quinta-feira, 23 de março de 2023

RETRATOS DE BAURU (274)


ARNALDO GERALDO
Ele se foi no último domingo. Eu chegando de viagem, 30 dias fora de Bauru e trazido de São Paulo por outro, Sidnei, motorista uma vida inteira e como Arnaldo, nós três casados com três irmãs. Na viagem de São Paulo para Bauru ele me contava das agruras do Arnaldo, sua cirurgia da vesícula com problemas, ele com dreno, muitas dores e passando por mal bocados. O cargo de assessor na Câmara não lhe dava acesso a plano de saúde e teve que reunir esforços de gente próxima para custear sua operação. Padecia, mas não esmorecia. Arnaldo era do time dos que sofriam calado. Sempre foi assim. Grandão como nenhum outro, também grande na forma como tocava sua vida, calado, contido, mas conseguindo reunir dentro de si uma espécie de cofre, onde eram guardados segredos mil. Ouço dizer ter guardado documentos valiosos de tudo onde esteve presente. Se verdade, serão de grande valia na necessária reconstrução de nosso recente passado político, do qual esteve muito próximo, presente pelas rebarbas, sempre observando tudo. Mas isso é outra história.

O fato é que esse meu amigo e ex-cunhado se foi e com ele as muitas histórias passadas juntos. Ele adentrou o mundo da política, sempre como assessor parlamentar no primeiro mandato do ex-vereador Batata e desde então, esteve sempre junto a ele, depois de Estela Almagro. Nos tempos de vacas magras, o vi tentando tocar a vida como Uber, por pouco tempo e logo depois, estava novamente assessorando a agora vereadora. Eu o conheço bem, ele, seus familiares, os muitos irmãos, todos os parentes de sua esposa, pois tivemos estreita convivência. Fomos confidentes em muita coisa. Ouvi muito desabafo dele, essas coisas todas, que parecem pouco, mas na junção de tudo causam um estrago danado dentro do nosso corpo, levando em alguns casos até a morte. Faltava pouco para ele se aposentar, coisa de um ano e pouco. Via sua labuta para ver este dia chegar. Estava cansado, exausto e precisava descansar, proporcionar algo diferente para sua vida. Continuava por causa disso, sonhava quando esse dia chegaria. Infelizmente não deu tempo.

Quantas conversas, quantas histórias, algumas ainda impublicáveis. Arnaldo era generoso demais, nunca foi do staff dos dirigentes partidários do PT em Bauru, mas sempre gravitou junto a estes. Todas as histórias então ocorridas, tiveram como presença viva a sua pessoa. Trinta anos de convivência com isso. Sempre tinha algo para contar, mas preferia continuar na sua e assim tocou sua vida. Hoje, olhando para trás, dói não ter encontrado tempo para ouví-lo mais. No seu velório, a amiga Cidinha da Falcão conta que, ele a havia procurado e dito que segunda queria vê-la pra conversar. Ela quis saber o que, mas ele disse preferia pessoalmente. Não deu tempo. Minha irmã, Helena Aquino, a própria Cidinha e outros (as), me dizem algo dele nestes últimos tempos, dos conselhos dados a elas: "Isso aqui não é para vocês". Ou seja, o velho bardo estava por um fio. Agora, este fio se partiu e ele se foi definitivamente.

O danado tem a minha idade, namoramos juntos duas irmãs. Eu me separei, Wilma veio a falecer anos depois e ele, junto de sua Waldeice e do filho Rafael, constituiram algo bonito de ser visto. O que ele conseguia fazer pelo bem dos seus e de seu filhão são dessas coisas indescritíveis. Isso tudo anda embolado na minha cabeça nessa semana. Eu voltei quebrado dessa viagem, doído por fora, sem forças para voltar ao normal. Enquanto não me recuperar, ficarei no limbo e ao chegar, logo de cara, novamente recado dado pelo Sidnei no domingo na hora do almoço, de seu passamento, tudo desaba. Tenho tanta coisa vivida com ele, compartilhada junto deste danado que até daria um livro. Escrevo bobagens, sei disso, diante de todas as homenagens que poderia lhe fazer. Seu maior mérito é ter sido um observador de boca fechada. Quem conviveu com ele ao seu lado sabe bem disso tudo. Eu quando reencontrei todas minhas ex-cunhadas e cunhados no velório domingo e enterro na segunda, reviramos fatos passados, décadas atrás, o tema principal foi ele, Arnaldo e no frigir dos ovos, todos choramos por ele. Se assim ocorreu, o danado deixou um legado do bem e isso é o que vale muito. Quando choramos por alguém que se foi é sinal deste ter deixado algo de muito positivo em sua passagem entre nós. Arnaldão ainda vai dar muito o que falar.

LEIAM O QUE O JORNALISTA RICARDO SANTANA ESCREVEU DO ARNALDO GERALDO:
BOM DIA ARNALDÃO
Eu convivi menos do que gostaria com Arnaldo Geraldo e foi o suficiente para descobrir que Arnaldo era um tipo de gente em extinção. Sua paixão era o filho Rafa (Rafael). Não descuidava da atenção à esposa Waldeice, com troca de ligações várias vezes ao dia.
Impecável na sua atuação como assessor parlamentar na Câmara Municipal de Bauru. Por isso, o gabinete 13 era muito demandado pela portaria quando chegava um munícipe com a senha "será que dá pra falar com um vereador?".
A experiência de Arnaldo era fundamental para desembaraçar as mais diversas demandas no Legislativo e na Prefeitura de Bauru.
Quando passei a integrar o time com Arnaldo e Geraldo, formamos um baita trio. Mesmo após eu ser exonerado do mandato do deputado Carlos Zarattini, o Arnaldão manteve o hábito de saber das minhas coisas. Pra mim, esse cuidado com o outro era a singularidade do Arnaldão.
Fica a lembrança boa das mensagens no WhatsApp logo de manhãzinha encaminhadas pelo Arnaldo Geraldo.
Arnaldo Geraldo, 63 anos, faleceu neste domingo, 19 | 03 | 2023. Será sepultado nesta segunda-feira, no Cemitério da Saudade.

CONSTATAR A JOVEM PAN CADA VEZ MAIS INSIGNIFICANTE NÃO TEM PREÇO
Os perversos, maldosos, maiores incentivadores do ódio de classe, propagadores do fracassado golpe de 8/1, quando encostados na parede se fingiram de mortos, não ser com eles e até chegaram a ensaiar uma mudança do discurso, mais ameno, tudo para tentar fugir da inevitável punição. Viajei por 30 dias e hoje, ao voltar, uma só certeza, essa rádio não faz falta nenhuma. Ignorar sua existência é salutar pata a saúde mental de qualquer cidadão. Essa ultra-direita por eles representada só atravanca o convívio dentro de um mínimo de bom senso. Diante deste Brasil, hoje galgando sua recuperação enquanto nação soberana, quem agiu fora da lei precisa ser punido, até para conseguirmos passar uma borracha no nefasto período vivenciado nos quatro anos com Bolsonaro. Não é porque estão comportados, que devemos nos esquecer do que já fizeram. Essa rádio tem culpa no cartório e se faz necessário pagar pelo que fez. Mesmo hoje, quando totalmente desacreditada, cada dia mais caindo no ostracismo, não podem ficar impunes. Foram artífeces do golpe.

Percebam que seus próceres, como o radical de direita, vereador Eduardo Borgo, voz e cara da nefasta rádio, vivencia péssimo momento, pois seus atos são barrrados na Justiça. Nada mais é ganho no grito. Isso dele ter tentado se impor, falando grosso, quando levado para decisão da Justiça, perde. Com a rádio ocorre o mesmo. Falam, mas a cadaa dia só aumenta o descrédito. Cada vez mais isolados, constituem grupelho radical, merecedor não só de rejeiçao, escárnio, mas também de clamor para que paguem por tudo o que fizeram. Cada vez mais a percepçao de serem um dos maiores reprodutores de fake news deste país. Escolheram um caminho sem volta, algo inconcebível num Brasil normalizado.

SEM PALAVRAS

quarta-feira, 22 de março de 2023

DIÁRIO DE CUBA (230)


IZZO EM ENTREVISTA NO JC
No texto e fotos do André Hunnicutt Fleury Moraes para o Jornal da Cidade, algo revelador do atual momento do ex-prefeito. Primeiro, as ótimas fotos revelam um Izzo um tanto relaxado consigo mesmo - ótimos flashes do fotógrafo e jornalista. Da entrevista, muito boa, mas sem um box informando o leitor o ocorrido no passado, o chegando agora, com pouco ou nenhum conhecimento do passado, vendo só as fotos e lendo a entrevista, sem as informações do passado, acaba ficando penalizado da situação do entrevistado. Faltou isso, falha do JC. O ocorrido com Bauru, provocado pelo ex-prefeito não pode ser motivador de pena no presente, ainda mais porque, ele mesmo, assume ter errado na ação impetrada contra os promotores.
Eis o link da entrevista ao JC: Antônio Izzo Filho: https://sampi.net.br/.../antonio-izzo-filho-errei-ao...

E o que o jornalista Aurélio Fernandes Alonso pensa sobre a mesma matéria: "Faltou contextualizar o clima de terror do período das bombas jogadas na casa de vereadores. Não houve injustiça. Teve amplo direito de defesa na justiça e foi condenado por isso. É necessário trazer as novas gerações o que aconteceu naquele período conturbado. A gestão de Izzo é uma mácula na história política de Bauru. A imprensa não pode ser um mero registro declatório de fatos. Não se deve passar pano para populista autoritário".

VIDA VAZIA, COMO SAIR DESSA DENTRO DA LOUCURA DO CAPITALISMO
A imagem mais nítida da vida vazia é a do homem do subúrbio, que se levanta todas as manhãs à mesma hora de segunda a sexta-feira, toma o mesmo comboio para ir trabalhar na cidade, faz a mesma tarefa no escritório, almoça no mesmo lugar,
deixa a mesma gorjeta para a garçonete todos os dias, chega em casa no mesmo trem todas as noites, tem dois ou três filhos, cultiva um pequeno jardim, passa duas semanas de férias na praia todos os verões que não gosta se diverte,
vai à igreja todo Natal e Páscoa, e passa por uma existência rotineira e mecânica ano após ano até que finalmente se aposenta aos sessenta e cinco anos e logo depois morre de insuficiência cardíaca, possivelmente causada pela hostilidade reprimida...
_Rollo May (1909-1994)

EU AINDA NÃO VOLTEI AO NORMAL
Não estou conseguindo voltar ao normal - o queseria isso de normalidade?. Resolvi seguir o conselho da Maria Inês Faneco, que quando postei texto anterior, pediu num comentário: "Descanse". É o que faço. Na verdade, hibernei. O corpo ainda dó todo e ao invés de ficar com aquela quase obrigação de escrevinhar e acompanhar algo da vida bauruense, preferi cuidar um pouco mais de mim e do Mafuá.

As coisas lá pelos lados do Mafuá não estão nada boas. Ele já estava fechado e sem atividades desde a pandemia. Quem aguentava o rojão era a presença do cão Charles, me fazendo ir lá todos os dias, primeiro para ficar com ele, depois para prover sua alimentação. Mas o demais foi se deteriorando e agora, com essa viagem de 30 dias, mesmo deixando gente incumbida de olhar tudo, algo mais aconteceu. Com o Charles tudo bem, ele me tem de volta e eu a ele, mas a casa ganhou novos contornos de abandono.

Ter uma residência fechada na região que abrange os trilhos urbanos, o terminal rodoviário, o albergue noturno, o centro velho e também o Centro Pop não é fácil. Por mais que tenha preocupação com a questão social, existe uma população circulando diariamente pelo local e fazendo de tudo e mais um pouco em busca de fazer um dinheiro para continuar tocando suas vidas. Não discuto, nem entro no tema, do certo ou errado, mas não fujo do que vejo ali ocorrer. Está tudo ao "deus dará", pois vendo algo fechado, dão sumiço de tudo e o Mafuá encontra-se neste momento sem fiação elétrica, pois levaram o que puderam. É o mais fácil para se levantar um dinheiro fácil. Todos por lá padecem deste mal. A solução é manter-se vigilante e sem abandonar as casas, pois no primeiro sinal de casa vazia, pode esquecer, sua fiação voa, simplesmente desaparece.

Isso eu vou tentando contornar, com reativação da movimentação no lugar. E no mais, o corpo ainda está molenga, ressentido e sem condições de voltar totalmente pra ativa. Quero ir fazendo aos poucos, dentro de minhas possibilidades. Trato como posso das coisas aqui de casa, lá do Mafuá, dos escritos e assim, pouco a pouco, tudo deve ir voltando pro mesmo estágio mantido antes da tal viagem. O fato é que ando cansado, molenga e me recuperando aos poucos. Quando me sentir em condições, verão o intrépido HPA por aqui novamente e com a corda toda. Beijos, abraços e apertos de mão...

segunda-feira, 20 de março de 2023

CARTAS (253)

MEUS ESCRITOS MIARAM... MAS SÓ POR UNS DIAS

Volto de viagem e a internet em casa deixou de funcionar. O tal do fuso horário ainda me causa turbulências mil. O Mafuá está em petição de miséria. Juntei tudo e resolvi dar um tempo com os escritos. Só alguns dias. Volto logo e com força total. Por estes dias não está dando.  Não desistam de mim. Tudo na vida é passageiro. Um tempo para recolocar tudo nos eixos ou se embananar de vez. Até mais ver...HPA - Bauru SP, segunda, 21h50, 21 de março de 2023.

SER, FAZER E ACONTECER, SEM ESMORECER - É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.

Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.

E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: “É hora de embriagar-se!

Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser”.

Charles Baudelaire


EU XINGO O EX-JUIZ TODO DIA, POIS NÃO VALE NADA
NOROESTE ADENTRANDO QUADRANGULAR DA SÉRIE AII
- Passamos pelo Velo Clube, de Rio Claro, 0 x 0. Quase 10 mil pessoas no campo. Eu, Claudio Lago e Luzia Aparecida Siscar roendo as unhas. HPA

domingo, 19 de março de 2023

COMENTÁRIO QUALQUER (235)

NA VIAGEM DE VOLTA AO BRASIL*
* Este escrito é representando o do dia 18/03/2023, sábado, quando estava em trânsito e sem condições de postar nada. Chegamos de volta e a internet residencial uma nhaca, travando e sem wifi. Talvez segunda, tudo normalizado. Mas o que seria mesmo a tal normalidade???

MOMENTO É DE VALORIZAR O “DEBATE”*
* Meu 101° artigo para o DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, versa sobre o papel saneador de um jornal no estilo deste. É o que posso fazer no momento, como ajuda para sua continuidade. Vida longa ao Sérgio Fleury Moraes e o semanário:

Eu não me canso de elogiar o semanário DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo, primeiro pela sua existência da forma como se apresenta. A cidade deve se orgulhar muito por possuir um jornal tão independente e a atuar dentro da verdade factual dos fatos, algo quase impossível dentro do atual jornalismo brasileiro. Essa isenção o torna, não só independente, como livre, leve e solto. Um jornal totalmente sem amarras e, exatamente por ser assim, conquistou a admiração popular e assim resiste, persiste e insiste.

Fui convidado pelo amigo Sérgio Fleury a escrever por aqui e cumpro nesta semana a 101ª publicação. Neste período, ou bem antes dele, o que mais admiro em sua linha editorial são os textos produzidos por seu proprietário, a demonstrar a tão necessária isenção jornalística para, principalmente, no quesito político, escrever sem estar atrelado a nenhuma linha. A do jornal é da isenção, ouvindo a todas e deixando que o leitor, diante de tudo ali exposto, chegue em suas conclusões, sem nada imposto ou a influenciar sua decisão. Isso é raro hoje e preservado neste pequeno jornal do interior paulista.

Olho para todos os lados e não consigo encontrar outro com a mesma pegada. Os textos semanais do Sérgio, hoje atuando praticamente sozinho, principalmente quando busca nas histórias de vida, o resgate da importância de todos os envolvidos a tocar este barco adiante, são verdadeiras joias raras. Em cada edição, junto das notícias da semana, histórias de vida e essas, aqui confesso, o que de mais saboroso existe dentro do jornalismo. Este olhar e sensibilidade do Sergio para com o que realmente vale a pena, não só ser observado, mas resgatado e desta forma, transcrito sempre num belo texto é o seu grande diferencial.

Conheci as entranhas de Santa Cruz ao ler semanalmente essas histórias, todas muito ricas, saborosas e apetitosas. O verdadeiro jornalismo sobrevive exatamente por causa disto. Como existe esse algo a mais no DEBATE, ele consegue manter o carinho dos seus leitores. E, neste momento, escrevo este texto exatamente para enaltecer e valorizar o jornalista por detrás do jornal. Sérgio adoeceu, mas resiste bravamente, pois sua vida é continuar fazendo o que sempre fez – e como faz bem feito.

A observar o desdobramento, a garra e fibra com que o jornal segue sua sina. Mesmo diante de todas as dificuldades, conhecidas por todos, percebo aqui de longe, que os anunciantes continuam ao lado da publicação. Eu não me canso de escrever para o amigo e o incentivar a continuar. As adversidades são grandes e a principal é sua saúde, a qual vem tentando driblar já a algum tempo. Em cada nova edição publicada, abro um sorriso e constato: Sergião venceu mais essa. Mergulho nos seus escritos e coleciono as histórias de vida ali publicadas. Tenham a mais absoluta certeza, a cidade de Santa Cruz é privilegiada por possuir algo com a consistência deste DEBATE. Vamos todos, não só enaltecer, mas valorizar e fortalecer sua existência. Estejamos ao lado de quem o faz, com todo esforço e dedicação.
Henrique Perazzi de Aquino – jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

ONDE RESIDE O PERIGO NO BRASIL
"Em depoimentos à Polícia Federal (PF), evangélicos bolsonaristas presos após os atos golpistas do 8/1 relataram que igrejas de várias regiões do país financiaram ônibus e organizaram caravanas para o evento. As informações são do jornalista Aguirre Talento, do UOL QUANDO NÃO SE EXERCITA A RAZÃO E O BOM SENSO ,VIRA MASSA DE MANOBRA NAS MÃOS DE PASTORES  ESPERTALHÕES!", Woltaire Mattosinho, professor.

ENCERRO VIAGEM PELA EUROPA COM PITADA DE BOM HUMOR
O lugar mais visitado e algumas vezes fotografado foram os mijadores, mais conhecidos como banheiros, WC, toilette, banhos e sanitários.Eis alguns destes lugares, por mim, dos mais requisitados. Rendo aqui minha justa homenagem a estes locais, por mim solicitados. Em alguns, passei apressadamente, noutros com mais tempo e dedicação e agora, viagem encedrrada, eu já de volta para minha aldeia, nada como, algumas poucas linhas para quem foi objeto de tanto interesse, diria mesmo, necessidade. Em alguns fui comedido, noutros estabanado, mas em todos, confesso, saí aliviado e reconfortado. Nada pior do que, quando numa visitação, desponta o incontido desejo de encontrá-los e eles muito distantes, aquela coisa inalcançável. A eles todos, meu justo reconhecimento, pela honesta recepção.

sexta-feira, 17 de março de 2023

REGISTROS LADO B (111)


REENCONTRO COM O PROFESSOR FÁBIO PARIDE PALLOTTA E ELE NOS APRESENTANDO LISBOA DURANTE TODA SEXTA-FEIRA - UM DIA PELAS RUAS

COMO VIR EM LISBOA E NÃO CONHECER O AVANTE E A SEDE DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

ELIZATEBE GOMES GLÓRIA, DO PCP NOS EXPLICA COMO OCORRE A DISTRIBUIÇÃO DO JORNAL AVANTE NAS RUAS DE LISBOA
Eis a emocionante gravação, feita na sede do PCP:
NO METRÔ CAMPO PEQUENO, LISBOA, ARTISTA HOMENAGEIA MULHERES E SEUS VÁRIOS OFÍCIOS - Não resisti, fotografei.
Trazidos pelo Fabião Pallotta até essa estação do Metrô, segundo ele, uma das mais bonitas da cidade, nela estátuas de mulheres portuguesas, representando alguns dos ofícios onde atuaram e atuam no país.

NO 111º LADO B, DIRETO DE LISBOA, O INTERNACIONAL PROFESSOR DE HISTÓRIA FÁBIO PARIDE PALLOTTA
Fábio está em Lisboa, Portugal, finalizando seu doutorado, tratando de um tema a envolver sua vida, trens e ferrovia. Professor de História dos mais conhecidos em Bauru, atuando por anos nas hostes da Universidade do Sagrado Coração/Unisagrado é dos mais atuantes no quesito preservação histórica. 

Eu, o mafuento HPA, de passagem por Lisboa e ciente de sua estadia por lá, primeiro o convido para nos levar, eu e Ana Bia, para um passeio pela cidade e depois, no final do dia, um bate papo. Uma conversa sobre estes temas que nos movem. 

Por 40 minutos, algo revelador e a merecer a atenção de tudo, todas e todos. Com vocês, um bate papo internacional.

Eis a gravação feita dentro do restaurante Saboroso em Lisboa:

quinta-feira, 16 de março de 2023

PERGUNTAR NÃO OFENDE (195)


MESMO LONGE DE BAURU, ENTRISTECE RECEBER INFORMAÇÕES DE COMO TRATAM A MAIS BELA ESTAÇÃO DO INTERIOR PAULISTA E NOSSOS TRÊS MUSEUS TODOS FECHADOS PARA VISITAÇÃO
Primeiro leio o que posta Orlando Alves, servidor da Cultura até bem pouco tempo, quando se aposentou. Ele manteve até quando pode, uma oficina de reparos num local na entrada da gare central, hoje completamente abandonada. Seu relato é entristecedor:

"Em 2020 o Ministério Público de Bauru a pedido de um vereador interditou o prédio da estação ao lado do Museu Ferroviário. No local havia várias atividades culturais com inúmeras ongs dando vida ao local, de lá pra não teve nenhum investimento do poder público o local está abandonado sem vigilância sem manutenção e sem projeto. Nesse período a Prefeitura gastou milhões em compras de novos imóveis . O vereador que pediu a interdição do prédio poderia fazer uma visita juntamente com o ministério público e a prefeita. Lembrado também que a composição da Maria fumaça está na linha sem nenhuma proteção, tomando sol e chuva . E o Secretário de Cultura o que tem pra falar?".

Outros comentários sobre o problema e o descaso para com a Estação da NOB, localizada na praça Machado de Mello, tempos atrás, a mais movimentada da cidade, porta de entrada e saída dos trens, época de ouro do desenvolvimento bauruense:

- "Mesmo interditada as pessoas em situação de rua lá permanecem e até dormem ....ENTÃO O RISCO CONTINUA , que tal o ministério público ser acionado novamente e estipular prazo para que a prefeita adote providências cabíveis e utilize o espaço e pare de gastar dinheiro em aluguéis exorbitante , o $$ é do município gaste para o bem da população.....ACORDA VEREADORES E BOTE FREIO NESSA GASTANÇA TODA!!", Fátima Coppi.

- "Sem nenhum preconceito religioso, enquanto o prédio da Estação está abandonado assim como a composição o entorno do prédio histórico recebe investimentos e ocupação do segmento neopentecostal de igrejas evangélicas. Já na quadra 1 da Batista de Carvalho há uma igreja evangélica. Na Predro de Toledo outra igreja está na fase de acabamento. Eu tô chato com essa história porque é algo sintomático e não acredito em coincidência", Ricardo Santana.

- "Tantas cidades restauraram as estações e as transformaram em locais de eventos culturais, mas Bauru que tem um acervo ferroviário enorme e é esse descaso, o atraso aqui não tem limites, temos uma classe política cafona, que defende sabe-se lá os interesses de quem", Maria Cristina Romão.

- "Uma verdadeira farra com o dinheiro público. Um descaso com o patrimônio. E os móveis ? Arrebentando com o uso indevido", Tatiana Calmon.

- "Hummmm....é para refletir.....conquistam o entorno e daqui a pouco permitem uma ocupação esdruxula do patrimônio público...talvez o abandono seja proposital...", Inês Ferreira.

- "Eles nem respondem. É de propósito. Museus fechados, bibliotecas, carguinhos distribuídos entre os errr. Transferiram uma servidora de carreira que estava lotada no museu há, sei lá, 15 anos, com câncer, alegando desvio de função. Outra coleguinha, que é da saúde, TB está em desvio de função lá, mas é errrmã! Aí, pooooooodi!", Rose Barreira.

- "Da dó de ver a Maria Fumaça na situação que ela se encontra trabalhamos muito na recuperação dela agora esse abandono", Edison Reis.

- "Trabalhei nesse prédio por 20 anos, e fico muito triste em ver como a Prefeitura, desde a compra, não dá a mínima atenção ao mesmo. Alugam-se imóveis para instalar órgãos da administração municipal e outros imóveis adquiridos, sendo que o prédio da estação poderia ser utilizado para abrigar setores da prefeitura. Falta de gestão, revoltante", Antonio Carlos Rauni Rineri.

Comentários finais deste mafuento HPA: Isso a acontecer com a garbosa estação da NOB de Bauru é algo não só para ser levado ao MP, mas para criminalizar pessoas pela total irresponsabilidade de como atuam no poder público municipal. Deixar a perder este rico patrimônio é indesculpável. Assim como é indesculpável observar os três museus públicos municipais fechados. Não tivemos um só dia nessa administra da incomPrefeita Suéllen Rosim com algum museu aberto. A situação parece cômoda para alguns, mas incomoda a população ver a inércia e inoperância. Quem se cala consente. Creio deveria haver um movimento dos servidores em busca de uma solução, pois esperar por algo da direção ou de quem está no comando dos museus, me parece ser algo para desaminar. O mesmo acontece com o prédio da Estação, como nos relata o ex-servidor Orlando Alves e todos comentários aqui compartilhados. Algo precisa ser feito e de imediato, inclusive com citação nominal de quem deveria fazer algo e não o faz. Esperar mais acontecer o que para se levantar a voz? O caos está devidamente instalado e a grita deve ser geral, doa a quem doer.
OBS.: As duas fotos são de publicação de Orlando Alves.

ANA BIA ME LEVA PARA CONHECER PESSOALMENTE DANIEL MATTAR E BEBEL MORAES, NA BRISA GALERIA, NO BAIRRO ALTO DO CHIADO, LISBOA, PORTUGAL
Velhos amigos e considerados dão o seu jeito para se reencontrarem quando sabem estarem pela aí no mundo e naquele momento na mesma localidade. Foi o que fez Ana Bia Andrade, no final da tarde de quarta, 15/03, desbravando a cidade, subindo ingreme ladeira a pé, tudo para rever pessoa querida, primeiro o fotógrafo e artista plástico - foto arte -, Daniel Mattar e sua esposa, Bebel Moraes, produtora cultural. Ambos vieram por opção para atuar na Europa quando os trabalhos de Daniel começaram a ter penetração internacional. Escolheram Lisboa como porta de entrada para o mundo e aqui se instalaram com galeria, estúdio/oficina ateliê e residência.

Ana o conhece desde muito tempo, desde tempos universitários e sempre se comunicam. Em nossa casa em Bauru, espalhados nas paredes de casa, reproduções de fotos dele tiradas para ensaio no caderno Ela, do jornal O Globo e cedidas para serem utilizadas em exposição no XIII Colóquio de Moda, que foi realizado em Bauru anos atrás. Na desmontagem, as fotos acabaram nas paredes de nosso apartamento e hoje, após tanto Ana me falar dele e de Bebel aparecemos de surpresa em sua galeria. Perfeita recepção e conversa estendida para quase duas horas, duas garrafas de bom vinho e quando nos fomos, após revirar tempos idos, o casal, muito educado, deu por conta que deveríamos voltar em segurança para casa e aciona um uber para nossa entrega domiciliar.

Na foto tirada pela Bebel, nós quatro entre risos, após bebericar o vinho e prosa de longa duração. Melhor impossível. Ana sai reconfortada após tão grandioso papo, tanto que, adiamos tudo o que tinhamos para fazer na noite de quarta, indo diretamente para nossos aposentos. Ele produz um belo trabalho de arte fotográfica, nos apreserntado em detalhes, com galeria localizada num dos pontos boêmios e de maior circulação em Lisboa. Rever amigos desta forma e jeito é mais do que prazeiroso. Viajar é bom demais, conhecer lugares mais ainda, mas nada é igual a rever pessoas queridas e com elas poder travar boa conversação. Procuramos fazer isto por onde circulamos. Eis um ótimo exemplo do vale mesmo a pena nessas idas e vindas.

SAINDO QUINTA MANHÃ REGISTRANDO TUDO O QUE VÊ PELA FRENTE NA QUENTE LISBOA
Olha quem reencontro numa Feira de Livros no centro de Lisboa. Ouço dizer, ele é muito conhecido por aqui, o que muito me alegra...

E FOMOS CONHECER O CASTELO DE SÃO JORGE, NO CORAÇÃO DE LISBOA

quarta-feira, 15 de março de 2023

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (175)


O DIA FOI CORRIDO EM LISBOA, MAS NADA COMO O REENCONTRO COM O ESCRITOR JOSÉ SARAMAGO
Como é difícl manter a escrita diária, quando numa viagem de 30 dias, hoje chegando ao 27º dia. Sei o quanto é preciso descansar durante algo tão intenso e se não o fizer, ainda mais na reta final, quando o corpo já está mais do que cansado, a incerteza de não conseguir chegar ao fim. Daí, quando no hotel e diante de escrever ou dormir, deitar e apagar, o corpo nem pensa duas vezes e desmonta, para logo mais, manhã seguinte, começar tudo de novo.

Hoje cedo, saímos por volta das 9h e voltamos para o hotel por volta das 20h, quando ainda saímos novamente em busca de um mercado, para nos reabastecer de vinho. No retorno, a cabeça gira e o corpo pede imediato descanso. Daí, mesmo com tudo isto a me embalar, tento escrevinhar algo, lembranças deste dia e aqui posto aos poucos, em drops.

A decisão foi a de dividir o dia em duas grandes visitas. Pela manhã ida até a região de Belém e visitar tudo por ali e na da tarde a região central, suas ruazinhas e entranhas, Baixo do Chiado, com seus museus e tudo o mais. Evidente que, muita coisa não conseguimos, mas ao menos tentamos. Para o turista, diante de roteiro extenso, não adianta desesperar, pois impossível querer ver tudo de uma só vez. Em alguns lugares, dedicação de mais tempo, noutros, um vapt-vupt.

Eu e Ana Bia de posse de um cartão Lisboa Card cada um, temos 72 para utilização em transporte público e entradas em lugares variados. Facilita a vida e assim, não se faz necessário ficar abrindo a carteira a cada instante. Basta apresentar o cartão. A estréia foi com o ônibus linha 727, pego logo aqui na esquina, junto da estação do Metrô Parque. Fomos dar lá perto da famosa Torre de Belém. Para mim, que frequentei bons anos de minha vida duas padarias com este nome, ambas 24h num tempo onde isso era permitido em Bauru, uma na rua Primeiro de Agosto e outra da Duque de Caxias, a imagem daquela edificação me trouxe inúmeras lembranças. Queria porque queria veria a tal torre.

A parada antes se deu para adentrarmos o famoso Mosteiro dos Jerônimos, algo grandioso e com uma fila infindável, dessas que todo turista adora enfrentar. Quase uma hora na fila e depois, lá dentro menos que isso. Tudo vale, pois o visual é impagável. Com a mesma percepção de tudo o que já vi com estes olhos, enfim, como pode tanta ostentação, garbosidade e sintuosidade em algo com conotação religiosa? Essas construções mais me assustam do que engrandecem a alma por tê-las visto. Se for pensar nisto a me martelar a mente, não vejo mais os monumentos todos, reverenciando os "donos do poder" daquelas épocas idas. Tento olhar para tudo só com o viés do monumento histórico. Dó menos.

De lá, partimos para ver com os próprios olhos a tal da Torre de Belém. Bela caminhada e com um trilho férreo, todo cercado, pela frente. A torre do lado de lá e nós dois do lado de cá. Foi uma longa caminhada até encontrar uma passarela e estar do outro lado. Belos parques públicos existem aqui por Lisboa, onde o povo pode se refestelar e ter bons momentos junto ao sol. Por aqui, as manhãs são um pouco frias, tudo esquenta no meio do dia e ao final da tarde volta a esfriar. Neste intervalo, o povo sai às ruas e se esbalda com o sol. Presenciar gente deitada pelos parques é algo para se segurar e não fazer o mesmo.

Voltamos pelo lado de lá dos trilhos, junto ao rio Tejo. Passamos também pelo monumento "Padrão dos Descobrimentos" e muito adiante, adentramos um túnel para nos levar do lado de lá e assim poder, caminhando pouco mais, ir comprar os famosos Pastéis de Belém, feitos no mesmo local desde 1837, num lugar onde novamente imensa fila para adentrar. Não havia fila para quem fosse somente pegar os tais pastéis e foi o que fizemos. Visitamos antes os Museus, da Marinha e o de Arte Popular, além de conhecer também o Centro Cultural de Belém.

Pegamos outro ônibus e este nos deixou no Centro Histórico. O desejo era pegar o bonde de número 15, que aqui é chamado de Elétrico, mas diante de tanta gente na fila, não foiu possível. A intenção a seguir era almoçar. A indicação era procurar o restaurante João do Grão, mas o mesmo, para nossa tristeza, fechou as portas definitivamente. Uma pena, pois só ouvimos coisas boas deste. Como já era mais de 15h, nem todos estavam abertos e sem conhecer, avistamos um bem simples e o adentramos, quando demos de cara com todos os funcionários já no almoço para fechar as portas. Fomos recebidos de braços abertos, a cozinheira de colocou à disposição de montar seus últimos pratos do almoço e assim, juntamos as mesas, num almoço e conversação de outro mundo.

Na saída, pedi ao dono do estabelecimento para nos ensinar o caminho mais suave para irmos ter com nossos corpos na Casa dos Bicos, a Fundação José Saramago. Ver a carinha deste grande mestre estampada na parede frontal foi de arrepiar e me lembrar da desgraça hoje ocorrendo no estado onde moro, quando um governador bolsonarista retira o nome de uma estação do metrô, dada a Paulo Freire substituindo por o de um bandeirante, algoz do povo. Saramago e Paulo Freire muito se assemelham. Na entrada, lugar bem visível uma placa de rua com o nome de nada menos que Marielle Franco. Justa homenagem desta mártir brasileira, cuja identidade de seus assassinos ainda conheceremos.

Viajei pelo interior de seus quatro andares disponíveis para visitação, reencontrando também Jorge Amado, numa justa homenagem. Este paraíso, livros por todos os lados, após tantas visitas feitas durante o dia foi para lacrar os passeios desta quarta com chave de ouro. Não resistir e gasto meus caraminguás em dois livros em homenagem a Saramago e numa camiseta dom uma frase de sua autoria estampada em sua frente: "Não te permitas nunca ser menos do que aquilo que és". Saramago é um dos autores estrangeiros que mais tenho títulos, leitura mais do que saborosa e agradável. Trata-se der um ser iluminado, vindo ao mundo para nos iluminar e assim, hoje foi o motivo para me reanimar. Mesmo ciente de que, rodeado de inúmeros monumentos e ilustres figuras portuguesas com estátuas em prça pública, foi neste local, onde mais apreciei no dia de hoje o que vem a ser um passeio ter valido mesmo a pena.

Tenho outro passeio a relatar, quando Ana Bia me leva para dentro do Chiado, numa ingreme subida de ladeira, para rever pessoa querida dos seus tempos de Rio de Janeiro, mas isso merece outro post e história contada em separado. É o que farei quando conseguir tempo para tanto.