terça-feira, 24 de novembro de 2020

COMENTÁRIO QUALQUER (208)


PREOCUPAÇÃO ABSOLUTA, POIS O RAUL É CONTRA...
Acabo de assistir o candidato Raul DEM à prefeito bauruense na TV Tem, onde por dez minutos discorreu sobre o que pretende se conseguir o intento de chegar à falida Prefeitura de Bauru. Dentre tudo o que ouvi algo me preocupou e já lanço farpas, arpões, espadas e clarins contra o candidato: "No meu Governo não vai ter troca-troca". Mas como, ficaremos quatro longos anos sem nenhuma possibilidade de um mero TROCA TROCA? O candidato deve desconhecer dos benefícios de tão auspicioso e calorosa troca de afagos e conchavos para o bem de qualquer administração pública. Ou ele muda de ideia e se retrata a tempo da notícia chegar a tudo, todas e todos, ou irremediavelmente perderá o pleito. Desconsolado, já procuro exílio em cidades vizinhas, onde o negócio funciona a contento e a todo vapor.

PREOCUPAÇÃO ABSOLUTA, POIS A SUÉLLEN É A FAVOR...
Eu acabo de, sentado no sofá de minha residência, degustando meu almoço, quase engasgar ao assistir pela TV a propaganda eleitoral da candidata à prefeita de Bauru, Suéllen - Patriota. Eu, como já é do conhecimento público, sou um senhor de 60 anos, seguidor de certas regras de conduta, inabaláveis para o bom desenvolvimento de minha saudável passagem por este mundo. Pois a candidata diz em alto e bom som que "vou abrir Bauru para novas possibilidades". Medrei na hora e precisei de sustentação para conseguir chegar ao banheiro e evacuar do desarranjo a que fui acometido. Não esperava isso justamente dela, de um partido conservador como o Patriota, tão regrado e ciente de sua missão para com a família e os bons costumes, modos e procedimentos. Não sei não, mas a candidata deve ter exagerado no consumo de algum estimulante antes da gravação do seu programa e está a amedrontar Bauru com ameaças deste tipo. Por fim, o que ela quiz realmente dizer com essas tais novas possibilidades? O que pretende com isso, desestabilizar as famílias, desestruturar o ajustamento que dou pra minha vida? Pelo bem da continuidade de sua campanha, vejo que se faz necessário uma retratação, acalmando tudo, todas e todos, para bem da continuidade da vida no estilo proposto pelo Patriota e os adeptos de sua bem comportada campanha.

ESCREVER DOS QUE VALEM MUITO A PENA
EDIVIGES E A VONTADE DE ABRIR SEU PRÓPRIO NEGÓCIO COM PÃES
O Mafuá quer queiram ou não, acaba também fazendo história, pois naquele local já passaram e continuam passando muitos personagens dos mais interessantes, dito e vistos como os desimportantes do nosso mundo, mas já tendo percorrido muito nesta vida, cheios de muitas histórias de vida, algo a merecer relatos e terem suas experiências passadas adiante. Com a pandemia tive algumas pessoas por lá circulando, muito menos que antes. De uma inquilina que vai, deixando um oco, um vazio no lugar, logo preenchido por outra, cuja história me comove e aqui a conto, até para multiplicar isso de que vale mesmo muito a pena a gente não deixar restrita para poucos o que vivenciamos. E essa vontade louca de que todos se deem bem em suas vidas.

EDIVIGES FERNANDES, 55 anos, tem nome de santa católica, a das causas impossíveis e fez de sua vida uma peregrinação desde o nascimento, lá no interior de Minas Gerais. Ela chega agora em Bauru, para estar junto de outros parentes aqui já residindo e vem do interior do Pará, onde deixa alguns dos quatro filhos, todos estudando e trabalhando. Por lá ela foi bem sucedida, teve restaurante, o King e uma voadeira, um barco de pesca circulando pelos rios da região, nele uma cozinha e ela no volante. Levava e trazia turistas e no restaurante fazia de tudo e mais um pouco, pois domina a cozinha como poucas. Ganhou muito, gastou tudo o que tinha, se separou e perdeu tudo. Optou por mudar de vida e rumo, ao fazer uma cara cirurgia do coração. Não mediu esforços e deu uma guinada em sua vida. De uma casa lotada, completa, com toda a “tralha” que possam imaginar, tudo organizado e original, louças e talheres de fino trato, chega em Bauru com uma mão na frente e outra atrás. Tem consigo algo do qual não se aparta nunca, a sapiência e a mão boa para a cozinha. Domina tudo e faz desde pães de todas as espécies, salgados, doces e bolos, além de comida variada e múltipla. Decidiu depois de tudo não mais trabalhar para ninguém, pois cansou de enricar a estes. “Mesmo que ganhe pouco, invisto em mim e sei meu dia chegará”, diz. Bate cabeça, mas tenta seu próprio negócio ou parcerias, atendendo por enquanto só em encomendas ou contratos para eventos. Tem ideia de montar um negócio e botar a mão literalmente na massa. Conversando com o filho, este lá no Pará, veio a ideia de talvez o nome vir a ser DELÍCIAS DA VI, como era conhecida no norte do país. Ediviges nas últimas semanas tem feito pães caseiros para conhecidos, dentre os quais me incluo e quer muito ganhar uma mesa, para colocar no meio de sua cozinha e nela, com mais espaço produzir mais e mais guloseimas e assim começar de vez seu novo negócio. Seu contato é 14.991548505.

E PARA NÃO ESQUECER QUE TEMOS QUE MANDAR ELE PRAS CUCUIAS
Meu dileto amigo internético, Décio de Souza, de Lençóis Paulista, artesão de mão cheia e artista do traço e das artes, que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, mas confabulamos muito por essa via internética, posta ontem em sua página algo e me toca, me seduz, me encanta, pois mostra todo seu envolvimento e sapiência do que de fato se passa com este país. Com seu inconfundível traço e um texto curto e grosso ele demonstra por A + B, toda a bestialidade ululante deste país nos dias de hoje e nos levando para o irremediável buraco, fundo do poço. Ele, assim como eu e parte desta nação, estarrecidos, ainda nos encontramos um tanto inertes, sem reação além desta, a de escrevinhar, desenhar e multiplicar as ideias, mas todos, muito cientes da falta de um algo a mais. 

Esse algo a mais é nossa mobilização, pois quietinhos e cada um no seu canto, só postando e não indo pras ruas, a malvadeza e crueldade continuará sendo enfiada a fórceps na goela dessa dividida nação. Só as ruas resolverão nossos problemas. Décio e eu sabemos muito bem disso...

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

DICAS (202)



VOTO NO 2º TURNO E COMO AGUNS CONSEGUEM ESCOLHER ENTRE DOIS MUITOS RUINS EM BAURU – E TEXTO PARA REFLEXÃO COLETIVA
Ontem uma pequena altercação quando um conhecido professor e poeta bauruense, Luiz Victor Martinello, posicionamentos conservadores conhecidos declara seu voto no 2º Turno em Bauru para um dos candidatos, ambos também conservadores, neoliberais, porém um deles, médico só “tudo de ruim”, as do outro lado, uma candidata, jornalista também “tudo de ruim”, porém evangélica neopentecostal. Martinello declara apoio ao médico e reclamam. Em sua defesa, o professor Reginaldo Tech, amigo do médico de longa data, tendo em todos os momentos se posicionado contra o conluio golpista hoje vigorando no país, mas também já declarando voto no amigo, médico, mesmo este tendo conhecido posicionamento em confronto com tudo o que até então se pode defender como razoável. Resumo da ópera: em Bauru, tudo anda caminhando desta forma e jeito. De um lado, grupo considerável de eleitores tendo votado em candidato mais à esquerda no 1º Turno e hoje se posicionando favoráveis ao voto útil, no menos ruim, menos problemático, menos danoso, mesmo este já tendo declarado ser contrário à maioria do que se defende na denominada linha progressista e daí por diante. A alegação é bem simples, ele vai destruir, mas a outra vai fazer algo além disto, ou seja, a chegada dos sempre predatórios neopentecostais. Entre a cruz e a espada, posto abaixo texto para reflexões variadas e múltiplas, a que muitos fazem neste momento, quando a sete dias do pleito, cabeças giram como numa roleta russa. Enfim, vale ou não a pena optar pelo menos ruim, sendo que já é do conhecimento até das pedras do reino mineral que, tanto com um com a outra, a desgraça tomará conta de Bauru.

“O voto – ah meu voto. Inegável que na sociedade contemporânea, algo nos pertence, o voto. Um voto individual. irretorquível direito de posse. Mas esse voto não escapa aos limites da sociedade capitalista, expressa no que denominamos de Modernidade. O voto nesse caso, mais do que um exercício de um agir ético, se torna um bem-mercadoria, e neste caso pode servir como uso e troca, relembrando o velho Marx. Nada a estranhar quando vemos uma pessoa negociar seu voto por uma nota de cinquenta reais, ou pela promessa de um ganho futuro, por que não? se é algo que nos pertence. Sabemos que há uma determinação moral que condena essa negociação, mas como julgar a moralidade daqueles que têm fome, pela moralidade dos que não tem fome. Como saber o que se passa no Reino da Necessidade? Sendo o voto um bem individual, uma mercadoria, isso implica em um afastamento da comunidade, esta perde o sentido, o laço social se enfraquece. A democracia liberal representativa é uma espécie de gramática, que no Ocidente, ganhou status de irrefutabilidade, pensar outros caminhos para se conduzir o mundo das decisões comunitárias, é quase um crime. O voto por sua conexão com a ideia de liberdade burguesa, é um olhar para fora da comunidade, um olhar que ignora quem está do lado. A liberdade também como mercadoria, é um bem individual, conecta convicções, mas não conecta pessoas. Paulo Freire nos fala de um outro tipo de liberdade, pela qual ninguém é livre sozinho, só se pode ser livre coletivamente. Deste postulado, se pode sonhar com um voto da comunidade, que mesmo dentro do sistema político burguês o subverteria por dentro. Um voto que implica responsabilidade de todos e por todos. O voto estaria implicado a uma rede solidária de olhares e atitudes. Deixaria de ser mercadoria, para se converter em um Bem para todos, ou até mesmo em uma derrota para todos. As boas propostas seriam aquelas que contemplassem a comunidade e garantissem o laço comunitário e o consenso. O voto seria o resultado de um agir ético. Utopia, certamente sim, mas impossível, não. Esse ideal está pelos becos e vielas, e bem pode ser um desdobramento da ideia africana de UBUNTO, eu sou porque nós somos”, professor, pesquisador, dr em Comunicação e Cultura ECO/UFRJ e historiador carioca - também meu amigo - Jairo Santiago.


QUANDO AS DUAS CANDIDATURAS ELOGIAM A UNIMED EU SARTO DE BANDA
Assisto o horário eleitoral e no de hoje o candidato a vice da Suéllen, um médico que já dirigiu hospitais pela aqui, culmina seu currículo tecendo loas elogiosas para o tempo quando esteve à frente da UNIMED, o conglomerado médico que um dia já foi cooperativa e hoje não sei que denominação posso dar para aquela constituição física, onde o negócio de todos é ganhar muita grana. Eu estudei e já faz tempo que estou longe dos bancos escolares, mas cooperativa, pelo que os alfarrábios me ensinaram é bem outra coisa. O vice da Suéllen pelo visto adora o modus operandi da UNIMED. Sentei no computador e fui pesquisar o que vem a ser o termo. Não deu tempo de juntar tudo o que fui coletando, pois vejo o médico Raul, o representante da outra candidatura, almejando se tornar prefeito e ele também tecendo loas elogiosas para a UNIMED. O dito cujo também atuou nas hostes direcionais, de mando e comando em famoso hospital da cidade e por fim, a tal cooperativa, que na verdade deveria ser algo abrangente, compreendendo um número enorme de pessoas, filiados, todos cooperados e de comum acordo, decisões tomadas da forma mais parcimoniosa possível, lucros todos divididos e disponibilizados no moto contínuo para que a roda não deixe de girar e nunca engorde uns poucos, mas o faça para o todo. Em alguns lugares chamam isso de comunismo, noutros, pelo menos quando da fundação desta, cooperativas. Em ambos a ideia é sempre coletiva. Eu sou mesmo um velho rabugento, impertinente, intransigente e criador de caso, ou se quiserem nada disso, pois o que queria mesmo é ver tudo sendo feito como prescrevia os estatutos iniciais dessas conturbadas gafieiras. Desligo a TV para não me influenciar negativamente e junto o lé com o cré, chegando na conclusão de que, se os dois endeusam a dita cuja, como arrebatadora, eu na qualidade de eterno desconfiado, boto um pé para trás e me abstenho de continuar minha consulta, pois só ao abrir o google, botando lá o nominho da mais famosa cooperativa (sic) médica brasileira, o que me saiu nas páginas diante de meus olhos são inúmeros, diria, milhares de processos correndo país afora. Fico com medo e deleto tudo, pois se os dois médicos locais afirmam o contrário, o google deve ser mentiroso. A verdade sempre esteve com os próceres destas plagas onde neste segundo turno, ostentam a mais bela composição que podíamos ter e com a mais adequada denominação, “sem limites”.

domingo, 22 de novembro de 2020

MÚSICA (192)


“MAS O QUER VEM A SER COXINHA? POR QUE UTILIZAM ISSO PARA DESIGNAR SEUS ADVERSÁRIOS?”, ELA ME PERGUNTA
A amiga me liga só para perguntar: “Henrique, por que vocês utilizam coxinhas para designar os contrários, bolsonaristas e conservadores?”

Vamos às respostas:

Segundo o Wikipédia: “A coxinha é um salgadinho brasileiro, de origem paulista, também comum em Portugal, feito com massa de farinha de trigo e caldo de galinha, que envolve um recheio elaborado com carne temperada de frango, queijo, calabresa ou vários outros tipos de sabores”. Não é isso o que ela me perguntou...

Tem também, ainda sacado do Wikipédia: “Coxinha é um termo pejorativo brasileiro, usado como gíria, e que serve para descrever uma pessoa "certinha", "arrumadinha". A gíria tem origem paulistana, todavia não identificada completamente. É alguém conhecido por ostentar um padrão de vida de custo elevado, e posturas políticas conservadoras. Aponta-se, também, o coxinha como aquele que se opõe com vigor a ideias políticas ou econômicas consideradas de esquerda. Sua contraparte é o termo mortadela”.

Eles tentam explicar algo da origem do termo: "A origem do termo é controversa, mas pode ter relação com a sua acepção primeira (salgadinho empanado e recheado). No entanto, em acepção diversa, há indícios fortes apontando aos anos 1980, quando era utilizado para apelidar os policiais paulistanos, que em intervalos de almoço e com vales-refeição de baixos valores (chamados pejorativamente de "vale-coxinha"), consumiam o salgadinho nas lanchonetes da cidade de São Paulo. Ao longo do tempo 'policial' e 'coxinha' passaram a ser sinônimos. (...) Outra explicação vem dos moto clubes. "Coxinha" é "aquele cara que sai para viajar de moto e, quando chove, encosta no posto da estrada e liga pedindo para alguém ir buscá-lo de carro", conta Reinaldo Carvalho, 55, presidente da Federação dos Motoclubes do Estado de São Paulo. "Tem cara que tem Harley-Davidson e não anda na chuva", debocha. "Talvez porque o camarada fique com as coxas bem postas junto à moto", especula o professor de português Pasquale Cipro Neto. Poderia também derivar do substantivo coxo e seu significado intrínseco, pejorativo de alienação e visão unilateral dos fatos. Assim coxinho, coxinha, enquanto diminutivo de coxo, aquele que apresenta uma extremidade mais curta que a outra ou a que falta uma perna ou pé (diz-se de objeto). Aquele que apresenta unilateralidade política”.

Wikipédia viaja e no campo da política define: “A expressão coxinha passou a ser sinônimo daquele que defende um status quo ao qual ele não pertence. Ele defende os ricos, pensa ser rico, mas na verdade é um objeto a serviço dos ricos. Um instrumento para subjugar os seus iguais. "Coxinha" se tornou um adjetivo para designar uma parte da população brasileira que fazia oposição ao governo tido de esquerda do Partido dos Trabalhadores”.

A revista Fórum, na busca de uma definição definitiva (sic) diz ter encontrado o Santo Graal: “Finalmente alguém explicou o surgimento do termo ‘coxinha’. Leia aqui: Está desfeito o mistério. Margarete Schmidt explica em detalhes, com um texto divertido e saboroso, além de plausível, o surgimento do termo que tomou o país de ponta a ponta”. Eis o link para leitura, o que acredito venha a ser o mais próximo da realidade e citado en passant pelo Wikipédia: https://revistaforum.com.br/.../finalmente-alguem.../. Num artigo publicado pela Folha de SP em 2015 outra definição num texto bem ao estilo do jornal: https://www1.folha.uol.com.br/.../1605686-coxinha-e.... A imprensa massiva busca suas definições e o Estadão também deu sua versão: https://sao-paulo.estadao.com.br/.../voce-ja-foi-chamado.../. Encerro com outra definição, a do blog Cidadania & Cultura, de Fernando Nogueira da Costa, em texto escrito em 2016: https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/.../por-que.../.

Ontem mesmo, alguém entrou num dos meus posts do facebook, desgarrado de sua manada e tentou defender o Senhor Inominável. Foi colocado no seu devido lugar e alguém fez uso do termo: “trata-se de mais um coxinha”. Eles pulularam muito mais pela aí, hoje menos, mas continuam em ação, pois como demonstrou a última eleição, o conservadorismo, bolsonarismo, fascismo, homofobia, milicianismo, neoliberalismo continuam mais que em evidência neste país, daí a utilização continua em franca utilização. Se ontem claudiquei na resposta, acordo hoje e a respondo até com muito detalhes, algo que nem sei ela terá paciência de ler até o fim.
OBS.: As ilustrações deste texto são todas do amigo Carlos Latuff e foram gileteadas via google.

A CASA PORTO DO RIO SEMPRE SAINDO NA FRENTE - ENFIM, ONDE NÃO BOTO MAIS MEUS PÉS...
Aqui em Bauru adoro ir numa certa padaria, frequentada por mim durante décadas, um bom pão - o que fez ir bem longe em busca deles -, preço honesto, mas um dos seus proprietários se tornou um ser provocador, pois instiga parcela de seus clientes e desta forma, afasta outras. Eu me afastei, pois não quero mais presenciar certos cartazes bem ao estilo da louvação bolsonarista e denegrindo tudo o que tenha leve conotação esquerdista, quiçá petista ou algo parecido. Está tudo explícito por lá, até na fixação da bandeira desfraldada com escritos direitistas ao lado. Ele continua gentil, sempre me ofereceu um aperitivo, como faz para com todos os demais, mas não fui mais. Abdiquei e não me arrependo. 

Tenho comigo que, não posso continuar frequentando e incentivando quem assim procede. Tem lugares onde tenho a certeza de estar diante de conservadores, comerciantes com posicionamento bem distintos dos meus, mas não são acintosos e dialogam, aceitam o contrário. Os que isso não é mais possível, deixo de gastar meu suado dinheirinho com eles. Assim, diante do posicionamento do amigo carioca, proprietário do restaurante cuja foto sai aqui compartilhada, ele talvez faça exatamente o contrário do que escrevi acima, mas diante da divisão que o país se encontra, sei que por causa de seu posicionamento, muitos deixam de lá estar, assim como procedo na tal padaria bauruense. O Brasil está assim, cada um faz suas escolhas. Eu faço as minhas, quem frequenta uns e outros lugares o faz não só pelos produtos ali oferecidos, mas também por tudo o mais que irá ali encontrar. Eis um dos motivos pelos quais frequento em Bauru, por exemplo, o Bar do Genaro, reduto já conhecido como da Esquerda. Assim seguimos...

EU QUERIA ESCREVER SOBRE AS COMPARAÇÕES DO JORNALISMO PRATICADO PELA CNN, MAS A BIA BASSAN O FEZ ANTES E ME CONTEMPLA EM TUDO - A IMPRENSA QUE ABOMINO
"Na primeira manchete, temos um verbo (protestar) que virou substantivo para mocozar responsabilidades.
O agente da frase, aquele sujeito sintático q acionou o verbo protestar, sumiu.

Mesma coisa em “morte de negro”. O negro morreu (intransitivo) ou alguém matou (transitivo direto) o negro?
Agora observem a manchete de baixo. Não tem responsabilidade mocozada. Tem ordem direta (sujeito + verbo + objeto) e voz ativa, que deixa bem claras as responsabilidades.

Faltou a motivação da depredação, mas o sujeito que aciona o verbo depredar dispensa motivações: são vândalos. Ponto. Hipocrisia total!", Bia Bassan.

ELE BEM QUE TENTA
1.) "Leandro vem de longe, reúne o que tem, algumas vezes desce a pé, noutras de ônibus e como neste sábado passado, permaneceu boa parte do dia no cruzamento da avenida Nações Unidas com rua Marcondes Salgado, vendendo paçoquinhas, R$ 1 real cada e assim junta algum para ir tocando a vida até poder pensar melhor no que fazer, mas me disse, sua luta é intensa para conseguir algum emprego de carteira assinada. Sorridente e conversador ele investe o pouco que ganha em mais paçocas e pouco consegue levar para casa, mas diz que desistir não é com ele. Seguirá tentando", HPA.
2.) "É inspirador e ao mesmo tempo me causa extrema revolta (não ódio e tampouco indignação, q me parece sentimento classe média acomodada). Por conta da campanha eleitoral, nos últimos 15 dias abandonei o isolamento. Sou grupo de risco e meu lugar é quietinho em casa. Não deu. Todos os dias encontrei pessoas pedindo algo. Vendendo doces. O centro de Bauru qualhou de gente lutando por um trocado. Às vezes, eu olhava e meu olhar se perdia com tantas pessoas fundidas na vida. Muitas mulheres. Algumas com crianças de colo. Certo dia seguindo pela Primeiro de Agosto, a poucos passos da Gustavo Maciel / Praça Rui Barbosa, passo por uma jovem sentada pedindo dinheiro p comprar comida p o filho. Tinha somente um caminhãozinho (brinquedo) ao seu lado. Caminhei 20 passos e uma senhora e o filho tentavam inultilmente conter uma criança de uns 3 anos. Lindo o moleque. Serelepe. Cheio de energia. Se desgarrou da mãe que pedia esmola. O menino retornou em direção à mãe. A senhora comentou do perigo dele ir para o asfalto numa das ruas mais movimentadas do centro -- a Primeiro de Agosto. Nem falo do aglomerado da praça a espera do almoço servido pela igreja. Não sei o que será de nós. #ForaBolsinaro.#ForaMourai #ForaDoria #ForaRaul #ForaSuellen", Ricardo Santana.
3.) "É foda quando você vê por exemplo um sorveteiro com 60 anos ou mais ou pouco menos, mas que não consegue descansar, aposentar ou simplesmente não pode parar de trabalhar!!!", Bkl Bruno.

"SEI QUE A VIDA IÇOU AS VELAS MAS EM NOITES BELAS SOU NAVEGADOR"
Escrevi hoje um texto sobre os lugares onde deixei de frequentar por causa do posicionamento político conservador e declaradamente bolsonarista de seus proprietários. Sentado sozinho aqui no mafuá no final da tarde, eu e o cão Charles, fuço minha coleção de CDs e LPs e neles encontro muitos que já ouvi demais no passado e hoje, pelo mesmo motivo citado acima deixei de ouvi-los. Fagner, Lobão, dois deles, vasculhando reencontro outros, como este CD que gosto muito, o "Amigos e Canções", Som Livre, 1998 do FOGAÇA. Consegui este CD quando a rádio Auri-Verde se desfez de parte do seu acervo e comprei um lote na Feira do Rolo. O gaúcho Fogaça embalou meus sonhos de transformação do mundo, tempos do grupo Almondegas e depois como letrista, na vozes de muita gente boa da MPB. Ele seguiu carreira política, ocupou cargos variados e se debandou para a direita golpista, apoiando e votando inclusive a favor da derrocada do país. Mais uma das tantas decepções. Assim mesmo não resisti e ao colocar pra rodar, treze canções. Escolho uma tão gostosa e ao relembrar tempos de antanho, não consigo imaginar o que se sucedeu com gente como Fogaça para ter mudado tanto. Escolho a LAGOA DOS PATOS, do Fogaça e Kledir Ramil, neste CD nas vozes de Kleiton, Kledir e o MPB4. Dói muito ver o Brasil assim tão desvairado...

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=Z8L28e2Af8M
Letra: "Lá no fundo da lagoa/ Dorme uma saudade boa/ Longe desse céu sereno/ O coração pequeno/ E vazio ficou/ Sei que a vida içou as velas/ Mas em noites belas/ Sou navegador/ Lá no fundo da lembrança/ Dorme um resto de esperança/ De voltar à vida a toa/ À beira da lagoa/ Só molhando o pé/ Seja em Tapes, São Lourenço/ Barra do Ribeiro ou Arambaré/ Lagoa dos Patos/ Dos sonhos, dos barcos/ Mar de água doce e paixão/ Ah! Essa canção singela/ Eu fiz só pra ela/ Não me leve a mal/ Ela que é filha da lua/ Que ilumina as ruas/ Lá do Laranjal".

sábado, 21 de novembro de 2020

REGISTROS LADO B (21) e MEMÓRIA ORAL (261)


REGIONALIZANDO O LADO B E NO 21º AO VIVO A PROFESSORA ANGELA ZANIRATO E A SUA HISTÓRIA DE COMO SE DÁ UMA ELEIÇÃO NUMA CIDADE DE PEQUENO PORTE

 
“Não se pergunte por que as pessoas enlouquecem. Se pergunte por que não enlouquecem. Diante do que podemos perder num dia, num instante. Se pergunte que diabos é isso que nos faz manter a razão”, Grey`s Anatomy.

Após 20 bate papos feitos com gente tendo por detrás algo desta insólita “Cidade Sem Limites”, dos que aqui lutam e tentam desbravar espaço, cavar oportunidades e seguem na lida, cada vez mais dura e implacável, eis que neste 21º LADO B – A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES, resolvo dar uma regionalizada e começo também a trazer registros de gente no entorno de Bauru e com ele suas histórias. Neste sábado, 21/11/2020, à partir das 18h quem aqui estará será a professora de Artes, aposentada da escola pública e também de algumas universidades privadas, militante de esquerda numa cidade de 50 mil habitantes do interior paulista, ANGELA ZANIRATO

Sua história ela vai nos contar no seu relato e vivência, tendo tido a oportunidade de construir o que é hoje em várias cidades, até pela atividade que seu pai possuía e nela embutido algo a se solidificar, a consistência de uma vida com olhos e ação voltados para algo pelo social. Ela se diz e não da boca pra fora, uma eterna militante de esquerda, sensível e atuante. Viajou, conheceu muitos lugares e foi, 30 anos atrás, aportar em Paraguaçu Paulista, cidade de 50 mil habitantes, 30 km de Marília SP, casada e ali fincou raízes, nasceram filhos e vive até hoje.

A sua história muito me interessa, pois retrata algo dos mais instigantes. Como uma professora de cunho esquerdista aporta numa cidade pequena e é recebida por essa cidade, como se dá a chegada de um pensamento diferente do que pensa a elite local. Como era, é e continuará sendo vista. “Henrique, nessa eleição muitas pessoas se afastaram de mim, pelo meu posicionamento, se desligaram de minha amizade pelo facebook e só agora, passada a eleição, alguns tentam retomar”, me diz quando a convidei. Contou mais e isso, o carro chefe do bate papo, ela foi mãe de um dos cinco candidatos à prefeito na cidade, justamente o que se opunha a estrutura vigente, conservadora e elitista, sem vínculos com essa e propondo algo novo, vínculos e propostas novos. Enquanto ali morou, atuou politicamente, mas ainda não tinha uma inserção de tentar substituir o que estava no poder, era tolerada, permitiam sem grandes arroubos, tida até como algo possível, um diálogo ainda tolerável. Mas seu filho e ela junto ousaram propor algo diferente, levar a cidade para outros destinos e isso incomodou demais da conta.

A história desse incômodo é a que quero contar, pois ela não ocorreu somente em Paraguaçu Paulista. Contando a história da Angela estarei também contando a de tantas outras, pois é mais do que sabido que, o que lá aconteceu, se repete em muitas outras localidades país afora. Em cada cidade – e nas menores isso é muito evidente -, o bicho pega e feio, de forma violenta, coercitiva e beirando as raias de cidades como a ficcional Macondo, onde vivia a família Buendia da obra imortal, Cem Anos de Solidão, do Gabriel Garcia Marquez. Essas cidades existem de fato, pois as histórias se repetem e o que ocorre em suas entranhas, o trabalho feito para a permanência do status quo vigente é algo mais que surreal. O ocorrido nesta eleição em Paraguaçu Paulista é uma pequena amostragem, cruel e insana e dando voz a ela, pois não encontrando ressonância por lá, quando tomei conhecimento da história, tive a certeza, quero conta-la. E cá estamos, eu e ela nesta conversa reveladora, instigante e emocionante, com ricos detalhes de como a coisa ferve demais da conta pelas entranhas deste país.

Eu junto isso tudo com a bela história da Angela, pois ela ousa demais da conta. Ousada, extrovertida, irreverente e criativa. Possui por lá um grupo só seu, gente que com ela convive e tentam ao seu modo ir modificando algo na estrutura da cidade. Ela é poeta, já tendo participado de vários livros de coletâneas e está com um no prelo, prontinho pra explodir e ganhar o mundo, o “Mulheres Desarrependidas”. Um livro com um título deste merece uma explicação, um detalhamento. A junção de tudo o que produziu está minuciosamente contado através de sua poesia e isso também ela nos conta. Fala também do filho candidato e do marido, radialista esportivo na cidade, cinco mandatos como vereador, fundador do antigo MDB por lá e de suas experiências na cidade. O bate papo será todo recheado de boas histórias. Conto uma só para apimentar o interesse para que assistam. Um padre católico da cidade, peruano de nascimento, tinha envolvimento com o grupo guerrilheiro de seu país, o Sendero Luminoso e atuava nas paróquias da cidade. Fazia e acontecia no lado social e é claro, foi denunciado ao bispo de Assis que o destituiu. Zanirato e outros tantos fizeram uma carreata até Assis, defronte o bispado, o que não resulta na volta do padre, mas demonstra algo do que pode ir sendo feito para não tornar a vida de ninguém em algo monótono. Tem outra, dentre tantas, a de um bairro popular que se chamava Feijão Queimado, numa denominação que ela vai explicar e por causa da atuação dela e de um grupo social da cidade, após intensa luta de conscientização junto à comunidade e ao poder público local, conseguiram mudar o nome para Nova Paraguaçu.

Enfim, tudo faz parte da história, da sua história e trajetória de vida, desta professora militante, tendo muitos relatos também dos tempos quando esteve na linha de frente da Apeoesp, o sindicato dos professores da escola pública estadual. Poucos em Bauru a conhecem, mas ao tomar conhecimento de sua história, se reconhecerão nela e no seu relato, pois a mesma luta empreendida ali o é aqui e acolá. Recolhi de minhas leituras ontem, algo a merecer sua colocação junto a essa apresentação: “A elite brasileira parece viver em um mundo de fantasia. Quer a continuidade do projeto bolsonarista neoliberal, antipopular e antiesquerda, mas sem Bolsonaro. (...) O PT sofreu um ataque sem precedentes, foi vítima de uma articulação política, empresarial, judicial e midiática que pretendia sufoca-lo”. Junto isso na história que estarei contando.

Essa história é dessas necessitando, clamando ser contada, descrita e destrinchada em seus detalhes, pois é reveladora. A podridão dos fake-news se dá de variadas formas e no relato um deles, a demonstração da perdição se espalhando com o vento país afora. Muito já se ouviu sobre folhetos apócrifos que circulam nas vésperas de eleições, denegrindo a vida de opositores, tudo para arrebanhar votos de última hora e isso se repetiu mais uma vez, desta feita em Paraguaçu. Na véspera do pleito, acusações infundadas, histórias de arrepiar não só do jovem candidato, mas de sua mãe – no caso Angela – e de toda a família, os que ousaram enfrentar pelo voto o tradicional, o instituído por todo o sempre nestes lugares. “O que vocês pensam que são, não possuem um gato pra puxar pro rabo. Querem o que?”, lhe foi dito assim na lata na campanha. Angela é corajosa, pois querendo contar esse algo mais, buscou acolhida mas não encontra espaço na mídia local, na rádio, jornal impresso semanal e mesmo numa TV, que já lhe entrevistou no passado, mas não sobre esse assunto.

Angela sabe que, o neoliberalismo brasileiro consegue ser pior do que o da matriz, no caso o dos EUA, pois é mais doutrinário, resistente à mudança. Aqui as mudanças ocorrem muito mais lentamente, que o diga o país voltando para traz com Bolsonaro. Eu e ela sabemos que o momento atual reflete o esgotamento de uma era, resquícios obscurantistas bem presentes, como o racismo, homofobia e autoritarismo. Mudanças por aqui só mesmo a fórceps, pois quem detém o poder só o larga sob pressão ou algo pouco usual na política nacional, pela transformação e mudança de rumos na estrutura de poder vigente. O Lado B é exatamente isso, dar oportunidade a quem faz e produz histórias pelas vertentes das brechas disponíveis. Cá estou, um dos tais Historiadores das Insignificâncias, tentando ao seu modo e jeito mostrar e contar a história por outra vertente.

Ao final uma só consideração: Perceberam que não fiz questão de identificar a coligação partidária pela qual o filho disputou a eleição, nem os nomes das pessoas, pois - disse isso a ela -, isso pouco importa. Importa e muito tomar conhecimento da história, de como se dá, de fato e de direito, muitas histórias eleitorais pelos mais diferentes rincões deste país, todas com algo muito parecido. Essa a intenção do registro.


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (159)


CONSIDERAÇÕES PÓS DEBATE 2º TURNO BAURU ONTEM NA BAND
- “O despreparo, a enrolação e o senso comum da Suellen Rosim no debate da Band é tão grande que faz parecer o Raul um candidato razoável. Suellen é Bolsonaro. Raul é tipo um Doria caipira”, Lucas Mendes.

- “A jornalista Suellen está muito nervosa e se perdeu no seu discurso vazio no debate da Bandeirantes de Presidente Prudente para a eleição a prefeito de Bauru. Raul se comunica mal e ligeiramente teve vantagem por falta de conhecimento de sua adversária”, Aurélio Fernandes Alonso.

- “Penso que depois do que vi Hoje, Bauru terá um(a) prefeito (a) bem no nível da cidade! #springfieldfuckforever”, Leandro Alvez Lohnhoff.

- “Eu rezo ou procuro médico”, Ricardo Santana.

- “Dependendo do médico é melhor rezar”, Diego Silva.

- “A Suelen ainda está na frente na pesquisa gente? Teve uma eleição presidencial que o povo mais abastado falava que se a candidata vencesse iam embora pros Estados Unidos. Pois eu digo pra vocês: Se essa Suelen ganhar eu vou pegá minhas coisa e vou embora pá Tibiriçá”, Janaína S. Alves.

- “Vendo o debate de Bauru... Gente, a desgraça é maior do que imaginamos... Dois despreparados e sem projetos...”, Fernando Ramos.

- “Saquear os orçamentos públicos é o projeto bem claro das duas candidaturas. Em tempo de crise política e econômica, o dinheiro público até fica mais reduzido, mas não seca nunca. Eles querem controlar a mina!”, Dino Magnoni.

- “Bauruense, por favor. Tdo bem, Raul nao é 100%, mas esta melhor q a Bagre.
Ela nao tem nocao nenhuma, nao conhece a cidade. Por favor, vamos acordar, Glauce Gonçalves.

- “Dava pra fazer jogo de bebida com as frases feitas da Suellen: Cada frase um shot”, Kel Cuesta.

- “Porra, Raul. A única SUAS que a menina conhece é a Suástica! Deu tela azul na moça”, Wagner Fatore.

- “Mais uma vez um debate que não aconteceu. O formato estabelecido pela tv não permite um debate, e sim, que os candidatos apresentem suas versões de propostas respondendo as próprias perguntas. O debate precisa ter mais consistência. Do jeito que foi, vimos um discurso fácil, com um raciocínio rápido da jornalista Suéllen Rosim, em uma clara demonstração de desenvoltura na comunicação. De outro lado, o Raul com uma postura mais arredia na fala, porém, apresentando propostas mais concretas para a população. Para ser prefeito de uma cidade como Bauru é preciso mais do que discursos. A população está cansada das promessas feitas por todos que já passaram pela Prefeitura e que não foram cumpridas. Bauru não é mais a cidade sem limites. Está no limite da falta de tudo. Os dois candidatos mexeram as peças do jogo. Estão abertas as apostas. É importante pensar bem e avaliar muito a posição de cada um. Se a escolha não for acertada e coerente, mais ma vez a população vai amargar quatro anos de desmandos”, Maria América Ferreira.

- “O candidato e a candidata que disputam a prefeitura de Bauru têm ideologias às quais me oponho frontalmente. Mas estão longe de ser iguais. Não me consta que Suellen Rossim tenha administrado nada na vida. Não me consta, por exemplo, que ela tenha assumido o comando grande hospital que estava à beira da falência e, de maneira muito competente, tenha conseguido recuperar suas finanças. Os dois são direitistas, comprometidos até as tripas com a elite. Porém, não são iguais. Seria uma insanidade entregar o comando de uma cidade de quase 400 mil habitantes nas mãos de uma amadora, que desconhece completamente o funcionamento da máquina pública e que jamais gerenciou uma barraquinha de pastel. O país paga caro pela escolha imbecil, feita em 2018. Seria uma maluquice repetir essa situação em âmbito municipal”, Rodrigo Ferrari.
- "Andou os quatro cantos de Bauru, foi o que mais ouvi. E andou tanto que nem uma gráfica conseguiu encontrar para fazer o seu material em Bauru, eu também senti essa dor por todas as nossas empresas”, Kelly Correia.

- "Truísmos vão vencer as eleições", Vinicius Santos Lousada.

- "Pastor Rosin não se elege vereador em Bririgui. A filha disputa o segundo turno em Bauru. Realmente, santo da terra não faz milagre", Antonio Pedroso Junior.

- “Xocada com o tanto de gente que deseja votar nulo. Independente do que vc acredita, dia 01/01/21 haverá a posse de Suellen ou Raul, a anulação é lavagem das mãos”, Vanessa Isabella Ramos.

- "A pessoa quer ser prefeita de Bauru e contrata empresas de Birigui. Por que nã ose candidata por lá? Ela deixou alimentar a nossa economia para favorecer a de Birigui", Carlos Alexandre de Carvalho.

- "Eu não assisti ao debate entre suellen e raul. Eu não consigo ser tão masoquista.  queria tanto que o raul perdesse! Lógico que eu não queria que a suellen ganhasse... nunca Aconteceu o que eu esperava: a suellen mostrou a total inepta que ela é. Acreditava que ela pudesse vencer no segundo turno, mas ao ver amigos de esquerda, esquerda radical (corto meu pescoço mas não digo quem), dizendo que vão votar no raul... é uma lástima, porque eutive tanta convicção no voto nulo!", Tauan Mateus.

- “Já teve pessoal de Barra Bonita mandando aqui. Agora é a vez do pessoal de Birigui???”, Celson Chermont.

ELEIÇÃO É ASSIM - UNIVERSAL FAZENDO POLÍTICA...
Agora no Calçadão da Batista, um carro da Igreja Universal se aproxima e traz alguns bonecões, um Bolsonaro e um Lula, inflados e nesse momento populares tiram fotos, com algo repassado para quem por ali passe, de um lado, um roubou e do outro o salvador da pátria. Adivinhe pra campanha de quem e qual na visão de quem os trouxe é o ladrão e o salvador da pátria? Tem algo de muito trágico nisso tudo e envolvem a população numa arapuca...
OBS.: As três fotos aqui publicadas foram enviadas a mim por amigo atento e percebendo a trama urdida desde a chegada e a instalação provocativa e mentirosa no centro da cidade.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

BAURU POR AÍ (183)


PRESSÃO
Ela já começou e estará incontrolável nos próximos dias, tudo para que os que se mostram dispostos a não votar nem num, nem na outra, o façam escolhendo o menos pior. Mas qual representa um lado e qual o outro? Não teria sido melhor se houvéssemos rejeitado a ambos antes de me propor aberrações neste momento?

SE O PAU COME FEIO NA QUESTÃO POLÍTICA EM BAURU, IMAGINE NUMA PEQUENA CIDADE...
Andei acompanhando com a devida atenção como se desenvolve as questões de relacionamento político entre as partes opostas nas diversas cidades na região no entorno de Bauru e uma constatação se faz necessária, a de que se o pau como feio aqui por Bauru, com quase 400 mil habitantes, em cidades de menor porte, desde as minúsculas até as de médio porte, o grau de ódio entre as partes é muito pior, algo irreconciliável. Já havia percebido isso bem nítido quando tive o prazer de escrever um livro sobre a cidade de Reginópolis, 85 km de Bauru, na época com aproximadamente 3500 habitantes. Os lados não se bicavam de jeito nenhum, a ponto de nem se cumprimentarem, quando menos frequentar lugares públicos onde o outro marca presença. Eu, que estava ali de passagem, quando visto conversando pelas ruas com alguém de um dos lados, já era interpelado pelo do outro, se havia me debandado, ou seja, a câmera a filmar tudo e todos permanece ligada nas 24h do dia e de forma ininterrupta capta tudo o que se passa nas relações com o outro. Nada escapa no crivo e na visão do outro. Situação bem Big Brother, estilo 1984, de George Orwell.

Nessa eleição algumas cidades merecem um olhar mais profundo de como se deram essas questões. Agudos uma delas. Mesmo com tudo o que ocorreu num passado não tão recente com a família Octavianni, depois os últimos acontecimentos e envolvimentos de vereadores em algo sendo tratado no âmbito policial, um membro dessa família volta ao poder local. Os bastidores por lá estiveram pegando fogo. Outra cidade foi Paraguaçu Paulista, 30 km de Marília e onde um candidato teve folhetos de fake news circulando pela na última hora com ataques descabidos a um candidato de cunho mais progressista, envolvendo a família deste, onde lá escrito que a mãe do candidato possuía vinculações petistas, como se isso fosse demérito incomensurável. Quero em particular contar algo por aqui dessa história e talvez ocorra nos próximos dias, até para que no conhecimento de uma realidade, uma história, tenhamos uma panorâmica de tudo o mais. São relações nada amigáveis, algumas por demais violentas e ao relatar algo delas, ir demonstrando como, se achamos que o bicho pegue aqui em Bauru, algo muito pior ocorre em outras localidades, lugares onde se você visitar neste momento, possa se iludir e achar que tudo caminhe normalmente, belo lugar, aprazível, vida monótona, porém, tudo com cenário fictício, enganoso, pois debaixo do pano o horror se reproduz.

Em breve algo mais por essa via e meio...

O EMPREENDEDOR DO SINAL FECHADO NO PROGRAMA DA ANA MARIA BRAGA NA TV GLOBO
Ana, a companheira de todas as horas me chama para ver o final de uma matéria no programa matinal da Ana Maria Braga, na indefectível TV Globo. Ela falava de empreendedorismo nos tempos modernos, os atuais. Apresentava para o país um jovem do bairro de Campo Grande, zona tórrida do subúrbio carioca, que até antes da pandemia trabalhava com carteira assinada, vendedor de uma loja de calçados. Despedido, sem eira nem beira se virou e criou seu próprio negócio inspirado em outras experiências. Arrumou roupa de garçom e foi para os sinais de trânsito munido de bandeja, com balde fixado na ponta, onde de camisa de manga comprida o dia inteiro, num calor de aproximadamente 40º, consegue vender com seu jeito extrovertido de 180 a 200 garrafinhas de água sem gás – R$ 2 cada, água com gás – R$ 3 cada ou suco natural R$ 3 cada. Numa conta simples, 180 por dia numa média de R$ 2,50 arrecada aproximadamente R$ 450, tirando as despesas, fica no final de cada dia com algo em torno de R$ 200 a R$ 250. Façam as contas disso no final do mês, em algumas semanas trabalhando cinco dias, noutro seis.

Muitos tentam fazer o mesmo, sem o mesmo sucesso. O rapaz de Campo Grande virou exemplo na TV e ao ser entrevistado se apresenta como um “verdadeiro empreendedor”, dizendo ter também ”agregado valor já na compra da roupa de garçom”. Ele estava muito feliz por ter tido sua experiência levada para a TV e o que não sabe é que a partir de amanhã terá junto de si, talvez até nos mesmos lugares onde atua, outros tantos em busca também de um lugar ao sol. O que não sabe também é que para que obtenha sucesso, outros tantos iguais a ele, centenas ou mesmo milhares não conseguirão obter o mesmo rendimento. Os fatores são muitos, falta de empenho, o lugar escolhido, a concorrência acirrada, etc. Mais que isso, um algo mais sobre o tal do empreendedorismo destes nossos tempos. Falta hoje emprego no capitalismo para fechar a conta e quando muitos estão sobrando, algo precisa acontecer para explicar ou mesmo dizer que, a roda continua girando e com chances para todos. O que poucos ressaltam – ou mesmo fingem não enxergar -, que os tais empreendedores não possuem mais carteira assinada de trabalho e não recolhem mais para a Previdência, assim sendo, estão desprovidos da assistência natural em caso de incidentes e intercorrências no que fazem. Estão atuando ao “deus dará”, sem nenhuma cobertura, a não ser a da sorte. Quando essa continua soprando a favor, grana continua entrando, se ficar doente, chover, envelhecer e perder o pique, estará restringindo e limitando tudo.

O termo EMPREENDEDOR é muito forte para ser empregado a estes, como todos os sem emprego, fazendo de tudo e mais um pouco para continuar ganhando algum. São na verdade renegados do atual sistema neoliberal. O que ainda não captaram é que, se nada mudar, nunca mais terão a tranquilidade de antes. Disseram adeus para toda uma legislação trabalhista que o defendiam, pois hoje não fazem mais parte do sistema legal. Mesmo com suas MEIs – Micro empresas em pleno funcionamento, não fosse o SUS, estariam descobertos em todos os sentidos. Independentes, o Estado não os enxerga mais sob seu guarda-chuva e daí, resta somente se desdobrarem cada vez mais e mais para que nada de ruim lhes aconteça. Termino de assistir, converso a respeito com Ana, ela empolgada pela força demonstrada. Concordo e tento demonstrar que, mesmo ganhando hoje, com essa informalidade instituída nunca conseguirão sair do moto contínuo a eles estabelecida. A TV massiva, aqui na pele de Ana Maria Braga só reforça o quão duro será a coisa pros lados do trabalhador daqui por diante, sem tréguas, descanso e muito menos aposentadoria.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (94)


“SEU HENRIQUE, O SENHOR FAZ TEMPO QUE NÃO CONVERSA COM GENTE AQUI DAS QUEBRADAS, NÉ?”, OUÇO E ME CONFORMO
Tudo ocorreu hoje de manhã e a conversa reveladora se deu numa loja de material de construção, com o gerente do estabelecimento que me atendeu para comprinhas urgentes, reforma necessária lá pelos lados do Mafuá. Escolhi um estabelecimento nos altos do jardim Bela Vista e não identifico o lugar, nem as pessoas com quem conversei, mas revelo e destrincho a conversa. Fiz as comprinhas e puxei conversa, pois o assunto que rolava entre as pessoas ali no espaço para os clientes era o resultado das eleições.
Seu Zé – assim o identificarei -, me vendo com adesivo de candidato petista no vidro do carro estacionado bem na frente da loja e me achando interessado em entrar na discussão, diz sem que perguntasse:

- Meu caro, ninguém aqui votou em nenhum candidato do teu partido. Olha que já ouvi e vivenciei muita coisa sobre as realizações do PT aqui em Bauru e no país, mas falaram muita coisa de vocês e desde então não os vejo mais aqui. Falaram aquilo tudo na TV e ninguém veio aqui para se defender. Nessa eleição mesmo, não vi esse candidato que você ainda tem exposto aí no vidro do carro, nem o a prefeito, o moço novo. A gente vota em quem anda por aqui, conversa com a gente e mesmo desconfiando, estão por aqui. A quanto tempo o senhor não vem aqui desse lado da cidade assuntar sobre isso que estamos a conversar?

- Faz tempo, muito tempo. Primeiro leve em consideração a pandemia, estou praticamente recluso desde março deste ano, mas te confesso, isso que me diz, faz tempo que o PT e também outros segmentos como o que atuo, da esquerda, circulam pouco, cada vez menos e assim, como me diz, esse espaço foi ocupado por outros. Te vi cumprimentando um senhor também comprando, parecia ser pedreiro, falou algo dando a entender ser religioso. Esses estão bem presentes por aqui não? – me responde e também deixa pergunta no ar, perguntando meu nome e a partir de então, em cada resposta, faz questão de me chamar pelo nome.

- Seu Henrique, eu não conheço o senhor, sei que já veio aqui outra vez, junto de um senhor que é pedreiro e conhece a gente, mas percebo ser gente do bem. Só por isso me abro e falo algo mais. Sim, os religiosos não saem daqui e estão por todos os lugares. Eu continuo gostando de uma cervejinha e churrasco, eles me olham meio atravessado, pois gostam mesmo é de quem seja igual a eles. Mais ouço quando diante deles, mas sempre estão tentando influenciar o que fazemos. Não chegam impondo, mas dizem claramente de que lado estão e em quem, por exemplo, votam. O nome dessa moça, que a gente conhecia da televisão surgiu assim, dessas conversas. Eu ouvi muitos deles, que antes iam votar no médico e depois de um certo tempo optaram por ela. Foi uma mudança de rumo e não sei te explicar, mas vi isso ocorrendo aos poucos e na última semana, estava bem mais no ar. Deu no que deu. Gente que defende o que senhor defende são muito poucos por aqui. Conheço dois no máximo e na maioria das vezes não querem se misturar e nem entrar nas rodinhas de conversa. Isso faz toda a diferença. O senhor mesmo, ouviu as conversas, não conhecia ninguém, ficou quieto, não falou nada e veio só conversar comigo. A gente precisa ser mais entrão e também entrar na conversa deles, pois eles entram na conversa dos outros. Isso é conquista de espaço – me diz.

Eu não esperava uma conversa tão reveladora. Assuntei mais e como ele estava conversador, lhe disse se já havia decidido o voto no segundo turno.

- Seu Henrique, o senhor deve ser uma cara estudado, tem um carrão e escolheu a gente pra comprar. Fez bem, veio indicado pelo que veio da outra vez contigo e sabe, temos preços melhores que os grandões. Se aqui está, me escolheu para gastar seu dinheiro e puxa conversa, te digo que votei em alguém que nem chegou perto, a Rosana. Eu vi ela e vi naquele jeito, no olhar, no jeito de falar passava confiança, mais que todos os outros. Aqui todos estavam com o Raul, alguns mudaram, pois o conversê estava bravo para votar na Suéllen nos últimos dias. Eu ainda não decidi, mas tô vendo todos por aqui já mudando. São sinais que percebo das conversas. Eu não posso me expor muito, pois posso desagradar alguns e perco clientes. Fico na minha e sei que vou votar. Quero ver mais, mais se me perguntar do seu partido, se quer minha opinião, te digo, apareçam mais, conversem mais, se exponham e digam ao que vieram, mas não só agora. Eu ainda acredito em muita coisa que ouvi de vocês e se me diz que mentiram, por que nada fizeram ou demoraram demais pra vir aqui nessas rodas continuar falando de tudo o que o Lula fez. Eu sei que ele fez, mas faltou gente defendendo ele. Volte sempre aqui, nem que for só para o cafezinho. Eu sei que faz pouco esse tipo de coisa, mas faz toda a diferença.

E antes de ir embora, me presenteia com um chapéu de palha, desses de abas bem largas, tipo mexicano e na despedida ainda me diz:

- Esse chapéu é para que volte sempre. Gostei da conversa. O senhor deixa a gente falar e não cagou regra pra cima de mim, mas sei tem muita coisa pra me dizer. Devagar eu e todos por aqui, podemos ir ouvindo mais e mais. Use o danado do chapéu para não queimar esse telhado baixo que o senhor tem na cabeça.

Fiquei de voltar.

O FASCISMO TEOCRÁTICO PRECISA SER DERROTADO ONDE AMEACE QUERER TOMAR CONTA DA POLÍTICA
Recebo ligação de amigo próximo, que por trabalhar no serviço público municipal pede para não ser identificado, mas faz o contato só para me contar algo recebido de fonte das mais confiáveis, segundo ele próprio faz questão de reafirmar. Sua história é algo que deve estar rolando pela aí de todas as formas e jeitos. Antes de contar a história, reafirmo, o fascismo teocrático é por demais perigoso, vide o que ocorreu com o país pós-Bolsonaro, o Rio de Janeiro pós-Crivella e outros tantos exemplos onde o neopentecostalismo assumiu o poder. Meu amigo está desesperado, pois diz que lhe disseram que a candidata ligada ao lado religioso neopentecostal já tem tudo ponto, chegando ao poder extinguirá a Secretaria Municipal de Cultura, tornando-a um órgão dentro da Secretaria de Educação e que todas as secretarias serão administradas por pastores, cada um assumindo uma pasta. Festas populares nem pensar, ainda mais se for Carnaval, algo odiado por eles. Disse também que, estarão findados os festivais de teatro, hip-hop e mesmo a Parada da Diversidade. Eu acredito no que ele me diz, pois sei do que são capazes esses pastores todos e não sei mensurar se o que ele recebeu como fonte fidedigna é propagando contrária advinda do outro candidato ou é mesmo algo já sendo preparado para ser colocado em prática a partir de 1º de janeiro de 2021. O que sei e aqui reafirmo é a desconfiança absoluta em governos tendo a religião como mola mestra, assim como a tendo autoritários e conservadores no comando. A cada nova divulgação do que vem pela aí, uma só constatação, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Bauru se encontra num mato e sem cachorro.