem, não é tarefa das mais fáceis. Penosa, mas para alguns um bocadinho mais. Conseguir se fixar perto de sua morada, algo cada vez mais difícil. Zé Henrique acabou tendo que ir dar aula na região de Campinas. Na sua pureza, penou na mão de segmentos variados, desde dirigentes de ensino a alunos. Pediu exoneração e voltou para Bauru para não adoecer mais, onde hoje tenta continuar conseguindo aulas, algumas aqui, outras ali. Tudo esporádico, sem fixação, mas com sensível melhora na saúde. Está em casa, perto dos seus, morando ali na rua Inconfidência, no seu último quarteirão, fundos com o novo shopping, ele, a mãe e um irmão. 58 anos, cabelos brancos, voz pausada, calmo até demais, tenta buscar forças para não desistir. E desistir como? Não existe isso. Sua história da sequência de fatos ocorridos em sala de aula é entristecedora. Ele não consegue agir igual ao imposto pelo hoje dito senso comum. Sua forma de ação, de vida é outra. Na pureza de como acredita deveria ser o ensino, como deveriam ser as relações humanas, principalmente entre professor e aluno, ele não consegue se embrutecer, nem perder a ternura e a pureza. Mas como continuar sendo muito puro num mundo onde a rudeza é o que predomina? Daí o confronto e os desencontros.”
, publicado no blog do Mafuádo HPA e meu facebook em 22.04.2015.

HPA, muito do alegrinho com seus muitos amigos e amigas.

domingo, 11 de junho de 2017

RETRATOS DE BAURU (201)


ENSAIO DOMINICAL - A BANCA DO CARIOCA, LIVROS, CDs, LPs E AS ESCOLHAS INDIVIDUAIS

Enfim, o que te interessa na Banca do Carioca? O que te traz até aqui? Por que está parado diante desta banca e a demonstrar interesse por algo?
Tinha isso em mente e em pouco mais de uma hora de banca, das 11h30 às 12h30, fotografei os que por lá aportaram e se interessaram por vasculhar, olhar, xeretar, pegar na mão, ver, fuçar, indicar e é claro, comprar algo da banca mais charmosa e cultural da Feira do Rolo, a do Carioca, uma especializada em livros, Cds, Lps e generalidades de pequena monta. Gostei tanto da ideia, que não penso mais em parar e já idealizo uma exposição para abarcar as fotos dos frequentadores da feira e interessados nos produtos culturais da Banca do Carioca. Será que o TemploBar Bauru não se interessaria em abrigar essa minha tentativa de fotografar gente pelas ruas e nos mais diferentes lugares? Um domingo assim, frio pela manhã e depois um calorzinho mais que ótimo para se colocar o bloco na rua, com esse pessoal saindo de casa, circulando pela mais movimentada feira da cidade de Bauru e aquela descida até os confins da mesma, atrás de livros, leituras, músicas, conversa fiada e gente é mesmo muito instigante. Muito grato aos que se deixaram fotografar. Quero mais...

Obs.: Tirei exatas 24 fotos hoje e publico dez, escolhidas meios a esmo, pois todas são valiosas. Optei por publicar a de pessoas que saem pouco nas minhas publicações, alguns para mim ainda anônimos. Cinco homens e cinco mulheres, também cinco livros e cinco peças musicais.