quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

COMENDO PELAS BEIRADAS (140)


PEGANDO TREM NA MOYNIHAN TRAIN, A PRINCIPAL ESTAÇÃO TREM DE NEW YORK ATÉ WASHINGTON, 4H PELA VIA FÉRREA, MUITA NEVE DO LADO DE FORA
Enfim um trem. Havíamos até agora circulado muito de metrô. Compramos um passe, é uma bita experiência. Nova York é uma verdadeiro labirinto em seu subterrâneo. Existe uma outra cidade debaixo de onde pisamos. No Metrô, até você decorar os vários sentidos e rotas, entender o sentido da cidade, uddown e dowtown, já está na hora de retornar. São muitas linhas, umas sobrepostas a outras. Verdadeira loucura para um iniciante, novato. Até erramos pouco, pois Ana, pela sua experiência na cidade, décadas atrás, ainda tem tudo mentalizado e juntos navegamos. Estranhei a sujeira, mas a eficiência é total. Mesmo quando os vagões mais vazios, horários fora do pico ou noturnoas, tudo tranquilo. As escadas de acesso assustam, mas ao se acostumar, daí por diante sigo em frente, sem olhar muito para o chão e sigo em frente. Gosto do metrô e tudo o que nele encontro e vejo, principalmente as pessoas. Ana não me deixa se aproximar muito delas, principalmente os mais perdidos, vagando sem eira nem beira. Queria muito, mas como tenho pífio inglês, sei tudo seria muito complicado. Fico na minha, só na observação. Por aqui, muitos latinos e com estes, me entendo sem maiores problemas. 

Hoje a viagem foi diferente. Amanheceu nevando muito em Nova York e o inverno começa a mostrar sua verdadeira face. Quatro anos atrás, viemos final de janeiro e fomos até o meio de fevereiro e foi muito pior. A intenção é a de conhecer Washington, a capital e escolhemos o melhor meio, principalmente para o dia de hoje, de trem. Depois soubemos, muitos vôos foram cancelados e adiados devido a neve. Pelo trem, tudo tranquilo, eu no quentinho olhando pela janela o bfranco dominando o cenário lá fora. Eu tenho sangue ferroviário, pois pai e avô o foram. Defendo este modal como o mais viável no transporte coletivo de massa. Foi lamentável em todos os aspectos o ocorrido no país, quando o modal rodoviário ajuda a enterrar o transporte de passageiros no Brasil. Aqui tudo funciona como um reloginho, no horário e com serviço impecável. A estação central de Nova York é um assombro, perto da que tivemos e temos. Tudo funciona e junto dela quase um shopping, lojas e muitos restaurantes. Escolhemos um irlandês e a todo instante, num telão, algo da história da imigração irlandesa nos EUA, marcante e decisiva na história do país. Uma sala de espera com telões, onde só perde o trem quem é muito descuidado.

Embarcamos com dez minutos de atraso, sem lugar reservado, mas tudo normal. Viemos com uma mala de mão e ela foi colocada na parte superior, junto de nós. Sento e aprecio a paisagem o tempo todo, absorto pelo que vejo do lado de fora. Fico muito atento nas instalações e em tudo o que se refere aos trilhos. Tudo funciona e pelo que já tivemos no Brasil, o estágio atual deveria estar no mesmo patamar. Dá um treco dentro da gente em comparar e ver como foi possível tanta destruição. Um serviço de bordo, com o funcionário de lugar em lugar conferindo as passagens e um restaurante como já o tivemos. Andei pelos carros férreos, senti o clima e me voltou à mente dos tempos quando circulava entre nossas cidades de trem. Cheguei anos atrás a ir e voltar do trabalho em Jaú de trem. Uma chegada em outra estação, quatro horas de viagem, Washington e outro local para impressionar. Uma bela estação e bela estrutura física. Era por volta de 16h30, a cidade começava a escurecer e fomos nos alimentar antes de mais nada. Várias opções e até um mercado junto do terminal. No uber outra surpresa, pegamos como motorista uma africana, de um país novo, ao lado da Etiópia, a Eritreia. Ela, muito falante, nos conta a história de seu país na viagem e, é claro, fala de nosso futebol. "Eu sofria quando o Brasil perdia, torci muito por Ronaldo e cheguei a jogar futebol por causa dele, isso tudoi antes de vir para cá, dez anos atrás". Chegamos ao hotel com tudo escuro. Ainda fizemos um reconhecimento na região, para amanhã bem cedo cair de boca nos museus, aqui todos gratuitos e nos vários memoriais. Um dia e meio de garimpagem e depois, novamente o trem de volta para Nova York, nossa despedida dos EUA.
OBS.: Queria escrever muito mais sobre minha experiência com os trens daqui, mas o tempo urge. Turista voa...

EU ESTOU NA TERRA DE JACK LONDON E ADORARIA ESCREVER COMO ELE...
Ele foi o lobo do mar, o lobo das selvas, o lobo da estepe. Foi o Lobo do lobo do homem. Ele foi London, Jack London, o timão, o mastro, o lastro - e, é claro, o leme - que conduziu o romance de aventuras por mares nunca dantes navegados, por novas trilhas, por outros trilhos. Jack London nasceu miseravelmente pobre em 12 de janeiro de 1876, em San Francisco, Califórnia. Foi pirata de ostras antes dos 10 anos, foi mão de obra infantil barata 12 horas por dia numa fábrica têxtil , foi Tom Sawyer e Huck Finn juntos - e fugiu da casa, virando o santo padroeiro dos estradeiros, o pai espiritual de outro Jack, o Kerouac. E então, quando só tinha angariado dor e desespero, London descobriu a escrita. Narrando suas aventuras e desventuras entre vagões e vagabundos, da corrida do ouro no Alaska às paradisíacas ilhas dos Mares do Sul, Jack tornou-se um escritor seminal, uma celebridade, um best-seller, um jornalista combativo, um militante socialista, um globe trotter, um palestrante incendiário, um “líder” popular - e nunca mais parou de escrever, para a sorte de seus leitores de então e de sempre. Por isso a #umabuena de hoje é: leia Jack London, hoje, ontem e amanhã.

obs.: Quem gosta de trens, gosta de JAck London e a absorvente aventura de sua vida.

enquanto isso em Bauru
A "CULTURA" EM BAURU NA ADMINISTRAÇÃO SUÉLLEN É UMA VERGONHA
Nenhuma novidade. Ela e seu sectário, ops, digo secretário de Cultura estão de mãos dadas no desmonte cultural bauruense. Perversos até a medula. Renegam a Cultura para debaixo do tapete. Começo do ano tenebroso para a cultura: não destinará recursos para ida à Conferência Estadual, carnaval e LPG ameaçados. O ano promete.
URGENTE: PREFEITA E SEC DE CULTURA foram irresponsávei com a Lei Paulo Gustavo Bauru, e o município corre o sério risco de perder o investimento. A meses a gente vem apontando as diversas IRRESPONSABILIDADES e falta de atenção ao que realmente importa, mas a atual gestão prefere se colocar como INIMIGA DA CULTURA mais uma vez, impedindo a transparência e colocando pra debaixo do tapete esse grande problema.

Desde 22/12 não temos nenhuma notícia da LPG Bauru, nenhuma informação sobre os inscritos, nem sequer o número de inscritos em cada edital.

"Revoltante essa situação, de lembrar que o secretario tirou sarro dos trabalhadores perguntando se os projetos ja estavam prontos. Um monte de projeto massa sem resposta nenhuma. Essa gestão precisa acabar o quanto antes", Tiago Rosa.
"A secretaria não vai disponibilizar transporte para os delegados irem para a conferência estadual de cultura, que acontecerá amanhã e quinta. Estamos FORA da discussão presencial, porque a secretaria não liberou a verba", Igor Fernandes.

Proposta de manifestação de artistas defronte Teatro Municipal, sede da SMC - Secretaria Municipal de Cultura ou mesmo Palácio das Cerejeiras, sede da Prefeirura Municipal. O descalabro com a Cultura é proposital e não pode continuar.

"Já se faz tarde galera ou vamos prá cima ou o cenário irá se complicar para os artistas. Já sabemos o estilo e as intenções desta gestão. Estamos há muito tempo desde o movimento Silêncio: A Cultura Dorme muito passivos. Ou vai ou racha neste momento", Márcio Pi.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

CENA BAURUENSE (246)

FERIADO DE SEGUNDA, MARTIN LUTHER KING E DOIS TURISTAS NAS RUAS NOVAIORQUINAS

1.) PARA ONDE VAI TANTO LIXO? SITUAÇÃO DE NEW YORK
O que vejo da janela do hotel em NY

Por aqui a quantidade diária de lixo produzida pela imensa cidade é algo incomensurável. É lixo sendo produzido pra tudo o que se faz e nu.a quantidade maior que a brasileira. O capitalismo é excessivamente lixento. Comparo com Bauru e seus eternos problemas na destinação do lixo, ainda levado para empresa em Piratininga, nas margens da rodovia ligando aquela cidade à Paulistânia. E os daqui? Deve existir algo grandioso de reciclagem, pois só de derivados de papel, algo monstruoso. Qual o destino disso tudo? Existem países hoje aceitando o lixo destes gra des centros, mas isso é insano e só demonstra a perversidade de um sistema cruel. Vejo o lixo aqui da janela do hotel, recolhido e juntado, aguardando ser recolhido e a pergunta não me sai da cabeça: para onde levam isso tudo? O que é feito disso tudo? O planeta Terra está se transformando num imenso lixão.

Resposta a sua questão Sandra Carvalho
Como os Estados Unidos atulham o mundo de plástico
Atualizado: 2 de fev de 2022
Cada americano produz 130 quilos de lixo plástico por ano. A reciclagem é mínima.
Aterro de lixo ilegal filipino
Aterro ilegal nas Filipinas: resíduos exportados para países que não conseguem lidar com o próprio lixo | Foto: Nick Mallos/Ocean Conservacy
Os Estados Unidos têm apenas 4% da população mundial, mas produzem mais lixo plástico que qualquer outro país do mundo. São 42 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos por ano, 17% do total do planeta.
Os dados são de um estudo publicado em Science Advances, assinado por ecologistas de várias organizações americanas, como a Ocean Conservancy (#OceanConservancy) e a National Geographic Society, de Washington.
O estudo trabalhou com dados de 2016, os mais recentes em termos globais disponíveis.
De acordo com os pesquisadores, cada americano está gera anualmente 130 quilos de lixo plástico por ano, uma marca difícil de bater. E de reciclar.
Um milhão de toneladas métricas desse lixo vai direto para meio ambiente nos Estados Unidos, através de aterros ilegais e do mau hábito de jogar plástico onde não se deve - direto na rua, na praia, no ar.
Menos de um décimo - 9,3% - do lixo plástico americano é coletado para reciclagem. De acordo com dados da EPA, a agência de meio ambiente dos Estados Unidos, 75,4% desse lixo vai para aterros sanitários e 15,3% para incineradores.
Mais de metade do que é coletado - 51% - era exportado até recentemente para ser reciclado no exterior, geralmente por países em desenvolvimento que têm dificuldades para lidar com o próprio lixo.
Esse percentual caiu, porque alguns países asiáticos passaram a barrar as exportações de lixo americano.
Para complicar, entre 15% e 20% desses resíduos de plásticos exportados são virtualmente irrecicláveis, por terem um valor baixíssimo no mercado, estarem contaminados ou exigirem processos complexos demais.
Foto do Renatão, situação bauruense atual com reciclados...
Lixo no litoral do Panamá
Lixo acumulado na costa do Panamá 
Os pesquisadores somaram a quantidade de lixo plástico americano que escapa para o meio ambiente em decorrência dos problemas de disposição de resíduos plásticos dentro e fora dos Estados Unidos: entre 1,13 e 2,42 milhões de toneladas métricas por ano.
Em seu destino final, boa parte desse lixo plástico produzido nos Estados Unidos acaba nos oceanos e nos litorais do mundo mundo. Por ano, isso significa algo entre 0,51 e 1,45 milhão de toneladas métricas de plástico emporcalhando os mares e prejudicando a vida marinha.
"Os Estados Unidos geram mais lixo plástico que qualquer outro país do mundo, mas em vez de encarar o problema de frente, nós o exportamos para países em desenvolvimento e nos tornamos um dos principais responsáveis pela crise do plástico nos oceanos", observou Nick Mallos, diretor da Ocean Conservacy, um dos autores do estudo.
"A solução tem de começar dentro de casa", ele argumentou. "Precisamos criar menos plásticos de uso único, desenvolver novas maneiras inovadoras de empacotar e entregar produtos e, onde o plástico for inevitável, melhorar drasticamente as taxas de reciclagem.

Mais duas consideraçôes:
- "Penso o mesmo....consumismo extremo entre os ricos....descartaveis p tudo.....sem falar na frota imensa movida a petroleo que um dia se acabara...ou acabarao antes c o planeta....eles consomem p meio mundo ou mais....", Nei Silva Lima.
- "Estou a fazer a mesma reflexão aqui em Portugal. Tudo é embalado em excesso, fruta picada, só falta vir mastigada. O sistema de reciclagem me parece bom e eficiente. Mas será que todos separam o lixo e tem esta preocupação? Abraço lusitano", Tamara Guaraldo. 
OBS.: E para finalizar uma foto de Bauru, dia 15/01, registrando o lixo reciclável não mais sendo recolhido na cidade. Mais uma novidade da gestão da alcaide blogueira Suéllen Rosim.

2.)  

domingo, 14 de janeiro de 2024

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (182)


JOANNE, RESTAURANTE ITALIANO DOS PAIS DE LADY GAGA
Por indicação de Lucas Melara, fanzaço da cantora, descobrimos o restaurante, uma cantina ao estilo italiana, dos pais da famosa cantora. Ciente de nossa vinda para New York, nos deu a missão de conhecer em seu nome o reduto. Tratamos tudo como uma verdadeira missão, hoje cumprida a contento. A história se desdobra em vários capítulos, contados por mim de forma reduzida e com um desenlace/desfecho surpreendente, bem ao estilo do casal HPA e ABPA.

Fomos pra lá de metrô, numa estação há poucas quadras. Ana Bia já havia conferido tudo, inclusive dos preços. Nada exorbitante. Tudo dentro de nossas possibilidades. Na chegada, como já prevíamos, nenhum surpresa, uma boa cantina italiana, com produtos da casa e em aludão a Lady Gaga. Somos levados para uma mesa, reserva feita e ficamos a curtir o local, saboreando um vinho, que sugestivamente leva o nome de "Gaga". Tudo aqui nos EUA é assim, feito para se desperar a curiosidade e, consequentemente, o consumo. O vinho é realmente bom e a comida, idem. Numa das vindas à mesa, descobrimos que a atendente é brasileira, Mila, oriunda do Rio de Janeiro, como Ana Bia. Pronto, abrimos aquele baita sorriso e ela nos tira foto juntos. Diz que na casa, são três brasileiros e logo nos traz, Maicon, gaúcho de Porto Alegre e o maitrê dz casa. Ele é quem traz os brasileiros para a casa. Estávamos num lugar bem aconchegante e com gente falando nossa língua, papo rendendo e assim ficamos sabendo de mais detalhes da casa e de seus proprietários.

Nada de mais. Ou seja, o pai da cantora, que Ana gostaria muito de conhecer, havia passado pela casa uma hora atrás e não mais voltaria naquele dia. Comemos fartamente, ela algo com almôndegas, eu massa com frutos do mar. Aproveito para ir fotografando o lugar, a pedido de Lucas. Ao final, digo, foi interessante ter feito o registro quase completo - faltando a cozinha -, pois desta forma pudemos conhecer uma típica casa norte-americana e seu fincionamento.

A noite nos rendeu belas conversas. Eu, tomo conhecimento de como é o roteiro básico da vinda de brasileiros para os EUA e sua colocação na mão de obra local. Quando, como neste caso, existe alguém a indicar um local, tudo se torna mais fácil e Maicon é um facilitador na vida de alguns brasileiros. Ele, nos conta também trabalhar em outro local durante o dia, uma tapiocaria, poucas quadras dali. Ficamos de ir visitá-lo, mas isso só o tempo disponível dirá ser possível. A cidade é grande, o tempo é pouco e as opções são milhares. Tentaremos.

Com a conta fechada, recolhemos alguns mimos para Luca. Por aqui, nada é gratuito, disso já sabíamos. Fazem dinheiro com tudo, até com uma sacola com a logo da casa, uma das recordações. Da casa, boas recordações e com as fotos, o algo mais que ali acontece regularmente, quando propiciam eventos, alguns destes famosos, com a bandeira LGBT. O restaurante possui seu salão principal, dois compartimentos e ao fundo, um outro, onde acontece estes eventos. Fotografei tudo, inclusive a entrada, onde algo nas paredes faz referência a filha do casal proprietário. Nada de assombroso, mas um lugar a ser lembrado, um toque refinado, sutil, simples, onde fazem questão de deixar evidente o parentesco. Pergunto para Mila se Lady Gaga ali comparece, ela me diz que todos a conhecem e ela, por ser a mais nova, ainda não, mas não vê a hora de, assim que a ver, fazer como todos os outros, ter uma foto ao lado dela para mostrar aos conhercidos. E assim se deu nossa passagem por um restaurante típico novaiorquino e também, muito famoso, pelo fato de ter ligação umbilical com a famosa cantante. Gostamos e Ana, tem muito mais histórias para contar do que este esbriba, pois esteve muito atenta a tudo à sua volta durante nossa estada. Eu, como sempre, veim para flanar e assim cumpri minha missão. Com certeza, Lucas Melara nos deve um bom vinho quando lhe entregaremos os mimos conquistados no dia.

OBS.: Lucas Melara é ex-aluno de Ana Bia no curso de Design da Unesp, hoje nosso grande amigo, quem nos acolhe em Sampa e se tornando a cada dia que passa um profissional da mais alta competência no Design brasileiro. Vai dar muito o que falar...

DOMINGO NO BROOKLIN, NO MUSEU COM SPIKE LEE E CASAL AMERICANO
Não fizemos outra coisa hoje e não nos arrependemos nem um pouco. Domingo frio, saímos caminhando em direção ao metrê, eu fotografando o que posso e depois de uns 40 minutos de trem, aportamos bem na porta do Brooklyn Museum. Ana Bia havia marcado para 13h, almoço no local e o reencontro com sua velha amiga novaiorquina, a professora Lynne Jackson, com quem desenvolve trabalhos acadêmicos de longa data. Tiveram intensa peoximidade dos tempos quando Ana frequentava a casa do cineasta independente e mestre de muitos famosos cineastas, George Stoney, falecido anos atrás, beirando os 90 anos. Ambas circulavam nas abas do mestre, tendo ele desenvolvido inúmeros trabalhos no Brasil, todos eles contando com a participação de Ana. Ama estava a reviver isso tudo no reencontro e também construindo novos trabalhos conjuntos, numa parceria que já vem sendo desenvolvida há tempos.

Eu e Ana adentramos o Brooklyn até se dar o reencontro. Sentanos numa bar simpático, duas quadras do museu, o Lincoln, onde sentei e posei lendo um New York Times. Um dia já fui matéria neste jornal, quando a Havan abriu sua loja em Bauru, com aquela réplica (sic) da Estátua da Liberdade. Fizeram uma matéria comigo por causa da repercussão bauruense, entrevistado por uma jornalista lotada no Rio de Janeiro. Tudo são recordações. Cá estou num bar no Brooklyn, lendo a edição do dia do jornal, tomando uma taça de vinho com Ana e fugindo do frio até dar a hora de adentrar o museu, que já havíamos visitado quatro anos atrás. O motivo do retiorno desta feita era reencontrar a amiga e parceira de Ana e visitar uma exposição comentada por nós com grande expectativa, a do multi artista Spike Lee.
Antecipamos o reencontrop e ele se dá na entrada do museu. São muitas histórias juntas e tudo foi muito além do braço. Não pararam um só instante de trocar figurinhas. Lynne trouxe consigo seu marido, também velho conhecido de Ana, o músico Bernie Brady. Foi ele quem primeiro reconheceu Tom Jobim numa música ao fundo no restaurante do museu. Falamos muito de nossa música e ele nos conta em detalhes quando esteve num show de Bebel Gilberto, filha de João Gilberto, numa noite com fila de mais um quarteirão para adentrar o teatro. Falo de minha admiração por Bob Dylan, Joan Baez e Sarah Vaughan. Ele me fala de Tom, Bebel, João Gilberto e até de Milton Nascimento. Do outro lado, as duas estavam engatadas numa conversa sem fim, a misturar a atividade profissional em conjunto e o que viam na exposição. O dia prometia.

E rendeu muito. Circular pela exposição "Creative Sources" ao lado de duas pessoas ativistas de longa data foi algo realmente maravilhoso. Estar ali já era ótimo, mas quando junto de duas pessoas especiais, ela professora uma vida inteira no bairro, com profundo conhecimento das questões sociais, principalmente negras na história americana, PhD teacher no St Francis College e tendo junto de si, um músico com vivência de contato com o lado independente e libertário do país, foi algo único, verdadeiro privilégio. Em cada parada uma explicação especial, algo sendo traduzido a mim por Ana. Uma exposição que poderia ter durado duas horas, durou mais que quatro e ainda perdurando aquele gostinho de quero mais. Em cada ato onde Spike esteve encolvido, tinham ambos uma palavrinha especial para nos preencher a curiosidade.

Reencontro o Brasil em dois momentos da exposição. Num Pelé ao lado de Muhammad Ali, o famoso boxeador campeão mundial e noutro uma camisa da CBF, autografada por Pelé, ao "amigo" Spike, ela inteira amarela, quando verdadeiramente jogavamos futebol. No mais, revivemos os filmes do Spike, seu enorme envolvimento político e esportivo, amante fervoroso do basquete. Num momento vendo foto de Malcon X e Luther King juntos pergunto para Bernie, quem hoje cumpre o papel que ambos cumpriram no passado. Ele pensa um pouco e me dá a resposta apontando para um quadro com a foto de Angela Davis. Sim, reconheço e lhe cito dois que gosto muito, também ativistas, o pensador Noam Chomsky e o cineasta Michel Moore. Ele concorda e seguimos conversdando, muito por mímica, quando Ana não próximo de nós dois.

O que queríamos conhecer da história do país onde nos encontravámos estava ali naquela exposição. A resistência negra foi e é grandiosa, tanto que, na presença de visitantes ela é imensamente grande, com percentual de mais de 70% de negros (índice tirado de minha percepção, sem nada lido a respeito). Muitos filmes sendo exibidos ao longo do percurso da exposição, retratando momentos da resistência negra e muitos dentro dos filmes do famoso cineasta. Ana e Lynne recordam terem tido contasto com Spike, pois ele também foi aluno do George Stoney. Ana conta de uma festa, uns 25 anos atrás, quando ele numa roda conversaram sobre uma carreira, que naquele momento, começava a despontar e hoje está mais do que consolidada. Por fim, afirmo que a história dessa resistência negra contada nessa exposição pelos olhos do Spike é de uma vital importância. Ele não só conta, como esteve presente, voz atuante nos vários momentos desde então e agora, na véspera de um feriado por aqui, o comemorado em homenagem a Luther King, terceira segunda-feira de janeiro é algo como termos caído no epicentro de algo de uma luta a continuar sendo travada nas ruas americanas. Perceptível isso e bom, como turistas, termos tido a oportunidade de vir não só passear, mas também enxergar a história pelo viés dos vencidos, dos que perdeream, mas nunca entregaram os pontos e, portanto, a partida continua sendo disputada.

Foi uma tarde e tanto. Eles se foram ao final da exposição, eu e Ana voltamos para mais uma taça de vinho no Lincoln Bar, depois pegamos o metrô até perto de onde estamos, Times Square. Um frio cortante e nem a proteção de nossos casacos consegue nos proteger a contento. Alguns até riem de nós dois, pois dizem que o frio mesmo ainda está para acontecer por aqui, ainda nas primeiras semanas do inverno. Quando isso chegar já estaremos de volta ao Brasil e revendo tudo por mais uma passagem por estas bandas do mundo.

sábado, 13 de janeiro de 2024

MÚSICA (231)

OS PIPOQUEIROS DE NOVA YORK

Recebo missão da empresária da pipoca bauruense, Maria Inês Faneco, a de procurar por pipoqueiros aqui pelos Estados Unidos. Sim, eles existem, mas não cruzei com nenhum deles. Em Chicago, cruzamos com um, na porta de um museu, debaixo de neve, vendendo algodão doce. Escrevi dele, foi de cortar o coração. Por aqui, em nova York, a grande metrópole, o que mais existe são os carrinhos de lanche, pouco mais equipados que nos nossos brasileiros. O vendedor não fica ao relento. Tem um espaço interior e ali ele prepara de tudo, desde churros a cachorros quentes, uma das espercialidades das esquinas. Aqui mesmo na esquina do hotel, um destes, quase dentro da Times Square, permanecendo aberto 24h do dia. Não fui conferir, mas devem trocar de turno. Pela fisionomia, creio deva ser indiano ou paquistanês. Hoje, sábado, como iremos jantar num lugar já marcado, Ana me diz que poderíamos comer um hot dog nas ruas. Aceito prontamente e no meio de nossas andanças museológicas, sempre tem um carrinho destes na porta e com as luzes em néon piscando, quase nos chamando.

Outro que vi por aqui foram vendedores de cóco caramelado. Estes sim estão em carrocinhas ao estilo dos nosso pipoqueiros e enfrentando o cortante frio com a cara e a coragem. Por aqui, algo em torno de 8º positivos de temperatura. Não chegamos a um mês de inverno e tudo deve esfriar muito, inclusive com neve, que não pegaremos. E estes, os trabalhadores das ruas são os que mais padecem. Os que vi ontem estão pelas esquinas e nos lugares mais muvucados da cidade, ou seja, grande movimentação. Algo muito parecido com o que se vê no Brasil. A missão a mim dada pela Faneco ainda não foi devidamente cumprida, mais ainda me restam dez dias por aqui e assim sendo, continuo na procura de pipoqueiros. Vejo pouca pipoca por aqui e a maioria industrializada. Vendida em sacos, com marcas estampadas no verso, muitas delas com misturas estramboscópicas, devem ter sabor de arrepiar. Sou tradicional e gosto mesmo é daquela feita ao estilo Faneco, estourada na hora, com o sal sendo colocado a gosto. Dessas não encontrei nenhuma até o presente momento, mas continuo procurando.


O SOM DO METRÔ DE NOVA YORK - SURPRESA SEMPRE MUITO POSITIVA
A estação era bem distante. Havíamos nos perdido na metrópole. Circulávamos pelo Soho, fomos andando, eu assuntando em cada detalhe novo. Passamos por uma rua cheia de restaurantes italianos. Havia bandeirinhas nas ruas e tudo bom motivo para ir parando, fotografando. Numa delas, venda de açai, pitaia e coco, achei pudessem ser de brasileiros e noutra, muitas fotos de Maradona na porta, essa de argentinos, pois vi empanadas como o carro chefe. Deu água na boca, mas Ana não queria parar. Continuamos e quando nos demos conta, estávamos numa das beiradas de Chinatow, porém numa região mais degradada. Numa praça, muitos mendigos e alguns sem rumo, com seringas utilizadas espalhadas pelo chão. O frio aumentou e Ana não quis continuar perdida. Buscou orientação e 200 metros adiante um metrô. Adentramos e assim, o vento frio ficou para trás.
 Estamos com o passe do metrô e o trem mais próximo só dali 10 minutos.

Na plataforma, um senhor negro, creio eu africano, toca um diferente instrumento de corda. Seu som invade o local e alegra o ambiente. Ele toca muito e em alguns momentos canta. Deposito alguns dólares e lhe sinalizo se posso fotografá-lo. Sinaliza sim com a cabeça. Gravo, outros me seguem. Muitos depositam algo em sua sacola. Foram dez inebriantes minutos. O saguão se encheu e o seu som fez muitos sorrirem. Nada sei dele e o máximo conseguido foi uma foto das inscrições ali no chão, Malango Jobarteh - Gabian Kora. Artistas deste naipe são frequentes em estações do metrô mundo afora. Aqui em Nova York, muitos em cada, com um pedacinho de cada canto do mundo em qualquer parada. Isso aqui é uma verdadeira babilônia e um encanto de possibilidades. O trem chega, o deixamos para trás e o vejo só parando de tocar seu instrumento quando o trem já em movimento e a plataforma novamente vazia. Era seu momento de descanso. Com certeza ele iria recomeçar tão logo comece a ajuntar gente. Essa sua rotina, a de quem vive de sua arte tocada nas ruas. Isso me encanta e faz parar tudo. Ana fica atenta, como medo de me ver assim tão descuidado e assim ela me vigia e eu posso continuar ludicamente observando tudo a minha volta. O trem chega perto de onte estamos, aproveito para fazer algo que estava com vontade fazia dias, comer um hot dog. Pago 8 dólares com uma lata de coca cola. A música do cara do metrô não me sai da cabeça e agora, nem sei como fazer pra descobrir de onde veio esse som.

Não demorou muito, pensei um pouco e coloquei seu nome no google. Me apareceram várias gravações feitas pelo youtube. Eis uma delas, ele todo paramentado e tocando seu instrumento: https://www.youtube.com/watch?v=TrZyzhnsmgY . Junto da gravação, uma legenda em inglês: "Gambian Kora virtuoso Malang Jobarteh performs original compositions and traditional West African music as part of his concert "Dialogues" for the closing night of EXTENSITY's inaugural season, 7/31/21". Pouca coisa mais. O instrumento tocado por ele é o alaúde-harpa, também chamado kora. Pode parecer desperdício de tempo, mas me interessei e achei algo mais, escrito por uma pesquisadora brasileira, sobre este tipo de música e sua origem. Gerou um belo trabalho acadêmico, aqui por mim compartilhado: file:///C:/Users/Henrique/Downloads/rosangela,+Gerente+da+revista,+contemporanea_vol10n3_14_esp_1125-1156.pdf. Mais não pude pesquisar, enfim, estou em plena viagem e sem muito tempo para tanto. O encanto pela música tocada no metrê permanece e passo a bola para outros, fuçadores de boas causas e temas, para irmos desvendando dos descaminhos humanos, os que nos levam de um lugar a outro do planeta. Ele veio da África, eu do Brasil e cá estamos hoje nos cruzando num metrô de um outro lugar, Nova York. Que maravilhamento seria este?

OBS FINAL: Histórias como essa, vivenciadas nas estações e vagões do metrô eu poderia ir contando várias, pois como gosto de circular por aqui - e me perder - nos trens, guardo muita coisa na cabeça, sem tempo no momento para ir colocando tudo no papel. Quem sabe num outro momento ou dia, escreva algo mais profundo sobre essas minhas experiências.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

MEMÓRIA ORAL (301)


O JACARÉ DEVORADOR DE TURISTAS
Miguel Repiso é sensacional em suas sacadas na tira diária no melhor diário impresso do nosso mundo, o argentino Página 12.
Este HPA e sua companheira de todas as horas, ABPA ainda não foram devorados, mas já pressentem a proximidade da bocarra aberta do tal jacaré. Tentamos fugir e se esquivar, mas não sabemos até quando isso será possível, pois segundo ouço dizer, inevitável será o dia em que seremos sutilmente ou devidamente devorados, sem dó e piedade. Nenhum turista escapa do JACARÉ.

história construida de muitas observações
A ZABAR'S NÃO É UM MUSEU, MAS CHEGA PERTO - É OU NÃO É?
Seria este o quarto museu visitado no dia? Se não é chega perto. Na verdade é mais que um. É a segunda vez que adentro este templo de consumo judeu. Não sei se a qualifico como mercado, pois passa longe. Talvez uma imensa mercearia, estilo anos 50 e adaptada aos nossos dias. Um templo de consumo de pequenas futilidades, dessas de encher os olhos. Viajo neste lugar, algo único em Nova York. Martin Scorcese e Woddy Allen frequentam a casa. Eu gosto, principalmente do cheiro, indescritível, mistura de loja de frios, com padaria e de condimentos. A mistura inebria meu raciocínio lógico. Devaneio e fico a perambular por seus corredores como barata tonta. Futilidades por todos os lados e poros, todas deliciosamente admiráveis.

Num dos corredores um prestativo funcionário, conhecendo cada detalhe da casa e nos indicando sem pestanejar exatamente aquilo que estamos procurando. Especializado em achar agulha no palheiro. Ana brinca pelo fato dele saber tudo. Ele sorri e lhe respo de: "Que isso, estou aqui só pra te ajudar, nada mais. Eu gosto do que faço e onde estou". Continuando circulando pelos corredores, uma senhora nos vendo falar em português, se aproxima e puxa conversa: "Vocês estão falando em potuguês? Eu sempre tive desejo de aprender essa língua, mas não fui longe. Ela é muito difícil". E de posse de um tradutor no seu celular, vai decifrando o que falamos. Diz gostar muito de circular pelos corredores da Zabar's. Ana sorri e lhe diz: "Eu também".

Gosta tanto que, aparece com um livro nas mãos, este contando a história dos dois irmãos dando início ao negócio a perdurar por décadas, nos famosos dois pavimentos da street Broadway. O livro me interessa, mas pelo meu pífio inglês terei de ler como a mulher na loja, com auxílio do tradutor do celular.

Por mais que você tente, num lugar destes, é praticamente impossível resistir. O melhor mesmo é relaxar e procurar gozar, pois do contrário o padecimento é imenso, diria mesmo, incomensurável. Quem não se rende a um bom pão e a uma conserva com aquele indescrtível sabor, ou mesmo, a um café de várias nacionalidades e o funcionário te explicando a diferença do sabor de cada um. E mais, você poder sentir isso tudo ali diante dos seus olhos, algo para mim, pouco percebido no dia a dia, pois sempre misturei tudo num imenso balaio e fui tocando a vida com essa mistura tomando conta dos meus sabores e, também, dissabores. Ali é uma espécie de templo de consumo. Faço um consumo consciente. São dois pavimentos, onde o melhor de tudo é também observar a fisionomia das pessoas. Na imensa maioria são pessoas com a idade girando em torno da minha, não necessariamente judeus, mas aqueles querendo levar para suas casas algo de bom procedimento. O lugar não é suntuoso, longe disso, diria mesmo, muito acolhedor, tanto que fui arrebatado desde a primeira vez que aqui estive, quatro anos atrás. Quando Ana disse da intenção de voltar, não titubiei, voltamos. E gostamos. Voltamos até com alguns itens de uso doméstico.

Na saída, na esquina, um lugar para lanche com a marca Zabar's. Ali os "velhinhos" do lugar param para o café, alguma guloseima e muita conversa, a maioria em voz alta. Os jornais disponibilizados são da colônia judia, mas tudo bem, nada como se inteirar do que estão a discutir. Trago um e curto o lugar, vendo aquele público ali numa espécie de necessária parada diária, onde ocorre aquela necessária reposição, recarregar de baterias. Sento e fico a observar, tentando entender o proceder. Talvez nunca o consiga, mas só de estar ali e curtir o momento, coisa mais melhor de bom. Lugares assim são encantadores e ver a troca de carinho coletivo é indescritível. Depois, na debandada, do outro lado da rua, uma livraria, estilo nossos sebos e a última parada, pit stop, antes de pegar o metrô e voltar pro hotel.

A BAURU QUE NÃO APRENDE
ENTENDA DO EMINENTE RISCO DE BAURU PERDER A GRANA FEDERAL DA LEI PAULO GUSTAVO
https://contraponto.digital/n-463-comitiva-vai-a-sp-e.../
A maioria das cidades já resolveu a questão em relação a utilização recurso Lei Paulo Gustavo. A Bauru de Suéllen Rosim não. Nem teve início trabalho da definição dos contemplados. Um atraso injustificável. Bauru corre sério risco de ter que devolver todo o dinheiro já depositado há meses na conta específica da Prefeitura, tudo por não ter cumprido com os requisitos previstos desde o início do processo. Tudo atrasado e agora, na bacia das almas, tentam um enquadramento. Assim age Suéllen e seu sectário, ops, digo, secretário de Cultura. Bauru com estes num "mato e sem cachorro". Entenda tudo lendo o que escreve Nelson Gonçalves, no site Contraponto. Mais uma pouca vergonha em curso. Perder essa grana seria mais um ponto onde está atolada a Cultura e a atual administração bauruense. Gritar e protestar não é mais suficiente. Pressão contínua é mais do que necessário.

BAURU DE SUÉLLEN NÃO QUER ENXERGAR LIÇÃO OCORRIDA EM OUTRAS PARAGENS

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (127)


PERCORREMOS BOA PARTE DA AMÉRICA LATINA CONVERSANDO COM UBERISTAS
Sim, a imensa maioria dos que trabalam como motoristas de Uber nos EUA sãode procedência latina. E poucas mulheres na função. Não pegamos táxi, somente Uber nos transportes. Um deles do Nepal e todos os demais, ou latinos ou norte-americanos. Os latinos ganham disparado. Fotam conversas e tanto. Poucos os carrancudos ou calados, quando nos apresentamos como brasileiros. Pouco adentramos no território político, no mais galamos de tudo um pouco. O tema principal foi o país de origem e algo da relação com o nosso. Tento me lembrar e alguns deles foram marcantes. Teve cubano, haitiano, dominicano, mexicano, hondurenho e salvadorenho. O que não tivemos foi nenhum proveniente da América do Sul. A América Central é o foco, assim como para as camareiras nos hotéis. Teve uma que, demorou pra se dizer hondurenha, mesmo tendo aberto um baita sorriso quando lhe disse da admiração pelo ex-presidente Zelaya e pela atual, sua esposa. O receio é justificável, ela está clandestina no país. Todos adoram falar de futebol e citam nomes de craques. Citam de Ronaldo a Neymar, mas poucos se recordam de Pelé. O dominicano, religioso, evangélico, nos disse dos pastores brasileiros atuando por aqui. Foram boas conversações e todos, já com seus devidos vistos, filhos aqui nascidos e tocando suas vidas em condições melhores das que, se estivessem em seus países. Nenhum com menos de dez anos de EUA, alguns com mais de trinta anos. Viajamos com todos eles de duas belas formas. Na primeira nos deixaram em nossos destinos e depois, pela forma mais do que simpática como fomos recebidos ao se dizer brasileiros. Por certo, estão atuando em profissões vistas como subalternas por aqui, porém prioritárias. Não questionamos nenhum sobre a procedência dos belos carrões - só um num veículo mais desgastado -, mas todos com câmbio automático. Um deles me disse, o veículo com câmbio de marcha está ultrapassado e sua utilização se torna mais cara. Muitos já com veículos movidos à eletricidade. De todos a conversa mais lo ga foi com o dominicano, um senhor feliz por ver o filho, jogando soccer por uma universidade e, desta forma, fazendo jus a uma bolsa integral, algo que, segundo ele, não seria possível em seu orçamento.

O BAR DA ESQUINA
Em cada lugar, nova parada e estadia, uma pequena mercenaria na esquina nos abastece. Em Buenos Aires é um encanto, pois existe um "chino" em cada esquina. Aqui nos EUA eles existem, mas algo é um tanto mais complicado, diria burrocrático. Em New Orleans, por sorte, um japa logo na esquina e hablando algo parecido com portunhol. Nos entendemos. Ana quase abriu um crédito, algo como aquela antiga caderneta onde se anotava as compras e o pagamento ocorria no dia do recebimento dos vencimentos. O fato é estarmos somente quatro dias por aqui. O japa, meio fechadão, nos vê e já abre um sorriso. Será pelo motivo de entrarmos e sairmos várias vezes ao dia lá no seu cafofo? Hoje, na despedida, uns aperitivos e petiscos pra viagem e eu, olhando para as prateleiras já com certa saudade. É muito bom ter algo assim por perto. Por aqui, no pacote feito, nenhum hotel com café da manhã, mas todos com frigobar vazio e um microondas. Trazemos de tudo para o quarto. Farofeiros de mão cheia, totalmente desavergonhados. Daí, nada como ter um "japa" ao alcance das mãos. E, principalmente dos bolsos. Nestes lugares, tudo mais em conta que nos lugares da moda e points movimentados. Estes pequenos mercadinhos, mercearias à moda antiga são acolhedores. Tanto que, na hora das despedidas, vamos lá dar um abraço no comerciante da esquina.

EM BAURU A PREFEITURA DEIXA TUDO PRA ÚLTIMA HORA E AGORA, 30 DIAS DO CARNAVAL, PARA INVIABILIZAR A FESTA, DESCOBREM "IRREGULARIDADES"
Fazem de tudo e mais um pouco para melar a maior festa popular brasileira.
Do site Contraponto:
*2 escolas e 5 blocos têm 5 dias para regularizar documentos e ter verba para Carnaval*
https://contraponto.digital/.../mocidade-primeiro-agosto...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

ALGO DA INTERNET (208)


BANANEIRO NOS STATES
Não fico sem comer minhas bananas matinais. Aqui as compro de duas em duas e nos quiosques. Custam em torno de 30 centavos de dólar cada. Caras para nós. Presto a atenção nas etiquetas da origem. Todas latinas. Até agora nenhuma do Brasil. Já comi da Guatemala, Costa Rica e do país onde até o presidente atual é rico empreendedor bananeiro, o Equador - que convulsão por lá, hem! O sabor é praticamente o mesmo e a difetença para como a consumimos é a quantidade comprada. Só vejo gente levando por unidades e nunca em pencas, como fazemos. Guardo os selinhos, pois sou colecionador de futilidades e essa é somente uma delas. Na minha cabeça passa um filme da trajetória das bananas até os pontos de venda americana. Tenho certeza, a América Latina é muito vista por aqui como mero produtor de bananas. Onde me encontro no momento, New Orleans, reduto musical negro e percebo, dentre os que contatamos, algum conhecimento de outro produto de exportação brasileira, nossa música - tem também muito suco laranja embalado. A preferência é por bossa nova, mas ontem, pasmem, ouvi Tim Maia tocando numa playlist num estabelecimento comercial. Aqui, poucos brasileiros e, pelo visto, também poucas bananas. Essa minha garimpagem atual, encontrar e comer bananas brasileiras nos States. Sei, elas existem, mas onde estarão? Sigo procurando e devorando a de variadas procedências.
Obs.: Giovanna Luna, nossa cicerone por aqui, achou um espanto eu reparar nos selos das bananas. Ela diz comer delas e nunca tinha reparado nisto. Eu me prendo em certos detalhes da coisa...

O OCORRENDO COM O EQUADOR E O OCORRIDO COM EL SALVADOR
https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-metodo-bukele-el-salvador/?fbclid=IwAR3M8yAy3J1NimykKu0iKQ2J8O-zuqjpxtqXtcm06uzRQn4_AFpaP95nfJ0 

Na revista Piauí deste mês perfil do controvertido presidente de El Salvador, Bukele, país antes dominado pelas pandillas (gangues) e hoje, contidas e sufocadas. O país vive aparente situação de calmaria. A que preço? A matéria da revista mostra o que aconteceu e o que está em curso. Já no Equador, dois chefes de gangues fugiram da prisão e o país está em convulsão. Ebulicão e desconserto. O que está acontecendo e o que pode estar em curso. Incertezas bem expostas. Uma boa leitura para entender dos caminhos e descaminhos percorridos pelos países da América do Sul/Latina.

RESUMO DAS RUAS EM NEW ORLEANS
1.) DIA DE RUAR E DE VER DE PERTO A BOA MÚSICA DE UM DOS LUGARES MAIS ENVOLVENTES DOS EUA

https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/posts/pfbid0QrekVqB2RHmA4dY8pLBDKyFXFdBuYSSLKZRkpBdt1maYWzxvCiUWLfxyuZvaHBokl

Rua Bourbon e adjacências, música por todos os poros. Gravando o que posso, rodando vários lugares na mesma noite. Não dá vontade de ir embora e assim o tempo vai passando e o envolvimento só aumentando. CINCO vídeos do que ocorre por estas bandas do mundo.

2.) E FOMOS AO MUSEU "NOMA" EM NEW ORLEANS
Eu, Ana Bia Andrade e Giovanna Luna.

3.) AGORA PELA MANHÃ, ALGUMAS FACHADAS DE MAGAZINE STREET, AQUI EM NEW ORLEANS

4.) O CENTRO DE NEW ORLEANS É ISSO...
A cidade transpira e transborda música em suas esquinas. A diversidade é grande e, impossível passar e não parar.

5.) VISITA AO MUSEU HISTÓRICO DE NEW ORLEANS
Na parada das andanças pelas ruas, adentramos o museu da cidade, até para nos inteirarmos da história do lugar onde estamos neste momento. E aprendemos um bocadinho mais de algo de um dos cantos deste mundo.
https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/posts/pfbid02jRu71iynRewtKergyrVzsK44LXNr4aX27g4ua5MmK86YtvRPJnJr4mLjn8S2irTul

6.) 8° POSITIVOS E O TRIO COMPARECE NO BAMBOULA'S
EU, Ana Bia Andrade e Giovanna Luna na noite. Deixamos a nossa cicerone escolher a casa onde iremos saracotear esta noite. Música ao vivo e o famoso Gumbo, comidinha que provei e adorei. No palco tem jazz e blues, na rua uma agitação varando a noite e nós, na despedida de New Orleans. Vou publicando fotos e vídeos aos poucos.

felizmente o Brasil é outro...
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