terça-feira, 16 de janeiro de 2018

RETRATOS DE BAURU (210)


CONSTRUTOR RICARDÃO É SÓ ALEGRIA NA SUA ALDEIA
Adoro contar histórias alegres e de gente que faz e acontece. Perambulo como um zumbi nesta cidade e nas andanças recolho histórias, conversas e presto muito a atenção nos que se desdobram de fato no construir algo, edificar algo palatável. Domingo passado zanzei pela aí junto dos meus e fui conhecer um lugar dos mais alvissareiros nesta cidade. Seus donos são tão cheios de alto astral, ao ponto de lotarem a casa de comida e shows, recentemente aberta, só por causa do esbanjamento de simpatia. Conseguem agradar gregos e troianos, algo dos mais difíceis nos dias de hoje. A história que conto aqui começou por causa de outra história. Gosto mais ainda de quem sabe reconhecer algo feito por outrem e conta isso sem nenhum despudor. Ouvi deste que aqui traço um breve perfil, algo encantador: “Convide seu irmão, o arquiteto Edson Aquino para vir conhecer minha casa e da Liz, pois não sei se você sabe, mas foi ele que me ensinou a desenhar. Ele foi mais que meu professor e tenho por ele um reconhecimento pra toda vida”. Me encantei como me disse aquilo, me puxando prum canto enquanto ouvíamos sua esposa espalhar boa música pelo lugar. Tive que escrevinhar disso tudo.

RICARDÃO é figura das mais conhecidas nesta cidade, uma dessas pessoas marcantes, com seus quase dois metros de altura e uma finura dessas de causar inveja, pois não engorda nem embarriga de jeito nenhum. Passam-se os anos e lá está o danado com a mesma compleição física. Lembro-me de uns tempos quando chegou a se candidatar a vereador, mas acho que foi algo pelo qual não faz muita questão de ficar lembrando. Foi nesse tempo que atuou junto de meu irmão, ambos projetistas e desenhistas, de um tempo onde o computador não fazia tudo e o cara tinha que saber manusear um esquadro. Ele desenhou muito cidade afora e tempos depois se aquietou quando conheceu alguém a transformar sua vida, Liz Amaral, uma carioca, chegando para trabalhar aqui nas hostes da TV Globo. Ela cantando como poucos, encantou a cidade e foi encantada pelo Ricardo, formando desde então um par desses que a gente sente a felicidade na convivência. O bar deles lá perto do Pátio, numa chácara, onde também moravam, já faz parte do folclore desta cidade. Ali rolou de tudo e mais um pouco no quesito boa música. Ela administrava a casa, cantava, encantava e ele, ia tecendo a parte de construção do lugar, rústico, tudo na medida exata, lugar muito aconchegante. Não tem quem não se sentia bem por lá. Fechou por causa dessas inconsequências da vida, avanços de uma cidade sobre a poesia dos seus cantos mais soberbos. Tempos depois, ela trouxe a mãe para morar aqui, saiu da TV e devagar (mais de um ano de muito suor) criaram um novo espaço, agora na vila Serrão (perto do antigo Tiritam e do Clube de Campo do BTC). Ver o brilho nos olhos dele contando como desmontou a casa lá do antigo Aldeia e transferiu tudo para o novo, tijolo por tijolo, telhado, madeiramento é a história de quem faz, arregaça as mangas e decide ser feliz na vida ao lado da mulher amada. Levantaram juntos o novo Aldeia, iluminado barracão e hoje, quando ele toma sua cervejinha gelada numa das mesas, enquanto Liz canta, vejo ali a certeza de que vale a pena insistir nos sonhos. Eles sonharam juntos e tudo deu sempre certo, mesmo quando deu errado, creio eu, acertaram de novo na sequência. Eu nada sei da vida do Ricardão (nem dela), só isto aqui e o que sei me é suficiente para dizer que gosto dele, do seu jeito e de como toca sua vida. Aliás, gosto muito do casal e de gente despreeendida como eles. Nunca gostei de gente pregada.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

BEIRA DE ESTRADA (88)


FESTA DO TOMATE E ELEIÇÃO PRÊMIO DESATENÇÃO 2018
Esse pessoal, participante deste ajuntamento farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o BAURU SEM TOMATE É MIXTO é mesmo do balacobaco. Não param de querer criar caso com as tais "forças vivas" desta cidade, dita também como "sem limites".

Esse o sexto ano em que se reunem e numa marchinha provocam os que deixaram a desejar nesta cidade. Botam a boca no trombone e escancaram as mazelas desta cidade, aquelas coisinhas que todos ouvem dizer por tudo quanto é canto, mas poucos possuem a coragem de fazê-lo em público. O bloco vem a público e execra tudo com uma picardia, irreverência e galhofa só encontrada naquelkes descomprometidos de fazer parte de ações do tipo, jogar contra op próprio patrimônio, ou seja, a aldeia conde moram.

Além da marchinha, sempre pra lá de picante, deram também de escolher algumas figuras públicas e agraciá-las com uma premiação pra lá de altaneiras, o PRÊMIO DESATENÇÃO, dado a todos os que pisaram no tomate (ui!) ou deixaram a desejar em atitudes variadas e múltiplas. E a eleição é sempre de forma democrática, via direta, feita entre os integrantes do bloco e simpatizantes. Este ano, além do voto presencial instituimos também o voto em trânbsito, ou seja, o sujeito está em outras paragens e nem por isto fica sem exercer o sacrosanto direito de se mostrar atento com as mazelas ocorridas no lugar onde um dia viveu.

De uma coisa tenham a mais absoluta certeza, a eleição promovida pelos tomateiros, regiamente acompoanhada por um instituto confiável, onde são auferidos como autêntico, não só o procedimento, como a tática utilizada. Respaldado por tudo isso, a conclusão mais óbvil é de que todo o processo é muito mais confiável e descomplicado do que o sistema eleitoral norte-americano, aquele onde são utilizados tabelas de todo tipo, sem nexo e lexo e por fim, dão um jeito de eleger quem eles querem. Aqui tudo as claras, sem delongas e disque disque.

Ocorrida a eleição e feita a apuração, eis o resultado dentre tudo o que ocorreu pela aqui em 2017. Os três primeiros receberão a premiação, sendo previamente orientado a todos e todas para não exercerem seu voto para a figura do economista (sic) Reinaldo Cafeo, pois ciente de que seria novamente eleito, foi-lhe instituido a Categoria de Hors Concours, ou seja, imbatível em todos os quesitos, requisitos e desditos. Para não estragar a festa, tornando repetitiva a premiação, ele será motivo de uma fala no dia da premiação e ficará de fora dos pleitos, o que, esperamos, não o magoe, póis é para todos nós, alguém já num patamar de imbatibilidade mais que comprovada.

Dito tudo isto, os três mais votados e, consequentemente, agraciados com a premiação são:

1º Lugar: deputado estadual Pedro Tobias.
2º Lugar: prefeito Clodoaldo Gazzetta
3º Lugar: vereador coronel Meira


Também receberam votos, mas não conseguiram galgar o mais alto posto da Desatenção para com Bauru, os citados abaixo:
vereadora Yasmin, 1ª dama Lazinha Gazzetta, Secretário de Esportes Garrincha, candidato a candidato Eduardo Avallone e o secretário de Saúde Fogolin.

Com um maior esforço alguns destes poderão chegar aos píncaros da glória, dependendo do desempenho neste 2018.

A festa de premiação ocorre sempre pouco antes da saída do bloco, ali na praça Rui Barbosa, do alto do coreto e com a leitura de breve relato dos feitos de cada, motivando ter conseguido tão elevada laúrea em pleito tão isento de incorreções e imperfeições. Será dia 10/2, sábado e todos os agraciados já estão de antemão convidados a comparecerem e levarem pra cada cada um além do prêmio um abacaxi, fruto mórda região.

OBS.: Todas as fotos sao da festa realizada no Mafuá do HPA dia 12/1, sábado, debaixo de alguma chuva e com consumo de alguma cevada, com cantoria do Kananga do Alemão, também com venda das famigeradas camisetas, que quando vendidas, a grana auferida é utilizada para pagar os músicos e despezinhas inconfessáveis.


domingo, 14 de janeiro de 2018

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (123)


PETISTAS UNIDOS NO MAFUÁ COM NEDER E POR UM PAÍS SOBERANO

Convivo com este partido desde muito tempo. Não sou do seu núcleo criador, cheguei depois, mas mesmo no tempo em que me mantive afastado seguia a risca algo que certa vez disse pessoalmente à Luiza Erundina, quando esta saiu do partido: "Somos como uma rés desgarrada no pasto, sem rumo. Zanzamos e não encontramos outro porto seguro". Voltei a militar num momento onde o partido sofria as mais cruéis estocadas de sua longa trajetória. E o fiz pelo motivo de não ter encontrado nada parecido com ele pela aí. Voltei e, na verdade, nunca sai, pois durante todo tempo em que me mantive desfiliado, fui um dos mais arduos defensores do partido e dos governos de Lula e Dilma. Não só pela figura deles, mas pelo que via sendo contruído de bem pelo país. Muito foi feito e hoje sabemos, diante de tamanhã oposição, o conseguido foi mais que um feito histórico.

Milito sem nenhum tipo de vergonha de aqui estar e hoje, diante de tudo o que ocorreu ao país, a chegada dos golpistas e todo o baú de maldades despejados sob nossos costados, eis um sério e justo motivo para não sair da lida, da luta e de resistir mais e mais. O que vejo sendo feito contra o Lula é motivo não só para estar ao seu lado, mas para me postar como soldado e defender o Estado de Direito e fazer o que for possível e impossível contra a bestialidade em curso. Nunca havia presenciado tamanha perseguição a uma só pessoa, com tamanha crueldade e insanidade. O acusam de tudo e nunca conseguiram provar nada. Inventam coisas dia após adia e tudo cai como um castelo de cartas. A Lava Jato e esse juiz de primeira instância, Sergio Moro, desbragadamente desvirtuaram qualquer sentido de legalidade possível e jogaram na lata do lixo da História a credibilidade de uma das últimas confiáveis instituições brasileiras, o Judiciário. Tudo para pegar Lula e fazer o jogo dos instalados no poder com o golpe e insuflados pelos interesses norte-americanos. Não querendo um país soberano e altaneiro, destruir quem o quer é que fazem.

Combater o golpe é algo que faço desde muito antes dele ocorrer. Coloquei a cara para beter desde sempre, pois sempre entendi a maracutaia em curso com o Golpe, insano e cruel. Hoje, dia 14 de janeiro de 2018, a luta é outra, o golpe já está consolidado e já em curso as transformações que devolveram o país à condição de Colônia e quintal de interesses dos norte-americanos, com uma reforma da Previdência contra o trabalhador e o fim da Justiça do Trabalho e dos direitos trabalhistas. Reverter isso tudo é mais do que necessário. Mas como? Sou adepto de uma lema antigo e sempre útil: a união faz a força. Desunidos não chegaremos a lugar nenhum. Combater o golpe, golpistas e a continuidade deles no poder desunidos é o mesmo que perder tempo, lutar por lutar, mas ciente de que nunca os objetivos serão alcançados. desde que o golpe foi consumado e as forças de direita se uniram e destruiram a nossa soberania e estão no processo de entrega de todas nossas riquesas, vejo pouca união no confronto necessário.

Quando se intensifica a ação contra o ex-presidente Lula e o mais provável vencedor do pleito (se houver e o deixarem ocorrer sem percalços) eleitoral deste ano, o impedindo de concorrer e até o condenando sem provas, algo mais precisa ser feito e pelo bem do futuro deste país e, principalmente de nossos filhos. No PT sempre existiram muitos grupos divergentes, núcleos com procedimentos distintos, porèm com um ideal de luta em comum. Existiram desvios, muitos, mas hoje, quando diante de algo tão danoso para o país, como o golpe a impedir que a oposição dispute o poder com seu candidato e sendo ampliado o aprofundamento das tais reformas, as que destroem o país, se nada for feito, todos os que são contrários ao estado de coisas atual estarão perdendo o bonde da História. Permanecer quieto ou indiferente é fazer o jogo dos que destruiram o país.

Talvez essa venha a ser a última oportunidade de unificação de interesses de luta dentro do PT (e dos demais partidos ditos com cunho de esquerda), quando todos os grupos, núcleo e tendências, numa demonstração de altivez ideológica e política, abrindo mão de interesses pessoais, partem para algo coletivo, único, um centrar fogo contra o mal maior. Não me interesse citar esse ou aquele grupo como o que age mais acertadamente dentro do partido na cidade de Bauru. Isso não levará a nada neste momento. Faço parte de um deles, mas nem o cito neste texto, pois sei que, unidos poderemos até ter possibilidades de vergar esse podre estado de coisas hoje a tomar conta do país. Num impasse sobre um local para reunir militantes e na presença do deputado estadual Carlos Neder, em visita à cidade, no dia de ontem, o Mafuá foi sugerido como local de concentração de militantes. Prontamente aceitei e o que vi ali ocorrer me encheu de esperanças.

Carlos Neder é um deputado como poucos hoje em dia. Tem muito bem definido o que precisa ser feito e como se pode reverter a situação. Possui uma trajetória das mais dignas, um passado comprovadamente de resistência. Sabe o que faz. Falou a todos os presentes e com firmeza transmitiu confiança, ressaltando que sem união, nada feito. Três grupos ali reunidos, sem confrontos e pelo que entendi, prontos para atuarem em conjunto, combatendo não só o que estão a fazer com Lula, mas com o país num todo. Nos proximos dias a resolução sobre a ida para Porto Alegre RS, dia 24 no julgamento imparcial de Lula, ida para São Paulo onde provavelmente Lula estará na avenida Paulista ou mesmo, um ato em Bauru, diante da Justiça Federal, numa clara demonstração do descontentamento com sua atuação e perda de credibilidade, pelas decisões controversas dos últimos tempos. Algo de positivo foi sacramentado na reunião ocorrida no Mafuá e o melhor de tudo é um diálogo entre todos, superando as arestas e fazendo o enfrentamento que se faz necessário, contra o inimigo em comum. Inesquecível dia para uma militância pronta para atuar e só aguardando os sinais de que as lideranças estão decididas a lutar unidas.

Nas fotos um pouco do que pude registrar e nos próximos dias irei postando, dia após dia, as gravações que fiz, não só com o deputado em sua fala, mas com a participação de militantes bauruenses, inflamados e com um discurso dos mais unitários. Essa a contribuição mafuenta para que algo de grandioso possa ter nascido justamente neste local e que os fluídos daqui se irradiem até a vitória final, com a devolução do Brasil aos dignos brasileiros apostando sempre que um outro mundo é sempre mais do que possível.

DICAS (168)


A MORTE DE RUY FARIA, O MPB4 E ALGO DELES NUMA PASSAGEM POR BAURU

Eu sempre adorei o MPB4 e fui comprando ao longo do tempo tudo o que saia deles, o mais importante grupo vocal, musical, político, teatral e de resistência aos desmandos. Eles foram tudo isso e muito mais. Desconheço outra formação que não a tendo Aquiles, Magro, Miltinho e o Ruy Farias. Esses quatro resistiram o quanto puderam a ação do tempo e das intempéries de conviverem coletivamente. Sempre fizeram minha cabeça. Cantei com eles ao longo de, pelo menos, uns trinta anos de minha vida ou mais. Hoje espalhei aqui no chão do mafuá os LPS todos que tenho deles e não me desfaço por nada neste mundo. Quanta saudade. Depois os CDs, uns seis e mais dois do Ruy Farias, um após sair do grupo e cantando junto com Carlinhos Vergueiro.

Já assisti infindáveis shows deles aqui por Bauru e um deles revivi ontem com o amigo Geraldo Bergamo, quando este era secretário da Cultura, administração do Tidei de Lima. Foi no Vitória Régia, aureos tempos quando a MPB frequentava o nosso parque principal. Teve um outro show, onde eles faziam um espetáculo com uma guarda-roupas deesses de impressionar, pois trocavam de rouapa a todo instante. Verdadeira peça teatral musical. Eram bons nisto. Sivaldo Camargo ontem me lembra de outra passagem deles pela cidade, quando ainda da existência do Cine Clube. Foi no SESC e eles pediram pro pessoal da Cultura montar um time de salão e ir bater uma bola com eles lá no ginásio. Foram, mas o time montado para enfrentar o escrete musical foi um fisaco, tinha o Paulo Henrique PH no gol, jogando com meias sociais e uma daqueles tênis de sola fininha, mais o próprio Sivaldo que pouco entende de bola, o Geraldo Bergamo, Ivo Ayres, o Plínio e o Márcio. Quando o escrete do MPB4 viram a formação que enfrentariam, riram e jogo foi uma peça teatral. Coisas inesquecíveis deles e de uma trajetória linda. Os únicos autógrafos deles eu tenho num Cd de 2003, show também no SESC, o "MPB4 e a nova música brasileira", mais precisamente 05/11/2003.

Já havia chorado na morte do primeiro integrante do grupo e agora, renovo as lágrimas com o Ruy. Nem imaginava já ter ele 80 anos. Nossos ídolos também envelhecem e isso é de uma tristeza sem fim. Coloco neste momento os discos com a voz inesquecível do Ruy, sempre muito esperto para fazer brincadeiras, chacotas e cutucões. Irreverente e audaz, fez parte da formação de um grupo musical, desses que me embalaram a vida toda. Me sinto meio órfão, cada vez mais desamparado. Todos meus ídolos estão batendo as botas e não vejo peças de reposição à altura para a substituição. me fecho aqui no mafuá, eu e minhas dores, meus problemas de saúde, ergo o som, viajo no tempo, sonho com algo do passado e no rescaldo, sinto algo de positivo. Estive ao lado de gente de fibra, luta, os persistentes, resistentes, muitos deles colocando o dedo na ferida por nós. Quantas canções deles não foram libelos contra a ditadura e hoje o seriam novamente, diante deste cruel momento vivido pelo país. Ruy e o MPB4 fazem falta, muita falta. Eu tento resistir, tocar o barco adiante, lutar um pouco mais. Vou tentando como dá, ao meu modo e jeito. Vamos ver até onde consigo.

ENQUANTO MUITOS VÃO AOS TEMPLOS, EU VOU PRA FEIRA: MEU DÍZIMO SEMANAL DEIXO COM O "CARIOCA"
Nada contra a reza, mas não rezo mais (e já faz tempo). Deixei de acreditar no poder da orção, preferindo a ação (a qual também não atuo a contento). Pagar dízimo para espertalhões bestializarem a vida humana é coisa que não faço e não recomendo ninguém fazer. Gasto meus minguados caraminguás em outra coisa, na qual boto a maior fé: música e livros. Escolhi meu santo protetor, o Carioca lá da Banca da feira do Rolo. O cara vasculha cidade afora preciosidades e traz para diletos consumidores na feira dominical, a qual frequento e gasto, com o devido louvor, o que ganho na semana. Hoje ele me levou R$ 30 (de R$ 50 que tinha na carteira). Não me arrependo, pois o lucro será maior. Exponho abaixo meu consumo dominical:

- "Jubiabá de Jorge Amado", adaptação e desenhos de Spacca (este é o abe de Antônio Balkduíno, negro valente e brigão, desordeiro sem pureza, mas bom de coração. Conquistador de natureza, furtou mulata bonita e brigou com muito patrão...)
- "O Aspite - Há um jeito pra tudo", Ziraldo Alves Pinto (crônicas para adultos do indefectível Ziraldo, em crônicas semanais publicadas aos domingos num jornalão mineiro, exercendo sua função de aspite - que é tasmbém a minha, ou seja, assessor de palpite. Vim lendo na rua e rindo sózinho, da feira até o mafuá, em pleno deleite).
- "Jornalismo e desinformação", Leão Serva (Hoje a gente recebe muita informação, mas não se aprofunda em nada e quando obtém informação ela chega fragmentada e pulsando a visão do dono do órgão de comunicação, que nos engana que é uma barbaridade. Ler e se desinformar, duas coisas que andam juntas hoje).
- "Astronauta - Canções de Elis"m Joyce (Como gosto da voz e da malemolência da Joyce. Comprei este CD mesmo sabendo já o ter em meu mafuento acervo. E o fiz só para ter o prazer de presentear algum amigo (a) que me disser não conhecer essa cantante divinal).
- "Viva Tim Maia!" - Ivente Sangallo & Criolo (Comprei pelo Tim e por querer ouvir pouco mais a voz do Criolo, ainda pouco conhecido por mim. Da Ivete, confesso, ouço só essas coisas, pois gosto pouco do seu repertório, mesmo sabendo ter um vozeirão, mal aproveitado, pois poderia nos encantar muito mais. E vê-los cantando Tim é ára melar a cueca, como faço neste momento enquanto batuco essas mal traçadas).

Gastei R$ 30 e cumpri minhas obrigações religiosas no dia de hoje. Cada um se influencia do jeito que melhor achar conveniente. Essa a forma como encontrei para ser, fazer e acontecer e não me emburrecer.

HPA - Dominicando a vida sob a garoa bauruense.

sábado, 13 de janeiro de 2018

BAURU POR AÍ (148)


NO CHIC CAFÉ DA MIAMI BAURUENSE

Entreouvido ontem num chic café na região da Miami bauruense, quando tantos insólitos se reunem para festar seus feitos. A prestativa atendente querendo ser gentil cumprimenta com efusivo "Bom Dia", antes do atendimento a distinta senhora perto dos 80 anos e sua filha, generosamente perto dos 50 anos. Recebe como devolução uma virada de rosto. Faz seu serviço e na despedida das duas, renova um educado cumprimento e recebe como resposta a mais fria indiferença, como se não existisse. Elas se vão e fica aquela sensação de crueldade no ar. Percebo o constrangimento da cena e me dirigo à funcionária. Ela, ainda chocada, me diz:


- Gente assim existem aos borbotões. Devem achar que somos nada. Fico aqui imaginando como deve ser o tratamento que gente como ela dá para uma faxineira, uma empregada doméstica. Prefiro carregar paralelepípedo do que trabalhar pra gente assim.

Pago a conta e deixo meu comentário feito a ela em forma de reconhecimento aos trabalhadores brasileiros:

- Essa deve estar feliz com a situação atual do país. Estamos adentrando o retorno à escravidão, pelourinho e chicote. Para esses ver trabalhadores perdendo direitos deve ser um deleite, pois não suportavam mais ver os renegados viajando de avião, os filhos destes estudando na mesma universidade de seus filhos ou mesmo conquistando direitos trabalhistas. A empafia, infelizmente, é a marca da desgraça dessa classe média burra, que nunca vai ser rica, mas pensa que o é e age para infelicitar mais e mais este hoje devastado país.

hpa - adentrando o sábado

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (108)


O DAE, UMA RECLAMAÇÃO E EXEMPLO DE COMO UM PROBLEMA É RESOLVIDO

“Por uma Bauru melhor
Não acabem com o DAE
Paciência..!!
R. João Gomes Fernandes Q-1
Mary Dota
Depois de 1 mês.de espera..
10 dias atrás "des'concertaram"kkkk
De ontem prá cá... vazando.de novo
Gazeta..algo está errado por aí
Abra os "Zóios"”
, Adilson Talon

Adilson publica esse texto hoje pela manhã em sua página no facebook e junto dela essas fotos aqui também ilustrando o meu texto. Em poucas linhas, o desabafo de um munícipe descontente com o que vê se repetindo, dia após dia, pelas ruas da cidade. Atendimentos que demoram demais para serem solucionados e quando o são, buracos provenientes dos reparos demoram uma eternidade para serem tapados. No frigir dos ovos, uma constatação: o trabalho executado pelo DAE – Departamento de Água e Esgoto de Bauru deixa a desejar. Entra governo, sai governo e tudo continua como dantes. Pouca alteração do governo de Rodrigo Agostinho, 8 anos de atuação para o de Clodoaldo Gazzetta, um que prometeu na campanha dar um jeito na cidade em meros 100 dias. Evidente que pouco fez nesse período e também nos seguintes. E a grita continua.

Ressalto a ele algo que poucos percebem quando fazem a crítica ao DAE. “O DAE precisa ser fortalecido, valorizado e melhorado, ou seja, a instituição é salutar, mas as pessoas que a comandam nem tanto. Colocando lá as pessoas certas, com vontade de fazer algo pelo bem público e só por ele, a coisa vai andar que é uma maravilha. Sou é a favor de sacar do DAE os que empipocam o seu meio de campo, não deixando a bola rolar macia no gramado.”. A intenção é não deixar a crítica cair na vala comum, pois daí um pulo para pedir o fechamento do DAE e coisas do gênero. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Melhor não misturar alhos com bugalhos.

É exatamente o que faz uma munícipe (acho por bem não identificá-la em meu texto): “Sou contra o DAE. Cabide político, pode ver que o serviço é ruim demais, abrem mil buracos não fecham nunca!”. No post aparece até um vereador, Natalino da Pousada que pede os detalhes para resolver. Muitos vereadores de Bauru atuam exatamente desta forma, no varejo e não no atacado. Preferem ir atendendo caso a caso, como verdadeiros salvadores da Pátria, num estilo populista e sem resolver o problema maior, o de gestão administrativa. Em casos como esses, simplesmente o vereador usando de sua força, ligam e exercem o poder de intimidação, conseguindo o atendimento individualizado. Resolve o problema de um munícipe e não o da coletividade num todo. Até auxiliam, mesmo sem o saberem, a escangalhar ainda mais com o serviço prestado, pois acabam demonstrando para aquele específico cidadão a sua força política e só. Não existe uma atuação desses em proposituras de verdadeiramente solucionar o problema de gestão da autarquia. Se contentam em ver o problema resolvido, assim atendem o pedido feito, passam boa imagem, também criticam, mas não mostram saídas, nem propõe algo diferente. E muitos munícipes entram nessa e quando diante de algum problema diário recorrem ao vereador em busca de sua solução e não do todo.

A crítica de minha parte é feita por não ver solução para o problema agindo desta forma. O vereador quando recebe a solicitação, prontamente responde: “Bom dia qda amiga jaque, nos passa o endereço pelo nosso wathsap 997702124. Para que eu peça para o departamento fazer a manutenção. Ok?”. Pelo visto o problema foi resolvido, amanhã outro, depois outro e sem o enfoque no geral, sempre individual. Um ex-servidor, aposentado, Coaracy Domingues resume ao final do post com seu comentário algo sendo repetido como mantra quando o assunto é o DAE: “Nos últimos 19 anos transformaram o DAE-BAURU de jóia da coroa em bijuteria de quinta categoria. Administrações se sucederam "loteando" o DAE-BAURU politicamente. FALTAM NO DAE-BAURU PLANEJAMENTO, GESTÃO E GOVERNANÇA ! Na luta, POR UM DAE-BAURU MELHOR !”.

Sem soluções à vista, os problemas, pelo visto são desta forma resolvidos. E poucos tocam no cerne da questão, na ferida, preferindo ficar de bem com a galera do que se queimar e se indispor com a administração. Se o fizer, o vereador corre o risco de deixar de ter seu pedido atendido. Seria esse o procedimento básico de atendimento do DAE nessas últimas administrações? Se for, algo de muito sério ocorre no intestino de tão importante peça da administração pública municipal. A verificar. Eis o link do texto de Adilson Talon: https://www.facebook.com/adilson.talon/posts/997201103754068?pnref=story.


Agir só pressionado. Foi isso que entendi. Correto isso? Não seria melhor e mais edificante um plano de ação visando a cidade num todo, sem necessitar deste tipo de ação no varejo de vereadores?

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (151)


HISTÓRIAS EM PÉ, MAS COM ALGUMA CABEÇA PASSADAS NUM ANTIGO E FAMOSO BALNEÁRIO, O RIO DE JANEIRO

1.) EU QUERO UM ADESIVO DO CHE...
Feira da rua Uruguaiana, centro do Rio, hoje 20h. Paro numa banca de revistas e procuro adesivos do Che Guevara, para colar no meu meio de locomoção. Pesco e, ufa!, por fim encontro um, pequeno. Pergunto ao dono da banca: "antigamente tinha muito do Che, hoje difícil achar um. Que foi, caiu a procura?". Sua resposta: "O problema foi outro. Vende bem até hoje, mas é que passaram uns caras e invocaram de vender algo dele. Para não criar problema pra banca, deixei de expor como antes. Você ainda foi encontrar um, acho que é o último. Acho que a coisa já acalmou e vou voltar a expor". Fecha o pano. Este o país que temos hoje, liberdades em plena ebulição e expansão. Viva o golpe, golpistas e no que estão transformando o Brasil.

2.) 20 ANOS DA FOLHA SECA
Passei hoje por lá, num dos redutos mais aconchegantes da cidade do Rio de Janeiro. A livraria Folha Seca, dos amigos Maria Helena Ferrari e o filho Rodrigo Ferrari, o Digão. Eu vi nascer a livraria. O conheci, creio eu, dos tempos onde ele montou uma pequena livraria dentro do Espaço Cultural Hélio Oiticica, ao lado da praça Tiradentes. Ele me diz ter sido antes disso, quando trabalhava numa outra famosa. Lembro dele num antológico show no Canecão, o dos 50 anos do Aldir Blanc, que hoje já passou dos 70. Não perdi mais o contato e nas idas e vindas, sempre passo para um abraço ou comprar algo sobre a especialidade da casa: Rio de Janeiro, Futebol, Carnaval e Samba. Certa feita ele me apresentou o escritor e jornalista Ruy Castro, numa banca, feira literária nos jardins do palácio do Catete. Fiquei amigo do Eduardo Goldenberg e depois do Luiz Antonio Simas por seu intermédio e comprei o livro de ambos de suas mãos. Hoje mesmo trago dois do Simas e venho lendo no ônibus da Reunidas, retornando para Bauru. São tantas histórias. Numa outra, seu Zé Pereira de Andrade, o pai da Ana Bia Andrade me apresentou aos sebos cariocas, sete anos atrás e se surpreendeu por já conhecer o Rodrigo. Seu Zé era conhecido em todas livrarias do centro do Rio e adorava a Folha Seca, como eu, numa dessas inenarráveis coincidências boas desta vida. Fiz questão de passar para o abraço dos 20 Anos e o encontro almoçando defronte a loja, com nada menos que um dos melhores traços deste país, Cássio Loredano. As conversas ali travadas são tão edificantes, que nem acredito ser no Brasil atual. Aquilo é o paraíso na face da Terra, oásis no meio da mediocridade nacional. Saio sempre de lá com a carga de minha bateria mais do que recarregada.
Esse é o Rio que eu amo. Só ainda não consegui conhecer pessoalmente sua mãe, minha grande amiga internetica, Maria Helena. Escrever deles é muito prazeroso. Dia 20 de janeiro vai ter um festão na frente da livraria e só perco por motivo de força maior.


Trazer pra casa o livrinho (lindinho de doer) "No campo da memória, jogando conversa fora", só com fotos das paredes do bar paulistano São Cristovão, com futebol do chão até o teto é já pensar em fazer o mesmo com o TemploBar Bauru. O melhor do livrinho e que ao sair pra mostrar minha cestinha de compras pra dupla aí ao meu lado, Loredano o pegou nas mãos e ficou comentando página por página, jogador por jogador, jogada por jogada. Vim com o livro todo folheado e comentado por ele, daí seu preço triplicou no mercado. Fiquei com uma raridade nas mãos e quando me apertar vendo pra pagar aluguel ou pendengas inadiáveis, mas depois compro outro sem manuseio de gente tão importante.
HPA numa original Declaração de Amor.


3.) A ‘ESCUTA SOM’ CONTINUA NA CALÇADA VENDENDO CDs – VIVA A RESISTÊNCIA DO SEU JOÃO
O bom desta vida são as histórias que a gente vai acumulando pelas andanças daqui pra ali e dali pra outras paragens. Conto elas todas como as sei fazer, meio sem jeito, sinceras, cheias de minha empolgação. As coisas mais simples me arrebatam e no encantamento me envolvo e escrevo.
Sempre que volto ao Rio, passo por um lugar até então ponto de resistência. Uma pequena lojinha no centro da cidade, parte mais antiga, mais precisamente rua do Rosário nº 61, pouco mais de dez metros quadrados de espaço físico, a “ESCUTA SOM”. Ele conseguia revender CDs e DVDs a preços inimagináveis. Seu dono, o CLÁUDIO DE ALMEIDA ALVES, 51 nos conseguia das distribuidoras e gravadoras, lotes em pontas de estoque e preciosidades da música brasileira. Revendia tudo a preços não encontrado em mais nenhum lugar. Tudo legalizado, uma preciosidade. Batia cartão e sempre voltava, após vasculhar o lugar de cabo a rabo, com uma batelada de boa música debaixo do braço e sempre pagando pouco.
Passo ontem por lá e a porta fechada. Enquanto ainda olhava e já imaginando ser mais um dentre tantos que não aguentou a tal da crise, quando me chamam pro lado. Era o seu JOÃO BATISTA ALVES, 72 anos, que reconheço, pois trabalhava na loja. Montou uma barraca defronte uma outra loja fechada e ali continuava revendendo música, agora na calçada. Conta sua história: “O Cláudio morreu começo ano passado, sua diabetes o pegou. Foi muito cedo, era descuidado, vivia pro seu negócio e abusava da comida e bebida, pouco exercício. A mulher ainda tentou tocar o negócio, mas fechou em poucos meses. Eu não quero entregar os pontos e continuo atendendo os antigos clientes agora aqui na calçada. Vendo a R$ 5 reais cada CD, escolha a vontade”.

Trago dez e ele me faz um desconto, pago R$ 40. Cláudio morreu aos 51 anos e seu João, aos 72 insiste em continuar com o negócio de revender música. Lá se foram 15 anos da “Escuta Som”. Até a Folha de SP o homenageia com um belo texto publicado na edição de 24/02/2017: http://www1.folha.uol.com.br/…/1861545-mortes-de-camelo-a-r…. Seu João tenta ao seu modo e jeito não deixar aquela quadra ter todas as portas comerciais fechadas. Ele dá vida ao lugar, quase encostado à movimentada Rua Primeiro de Março, com seus ônibus indo pra Zona Norte e assim, a alegria não fenece, não morre de vez no lugar.