quinta-feira, 19 de julho de 2018
MEMÓRIA ORAL (227)
SOBERANA É A DIFERENCIADA PADARIA DO TONINHO*
*Histórias das pequenas empresas nas pontas de vilas desta insólita cidade e a movimentar um periférico comércio, cheio de muita garra e disposição. Algo de um desses.
Antonio Luiz Ferreira é o Toninho, esse senhor de 62 anos reside no Gasparini desde a abertura daquele núcleo residencial e desde os 12 atua no ofício de padeiro. São 50 anos na mesma profissão e após tudo ter começado na famosa Padaria no Papai, na rua Sergipe, vila Cardia, teve prosseguimento por 7 anos na São Judas Tadeu, uma que atende nos mesmos moldes da sua, a Soberana, essa já com mais de 15 de mercado. Tudo começou numa sociedade com um sobrinho, primeiro na rua Olegário Machado, vila Falcão, depois mudaram-se para a vila Independência e hoje, já completados seis anos, está na rua Boa Esperança 8-15, jardim Bela Vista, quase ao lado da avenida Nações Norte.
Saber do negócio de fazer pães isso é com ele mesmo e depois de ter padarias com balcão, igualzinho a maioria das existentes por aí, preferiu algo diferente. “A minha, como você vê não tem balcão de atendimento e nem vendo nada além dos pães. Optei por isso depois de penar numa época quando o pão estava muito barato. Resolvi arriscar nesse modelo, virei uma espécie de atacadista do pão, mas atendo também no varejo, só que sem aquele formal apresentação”, começa contando sua história.
Sua clientela basicamente é constituída de pequenos comerciantes, a maioria lanchonetes espalhadas pela cidade de Bauru. “O motorista leva de ponto em ponto os tipos de pães solicitados. Ele começa a entrega lá pelas 14h e vai até umas 18h na rua. São aproximadamente uns 30 clientes fixos e outros avulsos que surgem. A maioria são clientes conquistados ao longo do tempo. A gente leva também calote, mas nos dias de hoje se não der um tiro no escuro e confiar nas pessoas não abro mais clientes novos, pois todos estão cheios de dificuldades. Um ajudando o outro, a coisa anda e todos ganham”, prossegue.
O ambiente é muito simples, porém com bastante organização e asseio, tudo no devido lugar. Sabe o que faz e faz bem feito, esse o seu lema. Seu pequeno negócio tem apenas 3 funcionários, além do motorista e seu horário de funcionamento não é o mesmo das padarias convencionais. “Eu não preciso abrir tão cedo como as demais. Chegamos aqui por volta das 7h da manhã quando muitos outros já estão com suas portas abertas e sigo até umas 20h. Trabalho para os moradores da região, mas o forte mesmo são os embalados, desde pães para hambúrguer, hot-dog, francês, baguete, pães variados para festas e o pão família, um grandão que serve quando recheado para até 8 pessoas”, descreve sua rotina.
Relembra sua história com muita nostalgia e carinho. “Eu comecei com uma carrocinha na rua, dessas com um baú e puxada por um cavalo. Minha buzina era conhecida por onde passava e muitos ao ouvir o som já saiam para fora de suas casas. Certa feita, lá pelos lados do Aeroporto, algo machucou o cavalo e ao soltá-lo para ver o que se passava, ele fugiu e foi um atraso danado, mais de duas horas até conseguir acalmar o animal. Já entreguei de bicicleta e pequenos carrinhos. Só hoje consegui ter um bom veículo próprio para agilizar as entregas. São décadas de muito trabalho e nenhum arrependimento”.
Fala também da concorrência existente hoje, quando muitos não tem mais como arrumar novos empregos e fazem pães em casa, com maquinário de padaria, todos em busca da mesma clientela. “Não faço nada diferente dos outros ramos de negócio. Hoje a gente é obrigado a segurar os preços por causa da enorme quantidade de gente nova tentando a vida nesse ramo. Assim como abrem muitas novas barbearias, gente fazendo pão tem de montão em tudo quanto é bairro. Eu faço questão de contar a história do único vendedor externo que tenho. Criou algo próprio, ele chega sempre por volta das 16h, lota o carro e sai vendendo de porta em porta, clientela certa. Vende tudo. Ele entrega em muitos bares lá na região onde mora, um pouco de pães em cada pequena venda e não volta com nada. Descobriu um filão para sobreviver e se virar. O incentivo a continuar e que outros apareçam com a mesma iniciativa”, conta.
Seu ambiente é o mais simples possível. No salão principal um grande mesa e nela as bandejas que saem dos fornos passam por ali e são ensacadas em plásticos, na quantidade definida para cada cliente. No fundo, direita de quem entra a mesa do seu Toninho, cujo escritório fica no mesmo ambiente do atendimento. Ali também o maior forno do local e na entrada uma porta de vidro separando o ambiente da rua. Nos outros cômodos, mais fornos e noutro o depósito, basicamente de farinha. Esse o espaço da Soberana, essa insólita padaria, bem aos moldes de muitas pequenas empresas localizadas na periferia bauruense, sem pompa, sem estardalhaço, mas cumprindo um papel primordial e atendendo uma também especifica clientela, localizados em sua maioria na mesma periferia.
De periferia para periferia, assim sobrevivem muitas delas, da melhor forma possível. Muitos outros Toninhos estão na lida nesta cidade, mangas das camisas arregaçadas e sobrevivendo bravamente diante de tantos grandões no mesmo ramo de negócio. “O sol nasceu para todos. Sei que com meu trabalho estou aqui cumprindo a minha missão, feliz da vida e fazendo a felicidade de tantos outros”, me diz ao encerrar a conversa.
OBS.: Toninho atende pelos fones 14.32362868 ou 997440747 e novos clientes são sempre bem vindos. Quando lhe abordei para fazer o texto, ele se surpreendeu, desconfiado, me mediu de cima embaixo e por fim me perguntou: "Quanto vai me custar isso?". Ao saber que nada, ainda sem acreditar, demorou para baixar a guarda. Ficamos amigos.
quarta-feira, 18 de julho de 2018
O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (58)
A PEDALADA DE DILMA PERTO DA AGORA PROFERIDA PELA EMDURB É CAFÉ PEQUENO
Eu até tento não escrevinhar mais nada sobre a atual administração da Prefeitura Municipal de Bauru, mas eles nos municiam de tantos bons motivos e daí, não resisto. Volto à carga. Não pego pesado com eles, pois já estive do lado de lá e até entendo algumas atitudes. Outras não irei entender nunca. Vicejou neste insano e doente país até bem pouco tempo quase um consenso, a de que Dilma Rousseff pedalou e tudo foi feito para ser impedida, expulsa sem antes terminar seu governo (o que ocorreria no final deste ano). A pedalada dela foi por propósitos justos, explicados e não entendidos (por que não quiseram). Emprestou daqui para cobrir ali e depois quando entrasse ali, cobriria e tudo ficaria como dantes. Não a permitiram. Implacáveis os abutres. Escrevo de outra pedalada, essa bauruense e mais grave, mas sei que não haverá ninguém clamando nas ruas para que o prefeito caia por causa deste motivo. Enfim, o que serve para Dilma não serve para os demais. Já vimos isso com Lula. “Ordem judicial é para ser cumprida”, valeria para todos, menos para com Lula. Com ele vale tudo, menos o cumprimento da lei.
Falemos da pedalada bauruense. Ela deu no rádio e continua comentada pelos quatro cantos da cidade, caiu na boca de tudo, todas e todos (mais uma). A EMDURB é mesmo um problema, sua caixa não bate e a Prefeitura necessita prover sempre mais e mais, todo mês para suprir o buraco. Não entro no mérito da questão do motivo da pedalada, mas conto a sugestiva ideia repassada no ar por uma pessoa das mais importantes do seu meio jurídico, ou seja, um expert nos assuntos de fechamento de caixa e orientação jurídica. A empresa foi pega com a mão na botija aumentando desmedidamente uns preços de produtos, recebendo bem acima do que custavam os mesmos, tudo devidamente contabilizado, porém algo fora da lógica a reger a roda em girar. Se a coisa custa tanto, que se venda por esse preço, já vender por um preço muito acima, além de nada ético, resvala em algo não aceito, o vale tudo, os tais meios para se chegar aos fins. Leiam isso: https://grupobomdia.com.br/mp-abre-inquerito-para-investig…/.
Pois o tal do entendido das coisas públicas se dirige ao distinto público e afirma algo assim: “A Prefeitura sempre está cobrindo o buraco da EMDURB e agora quando ela recebe acima do valor e isso serve para contrabalançar seu caixa, contribui para diminuir a diferença, ótimo”. Seria simples se não fosse ilegal, trágico e insano. Cobrar a mais, lesar quem paga, tudo bem, desde que ajude a tapar o buraco. O capitalismo é mesmo surpreendente. Não existe mais o tal do preço justo, do valor de mercado, pois se os fins justificam os meios, o liberou geral está institucionalizado e no cada um por si, cada um tapa o seu buraco como lhe convier. Não precisaremos mais de arbitragem, de regulação, nem de gente chata fiscalizando. O que Dilma fez é café muito pequeno para o que rola por aí nos bastidores dos que hoje nos comandam em todas as esferas, mas ela mereceu ser mesmo defenestrada, pois não aceitou fazer parte do jogo como era e é jogado. Desculpem, não escrever mais nada sobre o assunto, vou ter que me ausentar por instantes. Vou até ali vomitar e volto logo.
OBS.: A charge do Fernandão Dias no JC de hoje é um prenúncio de que o fogo arde em Bauru de forma inclemente.
terça-feira, 17 de julho de 2018
FRASES (171)
PARTICULARIDADES DOS RICOS E SUAS MAZELAS – OS DAQUI, DE BOTUCATU E ALGO DE FHC
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A famosa Cuesta botucatuense. |
O título da matéria tem muito a ver em como os donos do dinheiro são tratados neste país: “O príncipe canavieiro e sua corte”. Histórias de como se formaram fortunas como a de FHC se repetem por todos os lados, tanto em Botucatu, Bauru e alhures. Mais que algo escancarado na grande hipocrisia nacional em fazer vista grossa a origem da dinheirama dos abastados, pois entre esses a origem é o que menos importa, todos impolutos de sangue mais que azul. Importa, como vejo na matéria seguinte na mesma edição da revista, escrita pelo mesmo Alceu Luís Castilho, o gosto muito parecido dos empoados, algo assim formatado ao longo do tempo, creio eu por osmose. “O gosto pela beleza” diz muito dos lugares onde esses todos se encontram, os convescotes onde se reúnem, trocam ideias e tramam tudo o mais de suas vidas. O autor descreve num breve e elucidativo relato, o que venha a ser a tal da “dolce vita”, expressão difundida por nada menos que Federico Fellini, num de seus filmes mais pomposos e famosos. “Costuma ser utilizada ao se descrever a vida descontraída, fútil e endinheirada de celebridades, entre elas políticos e empresários”. Esse povo gravita entre variadas e múltiplas instituições, todas tidas por eles como de excelente gosto e refino, as tais rodas empresariais da alta sociedade. Podem reparar, esses todos estão presentes em diversas e renomadas (sic) instituições, conselhos, agremiações, entidades ditas filantrópicas e culturais. A fina flor se acha o máximo e mesmo entendendo lhufas de arte, estão metidos no meio de quase tudo o que diz respeito a essas organizações. Se revezam em diretorias, presidências, sempre com muito poder de mando. Gostam mesmo é de se revezarem uns nos eventos dos outros. O negócio é aparecer, ser notado e, é claro, merecer notas nas colunas sociais. Um paparica o outro, enfim, tudo é uma grande festa. Nunca irão resolver os problemas do país, quando muito o deles, mas todos os demais vão elogiar a iniciativa do outro e assim por diante. É muita Fundação, Lions, Rotary, Loja Macônica, etc.
No texto da revista, algo com a acertada pitada da ironia para com esses todos, os benevolentes e prestativos assistencialistas localizados em todas boas cidades do ramo. “Falávamos no início do filme A Grande beleza. Ele ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2014, diante de sua suntuosidade, em diálogo com monumentos da cinematografia italiana, obra de Fellini, Antonioni, Visconti. Talvez tenha escapado aos acadêmicos uma sutileza no título: a provável referência ao filme La Grande Abbuffata, no Brasil, A Comilança, de Marco Ferrari. Neste clássico de 1973 os protagonistas por Marcello Mastroianni, Philippe Noiret e Ugo Tognazzi, decidem passar os últimos dias de suas vidas empanturrando-se. Sorrentino enxerga enfastiamento na relação atual das elites, filosoficamente corrompidas, com a arte. Uma doce vida voraz e envernizada, para o público ver, mas nem por isso menos mundana. De Roma a São Paulo, de Paris a Botucatu. Décadence avec élégance”. Baseado nisso poderia contar infindas histórias. Fico com uma, bem bauruense e a demonstrar isso tudo com impressionante nitidez. Um prócer do poder do dinheiro em Bauru será novamente candidato a nas próximas eleições. Desta feita, para sacramentar e oficializar a campanha, edita e lança seu primeiro livro. Um verdadeiro acontecimento na cidade “sem limites”. Reúne em sua imodesta residência a fina flor da sociedade local. Os não convidados se sentem diminuídos. Todos ali estão para serem vistos, fotografados e depois, terem as fotos publicadas no Diário Oficial do município, o único jornal a circular na cidade. As fotos saem ocupando duas páginas distintas, todas coloridas e nelas, os personagens mais representativos da aldeia bauruense. Do livro, não um romance, crônicas, artigos ou escrevinhações, mas somente frases e da linhagem das de autoajuda, curtas e repetitivas. Sem levar em conta que, o conteúdo é o que menos interessa e importa. Estar ali e aparecer vale sempre muito mais. Isso, por si só, merecedor de um longo tratado. Esses personagens, idênticos todos aqui, em Botucatu, Jaú, Bariri, nos muitos Country Clubs. Nesses lugares não existe a menor possibilidade de misturas de classes sociais. Seus frequentadores são todos idênticos, mudando só o endereço. Poderia escrever muito mais desses todos, mas daí já viraria um tratado, um amplo estudo filosófico, o que, convenhamos, ainda não é o caso.
segunda-feira, 16 de julho de 2018
O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (103)
O QUE FOI O “JULGAMENTO DE SÓCRATES”, COM TONICO PEREIRA EM BAURU NA NOITE DE DOMINGO?
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Platéia surpreendida por Tonico. |
Ator entre Lázaro Carneiro e Rubens Colacino. |
O que venha a ser o JULGAMENTO DE SÓCRATES? Entenda: “Diante do tribunal popular, Sócrates é acusado pelo poeta Meleto, pelo rico curtidor de peles, influente orador e político Anitos, e por Licão personagem de pouca importância. A acusação era grave: não reconhecer os deuses do Estado, introduzir novas divindades e corromper a juventude. O relato do julgamento feito por Platão (428-348 a.C.) a Apologia de Sócrates, é geralmente tido como bastante fiel aos fatos e apresenta-se dividido em três partes. Na primeira, Sócrates examina e refuta as acusações que pairam sobre ele, retraçando sua própria vida e procurando mostrar o verdadeiro significado de sua "missão". E proclama aos cidadãos que deveriam julga-lo: "Não tenho outra ocupação senão a de vos persuadir a todos, tanto velhos como novos, de que cuideis menos de vossos corpos e de vossos bens do que da perfeição de vossas almas, e a vos dizer que a virtude não provém da riqueza, mas sim que é a virtude que traz a riqueza ou qualquer outra coisa útil aos homens, quer na vida pública quer na vida privada. Se, dizendo isso, eu estou a corromper a juventude, tanto pior; mas, se alguém afirmar que digo outra coisa, mente". Noutro momento de sua defesa, Sócrates dialoga com um de seus acusadores, Meleto, deixando-o embaraçado quanto ao significado da acusação que lhe imputava - "corromper a juventude". Demonstra que estava sendo acusado por Meleto de algo que o próprio Meleto não sabia bem explicar o que era, já não conseguia definir com clareza o que era bom e o que era mau para os jovens.
Com o iluminador Silvio Selva, altos papos. |
Em nenhum momento de sua defesa - segundo relato platônico - Sócrates apela para a bajulação ou tenta captar a misericórdia daqueles que o julgavam. Sua linguagem é serena - linguagem de quem fala em nome da própria consciência e não reconhece em si mesmo nenhuma culpa. Chega a justificar o tom de sua autodefesa: "Parece-me não ser justo rogar ao juiz e fazer-se absorver por meio de súplicas; é preciso esclarecê-lo e convence-lo". Embora a demonstração pública da inconsistência dos argumentos de seus acusadores e embora a tranqüila e reiterada declaração de inocência - e talvez justamente por mais essas manifestações de altaneira independência de espírito -, Sócrates foi condenado. Mesmo para uma democracia como a ateniense, ele era uma ameaça e um escândalo: a encarnação, para a mentalidade vulgar, do "escândalo filosófico" que, ali mesmo em Atenas, acarretara a perseguição de Anaxágoras de Clazômena, que se viu obrigado a fugir.
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Agradecer ao ator pelo ali propiciado. |
Como era de praxe, após o veredicto da condenação, Sócrates foi convidado a fixar sua pena. Meleto havia pedido para o acusado a pena de morte. Mas seria fácil para Sócrates salvar-se: bastava propor outra penalidade, por exemplo pagar uma multa, como chegaram a lhe sugerir os amigos. Afinal, fora difícil obter um veredicto de culpabilidade: havia sido condenado por uma margem de apenas sessenta votos. Qualquer pena moderada que ele mesmo propusesse seria certamente acatada com alívio por aquela assembléia constrangida por condenar um cidadão que, apesar de suas excentricidades e de suas atitudes muitas vezes irreverentes e incomodas, apresentava aspectos de indiscutível valor. Afinal, era aquele o Sócrates que não se havia deixado corromper pelos tiranos, inimigos da democracia, e que lutara bravamente na guerra por sua cidade e por seu povo. Bastava que declarasse estar disposto a pagar algumas moedas - e todos sairiam dali satisfeitos consigo mesmos, por terem cumprido o "dever" de punir um cidadão suspeito de atividades nocivas a cidade, e mais contentes ainda por se sentirem magnânimos, ao permitirem que continuasse vivendo.
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Claudio Lago e este HPA o entrevistam sobre o momento atual. |
Mas Sócrates não faz concessões. Propor-se a cumprir qualquer pena, mesmo pagar uma multa, por menor que fosse, seria aceitar a culpa de que não o acusava a própria consciência. Na segunda parte da Apologia, Platão descreve o momento em que, novamente diante de seus juízes, Sócrates estabelece a pena que julgava merecer. Nem exílio, nem multa. "Ora, o homem (Meleto) propões a sentença de morte. Bem; e eu, que pena vos hei de propor em troca, Atenienses? A que mereço, não é claro? Qual será? Que sentença corporal ou pecuniária mereço, eu que entendi de não levar uma vida quieta? Eu que, negligenciando o de que cuida toda gente - riquezas, negócios, postos militares, tribunas e funções públicas, conchavos e lutas que ocorrem na política, coisas em que me considero de fato por demais pundonoroso para me imiscuir sem me perder -, não me dediquei àquilo a que, se me dedicasse, haveria de ser completamente inútil para vós e para mim? Eu que me entreguei à procura de cada um de vós em particular, a fim de proporcionar-lhe o que declaro o maior dos benefícios, tentando persuadir cada um de vós a cuidar menos do que é seu do que de si próprio, para a ser quanto melhor e mais sensato, menos dos interesses do povo que do próprio povo, adotado o mesmo princípio nos demais cuidados? Que sentença mereço por ser assim? Algo de bom, Atenienses, se há de ser a sentença verdadeiramente proporcionada ao mérito; não só, mas algo de bom adequado a minha pessoa. O que é adequado a um benfeitor pobre, que precisa de lazeres para vos viver exortando? Nada tão adequado a tal homem, Atenienses, como ser sustentado no Pritaneu; muito mais do que a um de vós que haja vencido, nas Olimpíadas, uma corrida de cavalos, de bigas ou quadrigas. Esse vos dá a impressão da felicidade; eu, a felicidade; ele não carece de sustento, eu careço. Se, pois, cumpre que sentenciam com justiça e em proporção ao mérito, eu proponho o sustento no Pritaneu."
Sócrates não deixava saída para seus juízes. Ou a pena de morte, pedida por Meleto, ou ser alimentado no Pritaneu, enquanto fosse vivo, como herói ou benemérito da cidade. Impossível voltar atrás, desfazer a condenação, inocentar o acusado. Entre a morte e as impossíveis recompensas, ou juízes ficaram sem alternativa real. Para não abrir mão de sua própria consciência, Sócrates optara pela morte. Que então morresse”, Immanuel Kant, Introdução à crítica do juízo. 2 ed, [Tradução Rubens Rodrigues Torres Filho], São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Os Pensadores).
Abaixo a gravação, curta e grossa, sem edição, permitida
pelo ator nos bastidores, na saída do espetáculo teatral, um bate bola entre
esse HPA e Cláudio Lago com Tonico e das relações da peça com o momento atual.
Um registro mais que histórico:
domingo, 15 de julho de 2018
MEMÓRIA ORAL (226)
REENCONTROS NA FEIRA E A HISTÓRIA DE UM REENCONTRADO
Gosto muito de escrevinhar algo dos meus diletos amigos. A cada dia escolho um e o coloco no paredão. Hoje na feira matinal reencontro um desses, oriundo de Pompéia, ali do lado de Marília. Nos anos 80 trabalhamos juntos na Bradescor e dali nasceu uma amizade a perdurar para todo o sempre (toc toc toc). Hamilton Suaiden é o popular TURCO e alguns anos depois do episódio Bradesco, ele estudando Direito em Bauru (concluiu o curso e nunca advogou, mas é formado pela ITE) quis ser candidato a vereador e fizemos juntos um folheto de campanha escrito à mão e com uma ilustração da Graúna no rodapé. Inovamos e ele teve mais de 200 votos, algo muito legal para um recém chegado na cidade.
O Turco possui uma característica só dele, própria dos libaneses, do qual é oriundo. Ele é entrão, mas não aquele entrão chato que se mete em tudo, ele é um hábil vendedor, desses desavergonhados para a prática do negócio de saber passar adiante algo. Sabe oferecer e o faz com maestria. Sempre babei de vê-lo vender qualquer coisa que lhe pusessem nas mãos. Quando qualquer outro se mostra acanhado, ele é arrojado e vende de tudo. Durante mais de uma década foi um dos maiores vendedores de assinatura de revistas deste país. Aliás, conheceu o país inteiro vendendo revistas, de norte a sul e só voltou lá do Nordeste por pura opção pessoal, pois estava mais do que famoso e bem estabelecido. Após rodar o país inteiro bateu aquela saudade dos seus filhos, apeou da estrada e voltou para Bauru onde esses residem.
Suas histórias são todas cheias de ricos detalhes, desses do sujeito parar diante de quem as conte e babar na fronha. Impossível não se deixar levar com alguém tão rico em belas histórias. Posso não concordar com ele na totalidade de suas ideias (como de fato não concordo), mas não consigo também me manter distante da boa conversa toda vez que revejo pela aí. Desde quando voltou, matutou muito até encontrar algo para fazer da vida e mesmo sem nenhum experiência, abriu uma pastelaria na rua Primeiro de Agosto, quase esquina com a Treze de Maio e ali está sabendo sobreviver e reunir amigos, considerados, desocupados, desorientados e toda uma legião de novos e velhos clientes. O pastel é bom, melhorou com o tempo e o que o faz ir tocando o barco sempre pra frente é o seu jeito malemolente, algo diferenciado na forma de cativar as pessoas.
Eu passo em frente e já quero entrar para o bate papo. Sempre foi assim. Tenho inúmeros amigos dos tempos do banco, mas esse é realmente diferente, um que, pelo jeito ,sempre seremos uma espécie de unha e carne. Já tentei discutir como gajo, mas isso me dói muito e daí, reconsidero e tocamos o barco com as divergências todas. Turco é um dos poucos amigos que possuo, profundo conhecedor das quebradas do mundaréu do mundo da jogatina nesta cidade. Conhece todos os pontos de bilhar da cidade e os mais incrementados de carteado. Conhece também os ainda funcionando para o jogo da bocha. Histórias das mais interessantes rolam nesse meio de campo e para saber das últimas, mesmo ele estando um tanto desligado e destreinado, continua sabendo de tudo. Quando de suas viagens país afora trouxe consigo na algibeira o conhecimento dos lugares onde isso tudo rola solto no resto do país.
O gostoso quando ao seu lado é ir provocando e, a partir daí, ele vai sacando histórias do fundo do baú. Hoje estava na feira para comprar verduras para seus acepipes e quitutes na pastelaria, mas como sabe onde me encontrar e também não consegue vir na feira e deixar de botar os pés (e as mãos também) nos seus cantos mais sórdidos. Sentamos um bocadinho curto de tempo, proseamos na medida quase exata, em algo onde sempre na despedida, a nítida e certeira impressão de ter sobrado assunto e faltado tempo. Cada amigo em especial possui uma particularidade mais que especial, esse possui o dom de te atrair pelo jeitão simples de tocar sua vida, de enfrentar todos seus problemas, de entrar e sair das situações e só por causa disso, como não querer ouvir as últimas, penúltimas e todas as outras histórias de algibeira guardadas para ocasiões como essa.
Quer uma relevante história a envolver o Turco e sua pastelaria? Conto uma, dentre tantas, uma dignificante. Coração de ouro. Quem está trabalhando com ele, uma espécie de faz tudo na cozinha, mão de ouro, podendo demonstrar suas habilidades nos quitutes é o NETO, o ex-companheiro de todas as horas do saudoso Paulo Keller. Neto já fez de tudo após a passagem do Paulo, tento o buffet, mas bateu cabeça e quem lhe deu a possibilidade de continuar atuando pela aí foi o Turco. Esse conta das habilidades do contratado na cozinha e das delícias que saem de suas hábeis mãos. Como todos nós, Neto não é uma pessoa fácil (mas quem o é?). O gostoso dessa vida, diria até saboroso é ir descobrindo como foi possível reabilitar a mão nunca perdida de alguém distante da cozinha por um tempo, mas dessas nunca a perder o traquejo. Um sabe ir conduzindo o outro e assim, seguem juntos, cada um ajudando o outro no que pode. Noutro dia que passei por lá, uns salgados diferenciados expostos e ao perguntar, tomo conhecimento, tudo possível pela mão do Neto. E ele ali ao lado para receber o elogio.
Eu tenho amigos que suas histórias merecem um livro. Eis um deles. Esse digno representante da família Suaiden, apelidado de Turco por causa desse imenso nariz e o jeito de ser de toda uma raça, uma que aqui aportou alguns séculos atrás, conseguiu fazer deste país o mundo deles e seguem adiante construindo aos trancos e barrancos belas histórias de vida. Todos já tivemos momentos melhores, muito mais alvissareiros que os de hoje, mas se olharmos para trás, principalmente quando diante de gente da estirpe deste Turco, dá para se traçar um belo perfil de vida. Qualquer dia laço esse Turco e gravo parte de suas histórias, seus relatos de viagens, as indescritíveis andanças de um que, num certo momento de sua vida, criou coragem, saiu de sua zona de conforto, deixou seu mundo para trás e foi dar de cara com o mundo. E foi bem sucedido, o que rende conversas pra lá de saborosas. E gente com histórias saborosas na ponta da língua são merecedoras de toda a atenção do mundo.
Eu tenho amigos que suas histórias merecem um livro. Eis um deles. Esse digno representante da família Suaiden, apelidado de Turco por causa desse imenso nariz e o jeito de ser de toda uma raça, uma que aqui aportou alguns séculos atrás, conseguiu fazer deste país o mundo deles e seguem adiante construindo aos trancos e barrancos belas histórias de vida. Todos já tivemos momentos melhores, muito mais alvissareiros que os de hoje, mas se olharmos para trás, principalmente quando diante de gente da estirpe deste Turco, dá para se traçar um belo perfil de vida. Qualquer dia laço esse Turco e gravo parte de suas histórias, seus relatos de viagens, as indescritíveis andanças de um que, num certo momento de sua vida, criou coragem, saiu de sua zona de conforto, deixou seu mundo para trás e foi dar de cara com o mundo. E foi bem sucedido, o que rende conversas pra lá de saborosas. E gente com histórias saborosas na ponta da língua são merecedoras de toda a atenção do mundo.
sábado, 14 de julho de 2018
MÚSICA (162)
MEDICAMENTOS PARA DORMIR
SEGUNDA: O BRASIL ESTÁ MESMO PELA HORA DA MORTE E EU SÓ CONSIGO DORMIR APÓS TOMAR MEUS MEDICAMENTOS
Hoje, por exemplo, enquanto não revi o curto vídeo do Aldir Blanc cantando num botequim pé sujo na Tijuca, sentado e escorado pela sua inseparável bengala, a sua música mais famosa, não teria como dormir. Ao ir ouvindo, fui me desligando das atrocidades cometidas nesse país doente e senil, daí fui relaxando, a tremedeira desapareceu e entrei no clima. Rodeado daquele conversê só possível em quem chafurda pelos botequins mais sórdidos desse mundo, só assim, com essa medicação na medida exata, deito e durmo. Do contrário, nem com sonífero sossega leão. É o que me mantém vivo. Sobrevivo assim... Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=M0Z1kDVI_xI
TERÇA: AH, O QUE SERIA DESSE POBRE MORTAL SEM SEU NOTURNICO MEDICAMENTO...
São doses certeiras, consumidas dentro da exata quantidade e após um dia inteiro de intensa estupefação, eis que na noite o estado febril se avoluma. O corpo padece demais da conta nesses tempos, onde tudo está mais que dominado. Para dormir só mesmo algo como "Milonga pra loco", do gaúcho Bebeto Alves, um a me fazer esquecer das bestialidades lidas, sentidas e sofridas nos embates diários. Vou ouvindo a milonga, ela invade meu quarto e acaba por expulsar os retrógrados que me acompanharam o dia inteiro. Quando a judiaria estava se exaurindo, a batidinha do violão me acalma, a fala loca do cantante me leva pra nanar e só então durmo. Eis meu medicamento: https://www.youtube.com/watch?v=TQlk89KPyCg. Quem disse que a música não é curativa?
QUARTA: NÃO PENSEM TER DORMIDO SEM MEU MEDICAMENTO
Não o faço mais, virou a única forma de conseguir pregar os olhos. As barbaridades são tantas, tamanhas que, sem a dose diária, regulada na medida exata e indicada por acertadas receitas, prescritas muito longe de consultórios médicos. Cabem na medida para as dores que sinto dentro do peito. Querendo continuar lendo e participando das barbáries cometidas por esse tal de doente crônico denominado facebook, a tal terra de ninguém, nadamelhor do que no final do dia, quando tudo está lá de uma certa forma concentrado na mente do gajo, ele fique estático, petrificado e mesmo diante do irremediável cansaço, o sono não vem. A mente em ebulição não permite. O que ainda permitem (não se sabe até quando) é colocar na vitrolinha aquele som ameno, aquele que te faz voar sem tirar os pés do chão, daí com a música penetrando nas suas entranhas mais profundas, você se dá por vencido e quando percebe ronca. Nessa noite passada só consegui a minha dose de Diazepan com UM TREM PRAS ESTRELAS - CAZUZA. Experimentem: https://www.youtube.com/watch?v=sr8WspaGvHw.
QUINTA: O SONO NÃO VEM - PUDERA, ESTAVA ESQUECENDO DO MEU MEDICAMENTO...
Não estão sendo dias fáceis. Esse golpe danificou a mente dos brasileiros, já um tanto avariada com o que a mídia foi produzindo ao longo dos últimos tempos na mente dos desavisados. O país acabou por se transformar numa terra de ninguém, tudo às avessas. Alguns, dentre eles os mais simples não se deixaram perder de todo. Conto algo. Um encanador aqui em casa consertando um estrago no banheiro me diz da música que ouvia. Me diz ser triste, mas muito bonita, quer saber quem é. Falo que só ouço a Unesp FM e que esse a cantar é o João Bosco, não o da dupla sertaneja, mas um mineiro. Ele me diz conhecê-lo. Conto a história da música, "SINHÁ", do Chico Buarque, mas que na voz e violão do João são mesmo eletrizantes. O sinhozinho está prestes a cegar o escravo, tudo por ele ter supostamente olhado a patroa tomar banho nua na cachoeira. O pedido de clemência do negro é de doer a alma. Não falamos mais nada até o final da canção. "Eu choro em yorubá, mas oro por Jesus, por que que vosmicê me tira a luz?", diz a letra e nós dois ali sem voz. Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=ZhLAig0uOL0. Neste momento, 23h25, corpo mais que cansado, acho Sinhá no youtube e com ele rolando na vitrolinha, o corpo vai amolecendo, medicamento fazendo efeito e durmo sentado, misturando a crueldade daqueles tempos com a desse nosso tempo. A música é linda, mas as histórias são tristes demais. Prometo que vou tentar acordar amanhã cedo, mas não sei se conseguirei.
SEXTA: ME CONVIDARAM PRA SAIR, MAS SEM O MEDICAMENTO, VOU NÃO
Está frio, algo pra lá dos conformes bauruenses, quando estamos acostumados com temperaturas bem mais amenas. Os embates diários continuam fervendo a moleira dos sensatos e uma brigaiada sem nexo, muito da desconexa pipoca pelas redes sociais, bolsonarizando a cabeça dos incautos. Melhor ficar de fora desse triste momento da vida nacional, mas quando chega uma hora dessas, corpo cansado e sem conseguir o devido descanso por causa dos encostos se aproximando durante a refrega do dia. Vou na estante, acho um CD da Joyce Moreno e depois de ver que a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, loteada de caducos e abilolados comandados por Crivella lhe salvam a vida, escolho algo bem na contramão do que pregam esses boçais para ver se o corpo volta ao normal: "O samba da Zona". Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=Xwu1MpEA0es. Enquanto o parlamentar quer curar a paraplégica deputada pela força de sua banal e sacana oração, prefiro dançar na Zona, algo muito mais edificante. Ouvindo a boa música e com recordações de antanho, dos tempos quando existia zona em Bauru, consigo me acalmar e vou lentamente me recolhendo aos meus modestos aposentos. Só assim...
SÁBADO: A cada dia um medicamento diferente. Imaginem o que poderia me salvar e fazer dormir na noite de sábado?
sexta-feira, 13 de julho de 2018
DICAS (174)
DOIS ATORES DA MAIOR RESPONSA ENTRE NÓS – VAMOS VÊ-LOS? IMPERDÍVEIS E LIBERTÁRIOS...
Hoje, sexta 13, duas notícias dessas mais que ótimas, para espantar o azar reinante nesse país golpeado por malversações diárias.
São dois da melhor cepa, desses que a rara oportunidade pede para o breque mais que obrigatório, reunião de possibilidades, junção de caraminguás, sendo feito de tudo e mais um pouco com o intuito de ir vê-los pessoalmente e se possível, até um papo, certamente dos mais agradáveis, pois ambos fazem parte do segmento dos arejáveis tupiniquins. Escrevo de ambos.
Dia 15/7, domingo, aqui em Bauru a presença de TONICO PEREIRA. Um desses atores na acepção da palavra, bom demais da conta e com um poder de interpretação a me fazer babar na fronha. Ator de uma TV cada vez mais massificada e massificante, consegue se sobressair e com seu trabalho irradia para todos os ventos do que é ser independente, possuir ideias próprias. Dos poucos que não se deixa levar e mesmo atuando na TV Globo consegue corajosamente expor o que pensa e não se cala diante dos fatos atormentando o país. Toma partido e o faz ao lado da defesa de LULA LIVRE e pelo fim desse cruel e insano golpe. Estará no teatro Municipal de Bauru com a peça “O julgamento de Sócrates”, release: ‘A história é uma adaptação do livro Apologia de Sócrates, de Platão, realizada pelo premiado autor Ivan Fernandes em forma de monólogo, com o ator Tonico Pereira no papel título. O espetáculo dramatiza a defesa de Sócrates no julgamento que o condenou à morte por envenenamento. É talvez o primeiro grande caso na história da humanidade de um homem ser condenado por ter ideias diferentes do estabelecido pela sociedade. Através desse caso, a peça debate a liberdade de expressão e o pensamento no mundo contemporâneo”. Outro dia vi Tonico dar um depoimento sobre a arbitrária prisão de Lula e além de tudo, por não ser guiado como manada nesse país cada vez mais servil, merece todo nosso respeito e consideração.
Dia 20/7, sexta que vem, exato uma semana, quem estará em Lençóis Paulista será PAULO BETTI, o ator assumidamente caipira, pois nascido em Sorocaba, faz questão de não perder o sotaque e a picardia da rebeldia, sempre presente em seu trabalho. Paulo é um homem de esquerda, já tendo gravado no passado inúmeros depoimentos para programas eleitorais do PT. Tenho uma coincidência enorme de vida com ele. O trouxemos em Bauru no período do governo Tuga por duas vezes e por fim, foi quem me apresentou a esposa Ana Bia, sendo, portanto o cupido do meu relacionamento conjugal. Muito já escrevi disso no meu Mafuá (https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=paulo+betti), tudo sempre recordado com o maior carinho. Se Bauru não o traz, já fomos em Sorocaba, São Carlos e agora estaremos em Lençóis Paulista para rever o amigo, que um dia trouxe aqui para lançar o seu filme, Cafundó. Ele vem para apresentar seu monólogo, Autobiografia Autorizada. Release: “Décimo quinto filho de uma camponesa analfabeta que trabalhava como doméstica no interior de São Paulo e de um pai esquizofrênico, Paulo Betti saiu do mundo rural para ser um ator aclamado no país (participou de quase 70 telenovelas e atuou em cerca de 30 filmes), mas, na peça, ele conta sua trajetória anterior ao sucesso e as histórias de sua família de origem italiana. O ator mostra, entre outros itens, a faca que a avó usava para matar porcos e um caderno onde costumava tomar notas e cujo material ali escrito ajudou na concepção da peça. Monólogo com iluminação, figurino, trilha sonora, cenário e belas projeções”.
Conhecer Tonico Pereira e rever Paulo Betti serão duas possibilidades mais que alvissareiras, ainda mais diante desse país lacrando suas saídas. Em tempos sombrios, quando diante de artistas resistindo bravamente às imposições do sistema, demonstrando a existência de uma outra possibilidade, uma alternativa ainda possível, daí só mesmo ir vê-los e com o aplauso em pé, a reverência necessária para que continuem seus trabalhos, pois sempre terá do lado de cá gente como eu e tantos outros, os que acreditam piamente que ser manada e dizer amém é algo muito triste. Dessa feita registro depoimento de ambos e depois conto por aqui. O escrito serve como convite para outros estarem conosco nessa jornada.
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