segunda-feira, 16 de outubro de 2017
PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (104)
TRÊS TEXTOS FACEBOOKIANOS COM ÁCIDOS COMENTÁRIOS – TUDO ISSO BAURU: SERIA MESMO POSSÍVEL?
A - IMPUNIDADE: DESTE O CASO MARA LÚCIA ATÉ OS DIAS ATUAIS
“Uma das impunidades mais vergonhosa de Bauru foi o assassinato da menina Mara Lucia Vieria, 9 anos, cujo corpo foi encontrado no dia 15 de novembro de 1970 e que demonstrou que a criança foi morta após ser estuprada no banheiro de uma casa desabitada na rua professor José Ranieri, 8-61. O caso teve repercussão nacional, expulsão de um Policial Militar que tentou incriminar um dos principais suspeitos e vinda do famoso repórter policial da época, o Saulo Gomes, para Bauru com a missão de elucidar o caso. Embora ninguém tenho sido preso, a população sabia que o autor ou autores do brutal assassinato era de família de gente importante na cidade e o caso foi vergonhosamente abafado pela Polícia e Autoridades bauruenses.
Estamos recordando este rumoroso caso para lembrarmos que passados 47 anos da impunidade da brutal morte da pequena Mara Lúcia, pouco mudou em Bauru.
Só que atualmente essa Impunidade se materializa em 'SIGILOS', silêncio e cumplicidade. Não precisamos ir longe: aqueles que desviaram milhões do Hospital de Base e por causa disso mataram centenas de pacientes do SUS, tiveram o privilégio de serem condenados em liberdade pela Justiça Federal de Bauru. E agora o Processo caminha para a Prescrição e a Impunidade ao estar engavetado e mofando no Tribunal Regional Federal. E temos também em andamento o 'Escândalo da Seplan' que embora envolva o erário público está sob absoluto sigilo. Talvez pelo fato de terem sido citados empresários, vereadores, cartorários, secretários municipais e funcionários. E poderia citar vários outros casos( um deles foi a inexistente "reforma" da Praça Rui Barbosa ) de que termina em silêncio, cumplicidade e impunidade.
Mas somos incansáveis e continuaremos cobrando e publicando. A verdade e a Justiça um dia terá que prevalecer !”, Pedro Valentim (vejam o link: https://www.facebook.com/pedrovalentim.valentim/posts/1940637822616536?pnref=story).
B - ORGANIZAÇÕES SOCAIS NO SERVIÇO PÚBLICO
“São centenas de exemplos de corrupção, roubo, desvio de remédios, de recursos públicos, caixa 2. No Estado de São Paulo esta praga esta alastrada. É isso que o Prefeito Gazzetta (PSD), Deputado Pedro Tobias (PSDB) e o Líder do prefeito vereador Marcos de Souza (PP) querem implantar em Bauru. Vejam matéria no JC edição de hoje (15/10/2017). https://www.jcnet.com.br/…/gazzetta-garante-regras-rigidas-… Em tempo: Há quantas andam os processos da Operação Odontoma da PF que investigou fraudes na Associação Hospitalar de Bauru? http://g1.globo.com/…/justica-federal-condena-5-pessoas-pel… Quais pessoas e quais grupos políticos tinham influencia na AHB? Sempre é importante ficar atento a história. O preço pago para pela população em razão do desmonte da AHB via corrupção e roubos, foi a precarização no atendimento hospitalar o que concorreu para a morte de muitas pessoas. É um crime esta proposta do prefeito Gazzetta e de todos os seus aliados e partidos que lhe dão sustentação o governo e na Câmara. "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa". Karl Marx.”, Roque Ferreira (vejam o link: https://www.facebook.com/roque.ferreira.988/posts/1687729207912504?pnref=story).
C – AMEAÇAS E INTIMIDAÇÕES – SERÁ???
“Era só o que faltava no desgoverno Gazzetta...... Servidores estão sendo ameaçados se utilizar as redes sociais para comentar ou denunciar algo sobre o governo municipal!!!!!!
Estão utilizando a Escola de Governo, criada para capacitar servidores, com tal curso sobre uso das redes sociais, intimidado a encaminhar para corregedoria os que utilizarem para expor suas opiniões.”, João Mello (vejam o link: https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1762014894102197&id=100008811103374).
COMENTÁRIO FINAL DESTE HPA – Não existe vergonha maior para Bauru do que essa omissão da Justiça paulista em punir exemplarmente quem lesou a Saúde Municipal e todos os necessitados pacientes, no dito escândalo da AHB. Dentre esses, muitos figurões importantes desta aldeia e um capo, o chefe de tudo, ainda com identificação um tanto indefinida. Quem seria e por que não se punem esses? Teriam poderes ilimitados, tipo as do Aécio Neves? No caso dos funcionários da Seplan, algo mais que suspeito. A cidade nem sabe direito o que se sucedeu, muito menos os nomes dos envolvidos. Por que esse sigilo de Justiça? Que interesses estariam por detrás dessa demora e não divulgação de nomes? Algo de muito insano nessa proposta da Prefeitura Municipal de Bauru, encabeçada pelo atual prefeito, Clodoaldo Gazzetta de contratar funcionários de forma precarizada, ao referendar o baú de maldades preconizado pelos golpistas no poder. Cobre um santo, descobrindo outro. Gazzetta não está à frente de um governo popular, mas ao se antecipar e implementar já, algo aprovado por esse insano Congresso Nacional (um dos piores de nossa história), joga na lata do lixo toda possibilidade de respeito ao servidor municipal. Se as novas leis nem bem estão implantadas e ele já age assim, acatando-as cegamente, imaginemos o que vem pela frente. E por último, algo que ainda não entendi e precisaria de mais detalhes para construir uma reação à altura. Que negócio é esse de retaliação, pressão, política do medo para comentários de funcionários pelas redes sociais sobre variadas questões? Macartismo Gazzetiano. Não quero crer seja verdade. Alguém poderia e deveria explicar isso tudo pelo bem da civilidade nesta aldeia bauruense, ainda com algum crédito na algibeira. Ou já caímos no descrédito geral?
domingo, 15 de outubro de 2017
OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (104)
PROFESSOR SUBSTITUTO NA UNESP – EIS A REALIDADE DOS FATOS, VIVA O DIA DOS PROFESSORES, 15/10* *O diálogo aqui registrado é ficcional, porém real. Foi feito de uma forma a não possibilitar a identificação do personagem, mas ele existe, é de carne e osso, assim como a crueldade do sistema é a em voga nos tempos atuais, insana e impiedosa com tudo, todas e todos. Fazendo uma reflexão sobre tudo isto, olhamos para as tais "comemorações" do Dia do Professor com as esperanças de dias melhores na sarjeta:
- Então você passou no concurso e veio morar aqui no interior? Mas me diga, como foi essa experiência, ser professor da UNESP?
- Sim, vim morar no interior, me interessei pelo concurso de Professor Substituto, prestei e passei e cá estou. Queria muito prestar um concurso para professor fixo, mas eles hoje não mais existem, foram praticamente abolidos pelo atual governador, o Geraldo Alckmin.
- Então você não tem mais garantia nenhuma. Dá aula por um período e depois é descartado assim do nada. Acabou o contrato, tchau?
- Sim, isso mesmo. Não existe mais em nenhum campus da Unesp a figura do professor concursado. Todas as vagas estão sendo preenchidas por substitutos. A média salarial é mais da metade do concursado e não existe vínculo empregatício. Fui contratado por R$ 2.500 reais mês, tenho as mesmas obrigações de um concursado, porém ganho muito menos. Tive que aceitar, pois ganhava pouco mais em São Paulo, fazia outros bicos, mas meus gastos eram grandes, aqui bem menos.
- E como foi essa mudança para o interior?
- Foi. Vim, a grana acabou rapidamente e se não tivesse sido acolhido pelos alunos, não teria condições de sobreviver. Fui abrigado numa república, quando esses vendo minha situação me recolheram e ali fiquei até ver se conseguia me estabilizar. Fui sem nenhum problema, mas o pessoal ligado à Secretaria Estadual de Educação não estão nem aí para isso. Fingem que não é com eles. Passado algum tempo, consegui fazer diferente. Hoje, continuo morando numa república de estudantes, com quatro pessoas, duas mulheres e dois homens, um deles eu. Já consigo dividir as despesas e pagar pela estadia e não me sobra nada além disso, quer dizer, sobrevivo.
- E mesmo assim gasta menos que em São Paulo?
- Tenho que te confessar que, se ainda em São Paulo, não conseguiria fazer a ginástica feita aqui. Parte considerável iria para locomoção, além do tempo dispendido. Aqui, a grande vantagem é que tudo acaba sendo muito perto. Mesmo nas distâncias médias, acabo indo a pé, o bar é perto, a faculdade é perto e o centro comercial idem. Como gasto bem menos que lá, posso dizer, apesar da precariedade que, estou em melhor situação que meus colegas paulistanos.
- E tudo isso graças ao apoio dos estudantes?
- Sim, eles foram primordiais para que conseguisse estar no lugar onde me encontro. Não sei mais quanto tempo conseguirei ficar por aqui. Criei um vínculo interessante com ao alunos, mas isso pode ser rompido ao final do contrato e eu não passar na próxima chamada de temporário. Tenho feito um trabalho intenso com grupos de estudantes, algo que teria vida longa, mas não sei até onde irá. Não consigo fazer meia boca, dou o melhor de mim, mas quem nos contrata não tem a menor sensibilidade para com essa situação.
- Tudo se precarizou, não é?
- Chegamos num situação mais do que de pré-falência, pois enxergo a Educação paulista e brasileira numa rota sem volta, cada vez se afundando mais. Eu, com que ganho não consigo recolher para a Previdência, pois mal dá para minhas despesas. Já vivo com um déficit mensal, que só se acumula. No campus onde atuo a verba para gastos mensais necessários já terminou meses atrás e falta até papel higiênico nos banheiros. Os professores ainda concursados estão em vias de extinção, pois a cada vaga perdida, por aposentadoria ou qualquer outro motivo é preenchida pelo substituto e esse não mais possuí nenhum vínculo empregatício de fato com a universidade. Por mais que a gente se esforce, por mais que insista em me preparar e trazer para a classe de aula algo bem fundamentado, impossível a situação vivida por todos não influenciar na qualidade do ensino.
- E por que continua?
- Você ainda não sacou que é somente isso que nos resta nos tempos atuais. Esses que aí estão no poder possuem essa mentalidade e a aplicam em tudo. Estado Mínimo é isso, minguar as condições e favorecer a chegada do pior. Que outras opções tenho? É pegar ou largar e daí ser mais uma estatística no índice dos desempregados. Se não faço um concurso como esse, para cargo temporário, salário reduzido, garantias trabalhistas quase suprimidas, não teria nem mais condições de dar aulas. Diante de tudo o que vejo acontecendo por aí, isso de conseguir uma vaga numa república estudantil, gente que entendeu meu problema e me acolheu, creio me encontrar em situação privilegiada diante de tantas histórias que ouço de colegas padecendo muito mais. Com gente como Alckmin e Temer no poder, a tendência é piorar e piorar, talvez daqui alguns anos nem isso que me é oferecido o será mais.
- E mesmo assim gasta menos que em São Paulo?
- Tenho que te confessar que, se ainda em São Paulo, não conseguiria fazer a ginástica feita aqui. Parte considerável iria para locomoção, além do tempo dispendido. Aqui, a grande vantagem é que tudo acaba sendo muito perto. Mesmo nas distâncias médias, acabo indo a pé, o bar é perto, a faculdade é perto e o centro comercial idem. Como gasto bem menos que lá, posso dizer, apesar da precariedade que, estou em melhor situação que meus colegas paulistanos.
- E tudo isso graças ao apoio dos estudantes?
- Sim, eles foram primordiais para que conseguisse estar no lugar onde me encontro. Não sei mais quanto tempo conseguirei ficar por aqui. Criei um vínculo interessante com ao alunos, mas isso pode ser rompido ao final do contrato e eu não passar na próxima chamada de temporário. Tenho feito um trabalho intenso com grupos de estudantes, algo que teria vida longa, mas não sei até onde irá. Não consigo fazer meia boca, dou o melhor de mim, mas quem nos contrata não tem a menor sensibilidade para com essa situação.
- Tudo se precarizou, não é?
- Chegamos num situação mais do que de pré-falência, pois enxergo a Educação paulista e brasileira numa rota sem volta, cada vez se afundando mais. Eu, com que ganho não consigo recolher para a Previdência, pois mal dá para minhas despesas. Já vivo com um déficit mensal, que só se acumula. No campus onde atuo a verba para gastos mensais necessários já terminou meses atrás e falta até papel higiênico nos banheiros. Os professores ainda concursados estão em vias de extinção, pois a cada vaga perdida, por aposentadoria ou qualquer outro motivo é preenchida pelo substituto e esse não mais possuí nenhum vínculo empregatício de fato com a universidade. Por mais que a gente se esforce, por mais que insista em me preparar e trazer para a classe de aula algo bem fundamentado, impossível a situação vivida por todos não influenciar na qualidade do ensino.
- E por que continua?
- Você ainda não sacou que é somente isso que nos resta nos tempos atuais. Esses que aí estão no poder possuem essa mentalidade e a aplicam em tudo. Estado Mínimo é isso, minguar as condições e favorecer a chegada do pior. Que outras opções tenho? É pegar ou largar e daí ser mais uma estatística no índice dos desempregados. Se não faço um concurso como esse, para cargo temporário, salário reduzido, garantias trabalhistas quase suprimidas, não teria nem mais condições de dar aulas. Diante de tudo o que vejo acontecendo por aí, isso de conseguir uma vaga numa república estudantil, gente que entendeu meu problema e me acolheu, creio me encontrar em situação privilegiada diante de tantas histórias que ouço de colegas padecendo muito mais. Com gente como Alckmin e Temer no poder, a tendência é piorar e piorar, talvez daqui alguns anos nem isso que me é oferecido o será mais.
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
MEMÓRIA ORAL (217)
“MODA É CONTAR HISTÓRIA, A SUA HISTÓRIA” - O DESFILE INCLUSIVO DE JOÃO PIMENTA EM BAURU E A IDEIA DE ALGO JUNTO COM OS ASSENTADOS SOCIAIS
Vamos por partes. Primeiro a realização de um Colóquio de Moda, desta vez em Bauru, em sua 13ª edição. Sob a direção da professora da área de Design de Moda, Monica Moura, após árdua batalha, eis o mesmo adentrando o campus da Unesp Bauru e de 12 a 15 de outubro, algo mais a ocorrer nas hostes desta cidade, dentro de um prolongado feriado. O calor resolveu dar as caras de vez justamente por esses dias e a única reclamação ouvida dentre os congressistas é sobre o implacável abafado da cidade. “Mas até ontem tínhamos chuva, semana passada até blusa usamos”, foi uma das justificativas ditas pelos locais.
O palco principal do evento é o Guilhermão, como é chamado o confortável Centro de Convenções da Unesp, um local amplo, arejado e por ter aberturas laterais imensas, por ali adentra um vento reconfortante. Dentre todas as atividades programadas para ocorrer, uma chamou a atenção. Semana passada ocorre uma convocatória para reunir interessados em participar de um desfile de moda inclusiva, com peças do estilista João Pimenta. No texto isso: “Nos dias 12/10 o Colóquio de Moda contará com um Desfile Inclusivo (sem distinção de altura, peso, idade, raça, gênero social e outros) de um dos maiores designers de moda contemporâneo brasileiro da última geração, João Pimenta. Serão escolhidos 40 pessoas entre cidadãos bauruenses e alunos da Unesp-FAAC para realização do desfile”.
Segundo, para quem nunca ouviu falar, não é do ramo da moda, nada melhor do que algo sobre tão reverenciada pessoa. “João Pimenta começou a sua história no mundo da moda brasileira assim que saiu de Minas Gerais e chegou em São Paulo, no ano de 1987. Hoje, ele é um dos principais nomes da moda masculina e sustentável. João Pimenta deixou de lado o trabalho de lavrador no interior e se transformou em um dos maiores estilistas brasileiros. Isso tudo sem abrir mão do seu passado, que é uma característica principal em todas as suas coleções. Ele mudou para São Paulo na tentativa de se tornar ator, mas precisou se entregar para os tecidos em uma confecção no bairro do Bom Retiro, pois precisava se sustentar. Foi assim que percebeu seu talento para a costura, corte e modelagem. O passado de João, que gira em torno dos temas religiosos, folclóricos, artesanais e culturais dos povos brasileiros, fez com que o artista utilizasse materiais irreverentes em suas criações.”, informações do Passarela Blog, agosto 2017.
Pois bem, João aceitou o convite de trazer parte do seu trabalho para Bauru e quando soube que os inscritos eram 59, não pensou duas vezes e disse que traria roupas para todos desfilarem. Chegou o dia da apresentação, ele já na cidade um dia antes, com uma van lotada de suas roupas. Foi vendo a foto dos inscritos e fazendo adaptações para encaixe no perfil de cada um. Quando conheceu a gare da Estação da NOB de Bauru, foi motivado por outra paixão, acabou arrebatado pelo transmitido pela edificação. Ao lado de Sivaldo Camargo, diretor da Cia Estável de Dança que o ciceroneou pela cidade e logo se tornaram amigos, conheceu um pouco da realidade onde atuaria. “Ele me deixou muito a vontade, adorou a estação e a proposta de desfile ampliado, coletivo. Nos demos tão bem que, acabou me convidando para ser o produtor do desfile. Aceitei e o ajudei em todos os detalhes. Ele quer saber de detalhes da cidade antes da tomada de qualquer decisão.”, conta Sivaldo.
Chega o grande dia e as pessoas começam a aparecer, o público enche o local, muito antes dos convidados do Colóquio e quando esses chegam, tiveram que se acomodar não nas primeiras fileiras, já praticamente tomada pelos familiares dos que iriam desfilar. No camarim, a loucura estava estabelecida. Surgiram pessoas dispostas a ajudar na maquiagem, na organização e em ir compondo a ordem dos desfiles, a arrumação de todos. No local, abafado pelo intenso calor, a apreensão pelo primeiro desfile da imensa maioria era sentida na forma como todos aguardavam o abrir das portas. Já haviam feito um ensaio prévio, estavam todos preparados e dispostos a sair sob os holofotes. João os acalmava com sua fleuma e simpatia. Isso talvez tenha sido um dos principais fatores do sucesso de tudo, o jeito como tratou a todos, a simplicidade na comunicação e no relacionamento humano.
Chegou o grande momento e um por um ia saindo do improvisado camarim e percorrendo uma passarela montada diante dos trilhos, na antiga plataforma, tendo ao lado composições férreas e do outro, o calor humano do público. O desfile encerrou as atividades culturais na estação, iniciadas com a apresentação da Orquestra Municipal e dos bailarinos da Cia Estável de Dança, essa também sob a batuta de Sivaldo Camargo. A receptividade do público foi imensa, intensa e superou também as expectativas dos congressistas do Colóquio. Dentre os que desfilaram uma chamou muito a atenção, Suka Miranda, aposentada da Unesp, cantora sertaneja, negra, riso de orelha a orelha, alegre por ali estar. Mãe, avó e com todos os netos ali a presenciando, trouxe junto de si a filha, Maria Alice, ambas pela primeira vez numa passarela. “Sinto-me realizada, feliz da vida e nunca mais vou me esquecer deste dia”. Outros tantos repetiam algo semelhante pelos cantos da estação.
Num comentário posterior, a professora carioca Lucia Acar define bem como foi o desfile: “Vi uma senhora pertos dos 70 anos vestindo uma roupa imponente, desfilava como se fosse a própria rainha, estava incorporada na vestimenta. Todos agiram assim, desfilavam incorporados. O João conseguiu algo de tamanha envergadura junto aos que usaram suas roupas”. Esse o grande feito de tudo o que foi ali presenciado. Dulce Lagreca é uma senhora ligada ao teatro, 75 anos e uma vitalidade que a tirou de casa, junto de amigas e veio para a estação. “Se tivesse forças iria também desfilar. Saio maravilhada, pois vejo um profissional dos mais sensíveis. Foi lindo ver as pessoas do povo na passarela e todos altivos, valorizando o momento”.
Salto do desfile para sua palestra, no dia seguinte, manhã de sexta, 13/10, no palco principal do evento, 9h30 da manhã. Ele voltou a ser o foco das atenções e de sua fala extraí alguns fragmentos. “A roupa é uma definição do dia das pessoas, mas nunca vai definir quem você realmente é. Não queira vestir algo e se achar dentro dela. (...) No futuro as pessoas vão ter uma espécie de uniforme, algo com que se identifique, goste e vista por longo tempo, duradouro. Hoje tem muita roupa rolando por aí e isso não resistirá ao tempo. (...) Moda é contar história, a sua história. Se você quer ser estilista, faça roupa de qualquer qualidade, mas faça, use o que tiver a mão, até grampeador vale. Sua autoconfiança muda quando você vê algo seu, mesmo feito de qualquer forma. Enquanto não fizer, estará cada mais distante da concretude do fazer. (...) Necessário fazer algo para reduzir a ansiedade das pessoas. Repensar essa ansiedade. Muitos acham que vestir a roupa vista na passarela na noite de ontem os tornará incríveis e não é bem assim”, diz.
Desde o dia anterior João havia aceito muito bem uma ideia lançada a ele assim como não se quer nada. “João, seu trabalho visto na estação me faz te lançar um desafio. Que acha de fazer algo assim dessa magnitude com assentados? Aqui em Bauru vários deles e num, mais de 1500 pessoas. Como preparou algo para os que aqui desfilaram, vejo algo mais grandioso ao lado desses”, lancei a ideia num roda de conversa. Seus olhos brilharam, topou de cara e só não fez tudo já para o próximo domingo, pois tinha retorno para a capital ainda na manhã de ontem. No reencontro pela manhã, me cercou, questionou se era verdade a intenção dele produzir algo para o assentados, quis saber mais e mais e antes de ir, deixou a van esperando um pouco mais, voltou para questionar Monica Moura e lhe disse: “Me ajude, instigue, provoque, quero voltar para fazer esse desfile, vai ser uma realização pessoal de grande importância para meu trabalho. Viajo pensando no que já irei utilizar. Vou ficar muito decepcionado se esse desfile não ocorrer. Vou fazer um documentário sobre essa integração. Não vejo a hora. Quero conhecer algo mais dos assentados, me envie tudo o que puder”. E se foi, deixando a ideia lançada por mim a ele, já como algo praticamente em andamento, um desfile no Assentamento Cannã. Arrebatadora ideia.
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
BEIRA DE ESTRADA (83)
1.) REENCONTRANDO ESTRADEIROS... Em dois textos publicado no blog do Mafuá contei a história de dois irmãos livreiros, que revendem livros país afora, de evento acadêmico em evento acadêmico. Foi em "OS MASCATES DO SÉCULO XXI SÃO DOIS LIVREIROS", 17.10.2012 e depois com "LIVREIRO JÁ É UMA MARAVILHA, ESTRADEIRO ENTÃO, ALGO INCOMPARÁVEL, INCOMENSURÁVEL", 08.09.2014, podendo ambos os textos ser lidos clicando a seguir: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=Rio+Books.
Hoje ocorre no Guilhermão da Unesp Bauru a abertura do 13º Colóquio de Moda e quem encontro logo de cara na entrada do evento, com uma banca ocupando amplo espaço? Claro, um dos irmãos, o Stevenson, da Rio Books. Amigo de longa data, por pouco não se hospeda no mafuá. Rever estradeiros desse naipe em pleno século XXI, percorrendo o país de fora a fora, carro cheio de livros e pra babar de vontade de arrumar algo da mesma envergadura e escapulir pela aí, sem eira nem beira, mascateando sonhos, a vida, revendo gente nova em cada porto. Esse é um que admiro de montão, pela ousadia em insistir e tocar sua vida até quando puder vijando, trabalhando e gastando sola de sapato.
2.) ELE CONTINUA CUIDANDO DA BANDA E ORQUESTRA MUNICIPAL... Tempos atrás escrevi dele no Mafuá, o Paulão, dos tempos quando ficava ali sentado diante do Automóvel Clube, numa espécie de cão de guarda não só do prédio, mas das preciosidadees existentes lá dentro, a Orquestra e Banda Municipal. Cliquem a seguir e leiam o escrito em 11.04.2014, "PAULO CUSTÓDIO É O GUARDIÃO DO AUTOMÓVEL CLUBE": http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search….
O tempo passou e tudo se foi lá do Automóvel Clube e hoje estão lá na Estação da NOB. Quem continua fazendo a mesma coisa e com a mesma presteza e atenção é o servidor municipal, o Paulão. Hoje, na abertura do 13º₢olóquio de Moda, lá no Guilhermão da Unesp Bauru, adivinhem que acordou às 6h da manhã, preparou todos os instrumentos, colocou num ônibus, esperou todos os músicos e ficou ao lado de todos o tempo todo, zelando, cuidando, olhando, olhar de lince? Eu fiquei durante a apresentação com um olho na belezura dos músicos e outro no Paulão, olhos e ouvidos atentos em tudo. Foi o último a adentrar o onibus que os levaram de volta para sua nova casa. E logo mais à noite tem mais, desta vez lá na própria Estação da NOB. Não perco por nada.
3.) SUKA DESFILOU, ELA, A FILHA E A FAMÍLIA INTEIRA FOI VER DE PERTO... Sueli é também cantante na dupla Suka e Miranda, ao lado do marido. Foi durante muito tempo servidora pública na Unesp Bauru e de lá, esbanjando simpatia, formou legião de amigos. Cantando viaja por aí, região toda em apresentações onde se encontra consigo mesma. Mãe, avó e um amor de pessoa, ela e o esposo, simpáticos pra mais de metro. Impossível não esbarrar neles e não se contagiar com uma conversa a se estender mais e mais, sem querer se acabar.
No desfile do estilista, figurinista e homem de moda João Pimenta realizado dentro do 13º Colóquio de Moda, lá na gare da estação da NOB, noite de quinta, algo único, um staff criado e composto por bauruenses e nele Sueli e sua filha. Ela desfila pela primeira verz na vida e traz toda a família para presenciar o feito. Outros tantos fizeram o mesmo e a gare bombou de gente, não os congressistas do Colóquio, mas familiares dos que estavam na passarela. Foi lindo demais da conta ver essa interação entre tantos, todos felizes da vida, rindo de orelha a orelha.
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (46)
A PAIXÃO PELO FUTEBOL E O QUE ESTÁ POR DETRÁS DELA – NÃO LEVE OS BATIDORES A FERRO E FOGO, POIS DO CONTRÁRIO, DEIXARÁ DE TORCER PELO SEU TIME DO CORAÇÃO
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Ele fez três, salvou a Argentina. |
Teixeira e Havelange, sem palavras. |
Tantas emoções merecem um olhar mais depurado do outro lado da questão. O futebol nos torna emotivos. Brincamos muito com quem torce para outro time diferente do nosso. Posso me entender politicamente com alguém, mas quando numa mesa de discussão surge a oportunidade de tirar o sarro por causa da derrota do time de um grande amigo, poucos perdem a oportunidade. Enfim, futebol é assunto para mais de metro. O país pode estar uma pauleira danada como aqui no caso brasileiro, com golpistas saqueando a nação, mas em certos momentos amainamos a discussão e sentamos diante da TV ou mesmo, vamos prum estádio descarregar algo interior. A discussão do gol de ão do Jô rendeu assunto para intermináveis programas esportivos. Haja saco. Eu até tento ser isento e me lembro de gente que pensou em torcer contra o Brasil na Copa de 70 por causa da ditadura, mas na hora do vamos ver, não aguentou. Hoje acontece o mesmo. Até vejo amigos se dizendo desinteressados das vitórias do Brasil, para não favorecer o golpista no poder. Mas como? O sacana pode cair a qualquer momento, mas a nação e o time que a representa seguirão adiante. Não é porque o presidente do time do coração do torcedor é o Eurico Miranda que ele irá deixar de torcer pelo Vasco da Gama.
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Nuzman, dono do COB, preso. |
Levo tudo isso em muita consideração, mas não posso esquecer toda sacanagem a envolver o quesito esportes hoje em dia. Os superfaturamentos dos estádios brasileiros parecem já fazer parte do passado, mas diz muito respeito de como olhamos para o que ocorre nos bastidores da bola. Hoje temos um ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira com prisão decretada fora do país, outro ex, o Marin, com prisão domiciliar nos EUA, Havelange teve que renunciar ao cargo vitalício na FIFA por causa de pilantragem e o atual da CBF não pode sair do país, pois será preso se o fizer. Tudo virou um grande negócio, uma grande sacanagem. O presidente do COB, o Nuzman é outro exemplo clássico da sacanagem explícita que se transformou o esporte em todas suas instâncias. Enquanto o torcedor é motivado por essa avassaladora paixão, do outro lado da questão existe uma corja se beneficiando e se enriquecendo às custas desse desmedido amor. Futebol me dizem alguns, não é esporte para amadores. A gente vê a lavagem de dinheiro acontecer por todos os lados e na atual circunstância, se for botar a boca no trombone com tudo, teremos que fechar as portas de confederações, federações e clubes, pelos mais diferentes lugares do planeta.
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Válter, inesquecível negociação... |
Lembremos sempre, mais e mais, enquanto a gente torce e se desmiligue pelo time do nosso coração, tem tanta coisa ocorrendo por detrás do pano. Ontem, depois de tudo consumado, jogos encerrados, definições mais que acertadas, parei e pensei nesses tantos sacaneando com nossa emoção. Messi, o que fez três gols e salvou a Argentina, acabou o jogo teve que dar um abraço no presidente do Boca Juniors, na delegação deles em Quito. Eu vomitei vendo a cena. Depois me acalmei, enfim, faz parte do jogo. Nem por causa disso deixarei de ligar a TV hoje à noite e torcer desbragadamente pelo time do meu coração.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (128)
EDUCAÇÃO, TRANSFORMAÇÃO E PROLIFERAÇÃO DE IGREJAS
Sim, a conformidade do momento atual, essa dificuldade de resistir ao algoz que nos apunhala tem nome e sobrenome. Fomos construídos para servir, aceitar, dizer “amém” de forma resignada, a de quem tudo aceita, ou melhor, espera algo vindo lá dos céus. Em vida nada virá lá do céu além de chuva, granizo, vento e intempéries. Um povo que acredita numa ação divina para sua redenção, crê nisso piamente, esperará eternamente, sentado e será sempre massa de manobra. Entristecedor cenário.
Circulo muito pela periferia e algo mais do que entristecedor é verificar a proliferação de igrejas de todos os matizes, pequenas, médias e grandes, nomes variados e múltiplos, proliferando como praga por tudo quanto é canto. Tem muito mais igreja que escola. Num país onde se reza mais do que se estuda, o destino deste está mas do que selado, será massa de manobra, manipulado pelos espertalhões. Impossível tanta gente prestar reverência para o que lhe dizem num púlpito qualquer e ler menos, se informar menos, aceitar passivamente como mensagem única, a advinda da boca de alguém preparado só para amealhar mais pra si e dizer palavrinhas bonitas. Um país que cai nessa não pode querer ser livre, pois já está atrelado, amarrado, submisso e contido.
Ver aquela manada de seres humanos aceitando serem enganados com palavras bonitas é constatar que esse país está cada vez se afundando, mais e mais. Não existirá saída para quem age cegamente esperando salvação eterna e nada faz para transformar o presente, o vivido agora. Aceita o imposto pelo padre, pelo pastor, pelo rabino ou por qualquer outro a lhe domar a vida e nada mais faz. Tem o livro religioso como o único, o que diz tudo e nem lê mais nada, pois lhe foi dito não ser necessário, tudo está dito ali. Que esperar de um povo assim? Nada de bom.
Observava ontem à noite a saída de um culto religioso nos altos da avenida Castelo Branco. Parei o carro e fiquei observando seus trajes, suas ações, famílias inteiras, com o livro religioso nas mãos e nada mais. Se lhe perguntarem se já leram Saramago, Jorge Amado, Umberto Eco, Marx, Nietsche, Paulo Freire, Galeano, Borges, Gabriel García Marquez, Lispector, com certeza desconhecerão a maioria. Preferem ficar restritos a esse mundinho onde tudo passa por instruções dadas pelos que dirigem suas igrejas. Mentes conduzidas, teleguiadas. Os vejo saindo rindo, mas para mim são tristes figuras. Vazias, ocas e dessas sem rumo, perdidas no tempo e no espaço. Cabeças assim aceitam tudo, tendem a levar vidas regradas demais, não mijam fora do penico, não ousam andar na contramão, nem fugir à regras. Se dizem que devem seguir suas vidas de um jeito o farão sem pestanejar, sem ao menos ousar discordar.
Quando vejo algumas prefeituras e governos sendo comandados por gente com essa mentalidade, algo de muito perigoso no ar. Vamos andar para trás. Inevitável isso. Todo o avanço ocorrido até então corre risco quando dirigido por pessoas com mentalidade moralista. Eu não quero viver para ver o meu mundo dominado por gente assim. Me contem onde ainda estão os resistentes, os que pregam e vivem a demonstrar a mediocridade de um mundo restrito e para lá irei. Cansei de viver no meio dessa manada babosa e só dizendo “amém”. Quero muito mais que isso e nesse mundo atual isso anda cada vez mais difícil.
OBS.: Escrevo este texto após tomar conhecimento que a escola de samba Mangueira troca uma palavra no seu samna enredo para 2018, introduzindo a palavra "universal" numa estrofe, somente para agradar ao prefeito da cidade do Rio de Janeiro, esperando assim amealhar algo mais para seu desfile.
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
RELATOS PORTENHOS / LATINOS (44)
GRUPOS DE PODER NEOLIBERAIS E O MACARTISMO LATINO – EXEMPLOS MAIS QUE VIVOS
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Esse é o "papa" da perseguição |
Exemplos vivíssimos de como é a ação dos que não toleram ser contrariados. Dentro do mundo dito como democrático (existe democracia?), existiria um tal de respeito pelo semelhante, pelas ideias contrárias e mais que isso, quando feita a crítica de forma a comprovar a deslize do outro, o recomendável é a investigação e não o que se passa no mundo neoliberal vivido por países como Brasil e Argentina. Cito dois exemplos recentes.
O brasileiro se deu com um diplomata brasileiro atuando em Nova York e que, num texto para a revista Carta Capital ousou criticar o serviço diplomático brasileiro. Tudo dentro do que prescreve as normas para fazê-lo, mas o chefe mór do setor, Ministro da Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, também senador pelo partido mais nefasto deste país, o PSDB. Se dizem democráticos, mas não toleram a mínima convivência com nenhum tipo de oposição ao modo operandis de uma cúpula arcaica e retrógrada. Dentro do desgoverno do golpista Michel Temer, se fazem de bons mocinhos, mas são tão piores quanto o próprio governante. Leiam a seguir o fato e como foi a ação do ministro, que um dia já foi de esquerda e até guerrilheiro, hoje um relés cumpridor de ordens neoliberais: https://www.cartacapital.com.br/revista/973/no-itamaraty-o-macartismo-a-espreita
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Julio o brasileiro demitido |
Na Argentina do basura (lixo em espanhol) presidente Maurício Macri algo similar. Citro dois exemplos. No primeiro, tanto lá como cá existe uma imprensa a bajular o que de nefasto esse desgoverno contra os interesses populares produz, lá o Clarín e La Nacion, aqui o Globo e Jovem Pan, para não citar mais exemplos. Para esses tudo é permitido, desde concentrar empresas na área de comunicação, como sonegar impostos e mentir na informação. Sendo oposição, daí o bicho pega. Quem está padecendo no momento é o mais famoso órgão de oposição, o Grupo Octubre, com a rádio 750 AM e o diário Página 12. Por revelar para a população as mazelas de Macri e de seu grupo, tudo comprovado, são perseguidos e neste exato momento está em curso uma ação para dar aquele costumeiro jeito de interreomper as atividades deste grupo, pegando-os por um motivo inventado, elevando-se suas consequências e culminando com o impedimento de funcionamento. Tudo com a conivência de um Judiciário, como no Brasil, atrelado aos interesses do neoliberalismo. Leiam essa matéria publicada pelo Conversa Afiada: https://www.conversaafiada.com.br/mundo/macri-quer-fechar-jornal-de-oposicao
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Brían o argentino demitido. |
No segundo exemplo, também argentino, algo parecido como o ocorrido no Brasil. Lá um sociólogo especializado em pesquisas, atuando no INDEC - Superintendencia de Riesgos del Trabajo. Seu trabalho é esse, o de desvendar mapas, gráficos e analisar o que estão demonstrando através dos números. Foi o que fez o sociólogo Brián Covaro, criticando a forma mentirosa e a esconder dados que o instituto onde atua produz para momento, mascarando dados e escamoteando a real situação do país. Macri e os seus não gostaram da honestidade do pesquisador e o despediram do serviço público. Ou seja, verdade ou mentira, pouco importa, o que vale mesmo é fazer a intransigente defesa do Governo ou de quem está no comando, mesmo que este minta para a população. Se a verdade ferir os interesses do mandatário, isso vale o emprego. Leiam o texto abaixo e se inteirem da situação: https://www.pagina12.com.ar/67170-despedido-por-criticar-al-indec
A insanidade destes prescreve somente uma linha de conduta: se manter sempre ao lado do poderoso de plantão. Com esses no poder, afunilam-se as possibilidades do exercício de qualquer linha de investigação, de denúncia de irregularidades e do exercício das funções sem as mesmas manterem relações indecorosas com os desmandos praticados pelos irracionais com o poder da caneta. Este é o cenário sendo vislumbrado daqui por diante neste “moderno” mundo capitalista neoliberal predatório. As liberdades democráticas estão todas indo pra o ralo ou para a lata do lixo.
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