quarta-feira, 25 de março de 2020

FRASES DE UM LIVRO LIDO (150)


O QUE LEIO? FAUSTO WOLFF E MAIS ALÉM, EXEMPLO PARA MEUS ESCRITOS – ELE É O CULPADO DE TUDO, FONTE INSPIRADORA

A minha fuga sempre foi a leitura. Ainda mais agora. Ontem me perguntaram o que leio nesses dias. Respondo. Primeiro tento colocar em dia algo pelo qual acreditava nunca poderia atualizar, a leitura de minhas revistas e texrtos deixados para trás. Tinha várias acumuladas e hoje quase atualizo a leitura da pilha diante de minha mesa. Depois, não tenho lido nada muito sisudo, mas sim, como sempre fiz, algo de profundo conteúdo. Tenho um jornalista como o ápice do que considero jornalista, na acepção da palavra, FAUSTO WOLFF. Esse gaúcho carioca sempre me arrebatou, desde os tempos d’O Pasquim e muito dele já escrevi no blog do Mafuá. Tinha em cima da mesa um catatau de sua lavra, 742 páginas, “A milésima segunda noite ou A História do Mundo para Sobreviventes” (Bertrand Brasil RJ, 2005), constituído de mil pequenas histórias, todas com a lavra e verve desse “lobo das estepes”, escritas com sangue nas ventas. A maioria são descrições como gostaria de conseguir produzir. Leio, assimilo, tento copiar e agora passo adiante na forma de frases, compiladas. Estou exatamente na metade da leitura e a quantidade de anotações é imensa, pois quase tudo é aproveitável. Essa leitura me dá alento, me acalma e ao mesmo tempo me revigora como forma de manter recarregada a bateria. Como ele mesmo escreve antes de começar a desfiar seu rosário e sobre o conteúdo de suas historietas: “carregava um inacabado edifício sem saber o que fazer com ele”. Esse tipo de leitura me aguça a libido.

- “...escrever bem pode ser importante, mas não é essencial. Essencial é a sinceridade. Pelo menos tentar ser sincero de todo coração. Isso, por si só, já é um estilo. Um livro que não é um autor não serve para nada. Ousaria dizer, como Walt Whitman, que quem toca num livro meu está tocando num homem”.

- “A maioria dos letrados no Brasil se comporta como os ingleses em relação à Índia. Quase nada sabem do povo”.


- “Sempre que vejo uma imponente catedral medieval demonstrando a nossa pequenez diante da construção, não posso deixar de imaginar o sangue humano escorrendo sob os pesados paralelepípedos, pois a Igreja é responsável pela maioria dos grandes crimes cometidos contra o homem e também por, pelo menos, mil anos – é isto mesmo -, dez séculos de ignorância e prepotência. (...) Convenhamos, é bem pouco se levarmos em conta que o mundo oriental, principalmente árabes, chineses, japoneses, hindus, possuíam alta ciência, teatro, literatura enquanto que o nosso mundo cristão nos presenteava com guerras de reis medíocres, com a miséria, a fome, a peste e a sujeira”.

- “Creio que se todas as espécies de tubarões houvessem sobrevivido, o homem nem teria surgido na Terra”.

- “Ora, com sua pouca educação e tendo nascido no seio de uma família humilde, Cristo, hoje em dia, jamais chegaria a cardeal”.

- “A História é sempre uma mentira e a americana é a mais mentirosa de todas”.

- “...guerra é coisa de rico e deveria ser resolvida pelos ricos. Cada vez que um pobre morresse, um rico deveria ser executado”.

- “Quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi a Washington para garantir sua eleição, fizeram-lhe tantas exigências que, caso aceitasse, fariam com que o Brasil perdesse sua frágil soberania. FHC titubeou, mas um alto funcionário do Tesouro americano lhe disse: “Assina tudo, Fernando. Afinal, o que tens a perder além do caráter e da dignidade?”. Ele assinou e se elegeu”.
- “Creio que só entenderemos a nós mesmos e ao Universo no dia em que aprendermos a falar com os cães. Por outro lado, melhor não. Poderíamos transmitir-lhes nossos defeitos”.

- “Dêem aguardente aqueles que agonizam e vinho aos que estão desesperados. Deixem-nos beber e esquecer sua pobreza e nunca mais lembrar sua miséria. (...) Se há alguma coisa que deve ser proibida são os proibidores”.

- “As relações do homem com o dinheiro são extremamente bizarras. Existem pessoas como eu, que usam o dinheiro, mas a maioria deixa-se usar por ele. (...) Não consigo me lembrar de nenhum economista além de Marx que tenha contribuído para a melhoria do ser humano”.

-“Veríssimo não é tímido. Tímido somos nós, os alcoólatras, que não aguentamos outro ser humano ao nosso lado sem antes tomar três doses. Graças a essas doses, sou famoso por meus discursos em qualquer celebração entre amigos. (...) A terra é pátria do camponês. Aqui neste Brasil tem tanta terra, mas parece que toda ela tem dono. (...) Juro que tudo o que queria na vida era viver para sempre com oito quilos a menos e oito dentes a mais”.

- “A verdade é que o mundo nos foi dado grátis e a realidade é o que fizemos com ele. (...) Tudo seria mais simples e muito menos doloroso se não fossemos filhos do medo. Alguém tem que parar com isso. (...) Odeio confessar, mas odeio ainda mais Fernando Sabino, Manoel de Barros, Millôr Fernandes, Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony, Luis Fernando Veríssimo e todos os outros que escrevem melhor que eu”.

- “A história foi sempre foi escrita pelos vencedores. Deus foi o primeiro historiador. (...) Sei que hoje, graças ao modelo neoliberal, já não existem ladrões, mas apenas homens de negócios cujo ofício é roubar, mas nem eles nem ninguém se envergonham disto. (...) Só conheço um fenômeno que pode vencer a ganância: o medo da morte”.

- “Não pense, é mais prudente. (...) Jamais tive medo das palavras e sim do uso que os homens fazem delas. (...) É preciso ter coração de pedra para assistir a qualquer capítulo de qualquer tragédia transformada em novela pela TV Globo e não rir. (...) As pessoas gostam do que não entendem. Faz com que elas pensem. Além, disto, há o conflito”.

- “Se Jesus Cristo recebesse salário mínimo e em vez de ir para a cruz houvesse economizado todos os meses, hoje poderia comprar um apartamento nos Jardins, em São Paulo. Sala e três quartos. (...) Cristo, caso tenha existido e sido a bela personalidade que imagino, deve estar cansado dos crimes que se cometem em seu nome. (...) Uma das muitas razões pelas quais considero o homem inviável é sua capacidade de só existir destruindo. (...) Juntamente com a religião e o tráfico de drogas (quando não andam juntas, pois uma precisa da outra), a guerra é o melhor negócio do mundo”.

- “Vote num ladrão. Ele não o decepcionará. (...) Ousaria dizer que a nossa elite é a mais drogada do mundo. (...) O que me estarrece mais do que tudo, entretanto, é que há sempre um jornalista econômico para explicar os crimes do governo. (...) Até hoje acredita-se que ‘saiu no jornal, é verdade’, quando acontece justamente o contrário: há mais mentiras numa única notícia de jornal do que em toda a Enciclopédia Britânica”.

- “Os morros são dominados por criminosos de direita, o resto do Brasil é governado por criminosos de direita, a televisão administrada por criminosos de direita e a grande maioria da população, alienada física, econômica, cultural e politicamente. Este é o cenário que nos envolve. Dentro dele, se um dia houver revolução, será provavelmente fascista. (...) O poder perdeu a vergonha, se é que teve algum dia”.

- “...o jornalista deixou de ser o herói marginal para tornar-se uma espécie de poodle de divã, uma espécie de office boy do poder, uns passaram a contínuos do poder e outros tornaram-se íntimos do poder. (...) Sempre fui de opinião de que poder é poder e jornalista é jornalista. (...) Foi graças à colaboração da imprensa com o poder que a violência, a miséria, a mendicância, a corrupção se banalizaram. (...) Gostaria de saber onde está escrita a lei decretando que quem decide o que publica um jornal ou divulga uma rádio ou uma televisão é o dono. (...) Já que somos vítimas de cruel capitalismo, o dever do jornalista deveria ser o de fazer um bom jornal e, consequentemente, dar lucro ao seu proprietário que pegaria o dinheiro no final do mês e faria o que bem entendesse com ele. (...) Queremos escrever a verdade. Não é difícil como parece. Basta que os jornalistas deixem se ser ‘imparciais’” (...) Tudo o que não é da minha conta é notícia.

- “Ninguém contrabandeia drogas para um país onde a venda é legal. (...) A caridade começa em casa e deve ser mantida prisioneira. (...) Mas sou apenas um jornalista que acredita no Homem de La Mancha e gostaria de acreditar no Homem de Belém. (...) Não posso saber tudo, como me disse minha sobrinha-neta Amanda quando lhe perguntei quem havia comido meu pedaço de torta”.

Fui aqui até a nota 525ª. Continuo ao terminar...


CORONAVÍRUS E O CAPIROTO
NÃO EXISTE MAIS MEIO TERMO, O PRESIDENTE ENLOUQUECEU...
O pronunciamento de Bolsonaro hoje em cadeia nacional deixou bem claro o eminente perigo do país continuar sendo dirigido por uma pessoa totalmente fora de controle, perdida, maluca, sem noção, doente e colocando tudo e todos em sério risco. Não existe mais como contemporizar ou mesmo, remediar, ele precisa ser afastado, o quanto antes, pois do contrário, o país não só fenecerá pelo vírus à nossa espreita, mas pela consequência dos tresloucados atos do seu presidente. Ele está completamente fora de si, com o juízo em órbita, sem nenhuma noção do que ocorre à sua volta, representando um perigo para todos nós. Até quem o apoiou deve nesse momento colocar a mão na consciência, refletir e propor o seu afastamento, seu impedimento e até o início imediato de um tratamento mental. Com a população incapacitada de uma reação imediata nas ruas, algo precisa ser pensado rapidamente, até para que o país não sofra mais do que já sofreria com a pandemia chegando com tudo nos próximos dias. Essa combustão de um maluco nos comandando nesse crucial momento será fatal para essa nação. Cá do meu canto, beirando os 60, querendo viver mais um bocadinho, abro mão até disso, mas podendo fazer algo para reverter o que vejo em curso, estarei de prontidão. Não dá mais, estamos todos no limite do limite. Confinados e com uma pessoa totalmente despreparada para nos guiar, o fundo do poço se aproxima. Algo precisa acontecer e já, do contrário, amanhã será tarde demais. A insanidade de hoje chegou num nível sem volta, o desprezo pelas instituições, pelo estado democrártico de direito, pela legalidade e daqui por diante, suas ações serão cada vez mais danosas. Na continuidade, se hoje está péssimo, muito ruim, amanhã será tudo imprevisível, diria, até irreversível. O rei está nu...


terça-feira, 24 de março de 2020

UM LUGAR POR AÍ (134)


O ISENTÃO

Eles pululam hoje pelas redes sociais. Hoje, evidente que todos estamos cá nela, viajando mais do que fazíamos até alguns dias atrás. A quarentena nos obriga a buscar informações, querer saber do outro e assim, cá estamos, mais e mais. Até mais do que deveríamos e nessas idas e vindas, muita coisa flui, aparece assim do nada. Uma delas são os que se mostram arrependidos por terem votado no Bolsonaro, mas nem tanto, não dão o braço totalmente a torcer e nem fazem um mea culpa completo, com direito a expor o erro, se mostrarem de fato diferentes, mudados. A maioria não o faz e ao colocarem suas ideias aqui pelas redes sociais, ainda possuem a cara de pau de afirmarem não o terem apoiado e quando o fizeram, foi para sacar o mal maior do país. Sabiam onde estavam se metendo, o fizeram conscientes, senhores de si, arrogantes até a medula, sem querer ouvir e entender o outro lado, mas hoje, diante das repetidas cagadas do miliciano, de algo pelo qual nem os mais despirocados possuem condições de continuar apoiando e referendando, voltam atrás, mas não muito. Continuam em cima do muro, ou seja, continuam com a mesma linha de pensamento e ação, conservadores até a medula, porém, mais perdidos que cego em tiroteio, pois sem reconhecer, se mostram pérfidos, ainda em busca de quem os encaminhe pelo caminho da exclusão, do apartamento social, pois nem ousam estar ao lado dos que defendem os interesses dos trabalhadores, dos movimentos sociais e dos que lutam para transformar esse país em algo bem mais palatável.
Avessos à mudanças, são os almofadinhas do atual momento, com aquele papo cerca lourenço, tentando se posicionar como nem uma coisa nem outra, ou seja, não são nada. São na verdade uns bostas, boçais, banais, vazios, gente pelas quais não vale a pena a convivência. Adulam a Havan, a Madero, a Riachuelo e agora, só nesse momento se voltam contra a Rede Globo, como se ela nunca estivesse agindo da mesma forma e maneira. Abomino conservadores, principalmente os moralistas e cavernosos sem opinião formada, vaquinhas de presépio, loucos para encontrar mais um louco e seguir ao lado dele danando com o país. Os que hoje afirmam, "mas eu nem fui votar", "era o que tinha que fazer", "o fiz só para titrar o PT", mas bateram panela e endossaram o coro dos que hoje deixaram o país de tanga, sem lenço e sem documento, parabéns, pois são tão culpados quanto todos os que ainda seguem junto da bestialidade em curso. Um dia a ficha cairá por completo e, espero, não seja tarde demais. Nunca foram de luta, de resistência, de buscar algo realmente transformador, pois na verdade são tão conservadores quanto Bolsonaro, aliás, são iguaizinhos a ele e hoje, desmascarados, estão envergonhados, olhando para os que nunca abandonaram a cancha de jogo de cabeça baixa, mas ainda arrogantes, prepotentes e sem conseguir esconder o que de fato são. Esses nunca me enganaram, ainda mais agora. Não existe como continuar adulando essa gente, pois nunca existiu regras de imparcialidade e do distancimento, elas sempre estiveram intercaladas. A mim não enganam.

NÃO PAPARIQUEM, NEM O DÓRIA, MUITO MENOS O MANDETTA

Explico, ou melhor, tento. Principalmente num momento como esse, todos em casa (quase todos, existem os impossibilitados) e diante de nós, na qualidade de telespectador, ouvinte ou leitor incauto somos iludidos por uma falsa pluralidade e o gajo ali na nossa frente, reconhecidamente um pulha, acaba se tornando uma pessoa não só tolerável, deglutível, como merecedora de elogios. Tenho o maior cuidado com esses. São os casos de quem está neste momento a elogiar o governador João Dória e o Ministro da Saúde, o Luiz Henrique Mandetta. Dória não é flor que se cheire (como professor, o abomino) e agora, diante da inércia mais que reconhecida do Bolsonaro, tenta tirar proveito. Faz o que todo administrador deve fazer em situações como as que vivemos. Quem não faz, pau nele, são os muito incompetentes. O Mandetta não mija muito fora do penico ditado pelo patrão miliciano e assim o fazendo, trai até seu juramento médico. Lembrem-se que já foi investigado por Caixa 2 num passado não tão distante. Falsos pluralistas. Não podemos cair na esparrela e, ingenuamente, ficar repercutindo e elogiando manifestações ocasionais de racionalidade de gente como eles - tanto mais que elas costumam vir coalhadas de afirmações duvidosas, dessas de quem esconde o jogo.
Posso até ser um pouco sectário e intransigente, mas não cedo. Eles não são pessoas convertidas à nossa linha de pensamento e ação, longe disso. Hoje mesmo, Dória já mostrou as garras e quando Bolsonaro lançou a MP dando cabo dos salários dos trabalhadores por quatro meses, ele já se mostrou favorável. Bonzinho de araque. Mandetta não pode ser bom, pois desconheço algum que o seja trabalhando ao lado do Bolsonaro. Para ali estar, o requisito primeiro é ser horroroso. Eu tomo o maior cuidado com esses cristãos novos, gente de uma espécie pela qual quero continuar sempre e sempre mantendo a maior distância.

DIÁRIO DA QUARENTENA
EU, GASPARINI JR E A LIVRARIA DA TRAVESSA - DIVAGAÇÕES DE QUEM SE ENCONTRA DETIDO ENTRE QUATRO PAREDES

Abro um livro e nele um selo colado na primeira página, "Livraria da Travessa". Tenho várias histórias desses, um dos lugares onde passo regularmente todas as vezes quando no Rio de Janeiro. Conheço três lojas, uma em Ipanema, duas no centro, uma na rua da Travessa, a pioneira, hoje também ocupando novo espaço, virando a esquina. E a que mais frequento no Rio, na avenida Rio Branco, uma quadra depois da presidente Vargas, num casarão antigo, todo remodelado, espaçoso e transformado num dos locais mais aprazíveis para os amantes de livros. São oásis dentro da balbúrdia carioca. Aprendi a entrar e não só comprar. Seguindo os passos dos frequentadores, escolho um livro, sento e folheio, leio, sem sem importunado. Isso aprendi lá. Frequento desde muito tempo, quando ia regularmente vender minhas chancelas (eles são meus clientes, compraram algumas máquinas), coisa de 20 e poucos anos e essa na rua da Travessa, a quadra com a estátua do Pixinguinha tocando sax, me dá bruta saudade. Hoje vou menos, pois escolhi outra, a Folha Seca, na rua dou Ouvidor, essa dos amigos Ferrari, Rodrigo Ferrari e sua mãe Maria Helena Ferrari, nela bato cartão, também para ouvir boa música e beber cerveja nos bares ao lado, parede meia. Enfim, o Rio possui lugares pelos quais vale a pena a gente frequentar.

Mas a história que queria contar não é essa. Tempos atrás voltava num vôo para Bauru e dentro do avião vejo se aproximando no corredor, nada menos que Gasparini Jr, o hoje defenestrado ex-presidente da Cohab, o que em sua casa encontraram quase dois milhões em espécie. Na época era só o presidente e também voltava para Bauru. Ele me conhece e eu o conheço, mas só, nunca conversamos e nem naquele dia. Nem sei se nos cumprimentamos. Sei que o vi e o fato a me chamar a atenção foi ostentar junto aos pertences que trouxe para dentro do avião, sacola abarrotada de livros, ostentando a logo externa, Livraria da Travessa. Com certeza, voltava do Rio (eu e Ana de um Congresso acadêmico - não me perguntem qual e donde). Ele passou por mim, esbarrou a sacola e fiquei matutando comigo mesmo sobre o seu conteúdo, livros. Sempre volto com livros de todas minhas viagens e quando não faço, das duas uma, estou duro ou doente. Gasparini Jr voltava com livros para Bauru, no esbarrão senti a sensação da proximidade e a única coisa que ainda me lembro do encontro foi de permenecer por bom tempo imaginando os passeios deste lá na Travessa: Em qual delas teria ido? O que lê? Essas futilidades. No momento, confesso, fiquei com vontade de puxar conversa, tricotar sobre o que trazia e abriria também meus pacotes. Ele sentou longe de mim e a oportunidade foi perdida.

Hoje, passados mais de dois anos daquela viagem, ele vivendo seu inferno astral, mas em casa e com todos seus livros, alguns trazidos da famosa livraria, folheio os meus, batendo bruta saudade, primeiro pela distância, depois por imaginar aqueles lugares fechados e os livros temporariamente adormecidos. Essas lembranças não possuem pé nem cabeça, nenhum elo assim consistente para fundamentar um bom texto, mas tento, pois nutro algo incontrolável quando diante de livrarias, ainda mais sendo a Livraria da Travessa. Já quero entrar, folhear, cheirar os livros, gasto sempre além da conta, em parcelas dolorosas, pesando no orçamento, porém sem nenhum tipo de ressentimento ou remorso. A diferença talvez resida aí, eu sempre paguei a perder de vista, nunca em espécie. Já dele, leio que o costume era pagar tudo na grana viva. De uns tempos para cá, leio cada vez mais (ainda mais agoera, recluso e isolado), porém gasto pouco em livros novos, preferindo os sebos (e a banca do Carioca, na Feira do Rolo - ele guarda para mim livros com a minha cara), mas na primeira volta ao Rio, tenham certeza, passarei pela Travessa e é claro, também na Folha Seca, pois esses são para mim os melhores pontos turísticos da Cidade Maravilhosa. Deixo de ir em praia para permanecer junto aos sebos, livrarias e afins. Creio eu, se pudesse fazer o mesmo, Gasparini voltasse outra vez com mais e mais sacolas. Enfim, gostar de livros não é exclusividade de nenhuma linha de pensamento e ação, de boas livraria idem. A Travessa cruzou nossos caminhos.

segunda-feira, 23 de março de 2020

DICAS (194)


A RECEPERCUSSÃO DA DECISÃO DE BOLSONARO CONTRA OS TRABALHADORES

O desumano presidente da república editou na calada da noite do domingo, uma MP – Medida Provisória que autoriza os patrões a suspenderem por até quatro meses o contrato de trabalho com seus funcionários, não sendo mais obrigatório a esses o pagamento do salário integral, e sim um valor, sem definir o mínimo, caso seja acordado entre as partes. Na contramão da imensa maioria dos países, onde ocorre exatamente o inverso, ou seja, o Estado pagando um valor mensal para as pessoas permanecerem em casa, Bolsonaro se mostra mais uma vez insensível e age a defender os patrões, nunca os trabalhadores. Colhi a repercussão pelas redes sociais. Eis alguns depoimentos:

- “BOLSONARO GENOCIDA - Em meio a uma inédita catástrofe humanitária, e a uma prolongada estagnação econômica, Bolsonaro oficialmente declara guerra ao Brasil. Libera o empresariado de pagar salários durante quatro meses, por Medida Provisória. Não há paralelo na história! Em outros países, governos abrem linhas de pagamento e sustentação aos trabalhadores. O miliciano aposta na convulsão social para se manter no poder. Fascista criminoso. Tem de ser detido!”, Gilberto Maringoni.

- “A solução para evitar a implosão da economia e o caos social do Jair é cortar salário por quatro meses. Enquanto que irresponsáveis são os governadores que limitaram a circulação de pessoas em shoppings e cultos. Entendeu agora qual é a prioridade ou quer que eu desenhe?”, André Andre Kit.

- “Após essa MP que deixa os empregados com 4 meses sem salários eu encaro o Coronavírus pra ir até Brasília enfiar a porrada no Bolsonaro. Alguém mais? Vai sobrar algum Bolsonarista após 4 meses sem salário?”, Raphael Vidal.

- “NECROPOLITICA! - Se não morrermos de COVID-19, morreremos pela mão do COVARD-17. Enquanto outros países estão isentando a população de gastos nas tarifas de água, luz, gás, internet e ainda oferecendo ajuda de custo, esse abominável cede, descaradamente, a pressão dos empresários! Essa praga é pior que o Coronavirus e só serve ao deus-mercado”, Marlene Brito.

- “Na noite deste domingo, Bolsonaro cede, como sempre, aos interesses corporativos e suspende contratos de trabalho. É Medida Provisória, mas tem poder imediato. Demonstra bem os interesses do mercado e a submissão do atual governo. É a continuidade de um projeto que comprova o absoluto domínio das corporações no país. O Congresso vai derruba-la? Não há grandes chances de que isso ocorra”, Mirna Ribeiro.

- “Essa MP do demônio vai cortar o salário de ministros, deputados, militares, judiciário? Estou pronta pra quebrar a quarentena e a cara de quem votou neste governo demoníaco.”, Nani Bittencourt.

- “Ontem saiu a MP que os bancos e grandes empresários estavam esperando. É o seguinte... Vc escolha trabalha e morre e passa a doença para todos da sua família. Ou não trabalha, morre de fome. Inclusive na MP tem uma cláusula que o patrão pode mandar embora por justa causa. Olha..... Vc que votou nesse genocida, suas mãos estão sujas de sangue de milhares de brasileiros. Todos os países do mundo estão passando a pandemia e apoiando seu povo, com medida responsáveis, o povo recebendo do governo incentivos . Aqui ele quer matar todos . Menos os bancos. E os empresários. É isso minha gente ... Eu desisto. Desisto mesmo. Tinha uma ponta de esperança , que talvez pudesse melhorar. Mas não vai.... Não temos chance alguma. Milhares vão morrer, e não pela doença. Pela fome. Na mão desse sádico, psicopata, louco presidente que vcs escolheram”, Bia Bassan.

- “Bolsonaro quer mais que o povo morra! Ele sempre deixou claro que queria matar pobres”, Priscila Godoy.

- “Bolsonaro acabou de autorizar a carnificina. Agora, é só fazer arminha, porque sobrará pra você também $r empresário. Será que o vírus possibilitará a consciência de classe?”, BK Regina.

- “Eu não sei o que é mais desesperador. Pensar em pegar coronavírus ou ficar sem salário”, Tarsila Rais.

- “Pois é, Bolsonaro vai permitir que os trabalhadores fiquem sem salário por quatro meses, presumo que ele tenha permitido isso pensando primeiro em si mesmo e depois nos empresários, ok, vamos passar fome, eu por exemplo já estou aqui desesperada, porém não vamos ter como pagar água, luz, boletos bancários e nem fazer compras no supermercado, de qualquer forma, todos vão perder e muito com isso...quem sabe depois de tudo isso, a maioria das pessoas que apoiam esse governo de bosta, parem para refletir e admitam que esse cara que chamam de presidente, não tá nem aí para os brasileiros, que ele é um louco, atrapalhado, ignorante, que pensa apenas em si mesmo, e não tem condições nenhuma de ser presidente, já que o Brasil é um país pobre, com milhares de pessoas pobres sem recursos#idignada#”, Luciana Costa.

- “Bolsonaro e Guedes, na madrugada: Vocês querem ficar de quarentena por causa de uma gripizinha? Então não vão receber salário por 4 f*king MESES, talquey, vagabundos!", Sheyla M. Amaral.

- “Justo! Salva a Havan, o Bradesco e a Renner, e arrebenta com todo mundo. Espero que quando tudo isso acabar, o povo dê uma surra de cinta nesse pilantra”, Luís Paulo Césari Domingues.

- “É duro lidar com UM VÍRUS e UM VERME ao mesmo tempo!”, Fernando Haddad.

- “Bolsonaro declara guerra ao Brasil”, Pedro Romualdo.

- “Em um certo lugar onde trabalhei há muito tempo, havia um sujeito muito nojento, que ocupava cargo de manda-chuva. Andava todo engomadinho, com um ar arrogante. As pessoas o chamavam pelas costas de BUNDA DE LOUÇA. Lembrei-me hoje dessa triste figura, porque acabo de ver alguns clones do BUNDA DE LOUÇA original aplaudindo a MP de Bolsonaro, que deixará trabalhadores sem salário durante quatro meses, em meio a esta pandemia mortal. Gente que sempre viveu grudada no poder público, apesar de adorar recomendar a receita neoliberal para o povão. Os BUNDAS DE LOUÇA são um câncer deste país”, Rodrigo Ferrari.

- “Fico claro agora quais interesses o Bolsonaro protege?”, Ivo Fernandes.

- “Teve uma mulher q escreveu pro meu irmão assim "E daí? Se ele reduzir meu salário, não serei a única". Vc acredita??? A idolatria passa do aceitável”, Luana Cortez.

- “"Aos trabalhadores que tiverem o salário e a jornada reduzidos, o governo já anunciou que vai antecipar para quem ganha até (R$ 2.090) uma parcela equivalente a 25% do seguro-desemprego a que teria direito – na prática, o valor ficará entre R$ 261,25 e R$ 381,22." Essa é a grande ajuda do governo. Uau. Vai resolver tudo”, Priscila Lellis Krupelis.

- “Eleitor do Bolsonaro, me diga: como te perdoar?”, Alex Mariano Pereira.

- “Numa canetada só, 1,2 trilhões p os bancos e corte dos salários dos empregados, sem proposta para desempregados ou trabalhadores precários”, Claudio Lago.

- “Depois dessas medidas cruéis, Bolsonaro não se elege mais nem pra sindico do condomínio de milicianos que ele mora!”, Luiz Manaia.

- “Coronavírus vai ser bom para o pobre de direita (classe média) bolsonarista ver que ele ainda é pobre deixar de ser arrogante e aprender ter mais humildade. Vai passar perrengue seu pobre de direita”, Augusto Cesar.

- “"É duro ter que lidar com um vírus e um verme (genocida), simultaneamente", Emilene Oliveira Ìmale.

- “Quem mata mais Covid19 ou Anta vírus brasileiro? milhõe$ para empresas,4 meses sem salários e fgts MP 927. É você que ainda apóia esse ANTA boso!”, Chicão Monteiro.

- "Para quem votou no Bolsonaro: Qual é a sua dica para ficar 4 meses sem receber salário?", Paulo Clementino.

- "As empresas começaram a demitir ... mesmo as pessoas do grupo de risco, que não estavam podendo trabalhar porque estavam correndo risco de vida, estão sendo demitidas. Patrão bom nasceu morto!", Tauan Mateus.

- "Todos comentando sobre quem tem trabalho e vai ficar 4 meses sem remuneração, acho justo ! E os desempregados há vários meses?", Tuta Caetano.

- "Já viram que com a manutenção do art. 2 da MP a revogação da suspensão do contrato sem salário por 4 meses pode ser irrelevante. Nada impede de individualmente assim convencionarem. Bolsonaro não recuou, apenas deixou a maldade menos evidente", Tatiana Calmon Karnaval.

OBS.: Mais e mais depoimentos podem complementar essa publicação até o final do dia. Agora, 14h15 e a notícia da revogação de algo desta MP, porém, depois do estrago já ter sido feito: Bolsonaro está a perder terrenos irrecuperáveis.

domingo, 22 de março de 2020

MÚSICA (184)


PERIPÉCIAS DE QUEM PERMANECE TRANCADO O DIA INTEIRO DENTRO DE CASA
1.) AOS QUE ESPERAVAM DE MIM UMA VERBORRAGIA AMPLIADA CONTRA O BOZO
Poderia fazer como a maioria e continuar deitando falação contra Bolsonaro, pois, sem tirar nem por, esse sujeito não dá uma bola dentro e tudo o que faz é motivo de elevada e correta crítica, porém, creio eu, existem neste hoje insólito país os que gostam de vê-lo entre as cordas e assim ficam ainda mais apaixonados, doentes, zuretas totais das faculdades mentais, devoção absoluta mesmo se tivessem o vírus transmitido diretamente pelo dito messias. Eu não cansei de criticá-lo, pois isso deve continuar ad eternum ou pelo menos enquanto essa praga estiver na frente do desGoverno brasileiro, mas arrefeci e aqui confinado em meu banker, tenho buscado passar meu tempo com algo mais ameno, palatável e deglutível. Nesse crucial momento de pura sobrevivência não é de bom alvitre ficar citando alguém remando contra a maré, ou seja, um predador, totalmente desequilibrado e vazio, envergonhando a tudo e todos. Mais do que se manter isolado é ter a certeza dele como algo pérfido, pueril, péssimo exemplo em todos os sentidos. Além do combate ao coronavírus, algo pelo qual esse país literalmente não precisa é dele e de todos à sua volta. Estão causando um mal irreparável a este país e tomara dê tempo de consertarmos isso, devolvendo a sanidade para os tantos contaminados pelo vírus do bolsonarismo. Na maioria dos meus últimos textos, deixo esse ser desprezível de lado, pois não vale a pena ficar batendo tanto na mesma tecla, uma pela qual todos já sabem como penso e o que já deveríamos ter feito desde o nascedouro de algo tão maléfico.

2.) ARTISTAS CANTANDO DE SUAS CASAS - FITO PAEZ
https://www.pagina12.com.ar/254414-fito-paez-toco-desde-el-…

De todos os que ouvi hoje, escolho o argentino Fito Paez, por quem nutro enorme simpatia/empatia com sua obra. Aqui, inclusive relembra Caetano Veloso e outros clássicos, além do texto publicado na edição de hoje do diário impresso Página 12. Um passatempo mais que auspicioso, entre o arrumar de livros, passar panos pela casa, ver TV, ouvir discos, conversas com Ana, falas ao telefone e pelo Whatts, enfim, a música me faz voltar para a necessária concentração.

3.) ANAIS DA IMPRENSA - “PINGUINS ME MORDAM! A PIAUÍ FAZ PROFECIA”
E a edição que ainda não chegou nas bancas de Bauru
Primeiro as foto dos ministros junto do irresponsável presidente, como se estivessem na Santa Ceia. Na capa da revista mensal, circulando desde o início do mês no país e com a premonição na capa: A reunião das balaclavas imaginada por Caio Borges na capa de março da revista e versão adaptada aos tempos da pandemia de coronavírus.
Leio a Piauí desde seu número 1, tenho todas e nesse momento, por causa do coronavírus consigo atualizar a leitura, algo que não conseguia faz tempo. Com várias edições esparramadas pela cama, vou lendo o que não tive tempo até o começo do confinamento. Sobre a premonição, algo natural para quem saca de fato o que se passa pelo país, pois os tais mascarados são bem a cara do desGoverno brasileiro. Da revista e sua edição de março, essa circulando no país desde o começo do mês e até a presente data não chegando nas bancas de Bauru. Ilda e Cláudio, meus jornaleiros sempre de plantão, reclamaram e a resposta é que a edição estará nas bancas bauruenses na próxima terça, 24/3, plena pandemia em curso e eu sem saber se as bancas estarão abertas e como farei para comprar meu exemplar. Hoje leio a dita cuja edição de março pelo que está publicado no site da revista, o https://piaui.folha.uol.com.br/.

4.) O QUE SABEMOS ATÉ AGORA DO CORONAVÍRUS
https://www.pagina12.com.ar/254452-que-sabemos-hasta-ahora-…
Publicado edição de ontem, 21/03 no melhor jornal impresso do nosso mundo, o argentino Página 12

5.) HISTÓRIA MERECENDO SER CONHECIDA EM TEMPOS DE RECLUSÃO - O ESTELIONÁRIO QUE LUDIBRIOU ATÉ TRUMP
Se você acha que possa ter cometido na vida deslizes, desvios de conduta e atos fora do padrão, eis alguém com ficha corrida das mais proeminentes e, provavelmente, maior que a sua, ALEXANDRE HENRIQUE VENTURA NOGUEIRA. A revista Piauí traçou um amplo perfil na edição de novembro de 2019, com este título, "O Estelionatário - O brasileiro que enganou um mafioso italiano, políticos panamenhos e Donald Trump". Ótimo passatempo para esses momentos de obrigatória reclusão, onde de pouca valia terá ficarmos apontando o dedo para o nosso miliciano de plantão, o presidente Bolsonaro, pois de culpa ele transborda (só falta criarmos coragem e unidos o mandarmos para os quintos). Caio de boca em leituras múltiplas e variadas. Essa uma delas, o perfil desse cidadão, que saindo do interior paulista desbravou esse negócio de ganhar dinheiro fácil, enganando aqui e acolá, ou seja, mundo afora, numa aventura até então, só conhecida por mim e reservada a poucos privilegiados (sic). Indico a seguir alguns links para seguir os passos de prestimoso cidadão, podendo até servir de guia para incautos se arriscando nesses negócio de ganhar os tubos com o neoliberalismo predatório:
1 - https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-estelionatario/
2 - https://exame.abril.com.br/…/ex-intermediario-de-trump-no-…/
3 - https://www.escavador.com/…/alexandre-henrique-ventura-nogu…
4 - https://www.jusbrasil.com.br/…/alexandre-henrique-ventura-n…
5 - https://www.nbcnews.com/…/panama-tower-carries-trump-s-name…
6 - https://br.reuters.com/art…/domesticNews/idBRKBN1DH2OZ-OBRDN

6.) O CAPITALISMO SE RENDE...
Nayib Bukele, 38 anos, conservador até a medula, neoliberal até não mais poder, presidente de El Salvador e sua fala sobre as providências no país com relação ao coronavírus. Entenderam? Eis o link: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/3333041306725855/

7.) PARÓDIA DA NARA
Nara, arrasando e mandando o recado. Eis o link: https://www.facebook.com/jaqueline.quiroga.564/videos/10159355683612542/

8.) "SÓ A BAILARINA QUE NÃO TEM"
A música mais lembrada no dia de hoje, após toda a comitiva do irresponsável presidente brasileiro ter voltado dos EUA com coronavírus é o fato dele estar escondendo o jogo do país inteiro, ou seja, "só a bailarina que não tem". Relembro a CIRANDA DA BAILARINA, linda música do imortal CHICO BUARQUE e a cantarolo de forma magistral no dia de hoje, até como mantra para ver se esse país acorda de uma vez por toda e na voz de ADRIANA CALCANHOTO. Está no CD dela, o "Adriana Partimtim", 2012.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=huyhO3IPRtk

Procurando bem/ Todo mundo tem pereba/ Marca de bexiga ou vacina/ E tem piriri, tem lombriga, tem ameba/ Só a bailarina que não tem
E não tem coceira/ Verruga nem frieira/ Nem falta de maneira/ Ela não tem
Futucando bem/ Todo mundo tem piolho/ Ou tem cheiro de creolina/ Todo mundo tem um irmão meio zarolho/ Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida/ Nem dente com comida/ Nem casca de ferida/ Ela não tem
Não livra ninguém/ Todo mundo tem remela/ Quando acorda às seis da matina/ Teve escarlatina/ Ou tem febre amarela/ Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente/ Medo de cair, gente/ Medo de vertigem/ Quem não tem
Confessando bem/ Todo mundo faz pecado/ Logo assim que a missa termina/ Todo mundo tem um primeiro namorado/ Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha/ Bigode de groselha/ Calcinha um pouco velha/ Ela não tem
O padre também pode até ficar vermelho/ Se o vento levanta a batina/ Reparando bem, todo mundo tem pentelho/ Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília/ Goteira na vasilha/ Problema na família/ Quem não tem
Procurando bem/ Todo mundo tem

sábado, 21 de março de 2020

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (135)


ALÉM DO VÍRUS, ALGO MAIS NA ESPREITA, A FOME
Do vírus, ouço, leio e vejo tudo sendo comentado e as precauções são tomadas a cada instante. Estou muito bem enfronhado de como devo agir daqui por diante e assim procedo, com o máximo cuidado, pois crendo somente nessa vida, das duas uma, ou a preservo ou a jogo na lata do lixo (como Bolsonaro faz com a dele) e já vou dizendo bye bye. Trancado onde me encontro, leio, vejo e ouço muito, de tudo um pouco, descarto as maluquices (e como surgem malucos nesse momento) e tento juntar os pauzinhos de algo, que para mim, será o grande tormendo junto do vírus, ambos caminhando passo a passo nos próximos dias: a fome.

A história que tenho para lhes contar é a de uma jovem moradora de Bauru, há pouco mais de um ano aqui se instalando. Sem formação profissional, com segundo grau incompleto, se sujeita a empregos de baixa renda, em bares, restaurantes, comércio e afins, o que consegue sem qualificação. O que pintar pega e assim toca sua vida. Mora junto da irmã e essa também na mesma condição. Hoje, neste exato momento, vivem o grande dilema do trabalhador sem registro em carteira e desamparado, sem saber mais onde pisar. Cada uma num emprego diferente, um mês e pouco em cada, continuam indo ao trabalho e o fizeram até ontem, sexta, quando seriam comunicadas se o local continuaria aberto ou fecharia temporariamente. Os patrões não haviam decidido e fechando, certamente o salário não mais seria mantido. Ir pra casa, o que lhes resta fazer, mas como ir com uma mão na frente e outra atrás? Estão perdidas e sem orientação, cabeças ao leu. As ouço e isso me corrói, pois além de tentar aconselhá-las, nada mais posso fazer. Todos estamos encurralados e com poucas possibilidades de ação. O mundo não pode ser isso, o cada um se fechando em copas e esquecendo de tudo o mais. Muitos livrando a sua cara e fazendo vista grossa para tudo o mais à sua volta. O problema delas é sobre o futuro, mas não o lá na frente, o do amanhã, o do que terão para comer nos próximos dias. Pensam nisso e não dormem. Eu penso junto e também perco o sono. Evidente que todos temos que estar em casa nos próximos dias, isolados e quietos, fácil quando com comida na dispensa. Sem comida, como permanecer em casa?

O resumo dessa história é o que vejo estampado na fisionomia da imensa maioria do povo brasileiro, o da classe trabalhadora. Ficar em casa, no meu caso e no de muitos que que me lêem neste momento é salutar, possível, a solução, mas e para os que estão indo sem terem o que comer daqui por diante? Os até então patrões não sustentarão esses até então trabalhadores, a cadeia está se rompendo e sendo estabelecido o cada um por si, ou seja, se tudo estava ruim com trabalho e pequena renda, contas sendo pagas aos trancos e barrancos, agora o caos estabelecido. Daqui de minha janela, olho para a Bauru amanhecendo e vejo um caminhar, gente ainda indo em busca de sua sustentação, pois é o que fazem neste momento ao pegar os transportes coletivos, caminhar de um lado a outro. Incertezas de um mundo completamente diferente até ontem. Não tão diferente, pois as injustiças sempre estiveram na ordem do dia na relação entre patrão e empregado neste país, mas agora, momento de aguda crise, tudo ampliado. Quando uma pessoa traz para dentro de sua casa pacotes e pacotes de papel higiênico, ele estará também pensando em dividi-lo com alguém numa condição muito mais precária que a sua? Mesmo cá do meu canto, isolado e com pouco poder de ação, não penso em abandonar a ação que moveu minha vida até este momento. Vou até correr riscos, mas ver gente ao meu lado passando fome não vai ser o mote, o passaporte para ganhar uma sobrevida. As pessoas se diferenciam uma das outras nessas atitudes. Eis o momento onde muita coisa aflorará de cada um.

Ontem à noite o patrão das duas iria decidir se seus negócios continuariam abertos ou fechariam as portas. O que aconteceu com elas é idêntico ao que está acontecendo em milhares de outros lugares, todos ao mesmo tempo e momento. Esses já estão acordando neste momento dentro de uma nova realidade e as perspectivas não são nada boas. Vírus e fome, eis o dilema dos próximos dias.

SOLUÇÃO DE ISOLAMENTO COLETIVO - EIS COMO ALGUNS RESOLVEM ENTRE SI ESSAS QUESTÕES
Eu dizia em texto anterior da preocupação de duas moças, quase sózinhas na cidade e acabo de ouvir mais uma história delas. Maravilhado, compartilho. As dificuldades são muitas, incertezas quanto à continuidade não só do trabalho, como dos proventos. Diante de todas as dificuldades juntas, misturadas e acrescidas de outras tantas, ao invés de se fecharem num casulo, estãro em casa, porém, resolveram o problema do isolamento com um toque bem popular, só possível por eles mesmos, os a vivenciar o problema no seu cerne.

As duas irmãs estão recebendo em sua casa um terceira pessoa, amiga e também morando só. Diante do que irão passar e das dificuldades, quase intransponíveis isoladas, residirão sob o mesmo teto. Onde moravam duas, agora serão três. Os gastos, que agora terão que ser muito mais controlados, deverá sofrer diminuição. A solidão, que seria passada em família, agora terá o acréscimo de mais uma pessoa, ou seja, alguém a mais para conversar, dividir despesas e ir tocando a vida até tudo se resolver lá na frente. Na casa ao lado, o vizinho mora só, veio estudar, com pequena reserva financeira, se desdobra para tocar o barco adiante, quando até os bicos escassearam. Ele estará integrado ao grupo de outra forma. A comida será feita por elas, ele ajudará com alguns mantimentos e tudo lhe será repassado pela janela, desde o café da manhã às refeições. Se antes, ele saia para se alimentar, talvez o deixe de fazer e assim, circulará menos e terá desgaste menor, também menor exposição com as ruas. Conversam muito pelo Whattshap, detalhes sendo costurados. A circulação será restrita entre o pequeno grupo, cada um delimitando como as compras deverão ocorrer, em rodízio, turnos bem definidos.

Um outro já tomou conhecimento e diante de sua situação, também isolado, de outra cidade e aqui residindo, poucos amigos, cada vez menos gente no seu entorno, previa tempos com transtornos instransponíveis pela frente e diante do que lhe foi mostrado, pensa em tentar algo no mesmo formato entre mais dois amigos ou mesmo se juntar ao grupo já constituido. Elas sabem, a coisa não pode ser demais ampliada, pois não se trata de festa, mas de união de interesses, tudo visando a melhor forma de enfrentamento ao que virá pela frente. Deixaram isso claro para esse amigo e ele, entendendo, me disse, ter aprendido com o que ouviu, passando a gostar mais delas, pois não fazem como a maioria, espalhando boatos, difundindo muita coisa com procedimento sem noção e sim, botando a mão na massa e propondo uma solução. Ouço essas histórias e me encanto com as possibilidades buscadas por essa gente, ciente da saída residir exatamente na união de seus próprios interesses. Torço para que tudo dê certo. As bolhas estão criadas e só perdurarão com afinco, perseverança, lealdade e seriedade de propósitos. Vejo isso nas pessoas envolvidas e já as vejo buscando saídas ao seus modos e jeitos, algo mais do que salutar nesse momento de mar revolto. Faço questão de divulgar, passar adiante. São os tais encantos dessa vida.

sexta-feira, 20 de março de 2020

COMENTÁRIO QUALQUER (200)


HISTORIETAS E DESABAFOS DESSES INAUDITOS TEMPOS*
* Esse texto pode ir sendo atualizado a cada momento com mais um relato. As ilustrações são são irônicas e sim, realistas, alegres e servindo também para distrair num momento de intensa tensão.

1 - “SELVA - Hace una semana, una mujer volvió de España y llamó a un antiguo amigo. El es de Santiago del Estero. Ella vive en Córdoba. Ambos habrían tenido un encuentro amoroso, clandestino. Luego, él volvió a su pueblo, donde, divertido, contó en un asado de esta fugaz relación. También dijo que la mujer en cuestión tenía síntomas de coronavirus. Uno de los asistentes avisó a las autoridades del pueblo y el tema se convirtió en escándalo: hasta el gobernador de Santiago del Estero se comunicó con su par cordobés para advertirle. Ahora Selva, el pueblo, está asilado y cercado. Todos los negocios están cerrados y nadie entra ni sale de allí”, publicado edição de 18/03 no diário argentino Página 12.

2 - “Acabei de voltar do supermercado . Máscara, álcool gel na bolsa, medo. Vou indo a pé para o mercado, pensando em tudo que está acontecendo e atenta. Mas vejo a seguinte cena. E a cena é que está tudo normal. Como se nada estivesse acontecendo. Churrasco na rua, boteco aberto, um senhor idoso tocando violão. Chego ao mercado de máscara, pessoas me olhando e dando risada de mim. Escutei " nossa que louca acha que precisa de tudo isso". Vou pegando rapidamente o que eu preciso, tentando ficar o máximo longe das pessoas. E chego ao caixa . Todos na fila me olhando com ar de deboche. E uma mulher com um bebê no máximo 10 dias no colo, tossindo feito louca ao meu lado. Eu tento falar a ela : -moça vc não devia sair na rua com seu bebê . Está uma epidemia de Coronavirus. Ela dá risada na minha cara, a caixa também dá. Ela solta :ah moça não chegou aqui isso ainda não. Só pega em velho. Eu viro, pego minhas coisas e vou embora bem rápido. Ninguém com máscara. Vida normal, as pessoas se abraçando. O moço puxando carrinhos, todos batendo papo, sem álcool gel no supermercado, todos sem máscaras .... É tá tudo normal. A coitada que trabalha no caixa lá, com a moça tossindo em cima dela e do bebê de colo. E eu... Sai de lá chorando. Pq não falam a verdade? Pq o secretário da saúde e o prefeito não avisam a população do perigo que estão correndo? Pq deixar chegar no limite? Pq o governo não fala absolutamente nada? Eu sei porque... Genocídio. Necropolítica. Fodassem os pobres trabalhadores. A população segue cega. E tudo normal.... Tudo loucamente normal no meio da pandemia. Ar denso e pesado. Só eu que estou sentindo isso? O caos chegando e as pessoas como se estivesse num dia normal de março ... E segue a vida até tudo desmoronar de uma vez...”, cabeleireira Bia Bassan.

3 - “Esse povo que segue o Bozo regrediu a idade mental de crianças de até 5 anos. Não contestam nada por mais esdrúxulo que seja. Colocam a língua numa tomada se seu mito disser que é seguro. Parecem os fanáticos daquelas seitas que esperavam disco voador. Se ele mandar tomar cicuta e deitar na cama pra esperar a nave esse povo obedece”, músico Samuel Garcia.

4 - "A gente sabia que ia dar merda um governo de extrema-direita num país miserável, mas esse decreto de Moro e Mandetta - ou Morodetta, novo monstro do catálogo - é um novo estágio de absurdo. Agora, quem desobedecer regras de quarentena ou isolamento poderá ser preso. Preso, filho da puta? Preso? Onde? Como? O maior drama dessa pandemia é justamente o contágio rápido e a falta de leitos hospitalares, tu vai levar um doente preso pra onde? Uma penitenciária? É pra exterminar a população carcerária de vez? E aí, como fica seu sonhado projeto de penitenciárias privadas altamente lucrativas, seu capanga de milícia? Os PMs vão usar máscara e luva cirúrgica pra prender o doente ou é pra eles serem contaminados também? Isso num país onde mais de 60 milhões de pessoas estão entre o desemprego, o desalento e a informalidade. O cara mora com a família num barraco sem saneamento básico nem água, tem que ir pra rua catar latinha pra criança não morrer de fome mesmo correndo o risco de voltar pra casa com um vírus, e Morodetta quer ele preso? Existe limite pra essa mentalidade punitivista tacanha? Essa portaria há de ser simples jogo de cena para a claque dos hidrófobos que idolatram o capanga de milícias, mas é um escárnio para todos os brasileiros que estão sabendo que os mais miseráveis serão as maiores vítimas dessa pandemia. Se não morrerem com o vírus, morrerão com a impossibilidade de conseguir seu sustento. O asco que sinto por Moro e seus admiradores, pelos jornalistas que deram asas a esse monstro, agora alcançou um nível que eu não sabia sequer ser possível. Vou mandar engarrafar esse asco pra próxima guerra biológica, há de ser útil”, João Ximenes Braga.

5 - “Difícil dormir. Um dilema que o Governo deveria ser o responsável por resolver mas, por projeto e incompetência, está "lavando as mãos" e colocando a população mais uma vez numa polarização insana: nós contra nós mesmos. As redes sociais estão aí de novo com dois lados. Esquecemos que uma tomada de decisão que afeta o futuro de milhões de pessoas deveria ser feita por quem tem o poder e o dever de mudar o rumo de uma população inteira. Não é o Seu Manoel da padaria nem o ativista da São Salvador. O padeiro e o cientista social possuem o mesmo peso na balança. Nós não deveríamos nos responsabilizar. Nós não deveríamos nos utilizar do discurso da "consciência" pra atacar o outro que está numa encruzilhada ética. É isso que eles querem. O caos gera receita pra quem se apresenta como solução. Receita política e financeira. A lógica do Governo é ser solução pós-caos pra faturar com isso. Não vejo nenhuma campanha pra qualquer esfera governamental que seja ser prevenção pré-caos. No entanto, estamos nos esbofetando como num circo onde o palhaço é a plateia. Eles lavaram as mãos e nós que pagaremos pelo álcool em gel. Metáfora dos dias que vivemos. Aliás, até quando?”, Raphael Vidal, comerciante da Casa Porto Rio RJ.

6 - “Existe um tipo comum de idiota que é formado em SeiTudoDePoliticaPorqueSouFodão, leio Sensacionalista, amo Olavão!... Como eles se proliferam já estão em sub grupos diferenciados de alienação. O tipo comum A é aquele que todos já viram e que pode confundir a bandeira japonesa com uma invasão comunista. Falar que Leonardo di Caprio nasceu um vândalo esquerdista, ou o mais recente: que uma pandemia é só uma pequena fantasia de quem não tem o que fazer. O tipo comum B é o que nunca saiu de sua latrina de mármore e faz curso de como manter o entorno periférico fora de seu trajeto para a graduação em "Aprenda a ser fétido disfarçado de ético".
Posta imagens sacras e louva a Deus, mas dá crédito pra quem apoia morte de líderes do campo, negros e indios justificando: "Vai ver o cara mereceu". :/ O tipo comum C é o que usa seu lado direito do cérebro para acessar todos os chavões, todas as frases fofas e de efeito paralisante como: "Vai prá pia Dona Maria" - "Direitos Humanos prá quê?" - "Deve ser falta de ser bem comida" - "Tá com dó leva prá casa" - "Vai prá Cuba!" - "Só meteu bala? Devia ter torturado um pouquinho"... "Bozo é espontâneo (???) - Não joguem contra" - Hummm, fofinhos não? O tipo comum D acha incrível o arsenal de asneiras dos tipos A, B, C e D e ainda acrescenta a frase de muita reflexão que diz: Petê, Petê, Petê, o culpado é só você! O tipo comum E - São pessoas como eu, que ao ler uma notícia, promete prá si mesmo: Você não vai descer os olhos nos comentários dos tipos anteriores! NÃO LEIA, NÃO LEIA, NÃO LEIA! NÃO LEIA!... E quando vê é tarde demais. O pino da granada destrava em tudo que é direção e boto pra morrer sem pena. Coisas de quem nasceu com Marte em Gêmeos e
Lua em Airton Senna”, Rosa Maria Martinelli.

7 - “Poxa, galera, as fake news não param! Fora as bobagens sobre a China, duas que recebi hoje preocupam bastante. Numa, divulgam que a Ambev está distribuindo álcool gratuitamente mediante preenchimento de um formulário... Lá se vão dados para bandidos... E, a pior, estão divulgando que uma vacina de cachorro serve para humanos! É saúde e patrimônio sendo mais lesados do que já está! Não aprenderam nada!?”, advogado Márcio Machado.

8 - “Cena do dia: 7h30, um senhor, certamente com mais de 70 anos, parado na esquina da Duque com a Gustavo Maciel, sem camisa, short de ginástica, como se quisesse dizer: "pode vir, coronavirus. Neste corpo você não entra", jornalista Júlio Cesar Penariol.

9 - “Acho que não é exagero dizer que a patriótica comitiva de bolsonaro, se não ele mesmo (sinceramente, não sabemos), trouxe o coronavíros para o Brasil e o espalhou por toda parte no dia 15. (...) O que andou aprontando essa comitiva do coiso lá na gringa? Fizeram bacanal de corona? Damares!! (...) Se preparem trabalhadores, os ricos vão nos fazer pagar pela crise de novo. Demissões, redução de salários, mais "reformas" (retirada de direitos), destruição dos serviços públicos... Uma hora vamos ter que retribuir tanta gentileza. Morte aos patrões! (...)Eu ouvi o p. guedes dizendo que pra salvar as empresas irá derrubar os "encargos trabalhistas", eu ouvi direito?”, professor da rede pública Tauan Mateus.

10 - "Fui na DRS - Divisão Regional de Saúde de Bauru retirar insumos para diabete e ouvi que se o Haddad tivesse ganho estaria pior o coronavirus. Não entendo mais nada, ou melhor, temos o governo do povo e para o povo!", comerciante Guilherme Reis.

11 - A sua historieta pode entrar aqui a qualquer momento, basta eu tomar conhecimento.

CALL CENTERS OBRIGAM TRABALHADORES A CONTINUAR NA ATIVA - NÃO SÃO OS ÚNICOS
Foto sacada do link citado abaixo.
O texto do link abaixo é elucidativo e em tempos de pandemia, acrescento algo a mais. Bauru é a Capital do Telemarketing, mais de tantos mil funcionários atuando nesse setor e os empresários todos com ações sociais, investindo e mostrando sua cara em times de futebol, vôley, basquete, natação, pólo aquático e afins. Beleza pura. Alguns se mostram até como futuros candidatos para cargos eletivos no próximo pleito. Hoje acontece algo ainda um tanto inexplicável, ou melhor, bem explicável no setor, porém não justificável (sic). O país inteiro, mesmo sem a anuência do despirocado presidente miliciano Bolsonaro, está praticamente parando, tudo cerrando suas portas, pelo bem de todos, o coletivo sendo levado em consideração, num único momento, algo nunca visto (olha que tenho 60 anos), quando a dispensa é praticamente geral e quase obrigatória. Hoje, sexta, a cidade deveria estar parada, mas alguns inistem em continuar na ativa. Um dos segmentos insistindo em continuar com seus funcionários na ativa é o de telemarketing, os tais call centers. Creio devam estar vislumbrando que com todos em casa, a cobrança se dará com mais afinco. Recebo ligação de três funcionários (as) do setor, todas preocupados com o rumo dos acontecimentos. A ordem é não parar, a ordem é cobrar, a ordem é bater metas, a ordem é acelerar o serviço e tudo em condições hoje condenáveis, imensos salões abrigando de 200 a 400 pessoas por andares. Ouço que até podem ser realizadas as cobranças da casa de cada funcionário, mas a medida não é bem aceita, nem bem vinda pelos empresários. A preocupação geral, além de trabalharem sem condições, com quantidades irrisórias de álcool gel e afins, mas com algo pior, algo plantado já entre todos, a de que parando, os salários não terão como ser pagos. Numa dessas empresas, ontem a divulgação de um manifesto conclamando para uma paralisação a partir de segunda, 23/3. Tarde demais e na contramão de tudo o mais. O empresário desse setor ganha os tubos, visto os investimentos que fazem e num momento como esse, quando poderiam demonstrar a sensibilidade para com a cidade onde estão estabelecidos, para com o momento de pandemia e, principalmente, com seus funcionários, demonstrar um acarinhamento por esses, mas não, persistem no erro e pelo visto, terão que ser, assim como o neopentecostal Malafaia, só irão parar de fato com decisão judicial. O lamento do que ouvi de três pessoas é algo estarrecedor, desumanidade chegando nos limites, todos por um fio, sustentando a coisa por necessidade, medo em todos os sentidos de futuro incerto, tanto na saúde como no bolso. Num momento em que o insensível ministro Guedes já deixa claro que as empresas poderão reduzir o valor dos salários com os funcionários parados, além do vírus, a catástrofe da fome ameaça a tudo e todos. Esse um dos segmentos ainda na lida, porém, não o único e em todos, algo a demonstrar o que de fato move o empresário brasileiro, movido e teleguiado pelo neoliberalismo predatório. Eis o link da matéria que gerou o meu texto: http://www.esquerdadiario.com.br/Trabalhadores-de-call-center-paralisam-exigindo-seu-direito-a-saude-contra-o-descaso-patronal

quinta-feira, 19 de março de 2020

ALFINETADA (188)


EU NO MEU BUNKER - MINHA VIDA, MINHA LUTA

Sim, eu sei, sou um privilegiado. Tive como parar tudo, permaneço isolado em casa, neste momento junto de Ana, a companheira de todas as horas. Tenho um canto só meu, aqui escrevo, leio, ouço música, produzo e trabalho, coloco o serviço parado em dia, tudo dentro dos conformes. Reduzi a intensidade com que participo da vida ativa do meu país e o fiz como questão de sobrevivência. A imensa maioria da população não possui essa condição, isso me entristece, porém, ao vivenciar esse triste momento mundial e o podendo fazer em condições bem favoráveis, tenho que, não só tocar o barco adiante, mas fazer o que sempre fiz e continuarei fazendo no tempo que me resta de vida: denunciar os desmandos, as condições desiguais, onde uns conseguem e outros nem chegam perto. A minha luta, sem pieguice, pedantismo e muito menos soberba é lutar para que as desigualdades desapareçam neste mundo, mesmo que, hoje perceba bem nítido, evidente neste país, muitos lutam pela devolução dos direitos perdidos e só por causa disto, são considerados perigosos, pessoas pelas quais é bom manter distância. Dói constatar que, a luta feita pelo coletivo, para um todo e não para manter somente a condição por mim alcançada, não é bem entendida por muitos pelos quais a luta ocorre e esses, até sem o saberem ou entenderem de fato o que se passa, defendam o opressor, o que lhes crava a estaca no peito. Não vai ser por isso que desistirei. Primeiro devemos todos escapar desse corona, depois empreender uma luta titânica para transformar esse mundo, mudar as mentes, conscientizar o máximo possível de pessoas. Prevejo um intenso trabalho de formiguinha, revolucionário de base e isso me moverá enquanto aqui continuar respirando. Ontem minha luta foi da janela batendo panelas e gritando "Fora Bolsonaro", quando poderia estar esgrimando nas ruas, mas na impossibilidade, foi a forma encontrada de continuar resistindo. Ela continuará sendo feita desta trincheira, até nem sei quando, mas cá do meu canto, permanecerei atento, instigando, provocando e fazendo o que sempre fiz. O Mafuá estará fechado, com um baita amigo tomando conta do acervo e do meu cão, o Charles. Ele é outro, estará lá cercado de preciosidades e poderá também desfrutar de algo único, outro pivilégio, ler e ouvir tudo o que ali está contido dentre aquelas paredes.
Estou triste, como todos, porém bem lúcido, consciente e me preparando com afinco para o que virá. Precisamos todos sair mais fortalecidos dessa, até para mais unidos saber como enfrentar esses dragões da maldade, esses imensos moinhos à nossa frente. Eu só tenho olhos e mente voltados na busca de algo facilitador para derrotá-los de vez. Tenho comigo que o tempo de conciliação já se foi e daqui por diante, mesmo agora, contido aqui nessas quatro paredes, o confronto se faz necessário, pois do contrário perderemos de vez esse país.

A TV GLOBO E O "FORA BOLSONARO"
Que a TV Globo não é nenhum reduto de moralidade, de presteza à democracia e aos preceitos da liberdade de expressão e verdade factual dos fatos, disso não existe a menor dúvida e até a pedras do reino mineral sabem de cor e salteado o enunciado deste imbróglio. Dito isso, sempre é bom lembrar o que ela tem feito para distorcer os fatos, desde o fatídico golpe de 2016, o que derrubou de forma insana a presidente Dilma Roussef, colocando no poder, primeiro Temer e depois, se fazendo de cega para todas as estripulias de Bolsonaro & Cia ("com Supremo com tudo"). Ela sempre teve culpa no cartório e seu jornalismo, mesmo exercendo um papel relevante hoje no quesito esclarecimentos quanto ao coronavírus (nenhuma outra TV faz tanto e a nova CNN, imensamente pior), perdeu muito em credibilidade desde então. Dito isso, vamos ao fatos de ontem, quando explicitou de vez, primeiro pelo Jornal Nacional, depois pelos outros telejornais e também pela Globo News, algo do desenlace quanto à Bolsonaro, ou seja, os acordos devem estar todos rompidos.
A Globo, como se sabe, nunca gostou de Bolsonaro, mas o tolerava, pois defensora de tudo o que o ministro da economia Guedes fez, faz e fará, o apoia por tabela. Para ver ser implantadas as tais reformas (as que deformaram o país), ela aceitou o Bozo, mas como na vida tudo tem limite, pelo visto o momento de iniciar o processo de colocá-lo pra correr já está em curso, mais do que implantado. A Globo não é santa, faz tudo por interesse. Atacar Bolsonaro mais um. É mais do que sabido, com tudo o que ele já fez, demonstrando todo o despreparo para o cargo, algo muito além das trapalhadas, não ser mais possível tocar o país tendo alguém com a insanidade tão elevada no cargo máximo e junto disso, toda uma família da mesma laia, além de tudo, milicianos. A Globo não dá ponto sem nó e ao espezinhar o Bozo, tem tudo preparado para a substituição do maluco. Ninguém espere ter baixado na Globo o espírito do bom mocismo, pois isso é impossível. Todos os sensatos são a favor do "Fora Bolsonaro" e agora, também a Globo, mas estejamos todos cientes, ela o é por conveniência. Ele atrapalha demais todos os negócios dela e do grupo dos "donos do poder" deste país. Os tais devem estar unidos e em breve irão encurralar Bozo, mas não esperem nada de bom pela frente. Temos Mourão, Maia e outra eleição, nem pensar. Quanto aos malucos que ainda o defendem, esses desprezíveis em todos os sentidos, serão abandonados no meio fio, descartados como inocentes inúteis. O Brasil não é para amadores.

MORADORES DE RUAS E OS INVISÍVEIS EM TEMPOS DE PANDEMIA
Uma das notícias mais tristes do dia de ontem veio da Itália e vai além das mais de duas mil mortes, a de que quando tudo isso passar, provavelmente poucos velhos restarão no país. Por aqui, terra do insolente e bestial Bolsonaro, não só os velhos irão com o vírus e a indecência das precárias atitudes tomadas até então, mas junto os moradores de rua e afins. Esses já são pouco olhados em momentos normais, imagine em momento de pandemia, quando o salve-se se puder estiver instalado. Se hoje, a bestialidade culpa a China, sem conseguir explicar nada além disso, a morte dos hoje invisíveis será algo trivial, ou mesmo necessário, desde que ocorra para que os ungidos sobrevivam. A história de "Geni e o Zepelin", música do Chico Buarque reverencia isso. Enquanto ela é útil, sendo requisitada para a cama do ovni, que vá e nos salve, mas quando ele se for, ela voltará a ser a Geni e assim, "bosta nela". Os que vivem na "bosta" podem esperar o que mesmo em desGovernos onde nunca serão sequer olhados? Nada. Em tempos como os que se aproximam, serão meras estatísticas. Isso se houver alguém interessado em levantar esses dados, quanto eram e quanto restaram.

Alguém passou o vírus para um deles e a cadeia reprodutiva se alastrará de forma insólita, numa multiplicação para endoidecer gente sã. Na Itália o problema é com o futuro dos velhos. Aqui também, mas temos além deles os moradores de rua, os deserdados de qualquer atenção, os na rua da amargura, os perambulando pelas encostas, esses já sem futuro e agora, em vias de serem infestados e dizimados. As projeções do avanço da doença só aqui em Bauru são alarmantes (ouço algo em torno de 1500 casos) e dentro desse avanço, quando essa alcançar os mais vulneráveis, os sem nenhum recurso, aqueles cuja rejeição ocorrerá até pela rede hospitalar, esses morrerão sem que ao menos tomemos conhecimento. Ninguém ficará citando seus nomes, contando algo do passado e suas histórias, muito menos uma mera foto como lembrança. Eu os contemplo com o maior respeito. Daqui de onde moro observo um, dia após dia. É catador de reciclados, chega a pé, empurrando seu carrinho e vai de lixeira em lixeira em busca de algo aproveitável. O abordei dias atrás e seu comentário quando tentei lhe dizer que as coisas estavam mudando: "Eu percebo. Não entendo de política, quase não vejo TV, mas já tem menos papelão pra mim recolher. Tem menos gente comprando essas coisas e quando isso ocorre eu recolho menos e ganho menos". Ele nem imagina o que o espera além disso, quando alguém como eu, numa simples conversa lhe transmitir o vírus e ele repassar para todos os demais à sua volta.
Eu os adoro exatamente por isso, deitam nos sofás das Casas Bahia.


Eu estou muito bem informado e cuidado. Até me envergonho disso e estou de mãos atadas para tudo o mais, quando me impedem de sair de casa, quanto menos parar pra conversar com esses. Cá do meu bunker doméstico, algo não me sai da cabeça: E esse pessoal das ruas, o que será deles? Mal consigo cuidar de mim, mas sei estar num lugar seguro, quando a maioria do povo não está e para piorar, temos ainda um presidente totalmente despreparado, despirocado e insano, olhando só para o próprio umbigo, insistindo numa festa doméstica para os próximos dias. 

Tomara esse desGoverno não resista a essa crise toda e saíamos renovados ao final desse hediondo momento. Busquemos forças para fazer o que já deveria ter sido feito desde muito tempo, ou seja, nem ter deixado o golpe de 2016 ocorrer. Agora, com os piores nos governando, os vejo mais perdidos que cegos em tiroteio, atirando pra todos os lados, sem nenhum noção do que está por vir. Regredimos demais. 

Eu ainda me defendo, mesmo com minha espadinha já um tanto enferrujada e engripada, mas tem uma turba que nem ao menos imagina o que está por vir. Queria tanto revê-los ali na curva da esquina quando tudo isso se dissipar.