Falo de mim e do que presenciei no Carnaval deste ano, desfilando. Primeiro com o Tomate, esse oásis de resistência, que verga mas não quebra. Dele se espera algo mais já logo depois do Carnaval. Depois, consegui adentrar a avenida Jorge Zaiden em três desfiles. Primeiro no Sábado com a Escola de Samba de Tibiriçá, que tanto amo e participo, a Estrela do Samba. Não teria como me ausentar de participar. O fiz na Harmonia, ladeando um belo desfile que vi brotar das cinzas e sem recursos públicos, se fez presente, se mostrou muito vivo e com um samba emolgante, puxado por gente querida, do terrão de Tibiriçá. Aquilo tudo é de um amor inexplicável, que faz com que, os Baté e todos os que estão envolvidos na festa se transformem e saiam como leões da avenida. Vivenciei isso e posso contar em detalhes históirias que até deus duvida.
Descansei o domingo e na segunda, voltei para Jorge Zainden e aquela inexplicável curva no início, quando os carros tem que se entortar pra adentrar o percurso. Vergonha das vergonhas. Volta Sambódromo! Sai na Ala Coração da Bailarina, a última no desfile homenageando a grande bailarina bauruense Dalva Correa. Muito orgulho em estar junto de tanta gente querida. O que o Tobias Terceiro está proporcionando de novo ao Carnaval bauruense é algo pra ser reverenciado com muita pompa e louvor. Ele representa muito no ressurgimento do Carnaval na cidade, pois com seu incessante trabalho mostra a todas as demais que tudo é possível, bastando ir à luta. O tema escolhido por Tobias é Bauru sendo levado pra avenida e acredito, esteja na hora dele, de forma bem consciente abordar algo de uma pegada social já no próximo ano. Ele sabe o que faz e faz bem feito, tendo por detrás uma equipe boa, não deixando a peteca caior. Trabalho de aquipe. Vi estes atuando na avenida ao lado dos passistas. Depois do que vi, o sucesso será inevitável, inapelável e inquestionável.
Por fim, a última escola a sair na avenida, segunda perto da meia noite, lá estou na Escola de SAmba do geisel, a querida Coroa Imperial. O trabalho que o carnavalesco Gilson faz precisa ser enaltecido e neste ano, eu mesmo sem poder avaliar as demais, pois estava lá nos camarins, me aprontando para sair, não existe como negar, lindas fantasias e um samba reverenciando a Mangueira, com letra fácil de memorizar e cantar. Foi empolgação do começo ao fim. Arrebatadora apresentação, empolgando a platéia. A escola, depois dos anos todos nas mãos do ser Avelino, não fraquejou, buscou forças, se renovou e mantendo o Gilson lá, uma espécie de faz tudo, trabalho de formiguinha o ano todo, desta feita, creio eu, mostrou seu melhor desempenho desde que está à frente como carnavalesco. Páreo muito duro para quem está julgando. A Coroa não é mais o eterno terceiro ou quarto lugar. Isso é ótimo para o Carnaval bauruense.
Amei tudo onde estive metido e envolvido neste Carnaval deste ano, mas tenho que confessar, depois de passar 23 dias longe de Bauru, a surpresa maior veio do Gilson, da Coroa, que me conhecendo, acabou por me colocar como destaque numa das las, ou seja, sai com meu precário samba, abrindo a ala, num espaço só meu para ir para lá para cá, reverenciando o público e quem vinha atrás. Foi mais que um orgulho me ver neste destacado lugar. Dei o melhor de mim e espero ter representado à altura a beleza da escola na avenida. Para mim, que saio há muitos anos em variadas escolas, gosto da festa como nenhum outro, me esbaldo por estes dias, sei fazê-lo de forma consciente, me via ali na avenida, podendo olhar mais de frente para que me assistia. Não existe emoção comparável. Aquele momento é indescritível. Cantei, dancei, suei pra dedéu, nem senti o cansaço, pois incorporei algo mais, que nem sabia ser possível e assim, chegamos ao final do percurso e depois de tudo, ouvindo outras vozes, me certifiquei, todos na Coroa este ano fizeram História. Foi um memorável desfile e eu, este mafuento HPA, estive presente, como testemunha ocular.
Meu rescaldo é positivo. Creio que quem organiza a festa, no caso uma administração, cuja chefe maior, a alcaide, não gosta de Carnaval e se bobear faz até pouco caso, precisa melhorar em alguns quesitos. Primeiro precisamos todos lutar pela reforma imediata do Sambódromo, depois existir uma Comissão Permanente, que discuta detalhes da festa. Ser muito burocrático e rigoroso não condiz com a festa. Compreensão para todos os que se empenham, dando mais doi que sange, suor e lágrimas para estar na avenida. O Carnaval é a maior festa popular brasileira e em Bauru está reconquistando algo perdido ao longo do tempo. Já fomos muito bons nisso e estamos recuperando, reconquistando, degrau por degrau, algo antes conquistado e depois perdido. Uma maravilha poder participar dessa retomada e com meus escritos ir dando meu quinhão de participação. A equipe da Prefeitura lá deslocada se empenhou, mas precisaria de uma melhor retaguarda da Administração, pois tem muita coisa ainda a ser feita. Encerro afirmando estar confiante que o Carnaval bauruense está num crescente. Ele vai ganhar mais e mais corpo. Sinto isso, o que brota na avenida está a demonstrar isso. Viva o Carnaval Bauruense!!!






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