terça-feira, 24 de junho de 2025

FRASES DE LIVROS LIDOS (219)


BRIGAS
Eu adoro brigar, mas confesso, sou meio cagão. Brigo pouco, menos do que deveria. Crio casos, ultimamente mais com bolsonaristas e esse pessoal radical, ultradireitista. Com esses, ciente de não existir diálogo possível, o melhor é descer logo a ripa e não fugir da raia. Dito isso, volto agora do centro da cidade e papeava com a proprietária de um estabelecimento, ela lulista e tendo que aguentar a ladainha doída destes que lá passam e ficam cagando regra. Hoje, me disse, não aguentou, quando um destes insistiu em botar a culpa em Lula, ainda a velha questão das vacinas. Ela ouviu até quando deu e quando não mais aguentou, virou para o sujeito e lhe desferiu: "Pera lá, não foi o Lula que fez a vacina, ele só fez o que toda e qualquer pessoa decente faria, incentivou, comprou e propagou sua utilização. Onde está a culpa dele? A culpa é do outro que botou na cabeça de gente como tu que não tomar era o certo". Assunto encerrado.

Brigar com estes, normal, já com gente que se diz na mesma luta empreendida pelos que combatem o mal maior, o deste fascismo ganhando terreno e se proximando a passos largos de comandar o país - o estado de São Paulo já está nas mãos deles -, isso ainda me dói. Não vejo a direitona brigando tanto entre eles como nós, os ditos esquerdistas, lulistas e antifascistas o fazemos entre nós. Não nos entendemos em uma infinidade de pontos, porém, como o mal maior avança, deveríamos não fazê-lo de forma tão evidente, pois isso nos enfraquece mais e mais. Porém, nada disso é levado em consideração e brigamos entre nós - brigas horrendas - e por detalhes e picuinhas mínimas. Se não nos entendemos nos detalhes, como prosseguir juntos e querer derrotar o inimigo maior, este lá cutucando nossos calcanhares? Certeza de derrota, só isso. Não quero entrar de detalhes, pois não vale a pena, mas se existe divergências irreconciliáveis entre a gente, quando estamos nos vendo já em minoria, creio que a guerra já está meio caminho de estar perdida. Como construir algo sólido se não nos entendemos entre a gente?

Já não basta as discussões feitas nas ruas, como minha irmã me disse estar tendo pela frente, quando conseguiu encontrar um uberista de confiança e agora, descobriu ele ter sido convencido e agora é mais um bolsonarista. Está uma arara com ele e querendo desconvencê-lo. Precisamos entender, antes de partir pro pau, o que foi feito para ele ter aderido e como temos que agir para reverter a questão. Não está sendo fácil. E se nada é fácil com estes, entre a gente, os que se dizem do mesmo campo de ação, deveríamos ter mais racionalidade. Se ela não existe nem nestes, com o pau comendo solto, o que iremos esperar do conjunto da obra? Brigas generalizadas e sem sentido. Daí, convivo muito com meu seleto grupo de gente próxima a mim e com estes desabafo, converso, estrebucho e dialogo até a exaustão, porém, está cada dia mais difícil manter a discussão a contento quando fora deste restrito círculo. Estamos - continuamos - errando feio.

DOIS LIVROS LIDOS QUASE AO MESMO TEMPO, UM DE GARCÍA MARQUEZ E OUTRO DE JORGE AMADO
Em questão de alguns dias, devoro dois livrinhos, o terceiro e o quarto neste mês. Queria poder e conseguir ler muito mais, mas obrigações outras me impedem, retardam a diminuição da pilha – que só aumenta -, que se forma aguardando o momento exato para serem devassadas.

Conto primeiro de “RELATO DE UM NÁUFRAGO”, do colombiano Gabriel García Marquez, editora Record RJ, 39º edição, 2014, 144 páginas. Anos 50, ditadura militar colombiana e um navio cargueiro de sua Marinha naufraga e oito tripulantes são transformados em heróis, todos supostamente mortos. Um deles, resiste numa balsa por onze dias e no país não se fala em outra coisa, até o mesmo querer contar sua história para um jovem repórter, no caso o escritor e daí a revelação que a carga era tráfico. Resultado: o primeiro exílio de Gabriel e seu relato, transformando-se num famoso livro, destes produzidos por um saudoso jornalismo que ia até as vias de fato em busca de revelar o que estava por detrás de um fato dito como consumado.

Frases recolhidas:
- “...aura serena do herói que teve a coragem de dinamitar a própria estátua. (...) Penso que um velho marinheiro, que tenha viajado por todo o mundo, pode saber em que mar se encontra pela maneira do barco balançar”.
- “Uma balsa não tem popa nem proa. E quadrada e, às vezes, navega de lado, gira sobre si mesma imperceptivelmente, e como não há pontos de referência, não se sabe se avança ou retrocede. O mar é igual por todos os lados”.
- “Para um esfomeado marinheiro solitário no mar, a presença das gaivotas é uma mensagem de esperança. Geralmente, um bando de gaivotas acompanha os navios, mas só até o segundo dia de navegação. Sete gaivotas sobre a balsa significam a proximidade da terra. (...) Não seja mau. A gaivota para o marinheiro é como ver terra. Não é digno de um marinheiro matar uma gaivota. (...) É fácil dizer que depois de cinco dias de fome se é capaz de comer qualquer coisa”.
- “Todo marinheiro sabe que, às vezes, um bando de gaivotas se perde no mar e voa sem direção vários dias, até encontrar e seguir um barco que lhes indique a direção do porto. (...) ...quando a gente se sente à beira da morte, o instinto de conservação se aguça. (...) Apesar de tudo, a fome é suportável quando não se tem esperanças de encontrar alimentos”.
- “É possível se passar um ano no mar, mas há um dia em que é impossível suportar uma hora mais. (...) Não fiz esforço nenhum para ser herói. Tudo o que fiz foi para me salvar. (...) A primeira sensação que se tem quando se começa a ser importante é a de que, durante todo e dia e toda a noite, em qualquer circunstância, as pessoas gostam que a gente lhes fale de si mesmo.

Depois, numa só sentada, numa noite de insônia, li “O Menino Grapiúna”, do baiano Jorge Amado, também da editora Record RJ, 1ª edição, 1982, capa dura, ilustrações de Floriano Teixeira, 138 páginas. Devo já ter lido, mas com o passar do tempo, nada como fazê-lo novamente. A primeira impressão é de tratar-se de um livro para jovens, mas não, seu linguajar é para quem já tem vivência de anos de estrada. Nele, Amado descreve seus anos de juventude, quando se descobriu devorador de boa literatura, fez as escolhas que o arrebataram por um vida inteira, conta algo mais de alguns parentes e de lugares por onde esteve, como um seminário, do qual fugiu e as várias zonas do meretrício, onde praticamente se formou e buscou histórias, todas retratadas em seus muitos livros. Contagiante escrita, para mim, arrebatadora. As frases colhidas retratam muito bem como ele soube tocar sua vida e de que lado esteve ao longo dela:

- “A luta pela posse das matas de ninguém, se alastrava nas tocaias, nas trincas políticas, nos encontros de jagunços no sul do Estado da Bahia; negociavam-se animais, armas e a vida humana. (...) ...meu pai abandonara a cidade sergipana de Estância, civilizada e decadente, para a aventura do desbravamento do sul da Bahia, para implantar, com tantos outros participantes da saga desmedida, a civilização do cacau, forjar a nação grapiúna”.
- “A febre contentava-se em matar uns quantos, a peste enlutava as cidades e os campos, não havia remédio que valesse. (...) A bexiga e os bexigosos povoam meus livros, vão comigo vida afora. (...) Aventureiros vindos de todas as partes, mascates levantinos descansando as malas de mercadorias para instalar lojas e armazéns, um missionário de acento alemão tentando impor os mandamentos da lei de Deus a uma gente sem lei e sem religião, desregrada e indômita, infensa a qualquer autoridade, do céu ou da terra”.
- “A vida humana continuava a valer pouco, moeda com que se pagava um pedaço de terra, um sorriso de mulher, uma parada de pôquer. (...) ...é difícil estabelecer as medidas do tempo da primeira infância. (...) A morte, companheira de toda minha infância. (...) ...primeira infância de terra violentada, de homens em armas, num mundo primitivo de epidemias, pestes, serpentes, sangues e cruzes nos caminhos e, ao mesmo tempo, de mar e brisa, de praia e canções, meninas de doce enlevo”.
- “Na literatura e na vida, sinto-me cada vez mais distante dos líderes e dos heróis, mas perto daqueles que todos os regimes e todas as sociedades desprezam, repelem e condenam. (...) Em qualquer posição que assumam, em qualquer sistema de governo ou tipo de sociedade, o líder e o herói exigirão obediência e culto. Não podem suportar a liberdade, a invenção e o sonho, têm horror ao indivíduo, colocam-se acima do povo, o mundo que constroem é feio e triste. (...) O humanismo nasce daqueles que não possuem carisma e não detêm qualquer parcela de poder”.
- “Amigos dos vagabundos, dos mestres de saveiro, dos feirantes, dos capoeiristas, do povo dos mercados e dos candomblés. Mais do que isso, fui um deles. (...) O luxo cresceu com o poder e a vaidade dos coronéis, cada qual querendo exibir riqueza maior. (...) A heresia é sempre ativa e construtora, abre novos caminhos. O ortodoxia envelhece e apodrece ideias e homens. A longa e dura experiência ensinou-me, no passar dos anos, a importância de pensar pela própria cabeça. Para pensar e agir por minha cabeça, pago um preço muito alto, alvo que sou de patrulhamento de todas as ideologias, de todos os radicalismos ortodoxos”.
- “Sonho com uma revolução sem ideologia, onde o destino do ser humano, seu direito a comer, a trabalhar, a amar, a viver a vida plenamente não esteja condicionado ao conceito expresso e imposto por uma ideologia seja ela qual for. Um sonho absurdo? Não possuímos direito maior e inalienável do que o direito ao sonho. O único que nenhum ditador pode reduzir ou exterminar”.

Com estes dizeres de Jorge Amado, muitos deles, tento seguir tocando minha vida, ao sabor do vento, livre, leve e solto. Seu livro me tocou profundamente.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

DIÁRIO DE CUBA (257)


DOS PROBLEMAS DESTE MUNDO 
1.) DERROTAR O FASCISMO
É mais do que necessário um enfrentamento mais incisivo, mais contundente com o crescente fascismo, primeiro dentro do campo político, depois estendendo-se para as massas, que caem como patinhos e se deixam levar, sem saber ao certo, das consequências de estar ao lado de quem investirá a seguir, em primeiro lugar, contra os interesses populares. O fascismo e seus adeptos pregam a desestabilização social, para desta forma, quando tudo estiver bagunçado e fora dos eixos, adentram o campo de jogo, impõe sua bestialidade e funbicam com a própria democracia. Fazem uso dela, a democracia e depois, quando alcançam seus objetivos, a apunhalam. O fascismo não é uma mera modalidade de extremismo, mas uma declarada forma de violência social. No seu modus operandi ela incentiva para que os cidadãos aflorem e botem pra fora suas facetas mais violentas e agressivas. Para estes existe um mecanismo de guerra constante. Isso é uma estratégia de enganação, que quando eficiente, destrói o próprio Estado e no seu lugar colocam déspotas, cujas intenções são acabar com qualquer tipo de voz ativa de segmentos organizados. A solução deles quando a desordem está estabelecida é colocar ordem, mas uma ordem que desorganiza tudo e impõe uma regra única, a deles e seus métodos violentos e sangrentos. Propõe a eliminação dos diferentes, sem dó e piedade, sem nenhum tipo de diálogo. São gente da pior espécie e precisam ser combatidos, inclusive com a força da lei vigente. Fascista não merece perdão, nem pegar leve com estes. São cruéis e insanos, gente doente das ideias. É sempre um grande desafio não esmorecer diante deles.

2.) VERGAR O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO
Depois do vislumbrado nesta última edição da Marcha para Jesus, quando ditos fiéis estiveram enrolados numa bandeira de Israel, vejo que, tudo pode acontecer dentro do quesito religiosidade (sic) dos evangélicos neopentecostais brasileiros. Adoram se propagar entendidos na Bíblia, mas na prática, já aboliram faz tempo este tal de Jesus e pregam somente algo em prol de uma casta de pastores e donos de igrejas. Conseguiram engambelar os fiéis, essa parcela significativa, ludibriada pelo excesso de fé. Como conseguem - e continuam conseguindo - seguir pastores tão desprovidos de fé, mas de muita lábia e ganância? Existem muitas versões e descaminhos para este desfecho cruel, cegueira completa, porém, como desfazer o feitiço? Vejo a maioria destes fiéis, inebriados, conseguindo ser seduzidos e vivendo numa espécie de entorpecimento coletivo. Que tipo de chacoalhão, de ATITUDE será necessário para tirarmos estes do transe coletivo? Sei que, não vai ser fácil. O trabalho de base e não de convencimento, trazendo-os de volta para a realidade, quando voltarão a enxergar o que de fato ocorre, se ocorrer, deverá ser lento. Mas como deve ser feito e por onde começar? Não tenho a receita. Não basta desmascarar e até prender alguns pastores rufiões. A mente da massa seguidora está tão entorpecida que, acredito, seja necessário algo mais. Foram décadas de hipnotismo e talvez um milagre. Mas como seria isso? Confesso, não acredito em milagres, mas conto com algo sobrenatural para acontecer o click e quem hoje se apresenta como cego num tiroteio, despertar do torpor e passar a enxergar como lhe enganam em nome de Jesus Cristo e de Deus.

3.) ENFRENTAR OS PODEROSOS DESTE MUNDO
Que o mundo está sendo dominado por um caras mais do que doidos varridos, disso já não existe a menor dúvida. Enfim, que qualificação pode ser dada para alguém como Donald Trump, ou mesmo Benjamin Netanyahu? Estes dois já passaram de todos os limites. Ambos eleitos em pleitos ditos como normais, dentro de padrões sem muitas controvérsias. Daí, a questão que não quer calar: e quando o povo escolhe alguém completamente despirocado e podendo levar seu país para uma bancarrota sem limites, que atitude tomar? No caso de Trump, ele sabe que os EUA já deixou de ser o que foi um dia, porém ainda possui a maior força bélica do planeta, daí pela truculância quer continuar no comando. Os EUA sempre agiram assim, jogando bombas e eliminando líderes que se puseram no seu caminho de liderança. Quando impõe que Israel faça o serviço sujo com os iranianos, nenhuma novidade. E a insanidade de Netanyahu ao eliminar os palestinos e Javier Milei, agindo de froma truculenta com o povo argentino, principalmente com aposentados, viajando só para ficar na falação ultradireitista, sem nada trazer de proveito para tirar seu país do atoleiro? Bestiais estes três citados. Todos necessitando de urgente intervenção, lhes sacando do poder, pois destrém seus países e colocam em risco todos os demais. Gente perigosa no poder é um risco mais do que sério para a humanidade. Um loco destes quando chega ao poder não quer mais sair. O Netanyahu já foi reconduzido ao poder de uma forma nebulosa e Trump já aventa, pela primeira vez na história dos EUA, querer continuar no poder após o final deste, que será seu último mandato. Tem líder mundial que hoje só pode ser contido com camisa de força ou pela existência de uma consolidada situação, onde possa ser destituído quando passa dos limites. Trump destrói todas as intituições mundias de mediação da barbárie e almeja ser o imperador do planeta Terra. Se nada for feito agora, amanhã já pode ser tarde demais.

4.) COMO ENFRENTAR AS FAKE NEWS
A disseminação de notícias mentirosas, as denominadas mundialmente como fake news ocorre hoje de forma avassaladora mundo afora, favorecidas pelas redes mundiais de comunicação, todas permitindo essas condenável prática. Desde que me conheço por gente, mentir não é só feio, como condenável. Entenda como o condenável como julgado e condenado, nunca tolerado. A liberdade de expressão delimita algo bem simples: nem tudo é permitido. Hoje, pelas redes, este tudo é permitido e desta forma, a mentira passa batido e faz parte do negócio. Se os países não encontrarem meios de conter essa proliferação desmedida de cada um fazer o que quiser de suas ideias, estaremos cada vez mais num mato e sem cachorro. Essa continuação desenfreada, verdadeira rede de mentiras é modus operandi de dominação e conquista de poder. As redes, algo ainda sem controle absoluto, possibilitam que , na permissividade, de tudo um pouco venha a ser publicado e difundido. Num mundo onde as verdades estabelecidas estão sendo viradas do avesso, tudo é possível e mesmo, permitido. E daí, apregoam ser isso a tal da liberdade de expressão, algo sem limites e controle. Cada país deve tomaras atitudes conveninentes para conter este ímpeto de poder mundial estabelecido pelas redes. Se nada for feito, não conseguirão deter o delas for parido e distribuído como verdade estabelecida. Ou as fakes news são controladas desde já ou ceifarão o mundo de algo precioso e que, será perdido desde já, com o planeta vivendo sob o domínio do tudo é permitido. Tudo em favor de uns poucos, nunca da maioria.

domingo, 22 de junho de 2025

UM LUGAR POR AÍ (198)


DO ENCONTRO DE PESSOAS QUERIDAS QUE ANA BIA MONTOU PARA COMEMORAR MEUS 65 ANOS







sábado, 21 de junho de 2025

FRASES (258)

CONFORME FOR...

NA VERDADE, ATÉ PIORAMOS, VIDE TRUMP E NETANYAHU
"Eu, Bertolt Brecht, nasci em tempos difíceis. Mas vocês, que sobreviverão à maré em que nós perecemos, lembrem-se que também o ódio contra a baixeza endurece os traços, que também a raiva contra a injustiça enroquece a voz. Nós, que queríamos preparar o caminho para a bondade, não pudemos ser bondosos, mas vocês, que viverão no momento em que o homem será amigo do homem, tentem lembrar-nos com indulgência. "
Bertolt Brecht (1898-1956)
Fragmento de sua poesia "Aos homens futuros".
Na fotografia, com o filho Stefan. Alemanha, 1931.

TÁ FICANDO CHATO
Tão interrompendo vários jogos no Mundial de Clubes por conta das condições climáticas, mas na Copa Paulista é outra história.

É isso, está começando por estes dias mais uma Copa Paulista, algo bem singelo diante da grandiosidade deste Torneio de Clubes ocorrendo nos EUA e juntando times do planeta todo. Por lá, como se fosse uma Copa do Mundo, todo cuidado é pouco e transmitido mundo afora, já na Copa Paulistam um torneio criado só para que alguns times tenham um calendário para o segundo semestre do ano. Nada além disso. Nele, estádios modestos, times idem e jogos onde o imponderável acontece a todo instante.

Assisto muitos dos jogos deste torneio mundial, torcendo para Botafogo, Flamengo, Fluminense pouco menos para o Palmeiras, os representantes brasileiros e nessa Copa Paulista, o retorno do time de minha aldeia, o glorioso e centenário Noroeste, hoje sendo administrado por uma SAF, ou seja, o clube já não é como dantes, hoje tem um dono e assim segue o jogo. Não que o Noroeste nunca tenha tido um dono, pois sempre foi comandando por alguém ligado aos donos do poder da cidade, mas agora a dominação é completa, assumida. E nem por isso, mudou para melhor. Com certeza, algo consolidado, ele sobrevive e segue em frente. Eu, na qualidade de torcedor, vou ao campo e torço pelo time de minha aldeia, mais do que os times que vejo pela TV, como forças mundiais do mundo da bola. Gosto mesmo é de ver a bola rolando nos campos aqui do interior.

Na foto, a realidade do futebol do interior paulista com a situação do campo na partida entre Portuguesa Santista e Juventus. Nela a síntese deste torneio denominado Copa Paulista.

O NÚCLEO DE BASE DNA PETISTA REUNIDO NA MANHÃ DE SÁBADO
Discutindo o PED dentro do PT, a situação local, eleição da Macro Região e uma candidatura de oposição, alem do posicionamento diante chapas nacionais. A conjuntura local e nacional. Sempre na defesa intransigente do funcionalismo público municipal. 

Discutindo isso tudo e muito mais, num posicionamento bem definido. Sair do Diretório Municipal, pelos motivos já conhecidos e continuar atuando em prol de uma real e possível transformação social. 

Diante da mudança de contexto mundial, como se posicionar e atuar. Cá estamos nós, contra o que Israel faz em Gaza com os palestinos e agora, essa nova guerra contra iranianos. Nunca nos enrolaremos numa bandeira israelense. O Brasil para os brasileiros.

Eis onde me situo e atuo, num Núcleo de Base do PT bauruense.

COM O MUNDO DO JEITO QUE ESTÁ, COMO QUERER DORMIR TRANQUILO?

sexta-feira, 20 de junho de 2025

COMENTÁRIO QUALQUER (262)


NENHUMA NOVIDADE - SABEM TUDO, QUALQUER PASSO QUE DAMOS
Recebo de uma dileta amiga essa imagem com a seguinte mensagem: "Notícia agora no G1". Calmamente lhe respondo.

Minha cara, eles sabem tudo na gente. Não damos mais um passo sequer sem que tudo fique registrado. O celular nos denuncia a todo instante e mesmo desligado, tudo que fazemos é captado e utilizado para fins ainda pouco conhecidos. Só pelo fato de aceitarmos ter um celular, já deixamos implícito que, os tais donos do negócio, se utilizam de todos nossos dados, quer queiramos ou não. E como sabem de tudo, por enquanto vendem estes dados para finalidades comerciais, porém, se alguma de nossas atividades representar algum risco ou perigo, seja ele qualquer um, se utilizarão destes dados contra nós. Estamos entregues de corpo e alma para estes. Sabem com quem saímos, que hora saímos de casa, o que comemos, que hora acordamos e deitamos, enfim, qualquer movimento é captado e pode ser utilizado. Nossas converrsas, mesmo com o celular no bolso são registradas. Enquanto representamos um mero interesse comercial, nossos dados assim serão utilizados, porém, em caso de mijarmos fora do penico, ou seja, fazer algo considerado por eles fora da casinha, seremos denunciados sem dó e piedade. Isso de nossas senhas e dados estarem sendo reveladas não representa nenhuma novidade. Na situação atual, onde ninguém mais vive sem celular, creio que, melhor é nos resignarmos e aceitando, continuarmos acreditando que as informações, pelo menos por enquanto, estejam sendo repassadas para que vendam mais, que nos ofereçam mais objetos de consumo e assim a roda continuará rodando. Deveriamos estar todos assustados e tentand ose safar dessa voraz perseguição, mas não faremos nada disso, pois pelo modo digital, já está tudo consumado e a dominação é praticamente absoluta. Relaxe e goze, pois diante de tudo o que já sabem da gente, a senha é só um detalhe.

JESUS, A MARCHA MISTURANDO TUDO, TARCISIO E ISRAEL
Dentro de todas as aberrações que temos visto, essa de numa dita Marcha para Jesus, este evento anual dos evangélicos neopentecostais, desfilarem ladeados com a bandeira de Israel é só uma das tantas coisas inexplicáveis destes. Mais do que sabido hoje que, isso de religiosidade e seguir os passos deste senhor perseguido séculos e séculos atrás é o que menos importa. Vejo hoje espalhado por muitos carros na cidade um adesivo, "Leia a Bíblia" e para qualquer leigo que a tenha lido de fato, existem coisas irreconciliáveis e assim como a água e a eletricidade, impossíveis de funcionarem sem problemas. Jesus e Israel, por qualquer leigo, que tenha de fato lido a Bíblia, seguem por caminhos díspares.

Para o evangélico destes tempos, ou pelo menos o segmento comandando pelos pastores neopentecostais essa união é possível e mais do que explicável. Como fazem parte de um grupo se opondo ao atual Governo Federal, tendo Lula como presidente, fazem de tudo para se oporem ao mesmo e criar problemas para seu mandato. Pegar em fio desemcapado é fichinha. Pegam numa boa e o fazem, se bobear, fazendo citações bíblicas. Onde as encontram, só eles mesmo sabem. E daí, mais do que evidente a espetacularização deste evento denominado Marcha para Jesus.

E nela todos os políticos ligados ao segmento de extrema e ultradireita, conservadores e fascistas de todas as matizes. Na Marcha realizada na capital paulista, encontrar o atual prefeito babando ovo para a falácia dita dos palanques não representa nenhuma novidade. Até mesmo ver o atual governador paulista, Tarcisio de Freitas enrolado numa bandeira de Israel e cantando hinos de louvor, como devoto pode ser considerado como algo trivial. Representa bem o que estamos vivenciando nestes tempos.

Misturaram tudo, religião e política e da forma mais desavergonhada possível. O que todos querem e almejam é estando próximos dessa massa humana, conduzida como gado, consigam também os votos destes. Tarcisio é mais do que um péssimo governador. Destrói o estado, até então mais rico da federação e se coloca, como se vê, a serviço dos interesses de Israel. Pior que tudo, é candidato à Presidência da República. Ele e todos os prefeitos que lá estavam em Israel por estes dias, aprendendo técninas de espionagem e de manipulação humana, comprando serviços israelenses neste sentido. Só não contavam com a guerra. Todos os que lá estavam são do time do Tarcisio, do Netanyahu, do Trump, aprovam toda a truculência daquele país para com os palestinos e iranianos. Religião, no caso é mera carapuça, escondendo a real intenção por detrás de tudo. Municiados por Israel estes todos já estão a serviços destes e prontos para colocar em prática o aprendido já nas próximas eleições. Estejamos preparados.

SITUAÇÃO DOS APOSENTADOS DA PREFEITURA DE BAURU
"Tem aposentado deixando de comprar remédio para poder comer", bradou Melissa, em um discurso forte e emocionado que repercutiu entre os parlamentares e arrancou aplausos dos presentes. "Tem aposentado dividindo comprimido ao meio para durar até o fim do mês. Tem aposentado que vive com medo de não conseguir pagar o aluguel. Enquanto isso, a Prefeitura economiza R$ 1.400,00 mensais por cada servidor que se aposenta. E não devolve absolutamente nada em troca", texto do Sinserm, o Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru.

EU CUIDO DE CINCO GATOS, MAS NÃO TENHO NENHUM
“Um escritor sem gato é como um cego sem um cão de guarda”
O caráter solitário e individualista dos felinos faz com que os escritores se sintam identificados com eles. Podíamos definir a relação entre os dois como uma aliança entre seres completamente livres.

Borges confessava-se anarquista, independente e solitário, sem horários que pudessem condicionar sua criatividade. "Faz o que quer, como eu", disse o escritor sobre seu fiel gato Beppo.

Gatos são politicamente incorretos, seres de ninguém, amantes da noite, boêmios e independentes... A mistura perfeita para muitos dos escritores que marcaram um antes e um depois no mundo da literatura. Alguns deles conseguiram criar laços imperceptíveis para os outros mortais, simplificando a sua magia em um só.

Charles Bukowski escreveu sobre gatos: "Eles andam com uma dignidade surpreendente, conseguem dormir 20 horas por dia sem dúvida e sem arrependimentos, essas criaturas são professores". Alexandre Dumas teve dois gatos, Mysouff I e Mysouff II, sendo este último o favorito do escritor, apesar de ter comido uma vez todos os pássaros exóticos de Dumas.

Charles Dickens teve uma gata chamada William que rebaptizou com o nome de Williamina, devido ao parto que meses mais tarde teria o felino no estúdio de Dickens. Edgar Allan Poe tinha uma gata chamada Catarina, frequentemente deitava-se sobre o ombro dele enquanto ele escrevia. A gata inspirou-o na peça The Black Cat.

O carinho de Ernest Hemingway pelos felinos é tão conhecido que a jornalista americana Carlene Fredericka Brennen decidiu escrever o livro Os Gatos de Hemingway, no qual relata sua relação com esses animais.

Julio Cortázar chamou seu gato T.W. Adorno, pelo filósofo e sociólogo alemão. O escritor menciona gatos em várias de suas obras, incluindo Rayuela e O Último Round. O gato de Hermann Hesse era muito inquieto, o escritor passava seus momentos livres correndo atrás dele em sua casa. Dizem que o gato de Jean-Paul Sartre, um animal branco fofinho, se chamava Nada, um nome que se encaixava perfeitamente no existencialismo do seu dono.
Patricia Highsmith vivia feliz com seus gatos; com eles conseguia ter uma proximidade que não suportava ter a longo prazo com as pessoas. Ela precisava dos gatos como equilíbrio psicológico.

Esses felinos foram inspiração, solidão e companhia em suas vidas. Amigos fiéis na escuridão; almas livres que unidas criaram magia.
Texto de Luisa Baião

quinta-feira, 19 de junho de 2025

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (204)


MISTURANDO AS BOLAS*
* Tudo isto para tentar, ao menos, esquecer das guerras, embates e interregnos em curso.
1.) GUERRA É A PALAVRA DE ORDEM DOS EUA
Abro o Facebook hoje e lá uma charge de Belmonte, expert do traço, com um belo livro retratando a Segunda Guerra Mundial, dessas raridades que mantenho no meu Mafuá. Compartilho a charge (essa é de 29/09/1939), bela lembrança da amiga carioca, hoje residindo no Recife, Edna Cunha Lima, uma designer sempre antenada com tudo. Ela, do alto dos seus quase 80 anos, assim como eu, beirando os 65, sabemos que desde sempre este país, os Estados Unidos da América, vivem em função de suas guerras e de dominação alheia. Escolheram essa forma de vida, a de explorar o semelhante, abusar de autoritarismo, impor sua liderança pela força e assim dominar o cenário, o seu entorno, quiçá mundial. Com o fim da 2ª Guerra e depois, de outra a Guerra Fria, quando se sustentava dizendo nos ajudar se mantendo longe do perigo cominista, eles aumentaram ainda mais seu poder. Fizeram guerras adoidados por todos os meios e modos, destruiram países e sem se importar com nada. O que valer para eles é grana nos bolsos, nos deles e pro resto migalhas. Só que enquanto guerreavam adoidao, a China quietinha se modernizou e avançou, hoje conquistando a liderança mundial. A China não detém o poder bélico do mundo, mas sim o tecnológico. E hoje, os EUA já se deram conta, estão atrás da China e como ainda não podem guerrear diretamento com eles, o fazem por meio de seus satélites. Israel é um país satélite, o mais bélico do Oriente Médio e nada faz sem colsutar e ter o aval norte-americano. Essa guerra contra o Irã é só mais uma dos EUA, quando impõe aos outros fazer o serviço sujo pra eles. E assim vão destruindo mais um ali pertinho da China e se aproximando, abiscoitando pouco a pouco e recheando a região com armas apontadas para a China. É grana e poder, algo que sabem, não mais serão conquistados da forma legal. Daí, nada como ir construindo e conquistando tudo pela força, guerras e mais guerras. A charge já demonstrava isso lá em 1939. Hoje só a continuidade disso tudo.
Foto de Pedro Romualdo

2.) NA CEI APURANDO PROVÁVEIS IRREGULARIDADES DA ALCAIDE, O SEU PRESIDENTE É TAMBÉM LÍDER DELA NA CÂMARA - TUDO DENTRO DO QUE ENTENDEM SER A NORMALIDADE
Eis o link da matéria de hoje da 94FM, escancarando a evidência ululante:

Comentário de Gleison Sallas Contador quando de minha publicação no Facebook: "Não podemos entrar comnums representação popular pedindo o afastamento do líder da prefeita que é tbm presidente da CEI e que em certos momentos atuou como orientador da depoente ? As vezes parecia um advogado. Parecia". 

3.) CARLÃO MARCOU ÉPOCA, SÓ MUITO TEMPO DEPOIS FUI ENTENDER
Carlão corre em plena luz do dia. Tenta escapar, sem saber muito bem de quê. Um prédio em construção e o atirador cercando. Um tiro. Ele cai. A câmera se afasta devagar. Não há como voltar. Começa a tocar Paulinho da Viola: “dinheiro na mão é vendaval...”. Foi assim que Pecado Capital terminou. Junho de 1976. Eu faria dez anos dali a três semanas.

A cena ficou comigo. Pela secura. Carlão era um homem comum. Um taxista que encontrou dinheiro e achou que aquilo podia redesenhar seu destino. Não deu certo. Tentou furar a cerca e foi abatido como todos que nao tem vez. A novela não dourou a pílula. Não deu tempo de justificar nada. Não houve castigo, nem absolvição. Era o fim.

Era Pecado Capital, Janete Clair entendeu o país. Mostrou o que acontece quando alguém tenta sair da linha sem autorização. Ela não escreveu um final moral. Escreveu um final possível. Carlão não era exceção. Seu corpo caído no chão, em plena tarde, foi o retrato de um tipo de derrota que não precisava de palavrório. E a música do Paulinho não vinha para suavizar — dizia o que o roteiro já sabia: a vida cobra caro, mesmo quando parece estar oferecendo.

Francisco Cuoco morreu hoje, aos 91 anos. Quando soube, não pensei em carreira, nem em homenagens. Pensei em Carlão. No corpo caindo no meio dos escombros. No silêncio entre uma fala e outra. Naquela imagem que ficou comigo mais do que muitas vitórias. A TV ainda era preto e branco. Eu ainda era criança. Mas alguma coisa naquela cena me avisava que, ali, a ficção não estava mentindo.

Paulinho cantou: Mas é preciso viver/ E viver não é brincadeira não/ Quando o jeito é se virar/ Cada um trata de si/ Irmão desconhece irmão/ E aí dinheiro na mão é vendaval/ Dinheiro na mão é solução/ E solidão/ Dinheiro na mão é vendaval/ Dinheiro na mão é solução/ E solidão.
obs.: O texto é de Ricardo Queiroz e a música Pecado Capital, de Paulinho da Viola.

4.) CHICO E CLARICE, TUDO MUITO SIMPLES
CHICO 81 ANOS Entre maio de 1968 e outubro de 1969, Clarice Lispector fez uma longa entrevista com Chico Buarque!
Para o final da conversa, eles foram ficando mais íntimos, conectados, até que o papo termina com esse diálogo:
Clarice Lispector – Qual é a coisa mais importante do mundo?
Chico Buarque – Trabalho e amor.
Clarice Lispector – Qual é a coisa mais importante para você, como indivíduo?
Chico Buarque – A liberdade para trabalhar e amar.
Clarice Lispector – O que é amor?
Chico Buarque – Não sei definir, e você?
Clarice Lispector – Nem eu.
Dois gênios

OBS.: Tentei outro dia comprar o livro, recentemente editado com as entrevistas da Clarice. Folhei numa livraria na capital paulista, achei lindo, porém o preço me foi impeditivo de trazê-lo para o Mafuá. Fiquei na vontade e como tenho feito com todos os livros comprados por mim ultimamente, espero adentrarem um sebo, com preços exorbitantemente mais baratos.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

MEMÓRIA ORAL (319)


HOJE É DIA DE ESCREVER DE CRISTINA E DO BALCÃO MAIS FAMOSO, DESDE ROMEU E JULIETA
Vivemos hoje algo muito intenso dessa luta dos ainda dispostos a fazer algo de concreto pelos interesses populares e dos que, pensam somente em lucrar, obter dividendos para uma minoria. Vejo essa luta se intensificando cada vez mais. E, como não poderia deixar de ser, os endinheirados do planeta estão não só tomando a dianteira, como usando de todos os artifícios possísveis para impor a sua condição, pouco se importando para tudo o mais. Dentre estes endinheirados, quase todos neoliberais, ultradireitistas, muitos ditadores e perversos para qualquer um que ouse fugir à regra, ou seja, mijar fora do penico. Mas o que seria isso? O capitalismo avançou e está mais degradado, muito mais perverso que antes. Não diria ser isso evolução, mas sim, algo como uma espécie de degeneração natural. Enlouqueceram. Tudo por dinheiro e cada vez para menos pessoas. Dentro dessa loucura, fazem de tudo e mais um pouco para brecar quem ainda tente construir algo com conotação ou beirando atender anseios populares, o da maioria da população, principalmente para os mais necessitados. Estes, coitados, padecem cada vez mais e sobrevivem como podem. Uma labuta diária.

E seguindo toda essa receita neoliberal, os que insistem em continuar na pegada de fazer algo aos renegados deste mundo, primeiro tentam cooptá-lo, depois ao não conseguirem e estes insistirem, jogam sujo, fazem de tudo e mais um pouco para condená-los, algumas vezes tentam até assassiná-los e não conseguindo, não agem mais como antigamente. Antes os tanques adentravam as ruas e os golpes militares, com apoio de civis e dos EUA - sempre eles - eram consolidados, com muito sangue nas ruas. Hoje não, em conluio com o Judiciário, totalmente enfronhados com o sistema cruel e insano, agem como se estivessem dentro da lei. Julgam inventando fatos ou, como no caso de Lula, crendo em convicção e nenhuma prova concreta. Isso ocorreu e acabou sendo desfeito posteriormente no Brasil. O caso da Lava Jato é um escandalosa vergonha para o sistema judicial brasileiro. Isso, infelizmente, se repete por toda América Latina. No Equador com Correia, na Bolívia com Evo Morales, no Paraguai com Lugo, no Peru com Castillo e agora, o caso mais recente, escandaloso da punição à Cristina Kirchner na Argentina.

Me detenho no caso dela, Cristina, duas vezes presidente daquele país e que, junto com seu marido, ambos peronistas, muito fizeram pela Argentina. O caso a envolvendo é declaradamente de lawfare. Lawfare é o uso estratégico do sistema legal para prejudicar um oponente, frequentemente desviando-se das normas legais e buscando objetivos que vão além da justiça. Ou seja, o poder constituído, quase sempre com ligação mais que umbilical ao neoliberalismo predatório, vendo que pode perder as próximas eleições, julga descaradamente e tira do poder, quando não prende. Tentaram cooptar Cristina, ela resistiu, tentaram matá-la, ela sobreviveu, fizeram de tudo para incriminá-la sem provas e quando ela se apresenta como candidata a deputada no próximo pleito, o que a indicaria como candidata à presidência em dois anos, a Corte Suprema, uma que joga futebol na fazenda de Maurício Macri e diz amém para os mandões do país, o dono do jornal e grupo Clarín, três juízes, a condenam. 

Ela foi condenada e teve alguns dias até ocorrer sua apresentação ao tribunal, se entregar. Neste interregno, ela já não podendo sair às ruas, sai frequentemente na sacada de seu prédio, localizado no cruzamento das calles San José e Humberto Primo. Cristina é hoje a maior representante do peronismo na Argentina, 71 anos e depois de Perón e de seu marido, Nestor, quem melhor pode tentar resolver os cruciais problemas do país e mais que tudo, ainda atender os clamores de uma população totalmente cerceada de qualquer tipo de direitos, com o desGoverno do insano Javier Milei. O último governo peronista não foi eficiente e em sua fraqueza, possibilitou a chegada de alguém como Milei ao poder. Igual ao Brasil onde Bolsonaro chega e conquista parcela significativa de eleitoresSão os tais doentes se achegando ao poder e depois fazendo de tudo para dele não mais sairem. No Brasil, Bolsonaro quase consegue permanecer no poder com um golpe, querendo matar seus oponentes. 

E Cristina do balcão de seu apartamento faz com que o país se levante. Foi uma semana de intensa movimentação diante de sua sacada. O povo foi verdadeiramente para as ruas defendê-la e contrário à injusta decisão judicial. Ela teria que se apresentar no Comodoro Py, nome da rua onde está localizada a Corte Suprema, porém, diante da manifestação crescente os juízes decidiram pela prisão domiciliar. Tudo se intensifica no último dia 17/06, quando uma manifestação gigante é marcada para a Praça de Mayo, local onde também está situada a Casa Rosada, o palácio presidencial. Da praça até o prédio onde ela reside uma multidão toma às ruas. O levante está estabelecido e consolidado. Milei age sempre com violência para qualquer manifestação nas ruas, batendo inclusive em aposentados, porém, diante de uma massa incalculável de pessoas, assiste a tudo. O balcão onde ela aparece com frequência se transforma num local não só de peregrinação, mas de esperança. Diante dele gente de todas as partes do país. 

Ela não mais precisará se apresentar ao tribunal. Agora está encerrada em sua residência, porém, fazendo uso de sua parte externa, a sacada, o balcão, hoje mais famoso que o do romance de Romeu e Julieta. No momento em que escrevo, ela solicita do tribunal se pode fazer uso do balcão. Ele faz parte de sua casa. A decisão deve ser tomada em breve e enquanto isso, o povo não arreda pé de se manifestar defronte este local. A Argentina ferve, pois o Milei prefere viajar, nenhuma obra em curso, governa fazendo pronunciamentos em países onde imperam governantes como ele, todos de ultradireita, viagens com gastos estratosféricos e o povo cada vez mais na miséria. Comparo as viagens de Lula, trazendo altos lucros ao Brasil e as de Milei, nenhum acordo comercial, só falação direitista. De tudo, algo desponta no ar, assim como os aviões de carreira: Cristina cresceu com tudo isso e a partir de agora, está recolocada num patamar, onde este julgamento deverá ser invalidado e, assim como Lula, voltar a disputar à presidência. Como ela mesmo disse, só a prenderam, pois sabem perderão a próxima eleição. E assim, a varanda, seu balcão acaba se transformando num belíssimo palanque, onde diante dele desfila toda uma nação clamando por se atendida em suas reivindicações. Essa Argentina voltará em breve. Como ela mesmo disse: "Voltaremos".