quarta-feira, 15 de novembro de 2017

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (105)


EU E A SOGRA NUM QUARTO DE HOSPITAL - ATÉ SALOMÃO NOS VISITOU

Fico trancafiado junto da sogra, 82 anos, Darcy Soliva da Costa, num quarto de hospital da capital paulista por mais de uma semana. Eu e ela, ela e eu. Confidenciamos nossas vidas um ao outro. Sempre a admirei além da conta, uma das poucas evangélicas (não é pentecostal), é Batista, mas de uma estirpe libertária, carioca, onde os preceitos difundidos na oratória semanal passam longe dessa besteira denominada de criacionismo. Ela sempre me fez comparações divinais sobre o tema: “Impossível a igreja querer abandonar tudo o que vem sendo feito pela ciência, para levar ao pé da letra algo escrito tanto tempo atrás. Se faz necessário usar a bíblia como metáfora para sua aplicação nos dias atuais. O papa católico hoje é o cara mais acertado pro momento atual, pois enfrenta resistência em sua própria igreja, mas segue abrindo mentes e não fechando, como esses Crivelas, Malafaias, Macedos e tantaos outros”.

Nossa conversa rende e entre quatro paredes rendeu muito. Queria escrever, colocar as escritas em dia, mas impossível a tendo como parceira de cama. Ela na de hospital, eu do lado, num largo sofá. Como escrever diante de uma simpática senhora, progressista e querendo conversar? Impossível. Cai na conversa e me deliciei. Ganhei e muito nesses dias longe de Bauru. Devia ter gravado o alvissareiro papo e dele extraí pouca coisa, pois a mente está cansada, com seu chip batendo biela. Ouço, acho lindo e se não anoto, logo tudo se esvai. Ando assim, memória fraca e curta. Anotei algo de sua fala e pensamentos e aqui reproduzo.


Ouvíamos sobre as barbaridades corruptivas deste país e num certo momento, algo de uma empreiteira construindo mais uma estrada. Foi o bastante para um longo papo e ela lembrando de uma viagem pra Grécia, coisa de uns quinze anos atrás, daí pra mais e por lá, uma construtora brasileira, dessas famosas, hoje envolvidas nessas maracutaias com os políticos. “Nossos empreiteiros são considerados os melhores do mundo. Fizeram belas obras no mundo todo, eles sabem fazer bem feito e fazem, mas aqui parecem que são pagos para fazer obras meia boca, com vida útil bem curta. Lembro que lá na Grécia, vi eles fazendo uma estrada de concreto, com quase 50 cm de grossura, dessas que não se acabam mais”. Isso rendeu uma conversa que se prolongou pro resto do dia.

Conto a última, para não ficar aqui enaltecendo muito a sogra e ela ficar toda empoada. Eu levei livros e revistas pra ler (ela leu alguns dos meus) e do lado de sua cama, uma bíblia e caderninhos de anotações. Disse estar por aqueles dias estudando Salomão, do Livro de Eclesiastes e dos Provérbios e me explicou muito dele, de suas proezas.

Conheci sua estória contada ali por ela. Passou boa parte dos dias lendo frases ditas por ele e de cada uma, uma longa conversa. Escolhi três e as reproduzo para que, cada um lendo isso escrito por mim, possa sentir o graú da conversação que veio a seguir:

- “Não fique admirado quando você notar em algum lugar o governo fazendo injustiça, perseguindo os pobres e negando os direitos deles. Pois cada autoridade é protegida pelo que está acima dela, e as duas são acobertadas pelas autoridades superiores”, 5.8


- “Quem ama o dinheiro nunca ficará satisfeito; quem tem ambição de ficar rico nunca terá tudo o que quer”, 5.10

- “O trabalhador pode ter pouco ou muito para comer, mas pelo menos dorme bem a noite. Porém o rico se preocupa tanto com as coisas que possui que não consegue dormir”, 5.12/13

terça-feira, 14 de novembro de 2017

DIÁRIO DE CUBA (91)


SERIA CUBA? NÃO. É A PAULISTANA “BOCA DO LIXO” - SEMELHANÇAS

Até hoje ainda existe uma turba insistindo em espezinhar a ilha mais charmosa do planeta, lugar considerado hoje como o verdadeiro paraíso terrestre, país com o maior índice de tranquilidade para se ter uma vida sem sobressaltos, desacertos e desarranjos corporais. Todos que por lá passaram atestam o que escrevo a seguir: o melhor lugar para se viver hoje é Cuba. Dizem que igual a ela, talvez a Islândia. Mesmo com todos esses predicados a favor, incontáveis por sinal, um dos motivos pelos quais a tal turba de inconsequentes (esses nunca por lá estiveram) faz questão de criticar a ilha, primeiro, é claro, por causa de lá ainda perdurar um regime de cunho comunista. O capitalista é tão influenciado por tudo que lhe dizem, que acaba acreditando no que lhe apregoa as máximas capitalistas, a de que lá é o verdadeiro inferno e aqui, a balbúrdia capitalista, com toda instabilidade junta é o paraíso. Acredita nisso quem desconhece o que seja Cuba, faz vista grossa para tudo o que está aí prontinho para ser averiguado, mas finge não ser possível e continua acreditando nas mentiras que lhe são passadas, principalmente via mídia massiva. Viver na simplicidade cubana, tendo uma real possibilidade de felicidade, mesmo sendo pobre, porém com tudo ali para desfrutar. Saúde, cultura, transporte, educação, lazer e tudo mais gratuito ou com preços irrisórios. Isto é Cuba, mas para pegar no pé do pequeno país, nada como espalhar fotos de casas mal acabadas, prédios com cores descascadas e aí por diante.

Daí, saí hoje pelas ruas centrais de Cuba e aqui publico as fotos. Epa!, mas as fotos não são de Cuba e sim da região central da capital paulistana, a cidade mais rica deste Brasil. Sim, sou obrigado a confessar meu crime, eu aproveitei uma folguinha no que faço aqui pela capital paulistana e fui dar um rápido passeio pelo quadrilátero onde antes vicejou algo muito do interessante na história de São Paulo, a sempre lembrada “Boca do Lixo”. Entre a Estação da Luz, o antigo terminal rodoviário (aquele das placas coloridas no teto), a avenida São João, avenida Ipiranga, rua Santa Efigênia (a do som e luzes), indo até as beiradas da praça da República, eis o espaço mais ou menos demarcado. Ali vicejaram de tudo nos anos 60/70 e parte dos 80. O cinema que fluía naquele espaço é comentado até hoje, não só como cult, mas irreverente, independente e impossível. Naquele pedaço, recheado de construções antigas, prédios mal ajambrados, até hoje reside uma população simples, os que não conseguem se instalar em lugares mais bastados e fazem do lugar, um recanto alegre e irreverente dentro da loucura paulistana.

Assim como Cuba, vejo mesmo na dificuldade estampada na fisionomia de muitos por lá, uma alegria não existente em lugares abastados da capital paulista. O que não se vê em Cuba são as pessoas largadas pelas ruas, drogadas e dormindo debaixo de marquises. Outro dia, um parente de minha sogra, aqui em São Paulo, confidenciou algo numa conversa aqui no hospital onde me encontro: “Quando quero buscar algo alegre, um baile, uma festa, um bar, vou pra periferia ou lugar onde tenha povão, do contrário, fico deslocada, triste. Onde tem povão tem alegria e isso não existe na Zona rica desta cidade grande”. Sei disto e comprovei andando hoje pela Boca do Lixo. Alguns me disseram para ter cuidado, inclusive com fotos e com os bolsos. Não tive nenhum percalço, como não teria, tenho absoluta certeza em Cuba. Aliás, Cuba é hoje um dos países mais seguros do planeta. Sei que toda comparação que possa tentar fazer é simplista, mas me encantou hoje circular pelas ruas simples, sujas, olhar para os prédios e tentar buscar algo de semelhança com Cuba. Viajei nas imagens que produzi.

Encerro com um algo mais. Os prédios descascados e sem aquela pintura reluzindo a nova não é algo somente encontrado em Cuba, daí muito injusta mostrarem aquelas fotos das ruas de Havana, como se aquilo só ocorresse por lá. Aqui onde me encontro, em Sampa, tem muitos lugares piores que os da divulgação negativista feita com os cubanos. Não só aqui, mas em tudo quanto é lugar, inclusive no coração norte-americano. Lugares com idêntica semelhança existem também em Washington e Nova York, mas não são divulgadas com o mesmo estardalhaço. Mas Cuba é Cuba, é comunista e daí, dá-lhe pau, críticas e cacetadas. Não quero provocar nada além de um leve toque, uma lembrança de que aquilo visto em Cuba existe em muita maior escala em qualquer país capitalista predatório, principalmente os com a prática neoliberal. A diferença é nítida e precisa ser ressaltada. Cuba é pobre, porém digna, gasta seu suado dinheirinho no bem estar do seu cidadão e nos demais rincões, o contrário, pobre que se lasque, mora mal, come mal, se locomove mal, mal tem lazer e assim por diante. Fiquemos com as fotos e façam o mesmo que eu, perambule por lugares idênticos aos da Boca do Lixo. Fui, vi, circulei, gostei e recomendo. Fiz até amizades em conversas com gente que me vendo fotografar já puxaram conversa.

Que acharam?

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

UM LUGAR POR AÍ (101)


MARTINS FONTES - AV. PAULISTA 509

Tem quem prefira a Livraria Cultura. Eu não. Lá tem muita gente a se exibir e sou mais recatado, gosto de ler de verdade. A cara lá é prócer do PSDB, o Pedro Herz e está tomando conta de tudo no pedaço, tanto ter ouvido que acaba de adquirir a FNAC paulistana. Eu nunca gostei de quem quer ser dono de tudo, preferindo lugares mais amenos e menos cheios, portanto, com um charme mais livresco. Até fui na Livraria Cultura, mas fiquei só no sambalirove, subi e desci a rampa, logo sai, fiz o mesmo na FNA e fui me arranchar na Martins Fontes, ali no número 509.

Trata-se de uma perdição no exato sentido da palavra. Como sabem, estou por Sampa para ser o acompanhante de minha estimada sogra, esperando o seu plano de saúde aprovar o procedimento da troca de uma válvula para seu combalido coração. Dona Darcy Soliva da Costa é a sogra que pedi aos céus. Sempre tive sorte com sogras, três maravilhosas e está, por ser a última, afirmo ser a melhor. Lê muito, assim como eu e é um doce de pessoa. Fico de muito bom grado no hospital ao seu lado e pelo tempo que se fizer necessário. Ganho com isso, pela troca divinal de conversações. Hoje vieram duas visitas, amigas de longa data e elas me liberaram para dar uma volta. Vim voando pra Martins Fontes.

Não fui em outro lugar. Fiquei duas horas ali dentro e vasculhei tudo, de cabo a rabo, uma delícia, dessas de melecar a cueca, ou seja, gozar nas calças. Sim, livro me faz gozar nas calças. E o faço fartamente, em abundância quando diante de livros. O que mais gosto num lugar desses? Livros, claro. Tem mais. Ninguém me abordou pra nada no tempo todo em que ali permaneci. Nenhum vendedor veio dizer se estava precisando de alguma coisa. Nada, me deixaram em paz e foi ótimo. Tirei fotos a dedéu e ninguém me importunou. Isso não acontece em Bauru, onde mesmo na Jalovi, com alguma tradição no ramo, basta te verem olhando as prateleiras, tem logo um vendedor do seu lado perguntando o que quero. Prefiro quando quiser me dirigir a eles e em Sampa isso é praxe.

Se existe um paraíso neste Brasil insano de hoje ele está dentro do que ainda nos resta de livrarias. Tem muita publicação que não vale nada dentro de todas elas, mas tem coisa muito boa e pra todos os gostos. Eu esqueço da vida dentro de um lugar desses e se deixarem fecho a loja, ou melhor, sou colocado para fora. O tempo que passei lá dentro foi para mim mais do que revitalizante e recarregante.
Só não foi melhor porque, tenho certeza, a sogra adoraria estar comigo (o filhão também, pensei muito nele quando lá dentro), mas não tinha como, pois está atrelada a um quarto de hospital e aguardando sua válvula, que lhe dará uma bela sobrevida, para alegria de todos ao seu redor. No hospital eu leio para ela e ela lê para mim. trocamos figurinhas e assim o tempo passa, o tempo voa e eu e ela nos divertimos com nossa situação.

Ficaria aqui escrevendo a noite toda sobre livros, minha sogra, histórias da Martins Fontes e de tantas outras (a Folha Seca do Rio de Janeiro é outra) e se escrevo isso tudo neste exato momento, o faço para espairecer, pois confesso, tem saído ultimamente muita fumaça de minha envelhecida cabeça. Ando acabrunhado com tudo o que estão fazendo com esse até bem pouco tempo altaneiro país e de vez em quando dou minha fugidas, bato em retirada e vou pra essas ilhas, espécie também de oásis no meio dessa merda toda a nos envolver. Ainda bem que lugares como a Martins Fontes resistem ao tempo e nos alegram nesses momentos de angústia.

Não vivo sem lugares como esse.

domingo, 12 de novembro de 2017

COMENTÁRIO QUALQUER (169)


GIRO À DIREITA
Percebam, a ilustração está  postada à direita.

Nem tudo está perdido e pode surgir um tempo melhor. Será? Sim, mas talvez isso possa demorar muito tempo e daí, penso eu, teria eu todo este tempo para ver novamente este país vicejando por caminhos soberanos...

Penso muito nisto enquanto permaneço ao lado de minha sogra, Darcy Soliva da Costa, num quarto da Beneficência Portuguesa na capital paulista. Desde quinta por aqui, leio muito, converso mais ainda e quando me sobra um tempinho, escrevo, como neste dominical texto.

Por que deste giro à direita? O que seria isto? Na minha concepção trata-se de uma descarada, despudorada e desavergonhada concentração de riqueza por uns poucos, com o consequente aumento da pobreza, essa para a maioria da população. Este o atual ciclo político de muitos dos governos na América Latina. Denomino a isso como GIRO À DIREITA. Analiso levando em consideração o que observo dos atuais governos de Brasil e da Argentina, irmãos siameses na desenfreada crueldade, capitaneados por dois insanos representantes de um neoliberalismo doentio, tendo o rentismo como mola mestra, fazendo uso da concentração de renda como ingresso de poder econômico e este manuseado na manutenção dos seus privilégios. Este avanço de governos de direita em alguns países da região é a expressão predominante dessa reação conservadora.

No início do milênio havia na região 225 milhões de pobres (44%) com quase 100 milhões de indigentes (19,3%). Esta cifra havia caído a 29% e 12%, respectivamente, o que implica ao menos 50 milhões de pessoas saindo da linha do pobreza e 25 milhões da indigência. Hoje, essas cifras voltaram a se elevar, mais e mais. Sobe o número de pobres e indigentes. O capitalismo não cuida destes, ou melhor, não se importa a contento com estes. A vertente neoliberal é ainda mais cruel. Não está nem aí se sofrem, se comem ou mesmo se vivem. Os avanços impulsionados por vertentes sob o comando de Lula e Cristina Kirchner foram descartados, jogados na lata do lixo. Nenhum destes foi perfeito (onde reside mesmo a perfeição, hem?), mas impossível não notar a diferença do que fizeram pelos trabalhadores, assalariados e menos favorecidos e o abandono disto hoje. Tudo piorou e deve piorar mais.

As cifras de qualquer pesquisa séria pode constatar isso. A perda do poder aquisitivo das camadas populares, nela incluindo a dita classe média é latente. Em breve, nem mais existirá uma classe média, tal o nivelamento por baixo proposto pelos atuais governos neoliberais. A pobreza da América Latina hoje tem a cara da mulher, do índio, do negro, do homem do campo, do trabalhador sendo levado ao desemprego e a terceirização da mão de obra. Tudo sendo precarizado, no campo e na cidade, com perspectivas de na permanência do atual sistema uma desigualdade que os perseguirá durante todas suas vidas. Para reverter o flagelo da desigualdade, recomenda a Cepal “políticas públicas que garantam a titularidade dos direitos, se deve reconhecer e potencializar o trabalho produtivo e de qualidade como a chave para a igualdade e como instrumento por excelência para construção do bem estar e universalizar a proteção social ao largo de toda uma vida (a infância e a adolescência, a juventude, a idade adulta e a velhice), como olhar sensível para com as diferenças (Cepal, 2017)”.

Inimaginável dentro do capitalismo neoliberal a estreita relação entre o acesso a educação de qualidade, melhora da situação sanitário e da habitação, acesso a tecnologia e outras condições para obtenção de emprego de qualidade, ou seja, com implementação de “políticas ativas”. Para que o Estado possa colocar em pratica políticas ativas é necessário que o gestor (Governo) tenha nítidas intenções neste sentido e conte com fundos para efetuar essa tarefa. Governos favorecendo atividades rentistas, fazem exatamente contrário, pois concentram renda para manutenção de seus privilégios. Esse é o tal “giro á direita”, expressão máxima do conservadorismo reinante como praga, favorecendo essa minoria e, consequentemente, aumentando as diferenças entre os com tudo e a maioria com quase nada.

Exemplos não faltam para comprovar a atividade ilegal dos setores opulentos na tentativa de impedir o avanço dos setores oprimidos da sociedade. A evasão fiscal dessa minoria é um escândalo pouco investigado, permitido para alguns, sob a vista grossa, inclusive do Judiciário, conivente com a situação. Comissões altíssimas para toda e qualquer obra e tudo sendo levado para paraísos fiscais, manobras dolosas das grandes multinacionais em muitos espúrios negócios, tudo com a complacência de parte significativa da opinião pública, numa interligação umbilical com os atuais postulantes destes Governos. Não que isso não existia nos governos anteriores, de Lula e Cristina, mas existia também a sensibilidade social, hoje totalmente abandonada. A economia especulativa, tudo dominado pelas leis de mercado, corporações planificando o destino das vidas humanas, tudo atentando contra o atendimento das necessidades das camadas mais significativas e numerosas. Só pensam em reduzir custos, o que quer dizer, quantidade infindável de gente desempregada e sem salários. Esse é o modo anti-humano de funcionamento da economia de mercado, aquela que Temer e Macri louvam e seguem religiosamente em proveito mais que próprio. Ambos possuem pendengas com a lei, mas os que legislam a lei fingem tudo estar muito bem.
A resistência encontra-se à esquerda.


A violência econômica praticada por esses é uma atividade perfeitamente aceitável. Concentração de riqueza não é mais problema, nem imoralidade, enfim, acumular dinheiro e delitos é plenamente justificável, assim perseguir quem não o faça ou quem tente investigar as malversações dos neoliberais. O dolo, furto, roubo, fraude, apropriação indébita, plágio, deslealdade comercial, extorsão, cartelização, evasão fiscal são moedas correntes e práticas dos grandes conglomerados empresariais. A corrupção tem sua origem nas empresas e leva uma vida nababesca quando irmanada com a política. Tudo são facilitadores de bons negócios.

Enquanto isso, a imensa maioria do povão só pode contar consigo mesmo. Devem mobilizar-se e organizar-se, do contrário estarão cada vez mais num “mato e sem cachorro”. Diante de um país com nítida tendência conservadora mostrando as unhas, garras e dentes, seria necessário uma educação transformadora para reverter isso, mas como algo assim demoraria demais, para aprender a se defender da manipulação patrocinada pelos poderosos só mesmo indo pras ruas e botando pra quebrar. O capitalista neoliberal conservador não vai nunca aprender que, progresso é algo para si e para todos, daí só mesmo quando notar que a maioria tem força irá se vergar. Não existe outra saída, mas as massas ainda não se deram conta disso. Por enquanto, a guinada pra direita continua.

sábado, 11 de novembro de 2017

BAURU POR AÍ (146)


NA ONDA DOS QUE CRITICAM SEM AO MENOS ENTENDER DOS MOTIVOS DE O FAZER
O indicado no título deste texto se repete como praga nos dias atuais. Diante de uma postagem qualquer, algo proliferando é que, mesmo não entendendo muito bem do que se trata, muitos não só emitem sua opinião em forma de crítica, como quando alguém tenta pacientemente explicar do erro, além de não existir a aceitação, surge a ira, o escancarado ódio. A partir daí, aberrações ocorrem e o que prevalece é a intolerância, muito em voga neste Brasil dos tempos do ilegítimo e golpista Michel Temer & a turma dos mais corruptos no comando  da República. O Brasil não era assim até bem pouco tempo, mas isso hoje cresceu de uma tal forma, ganhando proporções catastróficas. O que aconteceu de fato com esse país, assim de forma tão rápida para ocorrer uma transformação tão radical na mente de parcela significativa de seus cidadãos? 

Antes de tentar responder a pergunta, conto o fato que me fez escrever este texto. São tantos e um mais chocante que o outro. Poderia me ater a bestialidade da atroz e insana perseguição para com a escritora norte-americana Judith Butler, culminando com uma agressão quando estava prestes para embarcar de volta ao seu país. Isso beirou ao irracionalismo inimaginável até bem pouco tempo. De fato, isso demonstra o quanto estamos regredindo, mas cito um caso local, ocorrido ainda ontem na aldeia bauruense e a envolver o famoso sanduíche bauru, hoje o maior propagador país afora do nome da aldeira bauruense.

Conto a história, que seria melhor se fosse estória, porém ocorreu de fato, para perplexidade dos ainda sensatos. Num post feito pelas redes sociais (sempre através delas), um órgão da Prefeitura divulga o fato de mais um restaurante na cidade estar sendo reconhecido com o o Selo de Certificação, por fazer o famoso sanduíche mantendo sua receita tradicional. Poucos bares e restaurantes, como até as pedras do reino mineral sabem, fazem o mesmo seguindo a receita tradicional, criação de Casemiro Pinto Neto (hoje nome de viaduto em Bauru), no início do século passado na capital paulista.

Um cidadão se volta contra o enunciado do texto e desanca a Prefeitura, "cheia de tantos problemas e agora querendo também cuidar de como restaurantes preparam seus sanduíches". Talvez o mesmo nutra um ódio visceral para com a Prefeitura e não suportando mais, na simples menção do seu nome, já se destempere. Outros intervieram na conversa e um disse "que isso é falta do que fazer" e não consegue entender como, com tanta coisa para fazer "pode se preocupar com algo desta natureza". Diante destes argumentos, mesmo tendo a explicação adequada, diante de tanta barbaridade hoje em curso, o melhor é não prolongar muito a conversa, pois do contrário, no capítulo seguinte, um xingamento ocorrerá.


O que ocorre com o país é merecedor de um amplo estudo e não estou em condições de fazê-lo a contento. Muitos saíram de verde-amarelo bradando contra a corrupção do PT e hoje, diante de um quadro imensamente pior, não o fazem mais, mas sentem que o nabo está entrando sem vaselina. Não reconhecem o erro, a empáfia predomina, mas despirocaram de vez, estando mais perdidos do que cegos no meio de tiroteio. Não conseguem e nem sabem mais identificar o que venha a ser certo ou errado, daí ao invés de atacarem a verdadeira raiz dos nossos problemas, atiram a esmo para a direção que a banda está tocando e na imensa maioria das vezes, não só erram o alvo, como estão a provocar um estrago sem fim em tudo o que foi construído de saudável neste país. Dizem que isso é só o começo e a tendência é a piora do quadro da doença a acometer este país. Desalento será pouco diante de um quadro de acentuada piora. De um interlocutor ouvi ontem algo bem fundamentado sobre tudo isto em curso: Ainda não chegamos ao fundo do poço, mas iremos chegar e lá, com a terra arrasada, um reínicio do zero". Não sei se terei estômago para suportar a bestialidade chegando logo ali, na dobrada da esquina.    

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

MÚSICA (154)


O QUINTAL DO BRÁS ESTÁ DE VOLTA E O SHOW COM O RONALDINHO, EX FUNDO DE QUINTAL

Junto essas duas manifestações culturais, o Quintal do Bras em Bauru e o Fundo de Quintal no Rio de Janeiro, Ivo Fernandes no nosso quintal e o Ronaldinho, hoje em carreira solo chegando aqui por esses dias para um show no mesmo estilo de antes, o do grupo carioca, inspirador do grupo bauruense. Tudo se funde na realização de um samba diferenciado, de qualidade mais que reconhecida. Tento juntar tudo no mesmo balaio e dizer do maravilhamento provocado por todos.

O Quintal do Brás é um grupo de samba de raiz, desse cantado ao redor de uma mesa, seguido da batida proporcionada pela palma da mão. Nasceu em Bauru, ali nas barrancas da vila Falcão, beirada dos trilhos, antiga morada do Brás, melhor, no seu quintal, daí o nome do grupo. O filho do Brás, o Marcão, percussionista dos bons é um deles e junto de outros, seguindo o que ouviam e gostavam, fizeram algo espelhado no Fundo de Quintal, o tradicional grupo carioca, que nasceu em torno do bloco do Cacique de Ramos. A história do Quintal bauruense eu já contei em textos anteriores, quase uma década atrás e do maravilhamento gerado neste amante de um bom samba. Cliquem a seguir e revejam algo disto: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=QUINTAL+DO+BRAS 

A rapaziada do Quintal ganhou o mundo com o passar dos anos. Muitos deles, da formação inicial, nem em Bauru estão mais e alguns conseguem viver de música. Relembrar essa trajetória é reconhecer como se dá a luta desses tantos grupos de samba espalhados país afora. Ivo Fernandes foi um dos líderes do Quintal e hoje, coordena a volta do grupo, com uma formação renovada e agrupando muitos de antanho. O samba renasce e viceja nessas ocasiões. Neste exato momento, quando Ivo faz a junção de trazer para Bauru o Ronaldinho, um que esteve junto do Fundo de Quintal até bem pouco tempo e reune o Quintal para abrir o show, na verdade, ele junta várias histórias numa só e funde a cabeça dos admiradores e fãs.

O Quintal, que tempos atrás chegou a lotar várias vezes o espaço junto ao Teatro Municipal e faz a festa no dia do aniversário de Bauru, na mais animada participação dos festejos no parque Vitória Régia, volta a se reunir e vai estar junto do Ronaldinho, aquele que esteve presente nos melhores momentos do Fundo de Quintal e hoje está em outra formação, mas seguindo a mesma pegada. Essa junção de vários QUINTAIS estará presente, pulsando samba lá no salão da Mocidade Unida da vila Falcão, na avenida Elias Miguel Maluf, na tarde do próximo domingo, 12/11, a partir das 16h e quem lá estiver presente vai poder sentir um pouco disso tudo, juntando isso tudo aqui escrito com o que vai presenciar no palco. Muito samba no pé, da melhor qualidade. Inebriante momento para quem gosta de acompanhar o ritmo na palma da mão.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

DICAS (166)


O FILME “O JOVEM KARL MARX”, UM DEBATE EM BAURU E DOS MOTIVOS DELE NÃO ESTAR NOS CINEMAS

O Brasil está medrando nas piores mãos e seguindo a bestialidade de mentes devolvendo o país para tempos bestiais comandados por uma linha ideológica centrada não no moralismo, mas no medo. Quem se caga todo, medra e se esconde debaixo do sofá. Proibições esdrúxulas servem para mobilizar os ainda lúcidos e promover uma brava e necessária resistência. A proibição das exposições com a temática sexual são a cara deste Brasil emburrecido. Depois vieram outras e mais outras, culminando com o impedimento do Caetano Veloso de cantar graciosamente no grandioso acampamento em São Bernardo do Campo, pelo simples motivo de nada mais neste país poder ser feito para valorizar os movimentos sociais e depois, a vergonha da hora, mais uma para manchar o nome do país mundo afora, quando gente nem sabendo direito dos motivos de protestar e assinar abaixo assinados contra alguém que nunca viram na vida, protestam pela presença da escritora norte-americana Judith Butler em palestra no SESC, pelo simples fato dela escrever sobre possibilidades múltiplas da sexualidade.

“Por essas e outras que o filme O JOVEM KARL MARX, que se esperava ser normalmente exibido em salas de espetáculo, teve de se recolher à semi clandestinidade da blogosfera. Está disponível pelo youtube. Também, pudera: a elegia do patrono da classe operária foi dirigida por Raoul Peck, o qual, além de ser haitiano, produziu aquela dureza de documentário – Eu Não Sou Seu Negro – que, pela voz do escritor James Baldwin, denuncia o racista que dormita no seio das melhores famílias. As brancas, claro”, Nirlando Beirão no “Este país é uma chanchada”, in Carta Capital 977, 08/11/2017.

Como vou discutir sobre um assunto que desconheço? Impossível. Pois bem, o filme foi CENSURADO (dou a isto o nome de CENSURA) e não vai estrear nos cinemas do país, pois a distribuidora está com medo dos protestos. Tenho a mais absoluta certeza de que a imensa maioria dos críticos de Marx nunca o leram, daí como vão querer discutir algo sobre o marxismo? Imbecis o fazem sem nem saber ao certo o que venha a ser isso de comunismo.

Em Bauru, um grupo de pessoas corajosamente vai exibir o filme na noite de sexta, 11/11, às 19h30, na Casa do Hip Hop, ali junto da Estação da NOB, praça Machado de Mello. Trata-se do Núcleo de Base do PT, o DNA Petista. Uma rara oportunidade não só de poder assistir ao filme de forma gratuita, mas debater, pois ao final estarão recebendo o professor de História e filósofo Rafael Guazzelli Valério, oriundo de Lençóis Paulista. Uma dica e tanto. Se alguém pode ser contra ou a favor, só mesmo conhecendo algo sobre o tema ou assistindo o filme. Inebriantes possibilidades advindas deste debate, combatendo bravamente o emburrecimento deste país, nesses tempos onde tudo de muito ruim nos é enfiado goela abaixo neste desGoverno do golpista e ilegítimo Temer. Vamos???