sábado, 24 de maio de 2025

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (184)


VER UBU REI NO TEATRO FOI DEMAIS: SERÁ QUE O PESSOAL DA ADMINISTRAÇÃO FUNDAMENTALISTA SABIA QUE O TEXTO DE ALFRED JARRY É UM LIBELO CONTRA O AUTORITARISMO?
Na primeira peça encenada depois da reforma - reinauguração é desmerecer tudo o que por ali já aconteceu - no Teatro Municipal de Bauru, Celina Lourdes Alves Neves, UBU REI, não poderia ter sido melhor, servindo exatamente para mostrar como age a administração Suéllen. Creio eu, ela chega até Bauru pelas mãos do ator bauruense Juliano Dip, se esforçando para trazê-la para a cidade. Caiu como uma luva para o momento que a cidade vive, enlameada no meio de uma administração autoritária, prepotente, arrogante, onde a mandatária poderia muito bem ser comparada com o Rei Ubu e todo seu séquito.

"Ubu Rei foi escrita por Alfred Jarry no final do século 19 e, nos 120 anos em que vem sendo encenada em todo o mundo, não perde a atualidade. É considerado um texto visionário não apenas do surrealismo, mas da era de totalitarismos, extremismos, ditaduras e atentados antidemocráticos, nos séculos 20 e 21. A peça conta a história de Pai Ubu e Mãe Ubu, que usurpam o trono do rei da Polônia e instauram um governo de caos absoluto, normatizando a estupidez e a barbárie. A identificação entre a sátira de Jarry e a calamidade política, cultural e humanitária deixada pelo desgoverno Bozonaro confere à montagem de Ubu Rei a qualidade de um tratado sobre nossos tempos.

Em um mundo que regride ao fascismo, a peça tem um caráter de observatório da realidade, ou crônica, ainda que por meio da sátira. Complexifica a tarefa o fato de a crônica contemporânea, diferentemente do século 20, ter de se pautar hoje não só por experiências vividas ou fatos noticiados, mas por verdades produzidas em redes sociais, pela indistinção entre fato e ficção e pelo empoderamento da extrema-direita pelos algoritmos. Se o Rei e a Rainha Ubu encarnaram casos de deturpação e abuso de poder ao longo da história, agora eles representam o dirigente que incita ao ódio, dissemina a violência digital, desmantela políticas públicas, sufoca direitos humanos e pacientes de Covid-19. As desventuras de Pai Ubu concorrem com barbaridades ubuescas atuais que nem Jarry ousou imaginar”
, texto de Paula Alzugaray.

Que sorte termos na peça o bauruense Dip, pois com certeza é dele as citações sobre Bauru, inclusive saindo de sua boca a delirante: "Mas então é normal contratar a mãe?". Não se fez necessário dizer mais nada, estava tudo dito numa só frase, justamente no dia de outra citação, a feita também por ele, "não seria melhor vocês estarem no casamento da prefeita?". O Teatro Commune, trazendo para a cidade a divinal Esther Góes, não poderia ter sido melhor. Sai da sala do sempre bonito e agora repaginado teatro rindo à toa. Ubu foi na veia do que representa hoje Suéllen para Bauru.

Li no JC de quarta, 21/05, algo sobre como Dip se desdobrou para trazer a peça para Bauru: "Rodamos o Estado todo nos últimos quatro anos e eu não conseguia vir para Bauru. Não tinha local, o Municipal fechado, os anos passando e nada. (...) Agora, Habemus Teatro". Interpretem como queiram, eu fiz a minha: Dip tão logo soube da reabertura do Teatro foi logo correndo oferecer gratuitamente para o público bauruense, uma vez que tudo é bancado por lei de incentivo e ciente da barbaridade dessa administração, assim desferiu um petardo contra os desmandos em curso. Adoraria reencontrar Dip e lhe dar um incontido abraço, pelo proporcionado para todos querendo e necessitando dar uma dessas, com luvas de pelica na cara dessa absurda administração. Isso me fez lembrar dele nas participações do CQC na Band TV.

Dip foi na veia e pelo que sei dessa turma hoje na Cultura municipal temo pelo futuro das próximas apresentações, pois o pessoal por lá deverá ser mais criterioso com a censura, algo feito mais ou menos assim: "Criticar até pode, mas nunca com a nossa mandante mór". Essa passou e se a estocada não foi sentida é por absoluta falta de entendimento do que estava sendo apresentado no palco. Adorei tudo. Estava acompanhado do casal de amigos jauenses, Fernando e Raquel, que como eu, rimos a dedéu e saímos com um peso a menos na consciência, pois qualquer tipo de apresentação cultural, seja ela qual for, querendo, dá para deixar bem claro de que lado estão.

OBS.: Impossível para mim assistir qualquer encenação de UBU REI e não me recordar de Pholyas Physicas, Pataphysicas e Musicaes, montagem do Teatro do Ornitorrinco, de Cacá Rosset, Maria Alice Vergueiro e Luiz Galizia, ficando duas décadas em cartaz – de 1985 a 1997 e marcando muito toda minha geração.


PLACAS
Volto hoje ao Teatro Municipal de Bauru Celina Lourdes Alves Neves, para assistir um libelo contra o autoritarismo, Ubu Rei e por lá, em destaque na entrada, uma placa de grande porte sobre "reinauguração e modernização" daquele espaço pela atual alcaide, o que é um desaforo para a própria homenageada, um tapa na cara de todos que antes ali labutaram e atuaram. 

O teatro está lindo, com seu ar condicionado funcionando, poltronas e pisos renovados, mas nenhuma modernização e nem motivos para reinauguração. Colocar num canto do hall a placa com o rosto de dona Celina e deixar no centro do local o reverenciando a alcaide é no mínimo brega, demonstrativo inequívoco de pobreza de sentimentos e, principalmente, de reconhecimento. 

Suéllen passará, Celina permanecerá ad eternum.

HPA CRIANDO CASO - DOIS NÃO GOSTARAM, HOJE DESPEJEI ALGO MAIS PELA TRIBUNA DO LEITOR DO JC
Eu escrevo, peço para publicar e aguento a pinimba, tenho argumentos para defender o que escrevo. Dois vieram com conversinha mole, trololó e querendo enrolar, tentando engambelar, melar, confundir. Enviei a resposta e hoje saiu publicada na mesma Tribuna do leitor, do JC.

A minha está na íntegra, publicada abaixo e a enrolação dos dois está numa das fotos publicadas. Vamos conversar. Por favor, digam se não tenho razão? Não é o fato de defender Lula, o PT e a esquerda, mas de no mínimo, ser sensato no que escreve e dentro da verdade factual dos fatos.

"FIM DA PICADA É A REPRODUÇÃO DE INVERDADES
Eu milito no campo da esquerda e disso não me arrependo. Não fosse o posicionamento e ação destes, o país hoje estaria numa posição desconfortável, pré falência e desacreditado mundo afora. Não trabalho, nem fico repetindo mentiras e fake news. Discuto fatos concretos, nada mais.
Diante de tudo o que já foi apurado sobre o escândalo da Previdência, alguém vir a público e afirmar algo de frei Chico, sobre seu sindicato ser um dos artífices da maracutaia, quando isso já foi comprovado não corresponder com a verdade dos fatos é no mínimo ser desleal. Por que continuam fazendo isso, mesmo após essa farsa já ter sido desmontada? Simples.

Quando tudo já está se delineando e mostrando quem de fato está por detrás disso, a cortina de fumaça precisa ter continuidade, a mentira não pode parar, pois com ela, desviando-se da verdade, tentam culpabilizar quem tomou providências e está resolvendo o problema. Bolsonaro não orquestrou pessoalmente o esquema, mas gente muito próxima dele, inclusive apoiadores financeiros de muitas campanhas. O mesmo não podem dizer da tentativa de golpe, quando este mesmo, o santo da pau oco, não tem mais como desdizer de sua responsabilidade por querer envolver o país num retrocesso sem fim. Seu fim, deverá ser mesmo a prisão. O conjunto da obra o condena.

Lula não negocia com ditadores. Negocia com países e se a China hoje ainda pode assim ser considerada, imagine como poderíamos classificar os EUA de Donald Trump? Os acertos de Lula nas negociações internacionais são reconhecidos por qualquer pessoa de bom senso. Resultados inolvidáveis.

Pelo visto, incomoda muitos o fato do Brasil de Lula seguir de forma altaneira e soberana, com progressistas avanços, quando ninguém consegue vislumbrar nada de positivo nos quatro de anos de Bolsonaro. Nada mesmo.

HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO - jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com)".

sexta-feira, 23 de maio de 2025

CENA BAURUENSE (264)


HOJE É DIA DE REPRODUÇÃO DAS IMAGENS COLHIDAS POR MIM PELAS RUAS DE BAURU

01. Publicado em 02/04.2025: 
O Fran's Café é uma franquia com cara e identidade bauruense. Por aqui, dois pontos abertos, um o point cheio de pompa na zona sul, Getúlio Vargas e este, hoje fechado e todo recoberto com plástico preto, o do terminal rodoviário. Torço para que seja somente uma reforma, pois nos últimos tempos a coisa andava esquisita por lá. Dias atrás tinha uma só funcionária trabalhando, tendo que atender o caixa e ir depois bater suco, servir mesa. Tomara volte com a carga toda, pois é o lugar mais movimentado lá dentro do terminal rodoviário de Bauru e diante de tudo o que já fechou por lá, mais este seria decadência absoluta.

02. Publicado em 05/04/2025: Na entrada do Tauste Duque de Caxias, o cão não adentra o mercado e aguarda quem o trouxe, pacientemente logo na saída da escada rolante.

03. Publicado em 08/04/2025: Assim como o espaço público debaixo do viaduto da Duque de Caxias, na Nações Unidas foi conseguido e já esta em plena atividade por uma entidade particular - festão no último final de semana -, pelos mesmos critérios, pleiteio do outro lado, também debaixo do viaduto, espaço idêntico para o bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o Bauru Sem Tomate é MiXto, poder fazer suas estripulias. Se possível, sem custos e despesas. Que alguém me indique onde pode ser protocolado o ofício com a solicitação.

04. Publicado em 12/04/2025: Bauru é relativamente nova, pouco mais de 100 anos e quando vejo uma de suas escolas estaduais comerando neste mês o seu centenário, tendo estudado nela, morado muito perto, rememoro algo de sua história, quando em 2015, estudantes a ocuparam de forma vigorosa, numa demonstração de força, quando diziam, o Governo Estadual a queria fechada. Eis o Luiz Castanho de Almeida, na vila Falcão, foto do G1, num dos seus melhores momentos.

05. Publicado em 13/04/2025: A Escola Estadual Mercedes Paes Bueno é exemplo, décadas de ótimos resultados nos quesitos educacionais. Meu filho ali estudou, inesquecíveis recordações e desde então, acompanho algo de sua transformação. Seu portão de entrada localizado na rua Xingu e hoje todo seu muro está mais que lindo. Convidaram/contrataram o reconhecido artista Fino e ele, mesclando com frases estimulacionais, deixou no local grande e exemplar mural. Impossível não passar por ali, parar e querer ler frase por frase, só depois seguindo em frente.

06. Publicada em 15/04/2025: "Bauru, cidade da piada pronta. Primeira quadra do Calçadão", com essa legenda o fotógrafo Pedro Romualdo, da Câmara Municipal de Bauru e um dos maiores observadores e registradores desta cidade, registra algo que, nem precisaria de legenda além do já escrito - ou seria prescrito - por ele.

07. Publicado em 16/04/2025: 
Famosa sombra, árvores perfiladas, lado a lado, defronte o Cemitério Jardim do Ypê.

08. Publicada em 19/04/2025: A igreja católica do Jardim Redentor está encravada bem no meio do bairro e continua mantendo suas características simples, bem com a cara das periferias brasileiras. Nesta, a lembrança que não me sai da memória, décadas atrás, foi da atuação de algumas irmãs, morando numa modesta casa ali perto e com vibrante atuação, contestadora ao regime militar vigente e perturbadora, pois atuava no sentido libertador da mente de jovens, algo pelo qual a igreja trilhava com suas várias pastorais. Triste ver como tudo já não mais possui o mesmo direcionamento e envolvimento.

09. Publicado em 20/04/2025: Moro aqui ao lado da praça Salim Haddad Neto, vila Cidade Universitária e no final de cada tarde, as árvores e fiação estão repletas de pássaros. Lindo de ver a revoada. Desmatamos o habitat deles e, assim invadem o nosso. Já tentaram de tudo para dissepar essa invasão (sic), até com reunião com representantes da atual administração municipal, vendo possibilidades - se é que elas existem - de sacá-los do cenário, sem matá-los. Tudo para brecar os borrões sobre os capôs dos veículos e calçadas. Eu também desvio das bostas vindas lá de cima, mas as aceito, não com resignação, mas como a mais perfeita resposta deles, para o que continua ocorrendo com o lugar de onde vieram. Que ocupem mais e mais estes e outros espaços ainda possíveis.

10. Publicado em 21/04/2025: O fato se repete. No calçamento refeito na avenida Rodrigues Alves, depois no Calçadão e agora na calçada inteira no entorno do estacionamento junto ao Terminal Rodoviário. As pedras portuguesas são retiradas - certamente jogadas no lixo - e em seu lugar, o concreto. Isso faz parte do projeto Suéllen de enfeiar a cidade de Bauru, sem nenhuma valorização estética.

11. Publicado em 23/04/2025: Reparo sempre neste bar/trailer (reboque) fixado bem ao lado de onde funcionou por anos o IML e o Cadeião da Baixada, junto da avenida Nações Unidas, quase esquina com a Nuno de Assis. Simples, sem atrativos outros que não o trivial, segue aberto, resistindo ao tempo.

12. Publicado em 24/04/2025: Depois da tragédia nos confins do Brasil, quando uma onça devora um caseiro, circulo pela quadra 4 da rua capitão PM Alberto Mendes Jr, perto da Cruzeiro do Sul, onde uma outra guarda a entrada de uma barbearia.

13. Publicado em 28/04/2025: Na Quinta da Bela Olinda, aquele território onde persiste um portal sem uso definido, algo é boníssimo de se conviver. As ruas podem ser esburacadas e sem manutenção, asfalto em petição de miséria, mas as árvores florecem com galhos no meio delas e animas andam pacificamente e sem serem molestados. Quem tem pressa que deles desvie pelo outro lado, mas não queiram tirar-lhes o ainda sossego do bucólico bairro quase rural, como se vê em todo percurso da rua João Garcia Vilar.

14. Publicado em 29/04/2025: O povo trabalhador deste país se vira como pode para ir tocando seus pequenos negócios, os movimentando suas vidas. Enxergo isso no caminhão abarrotadado de "passadas" bananas, algumas caindo pelo leito da rodovia ligando Bauru a Arealva, sendo levadas para, sem ter certeza, serem consumidas por animais em cativeiro, talvez porcos e para tanto, algo que também é bem peculiar do nosso Brasil. Dentro de nossas peculiares dificuldades, utilizamos nossos particulares meios de transporte até as últimas consequências.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (160)


DAS ABERRAÇÕES DA ATUAL ADMINISTRAÇÃO, HOJE PANTOMINA OCORRE NA CÂMARA MUNICIPAL COM MOÇÃO DE APLAUSO PARA O SECTÁRIO, OPS, DIGO, SECRETÁRIO DE CULTURA
Daria para construir um Livro de Horrores, mas o que se sucede em Bauru no ano da graça de 2025, neste segundo mandato de Suéllen Rosin à frente da Prefeitura Municipal passo longe do surreal, adentrando o tetricismo. É uma sucessão de acontecimentos, com novas ocorrências – quase todas policiais -, em cada raiar de um novo dia, não assustando mais incautos. Acordamos e ao se deparar com o noticiário do dia, sempre uma aberração pior que a anterior. Desta feita, quinta, dia 22 de maio, a nada alvissareira notícia é sobre uma Moção de Aplauso hoje na Câmara, iniciativa do vereador Sandro Bussola, o líder da alcaide e porta voz da atual gestão, onde após a reabertura do Teatro Municipal Celina Alves Neves, um verdadeiro parto que anunciado inicialmente por pouco mais de meio milhão de reais, só foi concluído com quase cinco milhões de reais. Dessa vergonha, poucos falam, mas Sandro que, voltou para a vereança só para tentar tapar o sol com a peneira dessa insólita administração, possui a exorbitante cara de pau de ainda promover os que deveriam estar no limbo.

Pra começo de conversa, despropositada a Moção, pois quando feita em nome do sectário, ops, digo Secretário de Cultura, um que se arvora de ter feito de tudo na reforma, mas pouco foi visto junto aos seus verdadeiros artífices, demonstra um personalismo inútil, brega e causador, quando reunindo o conjunto da obra de sua atuação à frente da Cultura, o mais desagregador de todos que por lá passaram. O mesmo ocorreu no desgoverno de Jair Bolsonaro, outro na mesma linha fundamentalista de Suéllen, onde o autoritarismo é o que manda. Nomes são impostos, tendo como linha mestra o de dizer amém sempre, nunca contrariar o mandante, mesmo quando o litígio é provocador de um estrago sem fim. Vieram ambos para destruir a Cultura e no caso bauruense, isso se dá pela sequência de horror em curso.

Daí, a Moção ao invés de ser feita para a Secretaria de Cultura é feita em nome do Sectário. O que vem na sequência é mera citação, pois os funcionários/servidores foram todos desrespeitados, pois sequer foram convidados para a cerimônia de reabertura, que os pérfidos insistiram em denominar de reinauguração. Hoje, o que se verá na Câmara é mais um espaço para o sectário cantar. Poderia até fazer um dueto com o Bussola, ambos desafinadíssimos no quesito orquestração e descompostura digna de nota. O que se observa acontecendo hoje nas hostes da Cultura Municipal é algo constrangedor para qualquer coisa próxima da decência. Vejo todos por lá contidos, calados, a maioria submissos e atrelados a algumas benesses, sem nenhuma voz ativa e sem poder dizer nada, pois se o fizer, será afastado ou removido para as catacumbas de um serviço nos confins da Prefeitura.

Nunca presenciei o que hoje é a norma principal de conduta por lá e, sei por todos os locais da Prefeitura. Está em curso, quase concluído uma remodelação de cargos e funções, onde o que se privilegiou foi afastar os servidores dos cargos até então ocupados e em seu lugar, gente sem nenhuma experiência no que assumem, quase todos evangélicos, ganhando altos salários e exercendo funções de Gerência e Coordenação. Para os servidores, os cargos mais abaixo, de supervisão para baixo. Tudo foi loteado com apaniguados, iguais a essa que hoje denuncia a alcaide e sua mãe, com o caso já sendo investigado pela Polícia Civil. Inimaginável observar alguns cargos relevantes dentro da Cultura e dos demais setores da Prefeitura, sendo preenchidos por pessoas sem qualificação. Todos, indistintamente, possuem laços de proximidade com a alcaide e sua famiglia. Esse é o quesito. Transformaram a Prefeitura num grande “puxadinho” da igreja da família.

Essa Moção, depois de acompanhar o desenrolar dos últimos acontecimentos no intestino da Prefeitura é uma aberração. Bater palmas, entregar um diploma e reverenciar o que ocorre e hoje culmina com essa Gran Finale é a demonstração de algo que, precisa ser interrompido o quanto antes. A deterioração já é incomensurável, o comprometimento da máquina administrativa já se faz notar, com o travamento de ações, pois tudo só acontece pela cabeça de uma só pessoa. Ninguém mais possui nenhum tipo de autonomia no cargo que ocupa. A famiglia, com o pai, que não tem nenhum cargo e função e mesmo assim é uma espécie de xerife dentro do prédio do Palácio das cerejeiras, observando, orientando e cada vez mais interferindo na parte administrativa. O que acontece na Cultura é apenas um reflexo de tudo o mais. Como se calar diante de tudo e fingir nada acontecer? Impossível para qualquer pessoa de bom senso.

Este longo texto é um DESABAFO, de alguém observando como está se dando a ocupação com estes novos cargos aprovados. Não precisa me criticar, basta observar um por um. Veja quem são, de onde saíram, os laços de proximidade e, principalmente, de religiosidade. O quadro de servidores está num mato e sem cachorro. Leio diariamente as notas publicadas pelo Sinserm, o sindicato dos servidores públicos municipais e em cada, a constatação do que escrevo. Hoje tem mais uma nota no JC, dias atrás outra e mais outra. O descaramento se dá, neste exato momento, com essa Moção de Aplauso, um verdadeiro tapa na cara de quem clama por uma Cultura realmente honrando essa denominação. Até quando isso irá perdurar? Sim, a alcaide foi reeleita no 1º Turno, conseguiu engambelar boa parte da população bauruense, mas desmontar este grande circo é algo mais do que urgente, pois, mais dia menos dia, estes que hoje estão no comando da cidade, irão embora e o que deixarão como rescaldo, será uma enorme dívida para a população pagar e o espectro de “terra arrasada” como resultado. Hoje, quinta, uma Moção de Aplauso mais que dantesca, amanhã, sexta, o casamento, merecedor de outros textões. Bauru precisa de menos textões e mais ações. Desunidos e desagregados, a bazófia continuará em plena ação.

UMA PALAVRINHA SOBRE SUÉLLEN E DAMARIS
Como é que pode uma tão forte amizade, cinco anos atuando juntas e lado a lado, no mesmo gabinete, convivendo diariamente e por causa de uma besteirinha sem importância, colocam tudo a perder, escancaram as diferenças em público e uma até diz ter processado a outra, pedindo a bagatela de R$ 60 mil reais de indenização por perdas e danos?

Dizem que, na última eleição Damaris fez e aconteceu, se desdobrou como ninguém mais, comprou brigas, enfrentou tsunamis e furacões, tudo para defender aquela que, tinha a mais plena certeza, era a escolhida dos deuses para, não só a representar, como transformar Bauru. E tudo isso de fato aconteceu, tanto que, nem bem foi eleita, Suéllen a trouxe para bem perto de si, ali permanecendo, vendo tudo o que acontecia ao seu lado, acompanhando com os olhos de lince aqueles acontecimentos todos, circulando expontaneamente entre o local de trabalho e a igreja da família. Damaris não deve ter decepcionado, tanto que, por ali continuou, com presteza e eficiência.

Precisava uma ter não renovado a permanência da outra num cargo comissionado? Isso não é coisa que se faz. Certa feita tentaram fazer isso com um cara na mesma função lá nas hostes do PSDB, o Paulo Preto e este deixou um recado subliminar no ar: "Não se abandona um amigo fiel assim no meio da estrada". Paulo Preto, depois dessa não foi abandonado e esteve ao lado dos capos do tucanato até o final destes em governos paulistas. O que aconteceu agora é que, inadvertidamente, Suéllen abandonou Damaris na beira da estrada, sem lenço e sem documento. Ela ficou magoadinha, muito ressentida e quando uma pessoa está neste estado de espírito, nessa situação, tudo pode acontecer. E aconteceu.

Vejo que, passados alguns dias, o caso parece estar se aquietando, as carregadas nuvens estão se dissipando e tudo leva a crer que, já tenha acontecido alguma conversa de bastidor, dessas que o povaréu nunca toma conhecimento, mas tudo é resolvido, assenta e apara as arestas. A gente sabe, por acontecimentos outros que, tudo nessa vida tem conserto. Basta ver até onde vai o interesse de uma em reatar e noutra em aceitar os novos acordos. Estou prevendo, não como um bidu, muito menos possuidor de bola de cristal, mas pelo que tenho absorvido de tudo que já ouvi por estes dias, um acordo está sendo selado, tudo de forma oculta, sem alarde. São tantos cargos sendo preenchidos com amigos, gente ligados à igreja, muitos sem qualificação para ocuparem as funções a eles designadas, impossível não arrumarem algo para a descartada Damaris. Em breve, talvez até fotos como essa aqui publicada e dos tempos quando ambas eram amicíssimas, sorrisos e dentes expostos. Cresce a torcida pelo armistício.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

RETRATOS DE BAURU (302)


CURTAS HISTÓRIAS
1.) SEU PLÍNIO, 92 ANOS, COMENDO CHURRASQUINHO COMIGO NUMA BEIRADA DE CALÇADA
Quem nunca ouviu falar aqui por Bauru de Plinio Scriptore não sabe das histórias que este senhor tem dentro de sua cachola. Hoje, completados 92 anos de existência, dias atrás o encontro aqui na portaria do prédio onde moramos, ele à procura de alguém para sassaricar um pouco. Não precisou nem me convidar, aliás, estava convidado. Ele queria comer um churrasquinho, desses feitos nas beiradas de calçadas e o local escolhido por ele foi o vendido ali quase defronte o portão principal do Bauru Shopping.

Sentar com ele por alguns instantes, desses inenarráveis, pois o papo flui e ele relembra coisas do arco da velha. Conheceu bem as entranhas desta cidade, quando foi o secretário de alguns dos mais importantes Superintendentes da Rede, ou seja, da Noroeste do Brasil. Trabalhou no prédio hoje abandonado ali na praça Machado de Mello. Era quem recepcionava as autoridades todas que vinham visitar Bauru, passavam durante o dia por um dos escritórios mais famosos do interior brasileiro e depois, encarregado de ciceronear com os importantões pela famosa Casa da Eny. Ele não se vangloria do feito, algo como uma ramificação, um puxadinho de suas atividades. O que ele se vangloria mesmo foi dos meses passados no Rio de Janeiro, indicado pelo escritor José Lins do Rego, que de passagem por Bauru, o conheceu molecão e o levou para treinar no Flamengo.

Hoje ele gosta muito de desfilar por onde ande com essa jaqueta do Boca Junior, comprada lá defronte o La Bombonera, nas vezes em que, levado por amigos, foram em grupo perambular e bater perna pelas ruas der Buenos Aires. Seu Plínio é testemunha ocular de parte significativa da História de Bauru, uma que ainda não foi devidamente contada. Eu bem que quero fazer isso, mas nos corres que faço, o máximo que tenho conseguido é sequestrá-lo do prédio e arrastá-lo para algumas perdidas andanças pela cidade. Em cada lugar que passo com ele, ele tem algo pra me contar. Uma delícia, não só o churrasquinho, mas ter um vizinho como ele, tão carente de falações e conversações, encontrando em mim alguém para desabafar e botar algumas delas pra fora. Ruamos juntos.

2.) O EMPRESÁRIO BAURUENSE COM LULA TATUADO NO SEU BRAÇO
Tem pessoas que a gente ao ser apresentado já quer saber mais e se interessa pela conversa e a partir daí, além da boa conversa, a certeza de estar diante de uma lúcida, esclarecida e sapiente pessoa humana. No último domingo marquei com o amigo Aurélio Alonso de irmos juntos num acontecimento lá em Santa Cruz do Rio Pardo. 8h da manhã na Banca da Ilda, ali junto do Aeroclube e nas conversas antes de pegarmos estrada, eis que surge um casal fazendo sua matinal caminhada. Ele fez uma espécie de pit stop ali na banca, foi quando o abordamos, pois algo nele nos interessou.

Num dos seus braços uma imensa tatuagem do presidente Lula. A conversa infelizmente não foi longa, pois estávamos atrasados para pegar estrada, mas deu pra seber ser ele empresário e muito satisfeito com o que Luis Inácio Lula da Silva já fez ao país, tanto que, diante de tudo, tempos atrás, o tatuou em um dos seus braços. Nos disse que, na qualidade de empresário, impossível de comparar o que seus governos fez pelo povo, com os tantos programas sociais e muito também pelo empresariado. "Veja só quem Lula levou para viajar com ele na viagem à China. A maioria foi de empresários, inclusive do agronegócio, que gostam de se contrapor ao papel do governo Lula, mas sabem que nunca fariam o mesmo com Bolsonaro, pois este não sabe o que isso de trato comercial internacional", nos disse.

A tatuagem não é louvação gratuita e sim, por reconhecimento, nos disse. E nos relatou tudo o que considera como benefício para o país, em detrimento do que tivemos de retrocesso com os quatro anos com o capiroto no poder. Ficamos de voltar a vê-lo por ali, nos próximos domingos e quando peço para tirar uma foto de seu braço, sem regatear, levantou a manga da camisa e disse: "Precisamos muito ajudá-lo a continuar transformando este país, eu sei o quanto padeceremos no futuro com um desGoverno virando as costas para o povo". Na correria, nem eu, nem Aurélio perguntamos seu nome, o que foi uma falha imperdoável.

3.) SÓ A GENTE MESMO É CAPAZ DE PROMOVER AQUELA GUINADA EM NOSSAS VIDAS
Faz tempo que tinha vontade de escrevinhar algo sobre o Falcão, mais precisamente o Benedito Falcão, um cara que conheci através de minha irmã, Helena Aquino, creio que sendo apresentado a ele num dia lá nas mesas do Bar do Genaro. Ele era outra pessoa, vivia outro momento, com um desleixado corpo, largado e deixando a vida lhe levar. Tomou tento, quando teve o click que mudou sua vida. Partiu para algo transformador, novo e não só alterou seu corpo, hoje esbelto, mas com muita saúde. Acompanhei sua transformação e a vejo como exemplo. O Falcão conseguiu e por que não, eu também? Me espelho nisso, ele hoje é um exemplo para mim e tantos outros.

O encontramos sem querer na rua, semana passada, eu e a mana Helena voltando da feira no Vitória Régia e ele e a esposa Luciana, chegando. Paramos para conversar e lhe pergunto de uma viagem que acabaram de fazer, para os confins peruanos, algo que muito me impressionou. Para subir na altura onde foi se faz necessário também preparo físico. Falcão é um sujeito que não consegue tirar a simplicidade de dentro dele. Fala de um jeito como nunca deveríamos deixar de fazê-lo. Quando a gente perder a caipirice que nos permeia, seremos outros, pioramos. Ser caipira é uma delícia, Falcão não é, mas não deixa de ser. Entenderam?

Gostoso mesmo é trombar e poder conversar, extrair algo da vivência de gente como eles dois, um casal que se transforma e não se altera. Vivem hoje lá pelas bandas de Piratininga, sabem muito bem onde pisam e o fazem com a devida sapiência. Gente esclarecida, lúcida, pronta para defender seu ponto de vista, sem altercações desnecessárias. E agora, além de bom contador e narrador de histórias, como essa de sua viagem ao Peru andino, tem este outro lado, o de incentivador para que saíamos dessa vida modorrenta, cheia de flacidez muscular e descubramos que tudo pode ser prolongado com saúde. Para tudo se faz necessário algum esforço, mas ao vê-lo todo pimpão, a certeza de que tudo vale a pena. Eles dois estão mais lindos que nunca.

4.) A MAIORIA DOS MEUS LPS COMPREI COM O SILVIO NA DISCOTECA DE BAURU
Eu só continuo escrevinhando dessas pessoas todas por continuar batendo perna, saindo pras ruas, gantando sola de sapato. É o que mais gosto de fazer na vida. Em cada nova saída, sempre revejo algo a tocar fundo nos confins de minha memória. Ela, a memória, é revivida desta forma e jeito, sendo sugestionada pelos reencontros a reviver momentos passados lá atrás. Hoje, lá na feirinha do Vitória Régia - o maior acerto dessa administração, não enxergo outro -, dentre todos os que tive o prazer de papear, um deles tem isso de mer fazer voltar no tempo e espaço. É o Silvio Faria, que foi até quando deu com a Discoteca de Bauru, a mais famosa loja de discos desta cidade.

Já escrevinhei dele por aqui em outras oportunidades e mesmo sendo repetitivo, volto à carga. O Silvio, ele e sua mãe, foram os maiores vendedores de discos de Bauru e região. A Discoteca de Bauru não era só um point, mas um acervo a céu aberto, além de ótimo indicador para incautos, que adentravam a loja ainda sem saber ao certo o que comprariam. Ele disse a mim e ao Carioca, na banca de livros e discos usados lá no Vitória Régia, que se desfez de seu acervo e hoje, passado um tempo, tendo reacomodado a sua situação de espaço físico para acomodar essas coisas todas, voltou a comprar e toda semana passa na banca e leva algo.

O Silvio é contido, cordial, porém de pouca conversa. Não se abre facilmente, só para os mais próximos. É desses que entra quieto e sai calado, porém, sabe muito bem onde pisa. Na feira, vasculha a caixa de discos e digo a ele que, provavelmente encontrará alguns ainda com o selo das Discoteca de Bauru ali colados. Digo também que, na minha coleção, a maioria dos que guardo, possuem este selo, ou seja, procedência das mais nobres e edificantes. Ver o Silvio pela aí é matar saudade de um tempo que, mesmo já ficando lá para trás, ainda me permeia e conduz. Eu vivo muito hoje pela música, ouvindo a cada dia tudo o que consegui amealhar ao longo de minha existência e ele sabe, tem culpa disso. Creio não ter comprado um único CD em sua loja, mas LPs tenho aos borbotões. Este sim deveria ganhar uma Moção de Aplauso lá na Câmara Municipal de Bauru.

terça-feira, 20 de maio de 2025

FRASES DE LIVROS LIDOS (217)


O PADRE, HOJE BISPO AUXILIAR, SEU LIVRO, AURÉLIO E ONDE ENTRO NESSA HISTÓRIA
O amigo jornalista Aurélio Alonso já havia me contado a história do padre, que diz ele, um dia me procurou, quando me conheceu numa viagem de ônibus, me pediu informação, que fiquei de lhe enviar e nunca o fiz. O tempo passou, Hiansen Vieira Franco, que um dia, segundo me disseram, conheci numa viagem, a qual não me lembro, nem forçando por demais a memória. cruza com Aurélio, conta ter-me conhecido e que, devo ter me esquecido de fornecer o que havia lhe prometido.

Sei lá, mas se Aurélio me conta com riqueza de detalhes, o errado deve ter sido mesmo este HPA, com lapsos e falhas de memórias de inolvidável grau de problematização. O fato é que, padre Hiansen, como leio na orelha do livro, que domingo passado ganhei de presente do Aurélio, o "A paróquia de Nossa Senhora do Carmo do Campestre, suas origens, seus fatos e sua gente", publicado em 2000, é além de tudo um belo de um historiador. Aurélio tenta me reviver a história e diz do livro: "Você pode nã oser interessar nem um pouco pela história da tal partóquia, mas ao ler as páginas iniciais , vai ser introduzido por completo num relato bem interessante de algo desconhecido por nós das entranhas da igreja. Vale a pena. Fique com o livro". Fiquei.

Ainda não comeceu a ler a parte indicada pelo amigo. De toda essa intrincada história, sempre tiro algo de bom e alvissareiro. Hiansen é da linha progressista da igreja católica e depois de ter passado por diversas igrejas, inclusive as mineiras versadas no seu livro, hoje foi catapultado para ser bispo auxiliar na diocese de Niterói RJ. Aurélio disse que, hoje é mais difícil de encontrar tempo livre na agenda do antes padre, mas ele queria muito conversar contigo sobre História. Ele não conseguiu me explicar mais nada. Devo ter o conhecido nessa tal viagem e nada mais.

Aproveito este relato para contar outra história envolvendo padres. Eu e Fausto Bergocce, treze anos anos atrás lançamos um livro sobre Reginópolis. Num dos lançamentos, quermesse na paraça central da cidade, um senhor compra o livro, pede autógrafo e diz ser padre. Não me lembro agora se era nascido em Uru ou Pongaí, ali perto. Falamos bastante e para minha surpresa ele, de férias por ali, era padre numa famosa paróquia carioca, pertinho de onde a esposa Ana Bia cresceu, região do Grajaú. Não deu outra, fui lá tempos depois conhecer o padre e sua paróquia. E ele me contou histórias inauditas de sua passagem pelos subúrbios cariocas, algumas já aproveitadas por mim em meus relatos ao longo do tempo.

Escrevo isso para confirmar, este mundo é mesmo muito pequeno e de encontros, esbarrões e desatinos, sempre acabo por aproveitar de algo. Confesso - isso é coisa de igreja, hem! -, fiquei curioso em conhecer o padre e ele, além de me dizer o que queria comigo que não atendi, me contar de como foi galgando postos dentro da hierarquia da igreja. Sem entrar no mérito do papel da igreja ao longo do tempo e no presente momento, gosto dessas conversas, desconexas, mas no frigir dos ovos, sempre com alguma convexão e aproveitamento. Pois então, que venha o padre Hiansen. Por enquanto tento ler a introdução indicada pelo Aurélio e, segundo ele, vai aumentar meu interesse em conhecer o autor. Meu dia a dias é recheado com histórias deste nível. Tudo aproveito, tudo tiro uma lição e as registro, pois talvez esse meu escrito acabe chegando até a Baia da Guanabara e um dia nos falemos de verdade.
Em Tempo: Agora, ele deixou de ser padre, sendo elevado para Dom Hiansen.

POR QUE SÓ AGORA, COM O ESCÂNDALO INSTALADO OCORRE ALGO?
"A Comissão Permanente de Fiscalização e Controle (CFC) da Câmara Municipal de Bauru quer saber agora quem deu, quanto deu e para onde foram distribuídas as doações ao Fundo Social de Solidariedade durante as gestões Suellen Rosin na pefeitura de Bauru. A prefeita é acusada de permitir o desvio de doações à igreja evangélica ligada à sua família. 

Apesar de "permanente", somente agora, quase ao fim do segundo mandato de Suellen, a tal Comissão resolve acompanhar a tramitação das doações. Uma tarefa possivelmente inglória. Tanto pelo lado político da coisa - imagina-se o quanto de barganha poderá eventualmente estar a espera dos bravos vigilantes - quanto pela dificuldade de rastreamento após praticamente seis anos de possíveis desmandos. 

A mãe de Suellen, a bispa Lúcia, já disse que está "leve como o sol que nasce", esquecendo-se de que o sol tem nascido quadrado para muitos integrantes da política no Brasil. Só faltou dizer que a solução está nas mãos de Deus. As doações podem não estar", jornalista Ricardo De Callis Pesce.
Obs.: A ilustração é de Fernando Redondo e foi sacada de um de seus textos sobre o mesmo tema, do Facebook e Instagram.

QUARTO LIVRO LIDO NO MÊS É "LAVAGEM", HQ LIDO NAS BRECHAS DO DIA A DIA
Ler me move, mas o tempo urge e quando o bicho pega, procuro brechas. Essa HQ, livro comprado pelo filho, quando aqui esteve no final de semana, comprado lá no Sebo Hesse, da Treze de Maio, conversamos e ele me instigou a trazê-la para casa, com a obrigação de a ele devolver antes de sua viagem de volta para Araraquara, onde mora. Assim o fiz. Li numa sentada, mas voltei em suas páginas, praticamente durante todo o dia. "Lavagem" é obra do traço do desenhista SHIKO, que até então não conhecia. O traço e a história ali contida me calam fundo. Publicação da editora Mino SP, 72 páginas.

Um casal vivendo mal e porcamente numa favela. Ele cuidadando o tempo todo de um chiqueiro de porcos e ela, evangélica, se apegando na sua fé, vez ou outra, pega a balsa que a leva ao outro lado do mundo, para supostamente ir à igreja. É a desculpa para chafurdar no sexo com o balseiro. Em casa, vida modorrenta, quase sem diálogos, até o dia em que, um pastor bate à sua porta e lhe fustiga sobre a vida que leva. Não seria o próprio diabo? Pois bem, ele insere em sua mente que, se não matasse seu companheiro ele a mataria, pois já deixara os procos a dias sem alimentos e a intenção era clara. Ela o mata com a tranca da porta e o joga aos porcos. A cena da TV, pouco antes ligada, ela assistindo algo evangélico e ele indiferente a tudo é algo pra se pensar de como a TV é utilizada dentro das casas. Abre o gás, explode a casa, se apronta e vai pra balsa. Lá é interpelada pelo balseiro: "Vai pra igreja?". Ela: "Não". Te início a partir daí, uma nova vida. Isso me põe a pensar, nestes recomeços. Inquietante o desfecho e todas as questões ali colocadas.

Enfim, o filho me provoca com sua s indicações de leitura e eu a ele. Desta feita, levou aqui do meu Mafuá uns dois livros, que servirão de ótima conversa para quando do próximo reencontro. Nos provocamos mutamente e isso rende uma conversa sem fim.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

BEIRA DE ESTRADA (194)


O BONÉ E O ENTENDIMENTO QUE FAZEM DELE
Sim, comprei o tal do boné "O Brasil é dos Brasileiros". Tenho certeza, é uma boa sacada contra a perversidade dos que jogam contra o Brasil continuar soberrano e nas mãos, com ditames ditos de esquerda. Que seria do Brasil não fosse a esquerda? Diante disso, saio por aí com minha nova aquisição e já no primeiro dia, trombo no supermercado com um conhecido bolsonarista, ele me olha um tanto incrédulo e me faz um sinal de positivo. Na verdade, seu gesto foi o de estar contente com minha adesão. Ou seja, ele não entendeu nada e pelo visto, não sabe do que trata o boné e acredita ser mais uma peça promocional para seu mentor, o capiroto. 

Diante disso, lembrei na hora do repetido pelo jornalista Mino Carta: "Não faça muito alarde com ironia no que faz, pois temo não o entenderão". Tive essa certeza, muitos não me entenderam e, pelo visto, nunca entenderão me vendo com o boné, terão certeza deste mafuento ter capitulado, ou seja, mudado de lado. Nesse sentido, mesmo parcela dos me acreditando bolsonarista aí com o tal boné na cabeça, gosto de correr esses riscos. 

Sinto que hoje estamos cheios de imagens e histórias misturadas em nossas cabeças e é muito difícil olhar ou rever/encarar a verdade, porque estamos sempre vendo a mesma coisa e ao mesmo tempo, vendo tudo diferente. Essa mistura de coisas que estão em margens diferentes, todas juntas, pode ajudar a ampliar a percepção. Será? Não custa tentar. O boné ao menos esconde minha careca. Mas que, o Brasil é dos Brasileiros disso não tenho a menor dúvida.

POR 13 x 7 ESTÁ (QUASE) INSTAURADA CEI CONTRA A ALCAIDE, MAS...
Olha que maravilha isso, a dita oposição (sic) da alcaide Suéllen Rosin, conseguiu reunir assinaturas significativas, para abrir a tal da CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito, para investigar (sic) o suposto desvio de material da Prefeitura para a igreja de propriedade de sua família. Está aí o documento com as assinaturas possibilitando a abertura do processo de investigação. Isso é fato, mas o que virá a partir da daí, isso já é alegoria e deverá contar com um enredo dos mais fantásticos e pitorescos.

Deu para perceber pela fala de alguns dos vereadores, inclusive de alguns que assinaram o documento que, o processo foi aberto, pois não fazê-lo neste momento significaria um prejuízo e perdas significativas para a Câmara, já desgastada com tantos outros imbróglios. Abrir e instaurar o processo é uma coisa e ter seu trâmite normal outro. Vão tentar massacrar a tal da denunciante, tentanto provar por todos os meios e maneiras ter sido ela a única a errar em tudo o que ocorreu. Sim, a denunciante errou e será punida, pois se manteve no cargo por aproximadamente cinco anos, vendo todo tipo de irregualridades, como fez questão de afirmar. Isso não são palavras minhas e sim, dela. Viu e se aquietou, pois, pelo que se percebe, estava cômodo. A denúncia só ocorreu quando perdeu o cargo de confiança. Execrável isso. Irá pagar e feio por isso. Porém, isso tudo não isenta em nada a ocorrência denunciada. Este é o fato mais grave e de toda a trama.

Veremos se terão os nobres vereadores a mesma disposição que, com certeza terão para desmascarar a denunciante em apurar de fato as irregularidades da alcaide, se elas de fato ocorreram. Como se sabe, a alcaide possui ampla maioria de votos dentro da Casa de Leis bauruense e faz dali gato e sapato. Fará novamente? Para se precaver disso tudo, pelo que se percebe, algo ocorreu em outro parâmetro, que foi a abertura de um BO - Boletim de Ocorrência na Polícia Civil e a partir daí, outro inquérito deve correr e neste, sem a interferência direta de interesses da alcaide.

Ou seja, de tudo o que está em curso, o melhor de tudo deverá vir do tal inquérito instaurado fora da Câmara de Vereadores. Essa investigação é a que deverá nortear o futuro da alcaide e também da sua denunciante. E, depois de tudo, ainda não se viu nenhum novo pronunciamento da denunciante. Ela está acuada, ferida e se sabe mais, deverá falar e espalhar bocadinho mais de merda no ventilador. Daí, os próximos capítulos desta intrincada trama serão dos mais emocionantes. A abertura da CPI foi apenas o primeiro passo. Muita água irá passar por debaixo dessa ponte, enfim, ela nem foi devidamente aberta. Foi postergada para semana que vem e até lá, a certeza de que, muitos abandonarão o barco da CEI. Aguardo com a devida curiosidade e interesse pela solução e esclarecimento dos fatos. Bauru inteira deveria estar mais do que atenta ao que virá pela frente e mais importante, como virá. Fiquemos atentos em quem desistirá dessa instalação da CEI. Isso vai ser divertido, não fosse trágico.
COMEÇAM AS APOSTAS: QUEM PRIMEIRO ROERÁ A CORDA? 

domingo, 18 de maio de 2025

MEMÓRIA ORAL (318)


DOMINGO, 10H, EU E AURÉLIO ALONSO EM SANTA CRUZ DO RIO PARDO, SANTACRUZENSE E TUPÃ, CLÁSSICO REGIONAL DA BEZINHA (5° DIVISÃO) DO FUTEBOL PAULISTA

A ideia foi minha, logo encampada pelo amigo, o jornalista Aurélio Fernandes Alonso. Assistir futebol é uma coisa, mas verificar in loco o que acontece pela aí é bem outra coisa. Trabalhei anos atrás num vai e vem com Santa Cruz do Rio Pardo, 100 km de Bauru e de lá guardo boas recordações. Poder voltar pra lá vez ou outra, um luxo e sempre bom ir revirando as lembranças dentro da cachola. Fui uma última vez assistir um jogo de futebol por lá, no Estádio Municipal Leônidas Camarinha com o ex-presidente noroestino Cláudio Amantini, depois só saudade. Agora, vendo o time de futebol de lá, a Esportiva Santacruzense a disputar a Bezinha, a quinta divisão do estadual de futebol paulista e ciente de tudo o que é possibilitado neste lugar num jogo às 10h da manhã de um domingo, acordamos cedo e pra lá nos dirigimos.
Além do Aurélio, que por lá morou e aceitou imediatamente o convite, outros três o foram. Creio eu, todos gostariam, mas como somos sempre cheios de compromissos, declinaram. Perderam a festa. No horário marcado, 8h da manhã, diante da banca da Ilda, ali na Brisola, partimos em direção a mais essa aventura. Delícia também a viagem e as conversas, todas versando de nossas lembranças dessa cidade, sua gente e acontecimentos do passado. Passa um filme na cabeça e assim, os 100k voaram e quando nos demos conta já estávamos estacionando o carro lá perto do lugar da contenda.

Bem na esquina, um bar. Quase sempre existe um bar defronte um estádio de futebol no interior paulista - em Bauru isso, infelizmente não ocorre, identificação com o time. Neste, o Sport Bar, todo decorado com coisas relacionadas ao futebol, ali um dos points da cidade, devendo ser também uma de suas atarações turísticas. Em dias de jogos, o local fervilha e a cidade passa praticamente quase inteira pelo seu balcão. Um acontecimento, num local onde as recordações estão todas expostas em suas paredes. Ali é contada a história de amor e ódio com o time de futebol da aldeia onde vivem. Aurélio reencontra muitos conhecidos e o papo se prolonga. Sou apresentado a muitos destes, tiramos muitas fotos e quase impossível sair sem provar um dos salgados do estabelecimento.

Provamos e vamos pra porta da estádio. Aposentados e idosos pagam meia, R$ 10 reaia e fixado ao lado dos guichês, as fotos de quem vai apitar o jogo. Ouço dizer exigência nova da FPF, a Federação Paulista de Futebol. Quase tudo que tem num grande estádio tem ali, guardadas todas as proporções. Até segurança nos apalpando na entrada e essa baboseira de não mais ser permitido a entrada de radinhos de pilha. Dizem podem ser aremessados no campo. Eu, amante de ouvir um jogo pelo rádio, sem o deley, nunca faria isso, mesmo meu time do coração não jogando nada e o árbitro nos lesando na cara dura.

Me encanto pelo presenciado no hall de entrada. Três carrinhos de pipoca perfilados, lado a lado e ao fundo, o bar, onde como se sabe, proibido vender cerveja - outra bobagem brasileira -, mas tem o tradicional churrasquinho. A PM fixou uma placa num dos cantos, "Ponto de Encontro", ou seja, mesmo num local não tão grande, impossível se perder. O banheiro, muito visitado por mim, é algo parecido dos de outros lugares, antigo, limpo, honesto e sem cheiros adicionais, ou seja, perfeito para ser utilizado sem constrangimentos. Bem na frente do elevado onde fica as cabines de transmissão, três andares, algo inusitado, um senhor no meio da galera e ladeado por duas caixas de som. Ele é o digno porta voz do estádio, o que deixa rolar uma música nos horários determinados, fala algo e coloca o hino nacional, hoje obrigatório antes de cada partida oficial. O povo conhece bem o locutor e só faltou ver sendo relatados anúncios como de, por exemplo, objetos perdidos nas arquibancadas.

Tem duas arquibancadas ao lado deste hall, as mais procuradas e atrás de um dos gols, uma alta, com parte ainda interdidata, com outra também aguardando liberação, do outro lado do gramado. Atrás do outro gol, os camarotes abrigando as equipes. Dali saem os jogadores para os apupos adentrando o gramado. Fiquei observando o presidente do clube, um rapaz novo, ouço dizer comerciante local, num vai e vem entre este local e o público. Precisam ver seus gestos quando o time perde os gols, os que poderiam ter dado a vitória para o time da casa. São gestos de quem trabalha arduamente pela sobrevivência e continuidade do futebol pelo interior paulista, creio eu a duras penas e sabe perfeitamente o valor de cada vitória.

A casa não está cheia, mas parte significativa da cidade está ali presente. Aurélio me relata dos presentes e de sua significância para o time e o mundo político e social da cidade. Futebol é isso, algo onde estão lado a lado, pelo menos neste momento, personagens de todas as camadas sociais e, algo grandioso, conversando como amigos fossem. Depois o pau come, mas neste momento, o futebol fala mais alto e estão juntos, coração batendo mais forte pela vitória do time a representar a cidade. Me encanta os gestos de cada um e os fotografo, registrando muito disso, a reação das pessoas diante da bola rolando.

E a bola rola garbosamente pelo belo gramado mantido pelo município. O jogo é pegado, bom de se assistir, bem disputado. Em campo duas forças regionais, o Santacruzense x Tupã. Ambos já ocuparam melhor lugar de destaque dentro do cenário do futebol paulista. Essa Bezinha e outro torneio, o B4, representam o futebol de cidades médias e pequenas em sua exatidão. Este torneio em especial tem regras estabelecidas e dele só participam jogadores com idade até 23 anos, ou seja, é para formação mesmo. No campo o pau come e todos querem mostrar a que vieram. O time da casa começa bem, parte pra cima e quase marca, mas no final do primeiro tempo perde por 1 x 0, falha glamourosa de seu goleiro. Foi o bastante para se tornar o alvo principal da "turma do amendoim", aqueles não perdendo chance para narrar o jogo, conhece todos pelo nomes e espezinha/aplaude os atuando ali no grande teatro da vida que é o futebol. Iguais em todos os lugares.

Aurélio bate mais papo que vê futebol, pois reconhecido por muitos, conversa adoidado e assim coloca as conversas em dia. Filtro algumas de suas conversas e em muitas delas, o assunto vai muito além do futebol. Evidentemente, a política, que por ali sempre foi motivo de pau puro, ou seja, jogo duro e pesado, esteve presente. A Santacruzense empata o jogo com um garoto, este entrando no 2º Tempo e assim o jogo termina em 1 x 1. Observei muitos acontecimentos durante a contenda, como o fato de algumas torcedoras mulheres, essas gritando muito mais que os homens, num certo momento sumiram ali do lado, reaparecendo bem atrás do gol do adversário, infernizando a vida do goleiro. Não pararam um só instante, ao lado da banda, que batucou quase o tempo todo. Casais de idosos, mãos dadas e pais com suas crianças é sempre muito belo vê-los neste lugar.

Na saída, voltamos para o Sport Bar e ali, mais um bocadinho deste verdadeiro e original congraçamento humano. Ver uma cidade assim reunida e envergando a camisa de seu time de futebol, com muito amor e carinho é para fazer pensar. Vi crianças, jovens e é claro, os mais velhos, num conversê sem fim, enfim, local onde a cidade converge e se entende. Nas muitas rodas, que devem ter perdurado até o final do dia, algo de como a vida é tocada neste lugares e propiciadas pelo evento futebol. Isso mesmo, o futebol sempre movimentou muito as cidades interior afora e presenciar isso é algo grandioso. Vir de outras paragens e ficar ao lado dos de um local, vivenciando aquele momento junto deles é algo dos mais contagiantes. Gosto muiuto de futebol, mais ainda quando ocorrendo desta forma e jeito, pelas "quebradas do mundaréu", como apregaoava Plínio Marcos em suas crônicas. No meu caso, gosto muito mais de estar em lugares assim, do que nessas novas arenas construídas como templos consumistas e, para não dizer, esfriando muito as relações humanas.

Voltamos eu e Aurélio com o sentimento do dever cumprido. Tivemos todas nossas expectativas preenchidas, mais que correspondidas. Foi um manhã de domingo e tanto. Não poderia ter sido melhor. Isso também nos ajuda a viver mais e melhor. Na volta, falávamos disso, dessa possibilidade real de recarregamento de energias. E assim, com nossas baterias devidamente carregadas, por volta da 13h10 voltávamos ao ponto de partida, a Banca da Ilda. Ele ainda faz mais um pit stop por lá, eu não, pois com álvara mais que vencido, corri para meus aposentos, pois tinha um almoço pela frente ao lado da dona do estabelecimento. Queria muito lhe contar das experiências propiciadas na manhã, mas chego e o assunto em casa era outro. Ou seja, estava em casa novamente. Se pudesse, voltaria pra lá em breve ou iria refazer outros roteiros, outros locais e acontecimentos. O importante, como se sabe, é poder continuar "botando o bloco na rua", como dizia Sérgio Sampaio em seu famoso samba. Poder continuar botando o bloco na rua é mais que bom, diria mesmo, ótimo. Eu e o Aurélio que o diga.





DONA LÊDA

Quem aqui em Bauru conheceu dona Lêda Wilma? Poucos. Muito poucos. Certa feita, ela vinha nos visitar, a Ana Bia e a mim. Fomos esperá-la no aeroporto e antes havíamos a presenteado com uma camisa do Noroeste. Para nos fazer surpresa ela, do seu modo e jeito, tendo um senhor japonês ao seu lado, lá pelos seus 70 e lá vai fumaça anos, tira sua blusa no meio do avião sob o olhar deste passageiro ao lado, fica só de sutiã e veste a camisa do Noroeste. E, depois nos conta, perguntou para o japonês: "O senhor conhece o Noroeste, não?". Essa foi a dona Lêda, que hoje se foi. Desceu linda e impávida a escada do avião, trajando a veste noroestina.

Eu a conheci por intermédio de Ana Bia. Ambas cariocas. Lêda era uma das melhores amigas de minha sogra, dona Darcy. Sua história é dessas que um dia disse a ela, gostaria que tivesse gravado e até feito um livro. Ela trabalhou nos primórdios da televisão brasileira, com nada menos que Virginia Lane. Morou no Leblon, junto do marido, um famoso jóquei brasileiro. De lá, quando se separou foi para o Andaraí e ali viveu a maior parte de sua vida. Era uma delícia estar com ela. Dos tempos quando conheci Ana, nas idas e vindas ao Rio, era impossível passar incólume por dona Lêda. Não era somente divertida, era autêntica, original, única. Alguém por quem me recordarei a vida inteira.

Adorava contar suas histórias e sempre a cutucava, pois queria ir ouvindo, mais e mais. Contou até quando deu e algumas delas ainda guardo aqui dentro de minha memória, hoje meio que preenchidas por névoas, pois com o passar dos anos a gente, infelizmente, esquece de muitas coisas. Eu posso ter esquecido de muita coisa que ela me contou, mas nunca me esquecerei dela. Foi uma senhora de fino trato, estatura mediana e cheia de amor pra dar. Me hospedei em seu apartamanto algumas vezes. De lá saímos para andar pela região do Grajaú, Andaraí e Tijuca. Certa feita Ana me fez a levar lá pra Lapa, na rua Mem de Sá, comer cabrito, no mais famoso restaurante dessa especialidade. Comemos e nos divertimos muito. Voltamos todos lambuzados e contentes.

Queria ter podido reviver suas histórias teatrais pelo mundo das artes cariocas, mas o tempo foi passando, ela acabou não podendo mais morar sózinha, vindo a morar com o filho, o querido Jeff Baffica, em Barueri/São Paulo. Foi sempre muito bem cuidada por ele, talvez o único que ela reconhecia nos últimos anos de vida, devido ao alzheimer, essa doença que nos faz perder a memória. Hoje Jeff publica de sua partida e passa um filme pela minha cabeça.

Certa feita ela veio passar um tempo em Bauru e ficou hospedada lá no Mafuá da Gustavo Maciel. Meu pai era vivo e foi divertido demais a convivência com ela, com toda sua irreverência, ao lado de meu pai mais sisudo. Ela remodelou a casa ao seu modo e jeito, alterou toda sua rotina e circulou garbosamente pela região. Ficou muito conhecida nas cercanias da Casa do Arroz, ali na rua Araújo Leite. E a levamos para todos os lugares, possíveis e imagináveis por aqui. Até na Cachoeira Babalim, em Arealva ela foi e adentrou o pequeno riacho, água fria advinda do meio do mato, deslizando seu encanto pelo lugar. Fez questão de conhecer a sede da torcida uniformizada do Noroeste, a Sangue Rubro e tirar fotos por lá. Fez e aconteceu por aqui. Por pouco não ficou em Bauru, o que, com toda certeza, seria motivo para revolucionar e alegrar bocadinho mais essa sisuda cidade.
Certa vez estava no Rio, na casa onde morou dona Darcy, rua Uberaba, lá no Andaraí, tendo morros e muitas comunidades ao lado. Ela morava quarteirões adiante, num condomínio. Chegou sem muito se alterar e me disse ter sido assaltada. Os moleques chegaram e lhe puxaram do pescoço seus cordões. Alguns segurou com firmeza, outros se foram. A chegada da idade, quando teve que se conter, principalmente com as andanças, muito a entristeceu, sei disso, mas foi inevitável se recolher mais e mais. A região já estava perigosa para ela e como não tinham como segurar essa fera indomável, ela acabou aceitando vir morar com o filho em Sampa, com o forte argumento de ajudar nos cuidados com os três netos gêmeos. Eles, com certeza, deram uma sobrevida para ela.
Teria muito mais coisa pra lembrar dela, mas já é tarde e o sono me chama. Deito e com certeza, sei disso, hoje sonharei com ela. Ela sentadinha na minha frente e me relatando suas histórias. Algumas ela me dizia: "Quer saber demais, não?". Pelas fotos aqui reproduzidas e publicadas hoje pelo seu filho, dá para se ter pequena noção da grandeza dessa baixinha em estatura, mas enorme de coração. Guardo algo dela com enorme carinho. Sei de saber assim do nada, o do quanto ela gostava de mim. E eu dela. Isso é o que vale. Certa feita, estávamos de carro no Rio e ela precisava fazer uma cirurgia. A deixei na porta do hospital, aos cuidados da filha que ali trabalhava e relembro sua carinha, adentrando o portão, eu do lado de fora. "Vá pra casa, eu volto logo", me disse. E voltou mesmo, permanecendo até hoje pela manhã. Jeff queria muito trazê-la para Bauru, ficar uns dias conosco. Não deu tempo. Hoje sonho com ela, tomara que nos seus tempos de teatro, juntando no sonho algo das histórias que me contou.