domingo, 25 de julho de 2021

MÚSICA (200) e DIÁRIO DE CUBA (214)

CUBA EM DEZ MÚSICAS BRASILEIRAS REVERENCIADO A ILHA

Quando Cuba voltou pra paradas de sucesso, desta feita após manifestações ocorridas na ilha e contrárias ao atual governo comunista, sei que a poeira irá assentar e enquanto isso, postei por dez dias seguidos, algo para ir relembrando sentimentos que nunca mais se saem do peito. Encerro sempre as postagens do dia no facebook com uma música, a Vitrolinha do HPA e nestes últimos dez dias o fiz deste jeito e maneira:

01) "SE VOCÊ QUISER ENTRE TAMBÉM NA EMBARCAÇÃO, EU VOU PRA ILHA DE CUBA"

Cuba vence todas, isso há mais de 60 anos e não será agora que se vergará. Sou muito mais o regime cubano, com todos os seus problemas do que qualquer país capitalista, com sua imensa crueldade. Poderia aqui cantar muita gente da MPB reverenciando Cuba e me lembro agora de uma pouco conhecida e lembrada, cantada por LUIS MELODIA, a ILHA DE CUBA. Faz parte do LP "Nós", 1980. Eu sou daqueles que, se precisar for, embarco agora mesmo para a ilha de Cuba defendê-la contra sua destruição enquanto nação livre e soberana. Passarei aqui exatos sete dias reverenciando canções da MPB com citações à Cuba e sua imponente e soberana revolução, algo que sempre incomodará os que a querem ver vergada e infeliz, sem voz, contida e inerte.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=D_ZaoKncTno

Ao som da maraca/ Do tambor do bambu/ Ao som da maraca/ Do tambor do bambu/ Eu vou pra ilha de Cuba/ Eu vou pra ilha de Cuba/ Eu vou numa caravela/ A velha Santa Maria/ Que passa domingo de noite/ Pelo Rio de Janeiro/ Que passa domingo de noite/ Pelo Rio de Janeiro/ Se você quiser também/ Entre na embarcação/ E vamos sorrindo pro mundo/ Na velha Santa Maria/ E vamos sorrindo pro mundo/ Na velha Santa Maria/ É que ao som da maraca/ E do tal tamborim/ Eu vou pra ilha de Cuba

02) "EU FUI VISITAR UMA ILHA QUE FICA NO MAR DAS ANTILHAS"

Por sete dias só MPB lembrando CUBA, hoje o dia 2 e aqui comparece ELBA RAMALHO cantando NO CAMINHO DE CUBA, de Jaime Alem. Elba vivia ainda um momento onde sua cabeça estava voltada para algo mais palatável do que o momento atual, onde infelizmente "endireitou" (sic). Está no LP "Fogo na Mistura", 1985. Hoje, quando vejo muitos querendo entender mais de Cuba, falando de desigualdades da boca cheia, sem ao menos olhar para fora de sua janela, daí, revivo tudo o que já cantei da ilha, com aquela incontida vontade de lá estar e me misturar ao povo a defender as conquistas ali conseguidas, muitas das quais, nós brasileiros nem passamos perto.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=Pmi-AJyo4GM

Um sanfoneiro, no caminho de Cuba/ Um zabumbeiro, no caminho de Cuba/ Um triangueiro, no caminho de Cuba/ Lá um rumbeiro se chegou/ Foi de congas no baião/ Misturando La Cumbia com xaxado/ Obatalá, nos caminhos de Cuba/ Babalauiaê, no caminho de Cuba/ Um canto negro, no caminho de Cuba/ Lá um moreno balançou/ O meu coração/ Eu fui visitar uma ilha/ Que fica no Mar das Antilhas/ E lá conheci outra raça americana/ Também filha de Olorum

03) "MAMÃE EU QUERO IR A CUBA, QUERO VER A VIDA LÁ E A REVOLUÇÃO QUE TAMBÉM TOCOU MEU CORAÇÃO"

Por sete dias, hoje o terceiro, só canções sobre CUBA. Escolho hoje uma da lavra de CAETANO VELOSO, a QUERO IR À CUBA. Essa é uma clássico, pois a cantei muito e a sei de cor e salteado, desde quando a ouvi pela primeira vez. Está no Lp "UNS", 1983, reedição 1989. Cuba revolucionária, altaneira, livre e soberana, impondo respeito nas Américas, continuará sendo sempre objeto de sonho.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=yDnIF0RU5_U

Mamãe eu quero ir à Cuba/ Quero ver a vida lá/ La sueño una perla encendida/ Sobre la mar/ Mamãe eu quero amar/ A ilha de Xangô e de Yemanjá/ Yorubá igual a Bahia/ Desde Célia Cruz/ Cuando yo era un niño de Jesus/ E a revolução/ Que também tocou meu coração/ Cuba seja aqui/ É só ouvir dos lábios de Peti/ Desde o cha-cha-cha/ Mamãe eu quero ir a cuba/ E quero voltar/ Mamãe eu quero ir à Cuba/ Quero ver a vida lá/ La sueño una perla encendida/ Sobre la mar/ Mamãe eu quero amar/ A ilha de Xangô e de Yemanjá/ Yorubá igual a Bahia/ Desde Célia Cruz/ Cuando yo era un niño de Jesus/ E a revolução/ Que também tocou meu coração/ Cuba seja aqui/ É só ouvir dos lábios de Peti/ Desde o cha-cha-cha/ Mamãe eu quero ir à Cuba/ E quero voltar

04) "LIVRE SÓ EMBAIXO, VOU VIVER NA ILHA, NA ILHA ONDE MEUS IGUAIS SERÃO MINHA FAMÍLIA"

Por sete dias, hoje o quarto, lembrando músicas brasileiras reverenciando CUBA. Hoje vou de TAIGUARA com A ILHA. O cantor e compositor brasileiro cantava isso em 1971, plena ditadura militar e com a cara e a coragem, algo bem ao estilo dele, ousado e libertário. Está no LP "Carne e Osso", 1971. Hoje, domingo, 18/07, quando manifestações se espalham por toda a ilha a defendendo dos ataques a querendo submissa, não vejo a mesma repercussão de algo ocorrido semana passada, quando ocorreram protestos contrários a ela, numa clara demonstração de que nossa mídia tem um lado, o da perversidade. A ilha segue seu fluxo natural, livre e soberana, felizmente. Taiguara já sacava disso décadas atrás, ou seja, desde sua libertação, 60 anos atrás.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=IWC5zM_FC4U

Meu pai, já não posso mais/ Viver nesse mundo em chamas, em chamas, chamas/ Meu bem, eu te quero bem/ Mas vou onde o amor me chama, me chama, chama/ Livre só embaixo vou viver na ilha, na ilha/ Onde meus iguais serão minha família, na ilha/ Tentei, ser como vocês/ Viver nesse mundo errado, errado, errado/ Adeus, vou deixar vocês/ Chega de viver guardado, guardado, guardado/ Hoje o meu adeus corta o meu destino, destino/ Que o amor faz meu e eu volto a ser menino, menino

05) "EU QUERO UMA LEMBRANÇA, EU QUERO UMA ESPERANÇA, MARAVILHA, ILHA DE LUZ"

Seguindo o prescrito por mim, em sete dias, hoje o quinto, só canções versando sobre a ilha der CUBA, espécie hoje de paraíso terrestre, daí lugar odiado pelos perversos deste planeta. Hoje vou de FRANCIS HIME e CHICO BUARQUE, cantando juntos algo da lavra também de ambos, a MARAVILHA, que cita a famosa ilha já no título. Essa música fez parte da trilha sonora do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto e como, anos depois, Chico disse, "nela imagens que tinha na cabeça, na parede de minha casa". Faz parte do LP de Francis, "Passaredo", Som Livre, 1977.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=Nf7SNs74rRQ

Maravilha/ Ilha de luz/ Quero tua cor mulata/ A tua verde mata/ Os teus mares azuis/ Maravilha/ Também quero o teu bagaço/ A força do teu braço/ O afago dos teus calos/ Quero os teus regalos/ Encharcados de suor/ Antilha/ Ilha de amor/ Jura que a felicidade/ É mais que uma vontade/ É mais que uma quimera/ Ai, eu quero uma lembrança/ Eu quero uma esperança/ A tua primavera/ Ai, eu quero um teu pedaço/ Entorna o teu melaço/Sobre a minha terra

06) "GUANTANAMERA MILITAR E A ILHA NÃO SE CURVA"

Propósito quase cumprido, de por sete dias, hoje o sexto, só canções da MPB tendo como tema a resistência altaneira da ilha de CUBA. Hoje vou de ENGENHEIROS DO HAWAII, com a bela A ILHA NÃO SE CURVA, do Humberto Gessinger, Adalberto da Costa e Luciano Cardoso. Ela está presente no CD "Minuano", Engenheiros, 1997. A estátua da capa do disco é o Monumento ao Laçador, um monumento de Porto Alegre, que representa o gaúcho tipicamente pilchado (em trajes típicos) e teve como modelo o tradicionalista Paixão Cortês. Em 2001, o monumento foi tombado como patrimônio histórico. Em 2007, foi transferida da Praça do Bombeador, seu local original, para o Sítio do Laçador. Quando a ilha dá a volta por cima, lembro algo que os preocupados e querendo ditar regras e normas para os cubanos: Tá preocupado com a miséria em Cuba? Sai de casa e dá uma volta no teu quarteirão.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=-nXxqhzhZVA

Presente em tudo que eu faço/ Em qualquer hora e lugar/ Em toda esquina em cada passo/ Profana luz a me guiar/ Vida a fora, noite a dentro/ Vida a fora, noite a dentro/ Impressa em cada gesto meu/ Brilha a luz no fim do túnel/ Cores capazes de cegar/ Quem tem medo de entregar-se/ Vida a fora, noite a dentro/ Vida a fora, noite a dentro/ Vida a fora, noite a dentro/ Inimigos na trincheira/ Guantanamera militar/ E a ilha não se curva/ As águas turvas desse mar/ Vida a fora, noite a dentro/ Vida a fora, noite a dentro/ Vida a fora, noite a dentro/ Vida a fora, noite a dentro

07) “OLHA ESSE SOM LATINO, É DE LÁ DE CUBA, ONDE PRA TER DIREITOS NADA NOS CUSTA NÃO”

Da ideia de falar bem de CUBA, me propus em sete dias seguidos, hoje o sétimo, relembrar canções da MPB sobre a ilha. Hoje vou de UM POVO COMUM PENSAR, letra do Suka, aqui cantada pelo GRUPO OLODUM. Faz parte do LP “Egito Madagascar”, 1986. Em 1986 o Olodum inova trazendo para o carnaval, pela primeira vez, a história do povo negro de Cuba, um país socialista e latinoamericano, adotando-o como tema do carnaval. Enfim, esse negócio de cantar e reverenciar Cuba não é algo feito gratuitamente, sem sentido, é algo sentido, pulsante e contagiante, vem dessa sensação do homem de querer ser livre, soberano, tudo poder ser compartilhado, dividido. Enfim, o sonho persiste e com ele sigo. Se estive junto dele até agora, 61 anos de vida, por que deveria buscar outro rumo? Não existe outro.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=KBiEOZvBGHg

Olha este som latino/ É de lá de Cuba/ Onde prá ter direitos/ Nada nos custa não/ Latinamente um povo/ Negro carnaxe a cantar/ Bate em minha mente/ Um povo em comum pensar/ Rumba, Rumba/ Rumba Olodum/ Arriba vida/ Linda, Linda/ Pura e sem dor/ ô ô ô/ Com amor/ che che che/ che Guevara/ Mente/ Fontemente revolucionaria/ Fiel, Fidel/ Fiel, Fidel/ Fidel castro/ Em pró de uma classe sofrida/ Proletária/ Leninista/ Olha este som latino/ É de lá de Cuba/ Onde prá ter direitos/ Nada nos custa não/ Onde não tem mendigos/ Nem tanto vilão/ Aonde o dinheiro/ Não e uma obsessão

08) “O SAMBA MANDOU CHAMAR A RUMBA E CASOU COM ELA, CANA, MOJITO E CONHAQUE”

Eu tinha a intenção de aqui relembrar canções de autores brasileiros, relembrando esse desmedido amor por CUBA, sua gente e sua música. O fiz por sete dias seguidos e hoje, missão cumprida, extrapolo e faço a 8ª citação com um memorável samba de NEI LOPES, o PARTIDO AO CUBO, do CD do mesmo nome da música, onde em quatorze faixas ele junta o samba com o ritmo caribenho da ilha, considerada por muitos como o paraíso terrestre. Tempero com influências cubanas, opção que conta com a argumentação do pesquisador das tradições africanas e a alegria do autor de sambas. "Cuba entra como pano de fundo. O disco é samba o tempo inteiro. Não houve a pretensão de criar nada de novo, nenhum "samba-Havana", porque ser pioneiro aos 62 anos seria algo muito complicado", brinca ele. "Partido ao Cubo" tem, em todas as suas faixas, uma retaguarda de sopros que explicita a referência cubana. O CD é da Rob Digital, 2005. Ouço em estado de delírio.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=v1QEXR32nNk

O samba mandou chamar/ A rumba e casou com ela/ A festa foi na favela/ E amanheceu no solar/ Na mesa posta ao luar/ Ají guaguao no tempero/ Som cubano e brasileiro/ Timbuca no meu daiquiri/ Dobradinha no congri/ Cincerro, conga e pandeiro/ O samba mandou chamar/ Cincerro, conga e pandeiro.../ O samba mandou me chamar/ Som cubano e brasileiro.../ O samba mandou me chamar/ Ají guaguao no tempero/ Compay Segundo chamou/ Pra roda Nelson Sargento/ Que formou seu regimento/ E as armas apresentou/ Ibrahim Ferrer mandou/ Um bolero no capricho/ Jamelão soltou os bichos/ E disse a Omara Portuondo:/ "O samba ficou redondo/ Igual a pinto no lixo"/ O samba mandou chamar/ Um bolero no capricho.../ O samba mandou chamar/ Jamelão soltou os bichos.../ O samba mandou chamar/ Igual a pinto no lixo.../ A Beth falou pra Omara/ "Madrinha, toma teu Grammy"/ Célia Cruz lá de Miami/ Ligou pra Ivone Lara/ Lembrou um samba de Clara/ E elogiou Alcione/ Que provocou um ciclone/ E fez tremer céus e mares/ Ao chamar Elza Soares/ Pra chegar ao microfone/ O samba mandou chamar/ Minha comadre Alcione.../ O samba mandou chamar/ Que provocou um ciclone.../ O samba mandou chamar/ Com Elza no microfone.../ Aí, ficou sabrosón/ Guajira, pagode e tumba/ Palo mayombe e macumba/ Manisero e Carinhoso/ Lecuona com Ary Barroso/ Pandeiro, conga e atabaque/ Cana, mojito e conhaque/ Som mulato, de branco com preto/ Pra bagunçar o coreto/ Dos sucessos de araque/ O samba mandou chamar/ E deu mojito e conhaque.../ O samba mandou chamar/ Pros sucessos de araque...

09) "QUANDO FUI A ILHA DE CUBA, PASSEI POR EL SALVADOR"

A intenção inicial é por sete dias ir postando a cantoria da MPB versando sobre CUBA, peguei gosto e prometo chegar à 10ª canção, hoje a nona, com QUIABO SEDUTOR, da lavra de ALCEU VALENÇA. É do LP "Andar Andar", 1990 e assim demonstro todo o amor de variados compositores brasileiros pela ilha caribenha e tudo o que por lá acontece de tão bom para o ser humano.

Ei o link: https://www.youtube.com/watch?v=S2r79qKX_0g

Quando fui à ilha de Cuba/ Passei por El Salvador/ Quando fui à ilha de Cuba/ Passei por El Salvador/ E as muchachas só diziam/ Ai, Quiabo sedutor/ As muchachas só diziam/ Ai, Quiabo sedutor/ Quando fui à ilha de Cuba/ Passei por El Salvador/ Quando fui à ilha de Cuba/ Passei por El Salvador/ E as muchachas só diziam/ Ai, Quiabo sedutor/ Ai muchacha, morena bonita/ Da cor de canela/ Meu charuto está aceso/ Minha rosinha amarela/ Ai muchacha, morena bonita/ Da cor de canela/ Meu charuto está aceso/ Minha rosinha amarela/ Fuma, minha fia/ Fuma um charuto aqui/ Ai muchacha, morena bonita/ Da cor de canela/ Meu charuto está aceso/ Minha rosinha amarela/ Ai muchacha, morena bonita/ Da cor de canela/ Meu charuto está aceso/ Minha rosinha amarela/ É por Havana

10) "SOY LOCO POR TI DE AMORES, EL NOMBRE DEL HOMBRE MUERTO"

Chego hoje a 10ª canção dentro do repertório da MPB, com reverência a algo lembrando CUBA e assim encerro a lembrança aqui rememorando algo do que representa essa libertária ilha dentro do cenário também musical brasileiro. Essa aqui, SOY LOCO POR TI, AMÉRICA, letra do Capinam, um dos poetas mais revolucionários que tivemos, talvez o mais combativo do Tropicalismo, fez em homenagem a Che Guevara. Com letra em espanhol de Capinan e música de Gil, a canção foi um pedido explícito de Caetano aos compositores em 9 de outubro de 1967, dia da morte do guerrilheiro argentino Ernesto 'Che' Guevara nas selvas da Bolívia, para entrar no primeiro repertório da Tropicália. "É uma canção que foi feita no dia em que Che Guevara foi assassinado, que é um ícone do idealismo de transformação da liberdade na América", informa o próprio autor da letra. Além de uma homenagem ao revolucionário argentino, a canção, afirmou Capinan, "mostra o aprofundamento nessa questão de expressar a afinidade dos povos da América Latina". "É uma letra da luta contra a submissão ao império, e arrisquei nessa linha, de tentar compor em espanhol com minha visão do mundo, numa época em que Cuba tinha uma produção artística e cultural muito intensa", frisou. Muita gente já cantou essa música e aqui a revejo na voz de GILBERTO GIL, num álbum todo cantando a América Latina, originalmente gravado em 1987. Continuamos lutando por ver essa América Latina livre e soberana, altaneira como Cuba.

Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=mRxZ27s_R3Y

Soy loco por ti, América/ Yo voy traer una mujer playera/ Que su nombre sea Martí/ Que su nombre sea Martí/ Soy loco por ti de amores/ Tenga como colores/ La espuma blanca de Latinoamérica/ Y el cielo como bandera/ Y el cielo como bandera/ Soy loco por ti, América/ Soy loco por ti de amores/ Sorriso de quase nuvem/ Os rios, canções, o medo/ O corpo cheio de estrelas/ O corpo cheio de estrelas/ Como se chama amante/ Desse país sem nome/ Esse tango, esse rancho/ Esse povo, dizei-me, arde/ O fogo de conhecê-la/ O fogo de conhecê-la/ Soy loco por ti, América/ Soy loco por ti de amores/ El nombre del hombre muerto/ Ya no se puede decirlo, quem sabe?/ Antes que o dia arrebente/ Antes que o dia arrebente/ El nombre del hombre muerto/ Antes que a definitiva noite/ Se espalhe em Latino América/ El nombre del hombre es Pueblo/ El nombre del hombre es Pueblo/ Não sejam palavras tristes/ Soy loco por ti de amores/ Um poema ainda existe/ Com palmeiras, com trincheiras/ Canções de guerra/ Quem sabe, canções do mar/ Ai hasta te comover/ Ai hasta te comover/ Soy loco por ti, América...

sábado, 24 de julho de 2021

REGISTROS LADO B (55)


ALGO DA VIDA E LUTA DE ORLENE DARÉ, ENTRELAÇADOS A PSICOLOGIA E OS DIREITOS HUMANOS NO 55º LADO B
Quando fiz o convite para a psicóloga e ativista política MARIA ORLENE DARÉ para participar deste meu projeto, o LADO D – A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES, sua resposta foi das mais sensíveis: “mas existem muitas pessoas com mais bagagem e coisas pra conta que as minhas”. Não foi preciso muitos argumentos para convencê-la de que, as dela são tão ou mais importantes que todas as demais, enfim, estamos todos irmanados numa mesma luta, renovadora e transformadora, onde o que fazemos, onde estamos inseridos, nossa participação é o bocadinho, mais que necessário, para a chama se manter acesa e assim, a luta ter continuidade. Chego nesta semana aos 55 entrevistados e com orgulho trago mais alguém, com um rico cabedal histórico, de luta e resistência, algo pelo qual, os que a conhecem ficarão gratos de rever e os da nova geração, os que ainda não a conhecem, será de grande serventia tomar conhecimento de uma vida dedicada à luta e assim, espelho para tantos outros. Eis sua importância, esse não abandonar a cancha de luta, a contenda é de uma grandiosidade inigualável.

Pela primeira vez não gravo antecipado uma chamada anunciando quem seria o entrevistado (a) da semana, pois com a Orlene, tive que exercer um poder de convencimento maior, pois estava reticente, relutante e só na prorrogação, nos últimos minutos antes de encerrar o prazo acabei por convencê-la. Ela queria adiar e eu, chato como sempre, insisti, pois tenho a mais absoluta certeza de que, dessa conversa, algo de muito produtivo, um registro e tanto de pessoa mais do que admirável. Reconhecida por tudo e todos, a psicóloga Orlene nos contará não somente algo de sua trajetória, como nos dará uma aula, de vida e de como estar engajada, atuante e sempre flamejante na lida e luta. Não fizemos a gravação da chamada, mas ele envia algo sobre sua apresentação e aqui compartilho: “Psicóloga, trajetória voltada para a defesa intransigente dos Direitos Humanos e também uma militância por uma psicologia ética, com compromisso social e pautada nos direitos da pessoa humana”. Ela está com reforma no apartamento onde mora atualmente em Campinas, toda envolta com os cuidados para com o neto e com uma mudança prevista pra daqui duas semanas. Insisti e ela acabou aceitando.

Eu sempre enxerguei em Orlene um exemplo de vida e de luta. Aquela pessoa que se apresenta como frágil, na verdade é um rocha, algo que nem as mais fortes ondas conseguem ir dissolvendo ou transformando, enfim, ela é o que é e reside aí, a sua fortaleza. Esse seu modo de agir, sua postura profissional e pessoal, a palavra de incentivo e as lutas todas desfraldadas fazem parte de algo que não pode e não deve ser esquecidos. Relembrar isso faz parte deste projeto, o do resgate de histórias como as dela, de gente que, fizeram de suas vidas palco de grandes acontecimentos e só por causa disto, nunca mais serão esquecidas. Reverenciar isso é meu papel. Se hoje, ela está lá em Campinas, num outro momento de sua vida e todo o envolvimento de uma vida junto ao CRP – Conselho Regional de Psicologia de Bauru foi passado adiante, nada como a gente vir a público e contar bocadinho disso tudo. Se ela fez parte da história pulsante e envolvente desta cidade, ouvi-la é de vital importância. Espero estar à altura para ir travando uma conversa onde ela nos revele seus segredos, principalmente os de como conseguiu se manter ereta uma vida toda, sem se vergar e se deixar levar por modismos ou facilidades.

Enfim, gente como Orlene precisa ter sua história relembrada, contada em detalhes, pois isso serve de grande motivação para tudo, inclusive para os embates todos onde estamos enfronhados neste momento, o de reconquista deste país. Em 08/03/2016, só para terem uma ideia de sua luta, publiquei no meu blog, o Mafuá do HPA, este texto, de algo onde ela sempre esteve envolvida: “ONTEM O BARRACO SE DEU DESSA FORMA - UM NÃO SEI O QUE LÁ NA CÂMARA HOJE: Um grupo declaradamente de direita e junto de membros dos ditos skins, estavam marcando posição na Câmara dos Vereadores hoje e preparados para pressionar o vereador Roque Ferreira, depois dos acontecimentos da Batista no sábado passado, quando provocaram pessoal aglutinado na Esquina da Resistência, mas se deram mal. Foram enxotados no local aos gritos de "Fora Fascistas!". Pretendiam armar o circo hoje junto ao Legislativo. Em questão de minutos, com comunicações pipocando de um lugar para outro, a militância social dessa cidade baixou por lá e recolocou tudo no seu devido lugar. Não houve nenhum confronto, mas somente algo mais do que necessário, ainda mais nos dias de hoje: a necessidade de resistir ao que está surgindo pela aí, o monstrengo direitoso, com mil faces, junções mais do que surreais e com a balela de tentar impingir possuírem algo de democrático em sua composição. Nos escritos pelas redes sociais isso é facilmente desconstruído. Foi realmente algo valoroso ver muitos irem se achegando, ocupando espaço e não deixando que nada de ruim que, porventura estivesse sendo montado pudesse se concretizar. Por fim, todos assistimos a entrega de uma Moção de Aplauso para a Comissão da Verdade de Bauru, ali representada por Carlos Roberto Pittoli, Clodoaldo Meneghello Cardoso, Gilberto Truijo e Maria Orlene Daré”.


Orlene comprou muitas brigas e esteve envolvida em inúmeras, incontáveis questões, eterna batalhadora. Enfim, nada melhor do que ela mesma para nos contar isso tudo, tim tim por tim tim hoje numa reveladora conversa entre amigos de longa data. Esperamos tudo, todas e todos por lá. Vamos juntos?

Eis o link para assistir a gravação de 1h15: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/515640059716802

COMENTÁRIO FINAL: A gravação da conversa com Orlene foi para minha de grande honra, pois ela conta fatos de sua vida, que me disse, não havia nunca gravado antes. Quando relembra de sua infância e que, aos 12 anos, ainda morando em Vera Cruz, foi morar numa pensão, “desgarrei”. A partir daí, foi estudar em Assis, começou com Ciências Sociais, que lhe deu o arcabouço para o resto da vida, depois Psicologia. Terminou o curso e se bandeou para São Paulo, sozinha, sem conhecer ninguém, e por 25 anos ali se estabeleceu e se constituiu enquanto pessoa humana, verdadeiramente humana. Seus relatos destes tempos, a militância, o envolvimento político e sindical, surgindo também a questão com o CRP – Conselho Regional de Psicologia. Logo a seguir, a vinda para Bauru, conhecendo apenas uma pessoa e o recomeço, vida nova, gente nova e tudo sendo reconquistado, galgado aos poucos. Deste período, 22 anos, uma vida mais do que intensa, vibrante, quando despontou a Comissão de Direitos Humanos do CRP e todas as lutas, narradas uma a uma. Que vida! Uma narrativa para encher os olhos. E por fim, após tudo consolidado, o a pandemia e o convite da filha, para vir se juntar a eles em Campinas, cuidar do neto e ela recomeçando tudo num outro lugar. E diz que, por lá, tomando todos os cuidados, segue em frente, participando de todos os atos Fora Bolsonaro, manifestações e fazendo o que pode, continuando ativa e altiva. Fala também destes nosso tempo, da desesperança e da necessidade de continuar lutando, o nunca desistir, enfim, uma vida toda com os olhos e ação voltados para a luta. Ela sempre teve um lado, o da defesa dos desassistidos deste país. E assim continuará enquanto viver. Adorei a conversa.


QUANDO O MINISTÉRIO PÚBLICO É ACIONADO*

* Este é meu 23º texto para o semanário DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, opção online disponível desde a madrugada de ontem:
Notícias fresquinhas dos últimos rounds da política bauruense. O assunto da semana em Bauru foi a aprovação a toque de caixa que a prefeita impôs ao vereadores, na base do ultimato. Foi mais ou menos assim. Vocês aprovam o que lhes enviei ou já a partir de amanhã a Prefeitura não terá dinheiro nos cofres para arcar com as despesas. E eles, votaram e livraram não as suas caras, mas a da prefeita. O imbróglio vem de muito tempo e desembocou na última sessão. São tantas coisas.

No roteiro, plantões médicos pagos pela Secretaria Municipal de Saúde e não realizados pela Fundação de Saúde (FERSB), na realização de encontro de contas para saldos do ano anterior, descumprimento da regra do contrato que exige que saldos do ano anterior sejam utilizados somente até 31 de janeiro do ano seguinte, apuração de cumprimento de jornada por médicos-servidores que também atuam como pessoa jurídica para a mesma Saúde Municipal, mas via Fundação.

Quem perdeu prazo não foram os vereadores e sim a novíssima (sic) prefeita da cidade, mais perdida que cego em tiroteio. Ops! Perdida não, pois algo mais foi feito e ela a partir de agora deve começar a ficar com a cabeça um pouco mais quente. Estes são alguns dos pontos levantados em representação encaminhada ao Ministério Público das áreas de Fundações, Patrimônio Público e Chefia Geral (MP SP) pela vereadora Estela Almagro (PT).

Para a parlamentar, a aprovação do projeto de lei que autoriza a Prefeitura a repassar, por mais 12 meses, R$ 5,5 milhões para custear plantões na UPA Geisel foi a “gota d´água” para a necessidade de apuração. Era uma rotina criminosa funcionando diária e sistematicamente sem que a gestão municipal, apesar dos controles que detém, nada fizesse.

Feita a denúncia a prefeita optou por uma "pedalada" recorrendo à Câmara servil e subserviente, que aprova um projeto de lei nas coxas, permitindo uma saída pseudo-legal para o deslize, que a vereadora petista considera crime. Na votação ocorrida na sessão da semana somente dois vereadores foram contrários, ela e Carlinhos do PS. Os demais – sem contar o presidente da Casa que só vota em caso de empate – referendaram a barafunda.

Mas acionado e instrumentalizado com dados pormenorizados do ocorrido, o Ministério Público não engoliu. Vai averiguar. Bom sinal e os próximos capítulos devem ser mais do que reveladores para começar a elucidar uma série de fatos onde ocorre o dito pelo não dito. Aguardemos, pois os próximos capítulos, após o pitado do MP devem ser de alvissareira movimentação nas hostes governamentais. Dizem que a incomPrefeita começa a perder o chão e justo na semana, que anunciam a vinda do seu mentor, o Senhor Inominável para cavalgada na cidade no próximo dia 28. O tempo ando frio e seco, mas nos bastidores, chuvas e trovoadas.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

MEMÓRIA ORAL (270)


NÃO RETIRO UMA PALAVRA DO QUE ESCREVI ONTEM, O RESIDENCIAL MANACÁS NÃO SERÁ INAUGURADO - UFA! - PELO CAPIROTO, MAS SIM, POR MINISTRO DESTE, CERIMÔNIA TRISTE, ONDE NÃO RENDERÃO HOMENAGENS A QUEM DE DIREITO
Ufa! O Residencial Manacás, localizado no alto da vila Nova Esperança, segundo edição de hoje do Jornal da Cidade informa, será inaugurado amanhã, sábado, dia 24/7, com a presença do ministro capirotista do Desenvolvimento Regional, deselustríssimo Rogério Marinho. Isso talvez seja prenúncio de que, o ex-capitão possa estar repensando da vinda para Bauru, onde participaria de cavalgada. Tomara não venha mesmo, pois neste momento, diante de tantos repetidos escândalos, seria um algo a mais para enlamear Bauru, colocando-as entre as que aceita as falcatruas todas numa boa. O Residencial Manacás, com 288 apartamentos é o último a ser entregue, resquício de época mais que auspiciosa, quando o projeto Minha Casa Minha Vida existia de fato e construía, entregava casas de baixo custo para a população. Não existe como escamotear que o mesmo é obra, cria dos tempos do ex-presidente Lula e que só foi entregue neste momento, devido a acordos, reajustes e aos esforços do ex-prefeito Clodoaldo Gazzetta, que agiu em tudo que fez, bem diferente do que o faz sua sucessora, a já declarada incomPrefeita Suéllen Rosim.
Seria no mínimo, de bom alvitre, relembrar Lula e Gazzetta, mas como capirotistas são dados a fake-news, não creio isso venha a acontecer. Enfim, essa inauguração serve para que o povo bauruense relembre com muita saudade de tempos - que podem voltar a acontecer -, quando casas populares eram construídas para essa população, hoje não mais. Enfim, me citem uma só que Bozo & Cia se empenharam em levantar com essa finalidade. Gente como os asseclas deste, na qual incluo a nossa imPerfeita, só fazem o contrário, como a recente ação propondo vender o último terreno na cidade possível de ser revertido em construção de casas populares. Ela quer vender, passar nos cobres e virar as costas para as necessidades da população mais carente. Nem abrigo para estes se refugiar do frio temos mais na cidade. Estamos diante de hora mais do que propícia para alardear que o novo Programa criado pela equipe descapacitada recriou, o Casa Verde Amarela é um engodo e nada faz.

SEU GALVÃO, FALECIDA DONA INÊS, LIBRAS, TIBIRIÇÁ, TUDO NAS LEMBRANÇAS DA FAMÍLIA COSMO – A GENTE VIVE HOJE DE SAUDADE QUE NÃO ACABA MAIS
Não tem como fugir de ouvir e tomar conhecimento de boas histórias indo lá pelos lados de Tibiriçá. Eles vivem todos num outro mundo, com todas as agruras daqui, mas confesso, ainda vivenciam outro mundo, apartado do nosso, onde flui uma vida rolando mais amena, tranquila e reverenciando todos os outros iguais entre si, na mesma simplicidade. Um se espelha no outro e assim tocam o barco, a vida adiante. Pois bem, cheguei lá e falavam, dona Irene, a matriarca, as irmãs Dulce e Ivone Cosmo de um senhor dos m ais arretados, morador da vizinha Presidente Alves e cujas lembranças estavam bem vivas ali nas conversas quando cheguei. Ouvi, fui assuntando e quando me dei conta já estava anotando algo e pronto para escrever, publicar e passar adiante algo da vida de tão interessante pessoa.

Seu Antonio Galvão tem hoje 78 anos de idade, por aí, pouco mais ou poucos menos, tanto faz. O importante é o relato, pois perdeu recentemente o amor de sua vida, a esposa Nair Teodoro Galvão por Covid e elas falavam da tristeza que é hoje isso de morrer pessoa tão querida e não poder nem olhar, ver de perto, conversar com os parentes, amigos. Nem abrir o caixão se pode e assim dona Nair se foi e seu Galvão, ferroviário como muitos ali no distrito, ficou agora mais triste, sozinho e precisando, como me disseram, muito de gente que vá até ele para conversar.

A história dele é a de muitos por ali, mas seu Galvão tem um algo mais. Namorou só dois anos, se encantou e casou, permanecendo juntos 58 anos de casado. São de família ali do distrito, onde todos se conhecem muito bem, a família inteira um do outro. Hoje, ele mora em Presidente Alves, mas isso se deu depois de se aposentar, pois até então esteve junto dos Cosmos. Dulve conta que desde 1965 o conhece, pois ele nasceu ali, onde todos cresceram.

Moraram juntos em Val de Palmas, quando ali funcionava a estação, tempo quando não tinham água encanada e tudo era de poço. Começo de tudo, ela diz, seis casas de colônia, Tv de bateria trazida por seu pai, quando no intervalo das novelas eles desligavam tudo para poder recarregar a bateria. Ele foi lembrando isso, pois ao falar da tristeza de não poder fazer uma despedida digna pra esposa, todos ainda estão tristes.

Disse mais dele, que seu Galvão é um ser esotérico, evangélico, sem ser chato, pois os familiares tomam cerveja e riem da vida, reunidos em festas, que hoje ela vê, muitos aboliram por causa de uma carolice que não tem fundamento. Pois bem, ele está desde 1989 em Presidente Alves e desde então se veem bem menos que antes e agora, nem no velório puderam ir. Ela conta ele ter quatro filhos, a Inês, o Benedito, a Nadir e o Juninho, o Antonio Filho, todos amigos da família dela. O que ela queria mesmo me contar é que ele distraia a vida desde que aprendeu a tal linguagem de libras, a fala pelos gestos e daí, virou mestre, onde ia, já queria ensinar os outros a gesticular e assim conversar sem abrir a boa.
Ele, muito sério, fazia todos rirem, pois nunca foi um cara sisudo e chato. “Seu Galvão, como meu pai, é dos nossos, gente aqui da terra, simples como todos, um professor de libras, hoje lá mais sozinho e nós aqui, distantes e sem poder nem ir visita-lo, pois essa pandemia não dá folga, nem trégua”, me diz Dulce.

Por fim, dona Irene vai lá pra dentro da casa e volta com um quadro na mão, uma pintura de um trem chegando ou partindo, soltando fumaça e pede que se for falar mesmo de seu Galvão, que não esqueça de dizer que ele sempre foi também um ótimo pintor. Esse quadro, conta dona Irene, ele pintou da composição quando passava ali pela aldeia de Araribá. “Ele tem muitos outros, eu mesmo tenho mais, mas esse é um dos mais bonitos, pois a gente não pode esquecer nunca que Tibiriçá só existe por causa do trem, sem ele a nossa vilinha não existiria. O trem é tudo pra gente, até hoje, mesmo não parando mais aqui”, relembra dona Irene.

Eu mais ouvi que fale e é sempre assim, toda vez que passo por lá trago na algibeira uma história nova. Hoje foi essa e a conto ainda emocionado, do jeito que a ouvi.
Obs.: Fui lá hoje para tomar a segunda dose da vacina no PS do distrito e, como não podia deixar de ser, passei na casa mais famosa do lugar e de lá recolhi mais essa história, que sei, não ouvi inteira, só um pedacinho.


E OS MILITARES, HEM!!!
Triste momento o do conglomerado militar brasileiro. Para defender os indefensáveis fardados, que estão atolados até o pescoço em irregularidades, compra de vacinas superfaturadas e com propinas, preferiram ameaçar a democracia, jogar tudo pro alto e permanecer ao lado do capiroto. Escararam o seu lado mais vil, enquanto poderiam se sair muito bem, apurando e punindo os irregulares, mas do jeito que estão fazendo, colocam todos no mesmo balaio, a instituição Forças Armadas se igualando a todos os desmandos praticados pelo desGoverno do ex-capitão, que por sinal, foi expulso do Exército. Que há membros das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo, não existe a menor dúvida, enfim, rachadinha é coisa que passa de pai para filho e, se houver um coronel para ajudar, melhor. O Bozo, como se sabe, é do tipo que faria de tudo para enriquecer com verba pública. Construiu todo seu patrimônio baseado na rachadinha e agora, são muito mais do que indícios de militares envolvidos em irregularidades com a compra de vacinas. Agora, essa pregação golpista, nessa altura do campeonato só serve para enlamear ainda mais a reputação de todos os fardados. Ouvi ontem na TV, num documentário no Canal Curta!, o ex-ministro Carlos Lessa repetindo uma frase atribuída à Napoleão: "Os militares podem fazer o que quiser com as baionetas, menos sentar em cima". Pois é isso exatamente o que estão a fazer, infelizmente.

ALGUMA DÚVIDA? PENSE NISSO, ASSIM NÃO TEM COMO ERRAR

quinta-feira, 22 de julho de 2021

CARTAS (230)


DESDOBRAMENTOS DO HOSPITAL DE CAMPANHA QUE NÃO VEIO - VIERAM OS HIGIENIZADORES DO EXÉRCITO DE LINS
É lindo demais ver o desdobramento com que o vereador Eduardo Borgo justifica a não vinda do Hospital de Campanha, mesmo com prazo determinado de sete dias para sua instalação, como se tivéssemos ganho e não perdido, passado vergonha. Ele tenta, sabe do fisco e a cada dia isso só cresce, se avoluma. Algo mais já aconteceu e está em curso. Agora, pelo que se vê, mesmo ele estar insistindo ter sido uma conquista os quatro leitos PROMETIDOS, que ainda não vieram e talvez nem o venham, tem algo pouco comentado. A União, no caso o desGoverno Federal só vai ceder e bancar as tais quatro vagas se a ocupação estiver acima dos 80% em casos Covid e como isso está em queda, hoje já beirando os 85%, ou seja, quase certeza que não teremos nada. Vamos ficar chupando o dedo e o vereador ainda tentando se dizer vitorioso. Piada pronta. Depois outra, essa hoje: sabe qual foi a contrapartida pela não implantação do Hospital de Campanha e nem as tais vagas covid na cidade? Sim, estão chegando hoje em Bauru, com cartazes já fixados em alguns postos de saúde, do Exército Brasileiro para ajudar na limpeza, pintura e higienização destes locais. O 37º Batalhão da Infantaria Mororizada, sediados em Lins, segundo esses cartazes já iniciariam esse trabalho a partir de hoje 8h da manhã e contariam com a presença da prefeita. Um trabalho que, obrigatoriamente estaria a serviço da equipe da Prefeitura, mas hoje deixando a desejar, conta agora com ajuda do Exército. Talvez, no frigir dos ovos, seja finalmente essa a ação que a União faça pela cidade, para compensar a não instalação do Hospital de Campanha e muito menos as tais vagas supostamente bancadas que por eles. Somos ou não a cidade da PIADA PRONTA? Inevitável a comparação feita pela revista Piauí, com foto aqui também publicada, do Exército e seu prestimoso serviço humanitário, triste diante de um cada vez menos eficiente serviço local, que ao não dar conta de cumprir com suas obrigações, primeiro deveria ser cobrado judicialmente dos motivos da inoperância, depois pelo que se vê em Bauru, nada mais é cumprido a contento e em tudo se faz necessário receber ajudas externas, venham de onde vier, vide a ajuda também para os Postos de Saúde, que, pasmem, podem até ser reformados por entidades evangélicas neopentecostais. Essa é a Bauru de hoje, sem hospital, sem vagas, mas com o Exército higienizando as instalações da Prefeitura.


RESIDENCIAL MANACÁS, ALTOS DA VILA NOVA ESPERANÇA, TUDO PRONTO, FRIO LÁ FORA, MAS ENTREGA DAS CHAVES SÓ QUANDO CAPIROTO VIER AQUI PRA CAVALGADA
Em 08/06/2021 no site da Prefeitura Municipal de Bauru este aviso, anúncio: “A Prefeitura de Bauru está convocando as famílias que vão se mudar para o Residencial Manacás a realizarem a vistoria obrigatória nos apartamentos, entre esta quarta-feira (9) e sexta-feira (11). O Residencial Manacás foi construído pelo Programa Minha Casa Minha Vida, atualmente Casa Verde e Amarela, do governo federal, com acompanhamento técnico da Caixa. A data e horário das vistorias já estão pré-definidos, para que todos possam ir até o apartamento. A vistoria é uma das últimas etapas antes da entrega do residencial, que receberá tanto famílias escolhidas através de sorteio, quanto famílias que atualmente residem em áreas de risco. A relação com a ordem de vistoria, por titular de cada um dos 288 apartamentos, está nos arquivos em anexo, por data – 9, 10 e 11 de junho. Antes, as famílias devem assistir aos vídeos da série "Como Faz Hein?", disponíveis no link https://www.facebook.com/Projeto-Residencial-Manac%C3%A1s-105300935046117/”.

Hoje, dia 22/07, tudo pronto, casas prontíssimas - já deveriam ter sido entregues, gente morando nelas -, mas a entrega não ocorre e corre os comentários que a demora na entrega das chaves tem motivo. O frio, como se sabe, come solto pela região, atingindo na madrugada temperaturas próximas do zero grau, mas isso não sensibiliza o pessoal técnico ligado a incomPrefeita Suéllen Rosim, bolsonarista de carteirinha, daí, a cereja deste bolo. Como ainda continua sendo anunciando, o ainda presidente Bolsonaro tem cavalgada marcada para o final deste mês em Bauru, mais precisamente no dia 28/08. Como é sabido por tudo e todos, a obra é ainda resquício do projeto Minha Casa Minha Vida, recursos conquistados no governo Lula e após muita disputa, reforçados por algo mais conseguido pelo ex-prefeito Gazzetta. Foi uma luta, prováveis moradores e pessoas em situação de necessidade de moradia observando a demora da conclusão das obras ocuparam os apartamentos e depois de muita negociação, aceitaram sair para obras serem concluídas.

Quando existe zum zum zum é batata, algo no ar além dos aviões de carreira. Dizem que, Prefeitura está segurando a entrega das chaves dos apartamentos do residencial Manacás, para ser a justificativa da viagem em julho/agosto do maluco do presidente da república à Bauru. Esse evento ajuda o mesmo a viajar de forma oficial, pago com dinheiro público para depois participar da cavalgada na cidade. Toda a luta da chegada do projeto, ainda governo Lula, depois a paralisação da obra, ocupação, desocupação, a última administração municipal ter conseguido mais recursos, retomada das obras e agora, com tudo pronto, tudo lacrado esperando o dia em que o ex-capitão passe por aqui e descerre a placa de inauguração. Muita cara de pau da incomPrefeita de Bauru e deste cruel, insano e desajustado momento vivido pelo país.
Em tempo: Pobre esperando no frio pelas chaves é o que, como se observa, menos conta.

EXEMPLO DE COMO FUNCIONA O CRIMINOSO ESQUEMA DE FAKE NEWS BOLSONARISTA - BAURU CIRCULANDO POR AÍ
Como funciona o SISTEMA DE FAKE NEWS patrocinado pelo desGoverno Federal, com os filhos do mandatário bem ativos no submundo das ilegalidades em curso. Pegam fotos aleatoriamente, colocam uma frase de efeito e disparam através de seu sistema de robôs e de seus idolatradores como se fosse uma verdade. Vejam esse caso concreto de uma obra realizada em Bauru, pelo governo do estado em 2015 e que agora é compartilhada com a frase : "A cada ataque da turma do atraso é uma rodovia asfaltada", como se fosse obra do atual governo federal. Trata-se na realidade da rodovia Bauru-Iacanga (SP 321). Do lado esquerdo é a entrada do barracão do Sindicato dos Comerciários e do lado direito da na área onde a Tilibra iria fazer sua nova fábrica. Reparem no número de compartilhamentos que supera os 14 mil, demonstrando a força desses fake news que iludem a tantos. E mesmo diante de tudo o que já foi dito, visto e continua sendo divulgado, muitos ainda caem no conto do vigário. Alias, esse desGoverno é o engodo em pessoa. Bauru, como sempre, não sai das paradas de sucesso.

O BRASIL DE HOJE É MESMO UM CASO NÃO SÓ DE POLÍCIA, MAS TAMBÉM DE INSANIDADE MENTAL
Quando já se viu o representante maior do órgão federal, criado para defesa e atendimento das reivindicações dos índios, responder que num conflito, a providência dele e, consequentemente a mesma do desGoverno Federal, diga-se Bolsonaro & Cia é botar fogo nos remanescentes da aldeia isolada.
Este é o reflexo de tudo o que Bolsonaro e os seus fazem pelo país, uma destruição sem fim, de tudo. Não existe um só setor onde algo de igual teor não esteja em curso. Isso chama-se TERRA ARRASADA, destruição total e ele não faz mais, não destrói também seus adversários, pois isso ainda não lhe é permitido, mas se tivesse mais poderes, algo mais estaria em curso e ele, soberano, imperador mor deste decrepito país. Em tempos idos, quando alguém ousava falar algo dessa natureza, o povo ia imediatamente pras ruas. Em qualquer lugar civilizado ainda vão e botam pra correr imediatamente quem ousou proferir tamanha aberração, mas aqui não. Aqui tudo está sendo possível. Me digam com a mais absoluta sinceridade: até quando iremos tolerar algo dessa natureza? Pra mim, eles já passaram de todos os limites e já faz muito tempo. Sem pressão, sem povo nas ruas, creio eu, nada mudará assim tão rapidamente. Nós somos mais, precisamos voltar a ter coragem para fazer as coisas que precisam ser feitas, antes que reverter tudo isso seja impossível.

A matéria que me revoltou é a do link a seguir do site da Revista Fórum, "Militar que coordena Funai fala em “meter fogo em índios isolados” do AM - Tenente do Exército da reserva, Henry Charles Lima da Silva, que coordena o órgão no Vale do Javari, no Amazonas, estimulou lideranças locais a atirarem em indígenas que os “importunam”: https://revistaforum.com.br/noticias/militar-funai-meter-fogo-indios/?fbclid=IwAR2H4ibq0gitZ7jIYZOiY-T4awdyktC4ab0HmG0slPhiVO1jHHGfXLElLwo

quarta-feira, 21 de julho de 2021

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (193)


SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA SÓ PENSA EM CULTURA DA PAZ, MAS ELA HOJE É TOTALMENTE POSSÍVEL?
"Resumidamente, a cultura de paz diz respeito a uma visão de mundo que privilegia o diálogo e a mediação para resolver conflitos, abandonando atitudes e ações violentas e respeitando a diversidade dos modos de pensar e agir", este o slogan dos defensores da Cultura da Paz.

Nessa semana a SMC - Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, pelo que se sabe, cavando desesperadamente eventos para "chamar de meu", está mais do que empenhada em mostrar serviço e daí, por lá só se fala, ou melhor a secretária Tatiana Sá, repete isso em todos os lugares por onde esteja, "paz, paz, paz..." e daí vejo estar em curso de ontem, 20/07 até 25/07, domingo, a SEMANA MUNICIPAL DA CULTURA E DA PAZ. Fui conferir e de tudo, quase nada cultural, mas uma espécie de "salada mista", juntando alhos com bugalhos e na fermentação, a apresentação de um cardápio tentando abarcar variados temas. Confesso ter me interessado por um, o de hoje, quarta, 19h, "CSA - Comunidade que sustenta a agricultura: campo e cidade buscando a cultura do apreço", com Wagner Santos e Daniel Pestana Mota, da Associação Comunitária CSA Brasil.

Vou assistir a este e da miscelânea dos demais, saliento só o seguinte: Creio vivermos um momento da vida brasileira onde é praticamente IMPOSSÍVEL querer propor a Cultura da Paz, diante de tantas atrocidades, principalmente as cometidas por um desGoverno genocida, cruel e insano, com mais de 500 mil vítimas nos seus costados e se fingindo de morto, "isso não é comigo", comprando vacinas superfaturadas, numa caso de corrupção institucionalizada e escancarando o uso de armas, propagandeando também a violência na solução de tudo. Pior que tudo, com a nossa atual incomPrefeita Suéllen Rosim, fundamentalista até não poder mais, apoiando em tudo as ações do capiroto, daí, minha pergunta, a que não quer calar: como falar em Cultura da Paz no meio disso tudo? Que loucura é essa? Nunca vi isso em realização da Cultura municipal, essa a primeira vez e se estiver errado me corrijam. E mais, desconheço alguma outra cidade com programação pública destinada a isso e com envolvimento e levando no bojo o nome Cultura. Precisamos urgentemente de CULTURA.

Adoraria viver num mundo em plena paz, onde pudéssemos nos compreender e entender um ao outro, mas cada vez menos está sendo possível. Eu não vivo fingindo estar tudo bem, pois sei que nada está bem. Não dá para florear as coisas e tratar de temas sendo que ao meu lado o couro come. Daí, acho bom a gente tentar fazer as coisas para e pela paz, mas com os olhos bem abertos e sintonizados da existência de uma luta bem ao nosso lado, já nos chamuscando a roupa. Paz, paz, paz e o grandão continua humilhando e sacrificando o pequeno, o poderoso pisando no fraco, as decisões sendo tomadas de cima pra baixo, o capiroto ainda solto e aprontando das suas, o isolamento social sendo ignorado em plena pandemia, enfim, cansei de tapar o sol com a peneira.

"Si vis pacem, para bellum", ditado em latim diz algo disso tudo: se quer paz, prepare-se para a guerra (geralmente interpretado como querendo dizer paz através da força — uma sociedade forte sendo menos apta a ser atacada por inimigos). A frase é atribuída ao autor romano do quarto ou quinto século, Flávio Vegécio. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, ou seja, não sejamos simplistas. Louvar a paz e fingir que está tudo bem é uma merda e o contrário idem, pois almejamos a paz, mas antes dela se fazer presente, se faz necessário cumprir certas etapas e dentre elas, talvez algumas guerras. Ou não? Escrevo isso tudo e penso na atual gestão municipal e, consequentemente, da Cultura e me pergunto: falta algo mais dentro da programação do que vejo em curso lá pelos lados do pessoal pensante e pulsante atuando nas hostes culturais. Sei existirem muitos querendo botar os bofes pra fora e não ficar só nesse lero-lero, pelo que vejo não irão caminhar nem um passo. Vamos começar a andar? Pra quando? Amanhã já é tarde demais. Desculpe, mas nesse momento, enxergo isso tudo como jogada de crente, onde falam de paz mas com arminha na cabeça, fazendo o sinal característico conhecido de todos nós. Tem uma máquina de propaganda por detrás disso tudo e se deixar, ela nos engole.

SAIBAM DE ANTEMÃO, BAURU NÃO TERÁ HOSPITAL DE CAMPANHA, MAS TUDO JÁ FOI DEVIDAMENTE ACOMODADO E RESOLVIDO - PROPOSTA DE APENAS QUATRO VAGAS
Até para não ficar feio por demais e o mentor da esdrúxula ideia não cair totalmente no ridículo, o vereador Eduardo Borgo e outro que o segue de longe, sem se sujar de todo, o coronel Meira, estão agora satisfeitos com a saída honrosa conseguida de não terem conseguido no prazo de sete dias, decisão judicial, Hospital de Campanha totalmente bancado pela União, diga-se desGoverno Federal, agora estão divulgando como vitória terem conseguido - e ainda não implantando, diga-se de passagem - quatro leitos de UTI Covid. Ou seja, vejam se entendi direito, exigiam um hospital inteiro em sete dias e no quinto recebem a resposta, a PROPOSTA de quatro leitos e fazem escarcéu do feito. Só mesmo rindo.

Já escrevi aqui e volto a repetir. Fosse com João Dória, o governador não se dariam por satisfeitos e estariam neste momento fazendo um escarcéu dos diabos, movendo céu e terra, falando horrores pela Velha Klan, programa 360º da 96 Fm e também pelas vozes do Zeca Diabo, do SinComércio, mas como a decisão é do capiroto, o mentor de ambos, Bolsonaro, nem podem gritar alto e falar grosso. Se dão por contentes e agora tentam enfiar goela abaixo da população bauruense ter sido tudo uma retumbante vitória. 
Quatro leitos e ainda como PROPOSTA. Dou muita risada, mesmo ciente de que a coisa é mais do que séria, pois se as vagas Covid diminuíram, as demais continuam com filas enormes. Bauru está se tornando a Terra da Piada Pronta. Entendam algo, as vagas propostas pela União são exclusivas para Covid, mas estas não são mais necessárias, pois a rede pública já está dando conta do riscado e se vier mesmo as tais quatro, seriam para UTI Covid e não para a necessidade da cidade no momento, a para outras especialidades, o motivo das filas.

O bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, BAURU SEM TOMATE É MIXTO, como já é sabido, tem motivo de sobra para produzir enredos múltiplos e variados nesta cidade, dita e vista como sem limites, mas cada dia mais se especializando na temática surreal da PIADA PRONTA. Essa só mais uma delas, balde cheio para proposituras e marchinhas...

DA PARADEIRA CULTURAL PATROCINADA PELO PODER PÚBLICO MUNICIPAL
Diante da paradeira generalizada, tudo tendo como culpa a tal da pandemia, que tudo emperra, segura, atravanca, adia e impede de acontecer, eis um algo mais muito sentido pelos bauruenses, o fim do Projeto Ferrovia para Todos, cuja atividade era das mais auspiciosas na cidade, capitaneada por gente como este guerreiro da foto, o servido público municipal, entendido em trens como poucos, Alex Sanchez, que já foi de tudo por lá, desde maquinista da composição da Maria Fumaça, artífice, limpador de caldeira, como também diretor de divisão, mas hoje, deve estar muito entristecido, pois diante da nova realidade e administração, não se vê sendo movido uma palha para devolver a movimentação, antes tão pujante, deste projeto de real significativo para Bauru. É pra chorar!

Eis o link para leitura de algo mais sobre o trabalho de Alex Sanchez: https://www.facebook.com/photo?fbid=659642304065782&set=a.233149883381695 


PELEZINHO E AS RUAS DE BAURU – NOSSO MAIS IMPORTANTE “LADO B”*
* Finalizo um livro sobre algo sobre o motivo principal de minha escrita, o LADO B e, creio ter encontrado o personagem principal, abrindo o livro, daí procuro fatos e fotos dele. Aqui mais duas que irei juntando para formatar a apresentação do que estou escrevendo. Peço ajuda para quem tiver algo mais, favor me enviar:

HISTÓRIA 1 - Em 12 de agosto de 2012 publiquei em meu falecido Blog do Garoeiro, do Jeferson Barbosa da Silva, um belo artigo de Zarcillo Barbosa sobre a Última Hora. Veja o trecho em que ele escreveu sobre o Pelezinho:

"No dia 15 de abril de 1964, pouco antes do horário de fechamento da redação, às 22 horas, o “comando de caçadores de comunistas” invadiu a sucursal de Bauru. Só havia o jornalista Laudze Menezes e o fotógrafo Celestino Distefano no plantão. Ambos já falecidos. A ação da FAC foi planejada como um assalto militar de surpresa. Saltaram de um caminhão, encapuzados e armados com machadinhas e revólveres. Enfiaram sacos de aniagem na cabeça dos jornalistas, amarraram os dois e os trancafiaram no laboratório fotográfico. Enquanto isso depredaram as instalações e máquinas de escrever a machadadas, fugindo em seguida no mesmo caminhão.
Avisado pelo motorista de táxi que prestava serviços à redação, cheguei logo depois. Morava bem perto. Cerrei as portas. Descobri o telefone em meio a bagunça e chamei a polícia. Levaram mais de uma hora para vencer a distância de três quarteirões que separavam a redação da Delegacia de Polícia. Alegaram que não achavam a chave de ignição da viatura.
O mais indignado era “Pelezinho”, um negro cambaio que pintava quadros e era figura muito popular pelo seu ódio à Polícia.
Ele gritava em frente a redação: “Eu sou comunista. Venham me prender”. “Eu sei quem foi”. Foi a única prisão efetuada. Deu trabalho. Quase arrancou pedaço da mão de um PM com uma mordida.
Meses depois Pelezinho sumiu. Disseram que foi morto por policiais e enterrado em cova clandestina".

HISTÓRIA 2 – Esse relato está no livro “Tipos Populares de Bauru”, do jornalista Correia das Neves, 1971 e dentre os tantos tipos descritos por ele, circulando pela Bauru daqueles tempos, eis algo sobre Pelezinho:

“Leonel Batista, o Pelézinho, é um preto corcunda, moço e muito dado a gracejos. É natural de Bauru. Tem um defeito na espinha: ora, anda arcado para a frente; ora, anda arcado para trás. Conta-se que um médico da cidade propôs para lhe consertar o defeito físico, porém teria que ele que ficar muito tempo imobilizado, deitado no leito, com um colete de gesso. Recusou a oferta, alegando que não podia ficar muito tempo em tão incômoda posição.

Gosta de cantar sambinhas, esforçando-se por imitar o Nelson Gonçalves. Gosta também de pintura. De tempos em tempos, faz, nas calçadas das residências do centro da cidade, exposições de seus quadros. Não pinta bem, mas pinta...
Houve um tempo em que um dos seus divertimentos era assustar moças nas vias públicas, imitando o latido de um cão.
Agora, escolheu uma profissão: vendedor de bilhetes de loteria. E, assim, vai vivendo esse interessante tipo popular de Bauru”.

OUTRA LEITURA – Vale muito a pena a leitura do texto acadêmico “EXCLUSÃO E NEGRITUDE EM BAURU: LEMBRANÇAS DE PELEZINHO”, dos professores Fábio Paride Pallotta e William Henrique dos Reis Carneiro, onde no resumo inicial do artigo: “Na década de 1970, a cidade de Bauru vivia das aparências e propagandas do regime militar instituído pelo Golpe Civil Militar de 1964. Sob a aparente calma institucional e normalidade social, a cidade também vivia sob a “tolerância racial” com a população negra representada na “aceitação” de um personagem urbano: Pelezinho. Negro, com problemas de locomoção, provavelmente sequelas de uma paralisia infantil, corcunda, um “Quasímodo” bauruense. Alegre, entregador de jornais, travestido nos carnavais, mas na verdade um excluído social, aceito na sua negritude devido a aparente alegria e aceitação da sua condição. Sem mais nem menos desaparece Pelezinho. Devemos conhece-lo para conhecer as condições de negritude e exclusão social na década de 1970, em Bauru”. Para ler o trabalho na íntegra acessem: https://unisagrado.edu.br/.../Exclusao_e_negritude_em...

OBS.: As charges aqui postadas foram retiradas do trabalho acadêmico aqui citado e representam dois famosos personagens, Leleco e Alarico, da coluna O Papo do Dia, do Diário de Bauru, quando na charge de apresentação, ao fundo a imagem do corcunda Pelezinho, transitando pela rua Primeiro de Agosto. A charge é de Aucione Torres e está inserida em seu livro, Chargeando, 1980.