quinta-feira, 12 de março de 2026


ALGO DE COMO DONA IRENE COMEMOROU A CHEGADA DOS SEUS 90 ANOS
Eu fui convidado para acompanhar um evento, tarde de quinta, 12/03, no distrito de Tibiriça, em comemoração a chegada de dona Irene Baté, aos 90 bem vividos anos. Indescritível momento. Na casa da matriarca, muitos se reunem desde cedo no entorno da nova churrasqueira da casa. Sempre existe um bom motivo para mantê-la permanentemente acesa. Nessa quinta, um ótimo motivo. E assim, estes chegam logo cedo e envolvem a matriarca com todo carinho e atenção. Ali, no seio do distrito rual de Tibiriçá, sinto pulsante e presente, entendo na exatidão do termo o que vem a ser congraçamento humano e familiar. Existe uma coesão, com todos convergindo para reverenciar quem segue altaneira, tocando o barco adiante, resistência inquebrantável, algo lindo de ser presenciado, como tenho p razer de fazê-lo toda vez em que sou convidado.

Já escrevi por aqui muito sobre essa família, a Baté/Cosmo, pois desde que tomei conhecimento da edificante história, assuntei, me aproximei e lá estou, em constantes visitas e agora num projeto mais específico de juntar depoimentos, que logo ali na frente irã oser juntar para a construção de um painel dessa querência coletiva por um lugar. A família Baté, desde sua chegada e instalação no local, souberam ir construindo algo de forte abrangência coletiva e humanitária. Uma família sofrida, porém, feliz, unida e coesa, todos no entorno de quem lhes propiciou tudo o conquistado.

Hoje quem personifica o idela dessa família é dona Irene Baté, que neste dia, completa seus 90 anos. Além da festa lá em sua casa, que deve ter rolado até não mais poder, na Creche no distrito, uma homenagem para os aniversariantes do mês e dentre eles, lá foi levada dona Irene. Fabiana Balbino e Dulce Baté fizeram um imenso bolo, levada para o epicentro da comeoração, junto das crianças. O coral, onde crianças e idosos do distrito se juntam, esteve presente e também se apresentou. Foi feita uma homenagem para as mulhgeres presentes, todas da comunidade, pela passagem do seu dia, em 08/03 e tudo culminando com o abraço coletivo para dona Irene.

Ela é a singeleza em pessoa. No caminho de ida me disse: "Onde vou? Eles decidem por mim e me comunicam que tenho que estar aqui e ali. Eu gosto mais, em minha idade de ficar em casa, mas andar por aqui, circular pelo lugar que amo, quando me dizem para sair pelas ruas, me apronto rapidinho". E o carinho é logo percebeido em sua chegada. As crianças do lugar, muitos se aproximam dela, simplesmente para pedir a benção. O respeito que crianças e adultos a tratam é coisa pra ser gravada e mostrada. Ela lá, curtiu a apresentação por inteiro e se fartou com os quitutes todos. No final, como o bolo era imenso, algo lindo, Fabiana, carregou nos ombros a metade não consumida, de volta para a casa da matriarca, onde outro tanto de pessoas se encontravam reunidos e assim, o mesmo serviu para abrilhantar duas festas.

Tibiriçá é isso, um local cheio de histórias de vida, povo simples, batalhador, sem muito lazer, mas sabendo cavar acontecimentos que o engrandecem. Eu, que vivenciou mais um bom momento, coletando depoimentos destes, em cada retorno, sinto mais vontade de aproximações outras. Dulce, num certo momento, caminhando pelas ruas, me mostra uma casa e diz: "Está a venda. O preço é bem justo. Por que não pensam, você e Ana Bia num lugar por aqui?". Não sei se isso é provocação, mas olhei a casa e fiquei a imaginar, eu e Ana, na convivência com tudo aquilo. De uma coisa tenho certeza, daria um bom samba, uma ótima maneira de viver a vida na sua acepção. Ficamos de pensar a respeito. Por enquanto, vou e volto, muito por causa de histórias como a de dona Irene.

Eis um vídeo gravado por alguém da família, depois da homenagem na creche, quando adentrava a noite, todos reunidos entorno dela e festa comendo solta: 

O BLOCO DE OLINDA "EU ACHO É POUCO" FUNCIONA IGUALZINHO AO "BAURU SEM TOMATE É MIXTO"
Na edição de 11/02/2026, a revista semanal CartaCapital, publica texto assinado pela jornalistas Fabíola Mendonça, "VERMELHO E AMARELO - Criado para desafiar a ditadura, o Eu Acho é Pouco mantém-se fiel à defesa da democracia e da igualdade", onde nos apresenta o histórico deste singular bloco de Olinda PE. Leio e vejo ali algo muito parecido, irmãos siameses, com o bauruense Bauru Sem tomate é Mixto. Compartilho o link, para todos fazer a comparação e constatação: Carnaval é festa, mas é também momento para externar críticas. Estes dois blocos seguem nessa pegada, algo mais que necessário, ainda mais em tempos como os atuais, onde muitos se omitem e agem como se nada estivesse a acontecer. Não deixasr passar e unir a festa com o traço político, algo mais que necessário. Leia aqui: https://www.cartacapital.com.br/politica/vermelho-e-amarelo/
Abaixo compartilho trecho da matéria:

"Tudo começou quando um grupo de amigos, em sua maioria de esquerda, decidiu criar seu próprio bloco de carnaval. O objetivo era usar os desfiles para desafiar o regime militar, com críticas refletidas nas fantasias e nos temas escolhidos para cada edição. "Na ditadura, o carnaval era um dos poucosmomentos em que se podia extravasar sem ser perseguido, um espaço de mínima liberdade. Essas raízes permaneceram ao longo dos anos. O Eu Acho é Pouco reflete exatamente aquilo que foi sua origem".

O grupo não se limita à política: participa de manifestações de rua com pautas progressistas, como a defesa da democracia e dos direitos humanos. (...) Os temas sempre foram baseados em pautas políticas, vivenciadas pelo Brasil naquele momento, o que nos tornou um bloco combativo. O fato de quase todos os fundadores serem de esquerda ajudou a manter a nossa luta.

O bloco era um espaço de denúncias e ironia. (...) É onde nos encontramos para contestar injustiças sociais. Mas também é um lugar de afto, de encontros, alegria e folia contagiante, afirma sua fundadora. Após o fim da ditadura, o bloco voltou-se mais para temas carnavalescos, mas nunca abandonou a sátira política.

"Ficamos muito felizes ao ver, em manifestações de rua, várias pessoas com a nossa camisa. Isso mostra a história que o bloco construiu ao se posicionar politicamente. Hoje, o Eu Acho é Pouco é um símbolo de resistência. O carnaval é tembém político, um espaço de protesto. É onde as pessoas denunciam a dura realidade que vivem, defendem suas convicções. Por isso, o bloco não abre mão de suas origens nem vai deixar de fazer o que acredita ser correto", completa a designer Luciana Claheiros, filha do fundador do bloco".

Daí, volto para o TOMATE, este combativo bloco, fundado há 14 anos e desde sempre, nas ruas e lutas, flocando ou não, mas sempre presente. Ou seja, mais que necessário. Reproduzo o texto da revista e conclamo todos os TOMATEIROS DE PLANTÃO, para nos encontrarmos, o mais breve possível, traçando algo auspicioso para o seu futuro. Em 2027 completaremos 15 anos de existência e precisamos estar mais fortes que nunca, ainda mais diante de tudo o que nos acontece aqui do lado de fora do mundo.

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