sexta-feira, 27 de agosto de 2021

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (140)


ALGO MUITO ESTRANHO PAIRANDO NO AR BAURUENSE - SERÁ QUE "ELE" NÃO VEM MESMO?
Nada me tira da cabeça que está em curso algo desdizendo o apregoado de que o capiroto não vai estar amanhã em Bauru. A movimentação dos bastidores está causando estupor, pois deputados estão pra cá se deslocando, já no dia de hoje, não só paulistas, como gente de projeção nacional no quesito fundamentalismo genocida. O exemplo maior é o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, já com agenda na cidade na tarde de hoje. Estava em curso uma manifestação na Praça Portugal, de protesto a aberração da cavalgada, não ela em si, mas o que representa e na noite de ontem, seus idealizadores a desmarcaram diante do anúncio da não vinda do Senhor Inominável, que segundo fontes, teria agenda definida para a manhã de sábado em Goiânia. Porém, algo de muito estranho está em curso na cidade e já se percebe que, a tal da cavalgada não será uma simples manifestação de ruralistas, do agro negócio e dos seus muares. Tem algo mais em curso, uma ligação umbilical como o Ato golpista e conspiratório marcado para o dia 7 de setembro. Não me espantará em nada se amanhã cedo, formos surpreendidos com a chegada nada inesperada do próprio gran vizir para comandar a aberração golpista. Quem passar pela região do Recinto Mello Moraes no dia de hoje pode se certificar do que aqui escrevo. Existe uma movimentação muito além de uma mera manifestação regional e tem gente querendo passar a perna nos que iriam lá protestar. Creio haver uma trama muito da safada em curso. A verificar...


RACHADURAS E CONTRADIÇÕES BAURUENSES
Bauru é uma cidade “rachada” por natureza e não é de hoje. Hoje mesmo existe um racha no quesito vinda do capiroto na cidade pra participar de inaudita cavalgada, onde forças conservadoras tentam golpear o país e promover não só um golpe, mas tornar o país bolsonarista de cabo a rabo, passando por cima de instituições e tudo o mais. Bauru, novamente no epicentro de atos dantescos a lhe envergonhar dos pés à cabeça. Mesmo com Bolsonaro tendo já aprontado de tudo, deslizes mais do que motivadores para já estar em cana, continua tendo cego apoio e assim divide opiniões. Um estabelecido “racha”. Este um deles, outros também em evidência no momento. Cito dois, um em curso e outro dito, mas nunca provado, pois inexistente.

Dias atrás em manchetes no único jornal da cidade, a pauta principal depois espalhada pelos outros meios de comunicação, o prédio da Câmara Municipal de Bauru, ali na praça D. Pedro aparece com vários gabinetes de vereadores com paredes com enormes rachaduras, de baixo até em cima, evidenciando algo preocupante na edificação. Alguém aventa a possibilidade de interdição até o presente momento? Nada disso, talvez mais um remendo e tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. O que talvez ocorra será voltar à baila o assunto da construção de novíssima edificação, com projeto já pronto, lá na distante Nações Norte, muito distante do acesso popular e com previsão de gastos inimagináveis. Isso me faz lembrar que já poderia estar atuando no prédio da Estação da NOB, lá na praça Machado de Mello, num andar inteiro só para eles e com todo o conforto deste mundo. Recusaram, pois a preferência sempre é para construção de algo novo.

Já que citei a Estação da NOB, sigo escrevendo dela. Ela, como se sabe é uma edificação dos anos 30, inaugurada pelo então presidente, Getúlio Vargas e levantada para aguentar o tranco, ou seja, atritos de forte intensidade, como o de trens trepidando tudo no seu entorno. Desde então, nenhuma rachadura apareceu em sua estrutura, evidenciando ser ela mais do que segura, mas por uma mera questão política, foi interditada e hoje está entregue às moscas. Sem rachadura, mas sem força política que garante sua recuperação e devolução para utilidade.

São os dois lados da mesma moeda. Enquanto um prédio se mostra ruindo e funcionando, esse outro, sem nenhum trinco, foi lacrado e está mofando a céu aberto. São as tais vergonhas explícitas desta terra varonil, dita e vista como Sem Limites. Vá entender uma coisa dessas. Eu entendo e muito bem, sei o que se passa na mente dos que promovem nestas plagas os grandes projetos, todos de altíssimos valores, porém, a cada dia, menos valorizados, desprestígio total e absoluto para a importância do que nos resta de patrimônio histórico e cultural em bens materiais. Portanto, o “racha” de Bauru tem seu buraco muito mais embaixo...


NÃO É TODO DIA QUE ALGUÉM COMPLETA 80 ANOS - NEY E ESSO, HERÓIS DA RESISTÊNCIA
Estes dois tem muita coisa em comum e a maior proximidade não vem pelo homossexualismo assumido, em ambos os casos, desde muito tempo, diria mesmo, adolescência. Corajosos, arrojados, intrépidos e inovadores, despojados e abnegados, persistentes. Olha quanta coisa encontro para justificar e enaltecer esses dois oitentões, NEY MATOGROSSO e ESSO MACIEL.

"A importância de Ney Matogrosso para o Brasil vai além da qualidade de suas músicas. Foi no auge dos "anos de chumbo", o período mais repressivo da ditadura militar, que ele surgiu na cena artística. Com sua voz marcante, fez de seu corpo e sexualidade objetos de luta, sendo porta-voz de uma geração que precisava ir contra o sistema e experimentar a liberdade", encontro sobre o Ney num dos sites o homenageando pelo aniversário redondo, comemorado dia 01/08. Ele foi e é grande. Já do nosso Esso, escrevi tanta coisa e não me canso de fazê-lo, até porque sei de sua coragem em ser o que é, resistir e persistir. Mudaria quase nada do citado do Ney quando para o Esso.

Ambos envelheceram e estão aí, na crista da onda, cada um ao seu modo e jeito. Ney lançando um EP, sucessos novos e com planos de continuar alçando voo pela aí. Esso continua sua sina lá pelos lados da vila Falcão e aos 80, conta sempre com amigos mais próximos que o auxiliam em algumas coisas mais pedregosas e embaraçadas. Cortaram a luz de sua casa, ele ficou às escuras por uns dias, mas se juntaram e tudo foi reestabelecido, devolvendo a tranquilidade que precisa para tocar sua vida, a sua e a de seus cães. É o que quer fazer e em paz, tranquilidade. Ele tenta, nem sempre consegue a contento, mas segue adiante.

Olho para trás na vida de ambos e me admiro de como conseguiram chegar até aqui tão altivos, resolutos e senhores de si. Quis juntá-los, pois gosto de ambos e, inevitável, aos 80 sendo, fazendo e acontecendo. Olho para eles, revejo algo do que já fizeram, dos envolvimentos de uma vida inteira e me pergunto para mim mesmo: Terei condições de ao menos chegar nessa idade com a altivez de ambos? Vou tentando, mas as adversidades são tantas e as principais são os percalços de saúde e agora, esse capirotismo deste país, que nos tira a calma, tranquilidade e nos faz ferver mais do que deveríamos depois de certa idade.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (147)


SABE QUEM TEM TUDO PARA AGORA COMANDAR A CAVALGADA BAURUENSE?
Sim, ela mesmo, a indefectível e novíssima (sic) incomPrefeita Suéllen Rosim e com a desistência do Senhor Inominável de comparecer em evento na cidade, passou a faixa da comitiva familiar para sua mais nobre representante em todo o interior paulista, tão fundamentalista e negacionista quanto. Quem faz uma interessante alusão a essa passagem de bastão é Guardião, o super-herói bauruense, sempre atento a tudo o que ocorre nas hostes governamentais destas cidades e seus bastidores mais ocultos. “A prefeita deu o seu jeito para facilitar que o recinto Mello Moraes, que é propriedade da Prefeitura se transformasse no QG da Cavalgada, não dificultando em nada sua liberação, daí, agora que ocorre um probleminha de percurso, com o staff lá de Brasília anunciando que a agenda em Bauru nunca foi marcada, ou melhor, nunca existiu, já que o balão de ensaio foi lançado, nada melhor do que ela em pessoa comparecer lá na manhã deste próximo sábado, 28/08 e comandar a tropa, ou melhor, a trapalhada”, diz Guardião.

A prefeita é useira e vezeira em meter os pés pelas mãos e agora, diante de mais este pequeno imbróglio em seu percurso, diria mesmo, uma pedra no caminho, para não decepcionar sua imensa legião de aficionados seguidores, deveria vir a público e de forma contundente reafirmar seu compromisso com o mundo surreal onde vive. “Nos bastidores do evento, quer se queira confirmar ou se fingir de nada tenho com isso, a batata quente está agora em seu colo. Todo o aparato foi montado e a turba vai ficar um tanto descontente, desalentada e desorientada se ninguém for lá comandar a descida dos cavalos pelo asfalto quente do percurso do Mello Moraes até a Praça Portugal, daí, só mesmo ela para com cachos esvoaçantes e ao vento, maquiagem nos trinques, sorriso de orelha a orelha, estar à frente do Exército de Brancaleone, ou seja, tudo com a cara e a imagem dessa inoperante administração”.

Disse mais, nosso intrépido super-herói: “A cidade, como se vê está um caos, tudo de pernas para o ar. O dinheiro lá para terminar o tratamento de esgoto, quase em vias de ser devolvido sem que se consiga concluir a obra, a Estação da NOB, que já deveria estar funcionando em algo viável para Educação e revitalização do centro velho da cidade, agora interditada e projeto da administração passada, até com verba disponibilizada, tudo engavetado. Uma pista de skate sendo entregue com rachaduras na estrutura, antes mesmo de ser colocada à disposição da população, um teatro sem ar condicionado e mesmo tudo tendo sido paralisado há mais de um ano, tempo mais que suficiente para ter promovido a recuperação, a Emdurb devendo as calças, a cidade toda suja, buracos e um viaduto escorado em paus, os Ecopontos todos com lixo fora de seus domínios, na calçada e ela prontinha pra recepcionar o capiroto, seu mentor, daí ele fura, não confirma e ela fica com o sorvete derretendo nas mãos. Precisam avisá-la que desta feita não vai dar pra se fingir de morta. Terá que assumir o papel de comandante in chefe da operação de guerra, sim, pois o que ocorreria em Bauru é mais um capítulo do golpe sendo tramado e urdido desde Brasília, contra as instituições que ainda atuam, contra o país que quer se rebelar contra os malversadores de agora e estes, os perversos no poder fazem de tudo e mais um pouco, apostam no quanto pior melhor, para virar este país do avesso e continuar a sua destruição. A prefeita está inserida neste contexto e sua imagem à frente do que ainda resta dessa cavalgada é a de uma Bauru, nefasta e decrépita, insistindo em nos envergonhar a cada novo dia. Ela continua enganando só os que ainda conseguem aplaudi-la nas lives sem pé nem cabeça, totalmente o oposto do que a cidade precisa para resolver seus problemas”. Sábado só mais um capítulo da destruição da boa imagem da cidade.

OBS.: Guardião é obra do genial traço do artista Leandro Gonçalez, com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA.

UMA HISTÓRIA DE RESISTÊNCIA BAURUENSE
SEBO DO BAU, DO ROBERTO SEGUIRÁ ABERTO COM O LEMA “RESISTIR É PRECISO”
Diante de informação recebida de que o famoso Sebo do Bau estaria com os dias contados e que o proprietário estaria pedindo o ponto, fui conferir pessoalmente a situação do tradicional ponto de livros do centro da cidade de Bauru. Passo ontem pela manhã e algo me causa estranheza, a loja estava fechada. Eram exatamente 11h da manhã. Aquilo me chateou bastante e ao retornar ao centro no final do dia, por volta das 17h, eis que me deparo com tudo aberto e os livros expostos na calçada, muitos mais do que antes.

Estaciono e vou fuçar algo, enfim “livrar” é viver e constato isso na conversa com o Roberto Bau, o proprietário do estabelecimento.
Ele agora está sozinho na loja, pois alguns meses atrás perdeu a esposa, essa acometida pela covid e já havia perdido a irmã, que o ajudava no balcão, pelo mesmo motivo. Foi um baque em sua vida e depois da ida da esposa, fechou tudo e por duas semanas se trancou em casa até decidir o que iria fazer da vida dali por diante. Tomou a decisão de reabrir e o fez seguindo outros protocolos. A vida estava agora girando somente em torno dele e sem elas, uma parte da bússola há ido embora. Como as despesas estavam aumentando, foi em busca de outra fonte de renda e a encontrou colocando seu veículo para rodar e trabalhando de Uber nas madrugadas bauruenses. Ele sondou e descobriu que o melhor horário seria o noturno e assim poderia conciliar com o sebo aberto. Agora seu horário é este: o sebo só abre depois do meio dia, pois de manhã dorme e trabalha de Uber das 18h em diante até bem de madrugada. Embola tudo, até para não ter muito tempo de ficar pensando em coisas ruins e diz ter dado certo.

Roberto é um batalhador. Alguns anos atrás perdeu o pai, seu João Francisco Bau, este com mais de 90 anos, baluarte dos sebos bauruenses, depois veio o problema com o irmão, Antonio Sergio, que já teve também um sebo na mesma rua do seu, na Treze de Maio, só que defronte o antigo Cine Bauru, duas quadras acima da avenida Rodrigues Alves. O irmão caiu nas drogas e se perdeu. Hoje está se recuperando e aos cuidados, dele, de sua irmã e de uma prima, todas o mantendo numa pensão e sob marcação cerrada. Tem dado certo e isso ela estampa sorrindo, pois diz ser essa uma espécie de missão, a de devolver seu irmão à normalidade, longe das bebidas e das drogas. A esposa deste foi para Minas Gerais junto da filha e estão também tentando reconstruir a vida por lá, até algo possa ser feito lá na frente, quando tudo estiver normalizado.

Ele vive hoje cada dia como algo renovador. O sebo está um tanto entulhado de livros, pois não tem mais o tempo necessário para a dedicação que o mesmo precisa, mas continua de vento em popa. Diz ter pensado muito em parar, mas não o fará e já conversou com o proprietário da casa, seguindo em frente, agora cheio de promoções e sempre aberto para ir vendendo o estoque, pois tem dois andares só de livros, LPs e CDs, muitas raridades e não quer se afastar de algo que movimentou sua vida até agora, não vendo motivo para tentar fazer algo diferente. Ele agora, tira diariamente uma quantidade grande de livros e os coloca na calçada, todos empilhados e por ali permanece, fazendo de tudo, atendendo, selecionando, conversando e passando seu tempo.

Essa disposição do abnegado Roberto é algo encantador, pois sempre foi um batalhador no que faz. Quando o pai faleceu, consegui juntar forças, fez uma promoção maluca de vender tudo a R$ 2 reais cada e movimentou a parte dos amigos do velho Bau. O que restou trouxe para sua loja e segue em frente, agora com sua vida voltada para o filho, que mora em outra cidade, cuidar do irmão, envolvido com a nova fase de uberista e com o sebo, pois além de permanecer com as portas abertas por mais de cinco horas, atende também os pedidos via reembolso, Mercado Livre e estante Virtual. Sobra tempo pra mais nada e diz que assim está bom demais, pois enquanto tiver forças, vai seguir adiante, com seu tradicional ponto de livros, no cruzamento da Treze de Maio com a Rodrigues Alves. Para quem puder passar lá ele diz que “a pessoa que quer levar um livro acaba levando, pois estou aberto para conversa e por fim, negociamos até ele sair com o livro debaixo do braço”. Roberto e o Sebo do Bau resistem, para felicidade geral dos amantes de leituras e livros.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (194)


DISCUSSÃO DE ALTO CALIBRE ENTRE BOLSOMÍNIONS BAURUENSES POR CAUSA DA CAVALGADA – POR POUCO NÃO SOBROU SOPAPOS, AGRESSÕES E TIROS ENTRE AS PARTES
A coisa foi feia e conto em detalhes, tudo tim tim por tim tim, sem perder um só diálogo.

Os fazendeiros da região marcaram uma reunião dias atrás e estavam tramando na surdina os detalhes de como seria a recepção pro Bolsonaro na cidade. Vieram vários, de várias procedências e calibres, alguns mais engalanados, outros menos. Todos reunidos e tomando as decisões, pois de algo tinham certeza, estavam ali para que tudo ocorresse dentro dos conformes, não podiam perder a oportunidade de se mostrar eficientes para o gran vizir. Tinha até cerveja gelada para tornar a conversa mais apetitosa. Foi quando surgiu um tema espinhoso e começou uma discussão, dessas quase terminando em briga feia:

- Eu na qualidade do maior proprietário rural desta cidade e região, quero ter o prazer de oferecer o cavalo no qual o nosso ilustre presidente vai participar da cavalgada – disse o mais virulento.

- Meu caro, o senhor poder ser tudo isso, reconhecemos, mas veja bem, o meu cavalo é de notório cabedal, tendo já participado de muitas experimentações, algumas até no estrangeiro e poderia nos representar melhor – disse outro, quase do mesmo calibre.

- Nada disso, o de vocês podem ser tudo isso, mas no momento só se fala da raça de cavalos que, justamente eu, tenho alguns dos melhores exemplares no meu haras e daí, seria um fiasco ele não desfilar com o dessa linhagem – ressaltou outro.

- Meus amigos, todos nós gostaríamos de fazer esse mimo para o presidente, mas eu além de tudo, preparei tudo, já pensei nos detalhes, entalhei algo para ele sentar com o brasão verde-amarelo bem ressaltado e só no meu cavalo ele serve – disse outro.

- Podem falar o que quiserem, mas vocês pelo visto não pegaram o espírito da coisa e para algo assim, visto pelo país e mundo inteiro se faz necessário um puro sangue e eu posso neste momento, fazer isso pelo bem da nação – tenta outro.

- Para evento dessa natureza, vocês estão querendo que nosso mito suba em pangarés e só eu tenho algo condizente com tamanha importância. Nenhum dos senhores está em condições de competir com o meu campeoníssimo - disse um dos grandões da região, cercado de seguranças.

O fato é que mais uns seis tentaram desdizer dos demais cavalos e estavam pleiteando ser o de sua propriedade o que carregaria o capiroto na sua passagem por Bauru na manhã de sábado, 28/08. A partir daí, começou uma discussão dos diabos, onde até garrafas foram quebradas e a solução estava bem longe de ser definida. Teve um que até sacou de arma de fogo e estava prestes a atirar para o alto, quando um gaiato lá do fundo, deu o tom para resolver a questão:

- Calma gente, acabo de ouvir no rádio que o presidente, alegou uns probleminhas e não vai mais poder comparecer no nosso ato cívico.

Foi um alívio geral. Diante de fato incontestável, foi um tal de um ligar pra suas fontes, pois queriam ter a certeza da desistência. Pelo visto tiveram, pois em questão de minutos, os ânimos arrefeceram e todos voltaram a conversar como dantes, não sem cada qual dizer em alto e bom som ter sido mesmo uma pena ele não ter podido colocar os pés na cidade, pois o seu cavalo estaria à altura para tão bem representar Bauru junto ao mundo. E assim, por pouco, foi evitado uma briga de enormes proporções e com danos de inolvidável monta para a conjuntura das tais “forças vivas” das plagas bauruenses. Por fim, o lema, “tem males que vem para o bem” nunca ocorreu de forma tão precisa como neste momento.

OBS.: Essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência, mas existem divergências e alguns afirmam de pé junto, ter tudo ocorrido como aqui relatado. Fica o dito pelo não dito e quem souber de algo mais, aproveite o momento para me ajudar na divulgação dos bastidores das altas rodas da sociedade local. Enfim, as minhas fontes não mentem, elas só aumentam as coisas, mas só de vez em quando.

PASSEIO DO SEU PAVAN PELAS RUAS DO CENTRO BAURUENSE MERECE MAIS DO QUE ATENÇÃO E CUIDADOS – ELE REPRESENTA O ESFORÇO DOS QUE AMAM A RUA E DELA NÃO QUEREM SE AFASTAR POR NADA NESTE MUNDO
Qualquer passeio meu hoje pela cidade, como o fiz nesta manhã, de dentro do carro e a observar o centro velho da aldeia bauruense é recheado de belas surpresas. Tive várias hoje pela manhã. Algumas indescritíveis e muito tristes, como a de cada dia que passo diante da fila que se forma diante do Bom Prato, a vejo só aumentando, hoje quase se encontrando uma com a outra, dando volta no quarteirão, quando formadas uma de cada lado e pelo tanto de gente, se misturando lá na rua Ezequiel. Não existe melhor medidor do momento atual passado do que este termômetro. Num outro momento, vi de longe um senhor, que conheci logo que bati os olhos. Ele vinha muito devagar, saindo ali da praça Rui Barbosa e descendo a rua Primeiro de Agosto. Seu passo é quase arrastado, mas vinha resoluto, decidido e impetuoso, num caminhar conhecido e que, pelo visto, mesmo com todo esforço, realizava com muito prazer e contentamento.

Era seu PAVAN, o antigo dono da mais famosa loja de carimbos da cidade, a Carimbos Pavan, que por muitas décadas dominou o mercado de carimbos na cidade. Ele se aposentou, perdeu a esposa, os filhos os levaram para uma morada num apartamento lá perto do Camélias e vez ou outra, mesmo com todo o peso dos anos nos costados, consegue uma espécie de alvará, salvo conduto para circular pelas ruas, que tanto gosta e conhece. Seu Pavan, eu sei, é desses, como eu, que não consegue ficar encalacrado dentro de quatro paredes por muito tempo. Existe dentro da gente um bichinho a nos remoer por dentro e daí, só mesmo ver de perto a rua para parar a agitação interna. Ele deve encher muito os seus, principalmente a filha e ela, mesmo com todas as restrições acaba permitindo que ele faça mais um dos seus gostos na vida, o de rever o centro bauruense.

Hoje ele o fez e quando o via, procurei um lugar para estacionar o carro e ali fiquei, esperando ele chegar. Parei quase cem metros adiante dele e posicionei a máquina fotográfica. Ele veio bem devagarinho, trote lento, parava de vez em quando. Demorou bem um quinze minutos num só quarteirão, mas chegou e tirei as fotos aqui publicadas. É mais do que lindo a cena. Num certo momento sua máscara ameaçava cair do seu rosto e alguém percebendo a situação se aproximou e pediu se podia recolocá-la no lugar. Numa das esquinas – e isso deve ter se repetido em todas as outras -, ele vem e atravessa a rua, quando, em todas, alguém se aproxima e interrompe o trânsito. Para tudo, nenhuma reclamação e ele atravessa e segue em frente. Eu sei onde é o seu porto seguro. O lugar onde ele vai se sentar, prosear com um velho amigo e ali descansar até que alguém de sua família o venha resgatar.

Faço tudo o que tinha que fazer na cidade e na volta, mais de uma hora depois, o vejo chegando no bar, ali na Ezequiel, ao lado da agência do banco Itaú. Parou o trânsito para atravessar a rua na esquina e o amigo o esperava na porta. O levou para dentro, deve ter-lhe dado uma água e sentaram para um pouco de prosa. O velho Pavan é desses que, conseguem parar o trânsito da cidade sem causar embaraços. Ele faz parte da arquitetura do centro velho da cidade, conhecido por todos os antigos e alguns do novos comerciantes. Vê-lo ainda com uma disposição de ferro, dessas inquebrantáveis é a certeza de que, a vida vale mesmo a pena e devemos insistir em fazer o que gostamos até o último instante, mesmo existindo dores e impedimentos, dificuldades e obstáculos.

Nada deve nos impedir de ser, fazer e acontecer. Seu Pavan me faz viajar sem tirar os pés do chão. Sua viagem da praça Rui Barbosa, de onde o vi, até o bar do amigo, demorou mais de uma hora e quando lá chegou, tenho a mais absoluta certeza, ele era o homem mais feliz do mundo.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

FRASES DE LIVRO LIDO (168)


AS FIGURINHAS CARIMBADAS DE SEMPRE EM AÇÃO


BAURU CIDADE SITIADA, MAS TEM QUEM TENTE AO MENOS AGIR FUGINDO DO TRIVIAL
O conservadorismo pulsa e se aproveita do momento para continuar colando o bloco na rua. Nem são tantos assim, mas quando falam, agem, por estarem com os mesmos interesses da classe dominante, a dos tais Donos do Poder, tudo parece ter ampliação. Ele só são donos ou no mínimo estão mancomunados com quem detém os meios nas mãos, principalmente neste caso, também das comunicações. Agora mesmo, se aproveitando do momento onde a classe trabalhadora tenta em primeiro lugar sobreviver, depois se ainda houver disposição e tempo, irão pensar em formas de reagir ao baú de maldades despejado sob suas cabeças. Reagir mesmo é para poucos, mas algo mais do que necessário neste e em todos os dias.

Bauru não é o que tenta nos passar esse pessoal do SinComércio, não é a linha de pensamento fundamentalista expressada pela atual administração, nem a do que se ouve nas rádios locais, principalmente a indefectível Jovem Pan, ops, digo, Velha Klan e também as duas outras FMs, 94 e 96. Bauru não é também o está expresso na linha editorial do seu hoje único jornal impresso, o Jornal da Cidade. Também não é o que apregoa como ideário a Associação Comercial e Industrial e clubes de representação patronal, muito menos a linha de pensamento de igrejas variadas e múltiplas, desde as neopentecostais até as de maçons. Existe uma outra Bauru, pulsando e numa outra vertente. Essa Bauru precisa explodir, botar a boca no mundo, conseguir sair do sufocamento e gritar, expressar seus sentimentos e demonstrar sua força.

Vivemos numa cidade sitiada, ocupada pelas forças do mal, a que nos fazem crer que agem pelo nosso bem, em nosso nome e assim o fazem como única alternativa. Isso já cansou. Essas forças todas aqui citadas são fortes, possuem meios de continuar nos engambelando, mas precisam ser contidas. Não dá mais para tocar a vida com uma condução indicando um caminho que nos leva para o buraco. Se a Câmara dos Vereadores não tem interesse em propor algo diferente para a cidade, se a administração municipal já comprovou estar a serviço do momento fundamentalista da nação, se as forças vivas continuam cegas e só pensando em seus botões, se nem mesmo as entidades que poderiam se aliar na luta dos trabalhadores e na luta de libertação popular, algo precisa brotar de outro lugar e vicejar, pulsar e ser o fio condutor para uma transformação, mais do que necessária.

Existe uma cidade clamando por isso, louca para se libertar, mas não está encontrando o que seguir, daí, algo neste sentido precisa ser demonstrado, insistido e a partir daí, ir conquistando essa massa ainda inerte, fragilizada, judiada, mas ainda sem se envolver na luta, que é a do seu florescer. O momento é para nas ruas fazer surgir esse momento, de resistência e de renascimento. Longe dos embates isso não ocorrerá. Essa semana é vital para isso, pois em alguns dias a cidade receberá o que mais insano existe neste país, seu atual presidente e com ele o séquito do mal. Que a reação comece já, numa demonstração de força brotando do nada e se apresentando como alternativa para a perversidade do momento.

Não é só o Afeganistão que está sitiado pelos talebans. Nós também estamos e por algo tão ou até mais cruel que eles. Esses nos enganam e nos oprimem há décadas. Incessante trabalho de modelar mentes ao seu modo e jeito. Conduzem Bauru e o país como mero gado a caminho do matadouro. Isso tudo me faz lembrar de um livro de Clarice Lispector, "A Cidade Sitiada". Como escapar deste conceito, dessa amarração, desse laço que nos oprime e não nos deixa respirar? Ou essa contida Bauru, representando a maioria de sua população desfaz esse nó no pescoço e passa a agir por conta própria ou continuaremos atrelados aos interesses de quem nos crava a estaca.

"O livro A cidade sitiada é ambientado no subúrbio de São Geraldo, durante a década de 1920, e é neste lugar pouco atraente que vive Lucrécia Neves, uma jovem simplória que apenas vê a vida passar. (...) Cercada por seu contexto e cheia de angústias que não sabe como expressar, Lucrécia está sitiada dentro de si, sem perspectiva alguma de mudança. A comparação com Macabéa é, mais uma vez, inevitável: ambas encontram um fio de esperança para suas vidas monótonas – a revelação da cartomante à Macabéa e o casamento com Mateus –, mas, assim como Macabéa encontra seu fim trágico, Lucrécia vê seu sonho frustrado e entende que sua vida continuará sem sentido", texto do Instituto Ling, 2020. Num trecho do livro algo da angústia dos que precisam se libertar, mas encontram poucos meios, saídas: “Mas enquanto mantinha o rosto sufocado, e toda a sala que ela não via girava tonta, a moça parecia descobrir que não era de tristeza que gritara. É que não podia suportar aquela muda existência que estava sempre acima dela, a sala, a cidade, o alto grau a que chegavam as coisas sobre a prateleira, o passarinho seco prestes a voar empalhado pela casa, a altura da torre da usina, tanto intolerável equilíbrio – que só um cavalo sabia exprimir em cólera sobre as patas.”. Enfim, a libertação não é nada fácil...

RESISTIR NAS RUAS E LUTAS
Concentração contra a cavalgada do capiroto será sábado, 28/8, 10h, na Praça Portugal.
Vamos não só marcar presença, mas demonstrar bem claro o REPÚDIO do bauruense ao destruidor do Brasil.
Vamos juntos?
HPA

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (173)


A SITUAÇÃO NÃO ESTÁ LÁ MUITO BOA, MAS PODE MELHORAR – OU PIORAR*
* Texto para ser lido com alguma esperança e dedos devidamente cruzados.
Resistir é preciso. A luta, todos sabem, não termina nunca. Só quando os olhos se fecham. Insisto na contenda, arrefeço os cuidados, não esmoreço um só segundo. O lado de lá, o da perversidade se move e tenta um algo novo a cada dia. As articulações dos cruéis e insanos são intensificadas a cada novo anúncio de algo pérfido. Agora são os comandantes da Polícia Militar paulista, ontem um após anunciar apoio a tentativa de enaltecer o ex-capitão no dia 7 de Setembro, hoje mais um, ou seja, tem algo no ar além dos aviões de carreira. Muita atenção nessa hora, pois está sendo tentado um algo novo, que vai além dos respeito às instituições. Está mais do que claro uma movimentação golpista no ar, extrapolando a normalidade. Leio que no dia 7, o governador Dória já reservou a avenida Paulista para os bolsonaristas. Coisa boa esses não irão fazer por lá. Quem pode nos salvar é novamente a Fiel Torcida, que já anuncia intenção de voltar pra Paulista e enfrentar os vendilhões e vendidos a defender o que de pior temos.

Digo e reafirmo que a situação não está boa e reverbero algo por mim. Dei uma rápida passada na Feira do Rolo no domingo passado e de duas pessoas que lá atuam, tentei iniciar uma conversa e ambos animados com a cavalgada marcada pra Bauru no dia 28. Diziam de levar o cara para um bar conhecido e me disseram, assim na cara dura, cientes de meu total repúdio, não só ao ato, mas a tudo o que já foi comprovado do capiroto e de sua família. Com alguns, percebo, não adianta mais insistir. “Quem roubou o país foi o Lula, quem destruiu o país foi o PT”. Tentei, mas percebi ser sem sentido continuar. Sabe o que fiz? Abandonei a conversa pela metade, virei as costas e fui embora. Tentaram me chamar, perceberam ter me chateado, mas nem olhei para trás. Não sei mas como agir com estes, os que mesmo diante de tantas evidências, não conseguem enxergar um palmo diante do nariz.

Nem tudo é ruim. Saio todo dia com uma camiseta, um adesivo ou a máscara me posicionando contra o perverso e as reações são positivas. Se existe os que rejeitam minha manifestação, estes se calam e quem de mim se aproxima, o faz apoiando. Ganhei algumas máscaras vermelhas do Genaro, o do bar da vila Falcão, com dizeres “Tô com Lula”. Já voltei duas vezes pegar mais e voltarei amanhã, pois quem as pede, faço questão de dar. Comprei uns bottons da Nádia da CUT e não tenho mais nenhum, pois todos distribui pela aí. Me pedem e dou, pois ver alguém corajosamente querendo sair envergando algo contra o malversador é para mim um sinal de resistência. Pode ser pouco, mas quando alguém se mostra favorável, esqueço de tudo o mais e converso.

Aqui onde moro, num prédio na Zona Sul, vejo tremular bandeiras do Brasil em algumas janelas e sei que não são nada nacionalistas, sendo símbolos de algo como vi hoje o vereador Borgo, quando se enrolou numa e assim falou da tribuna da Câmara. As bandeiras verde-amarelo de hoje são de bolsomínions, todas, nenhum por causa das Olímpiadas ou coisa parecida. Criei caso por aqui, pois onde moro é proibido hastear bandeiras nas varandas. Éramos dois, eu confeccionei uma diferente, com um escrito bem grande no meio, “Fora Bolsonaro”. Adivinham qual das duas criaram caso? A minha. Alguns pouco conversam comigo por aqui e a maioria me evita. Prefiro assim, pois desta forma, não me irrito. Estou num campo minado, situação desfavorável e creio, seria diferente na periferia. Lá pelos lados do Mafuá, próximo da Baixada do Silvino converso com vizinhos e a maioria rejeita o banditismo do desGoverno. Eis meu alento. Torço para que o mesmo ocorra por outros lugares, principalmente os bairros populares, os que mais padecem nestes tempos.

Abro o jornal local, o JC e ali algo abominável. A defesa diária da perversidade, ali contida numa forma velada de jornalismo que esconde suas reais intenções. Percebo isso neste momento quando dão em manchete o fato do presidente ter pedido a cassação do ministro do STF, com muito destaque e poucas linhas para a defesa deste, ou seja, a intenção é agradar o seu fiel público leitor, hoje declaradamente bolsonarista. Sinto o drama pelos bons jornalistas que ali resistem e tentam algo para fugir do adesismo dos patrões. Por ali, vejo como guerra perdida, pois a linha editorial da publicação sempre foi elitista, exclusiva de apoio ao donos do poder local. O mesmo se dá pelas rádios locais, se existe diferença entre o que ouço na Velha Klan, na 94FM, 96FM e mesmo na 87 Comunitária, todas abominam provável volta da esquerda aso poder e sem outra opção, veladamente ou abertamente, estão com a perdição. A saída são as redes sociais e os meios alternativos, pois nos massivos, perdemos de goleada. Nada confiável pelas ondas do rádio.

Não sei se vivo numa bolha, mas nas redes sociais, tenho 4.300 amigos e a maioria coaduna do mesmo sentimento do país e da aldeia onde moro. Trocamos muitas ideias e com estes tenho uma percepção das coisas, que não sei é o que de fato ocorre pela maioria dos locais da cidade. Voltei a circular por alguns lugares e sinto também o descontentamento latente, mas todos muito acomodados, sem poder real de reação. O triste é isso. Percebo bem nítido que o cara está em declínio, mas poucos são os com disposição para por a cara a tapa. O Brasil continua inerte e esperando que as suas instituições façam por eles o que não estão em condições, nem coragem. A propaganda, por exemplo, contra o STF, hoje corajosamente resistindo será suficiente para conter o avanço dos armados bolsonaristas dispostos a defender seu mito nas ruas? Creio, teremos que fazer algo mais, pois estamos todos numa encruzilhada e esperar sentado, sempre dá merda. Não dá para ficar quieto, esperando sentado a coisa se resolver. Eu não aguento isso e creio, meus problemas de saúde estão agravados neste momento por causa do pouco que tenho feito para resistir e enfrentar os malversadores deste país. Sinto que “eles” não são e nunca foram maioria, mas são espalhafatosos e perigosos. É contra estes que teremos que ir pras ruas.

É impossível crer que o povo, o trabalhador brasileiro possa apoiar isso que estão fazendo contra seus interesses. É muita maldade, tiraram muitos dos seus direitos, o deixaram hoje praticamente sem legislação trabalhista e numa tanga de dar gosto. Não tem como comparar o que os governos petistas fizeram e deixaram como legado e toda a perdição e destruição que fizeram com o país após o golpe de 2016. Foi muita crueldade e assim mesmo, tentam impingir a noção de algo salutar. As reformas até aqui passadas em forma de boiada, deixaram o país numa nhaca mundial, desacreditado, verdadeiro pária, mas o problema é aqui dentro. O brasileiro, com o passar dos anos, perdeu a capacidade de entender o que de fato se passa com o país e quando vejo alguns, principalmente os mais sofridos, defendendo o seu algoz, sei que a luta precisa ser intensificada. Regredimos muito e a desesperança não pode nos vencer. Ando cada dia mais cansado, mas sei ainda ter alguma lenha para queimar e não a guardarei para outra oportunidade, pois o momento é hoje, agora, já. Ou fazemos algo ou o país entrará em algo incontornável e daí não terei esperanças de ver em vida o algo transformador. Daí, saio da minha zona de conforto e estou à disposição para o que der e vier.

Obs.: E olha que desta vez, nem quiz citar a incomPrefeita bauruense, hem! Bauru vivem um momento dantesco onde o fundamentalismo religioso dá a cartas e nos afunda num buraco sem fim.

domingo, 22 de agosto de 2021

CARTAS (231)


PATROCINADORES DO BOZO EM BAURU
Ontem um amigo me pergunta pelo whatts: "Você sabe quem está bancando a vinda do capiroto em Bauru no próximo dia 28?". Respondo que não e pergunto quem. Ele me responde: "O Sindicato Ruralista Patronal, Bauru e Região". Nenhuma surpresa. Talvez se o presidente ainda fosse Maurício Lima Verde, também estivessem alinhados com a perdição deste país. Os ruralistas, na verdade, no frigir dos ovos, são desavergonhados, pois nunca lucraram como hoje, o Agro como sabemos não é Pop coisa nenhuma, mas é sacana, pensa só nos seus botões, se emburra de grana e dá as costas para atender justas reivindicações dos trabalhadores do setor. A classe dos ruralistas sempre foi e esteve envolvida em retrocessos, atraso cultural e neste momento, um dos mais perversos do país, segue apoiando e incentivando a destruição do restante do país, pois estão ganhando e isso para eles é tudo. O bancar a vinda do capiroto em Bauru e com concentração num lugar público, própria da municipalidade, o Recinto Mello Moraes, ligação umbilical com o negócio rural é a confirmação de que estes continuam cumprindo maravilhosamente bem o papel de destruidores do que ainda nos resta de soberania, legislação trabalhista e dignidade. São e sempre foram perversos até a medula e não seria hoje que mudariam. Se fazem o apoio de forma velada, pior ainda, pois não possuem coragem para escancarar ou seja, sabem o que fazem e ciente disso, escondem dos pobres mortais seu lado mais perverso, desumano, insensível, cruel, predatório, nefasto. Não são os únicos neste apoio e mesmo agora, quando o ex-capitão está ruindo, não roem a corda. Ruim é pouco para designá-los, diria mesmo, Talebans dentro do armário...

COMO GOSTO DE POSTAR O QUE O MARCOS PAULO RESENDE ESCREVE - EIS ALGO DE HOJE DA TRIBUNA DO LEITOR, DO JC:
Pastor Hugo e o direto ao preconceito
Em seu artigo do dia 08/08 (Direito de Todos) o pastor Hugo Evandro tenta de forma elegante justificar o seu direito de defender um modelo único de família e condenar modelos cujos valores acha 'excêntricos'.
Primeira página do jornal Folha de SP de hoje.
Caro pastor, o senhor tem total direito de professar sua fé, mas a partir do momento que discursos provocam os gatilhos do preconceito, da discriminação que empurram pessoas para a marginalidade... não, você e ninguém tem esse direito. O que o público LGBT busca e luta por isso em pleno século 21 é pelo seu direito à vida e inclusão social, reparar uma opressão histórica contra esse grupo assim como negros e indígenas sofreram e ainda sofrem nesse modelo de sociedade que o senhor acha o exemplo da democracia e liberdade construída pelos valores judaico-cristão.
Só que são esses valores, esse modelo familiar e social que oprimem e empurram esses grupos à marginalidade. Quantos cristãos diariamente são agredidos, expulsos de casa, excluídos do trabalho e socialmente, condenados muitas vezes à margem da sociedade e prostituição apenas por serem cristãos? Pois é, isso que ocorre todos os dias no país da "liberdade" que é um dos que mais mata LGBTs, que lhes nega o acesso ao mercado trabalho, que muitas vezes sofrem violência familiar quando descobrem sua identidade de gênero, violência essa cometida pelos ditos 'cidadãos de bem' com Deus no coração. Aliás o pastor quer entrar numa seara que não entende lhufas, não sabe a diferença entre gênero e identidade de gênero, e sim, a justiça fez bem ao proibir o tal vídeo citado pois de biologia não tinha nada e sim o intuito de distorcê-la para plantar um preconceito. Assim como em outro artigo o senhor distorceu um estudo publicado pela universidade de Harvard sobre o "Gene gay" onde alega que o estudo prova a não existência desse gene e que portando a homossexualidade seria um comportamento não genético, mas idealizado, mais distorções, o que o estudo diz de fato é que não existe um único gene que possa ser isolado e identificado, e sim vários genes que constituem a genética de certos instintos, tanto que a homossexualidade é observada também em outras espécies na natureza. É preciso sim desconstruir esse ideal hipócrita de família de onde parte tanta desigualdade de trabalho, tanta violência infantil, tanta misoginia, controle e punição da sexualidade.
Os valores que fundaram essa "maravilha democrática" dita pelo pastor, são os mesmos que provocaram a maior matança indígena no ocidente, que destruiu suas culturas, impôs a fórceps nova crença, idem o papel que tiveram na escravização dos negros, marginalização das minorias, apoio a golpes militares e mais recentemente no Brasil o amplo apoio a um presidente que vomita ódio, preconceito e promoveu um genocídio com a pandemia no país. Espero uma palavrinha do pastor sobre ao menos o genocídio atual, se já se arrependeu ou se continua como muitos dos seus pares apoiando em nome da família dos 'bons costumes'.
O pastor também erra quando fala da Palestina, mistura palestino com religião islâmica, nega o genocídio praticado pelo Estado sionista de Israel, assim como o holocausto foi real, a ocupação em território palestino e toda opressão também é, desconhece total o que chama de mundo árabe.
Sei que não irei convencer o pastor de nada pois já dizia Carl Sagan: "não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências mas numa profunda necessidade de acreditar", mas deixo alguma possível reflexão.
Saudações ateístas! Abraço.
Marcos Paulo Rezende

UMA DELICIOSA LEITURA DOMINICAL SOBRE RAPHAEL MARTINELLI 
"Ana Cristina defendeu esta tese de Doutorado em 2018 e virou este livro lindo que recebi de presente hoje, rico em pesquisa, persistência e amizade.
Conta com vários documentos do acervo pessoal do meu pai, desde sua trajetória política sindical à sua atuação frente a luta pela democracia no país, incluindo tortura e prisão.
Nem preciso dizer o quanto sua história me orgulha, mas preciso dizer que segurando o livro é como sentir de novo a força de suas mãos, sempre e sempre construindo esperanças", escreve Rosa Maria Martinelli e disponibiliza um link para leitura do livro, depoimento maravilhoso sobre um bravo guerreiro, lutador destes tempos, destes que não podemos esquecer um só momento do resto de nossas vidas.

Eis o link para leitura da obra na sua íntegra:

sábado, 21 de agosto de 2021

REGISTROS LADO B (59)


NO 59º LADO B A PRESENÇA DE UM CATEDRÁTICO DA MÚSICA, CINEMA, O SINGELO E FRATERNO PH, PAULO HENRIQUE LEITE PEREIRA
Nesta semana me contam algo mais da história deste rico personagem das entranhas desta terra varonil denominada também de Sem Limites e vou correndo me certificar de sua situação. Eu conheci o PH há muito tempo atrás e nutro por ele um carinho mais do que especial, exatamente por ele ser dessas pessoas que não mudam um milímetro com o passar do tempo. As coisas mudam, tudo se altera, se transforma, mas o PH continua lá com seu batidão de vida do mesmo jeito que sempre fez, parece até que um tanto apartado dessa vida tão desconjuntada que a maioria vive. Talvez resida aí esse gostar que todos que o conhecem nutrem e demonstram a cada reencontro. Ele é uma das pessoas mais autênticas que conheço e olha que conheço muita gente. Daí, faz muito sentido em ir atrás dele e buscar um depoimento dele, neste bate papo semanal, desta feita o 59º para este projeto de ir contando em drops, uma por semana, algo da vida pessoal de pessoas que marcaram a vida desta cidade, numa forma de deixar registrado o muito feito. PH encarna como poucos isso de LADO B – A IMPORTÂNCIA DOS DESIMPORTANTES e conversar com ele é não só um prazer, como um deleite.

O tempo chega para todos e chegou, evidente, também para este cidadão do mundo, o PH, solteirão convicto, vivendo para suas pequenas e ricas preciosidades, seus discos, livros e histórias, um modo só seu de vida. Aos 69 teve que abrir mão de morar sozinho, pois não estava mais dando conta de tantos detalhes, como se lembrar de um mero horário de tomar seu remédios. Isso pode ter uma importância muito grande na vida de todos, mas com tanta coisa na cabeça, tanta coisa para tocar a vida, alguns detalhes assim passam desapercebidos e no frigir dos ovos são vitais. Quando juntou isso tudo na balança, decidiu ir viver num lar coletivo, onde não se preocupa mais com o alimento, pois ele chegará no horário e tem quem esteja lhe lembrando dos horários dos remédios. No mais, ele continua o mesmo, envolto em suas histórias, discos e tudo o mais tocando sua vida. E ontem, ao procura-lo para o convite deste bate papo, percebi algo grandioso, sua memória continua ótima, como ele mesmo fez questão de dizer quando o perguntei se estava tudo bem. Ele topou na hora sentar e rememorar numa conversa informal, algo de sua trajetória. Tenho a mais absoluta certeza, ele tem muita coisa para contar, deixar registrado, enfim, ele é um ótimo contador de histórias.

Nos últimos tempos era ótimo vê-lo monitorando as visitas lá no Museu Ferroviário de Bauru. Até pouco antes da pandemia nos obrigar a dar um breque em tudo, PH era como uma marca registrada ali na entrada do Museu, sempre pronto para adentrar com quem quer que fosse e contar, nos mínimos detalhes tudo o que ali existe de preciosidade. Um detalhista na acepção da palavra. Ele, tempos atrás esteve cuidando do acervo do nunca inaugurado MIS – Museu da Imagem e do Som de Bauru, catalogando a parte musical. Isso ele fez uma vida inteira com seu acervo pessoal e deve ter sido algo onde reuniu o seu conhecimento ao prazer de ver a música sendo valorizada dentro do espaço público. Depois foi para o Ferroviário e ali se destacou. Uma “peça rara”, dessas sem nenhuma possibilidade de reposição. Igual ou perto do PH, só mesmo o PH. O problema é que costumo fazer meus bate papos, na maioria das vezes via virtual, um do lado de lá e eu aqui de casa, mas com ele isso não é possível. Ciente disso, passei onde ele se encontra e definimos que irei lá gravar ao vivo a conversa. E assim ficou tudo acertado.

Aqui relembro algo escrito por mim e publicado no meu blog pessoal, o Mafuá do HPA, ao longo de mais de uma década de textos diários:

- Publiquei em 01/03/2008: “PH é essa figura boníssima aí das fotos. Ninguém, ou quase ninguém, o conhece pelo nome de batismo, Paulo Henrique. Já, PH é demais conhecido por todas as galeras e thurmas da cidade. Circula em todas e se faz ver e ouvir. Quando o assunto é cinema, lá está o vibrante e entusiasta PH (sócio fundador e primeiro presidente da refundação do Cine Clube de Bauru), quando o tema é gibis, catedrático no assunto, marca presença (trabalha hoje na Gibiteca, junto a Biblioteca Pública Municipal), quando o tema da rodinha é música, ele dá seus pitacos certeiros e decisivos. Não existe outro igual, um grilo falante do bem, daquele tipo que todos gostam de ter como amigo, pois sinceridade é como ele mesmo. Outra coisa, não tentem alterar o ritmo do Ph, ele tem o seu e não adianta vir com pressa, agitos, desespero. O melhor mesmo é acabar se enquadrando no dele. Se querem saber a idade do gajo, nem eu não sei, mas sei que ele continua com essa carinha desde que conheço por gente”.

- Em 02/04/2014 publiquei: “O MUSEU E O PH – UM GUIA, UMA EXPOSIÇÃO E UM ESPECIALISTA - Quero escrever sobre essa nova cara do MUSEU FERROVIÁRIO REGIONAL DE BAURU, com exposição recém-aberta, mas antes quero citar algo lido e estabeleço uma relação das mais oportunas com pessoa dentro do nosso museu. Na última edição da Revista de HISTÓRIA da Biblioteca Nacional (www.revistadehistoria.com.br), a de março 2014, nº 102, na sua última página, a da coluna “A História do Historiador”, o artigo “UM GUIA E UMA ESTÁTUA”, do professor Luiz Estevam de Oliveira Fernandes, da Universidade Federal de Ouro Preto. Eis o link para leitura do mesmo: http://www.revistadehistoria.com.br/.../luiz-estevam-de.... É sobre o mergulho feito por historiadores em bibliotecas e arquivos para realizar seus doutorados. Nas idas e vindas, o autor reconhece dever muito a esses arquivos e aos professores. Vai além disso e aí faço a comparação com alguém do museu bauruense. (...) PH é o cara e a cara do museu. Quando li o texto na revista, a primeira lembrança, tida ainda durante a leitura é a dessa grandiosa figura humana. Ele é didático, sem ser pedante, elucidativo, sem arrogância, claro e objetivo, sem ser chato. Fala muito, envolve o visitante e acaba estabelecendo uma relação afetiva com o visitante, pois o quer absorver, saber do real motivo de sua visita e daí poder informar em detalhes algo mais sobre esse tema. Poucos fazem isso com tamanha abnegação. Ele não faz nada forçado, por imposição, faz porque acredita naquilo que faz. Simples demais da conta, mas indispensável. Hoje quando da visita que fiz ao museu, estava ocupado com uma visita de um grupo de estudantes e fiquei a observá-lo e daí a constatação de tudo o que escrevi. Fui lá por causa dele e do que havia lido na revista e sai fortalecido de que, primeiro, a exposição está bonita e para ser bem entendida necessita de alguém como o PH por lá, o cara certo no lugar certo. Daí para daqui a pouco surgirem muitos espalhando mundo afora que quem os ajudou de fato nas pesquisas foi o PH é um pulo. Ele é tudo isso e nem sabe e por isso estou espalhando e fazendo isso tudo chegar até suas mãos. Ele merece. É O NOSSO SEÑOR HERNANDEZ, COM TODA CERTEZA”.

- Publiquei em 29/08/2019: “LEMBRANCINHAS DO MUSEU FERROVIÁRIO NOS SEUS TRINTA ANOS - Eu também faço parte dessa história, mesmo que, pífia, ínfima, pequena participação, mas a única vez na vida quando estive atuando num órgão público, foi no governo de Tuga Angerami, 2005/2008 e na função exercida por mim, tinha direto acesso ao Museu Ferroviário e Regional de Bauru e tudo o mais à sua volta. (...) Esse museu é a cara desta cidade, pois como até as pedras do reino mineral sabem, o progresso desta aldeia, mesmo muito renegando as evidências, é proveniente dos seus trilhos. (...) São tantas coisas e neste momento, quando perpasso as homenagens todas ocorridas, me sinto contemplado e feliz pelo seu momento atual, uma flor se abrindo para a cidade, pronta para frutificar. Esse museu mora no coração desta cidade, no meu, com certeza. Duas inesquecíveis recordações, seu quadro de funcionários e ao aqui homenagear o amigo Paulo Henrique PH (não existe monitor como este e se fosse citar outra pessoa do local, o faria por Orlando Alves, irretocável no que sempre fez por ali e em toda SMC), o faço a todos e tudo o que já escrevi ao longo deste anos através do Mafuá do HPA, podendo ser recordado clicando no link a seguir: https://mafuadohpa.blogspot.com/search...”.

Algo mais dele hoje na conversa semanal e tendo PH do lado de lá, papo arrebatador.
Vamos juntos?

EIS O 59º LADO B, HOJE COM O PH, NOSSO MENESTREL EM QUESTÕES DE CINEMA E MÚSICA, 69 ANOS E ALGO DE SUA INTENSA TRAJETÓRIA DE VIDA
Contatar com o PH, nosso Paulo Henrique Leite Pereira é muito fácil, ele adorará receber sua ligação. Liguem para 14.99147.6409.
Conversando a gente se entende. Aqui em 1h15, bocadinho dessa rica história, intercalando algo com a do Cine Clube até as imortais monitorias no Museu Ferroviário. PAIAGÁ continua imbatível, imperdível e inquestionável. Gente melhor impossível. Desconheço alguém com mais pureza do que este nobre cidadão. Bater papo com ele é travar conhecimento com alguém diferenciado e conseguindo viver intensamente neste mundo enquadrado dentro de moldes não muito nobres. Eis um que vive sem se ater as convenções...

O LINK PARA ASSISTIR BATE PAPO DE 1H15: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/612932156358403


A ENGRENAGEM ESTÁ TODA DOENTE, MAS...*
* Eis meu 27º artigo para edição semanal do DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo:

Dizem que a fila de espera para se conseguir uma vaga hospitalar hoje na rede pública de Saúde de Bauru é de aproximadamente 60 pessoas. Este número eu consegui conversando com funcionários do setor, muitos dentro dos hospitais locais. Existem neste exato momento muitas pessoas com enfermidades graves e aguardando vagas em situação nada confortável, dentro das UPAs – Unidades de Pronto Atendimento e mesmo no Pronto Socorro Central. Se a situação é essa, uma só certeza, Bauru carece de um atendimento conseguindo suprir a demanda. Temos dois hospitais atendendo todo o público da cidade, somando-se a estes a população da região que para aqui é encaminhada. O Hospital Estadual e o Hospital de Base, as duas unidades e outro, num eterno chove não molha, num sempre futuro Hospital das Clínicas, esse junto da FOB – Faculdade de Odontologia de Bauru.

Nessa semana o Governo do Estado de SP abriu mais 30 leitos de Covid na cidade. Isso é uma coisa, hoje praticamente normalizado esse atendimento, pois muitas vagas para essa finalidade estão sendo até desativadas. Por outro lado as vagas para outras especialidades e enfermidades continua um verdadeiro “deus no acuda”. Enquanto a cidade aguarda, sem saber se existirá demanda, diante da nova cepa do vírus começando a circular na região, leitos estão vagando e muitos vazios nesse quesito, mas noutros a lotação é mais de 100% e uma loucura para se conseguir vagas.

O leigo, e me coloco nessa situação, costuma misturar uma coisa com outra. Ele não entende como vagas existem para uma coisa e não podem ser utilizadas para outra finalidade. Enquanto isso, basta uma rápida circulada pelos tantos postos de atendimento emergencial espalhados pela cidade para sentir a fragilidade do sistema e também sua deficiência. Vivencio o drama nestes dias de filho de um conhecido, já há alguns dias numa cama improvisada num destes locais, sendo ali tratado e sem conseguir vaga. Sua situação é grave, muito debilitado, mas nem isso é suficiente para garantir internação.

Diante da gravidade, ocorre sempre aquele serviço feito nos bastidores, onde uma espécie de corrente é feita. Não se trata somente a de oração, mas a de estabelecer e fazer contato com quem quer que possa ajudar. Um liga para o outro, todo tipo de ajuda é bem-vinda, tudo para tirar o parente da situação precária. Todo e qualquer que conheça alguém dentro do sistema é acionado. No caso onde acompanhei, mais de dez contatos, desde um político, alguém da área médica, outro pistolão, um conhecido dentro da estrutura e de tanto insistir, a vaga acaba saindo e o paciente é finalmente transferido para um hospital de fato e de direito.

A família não sabe como agradecer. Dentro deste clima, ouço membro dessa família, feliz da vida, mas se dizendo mais do que entristecido, pois como me disse, “a vaga para meu parente foi conseguida, mas sei, se ela ocorreu, diante da fila de sessenta pessoas, 59 foram passados para trás”. A situação atual é bem essa, sem tirar nem por. Como agir? Sem a vaga, talvez uma vida poderia ter se perdido, porém, quem nos diz que, diante da fila interrompida e salvando uma, outras não tenham se perdido. De tudo, a certeza, o sistema está doente, tanto quanto a população precisando dele.

Aqui, interior de São Paulo muita coisa ainda sendo resolvida, diferente de outros centros urbanos. Existe hoje mais do que um elo quebrado, funcionando fora do controle, mas a máquina não pode parar e se o fizer, daí sim o caos estará instalado. Todos sabemos, tem algo de muito errado em andamento, mas como estancar tudo dentro de uma conjuntura toda construída aos trancos e barrancos? Estamos todos doentes, temos ciência, mas diante dos fatos, sabe-se ao menos mais uma vida pode ter sido salva neste momento. Isso é alento, desesperança ou a certeza de que o caos será inexorável?
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).