sexta-feira, 23 de junho de 2023

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (217)


LACRADO O IMPERIAL
A marca dessa administração é essa: lacra e assim dá por encerrado e resolvido o assunto. A cidade amanhece com a lacração das instalações do antigo hotel Imperial, localizado junto da praça Machado de Mello, coração do progresso inicial desta Bauru, hoje mais do que rejeitando, não só a praça e seu entorno, mas quase todo o seu velho centro. Este hotel tem história, pois depois do Cariani, justamente um ao lado do outro, foram na praça, os dois olhando de frente para a estação da NOB, ponto de convergência de muito do que ali acontecia. Outros hoteis existem nas imediações e continuam resistindo, alguns bravamente e se impondo, como o Avenida, na esquina da Rodrigues com a Monsenhor. Este feneceu junto com a degradação total e absoluta da praça. Tudo já era periclitante, mas veio a pandemia e depositou a pá de cal no local. Até o posto policial fechou suas portas e a padaria que, durante décadas funcionou 24h, fecha hoje lá pelas 20h. Não está mais dando para ter uma vida normal no local. Dona Mercedes, gerenciou o hotel até o momento em que se viu cercada e a partirdaí perdeu o controle. Culpa dela? A com menor culpa, diante de tudo o mais. O maior culpado não são as pessoas hoje ocupando a praça e sim, como deixaram ao longo do tempo tudo ir sendo dilapidado e destruído, chegando na situação atual. Desta forma, o poder público, desta e de outras administrações
são os maiores culpados, disto não tenho a menor dúvida.

O que a atual alcaide faz é tentar resolver tudo ao seu modo e jeito, sem nenhum consulta popular e movida somente pela sua cabeça. Higienização urbana é um horror e isso acontece em Bauru, quer queiram ou não alguns ainda enxergando algo de bom no ato de ontem, o de derrubar todos os imóveis no entorno. Sobraram o Hotel Milanesi, o Hotel Estoril, o Hotel Imperial e o Hotel Cariani e só não foram derrubados, pois ainda estão tombados pelo CODEPAC - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de BAuru -, do contrário, já estariam abaixo, pois assim pensa a alcaide.

O lacre com os tijolos sendo colocados na frente e janelas do Hotel Imperial resolvem o problema? Evidente que não. Tudo bem que lá, existia algo com necessidade urgente de solução. Não existia mais como ele continuar aberto e propiciando o que se via, mas pelo lacre, a forma como foi colocado, num imóvel particular, iniciativa privada, vejo mais do que um perigo. Será foi estudada alguma possibilidade de aproveitamento da edificação, em boas condições físicas, para algo público, como atendimento aos tantos moradores em situação de rua vivendo na região ou mesmo para a tão requisitada creche para os filhos dos funcionários do comércio central? Não, foi um lacre e só isso, nada mais. Vemos a Prefeitura alugando imóveis à torto e a direito, sem muitas justificativas e neste, numa região necessitando de tantos olhares e atenção, vieram os tijolos e o cimento, com o lacre.

A região merece mais, o Imperial, Cariani, Milanese e Estoril merecem mais, muito mais. O que foi feito do projeto idealizado no final da administração do ex-prefeito Clodoalgo Gazzetta, com algo substancial para aquela quadra? Foi engavetado, jogado no lixo ou ainda existe alguma possibilidade de ser implantado? O centro da cidade não precisa de lacres e sim de conversa, estudos e solução. Isso não ocorre. Quem além da alcaide decide algo dentro da estrutura da atual administração? Ela permite alguma conversa neste sentido, enfim, ouve alguém? Quem? Precisamos neste momento como se deu as tratativas entre a alcaide e dona Mercedes Talarico, gerente do local até ontem? Quais as condições impostas com o lacre? Isso deve ser informado e com todos os detalhes possíveis pela alcaide e os seus, pois do contrário, mais um ato arbitrário. Como tudo isso ainda está em curso, muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte. Hoje, a lacração, amanhã veremos as explicações e as intenções, o projeto, o que virá disso tudo.

POIS É, CHEGUEI AOS 63 ANOS
Alguma escrevinhação a respeito. 
Deixo para escrever algo no final do dia, pouco antes de deitar. Não tenho como agradecer a tanta gente que compareceu por essas bandas para me dar os parabéns. Fico muito feliz e o que prometo a tudo, todas e todos é algo que pode agradar a alguns, mas não a todos. Consegui chegar até aqui e assim sendo, não tenho mais como recuar, ou no mínimo arrefecer os ânimos e me atocaiar, ficar numa espécie de retiro e sumir do mapa. Se sumir do mapa, podem ter certeza, algo de muito grave aconteceu com este velho bardo. Não tenho muito mais coisa a perder nesta vida e não vejo como mer aquietar diante de tanta iniquidade vendo acontecer à minha volta. Neste endireitamento do mundo, algo ocorreu comigo. Creio ter piorado o meu aspecto físico, pois diante de tudo o que ia vendo acontecendo, não tinha como não entronizar isso tudo dentro de mim, daí foi um pulo para pipocarem problemas. Se o taldo seu jair (com minúscula mesmo) tivesse conseguido sua reeleição, creio eu, estaria muito mais doente e com aparência quase irrecuperável. Viver num regime despótico, cruel e insano torna a vida das pessoas algo bem mais difícil. Felizmente conseguimos eleger Lula e hoje, seis meses e pouco de Governo, mais do que uma luz no final do túnel. Hoje mesmo, vendo o discurso do danado em Paris, primeiro na Torre Eiffel e depois, logo pela manhã, junto a vários dirigentes europeus, quando falou principalmente da Amazônia, ele lavou a alma de todos seus eleitores e dos brasileiros conscientes e lúcidos. Como é bom ter um país lutando muito para voltar a ser altaneiro e pujante. Deu muito mais vontade de continuar na lida e é isso que faço em cada nova manhã. 63 anos no lombo cansam um bocadinho, mas mesmo que na aparência, as evidências demonstrem alguma deterioração, por dentro tenho me renovado e buscado forças lá no fundo de mim e pronto para tudo. Já vi de tudo nessa vida e depois dessa bestialidade vivenciada pelo País no pós 2016, com o golpe dado em Dilma Rousseff, depois a crueldade da Lava Jato, felizmente desmascarada, com a esperança renascendo com Lula voltando e se rodeando de notáveis, mesmo que alguns ruins ali por perto, tudo pela tal da governabilidade, estamos no lucro. O país se renovou, se oxigenou, vencemos o mêdo e tudo o mais, demos a volta por cima e eu também me coloco na mesma posição. Sai do estado de adoecimento para o de fortalecimento, pois me vejo renovado e desta forma, como sempre agi, não fujo da raia, estou por aí, na lida e luta. Continuarei ácido, talvez até mais, pois com o tempo a gente vai perdendo aquilo de ficar engolindo sapo e aguentando impropérios de gente desqualificada. Briguei com muitos e brigarei com outros tantos, tudo para não me submeter aos retrocessos propostos pelo bestial endireitamento que estava em curso. Nada foi ainda vencido, mas estamos aí para isso mesmo, para lutar, esgrimar e mmuito em busca da realização de nossos sonhos. Gente, como disse meu mestre Aldir Blanc, numa de suas lindas canções, "envelheci mais continuo em exposição". Tô e devo continuar por aqui. Sou assim mesmo. Eu luto e busco estar sempre do lado certo. Estes perveros envolvidos em tantas tramóias terão sempre em mim um inimigo implacável. Uso este espaço para expor minhas ideias e nelas, bem nítido minha forma de pensar e agir. Desculpe qualquer coisa, mas se não mudei até agora, não me peçam para ser diferente, justamente agora, quando me restam cada vez menos tempo de vida por estas bandas. Baita abracito e obrigada por tudo.

OI

RETRATOS DE BAURU (277)


QUEM É DONA MERCEDES TALARICO, GERENTE DE MUITOS DOS HOTÉIS DEGRADADOS NO CENTRO VELHO DE BAURU
Enfim, quem é essa simpática senhora, que hoje pela manhã acompanhou com o olhar desolado a demolição promovida por decisão da prefeita, Suéllen Rosim em edificações no entorno da praça Machado de Mello? Ela tem história e polêmica, como muito do que acontece no centro bauruense. Hoje, Mercedes Talarico está completando 80 anos e durante anos gerenciou no centro bauruense diversos hotéis, principalmente alguns na região da estação ferroviária central. Ele pegou tino pelo negócio, o de quando percebia algum destes hotéis com dificuldade, se aproximasse e a partir daí, se oferecendo para gerenciá-los. Deu certo em vários deles, ou melhor, deu certo em partes, pois tudo foi conseguido durante um tempo, depois muitos deles fecharam em definitivo e praticamente sem condições de recuperação, ou seja, de serem reabertos. Tudo bem, a pandemia acelerou a destruição quase definitiva de muitos deles em ter portas abertas e funcionando como dantes. Se a situação já estava ruim tudo se complicou e hoje, pouquíssimos continuam abertos.

Dona Mercedes é memória viva para contar e reviver toda essa história, pois foi e continua sendo "testemunha ocular da História" bauruense, principalmente a da destinação de muitos dos hotéis da velha guarda aqui em Bauru. Hoje, ela me disse textualmente estar triste, pois ainda atende no Hotel Imperial, antes um dos grandes ali na praça, mas hoje não tem mais condições de tocá-lo como antes e o que se vê, de fato, é todo o edspaço físico ter sido cominado e ocupado por moradores diversos, muitos em situação de rua, outros simplesmente ali morando e dali não querendo sair. Como ela, mesmo sabendo como tocar este tipo de negóciom, consehuiria hoje administrar o hotel, diante da fragilidade com que é vista nas fotos tiradas hoje pela manhã? Praticamente impossível.

Nem sempre foi assim. Para quem se interessar, ela detém muitas histórias e sabe muito da destinação final de muitos dos hotéis da região. É uma espécie de memória viva, dentre tantas que já se foram. Ou aproveitamos este momento para ouvi-la, ver como tudo foi acontecendo, ou em breve nem isso mais teremos. A destinação final do Hotem imperial é quase certa. A prefeita já está anunciando que, providências serão tomadas e do jeito que está não irá permanecer, ou seja, todo aquele pessoal que ainda mora nas suas instalações estão com os dias contados. Farão com o Imperial o mesmo que com o visto hoje? Destino incerto e ainda não totalmente sabido.

José Xaides, hoje entrevistado por mim no Lado B nº 117 conta que, quando chegou em Bauru, idos dos anos 80, chegava pelo terminal rodoviário, mas se deslocava de ônibus urbano até a praça Machado de Mello. Ele se hospedava regularmente no Hotel Imperial e conta histórias boas do primor de como era o atendimento. Neste tempo, o hotel não era administrado por dona Mercedes. O fato é que, com o passar dos anos e a região sendo cada vez mais esquecida, tudo no seu entorno foi se deteriorando e tudo, mas tudo mesmo, está hoje num estado lamentável. Somente a edificação na esquina junto da estação, onde por ali funcionou por décadas o armazém Dias Martins se mantém em pé, hoje ocupado por uma igreja evangélica neopentecostal. No mais, o posto policial se foi e com ele, três comércios resistem, mas fecham cedo. Uma sorveteria na esquina, um bar, antes famosa banca de revistas e a padaria, que até pouco antes da pandemia funcionava 24h.

Disse pessoalmente para dona Mercedes do interesse em ouvir suas histórias e se mostrou receptiva. Irei, com toda certeza, pois mesmo não concordando com a forma como muitos dos seus hotéis feneceram ao longo dos últimos tempos, reconheço e vejo nela, algo além de uma boa história. Ela representa uma época e precisa ser ouvida, entendida, portanto, em breve, se tudo der certo, volto para algo mais detalhado. No momento, a imagem que não me sai da cabeça foi a dela e de um senhor voltando para o hotel, ambos de cabeça baixa, meio que resignados com o que viram acontecer com algumas edificações por ali e prevendo que, na sequência, o Hotel Imperial estaria na mira.


ANTES DA SAÍDA DA PRAÇA, EIS QUEM REENCONTRO NA PADARIA
Quem abrilhanta hoje minha postagem é nada menos que Neto Keller (essa junção é mais do que precisa), um artista e cozinheiro de mão cheia. 

Realizei hoje pela manhã na praça Machado de Mello mais um Lado B, num dia quando a região estava empoeirada, pois a prefeita botava abaixo muitas edificações na região. Eu e o entrevistado da manhã, o professor José Xaides terminamos o papo e boca seca, procuramos um lugar para molhar as palavras, água e café. 

Acabamos na padaria do lugar e ali, diante de nós, sentado tomando tranquilamente uma cervejinha, com o cotovelo encontado no balcão, justamente Neto. Nos aproximamos, puxamos conversa e ficamos os três proseando algo sobre o passado reluzente dele, da região e de todos nós, enfim, éramos um trio ali de barba branca, espécimes mais do que reluzentes numa manhã opaca, devido ao realizado pela mente destruídora de edificações nos tempos atuais. 

A conversa fluiu e dela, trocamos telefones e promessas de continuidade em conversações outras, quando com mais tempo, algo mais poderia ser dito, lembrado e depois postado por este mafuento escrevinhador. Neto, depois de umas cervejinhas diz ter muitas histórias pra contar e desde já, saio de lá compromissado a sentar com ele nalgum lugar e dar vazão para o que nossas cabeças nos orientar. Das trombadas da vida, rever Neto, assim desta forma totalmente sem querer é pra dar contentamento pro dia pela frente. E nem tocamos muito no tal que ele hoje faz questão de carregar como sobrenome, Paulo Keller. Mas isso tudo é para outro encontro, o que deve ocorrer em breve.

outra coisa
SERÁ POSSÍVEL? MÍDIA BAURUENSE SÓ REPERCUTE NOTÍCIAS FAVORÁVEIS AO ASTRONAUTA
A Agência Marcos Pontes, do ex-ministro de Ciência e Tecnologia e atual senador Marcos Pontes (PL), vendia pacotes para o passeio do submarino OceanGate pelos destroços do Titanic. 

O submersível desapareceu no Oceano Atlântico no domingo, com cinco tripulantes a bordo, durante uma das expedições. A informação foi divulgada pelo perfil de Jefferson Menezes nas redes sociais e pelo portal "Metrópoles" e confirmada pelo GLOBO. O preço da expedição não era divulgado. Procurado, o senador Marcos Pontes ainda não se manifestou. Saiba mais em http://glo.bo/3p6JpAo #JornalOGlobo

O hilário da mídia bauruense é que, dois dias antes todos os órgãos publicaram algo de uma mequetrefica cirurgia a que foi submetido o astronauta, mas na sequência, nenhum deles ousou dar a notícia que o mesmo, com a agência levando seu nome, vendia pacotes para o tal passeio até o Titanic. Por que isso? Seria puxa-saquismo ou algo parecido? Estariam todos entrelaçados em só divulgar coisas positivas a envolver tão problemática e atribulada pessoa? Ainda sem entender...

quarta-feira, 21 de junho de 2023

REGISTROS LADO B (117)


BATE PAPO COM O ARQUITETO E PRÉ-CANDIDATO A PREFEITO PELO PDT, JOSÉ XAIDES ALVES
Por que Xaides e neste exato momento? Não poderia ser mais oportuno. No momento, nenhuma outra candidatura a prefeito está lançada a representar o campo popular, ou algo como a sugerir uma Frente Ampla na cidade Bauru. O professor Xaides, pode não representar isso tudo, mas teve a coragem de já se propor às feras, ou seja, está nas ruas e visitando gente por todos os lados. Ou seja, levou a sério isso de se lançar como possível e provável candidato, no caso pelo PDT. Com ele, neste 117º "Lado B - A Importância dos Desimportantes", algo mais de sua história e trajetória. Este o papel deste mafuento HPA, o de ouvir as pessoas, conhecer o que já fizeram, onde já estiveram enfurnadas e o que estão a fazer no momento e também, sua proposta de vida daqui por diante.

Junto tudo isso e assim de memória, lembro que Xaides aqui chegou aportando de pequena cidade mineira, onde já foi candidato à prefeito, pelo PT. Veio pra cá para dar aulas na Unesp Bauru, curso de Arquitetura e aqui foi ficando, fincando raízes. Sua esposa, Eliane montou consultório, dentista de profissão e juntos se firmaram na cidade. desde então, ele vem se mostrando para Bauru. Em administrações passada, chegou a trabalhar como Secretário e isso também merece um bom relato. Xaides está pronto, segundo me diz, a falar de tudo e é isso que queremos dela, ouví-lo, enfim ele almeja neste momento ser prefeito da cidade.

Tem algo pra nos contar também de sua trajetória na universidade pública. Sempre todos por aqui estamos a perguntar da participação desta, sua contribuição para com a cidade e, além disso, queremos também saber, o que a cidade tem proposto nesta troca, o que tem sugerido para a universidade propor. Como seria essa troca? Ela acontece? Xaides dará sua versão disso tudo, pois não tem como o maior campus da Unesp não ter uma vinculação umbilical com a cidade onde está fincada. Isso tudo tem também a ver com o planejamento urbano de Bauru. Ele de fato ocorre? Como se dá?

Outro tema é sobre a preservação do patrimônio histórico e cultural de Bauru. Num momentoquando vemos muitas edificações se perdendo, aprodrecendo a céu aberto, abandonadas e sem perspectivas de restuaro, com muitos pensando em derrubá-las e no lugar algo "moderno", é sempre bom ouvir algo de um estudioso do tema. Xaides estuda este assunto com profundidade e tem muito para nos contar do que acontece, do que deveria estar acontecendo e do que ainda pode ser feito sobre o assunto.

Evidente, falaremos também do que acontece com o Brasil, sua polítca nacional, o golpe de 2016, a possibilidade da ultra-direita tomar o poder e o que resultou disso tudo. Impossível não falar da destruição ocorrido desde 2016 e, agora, com o retorno de Lula ao Governo, a retomada e algo oxigenador. Como o cidadão e o candidato Xaides enxerga isso tudo? Onde está engajado e como pensa o que foi feito e o que temos sugeridos como possibilidades de refazer e fazer. Creio, que um prefeito de uma cidade como Bauru, deve pensar em tudo isso e verificar como circula nos vários segmentos existentes na cidade.

Percebam o quanto essa conversa se faz necessária. A história dele pode demonstrar algo neste sentido, onde esteve atuando desde sua saída de Minas Gerais até o dia de hoje em Bauru. Uma profícua conversa, necessária e num local dos mais pulsantes desta cidade. Vamos começar o bate papo desta quinta no coração da praça Machado de Mello, o local por onde foi pujante o sucesso desta cidade, pois tudo fluia dali, do famoso entroncamento ferroviário. Aproveitaremos para falar tambpem de ferrovia, comércio central, degradação deste local e como pensa isso tudo. Outros temas também necessários, como o do término da ETE, o futuro do DAE e da Emdurb, isso tudo junto e misturado em uma hora de afiada conversa.

Será amanhã, quinta, 22/06/ 10h aqui pelo Facebook deste mafuento HPA. Todos e todas convidados. Venham ,pois a conversa promete e quem participar, pode ir dando seu pitaco e também me ajudando com questionamentos e perguntas. Quero ouvir as pessoas, contar suas histórias e amanhã será a de Xaides, a 117º deste projeto.

AINDA ALGUMAS PALAVRINHAS MAIS SOBRE A MANHÃ DE QUARTA, O LADO B COM O XAIDES E O QUE ACONTECE COM A PRAÇA MACHADO DE MELLO
Conto o vivenciado ontem. Marquei o 117º Lado B com o arquiteto Xaides, onde além dele falar de sua trajetória, íriamos falar sobre as questões urbanas. Ele como arquiteto, sua pauta diária de estudos e ao algo mais acontecendo em Bauru, com a degradação de edificações históricas, culminando com todos os problemas do centro velho da cidade. Digo a ele que o melhor lugar para o encontro seria na Praça Machado de Mello e definimos o horário, 10h. Amos, chegando por lá a surpresa, tudo sendo botado abaixo e com a presença da alcaide municipal e de muita gente, desde vereadores a servidores municipais, os envolvidos com o ocorrido e outros, ali convidados para ela ter assistência quando de suas falas.
Foi uma mera coincidência. Não diria das melhores, pois o ocorrido foi estarrecedor. Não pela demolição, mas pela falta de projeto do que está por detrás disso tudo. Não existe um projeto em pauta, somente a mera destruição. Restaram na praça os imóveis dos Hotéis Milanesi, Estoril e Cariani, todos tombados pelo Codepac e o Imperial - até ontem ocupado e hoje, esvaziado e lacrado. No mais, tudo veio abaixo. Gravamos com o som da demolição ao fundo. E aproveitamos do momento, para inverter a pauta do bate papo. Evidente, demos muito mais atenção ao ocorrido e Xaides, desceu a lenha, com conhecimento de causa. A alcaide, em alguns momentos nos rodeou, mas como sabia não teria facilidades conosco, permaneceu distante. Aparece em alguns momentos ao fundo da gravação, pela proximidade em que nos encontravámos. O resultado pode ser conferido nas duas gravações compondo este Lado B. Foi uma conversa e tanto.

Eis dos dois links do bate papo, feito em em duas partes, pois por problemas técnicos o primeiro foi interrompido aos 20 minutos, concluída a conversa no seguinte:

Link 2: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/241891625215846

outra coisa - TRETA
Recebo ligação de amigo distante e este me traduz em uma só palavra tudo o que está em curso hoje na maioria dos relacionamentos políticos, sejam eles entre a implantação das políticas públicas municipais, como também nas relações entre as administrações e os vereadores. Ele coloca tudo num balaio só, finalizando com uma frase, a "é onde eles funcionam" e dispara a palavra chave: TRETA. Ele me faz refletir sobre o que anda acontecendo em muitas cidades, cita algumas, as obras públicas, o dinheiro advindo das emendas parlamentares e de como é implantada sua utilização e cita exemplos de como ocorrem hoje em dia os tais aditivos para obras iniciadas e nunca terminadas. Treta. Ele a enxerga em tudo e continua me desfiando o rosário. Pede para que observe atentamente como está ocorrendo as tais privatizações de serviços públicos, quem está sendo beneficiado e dos motivos de se fazer algo neste sentido, quando onde já ocorreu, após algum tempo, tudo acaba sendo desfeito, tal o encarecimento no preço pro consumidor. Ele explicita cada caso e para todos resume tudo, repetindo a palavra chave: Treta. Conta algo de uma cidade longe daqui, onde a Prefeitura preferiu deixar de lado os prédios públicos e ser transferida para alugados, sendo que a maioria das secretarias hoje estão instalados longe da gratuidade e pagando caros aluguéis. Treta. Ele não pára e diz ter muitos outros exemplos, como o de outra localidade onde para não ter que devolver grana numa verba carimbada, o administrador compra tudo o que viu pela frente. Neste caso ele grita em alto, treta. Fiquei ouvindo atentamente, ele citando casos e mais casos e em todos, me alertando, para se atentar se tinha ou não razão, "é ou não treta?". Num outro, diz do vereador antes do PT, mas depois de eleito, mudando da água pro vinho, se bandeando para apoiar o lado oposto, o do prefeito, pois desta forma, fala de ter exposto sua verdadeira face. Treta. Não se convence quando vê acontecendo pela aí, a existência de uma panelinha de fornecedores, ela impedindo contratos com quem dela não pertença. Por fim, após me relatar muitos casos, sou obrigadoa confessar e aceitar o que me sugere, a palavra que resume tudo isso é uma só: TRETA.

FOI REALMENTE ABUSIVO - VI AS IMAGENS ONTEM NA TV TEM, HORA DO ALMOÇO
Cabe ao Supermercado Confiança mais do que, simplesmente dizer ter demitido os envolvidos. Havia uma conta e produtos já pagos e um bombom em aberto. A truculência é inaceitável. As imagens correm o país e o estrago na imagem do supermercado já está feito. Seria bom, algo além de meras palavras.


Homem é espancado por seguranças de supermercado por suspeita de furto de bombom; vídeo: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2023/06/20/homem-e-agredido-por-segurancas-de-supermercado-por-suspeita-de-furto-de-bombom-video.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=share-bar-mobile&utm_campaign=materias&fbclid=IwAR3CbGGNOyjh--hDSa1_1DVm5y1flML5rvsW_ZgksV_hNlIiKMluglkpCsg


Comentários:
- "O caso não é isolado , ocorrendo na rede desse mesmo supermercado. Já presenciei inclusive, busquei intervir . Tem algo acontecendo e que envolve instituição pública. Estou denunciando para Ministério DH . Bauru está famoso", advogada Maria Cristina Zanin.
- "Absurdo.. Ainda que se trate de furto, é um produto de 2 reais e é um alimento que nesse frio, talvez fosse um desejo de um filho... Falta consciência e compaixão com o próximo.. Quanto ao crime de furto, isso é um problema de polícia.. Não acredito que seja orientação da direção do supermercado.. Mas a equipe de segurança é no mínimo bandidos", Sergio Pascale.
- "Seguranças sem treinamento, com ódio e desejo de espancar seja quem for, lamentável essa rede de Supermercados ter em seus quadros, empregados desse nível, são homens treinados para espancar primeiro e depois perguntar, esse tipo de gente precisa urgentemente ser banido do convívio com a sociedade. O que fiquei indignada foi que os espancadores são muito jovens e um senhor sentado, nada fez, ficou assistindo como se fosse um espetáculo. Triste demais, um horror , tanta maldade por nada", Iole Antoniasse.

terça-feira, 20 de junho de 2023

DIÁRIO DE CUBA (233)


DOS QUE FOGEM COM DINHEIRO ARRECADADO E PARA ESCAPAR DA CANA DURA...
É hilário, porém, triste demais da conta ainda presenciar algo tão escabroso. O cara foi cassado por irregularidades comprovadas, tentativa de tramóias quando de sua eleição. Só ele mesmo contestou, porém, até seus pares confirmaram dos motivos de ter sido defenestrado. Daí, fez campanha junto das redes sociais, via PIX - algo mais do que imediato em sua conta -, tudo para arrecadar grana viva para saldar multas e encargos a ele imputados pela Justiça. Ou seja, conclamou os bobocas para pagarem sua conta. Não prestou conta se recebeu o suficiente ou muito mais do que esperava e agora, quando a Justiça estava nos seus calcanhares, prestes a ter que responder por outros delitos, principalmente, os de ter junto de outro juiz, aprontado feio, desrespeitando a legislação existente, tudo para beneficiar a si próprio, aos seus e aos apaninguados, em detrimento do que prescreve a lei. Pois bem, esse sacana, o ex-deputado federal, já cassado e ex-mandante mór da Lava Jato, Deltan Dallagnol, mostra finalmente a que veio, ou seja, aprontou feio, juntou grana e escapuliu pela porta dos fundos. Hoje já nos EUA, ri de tudo e todos e ainda possui o disparate de continuar gozando de todos por aqui, se dizendo inocente, perseguido e última cereja do bolo da honestidade.

Esses que fogem com a grana alheia fazem história. Neste país muitos o fazem. Primeiro aprontam muito e contam com a impunidade e o pouco conhecimento do que de fato ocorre. Na verdade contam com o que o professor da UNB, José Geraldo Junior afirmou quando inquerido por bolsonaristas na CPI contra a MST: "Você não tem cognição para representar cerebralmente uma imagem incompatível com o quadro mental da sua cultura". Um pena isso, pois tudo tão claro e muitos ainda não entenderam quem são de fato seus algozes. Na verdade, nem entendem o que quiz dizer o meste da UNB. A maioria do povo brasileiro, preocupado com sua sobrevivência, infelizmente, ainda não se deu conta disso, do mal causado ao País por gente como Dallagnol, Moro, Bolsonaro e toda a corja que os acompanham. Fugir quando a coisa está pra pegar é algo dos ditos mais espertões, os que aprontaram muito, mas na hora da onça beber água, ciente de que, não terão mais como fugir, se refugiam em escapar. Pérfidos até a medula. Os piores de todos. Este Dallagnol é só a ponta de um iceberg imenso a destruir com este País. Que, ao menos, Bolsonaro não fuja e nessa semana seja exemplarmente punido, primeiro pela tentativa frustrada de golpe, onde todos sabem é o cabeça de tudo, depois pela continuidade dos crimes de lesa-Pátria já devidamente relatados dia após dia, por todos os lugares. Ao menos isso...

PS: Aqui em Bauru, quantos não aprontaram na quartelada da rua Bandeirantes e hoje se fingem de bobos para escapar da bazófia onde estiveram enfurnados. Agem igual a Dallagnol.

RELAÇÃO DOS CRIMES DO GENOCIDA
Inelegibilidade? Inelegibilidade é muito, mas muito pouco para este ser abjeto, nojento, absolutamente rastejante e que dentre tantas crueldades produziu esta lista aí de baixo.
Sendo que está aí computado apenas um terço do que produziu em destruição. Que não esqueçamos o massacre diário na sanidade de qualquer cérebro pensante.
Segue minha lista, onde os primeiros 9 ítens são apenas na CPI da pandemia:
• prevaricação
• charlatanismo
• epidemia com resultado morte
• infração a medidas sanitárias preventivas
• emprego irregular de verba pública
• incitação ao crime
• falsificação de documentos particulares
• crimes de responsabilidade (violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo)
• crimes contra a humanidade (nas modalidades extermínio, perseguição e outros atos desumanos)
.Responde a quase 600 processos na Justiça.
.Genocídio de povos indígenas com apuração no Brasil e no Tribunal Penal Internacional em Haia.
.Incitação aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
.Vazamento de dados de investigação sigilosa da PF.
.Associação falsa entre vacina contra Covid e o vírus HIV
.Vínculo com organizações para difusão de fake news sobre processo eleitoral (milícias digitais e atos antidemocráticos).
.Ataques sistemáticos a jornalistas. Ataques sistemáticos a mulheres, índios, quilombolas, gays e qualquer um que considerasse "inferior".
.Convidar ao Palácio do Planalto a viúva do torturador Ustra.
.Convidar ao Palácio Major Curió – assassino sanguinário que na Ditadura comandou a repressão no Araguaia, ocultando corpos, e que chamou de “homem de honra” e “defensor dos garimpeiros”.
.Jóias milionárias surrupiadas para seu arquivo pessoal.
.Motociatas com o custo de 100 mil reais cada uma (por baixo, pq teve gasto em padaria num único dia 169 mil).
.Cartão corporativo para compra de caviar, picanha e rivotril.
.35 mil comprimidos de viagra pelas Forças Armadas e 546 mil reservados para adquirir botox para os militares, entre 2018 e 2020 e mais 3,5 milhões em próteses penianas.
.Retirada da população LGBT da políca de Direitos Humanos
.Extinção de 22,4 mil cargos de Saúde, destes, 10,6 mil agentes comunitários.
.Contrariando a OMS, seu Ministério da Saúde veta o termo “violência obstétrica”.
.Acabou com a Política de Valorização do Salário Mínimo
.Liberação recorde de agrotóxicos.
.Desmantelamento da fiscalização ambiental.
.Cortou orçamento do Ibama, ICMBio e Inpe, órgãos-chave para combate ao desmatamento
.Desmatamento na Amazônia cresceu 150% perdendo de floresta o equivalente ao Estado do Sergipe e Alagoas.
.Fim do departamento de HIV/Aids no Ministério da Saúde
.Redução do acesso ao SUS.
.Corte de 96% do orçamento para 2023 na educação infantil e 34% na educação básica, com redução de R$ 1,096 bilhão no programa “Educação básica de qualidade”.
.Cortes em Universidades Federais. Pagamentos de residentes de medicina suspensos, corrupção no MEC, criação de escolas militares com orçamento triplicado.
.Vetou integralmente o projeto de Lei que incluiria o ensino diferenciado em escolas da zona rural.
.Em plena crise sanitária virou as costas para a internet nas escolas, onde as classes D e E ficaram abandonadas.
.Bloqueio de mais de dois bilhões de recursos destinados ao MEC, abrindo a torneira a parlamentares aliados para gastarem como quisessem - sem transparência, sem nada.
.Ministério da Cultura transformado em secretaria dentro do Ministério do Turismo.
.Enquanto secava a fonte de financiamento da área cultural, sua gestão permitiu a criação do orçamento secreto e passou a usá-lo como instrumento para garantir apoio no Congresso. Só de junho a 14 de dezembro de 2022, o governo federal liberou R$ 7 bilhões para o esquema. A quantia é mais que o triplo do orçamento da Cultura no ano, e permitiria sustentar a área por três anos.
.Sigilo de 100 anos sobre assuntos que trouxessem a tona sua enxovalhada de mentiras.
Se quiserem podem continuar a lista... Obrigada.
Rosa Maria Martinelli

O PAPEL DOS ROTARYS, LIONS E AFINS NO BRASIL CONSERVADOR E, QUIÇÁ, TAMBÉM GOLPISTA - O QUE SERIA ISSO DE "O MEGA CENTRO-OESTE"?
Hora do almoço aqui em casa, eu responsável pela comida que viria depois à mesa. Como sempre faço nestes momentos, posto o celular ali diante de meus olhos - e também, é claro, ouvidos - e inicio os trabalhos. Hoje escolho ouvir o "Política na Veia", programa semanal de Carta Capital, gravado sempre às terças, 11h. No tema de hoje, "As novas peças da trama golpista", conduzido pela jornalista Thais Oliveira e como convidados para o debate Luís Nassif, do Jornal GGN e Cláudio Couto, cientista político. Lá, durante a conversação, algo pelo qual há tempo queria abordar num dos textos escritos por mim. Escrevo a seguir sobre o papel golpista no Brasil de entidades como Rotary, Lions, Associações Comercial e também Lojas Maçônicas. Eis aqui o link para quem se predispor a assistir o papo com uma hora de duração: https://www.youtube.com/watch?v=7PVfTtnH35I

Na verdade, nunca entendi direito o papel dessas entidades. Talvez mero papel filantrópico, assistencialista e de contribuir para ir tapando buracos de onde o Estado deveria atuar. Olho para o passado e não enxergo nada além disso no Rotary e Lions. Quase sempre alguns figurões de cada lugar, a maioria escolhida a dedo e se juntando para promover assistencialismo. Tudo bem, nada contra, mas o algo mais, delas e também das Associações Comerciais e se juntando a elas das Lojas Maçônicas. Sempre as achei conservadoras e nunca, mas nunca mesmo envolvidas em questões de estar ao lado ou defender qualquer tipo de manifestação social. Ficam sempre no vácuo e quando opinam, pode perceber, sempre o que sobressai é o pensamento conservador, bem com a cara da classe média brasileira, agindo sempre com mêdo e escolhendo um lado para atuar.

Nassif, num certo momento, aos 25m20, começa falando sobre essa "relação de afeto que cerca, que faz a pessoa abrir mão da inteligência e estão agora atrás de um novo Messias, já que o deles é falsificado. (...) O indivíduo entra num grupo ele abre mão da individualidade, da racionalidade", Thais puxa a corda com: "...me chama a atenção como existe um nicho dentro do bolsonarismo, de pessoas que anos atrás estavam ligadas a seitas new age, espiritismo, terapias alternativas de cura e que hoje, são bolsonaristas ferrenhos. Parece haver aí uma espécie de funil que os atraem". O papo continua a rolar entre os participantes, até que aos 33m09, Nassif toca no assunto: "Veja bem, a gente tem no país dois sem estado no país, os movimentos sociais e essa classe média do interior, que é sem estado. Esses caras são vítimas da política econômica aqui da Faria Lima, olham Brasília e não possuem participação social nenhuma. Quando o Governo perde algo, por exemplo, você tem estruturas por aí. A das associações comerciais, as estruturas rotarianas e a própria maçonaria, vistas como forma conspiratórias, são organizações pulverizadas em todo o país e que poderiam ganhar missões, nunca tiveram. São esses sem estado, mas a sorte do país é que do lado dos movimentos sociais apareceu uma liderança quem nem o PT. Este pegou toda essa energia jogou embaixo do partido e deu um caminho político de luta. Quando você pega esse outro lado, pego como exemplo algo lá do Plano Real, veio um modelo yuppie pras capitais, que enchiam o saco. Quando você ira pro interior tinha toda uma série de eventos, palestras lá com gente que cantava o hino nacional, ou seja, um conjunto de valores e a organização que tinham de união era o preconceito contra os movimentos sociais, falta de solidariedade. Até tinham alguns clubes com alguma solidariedade, os Vicentinos, mas existia toda uma estrutura dessas organizaçõestodas que ficaram ao relento. Sem contar a nova classe média que surgiu aí. (...)
E quando eles viram classe média passam a pensar como classe média e lutar contra o social. Todo um processo estremamente complexo que não foi percebido. O PT envelheceu, tinha essa visão de massa e emtorno do sindicalismo. Este importante, mas não abarcava. Quem avança em cima disso, as igrejas neopentecostais e toda essa estrutura antiga de associações comerciais. Quem que bancava o Olavo de Carvalho, a Associação Comercial de São Paulo. Então você tem um desafio, o de como você pega esse pessoal e traz para ajudar na construção do País". Thaís da o arremate final: "O professor Mathias Alencastro resumiu essa questão, que o 'mega centro-oeste'. Como você faz para governar com o mega centro-oeste, que é o Brasil rural, associações comerciais, interior. Tudo passou muito ao largo das instituições políticas na últimas décadas e hoje tem mostrado que possuem poder social, político, cultural e encontrando com o bolsonarismo se viram com expressão política".

Ou seja, o papo foi muito bom e mostrou algo que precisa fazer parte do debate. Esse pedaço conservador do país é reversível? O que teria que ser feito para conseguir fazer com que estes enxerguem que o que defendem é o algoz do País? Seria isso AINDA possível?

segunda-feira, 19 de junho de 2023

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (178)


NA ENTREVISTA DADA AO JC, ADVOGADO PROPÕE O ENTERRO DO DAE, SUA FALÊNCIA ABSOLUTA – TODOS OS DESCAMINHOS LEVAM PARA A CATACUMBA
Se até então existia a possibilidade do DAE - Departamento de Água e Esgoto de Bauru, a antiga “Joia da Coroa” ser privatizada e caminhar para um triste fim, hoje é mais do que concreto. A pá de cal está clara, límpida e transparente. Na edição deste final de semana do Jornal da Cidade, entrevista com o advogado Pedro Fiorelli, mestre em Direito e Economia, ocupando toda a página 5, matéria assinada pelo jornalista André Fleury Moraes, “ETE: dúvidas no estudo da Fipe impõem dificuldade à concessão, alerta advogado – Estudo da Fipe encaminhado à Câmara elenca uma série de possibilidades ao edital, mas faltam informações econômicas”. Fui ler e quase cai da cadeira. É o escancarar do que, estes intulam única saída para o DAE, mas como acredito que a solução passe bem longe do previsto, me arrisco a ousar remar contra a maré.

Pelo título cheguei a acreditar que o renomado advogado estava contestando algumas coisas do estudo da Fipe sobre a concessão da ETE – Estação de Tratamento de Esgoto, mantendo o DAE atuante e também a mantê-la sobre os braços do DAE. Quando comecei a ler, me inteirei melhor, o advogado era formado em Chigaco, com muitos PHDs internacionais e contesta a proposta da concessão, mas na verdade é para piorar o negócio. No final das contas é exatamente isso o que a Câmara de Vereadores vai acabar encaminhando. Resumindo. Ele vai descrevendo os valores, se utilizando de termos como “Value for Money (VFM)”, uma balela, a tal da “metodologia que utiliza critérios para que a administração pública tenha condições de decidir sobre se vale a pena desenvolver um projeto por meio de PPP – Parceria Público privada, como a concessão da ETE”.

Ao invés de se expressar no velho e entendível linguajar que todos conhecemos, se faz passar como erudito e crava como proposta. Ele diz o seguinte, palavras dele na matéria do JC: “Uma alternativa a esse imbróglio poderia envolver na concessão, a operação e a comercialização de água”. Antes ele havia dito em outro parágrafo que, mesmo subindo a taxa de esgoto, que vai onerar ainda mais o cidadão bauruense, a taxa de esgoto em si não é o filé, não é o grande valor da conta de água, é a própria taxa da água. Ele diz que a taxa da água é o filé e a taxa de esgoto é o osso. Diz mais, que subir pra 90% não seria suficiente, teria que ser, conforme alguns lugares cobram, 110% a tarifa de esgoto referente a tarifa da água. Ou seja, uma das coisas já deixadas claras é subir ainda mais a tarifa de esgoto. Mas vamos lá, quando ele diz isso tudo, deixa claro o fim total do DAE, porque ele quer passar também a operação e comercialização de água no município pra iniciativa privada. Ele complemente dizendo que isso não inviabilizaria e nem extinguiria o DAE. “Muito pelo contrário, que a autarquia e seus servidores serão mantidos, mas o papel do DAE seria mais simples. O DAE venderia água bruta para a concessionária, que ficaria a cargo de trata-la e distribuí-la”.

Evidente que, a água ficaria muito mais cara do que no preço hoje repassado ao consumidor. Basta acompanhar seu raciocínio, juntar tudo, contas simples. Explico. O DAE teria que vender água bruta para a concessionária e ela, querendo sempre ter muito lucro, já teria dentro do custo dela o preço que pagou pro DAE da água, tendo que tratar e distribuir essa água e ainda querendo ter lucro. Imagina para quanto iria o valor mensal pago e chegando nas casas dos munícipes bauruenses. Quantas pessoas ficariam impossibilitadas de pagar uma tarifa dessa? Imagina a quanto subiria o número de inadimplentes na população pobre e também na classe média? Claro que isso tudo iria arrebentar com o DAE. Limitando o DAE a esse papel a ele estabelecido, este seria jogado numa situação de precarização até sua aniquilação, porque estaria impossibilitado de ficar abrindo novos concursos, para contratação de novos servidores, de repor quadros, pois ficaria inviável manter uma estrutura do tamanho do DAE para ele ficar somente fornecendo água bruta para uma concessionária.
Bravos guerreiros do DAE hoje defronte Prefeitura e diante da inconPrefeita. Foto do Sinserm.

Tudo isso acontecendo na nossa cara e não vejo ninguém indo pra rua, fechando a quadra defronte a autarquia e a Câmara dos Vereadores, fazendo qualquer tipo de pressão. Estão para marcar uma audiência pública para debater este tema, mas na verdade, querem fazer passar essa ideia já explicitada na entrevista do jornal. Estão, na verdade, com a faca e o queijo nas mãos, porque a Câmara está dominada pelo voto favorável e cego a tudo que é proposto pela atual prefeita. Como a proposta está chegando via prefeita, creio não exigirá muita resistência para ver aprovada mais essa aberração pra cidade de Bauru. Essa entrevista demonstra todo o absurdo em curso, agora mais do que declarado. Sem pressão, nem povo nas ruas a contestar, exigir respeito ao DAE, sua história, o papel dos seus servidores na cidade, sem isso, tenham certeza, a aprovação do que querem já é mais do que certa. Em breve não restará nem a carcaça mais do velho e saudoso DAE, dito e visto até bem pouco tempo como a “Joia da Coroa” e hoje, como o rebotalho a ser descartado na bacia das almas, por preço irrisório, algo como o governador paulista Tarcísio de Freitas faz com terras paulistas. O governador não quer que terras paulistas possam ser um dia repassadas para reforma agrária e aqui em Bauru, tudo é feito para que o DAE deixe de cobrar do munícipe um valor baixo de conta de água.

São estes os que estão ao lado do povo em suas dores e reivindicações? Ainda existe tempo para contestar e demonstrar o contrário, mas nem isso isolado é mais viável. Demonstrar a loucura sendo feita é uma coisa e conscientizar os vereadores é bem outra. Sem pressão, nada feito. O jogo já está com todas as cartas em cima da mesa e nas próximas jogadas as cartadas finais. Na verdade, percebam e aqui escrevo com antecipação, a Audiência Pública a ser proposta é para sacramentar o golpe, a facada final, o desfecho macabro e a decretar o inapelável fim do DAE. Por estes, já bem claro, nada para defender os interesses do DAE, mas para viabilizar a concessão. Viabilizando a concessão vai jogar muito dinheiro público, a rodo, nas mãos da iniciativa privada e encarecendo muito o serviço. Essa é mais uma forma de destruição do poder público como até então estabelecido. O DAE precisa e muito é ser reestruturado, qualificado e não precarizado como estão fazendo. Leio a entrevista de alguém como este advogado e fico estarrecido, porque chego na triste conclusão, de termos perdido a capacidade cognitiva de perceber esses absurdos. Não é possível. Vão acabar com o DAE. Este vive seus últimos momentos, pois se nada ocorrer, será inevitável.

OBS FINAL: Parabéns ao servidores do DAE, que hoje já mobilizados estiveram defronte a Prefeitura e falaram pessoalmente com a prefeita. Não os deixemos sózinhos nessa, pois a luta deles é a de toda cidade. Link de matéria do JC, com dos servidores do DAE hoje num protesto contra a provável privatização: https://sampi.net.br/.../servidores-do-dae-protestam...

DETALHES DO FRACASSADO GOLPE DE 8 DE JANEIRO, DIVULGADOS EM DROPS, AOS POUCOS...

domingo, 18 de junho de 2023

AMIGOS DO PEITO (212)


"O CAPITALISMO DEVE SER COMBATIDO POR MEIO DE REIVINDICAÇÕES IMPOSSÍVEIS OU SE DEVE ALMEJAR A CONQUISTA DO ESTADO?"
Li muito pouca coisa de Slavoj Zizek, o controvertido filósofo e psicanalista esloverno. Nenhum livro, só artigos espalhados pela aí. Revi um destes dias atrás, "RESISTIR É CAPITULAR", na revista Piauí 16, janeiro de 2008 e, continua mais atual que nunca. Como se sabe, a dita esquerda, dentre os quais estou incluido dos pés à cabeça, se encontra num dilema mais do que atordoante: "Aceitar a futilidade de toda luta, já que a hegemonia é tão abrangente que não há nada que se possa fazer, exceto espera pela irrupção da 'violência divina'. (...) Ou reconhecer a futilidade temporária da luta. Após o triunfo do capitalismo global, como a verdadeira resistência é impossível, a única coisa que podemos fazer, enquanto o espírito revolucionário da classe operária global não se renova, é defender o que ainda resta do Welfare State. (...) E, fora isso, nos refugiarmos nos estudos culturais, nos quais é possível prosseguir silenciosamente o trabalho de crítica".

Sacaram a encruzilahada onde estamos metidos, diria mesmo, atolados até o pescoço? Como sabemos, está cada vez mais "difícil propor uma nova política de resistência", ou seja, "a tarefa, hoje, é resistir ao poder do Estado retirando-se de seu terreno e criando novos espaços fora do seu controle, o que é, evidentemente, o contrário de aceitar o triunfo do capitalismo". Mas como fazer isso sem entregar o jogo e dar a partida por encerrada?

Zizek afirma algo não aceito por muitos de nós e cita para complementar o que tenta demonstrar, o pensador inglês Simon Critchley: "O Estado liberal-democrático chegou pra ficar. Como as tentativas de abolir o Estado fracassaram miseravelmente, a nova política deve se concentrar a uma certa distância dele: nos movimentos contra a guerra, nas organizações ecológicas, nos grupos que protestam contra os abusos racistas ou sexuais, e em outras formas de organização espontânea local. Ela deve ser uma política de resistência ao Estado, de denúncia das suas limitações, de seu bombaredeio com demandas impossíveis. (...) Obviamente, a história é geralmente escrita pelas pessoas que detêm as armas e os cassetetes, e não pode esperar derrotá-las a golpes de espanador e sátira bem humorada".

Ele volta à carga com mais um questionamento: "Se o Estado não deixará de existir, se é impossível acabar com ele (ou com o capitalismo), por que afastar-se dele? Por quer não atuar em conjunto com o EStado ou de dentro dele?. Sim, a proposta é bombardear o Estado com demandas a partir de uma posição confortável. "E quanto mais o Estado tenta satisfazer essas demandas, mais culpada é a aparência que ele assume". Zizek é cruelk ao propor: "A liça é que a decisão realmente subversiva não está em insistir em reivindicações 'infinitas', que não podem ser atendidas pelos ocupantes do poder. (...) Essa atitude de promover 'demandas infinitas' não representa o menor problema para os poderosos. (...) Infelizmente, vivemos no mundo real, onde temos que nos contentar com o que é possível. O que devemos fazer é, pelo contrário, bombardear os ocupantes do poder com demandas estrategicamente bem escolhidas, precisas e finitas, que não possam ter como resposta essa mesma desculpa".

Matutar é preciso. Eu tento continuar encaraminholando ideias e construções possíveis, enfim, as forma de resistir e propor, mostrar a possibilidade deste outro mundo, mais justo e menos opressor, mas se isso ainda se encaixa dentro do capitalismo, isso é outra história e demandaria longa conversação. Não quero é não irei desistir, mas vejoa a luta cada dia mais complicada, todos desunidos, cada qual buscando algo lá no fim e o outro lado mais compacto e nos vergando a todo instante. Enfim, reagir ou não? Entregar ou não os pontos? Capitular e aceitar ou continuar dando murros em ponta de faca? Minhas mãos já sangram, mas não vejo outra coisa a fazer se não a de continuar lutando, lutando e lutando. Zizek e Critchley só fazem parte destas leituras no meio do caminho. Outros tantos me embalam até com mais convição.

amigos
1.) TROCA DE AFAGOS - TERMINEI O LIVRO DO PROFESSOR ROBERTO MAGALHÃES

RECADO DO HPA PARA PROFESSOR ROBERTO: "Bom dia, professor e mestre Roberto Magalhães. Tenho uma notícia para te dar. Demorei, masacabo de terminar a leitura do seu último livro, aquele que o senhor me presenteou. Vergonhoso essa demora toda para ler um livro, mas eu acho que não sou diferente de ti, Roberto. Eu leio alguns ao mesmo tempo. Eu vou priorizando alguns. Leio um pouco de um hoje, de outro amanhã. É que eu quero este tempo que ainda me resta de vida pra ler mais, mais, mais e mais. Agora parece que quero ler tudo ao mesmo tempo, pra aproveitar este pouco tempo que me resta, então eu leio vários ao mesmo tempo e um destes era o seu. Tentei ler ele no carro, não deu muito certo, levei ele pro meu Mafuá, lá onde eu ainda guardo meus livros, aí trouxe para casa e hoje terminei. Tem mais uns três ou quatro aqui do meu lado inacabados, que ainda irei acabar, outros tantos na fila. O seu é o quinto do mês. Vou lendo, vou lendo. Parece que quando a gente vai envelhecendo e tendo mais tempo ocioso,preencho ele de alguma forma. Eu não fico um minuto sem fazer alguma coisa e a leitura é uma loucura, ela me preenche por completo. Roberto, eu gostei muito do seu livro, ele é muito bom. O meu comentário que posso fazer dele é o seguinte: eu gostei muito mais, mas muito mais mesmo de quando você conta histórias, as histórias dessas vidas comuns, que todos nós já vivemos ou imaginamos viver nas várias quebradas do mundaréu, como diria Plínio Marcos. Essas historinhas do dia a dia são algo para mim, de um sabor indescritível. Deliciosas. Não desfrutei com o mesmo prazer dos relatos, que são também gostosos, boas lições, mas eu te confesso fiquei inebriado com as historinhas. Quando você conta as historinhas eu me encanto, é o orgamo total, que o Arrigo Barnabé dizia. Roberto, é isso, o teu livro é uma delícia, se a tua missão é essa, a de deixar um legado, ele é esse.
Eu do meu lado crítico, não sei se isso será assimilado por ti, mas as historinhas são tudo. Você tem algo único, o poder de resumi-las em poucas palavras. Quem faz isso com muita maestria é o querido Dalton Trevisan, esse ninguém consegue superar, né! Você se alonga pouquitinho mais. Delícia. Obrigado mesmo por ter me presenteado com o livro tão gostoso, lido de uma forma muito prazerosa. Fico com aquele sentimento de quero mais. Vou tentar buscar os outros seus aqui e colocá-los na fila. Roberto, essa fila de livros que tenho pra ler é uma loucura. Isso também faz a gente viver, né! Como é gostoso isso, olhar pelos que virão pela frente. Eu estou terminando um aqui agora, o 'Notícia de um Sequestro', do Gabriel García Márquez, fala sobre a Colômbia nos anos 80 , aquela loucura do narcotráfico. Depois outro no meio, o do cubano Leonardo Padura Fuentes, "Máscaras", sobre o mundo devasso de Havana. E outros, mas estes darei agora o impulso final. Roberto, o livro quando a gente começa e continua é porque ele é bom. Já estou numa fase de minha vida, que se o livro não é bom, paro, desisto logo. Se fui até o fim é porque ele é bom, bom, muito bom, bom pra mim, se é bom pra mim, é bom, pronto. Um grande beijo, um grande domingo. Continue escrevendo, suas histórias sãodeliciosas.
Obrigado mais uma vez pelo presente".

RESPOSTA DO PROFESSOR ROBERTO PARA ESTE HPA: "Henrique, querido amigo. Permita-me considerá-lo assim. Acordei com a sua fala, via messenger. Docemente, você diz coisas que todo autor gostaria de ouvir. Quem escreve, como você e eu, precisa de algum retorno para saber como está sendo recebido na outra ponta, que é a do leitor. Fico muito feliz com a sua avaliação. E não poderia ser diferente. Você é um intelectual respeitado, um cronista contundente e, de repente, diz coisas gratificantes sobre minhas histórias. Por ser você quem é, suas palavras são tão importantes para mim. Incentivam-me a escrever ainda mais e dissipam aquela ideia teimosa de que não vale a pena ficar dizendo coisas onde faltam ouvidos para o meu jeito de prosear. Obrigado por me dizer, com tanta ternura, tudo isso. Aliás, a ternura permanece em você a despeito da sua fala afiada e cortante quando põe o dedo na ferida. Acho que foi outro combatente, o Guevara, quem disse coisa assim. Foi o meu melhor presente desde que o livro foi publicado. A única coisa que faltou e disso me ressinto, saiba disso, foi uma cervejinha gelada, uma cachaça, na mesa de um boteco qualquer para molhar um papo só nosso. Pode pôr um queijinho, torresmo, azeitonas, coisinhas assim. Seria, ao menos para mim, um momento de muito prazer. Ando esperando esse dia, pois só nos falamos tecnologicamente, Abraço, querido amigo Henrique! Sou-lhe
grato pela força que me tem dado desde há um bom tempo. Valeu!".

Peço a ele autorização para publicar sua resposta em minha página nas redes sociais. Sua resposta: "Sim, agradeço a publicação. Nossa conversa é terna, mas ao mesmo tempo ilumina a alegria e as dificuldades de quem escreve. Abraço, querido amigo!".

2.) OUVI HOJE DO PROFESSOR JOSÉ LARANJEIRA...
Como sabem, domingo é dia de feirar, ou melhor fazer a tal da "feiraterapia", como me vaticina o amigo vendedor de ovos na quadra 5 da Gustavo, coração da feira. Trombar com gente querida faz parte desta terapia. Hoje, a melhor trombada foi com o amigo, quase urugauaio, professor José Laranjeiras. Que delícia o tempo ganho ao lado de tão edificante conversa. O vejo repaginado por dentro, o que é mais importante nesta vida. Disse ter recuperado suas aulas na Unesp, estar alegre consigo mesmo e podendo repassar o que mais sabe para os jovens. Quase não o conheci. Sua barba branca, bem aparada e o boné ajudavam num disfarce. Não que ele tente passar desapercebido, mas incógnito podemos usufruir de muito mais coisa do que quando reconhecidos, abordados e daí por diante tudo pode literalmente acontecer. Ouvi dele algo destes para ganhar o dia. "Henrique, nem sempre os reencontros na rua são sempre agradáveis. Vivemos tempos onde somos obrigados a se distanciar de gente próxima, parentes e até então amigos, pois as cabeças atuais, muitas delas, já não possuem compreensão cognitiva para saber de fato o que ocorre, quem os apunhalam,os verdadeiros inimigos. Com você ocorre o contrário. É um grande prazer de encontrar e poder conversar um pouco, trocar ideias, ver o que estamos a fazer, enfim, conversar é preciso, mas nem isso está muito fácil. Por sorte, o país, ao menos se reencontra num outro patamar este ano, oxigenamos muito e caminhamos".
Não nos restringimos a prosear parados. Tiramos uma foto juntos, ele escolhendo o local, tendo ao fundo duas grafites de gente da terrinha, numa delas sendo retratada Eni Cesarino, a cafetina mais famosa deste país. O levo até Montenegro Monti, outro como nós, bom de prosa e de cabeça mais do que altaneira. Ele estava negociando um violão. Aguardamos e juntos engrenamos mais conversdação, quando Monteinegro reconheceu pelo sotaque alguém conhecido: "Você não é irmão do Artigas?". Sim, ele também um deles. Foi o elo de ligação para muitas outras conversas. A coisa só não se alongou mais porque Montinegro precisava continuar vendendo seus aparelhos na feira e nós dois fomos dar com os costados na Banca do Carioca, onde diante de livros e discos, permanecemos mais um bom tempo só na prosa. Só me toquei do adiantado da hora pelo toque do celular, com a "polícia", me avisando se iria almoçar em casa ou não. Fomos, cada um voltando prop seu habitat. Trouxe comigo abraço apertado dele e a felicidade me acompanhou por vê-lo tão pimpão e cheio de luz. Laranjeira é da minha laia...