DE COMO FAUSTO BERGOCCE ME FEZ IR HOJE PARAR LÁ EM REGINÓPOLISMeu dileto amigo Fausto Bergocce - parceiro em dois livros, ele desenhando e eu escrevendo - passou hoje por Bauru. Saiu de Sampa 7h da manhã e nesses horários dilatados destes tempos, até o Expresso de Prata demora mais tempo pra chegar em por aqui. O percurso é o mesmo, mas o tempo foi dilatado. Meio dia ele aporta na rodoviária e vou lá pra papear um pouco antes dele embarcar com destino a Reginópolis. Desta feita, vem para apresentar a cidade a um amigo guarulhense, Darlan Zurc, escritor, historiador, ilustrador, professor e quadrinista. De tanto falar de sua aldeia, Darlan invocou e disse: “Quero conhecer sua cidade”. Chegou o dia. Vieram juntos. Fausto traz na mala uns 15 exemplares de nosso livro, o “Está no Gibi – Reginópolis sua Gente e sua história”. Serão quase cinco dias perambulando pela sua cidade natal e a apresentando ao curioso amigo.
Ficamos de almoçar juntos. Saímos da rodoviária e eles me contam a novidade. Existiam dois horários à tarde para lá, mas agora só um e no final da tarde, 17h. Teriam a tarde toda livre. Pergunto quanto pagariam na passagem. Somo os valores dos dois, faço uma conta na cabeça e junto, vejo minhas obrigações para o começo da tarde. Ofereço de leva-los, mas além do valor combinado, teriam que me pagar um almoço por lá. Os dois, evidentemente, toparam, pois teriam que esperar cinco horas até pegar um que, demoraria muito para chegar, pois passaria antes em Arealva e Iacanga. Ou seja, para quem saiu de casa 7h, chegariam por volta das 19h, ou mais.
E assim pegamos estrada, numa conversação danada, dessas que, a gente vê o carro saindo e quando percebe, já está chegando. Conversando a gente se entende e Darlan, pelo que percebi, logo de cara, bom de prosa. Conheci bocadinho desse baiano, interior do estado, cidade longe do mar e hoje, comandando um setor lá na Câmara de Vereadores de Guarulhos. Contou algo mais de sua trajetória e inclusive a de como lhe foi dado este nome inusitado: “Veio de um almirante francês, François Darlan. Meu pai conheceu a história dele e se empolgou”. E fomos lhe contando algo mais da cidade, como o fato de ter quase a metade da população residindo ali numa edificação na estrada, o presídio.
Chegamos, vamos ao posto de combustível, abastecemos e depois almoçar no Restaurante do Machado. Ali é ponto de convergência na cidade, único restaurante na cidade e por onde circulam gente de toda região. Antes de partir, peço mais, um sorvete, numa sorveteria onde a filha está herdando o negócio, 40 anos produzindo guloseimas de forma natural e com leite de vaca tirado no mesmo dia. A prosa prosseguia e quase já querendo me despedir, eis que chega assim do nada o advogado José Carlos Santos, que achava ser de Bauru, mas fico sabendo é de Reginópolis. E, a partir deste momento, um causídico se junta ao grupo. Haja causos.
“Passava pela rua, quando vi você com esse chapeuzinho branco e não acreditei”, me disse. Foi o suficiente para atrasar meu retorno. A prosopopeia agora era entre ele e Fausto, cada um lembrando fatos, pessoas e lugares de antanho. O negócio se estendeu por pelo menos mais uma meia hora. Tive que ser impertinente para conseguir me desvencilhar do furdunço armado, levar os dois pro hotel e voltar por onde vim, mais uns 40 minutos até Bauru. Volto com aquilo tudo na cabeça, as conversas todas e isso de, sem nada combinado, ter dado com os costados hoje lá por Reginópolis e só voltando, por ter conseguido fugir da artimanha montada, me sugestionando ir com eles iniciar as caminhadas pelos cantos todos da pequena cidade. E mais, pelo que me lembraram, Reginópolis faz aniversário amanhã, 3/4. Esses dois vão gastar muita sola de sapato nos próximos dias em algo que, Darlan deve colecionar muitas histórias, podendo até se transformar num novo livro do Fausto, com ele desenhando e o visitante escrevinhando. Isso tudo é viver e ir sabendo tocar a vida. Ruar é comigo mesmo.
continuando a escrever do iniciado ontem
O TEXTO E A ILUSTRAÇÃO DO FERNANDO REDONDO ME OBRIGAM A COMPARTILHAR, POIS INCRÉDULO AINDA ME ENCONTRO PELO POSICIONAMENTO DA VEREADORA QUE SE DIZ PETISTA
"Falta de materialidade.” Eis o argumento da vereadora Estela Almagro (PT) para arquivar a denúncia por quebra de decoro contra o vereador Eduardo Borgo. Sim, ele mesmo: o homem das homenagens ao ex-presidente — ora réu por crimes contra o Estado Democrático de Direito. Sim, ela mesma: a única vereadora do PT na Câmara de Bauru — e que vota como se fosse da bancada do PP, quando não do PL. Que coisa!
Segundo a vereadora, o problema está no pen drive. O conteúdo sumiu. Arquivo inacessível. O corpo técnico da Câmara confirmou o óbvio: não se lê o que não se vê. E aí, num passe de mágica regimental, Estela livrou Borgo com um argumento digno de nota: sem prova, sem processo. Pronto! Está feita a mágica do arquivamento político. Nem Freud explica. Talvez Freud, Kafka e Hans Kelsen juntos.
Mas vamos à questão jurídica — já que a vereadora resolveu bancar a processualista de ocasião.
“Falta de materialidade”? Ora, ainda que o arquivo estivesse ausente, a denúncia em si não é um processo penal, mas político-administrativo, e segue princípios diferentes. Jurisprudência pacífica — do STF, inclusive — admite que indícios e elementos externos à prova técnica podem, sim, embasar a admissibilidade de denúncias por quebra de decoro. Aliás, o recebimento da denúncia não exige prova cabal, mas apenas plausibilidade, razoabilidade, elementos mínimos para instauração do processo investigativo.
Quer exemplo? O caso do ex-deputado Eduardo Cunha. Quando a Câmara recebeu a denúncia que culminaria na sua cassação, ela foi embasada não por confissão ou pen drive milagroso, mas por indícios — robustos, sim, mas ainda indícios. E o STF não viu nenhuma irregularidade.
Mas em Bauru, cria-se uma nova doutrina: sem pen drive, sem processante. O sumiço virou escudo. E a mágica funcionou. Palmas para o truque. Agora sejamos francos: ruim com Borgo, pior sem ele. Porque sua ausência da oposição deixará Estela sem escudo. Com ele no front, ela ainda podia posar de ponderada, moderada, equilibrada. Sem ele, terá de encarar o espelho e a própria solidão ideológica — aquela que construiu sozinha, ao sabotar candidaturas próprias do PT, silenciar diante dos ataques da direita ao governo federal e salvar adversários históricos com votos cirúrgicos.
Não é só o pen drive que está ausente. É a coerência. E o julgamento agora vai ao plenário. Lá, talvez caia a máscara institucional — e o teatro da moralidade seletiva continue, desta vez sem sequer precisar de roteiro. Afinal, quem precisa de provas quando se pode buscar acordos para se manter no mandato? A verdade é que esse enredo político lembra aquele velho dilema do casamento problemático: ruim com ele, pior sem ele. E se é para assistir a essa tragicomédia bauruense, que seja até o fim. Eu, confesso, sigo torcendo pela briga.

E age segundo seus interesses próprios, não representa o que o partido foi e é. Não tem representativa ao governo federal, deputados e senadores. Há muito tempo percebo o circo de horrores que é aquela câmara. E para completar o escárnio junta- se ao vereador Eduardo Borgo. Quando Bauru, cidade sem lei e sem limites de coerência e responsabilidade. Devemos tomar vergonha e eleger pessoas interessadas em trabalhar na famigerada cidade. O que vejo são delírios e falácia. As atitudes não existe pois afinal com o dinheiro do povo, seus pagamentos seguem regularmente. Até quando estará a desmando da dona do PT, será medo de assumir responsabilidades? Não sei?, o que vejo é a decadência visto a olho vivo. E a omissão diante dos desmando da mulher do poder na prefeitura. E o povo padecendo, poderia ilustrar tantas coisas. E sonho de coração com uma pessoa que possa levar o PT muito mais longe. E falta garganta, mas artimanhas, ah isto muitos aprenderam ao longo de sua estadia na câmara dos devaneios", RENATA SANTIN.