sábado, 31 de março de 2018

CARTAS (186)


CONTATO IMEDIATO COM CARTA CAPITAL – DESABAFOS AQUI REVELADOS

Semana passada, a revista sai com uma capa mais do que instigante, “O PAÍS INERTE” e no editorial de Mino Carta, algo sobre os contatos que ele manteve em Salvador, durante o Fórum Social Mundial e neles a certeza, “poucos de fato estão dispostos a brigar, muita conversa fiada”. Eis o link do editorial “Tíbios e insensíveis”: https://www.cartacapital.com.br/revi…/…/tibios-e-insensiveis. Com o mesmo sentimento, escrevo para a revista. Eis minha carta:

"O editorial de Mino Carta e a capa/matéria da última edição de CC dizem tudo e confirmam, por onde circule, noto alguma reação, mas cada vez menos gente disposta ao enfrentamento, a alguma reação nas ruas. Isso me causa desespero, como causa desalento e até desânimo em Mino. Pior é sentir o clima de "pode tudo" já instalado, em curso e pronto para fazer das suas dentre os que agridem os resistentes, os que colocam a cara para bater e se posicionam contrários ao clima fascista em curso. E ainda pior, notar que se houver algum tipo de reação desses ainda resistentes, o motivo que buscam para fechar tudo e se perpetuarem por tempo indeterminado no poder. E o que será feito dos que até então tiveram a coragem de se expor? A perseguição a esses é o próximo passo. Quando esperava ver o país nessa situação e com tudo, todas e todos inertes? Deixo a pergunta: devo continuar esgrimando ou diante do quadro já é o momento de se recolher, se possível se esconder e até mesmo fugir pra bem longe? Está claro, "eles" chegarão em minha porta, mera questão de tempo. E olha que nem reagimos à altura. Resistir é ainda preciso ou já devo capitular, eis a questão? Torcendo e muito para ainda poder ter em mãos a edição milésima da melhor revista semanal deste nosso mundo, um farol, oásis diante de toda perdição à nossa volta. Boa sorte pra todos nós. HPA".
Eu e Mino Carta quando llhe levei quadro de Miguel Rep;


Eu me abro com a revista e aqui publico algo íntimo, duas manifestações bem pessoais, só minhas para com a revista. Primeiro um desabafo feito em 25/01/2018:

“DESABAFO - Quanto mais eu leio as edições semanais de CC, mais fico com aquele gosto amargo de desesperança entalado na garganta. Gosto de também estarem a chover no molhado. O que a revista nos traz semanalmente é a mais pura e límpida renovação da esperança para este sofrido país. Caminhos são apontados, mas a cada nova movimentação no tabuleiro político, eis que só se confirma o adiantado passo rumo ao abismo. A revista tenta, insiste em continuar apontando saídas, mas o que se vê, infelizmente, é algo sacralizado pelos últimos acontecimentos. Nas últimas edições, vejo rarearem anúncios e isso me torna mais triste, acabrunhado. Agora, consumada a derrota de Lula no TRF4, junto as edições da revista sob a mesa, tento ainda buscar uma saída plausível para nossos males, rumos a serem tomados, mas os sei serem de princípio, o país enveredou por caminhos que nunca mais pensei pudesse passar novamente na vida. Os piores nos comandam e impuseram a sua lei sob as do Direito. Vale a deles e nada mais. Tudo é consumado como rolo compressor. Como enfrentar isso sem respaldo das ruas? Diante da decisão já esperada, parte do povo nas ruas e diante da possibilidade de fazer valer sua força, nada fazem e todos voltam pacificamente para suas casas. Atenderemos novas convocações, mas sempre ordeiras e cordatas, enquanto o baú de maldades sob os costados populares só avança, mais e mais. Luiz Gonzaga Belluzzo define com perfeição como me sinto diante da vontade de reagir, mas sem forças, até para não parecer mais quixote do que já sou, num cada vez mais desigual enfrentamento: “Os brasileiros de todas as classes assistem – uns embevecidos, outros atônitos – à encenação da Justiça ou as façanhas da Justiça espetáculo”. Que faço? Quero sair com minha espada em riste pelas ruas da aldeia onde moro, Bauru SP, mas temo fazê-lo sozinho nesta noite do dia 24. Estudantes se divertem num bar até altas horas, lotam um quarteirão e contente me aproximo. Olho no relógio, 1h30 da manhã. Oba! Um princípio de reação. Que nada, volto mais acabrunhado pra casa, estavam a festar e não a resistir. Nem eles.

Já em casa ligo a TV e vejo os ônibus todos que estiveram em Porto Alegre e São Paulo voltando para suas cidades de origem, ordeiros e cabisbaixos. A esposa dorme, ouço seu leve ronronar, porém perdi o sono. Volto-me para as leituras espalhadas sob a mesa, onde me é indicado até como reagir, mas quantos iguais a mim ainda estariam imbuídos de tentar algo, ainda topariam enfrentar os barões da maldade. Desolado, não me afastarei dessas leituras, reconfortantes e como oxigênio diante de tudo o que se teremos pela frente (resistam, por favor). Sem elas e a proximidade de um grupo de amigos, pessoas comungando dos mesmos ideais e ideias, não sei como poderia sobreviver. Choro copiosamente, eu e eu, pois sei estar sendo consolidada hoje mais uma tremenda injustiça neste país. De que vale a História lá na frente, décadas depois, quando nem mais estarei aqui, reconhecer a maldade feita. Ela o fará, inexorável isto, mas queria mesmo era estar engajado na mudança, numa real possibilidade de transformação. Agora sei, ela não virá pela via eleitoral ou dita normal. A madrugada avança e o máximo que consigo, até para aplacar o mal estar é escrever esse desabafo e enviar para alguém que o interprete condignamente, o entenda e talvez o passe adiante, pois sei, muitos estão como eu, curtindo esse doloroso silêncio, plena madrugada e como derradeiro momento, perdidos e desamparados. Diga-me, caro Mino Carta, do alto dos seus 84 anos, meu timoneiro para assuntos de resistência e futurologia, como reagir a isso tudo? Vale a pena ainda esgrimar minhas últimas forças e continuar resistindo ou vou pro mato, distante de tudo e todos e ali termino meus dias? Ou faço como um dia me disse o cartunista Carlos Latuff, quando de uma de suas passagens por Bauru, meia década atrás: "Meu caro, a gente perdeu essa guerra, mas mesmo ciente disso, continuarei fazendo a minha parte, demonstrando dia após dia com meu trabalho o quanto eles são ridículos, vazios. É o que me resta". Será que consigo?”.

Em 30/01/2018 voltei à carga:

“Semana passada envio longa carta desabafo aos amigos e quando a revista me chega às mãos, edição 988, eis que logo na manchete de capa, algo do que havia escrito: "Um Brasil PIOR para todos - Preso ou não, Lula conserva intacta sua força eleitoral e os heróis de hoje serão os vilões de amanhã". Releio o que havia escrito: "De que vale a História lá na frente, décadas depois, quando nem mais estarei aqui, reconhecer a maldade feita. Ela o fará, inexorável isto, mas queria mesmo era estar engajado na mudança, numa real possibilidade de transformação.". Esse o motivo de meu sofrimento atual, o tempo urge, eu aos 57 anos, dores se multiplicando pelo corpo e querendo fazer algo para impedir o avanço da mentalidade golpista, mas sem saber como. Olho para os lados e não encontro respaldo na minha angústia de se juntar a algo transformador. Poucos, muito poucos resistem. Mesmo a revista tem seus limites, inclusive econômicos, financeiros e isso deve pesar muito. Até quando vai resistir sem anúncios? A "Brasileiros" e a "Caros Amigos" já se foram. Tomara que os leitores desta CC consigam a levar adiante, até despontar algo mais palatável para este país, o que vejo cada vez mais complicado. Lá na frente, talvez décadas, a História reconhecerá tudo o que a revista vaticinou, mas a minha geração não mais estará aqui. Nem durmo mais pensando e pensando em como reagir, fazer algo já e agora que possa ser útil para a transformação deste país, um retorno para uma perdida soberania. A leitura semanal do que sai publicado na revista é sempre um alento, algo a me oxigenar e quando leio de Mino que "somente um forte abalo social pode livrar o Brasil deste estado de exceção à beira da demência" e "está claro ser preciso amedrontar os senhores, sem exclusão da mídia nativa, neste momento de júbilo", depois o Nirlando Beirão, afirmando que o fascismo nem sempre acaba bem, "eles que não se iludam. A História pertence a outros protagonistas. (...)

Dão a impressão de que a barbárie vai durar para sempre. Mas o fascismo é um acidente de percurso", a esperança se renova. Mas, pelo que vejo, nada para agora, de imediato, nesse momento em que ainda tenho alguma força. Eu queria estar nas ruas e lutas todos os dias que me restam, mas permaneço lendo, refletindo e trabalhando, ao lado de gente a tocar suas vidas como se nada estivesse acontecendo e nada mais pudesse ser feito. Isso me corroí por dentro e por fora. Esse meu sentimento, meu desabafo, feito a vocês, que sei, me entendem e nutrem o mesmo impulso por não desistir, insistir e continuar tentando. A revista me faz prosseguir com aquele sentimento, o de que a saída virá. Quero fazer parte dela, CC já o é, mas o povo, ou pelo menos a parcela insatisfeita com os rumos do país, ainda nem tanto. Falta alguém ou algo mais para acender essa chama. Será isso ainda possível?”.

É isso...

sexta-feira, 30 de março de 2018

ALFINETADA (163)


SEXTA “SANTA”, O PAPA E O NOVO BISPO CATÓLICO – UM RELIGIOSO LOCAL ME DIZ ALGO DELE
O novo bispo.
 

Hoje é feriado católico. Minha família toda é católica, já o fui e hoje já não sou mais nada. Desacreditei de tudo, mas mesmo assim acabo de ajudar meu amigo Lulinha com um pequeno auxílio lá pra festa dos umbandistas. Ele é convincente e a festa lá no jardim Tangarás é das que gosto de comparecer. Não vou na deste ano e me sinto muito bem longe das devoções para santos. Idolatro outras coisas. E se renego o que fazem com as religiões, por que me atrevo a escrever de uma que não boto mais fé? Simples. Hoje é feriado e tudo devido ao calendário religioso. Uns guardam o dia, pois até a maioria dos açougues fecham as portas e daí as churrasqueiras hoje estão frias, sem fogo. Daí me ponho a escrever de algo que acabo de ler no jornal impresso da aldeira bauruense: BAURU TERÁ EM BREVE UM NOVO BISPO (Eis o link: https://www.jcnet.com.br/…/dom-sevilha-sera-o-novo-bispo-de…). O atual, até as pedras do reino mineral sabem ser tucano e não gosta muito de esquerdistas, muito menos de se mostrar ao lado do posicionamento dos movimentos sociais. Portanto, conservador. Apoiou declaradamente o golpe e nem sei se não participou das caminhadas verde-amarelas na Getúlio.

O bispo se aposentando.

O atual bispo é uma coisa e nada sabia do que está chegando, além do fato de estar vindo de Vitória ES e ter nascido aqui perto, em Tarabai, região de Presidente Prudente (o atual é de Pirajuí). Escrevo “sabia”, pois ontem dou de cara com um confiável religioso e lhe tasco a pergunta: “E o que me diz do novo bispo?”. Estava com pressa, mas parou para me dizer isso: “Se a coisa está ruim, a tendência é piorar. O cara é conservador até a medula. Não espere nenhum avanço e vamos ver se ele vai ter peito para resolver o imbróglio da existência do bispado paralelo existente em Bauru”. Me espanta e pergunto: “Bispado paralelo?”. Sua resposta: “Não sabia. O bispado de Bauru é pouco significativo no contexto nacional e floresceu aqui um grupo de poder impondo regras além do poder do próprio bispo. Hoje se mostram muito fortes, consistentes e o bispo com pouca força, aceita e sobrevive. Do novo, que já deve estar ciente da situação, só mesmo o vendo no palco dos acontecimentos. Pelo que se conhece dele, o papa prega uma coisa e na prática o exercício de outra. O papa sofre com esses”.
O papa que os conservadores afirmam ser comunista.


Isso da ação deste papa é algo mais do que intrigante para todos os atentos com seu belo discurso e diante do momento atual da Igreja e do mundo. Desde o início ele se mostrou progressista, avançado até demais diante do restante da estrutura. Ele resiste e aponta outros caminhos, mas avança pouco, com tudo permanecendo empacado e seguindo os velhos dogmas. Uns dizem ser ele também parte de uma bem montada e necessária farsa visando a sobrevivência do negócio. Já não tenho tanta certeza, pois seus discursos e posicionamentos são alentadores diante da reinante e impositiva imbecilidade. A última é uma delas, quando renega a existência do inferno. Os católicos aplaudem o papa (ouço de um deles: “foi enviado dos céus para este momento conturbado do mundo”), mas fazem vista grossa e seguem no exato oposto de sua pregação. Então, já que o novo bispo antes de botar os pés em Bauru já desaponta e não se mostra diferente do atual (como gostaria de queimar a língua e ter por aqui, ao menos, um novo Padin), fiquemos ao menos com as falas do papa, um religioso palatável nesses sombrios tempos. Já tivemos dentro da estrutura da Igreja católica gente como Arns, Boff, frei Beto, Casaldáliga, Helder Câmara e outros, agora um papa latino e a defender as boas causas, a dos interesses populares. Algo me intriga e mesmo forçando a memória não consigo me lembrar de nenhum padre, de agora ou de tempos recentes, com atuação por essas plagas nessa linha de ação popular. Alguém poderia me lembrar de algum?

quinta-feira, 29 de março de 2018

FRASES DE UM LIVRO LIDO (125)


QUE BOM SERIA SE OS AGREDINDO QUEM COMBATE O CAPITALISMO O CONHECESSE DE FATO – UM LIVRO CAINDO COMO UMA LUVA PARA O MOMENTO ATUAL


Dedicado aos que chamam todos os oponentes de 'comunistas' pelas redes sociais.

Abro o facebook por esses dias e me espanto. Proliferam como mato uns que antes acreditava mais palatáveis, compreensíveis com as diferenças deste mundo, entendedores de que se pode conviver com diferenças ideológicas e tentar manter algo palatável, como uma amizade. Com tristeza vejo parcela considerável dos que antes toleravam (hoje tenho certeza disto) a convivência e hoje, repetem fake news seguidos, mesmo cientes de serem descaradas mentiras, tudo para fazer valer o seu ponto de vista sobre outros, Ninguém mais quer ser convencido de nada, mesmo que a verdade não esteja ao seu lado, isso pouco importa, pois o que vale mesmo é vencer a contenda e, se possível eliminar os que pensam ao contrário. Tem aqueles desmerecendo a história assim do nada e como se o que fazem é a própria expressão da verdade, a da imposição da sua verdade. Talvez nem saibam o que venha a ser fascismo.

Com tristeza tento entender tudo isto e para clarear as ideias, num dia em que operei uma das vistas, na tentiva de melhorar a visão, diante de uma catarata, tudo para poder ler mais, enxergar mais e só assim, poder continuar querer emitindo alguma opinião. Preso dentro de um quarto de apartamento, recluso por ordens médicas, fico prostrado diante da estante até encontrar um velho livrinho, um que li e reli tempos atrás e creio ser muito útil nos dias atuais, “CAPITALISMO PARA PRINCIPIANTES”, do Carlos Eduardo Novaes (editora Clube do Livro, São Paulo, 1987, 208 páginas), com belíssimas ilustrações do Vilmar Rodrigues, 435 cartuns dele. Esse livro fez parte de uma série, onde num texto com alguma pitada de humor se mostrava para quem tivesse interesse em se aprofundar em conhecimentos básicos, algo sobre Capitalismo, Comunismo, Filosofia, Cristianismo, Marxismo, etc. Quando vejo muitos fazendo uma desbragada defesa do Capitalismo como o “salvador da pátria”, nada melhor do que uma releitura no livrinho do Novaes, para que ao menos não se continue defendendo essa nhaca sem conhecimento de causa.

O meu eu empresto para quem quiser e se interessar por saber algo básico sobre esse tema. E como não posso neste momento, com operação justamente na visão, ficar muito tempo diante de um velho livro, cheio de poeira, me prendo em algo que quando li pela primeira vez, a reação imediata foi de riso (hoje nem isso se dá mais para fazer), mas serve como algo didático para entender disso de MILITAR nunca se voltar contra o CAPITALISMO. A historinha que aqui reproduzo é contada pelo autor logo na apresentação do livro e com ela encerro minha escrita neste dia:

“O título original deste livro era Capitalismo para Principiantes – crianças e militares. Reduzi o título, mas mantenho o livro dedicado às crianças e aos nossos militares. Sou filho de militar, um velho lobo do mar, que chegou a almirante, acreditando que o mundo se dividia em ‘democracia’ e comunismo. Durante todos estes anos em que estamos juntos – mais de 40-, ouvi meu pai falar de pátria, segurança nacional, democracia, psicossocial, mas jamais escutei de sua boca a palavra ‘capitalismo’.
Precisei crescer mais um pouquinho para entender seu alheamento. Os militares, afinal, não estão sujeitos à lei do mercado: não tem patrão, não precisam ir à greve, não sofrem, o desemprego, não discutem aumento salarial, não trabalham para o enriquecimento de outros homens. As Forças Armadas não são, enfim, um negócio em busca de lucro. Talvez por isso meu pai nunca enxergou o lobo do capitalismo sob a pele de cordeiro da ‘democracia’. Nunca suspeitou que a ‘democracia’, cantada em prosa e verso, não anda sob as próprias pernas. Ela, como qualquer regime político, precisa de um sistema econômico que lhe dê um sopro de vida. No mundo ocidental, o sistema que movimenta as ditas democracias é o capitalismo. Curiosamente o capitalismo é o mais desumano, injusto, perverso e anti-democrático de todos os sistemas econômicos.
Os militares que conheço nunca souberam disso; as crianças também não. Daí dedicar-lhes este livro. Às rianças, na esperança de que cresçam interessadas em conhecer o capitalismo. Aos militares, para que reflitam duas vezes antes do próximo golpe”.

Este livro é um deleite para meus olhos, quase renovados e o seria para muitos que hoje esbravejam a favor deste cruel e insano sistema e nem ao menos o entemdem superficilamente, quanto mais em suas entranhas.

quarta-feira, 28 de março de 2018

COMENDO PELAS BEIRADAS (53)


FIGURINHAS DA COPA SALVAM SEGMENTO PADECENDO AGRURAS SEGUIDAS - ODE AOS JORNALEIROS
O segmento comercial dos jornaleiros, as antes pomposas bancas de jornais estão penando para manter suas portas abertas. Não é de hoje que esse segmento sofre com a queda do consumo do produto mídia impressa. Mais do que claro ter a leitura caído dentro os que antes se lia e mesmo entre os jovens, a imensa maioria opta por leitura virtual. As bancas tiveram que inovar e ampliar seus negócios revendendo outros produtos, pois só com a de revistas e jornais estava praticamente impossível seguir com as portas abertas. Em Bauru somente uma banca ainda não aderiu a revender outros produtos, a do seu Orlando Pavan, ali na rua Primeiro de Agosto, região central da cidade. Todas as demais, indistintamente tiveram que revender algo mais e mesmo assim, de mais de sessenta na cidade, hoje tudo se reduz a umas vinte. E muitas em vias de fechar.

Com a dificuldade presente no seu dia a dia, as que conseguiram manter suas portas abertas passam por sérias dificuldades. Conforme ouço de um deles, foi rolando dívida em cima de dívida, culminando neste momento em algo acumulado em mais de R$ 15 mil reais, que para eles é considerado valor. Muitos resistiram até esse momento e decidiram não fechar as portas exatamente por algo tendo início neste mês, a venda das figurinhas da Copa do Mundo, algo revolucionário e transformador para eles, ocorrendo de quatro em quatro anos. Converse com qualquer um deles e sinta o brilho nos olhos e a esperança renovada de conseguir salvar o ano e quitar todos os atrasos com o boom das vendas. Um deles, possuidor de duas outras bancas na cidade reabriu uma defronte a Prefeitura Municipal só por ter certeza do incremento das vendas, do contrário nem pensaria em fazê-lo num ponto que fechou e ninguém mais pensava em reativar. Outra banca reabrindo foi a recém fechada na Getúlio Vargas, ali perto do Confiança Max. O novo proprietário, também dono de outra banca só foi atrás de reabrir o ponto devido às figurinhas.

Quer mais histórias? Perceba como a maioria deles já alterou o seu horário de funcionamento. Todas estavam com um horário mais dilatado e até fechavam durante algumas horas do dia, mas agora, estão abrindo mais cedo, alguns por volta das 7h da manhã e fechando depois das 19h30. E o movimento já começou a ser sentido e se multiplica cidade afora. Até as livrarias da cidade que não revendem revistas estão indo atrás de revender as figurinhas e tentar criar nos seus espaços um lugar pré-determinado para juntar colecionadores para as trocas, algo contagiante daqui para a frente. Perceba em algumas bancas como já começam a circular algumas pessoas especializadas em troca de figurinhas e não pensem serem crianças, mas sim adultos. Um dos jornaleiros me disse que a média dos colecionadores é bem alta e para quem pensa que isso é coisa de criança, ledo engano. Legião de aposentados participa ativamente com muitos álbuns, os normais e os de capa dura.

Uma febre, que além de contagiar muita gente, traz a alegria para o reduto do seleto grupo dos jornaleiros da cidade. Outrora renegado e sem esperanças de um algo novo no segmento onde atuam, tratam esse período como o da “salvação da lavoura”. Todos possuem muito bem os pés no chão e sabem que nada do que ocorre se deve a nenhuma melhora na economia ou do setor, mas somente por causa dessa febre por causa das figurinhas da Copa do Mundo. Eu que continuo comprando revistas nas bancas de jornais e me recuso a assinar as que ainda leio, tudo para valorizar o jornaleiro, sou amigo de muitos deles e acompanho a vibração com que todos buscam um algo a mais para incrementar o seu local de trabalho, vender mais e sair um pouco do vermelho. Nas fotos aqui publicadas, algo de ontem, começo da noite, quando todas já estariam fechadas, mas adentravam o começo da noite, abertas e a espera dos tais colecionadores. Torço para que consigam superar as expectativas, pois penam muito nos últimos tempos. Cada uma busca com muita criatividade ampliar suas vendas, com um algo diferente, mas igual as figurinhas da Copa não existe. Alguém já notou a diferença?

terça-feira, 27 de março de 2018

RETRATOS DE BAURU (211)


EMPREGOS INFORMAIS
1.) DAN CORREA, CANTANDO E VENDENDO CARVÃO*
* Volto hoje à carga com os personagens Lado B, pretendendo chegar em breve no milésimo e tentando manter uma média de 3 a 5 novos por semana (toc toc toc). Vamos que vamos...
Este relato é uma das demonstrações de como as pessoas se viram hoje para ir se safando e continuar conseguindo algum para sua sobrevivência. Que a tal da crise pegou a todos de calças curtas, todos desprovidos de empregos como dantes, isso já não é mais novidade para ninguém. Carteira assinada é raridade e a economia informal é o que mais viceja pelos quatro cantos da cidade, essas formas inusitadas de ganhar algum. Cada um busca a sua com muita dignidade e na criatividade vai se safando. Sair pelas ruas é ir se deparando com uma história, um novo relato a cada virada de esquina.

DAN CORREA é um eterno garotão, cara e jeito de quem não quer crescer, tocar a vida ao seu jeito, cantante até não mais poder, sonho acalentado desde sempre e hoje deixado de lado, mas não esquecido. Desde o falecimento da mãe, a atriz teatral Madê Côrrea, na qualidade de filho único, foi primeiro viver em Agudos junto dos tios e hoje retorna à Bauru e ali ao lado da casa de sua mãe, permanece na esquina das ruas Quinze de Novembro e Gustavo Maciel, sentado o dia todo ao lado de muitos sacos de carvão e com a venda deles toca sua vida. O tio tem um negócio de carvoaria em Agudos, fornece a matéria prima e Dan revende, quase sempre acompanhado de seu inseparável violão, cantando e tentando se distrair e também atrair novos clientes, além de passar o tempo. Já se tornou popular figura no pedaço, papo agradável para quem passa pelo local, muitos além de parar para conversar, até pedem música. Como as vendas não estão lá essas coisas, além da permanência na esquina, aos sábados desce para o Calçadão da Batista e com a guitarra e seu chapéu de cowboy estendido à frente e virado para cima, arrebanha mais alguns e fortalece o orçamento. Dia após dia, lá está Dan, sentado ali na esquina, olhos perdidos no horizonte, como a crer que algo ainda possa ocorrer, transformando sua vida. Talvez alguém que o ouça cantar e se encante com sua voz e repertório. Persistente e sem nenhuma outra opção à vista, continua sua sina, sem esmorecer e assim toca sua vida.

2.) JURANDIR ELIAS VIVE DA VENDA DE HÍPER SAÚDE DEFRONTE BANCO
Eu ainda tenho conta no Banco do Brasil, aquele que um dia já foi Nossa Caixa, o banco do estado de SP, depois vendido para todo o sempre para outra instituição pelo propulsor do “estado mínimo”, esse que nos governa até hoje, Geraldo “Santo” Alckmin. Dentre as agências deste banco, a de minha preferência é pela defronte a praça Rui Barbosa e lá, na imensa maioria das vezes dou de cara com alguém ardorosamente trabalhando ali na porta da movimentada instituição bancária. Como o conheço de longa data, obrigatoriamente uma paradinha para algo além do mero cumprimento. Seria falta de educação de minha parte passar sem a reverência e uma conversa, nem que seja rápida e rasteira. Não fujo disto e hoje conto algo mais dele.

JURANDIR ELIAS é os 63 anos mais um dos tantos desempregados desta cidade e tendo que se virar para continuar conseguindo algum. Solteiro e morador na vila Falcão, após intensa e infrutífera procura, acabou por descobrir algo que o satisfaça temporariamente: tornou-se mais um dos tantos vendedores das cartelas do bingo do Híper Saúde. Seu local de trabalho é uma mureta defronte o banco e ali, além de descansar os cotovelos (não pode sentar), envergando um jaleco da empresa, oferece para quem entra e sai as tais cartelas. Com a comissão dessas vendas tira seu sustento. Não é desses a oferecer o produto de forma constrangedora, atravessando a frente do provável cliente, mas mantendo a cordialidade, conversa pra lá de amigável com todos. Dá até dicas de orientação sobre lugares na redondeza, ajuda aposentados a atravessar a rua e tudo o mais. Permanece por ali duante o expediente bancário e já se transformou em mais um personagem da referida praça, tal a simpatia e a maneira cordial no trato para com os à sua volta. Trabalhou por 15 anos na Walpe Construtora e ao sair, virou a cidade do avesso, nada encontrando de trabalho com carteira assinada. Por força maior (necessidade mesmo), descobriu o bico e esse acabou se transformando no ganha pão atual. Jurandir não é desses de mal com a vida, entende esse seu momento como temporário e não esmorece na busca por algo com salário fixo. Do alto de um vigor mais do que aparente, segue tentando e crê que falando ou escrevendo dele, talvez até possa surgir uma nova possibilidade.

3.) OTÁVIO VENDE SORVETES NAS RUAS SEM REGISTRO EM CARTEIRA HÁ 35 ANOS
As histórias se repetem em muitos pontos e ir conhecendo uma a uma é como você ir montando um imenso mosaico, um desses quebra cabeças de 5000 peças. O cenário da legislação trabalhista e seus desvios é algo pra endoidecer gente sã. Muitos acham que isso do declínio da carteira assinada para o trabalhador brasileiro é coisa recente, mas ledo engano. A coisa vem de longe e em cada nova história, uma forma de driblar, contornar, se esquivar e deixar o trabalhador ao léu. Não culpo somente os pequenos comerciantes que, sem condições de efetuar o registro de todos sob suas asas, mas muito mais de quem sabe da situação e pouco faz, no caso os órgãos competentes ligados ao Ministério do Trabalho (e enfim, o que poderia ser de fato feito diante de tanta injustiça para o lado mais fraco?). Vejam essa bela história de vida.

OCTÁVIO GONÇALO RUIZ, 62 anos, morador do Jardim Coral, perto da empresa Sato Verduras, lá pelos lados da avenida Nações Norte (antes morava na Nova Esperança) é sorveteiro. Trabalha pelas ruas de Bauru já há 35 anos e orgulhosamente diz ter conseguido educar todos seus filhos com o dinheiro advindo da venda dos picolés pelas ruas. Só na sua atual fornecedora, a Sorveteria Nossa Senhora Aparecida, na praça Washington Luiz, trabalham juntos há exatos 25 anos, um fornecendo o sorvete e o carrinho e seu Octávio na lida diária. Criou uma rotina de trabalho, saindo todo dia para a labuta diária depois do meio-dia, rodando seu setor até acabar a mercadoria. Roda muito e onde chega todos os conhecem pelo barulho da buzina, ouvida de longe. Não tem descanso, 30 dias por mês seguindo a mesma rotina e sempre atuou no sistema meio a meio com as sorveterias (todas atuam do mesmo jeito e maneira), sem nenhum tipo de vínculo empregatício. Não reclama da vida, pois antes diz ter sido pedreiro, com carteira assinada na Prefeitura de Bauru, mas seu ganho não cobria seus gastos. Optou pelas ruas, a liberdade de rodar, livre, solto e hoje, vendendo sua carga completa consegue juntar no final do dia algo em torno de uns R$ 70 reais, essa sua média/dia. Não se vê fazendo outra coisa na vida, sabe tudo do ofício e das ruas da cidade, esbanjando simpatia por onde passe. Perguntado, se mostrou e confirmou ser feliz no que faz e como faz.

4.) RAY SOARES VIVE DE SUA CANTORIA E DOS ACORDES DO SEU VIOLÃO
Imaginem a cena. Você andando pela feira dominical da rua Gustavo Maciel aqui em Bauru, a mais movimentada da cidade, considerada quando se junta com a Feira do Rolo como o espaço de maior concentração popular da cidade, ajuntamento espontâneo de todos os bairros daqui e da região, daí diante daquela imensidade de sons, cada um diferente do outro, compondo uma espécie de sinfonia, algo se destaca e te faz ir de encontro a ele. E lá num fundinho, num cantinho mais que especial algo com um som pra lá de contagiante, que te faz não só parar tudo e ficar ali assuntando do que se trata. A história do gerador desse som eu conto a seguir.

RAY SOARES é um sujeito corpulento, queimado de sol, olhos claros, voz vibrante e empolgante, 48 anos, casado e cantador. Mora lá na Pousada da Esperança II e de uns cinco anos pra cá, quando rarearam as possibilidades de continuar conseguindo empregos fixos, resolveu de uma vez por todas tentar a vida fazendo o que gosta, cantar moda de viola, mas não esse sertanejo moderno, dito universitário e sim, o sertanejo raiz, coisa da antiga, dos tempos dos seus pais e avós. Há havia trabalhado como vigilante noturno, pintor industrial, soldador, prensador até perder o último emprego e como mesmo diz, “na idade que tenho, cada vez mais difícil encontrar emprego, peguei a viola e sai cantando”. E deu certo, hoje ele vive com o que consegue em eventos variados, desde festas caseiras, apresentações em bares e restaurantes, cavalgadas e aniversários. O repertório é variado, mas sempre no estilo seguindo seus ídolos, as duplas Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco, Pedro Bento e Zé da Estrada. Diz não conseguir muito, mas o suficiente para tocar a vida, pois como apregoa ao fechar nova cantoria, “sou o mais barateiro que conheço”. Ray aceita qualquer parada, desde que leve algum e deixe as pessoas felizes. Para quem se interessar por sertanejo, cantado com alguém paramentado como um típico homem do campo, eis seu fone para contato: (14) 997188481. Aqui o link que gravei dele domingo passado na feira, lá no Bar do Barba, esquina da Gustavo com Julio Prestes: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/2049953621701303/.

segunda-feira, 26 de março de 2018

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (153)


ACINTOSAMENTE ME PROVOCARAM NUM RESTAURANTE – REAGIR OU NÃO, EIS A QUESTÃO!
Muitos erram no português, mas sabem o que querem.
 

Conto uma historinha passada comigo e com minha companheira de todas as horas, Ana. Fomos no último sábado ao show do Lenine no SESC e na saída, ela queria comer peixe. Escolhemos um restaurante onde sabíamos ele é servido ao nosso gosto e condições. Entramos e ao sentar, percebo na mesa ao lado algo a incomodar uma pessoa, um senhor grisalho, gorducho, com voz empostada, grave e se fazendo passar por líder do grupo familiar (umas seis pessoas). O que mais falava e já de cara, noto que muda o rumo da conversa passa imediatamente a atacar o PT em voz alta. Fingimos não ser conosco e sem olhar um só instante para a tal mesa, continuamos nossa noite, muito agradável até então. Não seria um boçal a estragar tudo.

Pedimos o peixe com vinho branco, comemos e bebemos e em muitos momentos a voz ao lado se elevava, subia de tom, numa espécie de necessidade em demonstrar que o espaço ali era de pessoas como os de sua mesa e não de um esquerdista (na boca do tal, petista e comunista) e uma negra (estariamos fora do nosso quadrado?). O que mais o incomodou foi o fato de não termos em nenhum momento ter ao menos olhado para o lado de sua mesa e quanto mais espumava, mais riamos e a conversa fluía como se eles não existissem. Uma pessoa quando quer ser notada e não consegue, chega a querer subir na mesa de tanta decepção. O fato é um só, perceptível a olho nu: a direita golpista, os mesmos que saíram de verde amarelo pelas ruas contra a corrupção, hoje estão a uma passo de agredir todos aqueles não pensando e agindo conforme a conveniência lá deles. Nas últimas ações no Sul do país, na Caravana de Lula, pedradas, chicotadas e perseguições pelas ruas se sucedem, ali algo do novo momento deste insólito país.


Ouvimos quase tudo e fingimos não ter sido diretamente direcionado para nós (mas o foi, não havia mais ninguém próximo). Cito algumas das aberrações: “Se nós não voltarmos pras ruas de verde-amarelo, os vermelhos vão querer tomar conta novamente do país”, “Precisamos mostrar para esses petistas qual o lugar deles”, “Petista não entende que a corrupção acabou” e “Ainda bem que o país conseguiu se livrar dessa escória petista”. Evidente que fui reconhecido, o tal sujeito sabia muito quem eu era. Devia representar algum perigo para ele, pois se mostrou muito incomodado, porém, foi elegantemente ignorado e jocosamente rejeitado, pois ríamos o tempo todo conversando entre nós. Claro termos percebido tudo, mas foi naquele momento a reação escolhida para lhe mostrar desprezo. Quando a fizemos lembramos de uma amiga, octogenária e carioca de cepa aroeira, Leda Cantuária. Ela tem por lema algo seguido a risca naquele momento: “PASSA ONTEM QUE HOJE EU ESTOU OCUPADA”. Assim o fizemos com o enfezado senhor, cuja fisionomia não sei qual é, pois não me dignei a olhar para seu lado.


Na saída, quando levantamos da mesa e passamos ao seu lado, estavam falando sobre o Rio de Janeiro e esse cagaço que os que atravessam uma vez na vida a Linha Vermelha, ao lado da Maré e se borram todos. O sujeito interrompe a narrativa do outro sobre sua experiência carioca e praticamente grita para todo restaurante ouvir: “Imagina aquilo comandado por petistas, daí teríamos que botar fogo na cidade”. Saíamos como entramos, sem dar-lhe o gosto de ter alguma intercação direta. Optamos por não barraquear o espaço onde estávamos para saborear um mero peixe. Sentimos na pele a clara demonstração do que está em curso hoje no país, o enfrentamento já evidente, beirando a agressão e tudo por um mero motivo, o hoje golpista, mostrando seu lado nefasto, mesmo sendo ferrado a todo instante e o país imensamente pior do que os do tempo de Lula, continua cegamente o culpando de tudo e jogando petistas, esquerdistas, comunistas, movimentos sociais, Direitos Humanos, leis trabalhistas, reivindicações populares, tudo na mesma vala e ali ateando fogo. Recebo de vários amigos (as) pelo inbox, via redes sociais um texto que uma dessas (sobrenome Telles Nunes – me recuso a reproduzir seu nome completo e o repugnante texto) convocando em Bauru algo da direita, os batedores de panelas para voltarem à avenida Getúlio Vargas no dia 3 de março em desagravo a Lula e contrária à corrupção (sic). Insanos e insensatos, ceguetas de ódio de classe.

Creio eu já termos passado do momento deste inevitável confronto com esses, pois se já nos afrontam em restaurantes, estamos esperando o que mais para demonstrar não só o desagravo, mas não estarmos para brincadeira e o lado que defendemos ser forte, operante, unido e resistirá a esse avanço desmedido da direita, do neoliberalismo e do fascismo. De uma dileta amiga recebo esse texto como sugestão de como deve ser a reação dos que se posicionam contrários à perversidade em curso e reproduzo parte por considerá-lo necessário: “O que penso que devemos fazer.... sair do nosso umbigo, pois estamos mais que fodidos. Perdemos empregos, perdemos os direitos trabalhistas, vamos perder a aposentadoria. Tudo isso por conta do golpe impetrado pela burguesia, que no dia 03 irá as ruas de novo exigir a prisão de Lula. Nos reunirmos em caráter de urgência e mobilizando a reação. Ir para as ruas e enfrentar essa cambada de golpista, algo necessário. Dia 03 vamos pra rua também e bater de frente com quem quer nos esmagar”.

NA ONDA DA REFORMA TRABALHISTA ´APÓS VER A CHERGE DO BETO MARINGONI:
Seria essa a única opção de proposta trabalhista do neoliberal momento com Temer no poder? Todo empresário concordaria com ela? Escrito depois da chicotada que o trabalhador levou por comer dois ovos no almoço oferecido pela patrão, depois do agricultor gaúcho dando chicotadas nos esquerdistas nas ruas, além das pedradas (ah, se fossem do lado de lá para o deles) e depois de lera manchete de hoje do Jornal da cidade, apregoando terem caído sensivelmente as ações trabalhistas no Ministério do Trabalho após a aprovação da nova lei trablhista. Quem cala consente. Tempos obscuros pela frente e depois não gostam quando repito que "éramos felizes e não sabíamos".

domingo, 25 de março de 2018

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (109)


DUAS TESES DISCUTIDAS ONTEM NO CALÇADÃO DA BATISTA E AQUI REVELADAS – MARCO ANTONIO MACHADO E ROQUE FERREIRA

Sai da toca ontem após um recesso pós-operatório e fui logo ver de perto um debate proposto pelas mulheres da Comunidade Negra, ali na esquina da Resistência, Calçadão da Batista com Rua Primeiro de Agosto. Finda a manifestação, surgem as rodas de conversa. Numa delas, eu, Sivaldo Camargo, Sergio Bispo, Roque Ferreira e Marco Antonio Machado. Mais ouvi que falei, até porque a boca ainda em fase de adaptação não está para grandes arroubos (Roque me aconselhou: “melhor quando a boca com problemas, ficamos de boca mais fechada”). Uma conversa dessas com temática ampla, geral e irrestrita. Claro, falamos de Marielle e Marco pergunta para Roque: “E daí, vamos ficar sabendo quem matou de fato a Marielle?”. Roque responde: “Sim. Não vai ter como esconder por muito mais tempo, até porque todos sabem quem o foi”. Se todos sabem, nem é preciso repetir por aqui. A maior altercação da manhã do sábado foi entre Bispo e Marco, um a defender que o STF devia ter referendado a prisão de Lula e Bispo desdizendo e com muita argumentação. Aliás, argumentação não faltam em rodas onde o diálogo ainda é possível, sem aquela odienta briga de foice. Prosseguimos, eu continuei mais ouvindo.

Num segundo round, eu e Sivaldo só ouvindo, Bispo teve que descer calçadão abaixo, foi quando Marco e Roque esmiuçaram suas distintas teses para o tal julgamento de Lula no STF, o que o isentou de prisão até pelo menos dia 4/4. Vamos a elas:

Tese de Marco: “O Lula se quiser vai escapar da prisão. O acordo já está selado junto aos grandões do STF e tudo o mais. Depende só dele escapar da prisão. Pra mim, diante de tudo o que vi, já lhe foi passado que, a votação será favorável e eles escapará da prisão, mas para tanto terá que abdicar ou aceitar pacificamente o fato de não ser mais candidato. Se o fizer, estará livre e se quiser peitar o sistema, será preso”.

Tese de Roque: “A elite brasileira está dividida em quem melhor a representará nos seus interesses após Temer. Parte rompe definitivamente com Lula, mas parte contemporiza e o aceita como o melhor governante que eles poderão ter para não ocorrer algo pior, que seria uma convulsão social e povo nas ruas. Só Lula pode conter as massas caso elas se revoltem e só ele pode fazer o serviço dessa transição sem violência e aos moldes sem grandes transformações sociais”.

O assunto rendeu. Sivaldo precisava seguir seu caminho, eu com fome, mas ainda deu para Marco, no velho estilo daquele zagueirão noroestino tão eficiente dar a nota final, com uma história e pergunta para Roque pra lá de instigante: “O Noroeste vivia tempos atrás dois períodos distintos, dois presidentes se alternavam no poder, o Amantini no poder e o Medina, saia um entrava o outro, até o momento em que, os dois juntos apoiaram e foi eleito Badih Massad. A primeira providência que esse fez ao assumir o poder foi dizer aos dois, “obrigado, vocês me ajudaram, foi bom, cheguei aqui, mas agora é comigo” e os dispensou". Relembra Marco, o fato de Badih ter tocado o Noroeste sem eles. E daí pergunta para o Roque: “O Lula não deveria ter feito o mesmo quando eleito? Ele tinha tudo, o povo ao seu lado, a imprensa ainda favorável, mas não, preferiu compor com esses e ao invés de empurrar pra fora do seu Governo, gente das empreiteiras, por exemplo, se aproximou e deu no que deu”. Roque começou assim a resposta: “Ele poderia ter ido pras rádios toda semana, ir consolidando o apoio popular, daí por diante”. Isso não foi feito, nem nós pudemos continuar a refrega ali na escaldante manhã. E nem pude expor a minha tese. Não tive como, a boca ainda com o maxilar travado me impede de falar muito, mas de mastigar não, pois meu cirurgião acaba de liberar algo leve, sem grandes arroubos, tipo um churrasco. Já de altercar a voz, não o consultei e daí, mais ouvi que falei.


ESTOU QUERENDO CONTINUAR NAS RUAS E CONTO COM O REFORÇO DOS DE LÁ DE CIMA DANDO AQUELA FORÇA PRAS CONTENDAS TODAS QUE VIRÃO PELA FRENTE
Sigo aqui nas contendas me espelhando em Eduardo Galeano, Garibaldi, Che Guevara, Lenin, Hugo Chávez, Marighella, Saramago, Marx, Pagu, Rosa de Luxemburgo, Brizola, Simone Beavouir, Fidel Castro, Chico Mendes, Olga Benario, Torquato Neto, Apolônio de Carvalho, Jorge Amado, Darcy Ribeiro, Carlito Maia, Gabriel Garcia Marquez, João Antonio, John Lennon, Santo Dias, Plínio Marcos, Leminski, Florestan Fernandes, Gregório Bezerra, Prestes, Luis Gama, Lima Barreto, Gonzaguinha, Paulo Freire, Joâo Cândido, Lela Diniz e tantos outros e outras.
Miguel Repiso, na edição de hoje do melhor jornal diário da América Latina, o argentino Página 12.

sábado, 24 de março de 2018

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (131)


A GREVE DOS SERVIDORES, O POSICIONAMENTO DO PREFEITO E O CHARGISTA DO JORNAL – QUANDO A SENSIBILIDADE SUPLANTA TUDO O MAIS
“Servidores e periferia elegeram o Gazzetta e não as tais forças vivas a quem ele se uniu", frase lida agorinha mesmo nas redes sociais e escrita pelo advogado Gilberto Truijo em forma de questionamento diante dos últimos acontecimentos. A truculência dos dias atuais faz a maioria dos nossos políticos agir de acordo com a concepção desses novos tempos, tudo na base da brutalidade, resolvendo as questões na porrada. O diálogo vai pras cucuias e isso se repete agora neste momento na greve dos servidores municipais em Bauru. O prefeito Clodoaldo Gazzetta foi eleito e desde sempre mostrou possuir um lado, pois já atuou nas hostes do Governo Estadual, tendo como patrão esse mesmo que hoje nos governa, o Geraldo “Santo” Alckmin . Tira muitas fotos ao lado deste e sempre com um sorriso de orelha a orelha. O vejo também sempre muito sorridente ao lado de gente como o Paulo Skaf, o dirigente mor hoje da FIESP, um que nem empresa possui, mas administra e rege os interesses dessa classe. Skaf não está e nem nunca esteve ao lado dos interesses populares. Esse dois são símbolos do golpe, assim como tudo o mais que rodeia hoje o nosso alcaide. Sei que ele tem que dançar conforme a música, mas como na frase do Truijo, deixa claro o lado em que sempre esteve. Escrevo isso tudo só para concluir com algo bem simples, sem grandes arroubos: O que a gente poderia esperar de uma pessoa com todo o passado comprovadamente ao lado dos ditos e vistos hoje como participantes ativos desse insano e cruel golpe, que não fosse ter atitudes idênticas a deles todos?

Ele age e toma atitudes dentro de sua concepção de vida. Sem tirar nem por. Quando vejo que, diante de uma greve, na qual não consegue dialogar e me parece, nem queira fazê-lo a contento, a sua atitude de cortar o ponto dos grevistas a partir de segunda feira é sintomático, de fato da exata maneira de como age. Rodrigo Agostinho podia ter mil defeitos, mas era um tanto corajoso e num momento desses descia com suas botinas lá do terceiro andar e ia participar das assembleias dos servidores. Se prestava, no mínimo a dialogar, colocava a cara a tapa. Gazzetta não o faz. São estilos diferentes. Entendo todos os motivos do prefeito para segurar um aumento dentro do pedido pelos servidores, ele está entre a cruz e a espada, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega, mas foi eleito para tomar decisões sensatas e não fugir da raia. Faz o contrário do que esperava seus eleitores e lá do gabinete toma decisões, na maioria das vezes de cima para baixo. Além de feio, desmerecerão seu currículo e seu mandato. Trabalhar na adversidade é mais que nunca saber enfrentar o touro a unha e não ter medo de ir ao encontro dos problemas e os enfrenta-los de frente. Ele foge disso e recebe a saraivada de críticas, todas justificáveis, exatamente por ter optado por um lado, ter feito muitas promessas, ter falado mais do que devia e na hora do vamos ver, de ver quem tem mais garrafa vazia para vender, se mostra arredio e com decisões insensatas. Neste exato momento, ele foge do diálogo e decide com uma canetada tentar acabar com a greve através do MEDO e não do DIÁLOGO.

Quem melhor tem retratado esse momento vivido pelo prefeito é o cartunista do Jornal da Cidade, Fernandão, no único órgão diário impresso de imprensa que temos atualmente. Com uma linha bem definida, de criticar e apalpar, seus textos traduzem o pensamento da elite dominante na cidade. Não discuto mais isso, o jornal é isso e pronto e não devemos esperar dele nada além disso. Continuo me informando por ele, sem problemas, mas não o tenho como única fonte de informação. Confrontar ideias e pensamentos em tudo é mais que necessário. Além dos textos, além das notícias desta aldeia, não nego ter através de suas páginas muita informação do que ocorre na cidade. Para quem faz uma leitura para além do texto do jornal, recomendo aos interessados um olhar mais que clínico para os últimos trabalhos do Fernandão, tendo como pano de fundo a figura e atuação do prefeito. O que o chargista tem conseguido nos últimos tempos é algo pra entrar numa galeria dos notáveis, pois transcende e suplanta os textos. Para mim, os textos passam e a criação dele permanecerá ad eternum como registro inconteste desses tempos. Deixo aqui publicado algumas dessas charges como exemplo do que escrevo. Só de olhar e tentar interpretar cada uma delas, resultaria num amplo estudo a demandar tempo. Ele tem captado o espírito da coisa com muita precisão e com uma rara sensibilidade traduz tudo aquilo que a gente grita com os bofes de fora nas esquinas da cidade, mas não lemos nos textos do jornal, porém estão ali no seu precioso espaço. Confesso, tem sido meu alento no jornal. Não desmereço o restante, mas ele tem conseguido executar seu trabalho com maior acerto na pena do que os que escrevinham sobre o mesmo tema e possuem amarras nas mãos. Não que ele não as possua, mas consegue algo brilhante e neste exato momento, faz com que junte seus desenhos como num álbum de figurinhas (como os da Copa que muitos já iniciaram neste momento), selecionando uma a uma, imprimindo e colando num caderno, como algo merecedor de ser guardado. Ele merece esse rasgado elogio neste exato momento. Tá faltando pouco para ver um deles num cartaz na mão dos servidores e em plena greve.

sexta-feira, 23 de março de 2018

COMENTÁRIO QUALQUER (173)


SEXTA COM MÍDIA TUCANA, PAÍS INERTE E PROJETO FLÓRIDA

1.) A MÍDIA BRASILEIRA É CONIVENTE COM O TUCANATO - MEUS EXEMPLOS PESSOAIS...
Conto uma historinha curta a representar isso tudo: Certa feita enviei algo contundente contra um deputado estadual tucano eleito por Bauru em forma de carta para um jornal. O editor me responde e pede "Se você amenizar, pegar mais leve com ele a gente publica, do contrário não. Sabe como é, né!". O mesmo aconteceu com algo envolvendo o Santo, codinome do governador Alckmin junto a Odebrecht e mesmo diante das evidências nada saia publicado. Perguntando dos motivos a resposta foi do mesmo quilate: "Amenize, pegue mais leve e sairá, do contrário não podemos". É assim, sem tirar nem por. Não se trata de exclusividade daqui ou dali, "tá tudo dominado", como já é sabido por tudo, todas e todos. Daí, nada melhor do que inventar e buscar informação confiável em outros tipos de mídia, pois a tradicional está comprometida com os piores. Escreva algo contra o PT, Lula, movimentos sociais, MST, socialismo, esquerda ou algo parecido e envie para nossos jornais, tudo sairá sem nenhum tipo de problema. Que nome dar a isso? Jornalismo de que?

2.)
VIVEMOS EM UM PAÍS INERTE

Nova edição de Carta Capital nas bancas de Bauru no próximo domingo e com algo como disse um dos jornalistas mais respeitados deste país: “Vivemos em um país inerte, que gosta da festa e do funeral, mas não é de briga.”

Numa capa histórica, dessas feitas para ser emoldurada, fixada na parede e nela nos espelharmos para a ida pra luta: O PAÍS INERTE. Uma novela banal pós-assassinato e tudo sendo conduzida pela TV Globo, quando toma para si a condução do roteiro após a execução da vereadora Marielle. A tibieza nativa se mostra evidente quando a própria família da vítima aceita participar do show televisivo e participa, deixam que seus rostos sejam vistos pela tela desta TV e do jeito que essa TV sugere. Não existe como transformar este país, aceitando isso como normal, como democracia, como jornalismo.

Eis o imperdível vídeo de Mino sobre a edição:https://www.youtube.com/watch?v=DOP0Ot5-8jQ&feature=youtu.be

“Na edição 996: O país inerte. Após a comoção inicial causada pela execução de Marielle, o Brasil volta à sua programação global normal, Temer ameaça com sua candidatura e o Supremo, símbolo máximo da justiça, cai no ridículo. Mas a prisão de Lula está adiada”.
Essa, inquestionável e inquebrantável, a melhor revista semanal brasileira, a única atuando dentro da verdade factual dos fatos, a única isenta e praticando um jornalismo sério, responsável e seguindo preceitos prescritos por qualquer Manuel, hoje a maioria jogados na lata do lixo. Ler, divulgar e passar essa boa nova para a frente a cada semana, até como uma forma de resistência é algo mais do que louvável. Quem ainda lê e se envolve com algo sério, não pode perder o que ainda nos resta de jornalismo decente.

Faço questão de divulgar a revista a cada semana. Trato isso como uma missão de quem sempre amou o Jornalismo e a decência. Salve Carta Capital, a cada semana com uma nova edição, uma superando a da semana anterior, numa prova que a resistência se faz necessário.

3.) FUI ONTEM AO CINEMA VER A REALIDADA NUA E CRUA DA FLÓRIDA/EUA – ALGO DOS QUE NÃO CONSEGUINDO UM MÍNIMO DIÁRIO POSAM NA RUA
Eu e filho no cinema, no último dia de exibição do Filma “Projeto Flórida” (trailer a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=iAgSk43ejuM). Sensível demais, para chorar. O que li sobre ele: “Conhecido pelo trabalho em Tangerine (2015), todo filmado com câmeras de celular, o diretor Sean Baker chega agora com seu mais novo longa: Projeto Flórida. Mais uma vez, o cineasta trabalha com pouco dinheiro, mas muita originalidade. Embora conte com uma fotografia mais tradicional, o diretor ainda mantém um clima de amadorismo e marginalidade, no bom sentido, é claro.
Todo passado no subúrbio de Orlando, na Flórida, em uma área com muitos hotéis e complexos baratos, o filme centra sua atenção na história de uma jovem mãe e sua filha. A mãe, Halley (Bria Vinaite), é uma mulher que tem dificuldade de se manter. Sem emprego, ela vive de pequenos bicos/golpes e da ajuda de amigos. A filha, Moonee (Brooklynn Prince), é uma garota de seis anos que, durante as férias de verão, vaga pela região com amigos. Com uma mãe nada politicamente correta, a menina também não tem papas na língua e age de forma inconsequente, perturbando a rotina local. Elas vivem em um hotel simples, que é administrado por Bobby (Willem Dafoe), um sujeito simples e dedicado, que se preocupa com os hóspedes/moradores do local, mas ao mesmo tempo tem que cumprir suas obrigações de funcionário. Ele é constantemente atrapalhado por Moonee, que causas diversos problemas no espaço. Mas também nutre uma relação de carinho bem especial com as crianças do espaço. Único nome conhecido do elenco, Dafoe está completamente integrado na produção. Em momento algum parece que estamos diante de um veterano trabalhando com amadores. Ele é mais um. E brilha bastante no papel”.

Escrevo sobre o outro lado do filme e o nó na garganta com o que ias vendo. Um daqueles hotéis quitinetes onde moram famílias inteiras e por preços baixos, algo em torno de dez dólares a diária. A pessoa rala o dia inteiro e só posa sob um teto se fizer aquela importância durante o dia. Impossível não relembrar a história já contada por mim de um amigo trabalhando no sinal da Nações com a Nuno vendendo doces e fantasiado de palhaço. Ele mesmo me disse: “Moro numa pensão, algo coletivo, lá pago R$ 30 dia e não fizer isso no dia, poso sentado na rodoviária”. Ouvi isso de muitos e certa feita percorri uma dessas pensões com um outro amigo que morou lá por certo tempo: “Eles até me deixam pernoitar sem pagar um dia, mas no outro devo em dobro. Essa a rotina”. As pessoas nessa situação, no fio da navalha fazem de tudo para não irem pra rua, estão no limite e um passo em falso significa ir pra rua. A mensagem principal do filme nem é essa, mas o que mais me tocou foi ver isso e mais, crianças brincando nesse espaço e neste caso, morando ao lado de Hollywood e sem ao menos terem ido uma vez em suas vidas lá. Isso me lembra das histórias que vi nos subúrbios cariocas que crianças que nunca foram à praia ou aqui mesmo, de muitas que nunca pisaram num shopping. Tudo tão igual, aqui e lá, algo inerente ao capitalismo, um a prometer tudo, mas entregando tão pouco. Uma das cenas mais insólitas do filme mostra uma brasileira, comprando algo pela internet, hospedagem perto da Disney e lá chegando se recusando a pernoitar naquele lugar. Vê-la falando em português, impossível não associar com essa nau de insensatos brasileiros todos em revoada indo pra Disney, sem nem pensar em olhar para tudo o mais à sua volta: http://calvero.org/projeto-florida-da-falencia-dos-sonhos/. Como não se emocionar com a cena das crianças quando vão conhecer as imensas residências abandonadas por falta de condições de pagamento e elas todas morando num mero quartinho apertado de hotel. O filme é tocante e aqui um relato do me mais me sensibilizou. Tocou muito fundo.

Eu sei muito bem que a sensibilidade não é algo compatível com o capitalismo, com o neoliberalismo, daí o principal motivo de ser contra tudo o que representam.

quinta-feira, 22 de março de 2018

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (133)


O COURO COME NA TAL FAZENDA ESMERALDA::: SEM DONO DEFINIDO OU COM UM MAIS DO QUE IMPORTANTE
A Fazenda Esmeralda já tem longa história para ser relatada. Sua localização é na vizinha Duartina e neste exato momento em que batuco esse texto é certamente um dos lugares mais policiados do pedaço, com a maior concentração de Policiais Militares por metro quadrado em área rural neste país, tudo porque, após a última ocupação ocorrida no local, a Justiça (sic) decidiu pela reintegração de posse, fato que deve ocorrer hoje no final da tarde. Algo já acertado entre as partes, ou seja, entre os integrantes do MST e integrantes da Justiça, para que a saída dos ocupantes de sê hoje, mas mesmo assim o aparato policial se faz presente e de forma contundente, ostensiva e preenchendo os espaço. Daí, conclui-se que, de fato, o MST não dá ponto sem nó, sabe muito bem o que está fazendo e a propriedade de fato, aquela cujo real dono não aparece no papel de registro, seria mesmo do ilegítimo mandatário do país, Michel Temer.

As ocupações realizadas pelo MST não são feitas ao léu, aleatórias e sem uma programação muito bem estudada. Se lá estão e por repetidas vezes, sinal mais do que evidente de ter "gato nessa tuba”. Muito se fala sobre as muitas farras lá ocorridas com os ditos proprietários em festas homéricas, todas bem debaixo do pano e com a reunião de diversas autoridades locais, regionais e até nacionais, todas com ligação umbilical ao temerário. Ciente de ser uma propriedade conseguida de maneira nada usual, no velho e conhecido jeito também denominado como “debaixo do pano”, vem daí o interesse do MST em não só ocupar, mas denunciar, deixar escancarado como se dá o processo usual de legalização de terras por parte dos grandes latifundiários neste país.

Para saber mais do assunto, eis algo já publicado e com embasamento dos motivos de lá ocorrerem repetidas ocupações e em todas, a reintegração ser decidida a toque de caixa, porém, sem nunca terem aventado de esclarecer sobre quem seja os reais proprietários da área:
http://www.mst.org.br/…/carta-aberta-a-sociedade-por-que-o-…
https://www.ocafezinho.com/…/mst-ocupa-fazenda-em-sp-movim…/
http://www.contextolivre.com.br/…/mst-ocupa-fazenda-esmeral…
https://noticias.bol.uol.com.br/…/em-sp-mst-ocupa-fazenda-d…

Diante de nebulosos tempos, nada como antes de qualquer posicionamento, o conhecimento do que de fato ocorre e dos motivos do MST insistir nessa ocupação. Plenamente justificada, neste momento deve estar ocorrendo a reintegração. Como por muito pouco, pavios são acesos, torcendo para que o bom senso ainda prevaleça neste momento e por todos os lugares onde ainda flua ações envolvendo os movimentos sociais neste hoje insano país. Resistir é preciso.

Aguardandeo notícias...

OBS.: Nas fotos repassadas por militantes no local, a previsão de quão quente e tensa deve estar a situação no local dos acontecimentos.

e o que aconteceu:
"MST DESOCUPA FAZENDA ESMERALDA, LIGADA A MICHEL TEMER EM ESQUEMA DE CORRUPÇÃO
Chegando de Duartina onde hoje a tarde ocorreu a desocupação "pacífica" pelo MST da Fazenda Esmeralda depois de 25 dias de ocupação pelo MST. Um grande aparato policial foi mobilizado, mas não houve nenhum tipo de confronto.

Advogados, representantes de Sindicatos como da SubSede da Apeoesp Bauru, Ferroviários-CUT, representantes do CRP-Bauru, PSOL-Bauru, PT/SP, Liberdade e Luta, acompanharam todo o processo contribuindo para a retirada sem violência.

A fazenda foi citada nas delações de Ricardo Saud e Joesley Batista, no âmbito do inquérito que investiga irregularidades na elaboração da Medida Provisória 595, conhecida como a MP dos Portos. Saud e Joesley relataram conversas com o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-sP), em que afirmam que a fazenda Esmeralda é de propriedade do presidente Michel Temer.

Oficialmente, a fazenda pertence à empresa Argeplan, do amigo pessoal de Temer João Batista Lima Filho, o Coronel Lima. Temer e Lima tiveram a quebra de seus sigilos bancários e fiscais solicitados pelo ministro Luis Roberto Barroso, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Esta é a terceira vez que o MST ocupa a fazenda Esmeralda – e não há data para deixarem o local. "Denunciamos a ilegitimidade do governo golpista de Temer e nos posicionamos contra a sua agenda de retrocessos para a classe trabalhadora", ROQUE FERREIRA.

quarta-feira, 21 de março de 2018

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (99)


“ATÉ QUE ENFIM O POVO FOI PRAS RUAS PROTESTAR”
A frase título deste meu texto está entre aspas porque a li ontem num dos comentários pela aí e me impactou. O que mais o país precisa neste exato momento é de povo nas ruas, pois somente desta forma conseguirá desalojar os vendilhões hoje encastelados no poder, usurpando e dilapidando tudo. Enquanto a massa assistir a tudo pacificamente, a rapina vai continuar. Daí, mesmo com toda dor, foi lindo ver a reação do paulistano após a crueldade do prefeito Dória batendo nos acuados professores. No dia seguinte, mesmo com chuva, o povo lotou as ruas e deu uma demonstração do que pode ser feito quando provocado. No caso da execução da vereadora Marielle a mesma coisa. Muita dor, mas uma resposta imediata com o povo saindo pras ruas. Aqui em Bauru, vejo várias manifestações ocorrendo com o mesmo sentido e agora, com a deflagração da greve dos servidores municipais, ver a rua Saint Martin ocupada, trânsito impedido defronte o Sindicato dos Servidores Municipais é sinal de que, dia após dia, além de crescer, a movimentação popular dos descontentes, dos insatisfeitos com os rumos da administração municipal pode (e deve) alcançar outros níveis. Vale mesmo é ver o povo nas ruas. Se faz necessário aproveitar cada brecha e se juntar às muitas manifestações em curso e engrossar o caldo dos que estão a propor uma virada de mesa e o restabelecimento da normalidade neste país, pondo fim, em primeiro lugar, com esse ilegítimo, insano e cruel governo golpista. Quando o povo deixar de se deixar levar e conscientemente se posicionar nas ruas e ali enfrentar os tais dragões da maldade, algo da necessária transformação para tirar o Brasil do instalado caos. Sinto que a desão à greve bauruense cresce e encoraja mais e mais servidores, assim como bauruenses entendendo o que está por detrás disso tudo. O momento não é para ficar assistindo nada de camarote, mas sim, se engakar e engrossar fileiras. Vamos pra rua demonstrar a força popular, ela é a saída para tudo!!!
OBS.: As fotos aqui publicadas são de manifestação nas ruas de Bauru em função da greve dos servidores municipais, sacadeas do facebook do SINSERM - Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru. Vejam esse link:
https://www.facebook.com/josefrancisco.martins.9/posts/1754006301330786?pnref=story

ALGUNS LINKS QUE VALE A PENA DAR AQUELA ESPIADA:

1 - UMA ENTREVISTA DIFERENTE COM O PREFEITO GAZZETTA
Gosto do estilo, informal e jocoso, mas diante da proposta de ser feito todo tipo de pergunta, percebo que, ainda não se colocou o prefeito em saia justa em relação a alguns temas. Nada sobre os financiadores de campanha e se hoje dão as cartas no mandato, nada sobre a cobrança de fato para os grandes devedores da cidade, os tais "forças vivas", os tais poderosos da cidade, pouca coisa sobre contrariar os interesses do concessionário do transporte urbano e criar logo os terminais urbanos, nada sobre os compromissos assumidos com os sem teto e se não serão desalojados dos atuais lugares onde se encontram, nada sobre essa praga dos aditivos que infestam as obras públicas e encarecem custo de obras e enchem bolsos de uns poucos, etc. Mas o formato me agrada, criativo, porém, ainda um tanto mais pra levantar a bola do nosso alcaide. Sei não, mas teria algum tipo de filtro nas perguntas? Fica a dúvida. Link a seguir: https://www.facebook.com/socialbauru/videos/1748931928504069/?fref=mentions&pnref=story

2 - Quando viver no atraso te faz viver mais e melhor: Portugal e Cuba, excelentes exemplos. Trata-se de uma maravilhoso, alvissareiro, sorumbático, altaneiro e auspicioso "atraso", um onde adoraria estar nele inserido. A teoria de Sócrates: "Portugal é hoje um país propositadamente atrasado". Link a seguir: https://www.dn.pt/portugal/interior/a-teoria-de-socrates-portugal-e-hoje-um-pais-propositadamente-atrasado-9205013.html

3 - Nenhuma novidade, mas é ótimo ouvir isso de um colega de trabalho do cara. Climão no STF
Sessão foi suspensa depois de bate-boca entre Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Barroso para Gilmar: “Vossa excelência nos envergonha. Você é uma pessoa horrível. Vossa Excelência envergonha, desonra este tribunal! É só ódio, bílis, ofensa!. A vida pra vossa excelência é ofender as pessoas. Não tem nenhuma ideia. Só ofende. É ódio, mau sentimento.”. Link a seguir: http://www.jb.com.br/fotos-e-videos/video/2018/03/21/barroso-e-gilmar-mendes-batem-boca-no-stf/

4 - ESSA É PARA OS QUE ESCOLHERAM NÃO LUTAR E ACEITAR TUDO = VEJAM O EXEMPLO CHILENO E CONTINUEM BATENDO PALMAS PROS GOLPISTAS...
Vaaaai! Apóia privatização! Já perdemos petróleo, aeroportos, energia elétrica, minérios, aviões e estaleiros. Até a Casa da Moeda. Só falta a água!Tá feliz??!! Escolher entre lavar roupa e cozinhar: chilenos contam os efeitos da água privatizada... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/03/21/miseria-pura-ex-agricultores-chilenos-sofrem-em-regiao-de-agua-privatizada.htm?cmpid=copiaecola

São tantas coisas...

terça-feira, 20 de março de 2018

BAURU POR AÍ (150)


POR QUE QUEREM MESMO COLOCAR ABAIXO O ANTIGO PRÉDIO DO INSS?
Tem coisas que não me saem da cabeça. Quando jovem, toda vez que precisava ir ao médico, fui inúmeras vezes no prédio ali na rua Presidente Kennedy, entre a Virgílio Malta e o Viaduto JK, o dos atendimentos do INSS. Lembro bem das escadas na entrada, um saguão e depois as indicações das várias salas. Permanecia sentado em compridos bancos, encostado nas imensas janelas até o momento de adentrar os consultórios. Salas de todos os tamanhos e um amplo salão no centro de tudo, tanto na parte inferior como no andar superior. Passo hoje por lá e um baita desalento, pois tudo abandonado e com mato tomando conta. Como foi possível chegar na situação de abandono atual?

São tantos os motivos. Desde que o INSS deixou de atender naquele prédio foi lacrado e chega hoje na situação de abandono total, quando buscam como solução para o que se transformou, a de ser colocado abaixo, demolido. E o que viria no seu lugar? Nada. Virá um terreno vazio e ali crescerá mato. Mas a edificação está inservível? Creio que não e mesmo que, após todos esses anos de desleixo e abandono precise de ampla reforma, algo poderia ser pensado para ali ser instalado. A Prefeitura Municipal, pelo que vejo, não se interessa em solicitar junto à administração do INSS e do Governo Federal para tê-lo em definitivo. E o que poderia ali ser feito? São tantas coisas. Uma nova escola municipal e abrangendo filhos de comerciários e os moradores do centro da cidade. Uma nova unidade de Saúde. A transferência de inúmeras secretarias espalhadas pela cidade e todas pagando caros aluguéis. E que tal um grande local de hospedagem de estudantes? Isso poderia ser uma parceria da iniciativa privada com o poder público. São ideias e a última delas, a mais detestável e lamentável, seria a demolição.

Não vejo nenhuma movimentação no sentido de preservar o local. Leio sobre alguma movimentação em movimentar o centro da cidade com novas moradias, ocupação de espaços vazios e os hoje degradados, ocupação por estudantes, mas até o presente momento, nenhuma ideia de aproveitamento deste imponente e pomposo prédio. Não creio eu que, a intenção seja a de construir algo novo no local diante de um já pronto, necessitando somente de uma ampla reforma. As indagações são muitas e do que li na matéria do Jornal da Cidade, quando levantou a questão, esperei alguns dias para sentir qual seria a reação. Hoje constato, foi nenhuma. Não ocorreu interesse pelo prédio e, infelizmente, a destinação deverá ser mesmo a demolição. Mas algo ainda podeeria ser feito? Claro, sempre existe algo a ser feito.

Passo por lá hoje com a intenção de tirar fotos. Queria muito poder entrar e ver de perto, entrar no quintal, olhar por dentro das janelas. Ele é muito maior do que imaginava e não está de todo deteriorado. A estrutura básica não está comprometida. Por ter sido moradia de moradores de rua, está uito sujo, com entulho no seu interior, não inutilizado. O fato mais angustiante é a total falta de projetos inovadores para o reaproveitamento de imóveis nessas condições, como algo ocorrido quando da instalação do Poupatempo lá na rua Inconfidência. Não sou nem um pouco favorável na derrubada deste, pois qualquer leigo nota o quanto a cidade está carente de instalações para incontáveis finalidades. O interesse tem que partir da Prefeitura, só dela e daí algo de concreto ocorrer. Tenho certeza que com uma boa negociação o INSS cede facilmente , mas nem o início de uma negociação vejo ter ocoirrido.

A Estação da NOB foi adquirida com um propósito e até hoje nem 20% de suas instalações estão ocupadas. Se é para lutar para se conseguir a transferência de propriedade para a Prefeitura e tudo continuar como dantes, seria mesmo só mais um elefante branco nas mãos do poder público. O que faltam são projetos e gente interessada em investir nisso, produzir algo com proveito para a cidade, gente trabalhando neste sentido. Esse é só mais um prédio abandonado e em condições de ser reaproveitado, readaptado e reaberto com outra finalidade. Aquele barracão fechado na frente da Feira do Rolo é outra chaga exposta. Ali seria mais que interessante um Mercadão integrando a feira com todas as possibilidades da região. Por enquanto quero me fixar nesse prédio. Seria lamentável a sua demolição. Ele pode resistir com utilidade por muito mais tempo, basta quem de direito se interessar e propor algo de útil, prático e necessário. Antigamente ouvia dfizer da existência de um grupo, uns tais de "forças vivas", que não deixavam de defender e fazer coisas por Bauru? Que fim levaram, se é que algo foi feito por iniciativa deles?