NO 33º LADO B, MÍDIA E DEMOCRACIA, COM A HISTÓRIA D’O
DEBATE, JORNAL INDEPENDENTE DE SANTA CRUZ DO RIO PARDO, SERGIO E ANDRE FLEURY –
A RESISTÊNCIA SE FAZ PRESENTE

Neste sábado, 20/02/2021, dia da inauguração, em plena
pandemia, fase vermelha, quando o vírus se espalha de forma avassaladora por
Bauru e o Brasil, a novíssima (sic) prefeita da cidade abre um empreendimento
novo, só seu e dos seus, negócio particular, uma igreja neopentecostal e
convida o mundo para ali estar. Essas hipocrisias latentes, pulsantes e fazendo
questão de afrontar, não só o bom senso, mas qualquer regra de civilidade é
tratado de forma “normal” por parte significativa da mídia hoje existente,
principalmente a hegemônica, massiva. Como o Jornalismo conseguiu chegar neste
estágio tão decrépito e sem enrubescer, sem ter suas faces coradas? Existem
quem de fato ainda consiga resistir diante de tão avassaladora onda desdizendo
de uma Manual de Boa Conduta? Dias atrás, o amigo Garoeiro, professor
aposentado da Unesp Bauru, exilado em Natal RN, envia a mim algo propondo
“novas formas de luta” e nela, um pedido para que assistisse uma Live, com
pedido pessoal: “Jornalistas com coragem de apurar e falar a verdade estão,
daqui a pouco, em um debate promovido pelos Estados Gerais da Cultura, lançando
luz sobre o processo de desagregação do maior escândalo jurídico do Brasil, a
Operação Lava Jato. Marcelo Auler – que se dedica há anos, com imenso sacrifício
pessoal, a romper os véus de Curitiba – Cristina Serra, Fátima Lacerda e
Altamiro Borges, discutem e esmiúçam as últimas revelações do material
apreendido na Operação Spoofing, onde repousam os comprometedores diálogos
entre Deltan Dallagnol, Sergio Moro e os procuradores de Curitiba e de
Brasília. É imperdível para quem quer ficar em dia, o que não é fácil, com a
avalanche de material que sai das cloacas de uma conspiração. Caro
Mafuento-Mor, Sequer consegui ir até a metade ... Esbravejar sobre o leite derramado
resolve?”.

Eu respondo a ele, ao meu modo e jeito: “Garoeiro - Faço
isso diariamente, ininterruptamente e neste sábado, 33º Lado B entrevisto os
dois proprietários do jornal Debate, de SCRP, pai e filho, atuação impecável na
imprensa regional, sem se vender, produzindo um jornalismo como deve ser feito,
muito longe do balcão de ‘secos e molhados’ e atacaremos em conjunto a subida
no palanque por jornalistas bauruenses da rádio Velha Klan junto do Véio da
Havan e prefeita Suéllen. Eu trago essas pessoas para o debate e escracho
publicamente a pouca vergonha em curso. Minha parte faço, por aqui, a gente ao
menos demonstra o quanto são pérfidos, vassalos e não valem nada. Igualzinho o
que me envia. Assista por favor, será amanhã, sábado, 19h”. Desta forma começo
a apresentação de mais um BATE PAPO, dentro dessas conversas semanais,
intituladas por mim também como “A importância dos desimportantes”. Sim, o
termo é este mesmo, pois os desimportantes deste país, quando abrem a boca, tem
muito pra contar e escracham, não deixam pedra sobre pedra sobre a hipocrisia
reinante hoje neste país.
Essa dupla que muito me honra de bater esse papo comigo
possuem FOLHA CORRIDA de imenso valor. Este pequeno jornal, encravado numa
cidade de pouco mais de 60 mil habitantes, distante uns 100 km de Bauru, só
para se ter uma ideia, possui hoje mais jornais que a terra “Sem Limites”. Lá o
bicho pega e o DEBATE, cria do mentor da coisa, o jornalista Sérgio Fleury,
circula há 43 anos infernizando a vida de quem apronta por aquelas bandas. Sabe
por que resistiram tanto e continuam nas graças de fiel público leitor? Por
conseguir manter a independência, a imparcialidade e assim, entra governo, sai
governo, eles não se aliaram a nenhum, estando sempre prontos para fazer a
crítica e o elogio, na medida exata, sem envolvimentos e estar no bolso de
ninguém. Coisa rara hoje no interior brasileiro. Conta-se nos dedos – dizem que
de uma mão – os jornais ainda atuando desta forma e jeito. A imensa maioria é
mero balcão de negócios, chapa branca de governos municipais e interesses mais
que obscuros. Não é fácil resistir. A dupla, pai e filho, Sérgio pai e André
Hunnicutt Fleury Moraes são valorosos por não se desviar de um ideal
jornalístico cada vez mais fragmentado. É uma luta, a pela sobrevivência e a de
não se deixar pelo “canto da sereia”, aquele que diz compra tudo e todos. Nos
43 anos de existência, o jornal quase fechou a portas, teve que lacrar seu
parque gráfico e hoje roda o jornal semanal em Bauru, tudo para conseguir
sobreviver, seguir adiante. São muitas histórias, a do ideal nunca abandonado e
agora, dois fatos mais que memoráveis, o filho dando continuidade ao trabalho
do pai, sem interrupções e a tentativa de alçar novos voos, com o lançamento de
um site, com maior abrangência.
Eles contarão isso tudo e muito mais em uma hora de
elucidativo bate papo. Nestes 14 anos de blog Mafuá do HPA já escrevi deles
algumas vezes e recordo neste momento, com o intuito de aguçar a curiosidade:
- Em 06/08/2010 publiquei: “DEBATE, UM JORNAL LUTANDO PARA
NÃO SER FECHADO - A história do semanário “Debate”, de Santa Cruz do Rio Pardo,
cidade com 40 mil habitantes a 340 km a oeste de São Paulo, ganhou destaque
nacional após denúncias de irregularidades e benesses envolvendo o Judiciário
da comarca. (...) A partir daí inicia-se o inferno astral de Sérgio Fleury
Moraes (nenhum parentesco com o policial torturador), editor, repórter,
diagramador e fotógrafo (já havia sido no início impressor e entregador do
jornal), que aos 17 anos, em 1977, funda o “Debate”, sob total influência de
ares renovadores inspirados pela já agonizante ditadura militar. Desde o
início, recusando as benesses do poder e o convívio amigável com os poderosos,
rema contra a maré. No editorial da primeira edição um vaticínio que o persegue
desde então, o de que “fazer jornal em cidade pequena é atividade temerária”. E
continua sendo, visto os 127 processos (ganhou 123) abertos contra si, obra de
um ex-prefeito e a atual situação, onde nenhum secretário municipal pode
conceder entrevista direta ao jornal sem passar pelo crivo da Assessoria de
Imprensa. Tanto o anterior, como o atual governo municipal são exercidos pelo
PSDB. Na sua batalha diária não sofre tréguas, pois enquanto vicejam país afora
pequenos jornais totalmente atrelados ao poder municipal, ou vivendo
exclusivamente de renda advinda de anúncios públicos, Sérgio insiste no lado
oposto. “Sou um jornalista por convicção e um empresário por necessidade. O
jornal sou eu, todas as semanas aqui, sem descanso. O segredo da minha independência
é que faço quase tudo, menos me meter com a parte financeira e comercial. Não
vendo anúncio. Nenhum jornalista do Debate faz isso. Existe um setor interno só
para cuidar disso”, conta Sérgio num final de tarde, quase véspera do carnaval,
revirando uma montanha de papéis espalhados em sua mesa de trabalho na redação
do jornal.

A história do jornal é essa mesma. Sua credibilidade e o
selo estampado em sua primeira página, “Século XXI Ano 33 – Uma voz livre em
sua defesa” é a mais pura verdade. Continua primando pelo mesmo ideal de luta
contra as desigualdades e pela democracia, igualzinho quando o jornal começou a
circular. Foi amealhando ao longo desses anos inimigos irreconciliáveis, tudo
por causa da postura combativa, de denúncia, investigação e seguidor fiel da
verdade factual dos fatos. Nada mais que isso. Como se isso não fosse
suficiente para lhe causar todos os problemas a lhe atormentar a vida. (...)
Sua rotina não mudou em nada por causa dessas atribulações todas. O jornal vai
muito bem, recheado de anúncios e tendo uma tiragem de 8.000 exemplares
semanais, sem nenhum anúncio de Prefeitura, os tais editais, que são a única
fonte de sobrevivência de muitos interior afora. O nome disso é credibilidade.
O descanso da companhia é no dia em que o jornal circula, aos domingos. No
máximo, a folga é estendida para parte da segunda-feira, depois tudo volta para
a velha e boa rotina de trabalho. Na quinta que antecedia o Carnaval, a cidade
quase às escuras por volta da 1h30 da manhã, uma luz continuava acesa no andar
superior do prédio do “Debate”, justamente a sala do Sérgio. Sua noite estaria
longe de terminar. Perguntado sobre o que poderá acontecer ao jornal na
hipótese da decisão lhe ser desfavorável. “Faço minha fezinha toda semana”, me
diz olhando para um maço de jogos de loteria recém feitos em cima de sua mesa.
E assim ele segue, luz sempre acesa, vigilante e confiante.
- Em 24/07/2010 publiquei: “LIBERDADE DE IMPRENSA E UMA
CONTRIBUIÇÃO DESTE MAFUÁ EM "CARTA CAPITAL" – (...) Diante de tudo isso,
durante a semana recebo um email e uma ligação telefônica de Sergio Lirio,
redator chefe da revista semanal Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br/ ) me perguntando se
poderiam aproveitar parte de um texto e minhas fotos, publicados aqui neste
mafuá e repassadas a eles, sobre a situação do jornal DEBATE, de Santa Cruz do
Rio Pardo e, conseqüentemente, do jornalista Sérgio Fleury, tentando escapar de
injusta multa de R$ 600 mil reais impingida pelo juiz daquela comarca. O fato é
do conhecimento público e havia atualizado a situação do semanário. Autorização
passada, hoje, sábado, 24/07, vou correndo às bancas em busca da revista e
estampado na capa, algo que aprovo totalmente, “Censura: um fantasma apenas –
Por que a liberdade de imprensa não está sob risco no Brasil”. Em risco estamos
nós, leitores quando lemos e acreditamos em matérias a nos querer ludibriar. Na
página 20, o começo da reportagem, assinada por Sergio Lirio, “Fantasmas à
solta – A crescente oferta de notícias e opinião desmente a tese de que a
liberdade de imprensa corre riscos”. Na matéria, algo muito claro, as entidades
de classe dos patrões, ANJ, ABERT e ANER não estão interessados em jornalistas
perseguidos, mas só nas “várias tentativas do governo de regulamentar a
atividade em nome do controle social”, que ninguém sabe direito o que é. (...)
Da matéria, duas conclusões: existe uma cultura no Brasil de que as autoridades
são intocáveis e a de que a censura judicial é pior do que a exercida na
ditadura. Esse trecho da matéria nasceu de um texto parido aqui neste mafuá
(vou transformá-lo num Memória Oral em agosto). A revista Carta Capital está
nas bancas a partir de hoje, inclusive com foto feita por mim de Fleury, quando
estive com ele da última vez, em fevereiro, pouco antes do carnaval e com
publicação autorizada. Novamente, sinto-me orgulhoso. Esse mafuá comprova
novamente sua serventia”.
- Em 18/10/2018 publiquei: “A LUTA CONTINUA – Quase fechado
pela Lei de Imprensa, jornal Debate, de SCRP enfrenta novos desafios para
manter suas portas abertas - As boas histórias de resistência nesses anos mais
que duros eu colho pelas andanças que ainda faço pela aí. Essa eu espalhei para
publicações em variados órgãos da imprensa independente, livre e atuando dentro
da verdade factual dos fatos. Quem bravamente resiste tem que ser valorizado, e
esse Sergio, desse Debate é um alento para quem ainda pratica o jornalismo na
sua essência. Quem ainda não conhece, não sabe o que está perdendo por ainda
não ter batidos os olhos na experiência inusitada desse jornal semanal de Santa
Cruz do Rio Pardo, um baluarte no que faz e de como é feito. Conheçam a
história lendo meu relato a seguir:
O jornal semanal Debate, da pequena Santa Cruz do Rio Pardo
(46 mil habitantes), interior de São Paulo já foi notícia num passado recente,
após sofrer sérias perseguições pelo Judiciário local. (...) Com o país de
pernas para o ar, uma crise institucionalizada e agravada com o golpe de 2016,
além de outra, a da mídia impressa, Debate sobrevive com 7 mil exemplares
semanais, quando já chegou a picos de 10 mil. Um selo em sua página 2 registra
a continuidade da perseguição: “Perseguição – Enquanto você estiver vendo este
selo, processos judiciais ameaçam o DEBATE”. (...) O parque gráfico está
fechado, juntando poeira, tudo penhorado na referida ação e as edições agora
são rodadas na vizinha Bauru (no Jornal da Cidade), distante 100 km. Do prédio
só a redação funciona de fato. “Infelizmente hoje é mais barato terceirizar do
que rodar aqui. O maior concorrente da imprensa hoje se chama facebook, bom na
essência, mas usado ao contrário na maioria das vezes. A minha mágica é fazer o
que sempre fiz, um jornalismo verdadeiro, não mentir. Aqui candidato não banca
o jornal, algo usual na imprensa interiorana paulista. O que nos banca é a
credibilidade, o produto honesto. O povo vê que o publicado nas páginas do
jornal é verdade, mesmo isso contrariando muitos interesses. Isso me causa
problemas, mas me sustentou até hoje”. Aos 58 anos, o jornal segue vivo, dois
cadernos, 20 páginas no total, quase exclusivamente com matérias locais e
regionais. Sai no início da semana e hoje conta com dois jornalistas.

Sergio e
outro contratado, o que o faz permanecer acordado na base de remédios por três
dias da semana. “Aqui sou editor, jornalista, diagramador, fotógrafo, motorista
e revisor. De quinta a domingo o bicho pega e o resultado é, mesmo com todos os
percalços, a cidade se interessando pelo produto impresso. Já cansei de ser
rotulado de comunista, ‘o vermelhinho’. Isso não me afeta, pois a receptividade
sendo boa, tudo demonstra ser esse o caminho correto. Vivemos uma época onde as
pessoas se manifestam menos, existe um temor maior em se expor e o jornal
cumpre a ampliada missão de ser a voz também desses”. Vê-lo na lida diária,
labutando contra as adversidades e conseguindo lançar a cada semana um novo
produto, cheio de novidades e provocando interesses diversos, isso o move.
Hoje, mesmo ciente de o jornal ser ele, enxerga com esperança um dos seus
filhos, 17 anos, ainda no ensino médio, já o estar ajudando em atividades
internas (“Ele já batuca uns textos, tem tino)”.
De tudo, a boa conversa se dará logo mais. Por favor, não
perca, pois este mafuento continua insistindo nas tais velhas e também nas
“novas formas de luta”. Mostrar o que é feito corajosamente, sem amarras faz
parte desse processo. É o que resta continuar fazendo, enquanto forças houver.
EIS O LINK DA ENTREVISTA, DURAÇÃO DE 1H11, UMA LIÇÃO DO
VERDADEIRO JORNALISMO E CUTUCANDO OS QUE SE DESVIAM E PRODUZEM DA PROFISSÃO UM
BALCÃO DE NEGÓCIOS: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/4282512155112094
E PARA ENCERRAR A NOITE ALGO MAIS DO “DEBATE”
HPA SEMANALMENTE n'O DEBATE de SANTA CRUZ DO RIO PARDO - Eis
meu artigo de estréia no site deles, debatenews.com.br. Assistam logo mais 19h
conversa com Sergio e André Moraes, no 33º Lado B, sobre a história do Debate e
o Jornalismo no mundo de hoje.
BAURU, QG FUNDAMENTALISTA PAULISTA PRÓ BOLSONARO
Bauru já teve até prefeitos comunistas, mas isso é coisa do
passado. De uns tempos para cá, o povo daqui, que já teve também fama de votar
perfilados com candidatos mais à esquerda, acabou aderindo com a nova onda avassaladora
tomando conta do país e desde então, pende pro lado mais conservador. Não foge
em algo ocorrendo país afora, mas quando ocorre no prórpio quintal, onde
existia alguma esperança de algo diferente, daí já é demais. Desalento pra
dedéu. Bauru bateu mais de 75% dos votos pró Bolsonaro no último pleito
presidencial e agora na última eleição, leva para o 2º Turno dois candidatos
neoliberais, ambos bolsonaristas, pouquíssimas diferenças. O roto e o
esfarrapado.
Por aqui todos já sabem, Suéllen Rosim não almejava ser
prefeita, nem estava – creio ainda não estar – preparada para tanto. No máximo,
ser mais conhecida e alavancar sua futura candidatura para deputada. Na falta
de uma alternativa robusta, Bauru anda saindo perdendo faz tempo e desta feita,
o estrago foi feio. A lua de mel do povo para com a prefeita só não despencou
de vez passados esses quase 60 dias da novíssima (sic) administração, pois ela
ainda consegue se segurar num discurso moralista, fundamentalista e aliada as
tais “forças vivas” da cidade, o aglomerado que dá as cartas por debaixo dos
panos e em alguns momentos abertamente, sem escrúpulos e intermediários,
passando até por cima do mandatário (a) eleito.
Em Bauru quem dá as cartas não é a prefeita e sim, o coronel
Walace Sampaio, presidente do SinComércio local, um senhor de fala mansa, porém
dura e incisiva. “Em Bauru o Comércio não fecha”, proclamou e assim está
ocorrendo, sem tirar nem por. O governador decreta fase vermelha na cidade, mas
tudo continua aberto, flexibilizado e mantido por um conluio englobando a
prefeita, vereadores, Judiciário, mídia e parte da população, ludibriada e
levada como massa de manobra. Walace no timão. Suéllen não quis confrontar com
estes, se aliou, até porque todos são bolsonaristas. Ela é a única prefeita no
estado de São Paulo pelo Patriota, o futuro partido onde Bolsonaro vai se
abrigar se o seu não vingar. Ela esteve em Brasília dias atrás, não em busca de
recursos, mas consolidar Bauru como reduto de resistência (sic) bolsonarista no
interior paulista. Voltou de lá cheia de pose e não desceu mais dos saltos.
Peita o governador e se abre pro capiroto.

A cidade está abandonada, pois desde que assumiu não pensa
em outra coisa, fazer mais e mais seu nome, aproveitando o vento a favor.
Reclamações começam a pipocar e neste momento suas preocupações são outras. Na
noite de quinta, 18/2, deu um show gospel numa igreja lotada e sábado, 20/2, um
carro de som percorre a cidade avisando e convidando todos para a abertura de
seu mais novo empreendimento, não em nome do serviço público, mas do privado,
uma igreja, propriedade coletiva dela, seus pais, genros. Convidados de fora
estão chegando na cidade neste exato momento, quiçá até o próprio Bolsonaro
possa aparecer e a tal fase vermelha pode até vingar na cidade, mas pelo que se
ouve por aqui, um acordo foi selado e o Covid-19, variante antiga ou nova,
terão que esperar e só aportar na cidade após a noitada de arromba.
Do tal QG – Quartel General bolsonarista, quem perde é a
cidade num todo, pois até a presente data, desde a chegada deste ao Governo
Federal nada chegou de grana viva diretamente. Muitos já se recordam com
saudades dos tempos do PT no poder, década de muitos investimentos. De agora em
diante, algo idêntico ao modal do mentor, ódio nas relações, confronto o tempo
todo, mas quase nada de realizações. Uma cidade abandonada, relações
deterioradas, muito jogo de cena e Bauru que se dane. Dizem que ela não sabe
mesmo “prefeitar” e que seu negócio neste segmento será curto, pois já na
primeira oportunidade quer ir “deputar” em Brasília ou até mesmo, se conseguir
se manter sem percalços, um salto maior, candidata a governadora e com apoio de
Brasília. Muitos holofotes pro lado dela, pouquíssimos para Bauru. Jogo duro,
pesado, feio, nojento e pérfido. Eis o preço pelas escolhas feitas pelos
eleitores desta aldeia. Padecer parece ser a sina do bauruense.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de
História.